ciúmes Quem te chamou vamos lá então para esse tema espinhoso para tratar dessa desse sentimento tão mal falado então um assustador que é o ciúme assustador mal falado justamente porque é um afeto comum primitivo infantil que diz muito das nossas Primeiras Experiências Com relação ao objeto de amor né tanto no sentido de ser o objeto de amor para alguém quanto no sentido de ser de de de ter o outro como objeto de amor né de amar e ser amado por dentre tantas pessoas a gente ama só uma ou algumas delas faça essa pergunta para colocar
que quando a gente coloca o tema do amor a gente coloca uma pessoa no mínimo tá uma pessoa outra pessoa e mais um terceiro que é o fora né então todas as pessoas que estão fora disso elas estão no campo do do Amor eh e isso é algo que a gente pode pensar que poderia ser desconstruído na nossa nos nossos tempos se a gente puder considerar aí os a ideia da da da dissolução da monogamia dos relacionamentos abertos né e a gente pode cair numa certa ingenuidade de acreditar que isso resolveria o problema dos ciúmes
né mas o que a teoria psicanalítica vai nos apontar é que o buraco é mais embaixo né como tudo em psicanálise as coisas não começam bem ali né Elas começaram antes e esse tema então do ciúmes ele chega na nossa Constituição de quem nós somos quem é que eu sou para o outro quem é que o outro é para mim quando Freud vai desenvolver sua famosa teoria sobre o complexo de Édipo ele vai dizer justamente de como é que cada um de nós faz para aprender a ser amado e para e para aprender a perder
o lugar de amor para o outro diante de alguém quando ele vai dizer então Sobre o Complexo de épo E aí se a gente for ler o Freud mesmo né a gente encontra lá ele falando a mãe o pai e o filho que é uma leitura que a gente pode pensar com a teoria lacaniana que vai dizer muito mais respeito à função de que há três pessoas do que de que a mãe seja uma mulher o pai seja um homem não é disso que se trata né a gente pensando Freud juntamente com lcan o que
importa nessa construção edípica é que sejam que seja mais de uma pessoa a amar uma criança né então há essa essa Tríade né que eu vou utilizar aqui ainda o termo mãe pai e filho mas por favor entendam aí que eu tô falando muito mais relacionados ao fato de serem pessoas diferentes do que ao fato disso estar marcado por uma construção de de identidade gênero né ou alguma coisa nesse sentido eh se a gente pensa então na relação entre a mãe e o bebê falo da mãe e o bebê porque em tese né o foi
o bebê nasce teria nascido do corpo da mãe a gente tem uma relação muito íntima ali entre essa fusão com o outro e um desfusão né uma certa separação em relação a um outro e É nesse lugar de se separação que o pai vai entrar né que essa outra pessoa que vai dizer respeito ao objeto de amor ela entra o que o Freud vai propor na teoria dele complexo de edipo é que a criança vai rivalizar o amor dessa mãe com esse pai né ou o amor desse pai com essa mãe seja lá qual for
a composição o que existe aí é uma rivalidade depois se a gente pensa que a gente tem uma família que tem mais irmãos ou mesmo se não tiver a criança na escola junto né disputando o amor da professora junto com os colegas dos netos junto com a avó Seja lá o que for nós somos seres sociais né então a gente tá sempre encontrando outras pessoas Independente de como for a configuração familiar nas melhores famílias né a gente tá tem misturas eh o que a gente vai viver é uma disputa é uma rivalidade por bem me
quer mal me quer né se o outro ama alguém que não sou eu ele me ama menos ã quando eu invisto minha albido em alguém eu tô investindo albido nesse alguém O que significa desinvestir não investir libido nos outros e aí a gente cai naquele problema que é o problema do narcisismo né que é o problema de que se eu amo eu eu tô perdendo o narcisismo lembram disso a gente falou na na na aula sobre o primeiro amor né o eu se eu amo alguém eu tô perdendo o narcisismo e se esse alguém que
eu amo tá amando alguém que não sou eu eu sou uma pessoa prejudicada né porque tem alguma coisa errada aí porque essa pessoa deveria estar me amando Então essa é uma problemática que a gente vive na infância rivaliza com pai rivaliza com mãe com vó com irmão com seja lá quem for e espera-se que a gente possa sair do complexo de edipo aprendendo a perder o lugar de ser o objeto precioso indefinitivo para o outro em outras palavras no complexo de Édipo a gente a gente atravessa o complexo de Édipo eh podendendo suportar que não
é tudo pro outro né isso não quer dizer que o outro não me ame como a gente tende a pensar no funcionamento neurótico muito dramático então a criança pequenininha ela vai se colocar ali como sendo um objeto precioso para a sua mãe para o seu pai né a criança se coloca como Ah bom se eu tô aqui eh O outro tem que tá feliz né se eu existo O outro tem que tá completo E se o outro tá triste se o outro não tá com completo A culpa é minha né e é muito dessa perspectiva
que a criança vive né de um uma perspectiva narcísica de que se algo falta ao outro é porque algo falta a ela e errada ela não tá no sentido mesmo de que não existe esse objeto que vá completar o outro inde definitivo Então se algo falta a criança Isso não é um problema a gente vai entender mais isso do lado da solução na verdade porque a criança vai se dando conta de que existe alguma falta que lhe é inerente e alguma falta no outro então a criança satisfazer por completo O outro é da Ordem do
Impossível né a Assunção do complexo de épo a saída do complexo de ép poder internalizar essa posição faltando diante do outro o que imprime como consequência depois na vida uma possibilidade de experienciar liberdade no campo do amor que é suportar que eu amo o outro mas ele não me completa por definitivo então também posso amar outras pessoas outras coisas outras causas e também Liberdade ao outro na medida em que também reconheço que não sou tudo para o outro portanto também Cabe ao outro poder H gozar se felicitar se alegrar com outras coisas que não eu
isso num cenário ideal porém né realidade Ah vida real e o que que a gente encontra a gente encontra justamente essa dificuldade de sair do complexo de éd então a gente enrosca no complexo de é é isso a neurose uma um enrosco no complexo de Édipo que faz com que a gente atualize essa mesma encrenca infantil nas nossas relações mesmo na vida adulta né inconscientemente Então essa história de que ah ah vai se apaixonar por alguém que é igual o pai que é igual à mãe que é sei lá o que tudo isso gente isso
é um jogo inconsciente tá marcado na nossa fantasia lá onde a gente não sabe dela lá onde a gente não alcança tem alguma coisa que nos antecipa eu dizia para vocês né Essa coisa que nos antecipa ela se lança na nossa frente e faz com que o objeto Amado ele seja efeito de um cálculo que a gente não conhece qual é a equação a gente ama alguém então não é por acaso né quando a gente vai fazer análise e a gente o o objeto Amado parece muito enigmático meu Deus por que essa pessoa não outra
e quando a gente começa a fazer análise a gente vai se dando conta de certas coisas que [Música] assim fazem sentido que essa eh um um certo enamoramento apareça em relação a uma pessoa né porque vai colocar o modo como aconteceu esse encontro uma característica da pessoa o nome por vezes da pessoa ã a história da família da pessoa o momento que eu estava quando eu encontrei com essa pessoa quem eu era naquele momento a história do meu antepassado tudo isso são elementos que estão postos para nós nos antecipando mas de uma forma inconsciente por
isso o nosso objeto amoroso aparece pra gente como um grande Enigma do tipo o que é isso que tá acontecendo aqui por outro lado na verdade isso é marcado por pontos que podem ser conectados essa coisa que a gente repete na vida adulta depois que a gente pode vir a repetir na vida adulta depois porque nem todo mundo sofre disso né a gente vai reviver então questões que fica que a gente viveu na infância mas que por vezes elas ficaram mal elaboradas inconscientes para nós e ficam como marcas de satisfação e aí a gente entra
num ponto que eu acho que é importante poder dizer com decisão que em psicanálise satisfação e prazer não são a mesma coisa então onde a gente sofre também pode haver satisfação algo se satisfaz não por acaso a o sofrimento neurótico ele por vezes em tese poderia ser evitado né do tipo assim por que que eu faço essa coisa por que que eu faço isso era só paraar de fazer por que que eu sempre apaixono por pessoas que são de uma determinada forma Por que é que eu acabo sempre tenho ciúme da a Por que é
que eu fico futricando né a história passada da pessoa sempre faço isso eu sei que me faz mal era só parar de fazer né Por muitas vezes então o sofrimento neurótico aparece pelo nome de eh dedo podre burrice mercúrio retrógrado problema de ascendente Seja lá o que for porque é como se fosse uma exterioridade ao eu aquela estrutura de fachada bonitinha que eu componho né Logo eu que pago os meus impostos que sou honesto que tenho um coração bom e tudo mais logo eu faço isso comigo pulsão de morte n uma noção que o Freud
vai desenvolver de um conceito ali por 1920 num texto que chama le do princípio de prazer ficar toda a psicanálise toda a leitura que a psicanálise faz no sentido mesmo de apostar que nós fazemos mal para nós mesmos e isso explode o nosso narcisismo né porque eu faço mal para mim mesmo faz né Faz mal e bem né no sentido mesmo da impossibilidade da gente dissociar Então por completo prazer e desprazer bem e mal certo e errado então a gente tem uma relação com aquilo que nos satisfaz que ela não é muito agradável ao nosso
narcisismo e é por isso que a gente tem horror a pulsão é por isso que a gente tem horror a essa errância pulsional a essa falta de objeto de satisfação na realidade que faz com que a gente fique um pouco perdido na vida perdido não em absoluto Tá mas né porque a gente vai a fantasia ela nos dá uma direção importante a respeito das coisas que a gente supõe que quer mas perdido no sentido de que não vai chegar um momento que vai haver uma Harmonia completa não vai chegar um momento em que eu vou
encontrar uma parceria amorosa uma maneira de me satisfazer de encontrar satisfação no modo como eu habito o meu corpo e isso não vá trazer angústia alguma angústia né algum ponto de angústia não é natural pra gente ter um corpo tanto é que a gente diz isso né que a gente tem um corpo e não que a gente é um corpo Então existe uma distância entre o nosso organismo e o nosso corpo essa distância entre o organismo e o corpo é o efeito de um trabalho narcísico que a gente faz da nossa imagem de composição do
eu e quando a gente tá na relação com o outro a gente tá refazendo esse trabalho e o outro que tem o outro né e o outro também está refazendo esse trabalho eu disse para vocês numa aula anterior que o amor é cultural né é efeito de Cultura a gente pode encontrar isso tanto na teoria psicanalítica quanto todos os filósofos né acho que talvez a gente possa dizer que há uma certa um certo consenso em relação a isso isso né de que o amor sempre vai depender do tempo que a gente vive o amor sempre
depende da cultura que você está isso nos coloca num numa problemática sempre de pensar o amor em relação ao nosso tempo então quando a gente vai pensar o que que qual que é a forma a melhor forma de se relacionar eh se o melhor é fazer monogamia se é Abrir relacionamento se é amar várias pessoas sobre nada disso existe uma resposta que seja a resposta certa então o modo como cada um de nós vai experienciar o amor depende radicalmente de como cada um de nós experiencia a castração e nesse caso eu tô usando o termo
castração para dizer dos nossos limites que é o limite daquilo que cada um pode suportar porque porque nós temos embora a nossa o nosso momento seja muito entusiasta dos nossos corpos máquinas né do quanto você pode ampliar sua consciência do quanto você as coisas são possíveis se você quiser e se dedicar para elas a psicanálise por outra via vai atestar a grande importância do limite a grande importância da castração do reconhecimento da nossa ferida narcísica do reconhecimento de que cada um tem uma história que nos antecipa para ser mais direta feita essa essa fala em
relação ao que o Freud propõe em relação ao termo a esse termo ao uso do termo ciúmes né Eh ele ele ele o faz de uma maneira muito generosa porque ele divide em três formas em que ele vai dizer que existe um ciúme normal né eu gosto muito desse termo que o Fred usa do ciúme normal porque em tempos em que tudo Beira um erro tudo Beira uma toxicidade tudo Beira um um abuso ou alguma coisa assim embora muitas dessas coisas possam vir a ser violências né mas quando Freud está dizendo do ciúme normal ele
está se referindo a esse resquício do complexo de Édipo que faz presença mesmo fora dele então quando a gente ama alguém a gente revive a nossa relação com o amor por isso amar nos infantiliza e nos infantiliza não como nos tornando imaturos tal como nós fomos na infância mas nos infantiliza no sentido de nos trazer notícias do quão desamparados nós somos por estrutura nos infantiliza no sentido de nos colocar em relação ao outro enaltecendo o lugar desse outro porque amar não deixa de ser idealizar alguém a gente inventa a pessoa amada para poder amá-la né
tanto é que quando a gente deixa de amar alguém a gente não consegue mais entender como é que amou esse alguém né a gente tende a destituir o próprio amor e fala não mas eu tava doido né não é que não isso não deve ess amor eu dei uma enlouquecida ali né Por que que ninguém me avisou né E aí depois vai ver que todo mundo avisou enfim mas mas amar é criar a fantasia de que o outro é alguma coisa de uma maneira que seja porosa a ponto do outro poder furar essa fantasia né
então é uma criação que a gente faz na relação com o outro porque eu crio alguma coisa sobre o outro o outro cria alguma coisa sobre mim mas a gente tá colocando aí em cheque o narcisismo a gente tá colocando a em cheque Quem Sou Eu para o outro tal como nós fizemos na nossa primeira infância e a gente ama ser Amado a gente ama ser especial né porque isso tudo vai nos restituir narcisico agora no que a gente pelo que a gente quer ser amado pelo que a gente quer ser especial isso vai destacar
o tema dos ciúmes porque o ciúme ele vai aparecer nos dando notícias da presença ameaçadora dessa possibilidade de perda desse lugar que supostamente eu conquistei diante do outro há pessoas então que inclusive para amar alguém elas precisam se sentir ameaçadas né inconscientemente tá não é que alguém faça isso necessariamente de uma forma pensada ou proposital mas eh o freed tem um texto muito bom sobre isso que se chama contribuições à psicologia do amor em que ele vai dizer das condições amorosas e é um texto de 1910 então na época ele fala que são as condições
para um homem amar uma mulher mais passado aí Eh mais de mais de uma mais de uma mais de um século eu acho que a gente consegue lê-lo retirando essa parte das condições de um homem amar uma mulher e pensar também Nas condições das mulheres amarem né e ele diz assim que se uma pessoa ela tá livre e desimpedida ele quer dizer ele diz uma mulher né porque ele tá falando das condições do homem se uma mulher tá livre e desimpedida ela pode não ser interessante mas se ela tá H impedida porque ela tem um
marido porque ela tem tá Prometida para casar com alguém ela pode vir a se tornar interessante né então o que que tem jogo aí repetição de um jogo de rivalidade com o outro e é um prazer desprazeroso né é uma uma satisfação que por vezes traz um sofrimento terrível mas que ela coloca em jogo essa condição de quem sou eu para o outro Quem Sou Eu para mim quem é que você ama mais eu ou o outro e para eu estar na relação com o outro eu preciso dessa ameaça para que eu possa me interessar
por estar ali e essa é a fantasia inconsciente que pode encenar algum tipo de relação vejam que isso o Freud ainda tá chamando de ciúme normal tá porque é um ciúme assim que faz presença no sentido mesmo de reavivar essas questões infantis e que elas não colocam em ameaça ou não trazem algum tipo de violência ou algo assim é apenas são apenas as coordenadas inconscientes para que eu possa amar e desejar alguém só que a fantasia ela ela não é igual de cada lado né porque cada um tem uma fantasia que é própria né então
a gente tem aí por vezes uma dificuldade que é com relação ao modo como um fantasia em relação ao outro e o modo como o outro fantasia em relação ao um para além disso a gente tem o modo como eu fantasio que eu fantasio e o modo como o outro fantasia aqu ele fantasia porque se a fantasia é inconsciente eu não sei dela né por vezes eu só sei porque o outro me diz alguma coisa e aí a gente entra num outro tipo de ciúme que o Freud vai colocar que é o ciúme projetado então
ele vai dizer da do quanto certos elementos os psíquicos não podem ser reconhecidos por nós mesmos embora eles nos pertençam mas a gente consegue reconhecer esses elementos no outro como se fosse dele então esse é o famoso Essa é famosa noção de projeção né aquilo que fica como ponto cego em mim mas que no outro fica muito perceptível então H muitas vezes a gente detesta coisas nos outros e que quando você tá falando para alguém porque que você não gosta de alguém você vai se escutando e vai falando eu sou assim né pra gente por
vezes é mais fácil mais ou só é suportável poder reconhecer certos traços a partir do outro então no ciúme projetado a gente pode ter alguém que não consegue reconhecer o seu próprio desejo por outras pessoas o seu próprio interesse por determinadas situações ã por Viver certas coisas e que isso não aparece sendo reconhecido como sendo próprio mas aparece como se fosse uma ameaça em relação ao outro e aí a gente precisa tomar cuidado para não fazer psicanálise selvagem tá então acho que é interessante eh trazer esses três tipos de de ciúmes do qual o Freud
nos aponta mas é importante dizer também que assim não tem como saber qual que é o tipo de ciúmes do seu parceiro da sua parceira tá isso é uma questão que a gente pode pensar como faz parte da Constituição do nosso psiquismo eh que nos ajuda a pensar a nossa relação com o nossos ciúmes né nossa relação com o outro mas de maneira alguma Isso serve pra gente resolver por si só alguma situação Então existe o ciúme normal que o Freud coloca o projetado que já aponta essa dificuldade de cada um poder sustentar seus boos
digamos e o ciúme delirante né E aí no ciúme delirante a gente já tá numa situação um pouco mais mais perigosa no sentido mesmo de uma criação de algo que não está acontecendo ou seja quando a realidade não entra né porque o Delírio de ciúme tem essa constituição que ela é delirante e é característica do Delírio que a realidade não participa Então a gente tem essa história na na nossa cultura que é o tal do o médico mandou Concord D né então a gente brinca com essa expressão né quando não vai discordar de alguém mas
que ela nos ensina um pouco sobre o quanto a gente sabe inconscientemente alguma coisa sobre o nosso funcionamento do psiquismo né funcionamento do nosso psiquismo então o que que quer dizer isso que a realidade não entra que não importa o quanto se dê provas para esse cumento de que os seus ciúme não faz sentido que a realidade não entra não chega pelo contrário Tudo chega como uma comprovação da hipótese dele da hipótese dela né E se vocês quiserem saber um pouco mais sobre isso ou eh assistirem um filme que demonstra um pouco a respeito dessa
dessa Psicose né dessa dessa construção delirante Eu recomendo o filme bem me quer mal me quer que demonstra não é um não é um filme que vai mostrar sobre o ciúme em si mas nos demonstra não vou dar spoiler aqui eh só uma chamada para para interessar vocês que demonstra justamente o quanto a nossa realidade ela é ficcional por cada um de uma maneira que para nós ela é muito verdadeira mas a realidade em si vezes pode furar essa fantasia que é uma construção de uma ficção e aí a gente vai ter a construção neurótica
e às vezes essa realidade pode não furar não entrar e qualquer tentativa de realidade de furar essa isso que aparece como uma fantasia na verdade vai deixando mais robusta né E aí não é uma fantasia é um Delírio n eh existe um um um pequeno texto que o Freud vai desenvolver ver sobre isso que se chama a perda da realidade na neurose e na Psicose que é um texto de 1923 que fica também como recomendação para quem quiser aprofundar se aprofundar um pouco nessa temática falamos aqui então do ciúme normal do ciúme projetado do ciúme
delirante e eu queria só antes de de de fechar essa aula H fazer um uma uma pequena consideração de de algo que me parece que que é um elemento muito importante para confeccionar essa noção de ciúme que aparece nos relacionamentos amorosos que é a presença do ódio o Freud vai colocar que o ódio é um afeto anterior ao amor e quando eu falo ódio não tô falando do ódio no sentido da violência no sentido de um afeto sem borda que vai sair fazendo mal de fato ao outro machucando matando mas o ódio no sentido daquilo
que nos separa em relação ao outro por que é que o ódio então é uma feto anterior ao amor porque se eu e o outro somos um só não posso amá-lo porque ele sou eu eu sou ele precisa ter um certo espaço para eu querer desejar que o espaço não exista né então o ódio nesse sentido ele Funda o amor na medida em que eu preciso de um espaço de separação eu preciso não ser o outro para poder amá-lo quando a gente ama alguém então a gente consegue não saber desse ódio por isso que o
amante confecciona o Amado a realidade entra mas o amor recobre a realidade a realidade entra e o amor ressignifica aquilo do outro que aparece eh mas quando o amor já não tá mais ali o ódio a distância entre os dois a diferença entre fica muito exuberante E aí o Freud diz assim no texto a função e seus destinos dá a impressão de que o amor se transformou em ódio mas na verdade o ódio sempre esteve ali é que o amor não deixava a gente perceber então Eh quando a gente fala do ciúme acho que a
gente tá falando de uma das modalidades também desse ódio se fazer presente no campo do amor porque a gente odeia a pessoa que ama também amar é odiar ao mesmo tempo odiar não é amar mas amar é odiar nesse sentido a gente odeia a pessoa amada eh no sentido eu acho muito interessante quando a gente escuta o ou diz coisas do tipo assim ah eu não posso fazer tal coisa senão minha mãe me mata né senão meu amigo me mata minha amiga geralmente a gente tá falando de uma pessoa que nos ama e e que
ela nos mataria não é literal Mas é uma forma de expressão simbólica ligada à palavra de alguma coisa do ódio então a presença do amor pode destacar também a presença do ódio e a aí a gente entra numa posição muito delicada para pensar esse tema dos ciúmes né então eu eu acho que é importante dizer isso porque o ciúme ele pode fazer parte do amor na medida em que ele tiver enlaçado simbolicamente ao campo daquilo que pode ser dito daquilo que pode ser vivido daquilo que pode ser gozado junto daquilo que vai dar notícias de
uma diferença mas se a gente vai retirar esse campo simbólico e e ir para outros lugares a gente tá falando da violência e aí eu acho que a gente já não tá mais falando de amor