Vamos falar da queda da Dilma, então, quando esse modelo se esgota. E quando a Dilma assume, ela resolve mudar um pouco o projeto. Ela quer instituir uma política de industrialização do país.
Porque isso é uma coisa que toda a esquerda defende. A industrialização não só nos dá mais autonomia perante o mercado internacional, como ela consegue também aumentar a massa salarial no geral, porque aí a gente tem mais empregabilidade, mais empregabilidade pressiona os salários para cima. No primeiro mandato dela, no primeiro ano, ela faz uma série de políticas que a gente pode dizer que são não liberais.
Ela ativa mais o BNDS, ela reduz imposto industrial, ela aumenta o imposto para capital estrangeiro para incentivar a indústria interna, ela desvaloriza o real, que é uma medida clássica. China faz isso para valorizar a indústria interna, ela tenta baratear em 20% a energia elétrica. E a coisa mais controversa que ela mexeu num vespero histórico do Brasil, ela tenta reduzir a taxa de juros.
O que que a Dilma queria com isso? Fazendo todas essas medidas, ela tinha a expectativa de que ela seria apoiada pela burguesia industrial. E esse apoio não vem.
Só que o que eu quero que vocês prestem atenção é o seguinte. No lugar de mobilizar a população em torno de um projeto de industrialização nacional, a Dilma faz isso na expectativa de obter apoio da burguesia. Ela não tem.
E as causas são muitas. A primeira, a gente pode dizer que a crise de 2008, ela tem uma espécie de repique em 2011. Então, a gente volta a ter uma pressão inflacionária bastante evidente.
E existe uma outra coisa que a gente tem que observar. Quando a gente valoriza o salário mínimo e aumenta a empregabilidade, os salários tendem a pressionar os lucros. E a maior empregabilidade também tende a pressionar os salários para cima.
Não tem como ter uma política de empregabilidade e de valorização do salário mínimo que não cutuque a burguesia. Se você precisa de bases parlamentares amplas para conduzir a sua política, ao mesmo tempo que você tá pressionando os lucros com a valorização de salário mínimo e empregabilidade, essa conta não vai fechar uma hora. E quando que ela deixa de fechar?
Na próxima crise econômica que acontecer. E aconteceu. A gente teve uma crise econômica ferrada em 2014, 2015.
A gente vê a crise que precipita o impeachment da Dilma, principalmente quando ela consegue fazer a proeza de desagradar todo mundo. Ela abre mão dessa política industrial e troca o Guido do Mântega pelo Joaquim Levi, justamente para colocar o Joaquim Levi e tentar atender a todas as demandas do mercado de uma vez. E aí todas essas políticas para atender, ela sobe a taxa de juros de novo e isso ferra.
Ela ferra os dois lados. Não é surpresa para ninguém, gente. A pedalada fiscal foi um pretexto, né?
Todo mundo sabe disso. Era para tirar uma pessoa de ser qualquer coisa. Exato.
Todo mundo que tava votando lá sabia que queria tirar ela. Assim que a de macai a gente vê todos os projetos. que não estavam passando com a velocidade que a burguesia queria, reforma trabalhista, reforma da previdência, teto de gastos, novo ensino médio, enfim, todas essas reformas que foram passadas a toque de caixa.
Foi uma coisa impressionante. O governo Temer foi era reforma atrás de reforma atrás de reforma, destruindo CLT, liberalizando a economia, avançando privatização, aumentando a desigualdade da educação pública em relação à educação privada. Foi uma coisa de louco.