Módulo 7 aula 9 Vamos falar sobre o ensino por tentativas discretas. O ensino em tentativas discretas também é conhecido como instrução por tentativas discretas ou treino por tentativas discretas. Nós utilizamos as letras DTT para falar das tentativas discretas.
Então, se você ouvir falar em DTT, nós estamos falando em ensino por tentativas discretas. O ensino por tentativas discretas é amplamente utilizado em ensino baseado em ABA. É um procedimento que organiza o ensino em unidades menores, que são as tentativas.
E as tentativas são apresentadas em sequência, uma a uma. Vamos falar um pouquinho dos componentes de uma tentativa. Então, são quatro componentes em uma tentativa.
O primeiro é um estímulo discriminativo para iniciar a tentativa. O segundo é uma dica, ajuda ou prompt, para facilitar a ocorrência de uma resposta correta. O terceiro é a resposta do cliente.
É importante perceber que os dois primeiros componentes do DTT são fornecidos pelo aplicador, terapeuta ou acompanhante terapêutico. Então, o SD ou estímulo discriminativo é fornecido ou uma instrução em forma de estímulo discriminativo. Uma dica, ajuda ou prompt também pode ou não ser fornecida pelo instrutor.
E a resposta é a resposta do cliente. Após a resposta do cliente vem o quarto componente, que é uma consequência. Caso a resposta seja correta.
Então, a resposta é dada pelo cliente e a consequência é fornecida pelo terapêutico. Vamos pegar um exemplo. Imagine que um terapeuta diga para uma criança qual seu nome?
Esse é o estímulo discriminativo, ou SD. O próprio aplicador ou terapeuta diz a resposta, João. Então, ele faz a pergunta qual seu nome e logo em seguida diz, João.
Ele está dando uma dica da resposta. O nome do cliente é João. E ele está dando uma dica para que o cliente repita a palavra João.
Então, nós temos o SD, qual o seu nome? Nós temos a dica de resposta, que é o próprio aplicador dizer João. Nós temos a resposta, que é a resposta do cliente.
Ele dizer, João, é o comportamento do cliente. É isso que nós queremos ensinar. E nós temos a consequência, depois que o cliente diz João, o aplicador ou terapeuta diz, arrasou João muito bem, que é a consequência pelo cliente ter falado João.
Então, nós temos esses quatro componentes que vão se repetir em praticamente todos os programas que a gente faz quando a gente está usando DTT. E a gente faz DTT, pode fazer DTT, em muitos programas de ensino diferentes, com objetivos diferentes. Vamos aqui, agora, esmiuçar um pouco mais cada um desses elementos.
Então, o estímulo discriminativo, ele indica qual resposta será reforçada. Ele sempre antecede a resposta do cliente. E pode também anteceder uma dica de resposta para o cliente.
Mas isso sempre vem primeiro. O estímulo discriminativo, numa tentativa de DTT, ele pode ser simples, como uma instrução, um som, uma imagem, por exemplo, uma frase. Eu posso dizer para o cliente assim, aponta o seu joelho.
Ou eu posso apresentar uma peça do quebra-cabeça para o cliente montar um quebra-cabeça. Ou pode ser o som de um animal como um SD, e o cliente tem que adivinhar qual é o animal que faz aquele som. Ele vai aprender qual é o animal que faz aquele som.
Mas o SD, ou o estímulo discriminativo, numa tentativa, também pode ser um estímulo composto. Ele pode ter mais de um estímulo combinado. Por exemplo, uma instrução, mais um estímulo visual.
Vamos pensar que eu posso dizer assim, eu posso colocar figuras, três figuras sobre a mesa e dizer, me mostra o cachorro. Então, aqui tem uma combinação. O SD vai depender da instrução que eu dei, me mostra o cachorro, mas a figura, as três figuras que o cliente vai ter que rastrear com o olhar, ele vai ter que olhar para as três figuras e mostrar qual das figuras tem um cachorro.
Então, nesse caso, o SD é uma combinação de uma instrução e uma imagem, aqui nesse caso, no meu exemplo, uma imagem de um cachorro. Mas pense que a instrução poderia ser diferente. Eu poderia ter três animais, uma vaca, um elefante e um cachorro, e perguntar para o cliente, qual desses animais é um animal de estimação?
Então, provavelmente, se esse cliente já aprendeu, ele vai apontar o cachorro e não os outros animais. Mas eu poderia perguntar assim, ah, qual é um animal que vive na savana? E aí, a resposta será outra.
Então, por isso que o SD, nesse caso, é uma combinação entre a instrução e as figuras. Eu não dou sempre a mesma instrução diante daquelas figuras, a menos que eu esteja ensinando uma habilidade específica, mas eu posso estar ensinando outras habilidades usando as mesmas figuras. E aí, nesse caso, a combinação do SD vai ser uma instrução diferente com as mesmas figuras.
Então, a mesma instrução pode ser dada diante de figuras diferentes. Eu posso usar as mesmas figuras e dar uma instrução diferente. Tudo isso é um SD composto, composto por uma instrução vocal e por alguns estímulos visuais.
O segundo elemento que nós já discutimos são as dicas, ajudas ou prompt, são estímulos que nós usamos para facilitar a ocorrência da resposta correta por parte do cliente. Se nós estamos ensinando uma nova habilidade, é muito provável que esse cliente ainda não consiga emitir a resposta correta diante dos meus SDs. Então, nesse caso, a gente dá uma dica de qual é a resposta que o cliente tem que dar naquela situação e nós temos procedimentos para retirar gradualmente essas dicas para que o cliente de fato responda diante do SD e não precise sempre de uma dica de qual é a resposta correta.
O objetivo da dica, então, é facilitar a ocorrência de uma resposta correta e fazer com que a resposta correta do cliente aconteça diante do SD, do estímulo discriminativo. Então, a gente usa procedimentos para retirar as dicas gradualmente e fazer com que a resposta do cliente aconteça diante do SD sem a necessidade de uma dica, que é quando nós dizemos que o cliente teve uma resposta independente, uma resposta correta sem uma dica. Existem dois tipos de dicas.
Nós usamos muitas dicas de respostas, mas existem também dicas de estímulos. Nós vamos falar sobre dicas de estímulos em outra aula, vamos focar um pouco mais em dicas de respostas. O que seria, então, um exemplo de dica de resposta?
O terapeuta aponta para a figura correta em uma tentativa de ensino. Então, eu posso perguntar, me mostra o cachorro e eu aponto para a figura do cachorro como uma dica e o cliente vai lá e aponta para a mesma figura que eu apontei. O meu gesto de apontar para a figura correta aponta como uma dica de resposta.
Uma dica de estímulos seria usar uma figura, por exemplo, que fosse maior que as outras, para indicar que aquela é a resposta correta naquela tentativa. Então, eu poderia ter uma escala semelhante de duas figuras. Então, no meu exemplo aqui, eu poderia ter um elefante, uma vaca e um cachorro.
E aí, eu coloco o cachorro bem maior, a figura do cachorro é bem maior do que a figura da vaca e do elefante. E eu pergunto, me mostra o cachorro, eu peço, me mostra o cachorro, onde está o cachorro? E essa criança vai ter uma dica que está numa propriedade física do estímulo.
Então, aquele estímulo que tem a figura maior, é o estímulo correto, que ele precisa emitir a resposta na direção daquele estímulo. E essa é uma dica de estímulo e ela também precisa ser retirada gradualmente. Existem procedimentos de esvanecimento.
Então, o que eu faria nesse caso aqui para tirar essa dica de estímulo? Eu diminuiria gradualmente o tamanho da figura do cachorro, para torná-la semelhante em escala às demais figuras e a criança passar a responder sem essa dica de estímulo. Agora, o componente da resposta ainda no DTT.
Então, a resposta deve ser definida claramente. Ela precisa ser observável e deve ser facilmente medida durante uma sessão de ensino de DTT. Então, eu tenho que ser capaz de observar essa resposta, de verificar se a resposta ocorreu, se ela não ocorreu, se ela está correta, se ela está incorreta.
É preciso especificar o comportamento esperado de forma clara, porque isso torna a apresentação de consequências mais fácil para o aplicador. Então, ao determinar o que vai ser ensinado, qual será a resposta a ser ensinada, eu tenho que saber qual é a resposta clara. Aqui nos meus exemplos, eu estou falando de ensinos que vão exigir uma resposta motora.
Então, apontar para a figura correta. Mas, nem sempre essa resposta é motora. Eu tenho que definir claramente qual é a resposta que eu estou exigindo.
Por exemplo, se eu faço um ensino de combinar figuras idênticas, então a resposta motora não é de apontar, é de pegar a figura e colocar próximo da figura idêntica. Se eu estou fazendo um ensino de tato, por exemplo, então a resposta esperada, a resposta que eu estou tentando ensinar para o meu cliente, é uma resposta vocal. Então, existem muitas possibilidades de respostas, e quando a gente determina um ensino com DTT, a gente tem que saber exatamente qual é a resposta esperada do cliente.
Se é uma resposta vocal, qual é o alvo de ensino, então qual é a palavra que ele tem que falar, qual é o estímulo visual que ele tem que apontar, qual é a parte do jogo que ele tem que pegar, qual é a parte do corpo que ele tem que apontar, se eu apresentava, me mostra a sua perna, me mostra o seu nariz, então ele vai ter que apontar para alguma parte do corpo dele. Então, a gente tem que definir claramente qual é a resposta e quais são os alvos de ensino. A gente também tem as consequências, então, outro componente que a gente vem falando, são as consequências reforçadoras.
Elas são necessárias para estabelecer novas respostas e manter as respostas que já foram ensinadas. Quando a gente falou lá sobre reforçamento positivo, a gente estava falando sobre manter respostas que já acontecem e também ensinar novas respostas. É preciso conhecer o que é reforçador para o cliente.
Então, a gente só pode ensinar alguma coisa para o cliente, se nós soubermos o que é reforçador para esse cliente nesse momento. E por isso a gente usa avaliações de preferências. Conjugando todos esses componentes do DTT, nós temos o intervalo entre tentativas.
Alguns autores vão incluir isso como um componente do DTT. Eu acabei não incluindo aqui como um componente, mas é uma parte necessária de um DTT e ela vai afetar a maneira como eu vou apresentar as tentativas. O intervalo entre tentativas ajuda a demarcar o fim de uma tentativa e, consequentemente, também ajuda a demarcar o início da próxima tentativa.
No intervalo entre tentativas, geralmente, o cliente vai consumir o reforçador, ele vai ter acesso ao reforçador. Se for um reforçador comestível, ele vai lá comer aquele pedacinho de alimento que eu dei para ele, ou se for um reforçador tangível, um brinquedo, ele vai brincar durante algum segundo com aquele brinquedo. Então, isso também marca um intervalo entre tentativas.
É importante dar esse tempo de consumo do reforçador, seja ele comestível ou tangível de qualquer natureza, e depois iniciar a próxima tentativa. Claro que cada programa pode ter algumas especificidades. Então, pode ser que você esteja usando um programa de ensino que vai envolver o reforçamento em um esquema de reforçamento que não é um esquema de reforçamento contínuo, que pode ser um esquema, por exemplo, de razão variável.
E aí, nesse caso, o intervalo entre tentativas pode ser pequeno, e quando o reforçador é apresentado, o intervalo até a próxima tentativa pode ser maior, porque ali vai ser entregue um reforçador tangível, um comestível até a próxima tentativa, e depois você vai fazer um bloco, um conjunto de algumas tentativas até a entrega do próximo reforçador. Então, esse tempo pode variar um pouco. O tempo do intervalo entre tentativas.
Pode haver pausas curtas, e aí pausas curtas geralmente significam 1 a 3 segundos, elas são geralmente mais eficientes, porque dão ritmo ao ensino em tentativas discretas, mas às vezes são necessários intervalos mais longos, que podem ir acima de 5 segundos até em torno de 30 segundos. E significa que aí, nesse caso, vai haver um consumo de um reforçador e você vai ter que dar um pouco mais de tempo para o cliente. Então, aqui retomando, e resumindo um pouco o que é o DTT, é importante lembrar que as tentativas são sempre iniciadas pelo aplicador.
Essa é uma característica básica do DTT. O aplicador deve esperar um tempo especificado pela resposta ou dar uma dica de resposta, conforme cada programa, como estiver definido a aplicação de um programa. Esse tempo de espera geralmente varia entre 3 e 5 segundos, quando eu for esperar pela resposta do cliente, uma resposta independente, ou pode haver uma espera dependendo do sistema de dica que estou usando.
Ou a dica pode não envolver nenhuma espera, e eu dou o SD e a dica logo em seguida. Ou posso dar o SD e atrasar a entrega da dica. Existem algumas estratégias nessa direção também.
Se a resposta for correta, a consequência deve ser apresentada imediatamente. Então, o cliente acertou, eu vou e reforço imediatamente. Esse reforçador pode ser social, pode ser tangível, comestível, pode ser de qualquer natureza, desde que esteja previsto nesse programa de ensino específico.
Se a resposta for incorreta, um procedimento de correção de erro pode ser iniciado. Existem alguns tipos de correção de erro, e você vai ter que ver dentro do programa de ensino dessa habilidade qual é o procedimento de correção de erro que está sendo especificado ali. Os passos anteriores são repetidos várias vezes.
Então, são várias tentativas. Resposta correta, reforça, resposta incorreta, correção de erro. E isso vai sendo feito em sucessão, uma tentativa após a outra, e com algum ritmo, como nós já falamos, com algum intervalo entre tentativas, mas imprimindo um certo ritmo nessas tentativas.
O interessante do DTT é que a taxa de respostas do cliente, o quanto ele vai responder em uma sessão de DTT, depende da velocidade do aplicador, do ritmo que o aplicador dá para as tentativas. Se é um aplicador que faz tentativas lentamente, que dá intervalos maiores, o cliente vai responder em menor frequência, e se for um aplicador que faz um ritmo mais rápido, mais acelerado, o cliente também vai responder no ritmo mais acelerado. É importante tomar um pouco de cuidado, porque quando a gente acelera demais, tem intervalos entre tentativas muito curtos, isso pode prejudicar o ensino e pode desmotivar o cliente.
Da mesma maneira que um ritmo muito lento para um cliente que responde rapidamente, também pode ser prejudicial.