Olá pessoal, eu sou o Luís Felipe Carvalho, da AEVO. E hoje eu tô muito feliz de estar aqui ao lado do Francisco Tripodi, que é sócio na Pieracciani, E hoje a gente vai falar para a gente sobre Financiamento de Inovação. .
. Funding de Inovação. Vamos lá?
Então Tripodi, fala para a gente. . .
O que é Funding para Inovação? O que são esses instrumentos de fomento e por quê isso é importante? Bom.
. . Nós podemos traduzir Funding como recurso.
. . Recurso para inovação, ou seja, dinheiro para inovação.
E por quê é importante? Porque os recursos de qualquer empresa, de qualquer empreendedor são limitados. Dificilmente uma empresa tem recursos ilimitados para desenvolver todas as soluções que passam pela cabeça dos pesquisadores.
Partindo do princípio que os recursos são limitados, o governo paga uma parte desse projeto, uma parte desse custo de desenvolvimento com o objetivo de aumentar os esforços da inovação. Outro ponto importante do Funding é que o governo tem o objetivo de pagar o risco tecnológico. A inovação está muito associada a risco.
Então, como tem risco o governo está pagando um percentual disso por alguns dos seus mecanismos de fomento. E tem quatro categorias principais dos mecanismos de fomento. A primeira delas, talvez a mais importante, se resume aos incentivos fiscais para inovação, entre uma série de mecanismos.
A segunda seria as alternativas de financiamento reembolsável. um financiamento "comum", mas com condições subsidiadas, muito melhor do que um banco de varejo, por exemplo. A terceira são os financiamentos não reembolsáveis, ou seja, recurso ao Fundo Perdido, Subvenção Econômica - basicamente dinheiro "dado" pelo Governo para desenvolver e fomentar projetos.
E por fim as bolsas para pesquisadores, nos quais as empresas contratam profissionais de nível técnico e médio, até pós doutores, para trabalhar dentro das empresas desenvolvendo projetos específicos. E. .
. Desses tipos de inovação, você pode dar exemplos? Bom, a mais conhecida entrando na seara dos incentivos fiscais, é a Lei do Bem - um programa federal-, uma lei de existe desde 2005 e de lá para cá 1500 empresas se beneficiaram no último ano com os incentivos da Lei do Bem, segundo o próprio Ministério.
Aonde quer que o governo dá renúncia fiscal de imposto de renda e de contribuição social sobre o lucro líquido, proveniente dos gastos com projetos de pesquisa e desenvolvimento. E essa renúncia pode ser de 20,4% até 34% Entrando nos financiamentos reembolsáveis, os principais Players ou Bancos de Fomento são a FINEP - Agência Financiadora de Estudos e Projetos. E o BNDES - Banco Brasileiro de Desenvolvimento Econômico e Social.
Existem linhas específicas para a inovação e a FINEP tem sido mais competitiva principalmente nos últimos anos, Mas em linhas gerais as condições variam de TJLP -0,5% até TJLP +5%, que chegam a 9% de juros ao ano. A melhor condição que existe hoje falando de TJLP com -0,5% de juros, por 6 anos de carência e 16 anos para pagar. É quase um financiamento da casa própria, mas é financiamento para a Inovação.
Para a Subvenção Econômica, um player muito importante: A EMBRAPII (Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial), que promove a Subvenção Econômica de até 66% do custo de um projeto, desde que ele seja em parceria com o Estudo de Ciência e Tecnologia. E as fundações de amparo à pesquisa: Destaque para a FAPESP (Fundação de Amparo à pesquisa do Estado de São Paulo) que tem o orçamento de 1% da Receita Tributária do Estado, Então tem muito recurso. .
. Tanto para pequenos empreendedores quanto para grandes empresas. A FAPESP tem recursos para empresas que ainda não nasceram, baseadas exclusivamente em uma ideia.
Uma vez aprovado o projeto, o empreendedor pode abrir sua empresa e receber o recurso. Então têm várias linhas de financiamento para inovar. Mas eu estou pensando aqui numa pessoa que está na empresa, com uma ideia para inovar ou um projeto que precisa sair do papel.
. . Com tantas opções, como ele escolhe a melhor?
Como ele vai decidir qual o melhor caminha para trilhar? Eu posso dizer que existem 04 passos importantes: O primeiro deles é categorizar quem está buscando o fomento - se é uma grande empresa, se é uma empresa de pequeno porte, se é uma empresa de médio porte. .
. Conhecendo e determinando muito o porte da sua empresa, quem é que vai fazer a captação, Você começa a selecionar os bancos de fomento ou os agentes de fomento. Por exemplo: se for uma empresa de médio porte eu não posso buscar uma FINEP diretamente, eu tenho que fazer por meio de um banco intermediário.
Se eu for um microempreendedor, não adianta eu pensar em financiamento reembolsável porque existe uma série de condições que são difíceis para mim. Agora se eu sou uma grande empresa eu posso pensar em tudo isso e pensar também em incentivos fiscais. O terceiro passo é conhecer muito bem o seu portfólio dos projetos que você pretende desenvolver.
Qual o tipo de inovação? Inovação Radical, Inovação Incremental? Inovação Disruptiva, Inovação Contínua.
. . A depender do foco do projeto você vai encontrar Players e recursos diferentes.
E por fim… Estar muito atento a tudo que está disponível. Os mecanismos mudam o tempo todo, seu portfólio muda o tempo todo - fazer esse "casamento" e combinar vários mecanismos têm sido a melhor estratégia. Utilizar o incentivo combinado a um financiamento combinado a contratação de um bolsista e por aí vai.
Combinar ou rearranjar, agrupar, tem sido uma estratégia vencedora para as empresas. Então nessa visão, um portfólio de iniciativas multi plataformas para eu financiar a inovação. .
. Você possui algum caso de alguma empresa que usou isso bem? Têm vários casos: nós temos tanto casos de empresas de pequeno porte, como grandes líderes mundiais que em tese não precisam desse recurso.
Esse caso que eu vou contar é de uma líder mundial no setor de alimentos, ela conseguiu que o governo, por meio de vários mecanismos, pagasse 70% do custo do projeto. Essa empresa à época conseguiu renúncia fiscal pela Lei do Bem de 27,2% do orçamento do projeto. Por exemplo, ela gastava 10 milhões e teve 2,7 milhões de renúncia fiscal.
Além disso, ela conseguiu uma Subvenção Econômica da EMBRAPII de 66% do projeto - já diminuiu uma boa parcela. Além disso, ela contratou bolsistas por meio de um edital, onde 100% das bolsas eram pagas pelo governo, contrapartida a execução do projeto que aconteceria. Então, combinando esses três mecanismos, ela teve 70% de redução de custo do projeto.
Além disso, à época, ela conseguiu contratar um financiamento à 2,5% de taxa de juros ao ano. Infelizmente esse recurso não existe mais, está difícil conseguir essa taxa no mercado, mas a comparação que a empresa fez à época que a matriz cobrava 7% ao ano. Então foi muito mais interessante, além do custo do capital ser menor, ela fortaleceu a imagem de ser uma empresa inovadora para todo o ecossistema, por vários mecanismos.
Ela conseguiu uma carência que a matriz não conseguia. A ideia é que com isso ela aumente os seus esforços. Se ela executasse 20 projetos, utilizando esses mecanismos eu posso executar 25 projetos no meu portfólio, ou seja, priorizar melhor os projetos.
Essa é a grande estratégia. Brilhante! Sem dúvidas, uma empresa com mais recursos consegue fazer um portfólio muito mais abrangente para inovar de várias formas, em várias áreas da sua empresa.
Bom pessoal, é isso aí. Espero que tenha sido um bom material hoje que nós discutimos aqui. .
. Terá um link, se você estiver no Youtube, "aqui" embaixo, se você estiver no Linkedin, nos comentários - caso você queira conhecer melhor sobre a Pieracciani, que possui bastante experiência com Funding… E até o próximo vídeo. Obrigado.