Salve salve pessoal, sejam todos muito bem-vindos a mais um episódio do Wesle Podcast. Nós estamos aqui no nosso terceiro episódio sobre o tema política. Nós tivemos um com o Kim Catagui, nós tivemos um com o Tamir, o trabalhista, agora acho que é o quarto, né? Vai até esse aqui eu ao ar provavelmente saiu com Frederick Crep que é também um trabalhista. E hoje nós estamos aqui com Renan Santos, que é fundador do movimento Brasil Livre e presidente do partido Missão. Renan, obrigado pelo seu tempo, cara. Sei que você aí como um possível pré-candidato à presidência
em breve, eu e você já falou isso publicamente, né? Eh, sei que seu tempo aí deve estar bem corrido, principalmente que nós estamos gravando isso no momento em que um dia depois do que aconteceu no Rio de Janeiro. Eh, então sei que você deve ser chamado para Um monte de entrevista. Agradeço um monte você destinar 1 hora e meia do seu tempo pro canal aqui. Obrigado demais. >> Imagina, eu eu na verdade que agradeço, para mim é uma honra, não só por ser um admirador teu, Eslin, mas também por ser um cara que segue assiduamente
o teu canal. Já acompanhei muita coisa e, enfim, gosto bastante. Um dos momentos de relaxamento meu é assistir teu canal. Então, é um prazer tá aqui. >> Legal. Ô, Renan, eu vi uma entrevista Sua no Flow um tempo atrás, eh, acho que só a última que você foi, e você comentou um, você puxou uma pauta lá que eu achei bem interessante, eu gostaria de explorar ela um pouquinho aqui, que você primeiro você tá liderando, você o frente aí do de um da criação de um partido, né? E aí depois a gente vai falar um pouquinho
sobre isso também, mas acho que aproveitando esse contexto e ensejando o assunto, eh, os partidos que a gente tem hoje ou Os movimentos políticos que a gente tem hoje, eles geralmente são encabeçados ou direcionados não necessariamente para público jovem, porque talvez porque os os caciques da política sejam pessoas mais velhas. E você comentou lá no Flow que você tá encabeçando um movimento que é que é explicitamente geracional e você deixou no flow, pelo menos quando eu assisti. Claro que você não tá mirando nas pessoas mais velhas, você tá mirando na juventude. Qual que é a
tese por trás Disso? >> Ahã. De maneira clara, não só no Brasil, mas no Oente inteiro, existe um conflito geracional. Eh, as pessoas estão vivendo mais, naturalmente, e quanto mais as pessoas vivem, mas elas têm acumular não só capital, mas posições de poder. O cara pode estar no conselho de uma empresa, continuar presidente da própria empresa, ã, ele pode ter ser presidente de um determinado partido político ou senador por um determinado estado, Representante por um determinado sindicato. Ou seja, as posições de poder permanecem sendo ocupadas por essas pessoas e conforme elas vivem mais e não
passam o bastão paraas gerações mais novas, você fica com um problema em que as gerações mais novas elas acumulam o trabalho, mas elas não conseguem sentir a recompensa de ocupar as posições decisórias que alterem, vamos dizer, o curso da história de acordo com a perspectiva e visão de mundo delas. Então a gente vê, por exemplo, até hoje a geração Boomer, que é uma geração que nasceu até o ano de 1964, 65, é ocupando, vamos dizer, aqui no Brasil em especial, que o Brasil é um país e extremamente conservador nas trocas geracionais. A gente vê, por
exemplo, sei lá, o Caetano Veloso e o Chico Boarque continuando sendo as grandes referências artísticas do Brasil, os presidentes de grandes partidos ou grandes figuras que decidem um jogo no Brasil. Um exemplo clássico, a gente pode botar do Zé Dirceu no PT, ao próprio Lula, que é presidente da República, ao Michel Temer. Eh, são todas figuras dessa geração. Você vai pegar ainda gente em conselho de empresa que pensa com essa lógica. Então esse problema geracional que ele ficou muito agravado naturalmente com com o crescimento da vamos dizer da da adoração da expectativa de vida das
pessoas, ele gera um conflito e como o Mundo ele se move mais rápido por conta da da tecnologia, por conta de novos processos em que as coisas se alteram, as gerações mais novas elas se tornam vítimas do processo e, ou melhor, para ser mais preciso, reféns de um processo, só que elas não têm agência para alterar o processo em si. Então essa demanda por espaços de poder, ela precisa ser transformada em ação. E porque senão ela vira frustração. Por isim, se ela não vira ação, ela vira frustração. E a Frustração já se deu em muitos
termos. Quando a gente enxerga, por exemplo, homens jovens irritados, você tem o a ideia do movimento red, o movimento incel, eles podem ter até alguns pontos, mas em grande parte tudo aquilo é construído na base da frustração. Mesmo a mulher jovem solteira, quando ela se radicaliza, ela tá na Europa agora defendendo a agenda própalestina, em grande medida ela também tem essa frustração por não estar se realizando. Então, a ideia de permitir certas eh gerações se realizarem eh a premissa ou uma das premissas fundantes do partido Missão, que é olha, as ideias, né, e os sonhos
da geração Boomer. E aqui no Brasil, os sonhos da geração Boomer são muito problemáticos, porque é uma geração que viveu o período da ditadura. Portanto, a dicotomia entre ditadura militar versus ã guerrilheiros que supostamente sonham com democracia. Essa dicotomia tá presente até agora. Ela foi Presente na nas eleições do PT, ela esteve presente na eleição do Bolsonaro como uma resposta dialética a isso. Tá presente agora, por exemplo, galera quartéis, né? >> Exato. Tanto a galera que foi pros quartéis para pedir um uma intervenção militar inspirada em 64, quanto sei lá, Márcia Tiburi, eh, se refugiando
na Espanha, dizendo, imitando, basicamente, larpando de eh Caetano Veloso, pedindo Exato. Ah, tô fugindo da Ditadura, né? Tudo isso é uma baseado numa sensibilidade que foi construída por essa geração. E naturalmente isso é ridículo, né? O mundo tá encaminhando para inteligência artificial, automações, fim da ordem liberal internacional e a gente fingindo que tá em sei lá em 1975. >> E os millennials, cara, como é que fica nesse beleza, os os baby boomers tão hoje na política, como os grandes caciques ali, né? Você citou alguns Nomes, o Temero, Lula, etc. Eh, e como é que fica
os millennials desse meio tempo? Eles eles porque agora a gente tem a geração Z. Imagino que vocês estejam mirando mais uns milênios pro final, antes de 94 ali pr antes de 95 e para cima já estão pegando o início da Z. Existe um foco explícito ou vocês colocam todo mundo no mesmo balaio como o alvo do do partido? >> Ó, ó, Eslin, essa é uma discussão deliciosa. Eu eu é muito boa para eu Participei de algumas discussões dessas. Boa parte da militância nossa é da geração Z. E o espírito do tempo do que está acontecendo
conosco, é um espírito do tempo da geração Z. A geração Z é uma geração desesperada por dar significado no mundo e ter significado e ter participação no mundo ao redor dele. Ou seja, a geração Z, ela quer solidez, especialmente o homem da geração Z. Mas a própria o próprio radicalismo da mulher da geração Z vai nessa linha Também. O Millennial, por turno, foi uma geração que acreditou que o pacto que os boomers criaram era legal demais e que ele tinha que dar andamento nesse pacto. Acho que o grande momento político dos milênios foi tanto a
eleição do Obama nos Estados Unidos quanto as revoltas coloridas que aconteceram nos anos subsequentes, o do Waiy Wall Street que foi ET até a primavera árabe, até 2013 no Brasil. E aí foi um sonho milênial em que eles tentavam fazer uma espécie de Um revival do que aconteceu nos anos 60, anos 70, novamente porque o millenial ele talvez se achasse um sucessor desse processo gerado pelos boomers. E o que aconteceu? Nada nada na prática, né? foram revoluções meio falidas, foi tudo basicamente uma espécie de uma fingição estética e é uma geração que tá muito machucada
porque ela é uma geração que se sente traída, não só porque fez faculdade e acabou não tendo as recompensas materiais, vamos dizer, dos Estudos e dos sonhos que foram oferecidos para ela. Eh, até no sentido de que, politicamente falando, os sonhos que, em tese, a geração dela entregaria eram tudo farsa, né? Aquilo tudo se dissolveu no ar. Então, a o o Millennial que está desiludido, ele é um parceiro da dessa causa. E o e esse é um cara que está, vamos dizer, sendo alvo de captura. Quando a gente viu, por exemplo, o ano passado na
eleição municipal de São Paulo, o Pablo Marçal Vindo com discurso de prosperidade, ele tava falando basicamente pro Millenial que não tava conseguindo construir patrimônio na vida. Eh, sei lá, o cara fez administração ou relações internacionais na faculdade e tava trabalhando como Uber. Ah, o Marcel falava: "Olha, isso deu errado porque você tava com mindset errado". Uhum. >> Tá. Se você tiver um mindset vencedor, isso vai se corrigir. Isso era voltado basicamente para essa geração. Então, a A o drama da geração milenial, eh, ele precisa ser ressignificado. E quando ele é ressignificado e vira chave, é
uma geração aliada no processo, porque é uma geração frustrada. >> Uhum. Uhum. O o é interessante porque quando a gente olha pelo meu lado daqui, o lado da psicologia, da do comportamento, a geração, especialmente a Z, a gente hoje tem eh dados bem razoáveis apontando que é uma geração problemática em termos de saúde mental. Eles saem menos, eles se engajam menos, eles tiram menos carteira de motorista, eles bebem menos. Algumas coisas, se você pescar sozinha, como por exemplo, o menor uso de álcool, menor número de acidente de carro, você acha que até positivo, mas depois
você descobre que eles bebem menos porque eles não saem, não interagem mais e eles não se assentam de carro porque eles não tiram carteira, porque eles não querem se expor à frustração. Então, tem uma série Até o próprio Jonathan Heid, que eu já vi você citar, ele escreveu um livro no trabalho recente monumental dele intitulado Geração Ansiosa, que ele faz um levantamento abissal da literatura científica e mostra de uma maneira quase inequívoca, embora existe uma exista uma decis uma discussão acadêmica sobre se é causal ou não, mas ele mostra uma relação muito forte entre o
surgimento em 2010 do iPhone com aplicativos ali e quando isso Se espalhou pelo mundo com a piora fora de vários indicadores de saúde mental, principalmente da geração Z, que não brinca mais na rua, não se expõe mais a risco e etc. É curioso porque quando a gente olha do lado de cá, a geração Z, ela, os dados que a gente lê indicam, claro que a gente tá fazendo uma transposição grotesca, mas indicam que é uma geração que estaria nem aí pra política, que na verdade está nem aí para, cara, interagir socialmente, sair, Sabe? A gente
tá indo por conta do mais fácil acesso à tecnologia, principalmente na classe média, a gente tá indo caminhando pro lado daquela galera do Japão que já não sai mais de casa, que desistiram da vida social, que querem só home office. Eh, o que você tá dizendo é que uma vez que você paute essa galera, talvez eles engagem. É isso, >> é porque o como eles estão em casa, eles estão cronicamente online, eh eles Começam a encontrar no universo que eles estão inseridos, especialmente o universo dos games, esse universo cronicamente online, o universo dos edits, dos
vídeos que eles acompanham, um, vamos dizer, um conjunto de signos que eles transformam num todo coerente. Então são pessoas que olham pro passado e tentam reconstruir, vamos dizer, a ideia de um passado glorioso a ser buscado. Então, boa parte, por exemplo, da direita americana europeia se Construiu através de edits, através de, vamos dizer, simbologia oriunda de videogame, dos animes que eles assistem. Então, paraa geração Z, o anime é uma coisa muito poderosa. Então, para, especialmente para esse homem da geração Z, eh, aquele mundo que ele acompanha e que ele vive no quarto dele, gera uma
sensação de dever ser. eu tenho que me aproximar daquele mundo. E essa frustração entre não eh assistir aquilo e não realizar começa a se transformar Em organização política sempre digital. Então tem uma diferença muito grande, por exemplo, no tipo de mobilização que você vai fazer com a geração Z, com as gerações anteriores, né? O bolsonarismo, por exemplo, ele tinha os boomers, então tinha muito encontro, né? Enquanto físico, o evento dos bolsonaristas era uma manifestação, eles ficavam dançando que país é esse, cantando hino. Então, era sempre uma coisa física, encontros eh não necessariamente de bom gosto,
mas Eh em resumo em outros encontros, né, das gerações desses encontros são virtuais. Eh, e esse fenômeno ele ele gera essa espécie dessa idealização. E a idealização gera coisas até estranhas. Qual o elemento muito estranho, por exemplo, que tem na geração Z? Eh, os groipers nos Estados Unidos tem um fenômeno muito novo, tem um um ativista que chamado Nick Fentes, um rapaz muito problemático em termos de discurso. Eh, ele em si é muito Problemático porque ele é um rapaz que aparenta ser um rapaz branco, mas ele é um rapaz hispânico e ele é supremacista branco,
antissemita. Ao mesmo tempo em que ele mobiliza vários jovens hispânicos, filipinos, eh indianos, né? Ou seja, não brancos ali nos Estados Unidos dentro da classificação ali norte-americana. eh para um discurso supremacista branco e antiimigrante, sendo eles próprios não brancos e imigrantes. E esses caras, qual o Referencial que eles trabalham referencial medieval ou Roma grande? >> Car confuso, né, cara? >> Muito confuso. Então eles se sentem como se fosse soldados de segunda categoria de uma causa de terceiros, né? Vamos dizer da ideia própria de uma América, sendo que nessa própria ideia eles não estão eh inseridos.
Se você vai ver os perfis digitais de boa parte do Groiper, são perfis que parecem, sei lá, ser o Zigfried, sabe? Um um herói eh germânico Da, né, do do período da Idade Média, mas na verdade é o Pajite, que é um indiano. Uhum. >> E esta confusão justamente tem a ver, a meu ver, isso é um feeling, sobre o que é identidade digital, né? como o cara se vê naqueles ambientes digitais e o que é ele por trás da câmara que começa a se tornar só, vamos dizer, um indivíduo atomizado solitário. >> Então, como
a hoje as disputas políticas estão muito no campo digital, na verdade O que a gente tá vendo são os avatares digitais dessas pessoas a adquirindo as características do que elas gostariam de ser, pintando o mundo que deveria ser na cabeça deles e aí atuando politicamente, gerando resultados concretos do mundo real, né? Eh, esse é o jogo que nós vemos, assim, esse é um jogo muito novo, muito difícil de ser entendido. >> Pois é, mas daí você ataca o avatar dele ou você tenta alcançar a pessoa física em termos de de ideias? >> Eh, esse é
um fenômeno que no Brasil o o fenômeno Glopper, ele começou a chegar agora. Mas, mas, mas eu digo até, perdão, Renan, eu digo não necessariamente esse fenômeno, mas eu imagino que num, se a gente diminuir um pouquinho o volume, isso deva acontecer em algum grau, sei lá, cara, até com os bolsonaristas, até com os comunistas, deve ter uma galera ali dentro que tem um avatar online e por fora ele sabe ou nem acredita naquilo. >> Geralmente você tá atacando qual universo ali? >> Veja, é, essa é outra discussão que eu acho sensacional, Wesley, é sobre
avatares digitais. Eu acho que as pessoas se confundem com o avatar digital dela e eu acho que o avatar digital dela começa a determinar quem ela é. E eu acho que para as pessoas que começam, elas nasceram online e não se tornaram online, né, um boomer ou mesmo eu e você, a gente foi de uma geração Que se tornou online. A pessoa que nasceu online, eh, cada vez mais a a condição dela enquanto ser humano é determinada por pelo avatar, pelas experiências do avaptar. Essas pessoas têm dores pelo que acontece com o avatar. Então, eventualmente
um avatar é cancelado. Veja, é um conjunto de pixels com uma programação determinada que foi cancelado numa tela. você tá lá ainda vivo. Então o cara toma um cancelamento e ele sente fisicamente o cancelamento, A ansiedade, a dor, depois vem uma depressão, ou seja, o cara vai viver no corpo físico os efeitos daquele avatar e é ele pode ter até o nome dele ou às vezes é só um perfil fake que ele usou para se proteger, mas na prática, né, o avatar condiciona o o eu, né, o avatar condiciona aquela pessoa e aquelas pessoas hoje
é cada vez mais condicionado ao avatar. Um exemplo que eu sempre dou assim, quando teve o cancelamento do Artur do Val, quando a Gente voltou da Ucrânia, eu também fui muito cancelado. E na internet eu entrava assim, era ah, né? Uma paulada muito grande na gente. Aí eu lembro que eu tava morando num num apartamento ali perto do da região do do Brooklyn, São Paulo. E aí eu falei: "Bom, vou na padaria, Danice". Eu desci, tava sol, eu andei no meio da rua, os carros estavam passando, as velinhas me cruzavam no meio da rua, o
cachorro, o mundo tava igual, >> é >> danice para mim, o mundo tava andando. >> E mesmo o negócio, o de vocês foi repercussão nacional, né, cara? Não foi num grupo específico, numa, >> né? Foi. >> Sim. E ali eu falei, gente, eh eh eu tô numa discussão de de seus bits e danse cara. Eh eh eu não posso me deixar me afetar por isso, mas é muito difícil. Uhum. >> E cada vez mais paraas pessoas, se as Pessoas estão abdicando do, vamos dizer, do dos encontros físicos e do e da vivência de mundo concreta,
eh elas vão achar realmente que elas são aqueles super perfis. Isso é bem problemático. >> Uhum. E aí, nesse cenário de vocês compreenderem como que funciona, acho que o MBL dentro do campo da direita, em termos de rede social, compreendeu bem como como a rede social funciona. O bolsonarismo compreendeu também lá atrás, mas numa análise agora com Distanciamento histórico, né, passando-se alguns anos aí do que ocorreu, é possível também interpretar o fenômeno bolsonarismo como uma uma uma parasita que pegou um momento de Brasil e pegou para ele toda aquela energia, aquele movimento e como o
pessoal não tinha mais para onde olhar, seguiu junto ao Bolsonaro, porque Bolsonaro era deputado federal, sei lá, 30 anos. Ele não, ele não construiu o que ele conseguiu, né? Ser presidente sem fundo Eleitoral, sem tempo de TV. Se ele tivesse construído, iria se iniciar muito antes do que aconteceu. Ele tava no lugar certo, na hora certa, podemos dizer assim, né? Ele não tinha um projeto que iria resultar naquilo que resultou eh a vida dele, a vida política dele. >> Perfeito. >> E aí vocês vocês acho que é diferente, né? Vocês começaram tentando ou fazendo, né?
Participando do impeachment da Dilma. Eh, vocês depois eh, romperam com o bolsonarismo e derreteram nas redes sociais, tomaram fogo danado ali de todo que lado e aí agora começaram a se reconstruir um tempo atrás para culminar na criação de um partido político, que é uma coisa muito difícil de fazer. Como é que vocês conseguiram fazer um partido político e o cara que se elegeu sem tempo de TV para presidente da República não conseguiu criar o união que ele queria criar? Não, como é Que era o nome? Eh, >> aliança pelo Brasil. >> Aliança pelo Brasil.
>> Eh, de fato, eh, a tua análise tá certa, eh, quando coloca que o bolsonarismo ele parasitou um determinado processo, eh, o todos os todo evento novo, qualquer coisa mesmo, adesão uma tecnologia, um produto que chega, você tem os early adopters, eles costumam ser pessoas jovens, eh, homens e mulheres jovens. Depois você vai a mudando tanto nessa Escala social, eh, vamos dizer, em termos de conhecimento, uma escala cognitiva, quanto você vai indo pra questão da idade e classe social. Isso é natural. E será, sei lá, homens e mulheres jovens com mais dinheiro e espertos, né,
bem formados, eles tendem a captar as tendências novas antes do que os demais. >> E isso foi também com a chegada da direita em redes sociais no Brasil. Então, no as primeiras manifestações Delas eram muito jovens em 2014, 15 anos, que o perfil do MB era um perfil jovem e o o rosto era o Kim Cataguiri, que era um rapaz que a época tinha 18 anos. Então, havia cara, o espírito era aquele. Conforme as pessoas mais velhas foram aderindo às redes sociais e foi justamente naquele período, não só o WhatsApp, mas aprenderam a usar o
Facebook, elas foram aderindo no processo e esse processo foi assim, eh, um processo exponencial entre 13, 14, 15, 16, 17, 18. Todo mundo foi entrando ali e também as pessoas mais humildes, as pessoas mais pobres também foram entrando. Então, conforme elas foram entrando, elas foram entrando, sei lá, para falar de futebol, para ver os amigos na rede social e depois elas começaram a falar de política. E aí você teve o surto de fake news, as pessoas espalhando coisas que não tinham nenhum sentido. Isso teve muito a ver justamente com a chegada dessas pessoas Mais velhas
que não sabiam ainda operar. Então, às vezes chegava um site de notícias, sei lá, Guanabara News, e aí ele parecia no formato um site sério. A pessoa tá aqui, ó, o cara tá me falando que um barco chinês atracou aqui em São Paulo e que vai explodir e vai tornar o Brasil comunista. Me parece verídico porque parece um jornal que eu acompanhava quando era jovem. Então, >> né, essas coisas pegaram essas pessoas e essas pessoas sentiram que elas tinham Neste novo contexto voz. O Bolsonaro era um cara da geração deles, fazendo o discurso deles e
e refletindo um tipo de sensibilidade que eles tinham quando eles eram jovens. Essas pessoas são muito numerosas em termos eh eh vai demográficos, né? O Brasil, o Brasil um país tá envelhecendo muito, então e ocupam espaços de poder. E essas pessoas naturalmente ao adotarem uma espécie de posição eh eh intransigente na defesa do Bolsonaro, elas deram uma base de pelo Menos 15 a 25% pro Bolsonaro em termos eleitorais que fazem que ele seja dominante no campo da direita. Pensar o que que é direita. Vamos falar 50% da eleitorado antipetista. Se alguém tiver 25% ali, esse
cara já é o dominante e esses caras que são intransigentes bolsonaristas, eles foram pegando outras parcelas da população, agregando e aí ele, né, ficou com praticamente metade do do bloco eleitoral ali. Eles capturaram aquele processo, só que o Processo não importava tanto. Por isso que o Bolsonaro se livrou tão rápido da Lava-Jato, nunca foi sobre a Lava-Jato. Nunca foi. O lance do Boomer era derrotar a esquerda. Vamos derrotar o comunismo. No o lance era se vingar da da Constituição que foi colocada em 88 pelos comunas e tal. O lance foi pegar aquelas frustrações que ficaram
eh presas e represadas no imaginário dessas pessoas, porque a época não existia rede social. Então você vi a Rede Globo Falando eh que a ditadura militar era uma ditadura. Parêntese aqui era, não tô aqui negando, mas eh eles juntavam todos esses elementos, sabem, pô, eu não achava, agora não posso falar que é, eu encontrei pessoas, eu vou botar no meu capitão e o capitão pensa assim, os militares vão resolver. Então, foi uma última chance, né, no que reforça, desculpa o outro parênteses, a ideia de que é uma guerra geracional. Como é que pode um fenômeno
começa jovem ser Capturado pelos mais velhos e ser transformado numa briga dos anos 80, >> né? Eh, e a gente virou viveu essa redição. >> Voltando pro pro pra tua pergunta, eh, o Bolsonaro mobilizou estas pessoas para montar o partido dele no ano de 2019, 2020. Ele lança aliança pelo Brasil e começa a fazer a coleta de assinaturas de maneira intensa em 2019. O método foi completamente errado, não houve aplicação nenhuma de tecnologia e ele Acreditava que bastava ele pedir ajuda pro povo, que basicamente conseguia em falar com essas famílias eh mais velhas, essas pessoas
iam se mobilizar igual fizeram na eleição dele, ia acontecer. Mas assim, votar é algo bem mais fácil do que montar um partido, né? Então, eles não entenderam os processos, ele não soube montar a equipe, ele eh ele não entendeu como dinamizar aquilo, ele não criou um sistema de recompensa para quem participasse. E aí na prática ele Ao longo dos dois anos ele coletou e validou 180.000 fichas, o que não é nem metade do que ele precisava, enquanto que a gente fez o caminho todo contrário. A gente falou pessoas jovens, bem formadas, um processo, um influxo,
uso de tecnologia intensiva, entendimento do que pode dar certo, o que pode dar errado. A gente fez testes antes de montar o partido, então antes de iniciar o processo de coleta, a gente fez uma série de testes Até achar o modelo ideal. Eh, motivação, coleta de recursos prévios, né? Então você tem que ter dinheiro antes para não faltar dinheiro no processo. Tudo isso eh somado a um senso de propósito muito claro, uma agenda clara, tudo isso tornou a gente uma máquina menor, mas mais eficiente quando comparada a uma máquina maior e lenta que a máquina
do bolsonarismo. E ficou provada a tese. Então assim, se der uma se derem a chance paraa nossa Geração fazer, ela vai aplicar a tecnologia e vai se organizar socialmente de uma maneira mais eficaz do que a turma dele. E aí quando a gente repara os resultados inclusive políticos do Bolsonaro quando comparado com o nosso, é isso, a gente é um grupo menor, mas rápido, veloz, eficiente, inteligente. Eles são um grupo maior, lento e preso com imaginação antiga. E eu tendo a achar que no long run a gente vence base nisso. A popularidade bruta Não consegue
segurar tudo o tempo todo. >> É a impressão que dá, até você comentou lá no Flow, salvo engano, que vocês fizeram até um aplicativo interno para conseguir eh ver o título de leitor da pessoa, né? Porque a pessoa tem que preencher uma fichinha que o cartório manda lá diagramada e aí ela tem que botar o título de leitor. Se a pessoa não souber, ela pode botar o nome ali, sei lá, acha alguma coisa assim. Então, eh, Olhando, olhando essa lógica pela qual vocês trabalharam dentro da política, parece que vocês pegaram o universo do empreendedorismo mais
próximo a a uma startup, eu diria assim, que tem muita tecnologia, trabalha um pouco mais alavancado e migraram essa expertise pro universo da política, coisa que esses caciques não conseguem fazer, né? ou até conseguiriam, umas não sei, não conseguem contratar gente nova para fazer, sei lá, interessa. Mas a a ideia Que me apresenta, que que sugere o sucesso da criação desse partido é que vocês pegaram uma lógica empreendedora e colocaram dentro da política, né? Exato. Exatamente. Ã, a aplicação de tecnologia foi a base do jogo. Tanto que todas as fichas, todas as fichas coletadas, elas
tiveram um sistema de rastreabilidade em que eu sei o momento, a hora, o local onde ela foi coletada, por quem ela foi coletada. E aí eu sei para quem ela foi enviada logo depois, por qual Transportadora ela veio para São Paulo, quem recebeu, que momento ela foi atalogada, colocada no sistema do TSE, que momento foi transformada em lote, na mão de quem o lote foi feito, depois para qual cartório ela foi, por qual transportadora, quando chegou e se ela foi validada ou não. Eh, ou seja, todas as etapas do processo eh rastreável. Então, a gente
rastreou, tudo é rastreável. A gente sabia onde estava todas as fichas. Isso permitiu, por Exemplo, que sabendo a determinada etapa do processo, que momento eu pagaria meu coletor, até para não ser enganado com fraudadores, que teve houve fraudadores eh tentando roubar a gente. Eh, como a gente aumentava os processos, sabendo assim quais são as regiões e quais cartórios não valia a pena trabalhar, porque eles eram muito demorados, então >> basicamente era um gasto de tempo inútil parte do coletor. E o objetivo disso era otimizar todo o processo. Então não se Perdia tempo que não se
deveria. >> Uhum. E a velocidade que a gente tinha eh de coleta eh foi melhorando. Tanto que na reta final o processo todo a gente acelerou, né? Então você começou a ter validações diárias no TSE de 1500 fichas. A gente passou no final a ter 6 a 7.000 fichas sendo validadas por dia até bater o que a gente precisava. Então a gente bateu todos os recordes ali de foi o partido que mais coletou e validou fichas na história em todos os estados Da federação, não só em nove. Foi assim, a gente meio que gabaritou o
jogo. >> Ô Renan, quando a gente olha na rede social, eh, claro que acaba sendo uma bolha, né, e muitas vezes não reflete o que tá acontecendo fora dela, mas ainda assim é o indicativo do que tá acontecendo na política, pelo menos entre os mais jovens, eh, em especial da geração Z, que fica bastante tempo na internet. A gente vê o surgimento de algumas figuras no debate, né? Acho que Uma das figuras que surgiu aí nos últimos, uma, algumas das figuras que surgiram nos últimos anos são os comunistas, né, que que asenderam bastante, acho que
depois de 2023, talvez 2022. Mais recentemente agora o debate também deu espaço ou, né, foi um espaço foi conquistado pelos trabalhistas, eh, que inclusive debatem contra os comunistas. e um dos e vocês do MBL acabaram conseguindo dentro desses grupos, pelo Menos até agora, criar um partido. Muito provavelmente se esses grupos não quiserem se dobrar a outras siglas, porque aí eu não sei se o pessoal de casa compreende, mas pelo menos até onde eu sei, é um balcão de negócios, né? você ter uma possibilidade de se candidatar a um balcão de negócios ou tu, de certa
forma dá alguma coisa em troca, ou você tem que ser grande na mídia para conseguir trazer voto para aquela para aquela para aquela legenda, Ou, enfim, aí vira todo um rolê, eles têm que votar junto em algumas coisas, a candidatura acho que é do partido, não é sua, então eles podem te expulsar, etc. Acho que se outros movimentos jovens na política brasileira quiserem galgar posições no debate institucional, eles vão ter que fazer um partido também eh em algum momento, né? Você acha que essa expertise que vocês criaram fundando esse partido, ela é admirada, digamos assim,
ou ou, né, eh é De interesse de outros grupos políticos aqui ou fora do Brasil? Porque eu vi que você foi também paraos Estados Unidos, né, falar sobre política lá. Como é que a galera tem olhado isso? Essa é minha pergunta. E não só o o o modelo de fazer o partido, mas vocês têm revista, né, impressa, vocês têm aplicativo, vocês têm e enfim todo todo um sistema, um ecossistema hoje que gira em torno da política. Como é que a galera tem visto isso? >> Ah, vou começar pelo basicamente pelos adversários, né? Eu imagino que
para todos esses blocos políticos surgiram eh em redes sociais, e você foi muito feliz, assim, hoje o debate, a discussão mais aprofundada em redes acontece a através do MBL, através de comunistas e através de trabalhistas. é quem, por exemplo, eh, carrega a boa parte dos podcasts, discussões que tem, porque você tem ainda, por exemplo, o bolsonarismo ou certo petismo de redes Sociais que são bons de vídeo curto. Tem aquele vídeo curto, aquele rios, né, o Nicolas é um mestre nisso. É um vídeo basicamente polêmico sobre algum assunto. Então, a Érica Hilton vai ser polêmica, o
Nicolas vai ser polêmico, eh, legal ou algum bolsonarista aleatório também vai ser polêmico. Aquilo morre ali. Você pega uma participação, por exemplo, do Nicolas no Flow ou da Erica Hilton, sei lá, no POD P. Eh, não vai sair muita coisa dali Além dos jargões já pré-estabelecidos. Quem tá discutindo Brasil hoje são os trabalhistas, o MBL e os comunas. Por mais que quando você pegue o programa lá, eles tm um partido, a PCBR, a coisa meio meio risível, mas eh eles vão e discutem tese. Os caras vão falar de taxa de juros a regime de contratação,
cada um à sua maneira e tá lá. E isso naturalmente preenche um espaço de discussões que os partidos normais não não fazem. Então, se eu for pegar, qual A visão do PMDB sobre isso? Não existe visão do PMDB. Qual a visão do PSDB? Qual a visão do PL, do PSD? Não existe. Não existe visão nenhuma. Então, eh, existe uma coisa que é meio esquizofrênica, que eu acho que agora você vai ver o ponto que eu vou juntar, porque é a parte legal, que o debate é conduzido por pessoas que não têm acesso a partidos. Então,
o debate não é conduzido pelo pessoal do republicanos. >> Isso. >> Mas mas o republicanos tem a presidência da Câmara. Então, ninguém sabe a opinião de ninguém dos republicanos, >> mas os republicanos presidiem a Câmara dos Deputados. Ao mesmo tempo, MBL, comunas trabalhistas, tal, tem agora também a bolha dos nacionalistas, eles estão, vamos dizer, congregando boa parte do debate. Então, o parlamento já não representa o que é discutido e debatido na sociedade civil, mas tá muito longe disso. O parlamento é só, Vamos dizer, um lugar em que pessoas que amealharam votos em geral comprado se
encontram para fazer negócios. A gente sabe que para quebrar essa barreira, para para resolver essa dissonância, era necessário o partido. Então o MBL ele procurou se profissionalizar o tempo todo numa intensidade muito maior do que qualquer outro movimento digital para ter esta capacidade que gera, vamos colocar, uma capacidade de agência sobre o processo Político. A gente agora consegue determinar quem serão nossos candidatos, qual o nosso programa, algo que não trabalhando no partido dos outros a gente não conseguiria. Então a gente foi muito pioneiro e a gente é mais organizado. um a gente é mais profissional
do que os nossos colegas de debate público. Eu acho que eles não vão reconhecer isso publicamente, mas eles sabem disso, né? Senão eles estariam fazendo a mesma coisa. E aí a gente tem Essa estratégia que eu fui agora nos Estados Unidos. Eu cara, tem palestra para gringo da direita americana eh falando disso que é é a ideia do partido completamente integrado ou o modelo de organização política verticalizada integrada que é que é uma coisa permitida pela lógica hoje da tecnologia e não só das redes sociais que eles chamam de full stack paring, que é basicamente
o modelo da Apple replicado pra política. A Apple, ela sempre teve Aquela briga, você é modelo Apple ou você é modelo da da do Windows, que depois hoje é o modelo do Android, né, que é software que se encaixa em qualquer hardware, tipo um Android que vai estar no Samsung ou um outro eh aparelho, ou o modelo da Apple em que o hardware e o software é integrado. Todo mundo dizia nos anos 90 que o modelo da Apple é um modelo fracassado, que poxa, você tinha que fazer o próprio software para aquele hardware, logo, se
você não Acertava no hardware, Dani se você se deu mal, enquanto todo mundo tá competindo para ter o melhor hardware para receber um Windows. Então o Bill Gates venceu o Steve Jobs. O tempo mostrou que o Steve Jobs estava certo, né? né, o Steve Jobs, ele vira o jogo, eh, especialmente do iPod para o iPhone e ali quando vem o iPhone, a Apple se estabelece, inclusive talvez como a maior empresa do mundo, empresa com valor de mercado bizarro. Eh, a lógica da Apple sempre foi integrar esses processos. Então, desde o aplicativo que é feito por
uma empresa terceira, que tem que vir no modelo estético deles, a até os, vamos dizer, eh, os chips, né, que vão dentro do dos celulares e dos computadores deles, eh a o design da das peças, dos computadores, tudo aquilo é integrado. Eh, e se você consegue ter verticalização, inteligência no processo, saber que você não vai ter redundância em atividades, Portanto você consegue ser econômico nisso tudo, você vence. você consegue vencer. A tecnologia hoje permite isso, né? Boa parte do dos ensinamentos empresariais que a gente teve até os anos 80 e 90 era sobre terceiriz o
máximo que você puder e foque apenas no que é essencial pra época. Não, não, não, não, não. Tudo é essencial para mim e é pra gente também, né? Um grupo político como o nosso, né? Eh, vou botar um um problema claro. Quando a gente Surgiu em 15, 16, 17, 18, as ideias que a gente profess, ah, o Olavo falou tal coisa, o público queria ouvir o que o público queria que a gente expressasse o que o Olavo pensava. Ah, o Instituto Mes, o que que os liberais pensavam ou o que que a direita americana pensava?
A gente falou: "Cara, não penso igual nenhum deles, mas eu botei isso no papel, eu discuti isso não." Então, né? Então, vamos precisar fazer isso aí. Criamos revistas, grupos de discussão, livros, editoras, fóruns, criamos um aplicativo para congregar isso. Começamos a produzir um volume de conhecimento, de teses internas muito grande a ponto que ele transbordasse. Aí quando ele transborda, ele vai para onde? Bom, ele precisa, ainda não tem um partido, então ele vai para o militante. Mas o militante vai ter que o quê? Vulgarizar, né? Ele tem que difundir essas ideias e torná-las, vamos dizer,
Públicas, de maneira inteligente e fazer quase um teste AB na melhor maneira de pegar as teses que a gente desenvolve na revista, nos nos grupos de discussão, em política pública e também em jargões, em temas, em polêmicas e aí você começa a pautar o debate. Então, a gente tava com as nossas teses sobre enfrentamento ao crime organizado já sendo desenvolvidas há alguns anos. Elas estão agora agora o debate como tá falando, então a gente já tá falando há 2 anos e meio de ocupação Territorial. A questão do tráfico não é mais sobre legalizar ou não
legalizar drogas, igual discutiam sobre se tá encarcerando pouco ou encarcerando muito. Hoje é uma questão que envolve ocupação territorial e até os nossos adversários do PT, né? O PT entrou com uma PEC agora para tratar de crime organizado. Falando em ocupação territorial. o termo ocupação territorial, quem trouxe pro debate público fomos nós. Então, esse ato de Transbordar suas ideias através da sua militância e depois transformar isso em política pública no teu partido, é a ideia da gente ser uma espécie de Apple, em que o hardware institucional do partido, ele é preenchido pelo software ideológico do
dos pensadores do movimento. E aí isso isso é novidade de muitos lugares, mesmo nos Estados Unidos, né? O eu falei com muita gente da direita americana em que eles são peças de uma engrenagem solta. falar: "Ah, eu tenho um tan thank, não, não, eu trabalho aqui com um grupo de estudos, não. Ah, eu quero ser um candidato pelo partido republicano." Legal, mas isso tudo é solto. Essas fases do processo não se conversam. Hoje com a tecnologia, elas podem se conversar. Então, é muito ambicioso isso, porque é uma estrutura administrativa complexa e cheia de idiossincrasia. Você
tem que lidar com, vamos dizer, você tem que ter um debate interno, portanto, você vai ter gente Que vai discordar muito da sua aplicação, mas ela é necessária para fazer a a máquina funcionar. Mas é um assim o bom português, desculpa e fala, é um tesão trabalhar com isso e vem sendo muito estimulante. >> É, e assim, além de você ter todo o pepino político para lidar das divergências de tese interna, você acaba construindo uma empresa, né? Tem que ter governança, gerência, diretoria, analistas, etc., que também é um pepino Gigantesco eh conseguir conseguir fazer, né?
Eh, cara, e aí quando você fala que existe uma uma um looping fechado, né, como a Apple é a Apple um looping fechado, dificilmente você consegue alguma coisa que a Apple não produziu, colocar alguma coisa que a Apple não produziu dentro da própria Apple, né? Tudo dela, carregador dela, tudo dela. Não tem como você pegar um atalho. Isso, eh, imagino que vale também para pessoas, né? Eh, ou seja, dentro da Apple, o próprio Steve Jobs foi demitido porque o projeto da Apple era maior do que uma pessoa lá dentro. Eh, você acha que isso se
replica dentro do do do movimento de vocês, da missão e do partido missão e do MBL agora nessa nova nesse novo momento de entendimento de ecossistema? Isto é, se tiver um algum organismo, ou melhor dizendo, em qual momento que o organismo deixa de divergir e precisa ser expelido de dentro desse looping Fechado, porque eu vi recentemente que vocês expulsaram ou ele saiu, não sei exatamente o que aconteceu, do rapaz de Curitiba, né, Bôtega, alguma coisa assim. Bétega, >> como é que funcionou o como é que faz essa separação do momento que o cara porque a
Apple, a Apple era bastante autoritária, né, cara. Eu não sei se você leu o livro do Steve Jobs, a biografia escrito pelo Walterson, maravilhoso livro. >> Ele era um cara muito autoritário porque ele pauta ele partia do pressuposto de que se não fosse assim a Apple, se fosse muito democrático, a Apple não conseguiria avançar porque tinham pessoas que conseguiam pautar melhor as decisões ali e ele era uma dessas pessoas. Como é que funciona isso dentro de um movimento político eh que teoricamente abre espaço paraa divergência? Eu não sou, eu não sei se Tô me fazendo
claro em que momento deix >> não, você fez, eu entendi tudo. Eu entendi. Eh, eh, olha só, há o há os espaços em que a discussão acontece e a formulação de ideias ela se choca e ela, vamos dizer, ela tem que fervilhar. Esse espaço é um espaço criativo, então ele é um espaço de caos e esse espaço tem que ter pessoas muito diferentes. Então, a gente tem o Orlando, a espectro cinza e o Ricardo. tem um um muçulmano tradicionalista debatendo contra um Baiano católico eh de ultradireita com uma exeminista ou feminista eh vamos dizer de
uma linha conciliacionista temas dos mais diversos. vai sair muita faísca, mas se você consegue ter justamente um espaço criativo para que isso funcione, o que vai sair de lá e não, vamos dizer, não afete a estrutura eh principiológica que deu base a tudo, se torna uma política a ser validada. Então tem que ter um ambiente criativo e caótico e ali as porradas vão acontecer. Onde não pode ter a porrada é na execução. Você não vai conseguir executar nada na porrada, né? Então, se eu for montar um prédio e eu vou ficar divergindo na hora de
botar o alicerce, não, o pedreiro quer fazer isso e o fulano não quer, aí vai dar errado. A execução não pode. A maior parte dos grupos políticos, eles ficam brigando na execução. Então você fica vendo os caras se matando no próprio partido, no parlamento. Não, eu vou fazer isso, não Vou fazer, não. Eu vou fazer uma política pública assim, mas cedendo paraa ideia sá, cara. A tendência é que isso não funcione em nada na vida. Então, há o espaço da discussão, há espaço do discenso. Esse espaço tá lá, é um espaço no dentro do nosso
universo, ele tá muito congregado naquilo que a gente chama de universo da valete. A gente publica as ideias, a gente publica as discussões, eh, mas depois a tomada das posições. E essa tomada das posições Vai se dar, vamos dizer, de uma maneira bem direta do ponto de vista administrativo. Aí tem que ser meio Steve Jobs, cara. É para fazer assim. Se não quer fazer assim, vai fazer em outro lugar. Aqui é para fazer assim. Então, eh, certas decisões que a gente tem, certas estratégias que a gente toma, o público entende rápido. Aí quando um político
não entende, aí o político tem: "Ah, não, eu tenho uma outra estratégia, eu tenho um outro plano." Se o plano não For brilhante e não foi pensado por pessoas, em geral mais inteligentes do que ele antes, provavelmente o plano ou é uma porcaria ou ele só tá sendo um oportunista. >> Uhum. >> Ou em geral é os dois. Eh, então o caso do Betega, né? Eh, para dar um exemplo clássico, né? Nós temos uma posição muito clara, nós queremos ter mandatos muito técnicos, efetivos. do Quin é o, vamos dizer, o referencial do do mandato Ideal
nosso. O Kin é um cara muito popular, altamente propositivo e você consegue botar ele num podcast divertido para falar de maneira leve sobre política a colocar ele num debate extremamente sério, eh, com juristas ou com engenheiros falando sobre licenciamento ambiental. Para mim o quem é o é o cara qu essencial político ideal nosso, eh o parlamentar ideal e e a referência como tem como todos os nossos têm que agir? Se surge um parlamentar, Que foi o caso do Bet, ele ganha a eleição e fala: "Ah, agora eu quero divergir, tô com ideia aqui que se
eu não precisar protocolar muito projeto de lei, não fizer muita atividade parlamentar porque não dá view, não dá like e eu dou uma cenada pro Bolsonaro ali que eu ganho os seguidores, eu fico competitivo em termos eleitorais. Se a gente fosse muito democrático, a gente faria, não, tá aí, vamos atuar com essa estratégia dele, pode ser uma estratégia Boa. Mas nós não somos. A gente não só eu, não sou, como os próprios funcionários do gabinete dele eram assim. Então, o chefe de gabinete e os membros do gabinete falaram: "Cara, você está traindo o nosso projeto".
E aí eles expulsaram ele do do movimento. Ele falou: "Mas aí eu vou demitir você, a gente vai pedir demissão antes". E eles pediram o boné. Então, os nove pediram o o boné, pediram demissão por crença de fato no ideário do projeto e na fórmula Do projeto. Porque eh não é que assim, a gente não em política política é sobre poder, não dá para ficar falando apenas em ser idealista o tempo todo e não alcançar o poder. Se eu sou idealista e e faço coisas que não me permite chegar numa posição de poder para realizar
essas ideias, significa que eu tô eu sou eventualmente eh meramente vaidoso e quero ficar só fazendo demonstração pública de virtude. Então, não é só que a gente acredita porque é o certo, mas a Gente acredita na nossa fórmula porque ela no long run ela vai vencer a fórmula dos adversários, ela nos vai permitir chegar ao poder. Então eu sei que um cara como Nicolas ou vários caras que são exmido. Tem uma forma de crescer rápido sendo de direita que é muito óbvia na política brasileira. Tem uma puxada de saco no Bolsonaro, grudando no Nicolas, xinga
MBL, >> tem lá. Você vai crescer, beleza, mas Você vai fazer o que com isso? Você adquire um primeiro um público formado por pessoas meio débeis que te vê como um cara que entrega um espetáculo político. Você não ganha militante, você ganha fã. Então você é um influencer, você não é um formador, você não forma opinião. Sua opinião é formada pelo algoritmo. Então você fala assim: "O que que vai dar audiência? Tem um xingo hoje. Você não consegue atrair pessoas inteligentes para trabalhar para você. E Mais, as pessoas inteligentes, os tacas que a gente começou,
falou no começo, eles já estão cansados, né? Eles começam a ver que certas fórmulas se repetem, que não dá em nada e aí eles começam a se cansar e você fica basicamente popular com várias pessoas que não são influentes ou têm posições decisórias ao redor de você, que o caso Nicolas é muito óbvio. O Nicolas ninguém realmente inteligente vai ver o vídeo do Nas falar: "Poxa, tenho algo a aprender com O que ele disse aqui". Eh, e aí ele não consegue montar um grupo que vai ocupar posições de poder também não eletivas. Então ele não
vai ter um juiz de direito que pensa como ele. Ele não vai ter um economista, um presidente de um banco. E aí você não chega e exerce o poder. Pode até ganhar uma eleição, não exerce poder. Então no longman, a nossa estratégia é muito mais inteligente, porque ela atinge as pessoas, ela é popular, mas ela atinge as pessoas Sérias também. E essas pessoas passam a dialogar com o projeto e elas passam a entender que o nosso projeto projeto teria capacidade no momento certo de vencer, mas não apenas de vencer, vencer e governar. Hoje ser popular
você vence, mas não governa. Perfeito. >> E aí, né, algo vai precisar ser feito. >> Perfeito. Ô, Renan, indo pros finais aqui, cara, eh, você comentou que a a tem toda essa briga geracional, né, Atualmente na política e vocês estão partindo do pressuposto que essa briga geracional ela vai ser o pano de fundo da do sucesso eh do das próximas eleições e onde vocês estão mirando, etc. Bom, ao mesmo tempo, você falou que as pessoas estão envelhecendo muito no Brasil, então podemos concluir que as pessoas eh o público mais velho, que é aquele público que
em teoria não estão querendo atacar, eles ainda são um Público importante no em termos eleitorais, o que o que do lado de cá me parece um pouco contraditório, mas eu vou adicionar ainda uma outra provocação, considerando também e Foi uma fala que você disse aqui dentro do episódio, que muitos eh muitos governistas e muitos parlamentares que a gente tem hoje são eleitos por compra indireta de voto. Eu poderia dizer, que vai lá, constrói uma praça, constrói um, sei lá, um um portal Numa cidade específica lá do interior e ganha uma grana gigantesca. E além de
desviar uma boa parte desse dinheiro ainda, vai lá e bate foto com o prefeito e o prefeito fala: "Ó, tem que votar nesse galo aqui que é ele que é o bom, que é de certa forma uma compra de voto, né? Porque aquela aquele portal não faz nada na cidade enquanto os caras não tem esgoto. Como é que vocês vão conseguir fazer essas esse esses dois resolver esses Dois gargalos? do primeiro gargalo de a galera mais velha ser importante eleitoralmente e o segundo gargalo do pessoal ter muito reduto eleitoral, muita emenda parlamentar e continuar se
elegendo sem precisar botar a cara ou teu opinião. >> Eslin, ã, vou entregar aqui uma parte da estratégia mesmo. É que eu já tornei o público alguns eventos internos, então não há nenhuma novidade. Tem um livro muito bom, ele foi escrito pelo Blake Masters, mas é um livro sobre o Peter, né? O Peter eh, para mim é hoje é o é o talvez o homem mais influente do mundo. Já cheguei a botar outras pessoas nessa posição. O homem mais influente do mundo é o Peter Ti pela, pelo pacote de realizações que ele tem e pela
cabeça dele. Ele é um intelectual, eh, ele é um empresário, ele atua também na área política, ele também atua na área militar, ele tá inserido no que importa e nas discussões que importam. E ele Está fazendo a cabeça das pessoas hoje mais inteligentes e influentes na nos Estados Unidos. Eh, e o Peter ele pensa em termos empresariais da seguinte maneira. Eh, você tem que, ele diz que comp eh competição é para perdedores, né? Competitions for losers. E o capitalismo não é sobre competição, como a gente imagina, mas na prática, o capitalismo bom de verdade é
sobre o estabelecimento de monopólios. Não monopólios forçados, tipo, ah, só a Petrobras pode vender gasolina aqui, mas um monopólio que ele é gerado através da competência. por exemplo, o Google gerou um monopólio e ninguém tá triste com isso, porque o Google atende plenamente eh com uma tecnologia proprietária que é impossível de ser replicado ou quase impossível de ser replicada pelos adversários dele. E, portanto, o com o o ele estabelece margens acima da média. Então, você tem, sei lá, empresas aéreas com grandes faturamentos, mas a margem é Minúscula. Você tem uma competição entre elas, elas entregam
basicamente o mesmo serviço. Quanto o Google inventou um mercado, inventou um conceito, inventou um serviço e ele inventa um preço, inventa uma margem. Eh, e essa é a beleza dele, porque isso tem a ver com o capitalismo, fazer as coisas avançarem e não apenas pegar um setor estagnado e fazer as pessoas competirem reduzindo as próprias margens, né? Pois bem, eh, ele diz que uma empresa pequena para Crescer, ela tem que estabelecer um monopólio no Instituto. Estabelece um monopólio. Então, eh, é muito melhor ser um monopólio de um setor pequeno do que um grande competidor de
um setor grande. E ele vai dando, vai listando inúmeros exemplos, né, nesse campo. E era basicamente o que a gente fazia de maneira intuitiva. Falei, eu preciso ser o rei das gerações mais novas e não ficar tentando ser um vassalo das gerações mais velhas. Por que que Adianta eu vou ser o 39º político competindo por atenção do eleitor boomer, falando que eu amo Bolsonaro? Não, eu amo Bolsonaro de verde e amarelo e você, ah, eu de azul e branco. Ah, eu sou a mulher do Bolsonaro e você, eu sou o gay do Bolsonaro e você,
eu sou o negro do Bolsonaro e você, eu sou o trans do Bolsonaro. Meu, não, não vou. Eu vou fazer uma coisa nova para um público novo, menor. Mas por ser dono da proprietário da própria Tecnologia, modelo fechado, dono da própria linguagem, inovador na própria linguagem, eu estabeleço um monopólio nesse campo. E ao estabelecer um monopólio nesse campo, minhas margens são maiores. Então, politicamente falando, os ganhos que a gente tem com o nosso público são muito maiores do que o que o bolsonarista tem puxando o saco do Bolsonaro, por mais que ele esteja um mercado
maior. Uhum. Isso faz com que, e a gente percebe esse paradoxo, mesmo Sendo muito menor em volume total do que os bolsonaristas, a gente é tão relevante quanto eles no debate público. Então tem algo de estranho. Como é que eu posso ser tão menor, mas tão relevante quanto ele? É porque as margens políticas que ele estabelece são menores. E aí em termos eleitorais, pois bem, há duas eleições, uma é eleição no primeiro turno, outra no segundo turno. No primeiro turno é como se fosse uma prévia da direita. E se eu fecho o Público milenial e
o público da geração Z, isso vai me dar uma massa crítica grande suficiente, não só para mim, mas pros candidatos. a ao governo que a gente vai ter de estarem muito bem posicionados nas pesquisas e permitir que aí um cara da geração X, um cara da geração boomer venha conhecer e ser influenciado pelas nossas ideias, né? Então a gente se coloca numa posição melhor para as disputas. Eu tenho certeza que isso seria muito mais Difícil pra gente se a gente ficasse sendo a quinta ou sexta opção do eleitor mais velho, >> que esse é o
problema. Quando eu vejo, por exemplo, os outros candidatos a presidente todos se juntando para falar que o tema principal deles é a anistia Bolsonaro. Pô, eles estão falando isso. >> Uhum. >> Você, o cara que é motoboy, ele tá preocupado com a anestão do Bolsonaro. O Garoto que tá montando uma startup, a preocupação dele nest do Bolsonaro, não é as gasõ não é a velia que tá presa lá, cara. Isso é preocupação dos velhos que acompanha lá o terça livre, não é preocupação do mundo lá fora. >> Terça livre. É isso deles, eles são as
neuras deles. Então quando eu vejo o Caiado, o Ratinho, Zema, o Tarcío, só falando em Bolsonaro, todos lutandos para ter o aval do Bolsonaro, é lógico, eles querem ser, né, vamos dizer, um Competidor num universo congestionado de candidaturas, pegando um validador ali e nós nós falamos: "É, quero Bolsonaro se dane, quem falou, quero que Bolsonaro seja preso". A gente tá em outra. >> Uhum. >> E essa liberdade é a margem, é a margem alta. essa liberdade de ação é a margem alta que a gente tem. E os nossos concorrentes não entenderam isso. >> Interessante, cara,
porque até historicamente, se você for olhar, eh, a A primeiro que há dados mostrando que pequenos grupos muito bem, quando você representa muito bem um grupo pequeno, você tem de ter um um poder maior. É por isso que muitos deputados, por exemplo, se elegem falando que vão defender o direito de um animal específico. >> Hum. >> É porque não tem mais ninguém que defende aquele animal. Então, todo mundo que concorda com aquilo vota nele. Diferente de você pegar, por exemplo, o Resultado até de alguns, já que a gente falou sobre isso, comunistas, web comunistas que
se popularizaram na internet nas últimas eleições. Eles eram muito grandes, mas como eram vários, diluiu muito voto e não elegeu ninguém. Então, eh eh até na Constituição de 88, salvo engano, você tinha algumas associações muito específicas que conseguiam pautar a inclusão ou o debate da entrada de alguma lei lá na Constituição de 88, mas era um bagulho Específico, tipo Associação dos Padeiros de não sei aonde, porque eles se reuniam muito, enviavam muitas cartas ao mesmo tempo, eram muito leais entre eles e eles acabavam influenciando mais do que grupos dispersos, desorganizados. é meio que o que
você aparentemente tá tentando fazer, só que esse grupo específico é uma geração, né? >> Exato. Ellando isso, né? O que nos leva a crer que em geral não Apenas a a energia do nicho, ela é proporcionalmente mais forte do que a energia da multidão. Eh, mas a energia em geral, tá, é um padrão. Um grupo de homens jovens resolutos, leais entre si, trabalhando junto, mas gerar um grupo de homens, tende a ser altamente efetivo e a quase todas as grandes conquistas eh da humanidade foram feitas nesse método, né? Então, a gente vai pegar, por exemplo,
a expansão linguística dos povos indoeuropeus, eh, é já, né, Já foi, vamos dizer, ah, registrado arqueologicamente, né? Eram grupos de homens jovens que invadiam outras tribos. Eh, o conceito do maner que tinha do Corius, eh, o exército do Alexandre quando ele organiza as invasões aos persas, eram um grupo de homens muito jovens. O Alexandre tinha 20 e poucos aninhos, os outros generais também com 20 e poucos anos, todos eles eh com uma fórmula, vamos dizer, de trabalho muito mais avançado do que a Comparação com os exércitos que eles enfrentavam, eh, exércitos menores e eles conquistaram
o mundo conhecido, ah, startups, grandes empresas, eh, esporte, em geral, esses pequenos núcleos criativos também são muito importantes. Então, eles geram o próprio nicho e de repente um nicho de um nicho surg explode tudo. Quem na antiguidade imaginaria que um povinho aleatório como os macedônicos conquistariam o mundo conhecido? Do Egito à Índia, os caras Conquistaram tudo. Quem é a Macedônia na Fila do pão? Foi um grupo muito pequeno de pessoas. Eh, eu acho esse tipo de coisa é é muito muito interessante, porque talvez a grande base inovadora da humanidade tá neste conceito, esse vínculo de
lealdade num grupo muito pequeno, específico de pessoas que t uma ideia divergente. Então, é um processo criativo. E esse processo criativo divergente e tá querendo provar tese, às vezes só porque quer provar a tese dele, >> ele vai se encarar o mundo com uma, vamos dizer, com uma expectativa eh muito otimista sobre o que vai fazer. e ou ele tem grandes desastres ou ele tem grandes vitórias. Eh, eu acredito muito nisso enquanto tese. Acredito, >> cara, deixa eu, deixa eu te contar o que aconteceu comigo. Talvez você não saiba que tá de certa forma linkcado
e costurado com isso. Eu, em 2022, eu abri um clube de aulas chamado Reservatório de Dopamina e a minha, o meu objetivo Foi início de janeiro de 22. O meu objetivo era colocar 1000 pessoas como aluno até o final de 2022. Ou seja, o meu objetivo era ter 1000 inscritos, 1000 assinantes em um ano. Era 19,90, R$ 29,90 por mês nos planos ali, para eu conseguir pagar meu aluguel, meu custo de vida e continuar clinicando, né, cara? Que que rolou? Acabou aquele primeiro ano, eu tinha 80.000 assinantes. 80.000 assinantes ativos. Aí, deixa eu Te explicar
o que eu fiz. Olha que louco. Engraçado, eu assisti uma primeiro que eu li o livro do Steve Jobs, do Walter Isackson, o biógrafo. Tem vários, mas tem que ser o do Walter Isackson, porque ele viveu com o cara e tal, é aquele de capa branca. O Steve Jobs, ele teve uma ideia de marketing em 1984, 1983 no Super Ball. Ele exibiu um comercial que tem disponível no YouTube, Onde tá o Big Brother do 1984, livro de Jorry Ouro. Tá o Big Brother na tela, um monte de gente careca olhando e ouvindo ele dá um
sermão, entra uma mina com cabelo moicano punk roxo girando uma marreta e quebra a tela. E a propaganda que a frase que aparece depois de uma voz uma voz rouca é Apple. você vai entender o porqu porque 1984, que era o ano que vinha depois, não será como 1984 em itálico, que é o título do livro do George Orwell. Porque na época a IBM Queria monopolizar e formatar a experiência do usuário dentro dos computadores. E o Steve Jobs falou: "A gente não vai ter um grande irmão que é IBM mandando e pautando como vão ser
os computadores." A Apple vai mostrar e vai quebrar isso, vai quebrar essa lógica, vai quebrar essa cultura da IBM e a gente vai mostrar um produto muito mais sexy. Para começar com o nome Apple, né? Que hoje faz sentido, mas a época era um bagulho muito disruptivo, uma maçã Mordida e tal. E aí ele falou: "Vocês vão entender porque que 1984 não vai ser como 1984". O Steve Jobs explicou depois pro escritor lá, pro Walter Isaxon, que ele tinha uma ideia de capturar no universo cultural da Califórnia da época, aquela galera mais ripara a contracultura.
Existia uma cultura estabelecida e falou: "Não, quero falar com eles, eles são o meu público. Que que eu fiz no meu no meu no meu grupo de aulas? No reservatório de dopamina. Quando eu vi isso, cara, porque o que que eu ensino lá? Eu ensino a pessoa a dormir bem, ter qualidade de sono, treinar, ler, gostar de estudar, investir seu dinheiro, empreender, ser uma pessoa respeitosa, ser uma pessoa que ama o conhecimento. A minha grande tese é que o conhecimento é o é uma das talvez pontes mais certas que vai te tirar de um lugar
merda para levar para um lugar melhor. E nada, além do conhecimento vai Fazer isso para você. Eh, pelo menos não de uma forma que te traga recompensa e autoestima e autoeficácia, né, e satisfação, diferente de uma herança ou qualquer outra coisa. Eu falei assim: "Pô, e eu acho que tem uma galera hoje lá em 2022, né, eu pensando, eu acho que tem uma galera hoje que é, existe a cultura do jovem brasileiro hoje que é sair, beber até de madrugada, voltar todo zoado, eh eh sei lá, Sabe, ser solteiro, vacalhar, usar droga, não estudar e
zoar quem gosta de curtir, de quem gosta de estudar e quem gosta de levar uma vida mais séria assim no sentido de trabalhar, etc. Eu fundei o meu programa em cima da tese do Steve Jobs, só que eu fiz um movimento contra o movimento. Eu fiz mais ou menos o que ele fez pegando os hips, só que eu queria pegar essa molecada de internet que não era Representada por, não diria um líder, mas uma figura ali que fala: "Cara, eu quero ser igual esse cara. Esse cara acha legal estudar e acha cool, acha sexy, ficar
lendo e ser um cara mais intelectualizado e cuidar da da cabeça e da saúde mental e ter paz e tal. E eu eu hoje olhando para trás, eu acredito a essa estratégia eu ter conseguido fechar o ano com 80.000 assinantes, porque eu consegui de certa forma representar um grupo de pessoas, Não necessariamente uma geração, mas um fragmento dentro de uma geração que tava perdido, cara. Isso é muito forte. É um movimento de tribo muito forte. É muito forte. Isso >> é quase o equivalente a um uma torcida de jogo de futebol, movimento político. É uma
coisa muito forte. Tanto é que hoje as pessoas tatuam a nossa marca. É um bagulho bizarro, cara. É um movimento bizarro assim, muito bizarro. E aí, pelo que eu tô percebendo, é mais ou menos Por esse caminho que o movimento de vocês tá indo, né? uma representação de de tribo mesmo para tentar eh pautar o que acha correto, né? >> Exato. E você vai ver assim a assim a história que você controla tem vários spinoffs que a gente pode fazer na conversa, né? Primeiro até assim eh eh o o hiperta medida dessa geração acaba sendo
os caras que você tá buscando, porque a contracultura dessa geração é a negação Dialética da cultura anterior. >> Exatamente. >> Né? Eh, e é muito interessante porque se a gente olha a seguinte coisa, o Boomer, ele cria o ele vive o movimento HIP como negação, né, enquanto contra a cultura da geração mais conformista da história, que era a geração anterior, que é a geração silenciosa. Aí você tem a geração X, que ela não, não, não vou trabalhar muito, a geração que ganhar grana e se profissionalizar, que teve os Iups e tal, a geração X ela
nega, né, demais dialeticamente isso. Aí vem o Millennial. E o Milênio, que é é a minha geração, é que que ele olha e fala assim: "Bom, e eu eu quero negar o cara da X, eu vou buscar a autenticidade que não existe mais o meu tempo, igual a geração dos boomers fizeram, a geração HIP. E a geração Z, que é uma geração que já nasce cheia de problemas, ela olha e nega, ela olha pro pra geração milenial e essa coisa eh meio edonista, Festeira que foi pintado na como um símbolo de vida e sucesso da
geração e fala: "Não, calma aí, isso não se encaixa". Então, a tua resposta é resposta dialética pro problema geracional e e é uma resposta dialética correta. Porque se a gente olha, vamos dizer, um fluxo de hedonismo versus autoconstrução, naturalmente o hedonismo é como se fosse um um relaxo espiritual, com uma forma de se lá de você fluir os prazeres, às vezes até com uma coisa Mística interessante que não nego. Acho que tem coisa muito interessante que acontece nesse processo, mas dito isso, eh, materialmente e talvez em termos não só de saúde mental, mas de construção
de vida, eh, inferior, né? E eu acho que acaba tendo tem suas consequências. E a gente junta isso com essa questão agora do momento, né, e do e até voltando pro começo do da entrevista. Eh, aí eu olho, por exemplo, a gente falando, ah, a o problema da geração Z e o desejo dela Por construir algo. É uma geração que tá falando e e o que você também tá pregando e acho que isso ressoa muito, é sobre construção, é sobre botar, sabe, os tijolinhos corretos, lugares corretos e você ficar bem com a construção e estabelecendo
senso de hierarquia, senso do que é prioridade na tua vida. Isso tem isso que deve ter deve ser feito. Isso tem um efeito muito muito bizarramente positivo. Tem um, são minhas paradas esotéricas, tá? Eh, Mas eu gosto. Tem uma, tem um autor que, eh, chama George do Mesil, ele é um autor francês, é filólogo, fala de mitologia comparada. E uma das coisas legais que ele fala num dos livros chama Mitra Varuna, ele explica assim que a construção na mitologia dos povos indoeuropeus, a construção dos tempos e e os mitos ligados a ao tempo, se dava
assim ordem, ordem, ordem, ordem, caos, ordem, ordem. E o caos é um fato gerador, né? O o caos é um elemento, né? O caos ou as os momentos hedonistas são momentos geradores, são momentos de em que você questiona tudo, né? E aí daquilo vai ser algo novo. Eh, e um dos problemas, talvez da contemporaneidade em que a gente não tem mais escassez de de produtos de de comida, né? A escassez hoje diminui cada vez mais, é que antes de você ter, né, ordem, ordem, ordem, caos, por exemplo, o carnaval, a antiga saturnalha dos romanos, era
um momento de caos, né, num todo um processo de Ordem. Então tinha que ter um momento de causa específico em que se invertiu o poder o rei Momo como, né, o o homem comum que vira o rei. Essas inversões, a a quebra da moral e tal. Eh, hoje a gente vive assim, caos, caos, caos, caos, caos, caos, ordem, caus. >> E isso não dá, não dá para ver. E boa parte da discussão política hoje se dá [ __ ] por conta disso, porque se sente que tá tudo invertido, tá tudo amalucado. Isso gera dano para
as Pessoas. Eh, eu conheço o reservatório de dopamina e eu conheço alguns fãs teus que inclusive trabalham aqui, né? é o é o seu clube da luta, seu exército silencioso aí. Então, e cara, isso está concendo. >> E eu acho que a gente tem tom uma posição sobre a construção, sobre a autoconstrução e a construção do mundo ao teu redor. Quando eu levo o discurso da favela, né, a favela como esse elemento de caos, quando a gente fala, Pô, a favela é legal, cara, favela não é legal. A favela é um elemento, é uma construção
caótica que não tem como tá assim. Ela vai gerar externalidades caóticas. Aquela teoria da janela quebrada, você vê tudo quebrado ao teu redor, a tua formação de hierarquia de valor vai se dar tudo errado. Tudo tá errado lá na favela. Vamos botar uma ordem, vamos harmonizar a cabeça da galera. Vamos, vamos desconstruir a favela. Vamos. E aí quem vem defender? Não, a favela como um conceito, a favela como uma resposta. É, é, é justamente a galera com essa mentalidade hedonista. E se e você acha que aproveitando esse termo, você acha que >> o pessoal que
e essa operação que teve no Rio de Janeiro agora publicamente, é porque eu eu não consigo avaliar, até porque eu tô cada vez mais ausente das redes sociais, mas você acha que tive filha agora, né, cara? Então é momentos que a gente quer aproveitar outras Paradas. Eh, você acha que a galera tá com aprovação pública? Eh, você se você tivesse que chutar um dado aí em porcentagens, quanto você acha que é aprovação e reprovação? no debate público, que não é aprovação pública, tá meio a meio o debate, porque a esquerda tá inteira mobilizada. Na opinião
pública, as pessoas estão favoráveis. Então, na opinião pública, as pessoas estão bem favoráveis. Agora, o debate tá, vamos dizer, eh, realmente Assim, sorte que você tá aí fora, porque aqui dentro tá um, tá um pé pega para cap, tá tiro porrado de bomba. >> Então, de uma maneira geral, quando quando você dentro dessa tua ideia de caos, caus caos, caus ordem, etc., Quando você traz um pouco de ordem na tua análise, o o a opinião pública, elas relaxa, ela gosta. >> A opinião pública tá desesperada por ordem no Brasil. É desesperada por ordem. Eh, e
mesmo as pessoas que às Vezes elas não expressam ordem na vida delas, elas querem alguém que as ordenem. Não tô aqui, as pessoas mais humildes, mesmo as pessoas que moram na favela, elas procuram a igreja. O que que elas estão procurando a igreja? Eh, elas estão precisando um ordenamento, elas estão precisando ordem, me ordene, né? É uma vontade interna desesperada, é um grito por ordenamento. E aí, por isso que eu me preocupo muito com certos denominações evangélicas chegam nessas Pessoas, estão procurando ordenamento, o cara me dê seu dinheiro. Pô, isso é, isso é horrível, porque
o papel de uma boa igreja em ordenar pessoas que estão vivendo em um ambiente de caos é muito positivo quando bem feito, né? Imagina um rapaz, né? aquelas estatísticas que mostram, tem um, tem uma pesquisa da GV de 2007, o rapaz que vai parar na FEBEN, 80% dos casos, ele não tem a figura paterna. Aí quando pega, ah, e a figura materna não incide tanto, ah, e não tem Nenhum dos dois, um pouco. O maior problema é a figura paterna, a ausência da figura paterna. Então, o cara ausência fila da patela num ambiente conturbado, caótico,
eh morando numa favela, tudo que esse cara precisa de ordenação. E a figura masculina com a autoridade, pra gente entender, né, que é esse elemento ordenador, né, a mulher talvez sendo pensada como a natureza e o homem como a força, a ideia que ordena o caos e é necessário. Ou seja, o que tá o Que tá precisando da questão da segurança ou a questão eh dos brasileiros perdidos no mundo também tomado por redes sociais, ou seja, o calço aumenta, é o elemento masculino ordenador, hierárquico, precisa chegar para contrabalancear, porque aqui em especial, mais do que
qualquer outro lugar, talvez em todo dito ocidente, que a gente nem sabe sobre esse ocidente, aqui precisa de ordenamento, aqui precisa desse elemento. E as pessoas às Vezes elas não sabem eh articular isso, mas é o que elas querem. Eles precisam disso. >> Renan, deixa suas redes aí, cara. Como é que a galera consegue te acompanhar? >> Cara, em todas as redes eu sou o Renan Santos MBL, então no X, no Instagram, eh, em todos os lugares, né? Só me procurar Renan Santos MBL e tô lá falando minhas coisas. Eu gosto muito do do X
e é o que eu mais escrevo, mais produz o conteúdo, mas tem muitos vídeos Diários no Instagram e eu preciso escrier o Instagram porque supostamente se não candidato à presidência da República, eu preciso ter muitos seguidores. >> Pois é, cara. E aí você vai você vai fazer isso mesmo? vai encarar. Essa >> é o que todo mundo no time quer. Eh, eu gosto da posição que eu tenho. Eu gosto dessa posição mais de CEO da organização. Acho que você deve ter reparado. Eu falei aqui muito mais como Administrador da tese do time do que como
um candidato. >> Eh, e eu fico mais à vontade nessa posição. Mas eu também gosto de eh imaginar isto sendo feito num num país. Eu tenho minhas ideias e eh as pessoas no naturalmente no universo do Nibell há um follow nisso e se é para ser, então vou fazer o melhor que eu posso. >> E cara, você vai estar numa posição nos debates um pouco confortável, porque você você vai poder xingar os dois lados Hegemônicos, né? >> Sim. >> Não vai precisar pagar pedágio para nenhum. Uma delícia. Nenhuma, nenhuma, nenhuma. Tô só notando lá o
que eles estão fazendo. >> Renan, obrigado demais, cara. Valeu pelo seu tempo aí. Eh, putz, tinha um monte de pergunta para fazer ainda. Mais para frente a gente faz mais um episódio aí. >> Não, por favor, me chama de novo que foi maravilhosa a conversa. Estou pedindo, Estou implorando uma segunda vez. >> Nossa, vou chamar. Galera, deixe seu like aqui no vídeo, inscreva-se no canal e compartilhe com as pessoas que você acha que tem interesse. E nós nos vemos no próximo episódio.