Existe a terra e existe o território não um em cima e outro embaixo tem um na frente e o outro atrás mas lado a lado a Terra é palavra de artigo feminino o território masculino a Terra é a formação geográfica o território é a condição cultural a Terra é física o território é virtual até reparável o território podemos imaginar na terra planta-se no território Planejamos vivemos na junção de um com o outro Terra pode tanto se referir ao planeta como a camada de solo onde nascem as plantas território é a construção de nossas experiências presentes
junto com as memórias dos Ausentes Por que que temos a tendência de valorizar apenas um dos lados ao invés de perceber as contribuições que surgem dessa integração Se a Terra é a nossa mãe pode ser o território algo sensível e afetuoso como que construímos socialmente sobre ser uma mulher Se temos perguntas temos dúvidas no quinto episódio do casa Floresta vamos buscar respondê-las revisitando com mais profundidades femininos presentes em todos os territórios que visitamos vem com a gente Olá eu me chamo Aline matusa trabalho com meio ambiente há mais de 15 anos Hoje serei sua acompanhante
ao percorrer nos universos de texturas cores sabores sonoridades e paisagens que eventualmente podem até parecer distantes mas que na real dividem moradia comigo e com você os nossos olhos vão se encontrar nossas mãos vão se tocar nossos ouvidos e Bocas vão se conectar para a gente não esquecer nós compartilhamos o mesmo planeta somos todos habitantes da casa que só é casa porque também é floresta casa Floresta Fique à vontade mas não se esqueça que ela também precisa do seu cuidado estamos aqui para conversar sobre a luta feminista das mulheres indígenas mas um momento importante para
conhecer o que é que é feito aqui no Rio Negro que inspira outras partes do Brasil mas também quais são os desafios que estão colocados aqui nesse território e muitas coisas que a gente compartilha mulheres indígenas entre as etnias junto com mulheres não indígenas também e muitas Coisas que a gente não conhece que a gente desconhece dessa luta então obrigada mulheres por nos receberem aqui pela generosidade de tá disponível e de estarem disponíveis e abertas para esse papo gostaria que vocês confiassem na gente porque nessas rodas costumam manifestar as coisas importantes coisas fortes e estamos
juntos então sou dadado na verdade meu nome é Maria do Rosário né só que eu tenho 27 anos sou indígena do Povo Tucano meu nome Tucano Meu nome é Nazaré Andrade Montenegro sou deitinha Abadia eu vim lá da comunidade tudo bem olá bom dia então eu sou a Cláudia Ferraz Sou do povo wannano é mais chama Juliana Albuquerque hoje estou na rede de comunicadores há mais ou menos Ambrósio eu pertence a etnia Abaré né de pais Elisângela eu sou detenei Abaré sou falante de língua inspirados por esse momento real que aconteceu quando estávamos lá em
São Gabriel da Cachoeira no Amazonas decidimos fazer uma grande roda de conversas nesse episódio especial uma colagem que ouvimos em todos os outros cômodos da nossa casa floresta do terceiro episódio nossa visita ao Vale do Ribeira no sul do estado de São Paulo temos meu nome é Rosana eu sou aqui da comunidade quilombo em umuara bom Eu me chamo Regiane não sou tão jovem assim tô quase chegando nos 40 aí mas uhu joga bola tô Saúde tô lá eu sou Rafael tenho 254 anos vou fazer 25 anos esse ano essa feira do Osvaldo Com a
Marlene né lá do que eu amo Porto Velho então eu já esquerdo já do segundo episódio lá de Altamira no Pará estão com a gente nosso Raimunda sou gestora de uma menina que fica na Terra do Meio município de Altamira boa tarde sou a marinez moradora aqui da reset do do Xingu uma ladeira aqui do Bali da comunidade Paulista e agora dando sequência temos mulheres que vocês conheceram nesse Episódio mas que voltarão ao nosso programa seguinte o último do casa Floresta que acontece em Mato Grosso meu nome é Milene eu sou de Nova Xavantina Mato
Grosso e eu conheci aí pessoal meu nome é Jennifer assim minha família tá há seis anos na rede a roda de vozes que você acabou de ouvir não aconteceu dessa forma na realidade as mulheres que se apresentaram a pouco não estavam todas Juntas fisicamente mas nesse território sonoro que se constrói em teu ouvido decidimos reuni-las para potencializar a presença feminina Desse nosso território Brasil indígena ribeirinho e quilombola portanto como em toda a roda permita-se circular por essas falas histórias e memórias que vez ou outra eu Aline estarei aqui para conectar fatos ou contextualizar as pessoas
e os locais só Elisângela e em 2017 a 2020 tive oportunidade de ocupar o departamento de Mulheres representando os 23 povos indígenas dentro do Rio Negro e os três municípios né São Gabriel Barcelos em Santa Isabel e hoje é por minha opção eu optei né assim eu tenho como profissão Sou professora formada em sociologia fiz pós-graduação em educação escolar indígena como profissional Sou professora indígena 10 anos fiquei dentro da escola por minha própria opção eu optei ficar fora da sala de aula né Porque nós mulheres hoje a gente ocupa vários lugares né tanto dentro do
território tanto fora do território aqui não é meu território né mas esse lugar aqui é sítio do meu esposo e quando a gente casa a gente vai para o território do marido em 2000 cheguei lá no território do meu marido até hoje eu sou uma grande liderança e o departamento de mulheres da Federação das organizações indígenas do Rio Negro afoi-me que você conheceu lá no Episódio 4 é a principal Expressão de protagonismo feminino do Alto Rio Negro e há 20 anos fortalece a participação das mulheres em ações como prevenção da violência combate à emergência climática
educação e economia da socio biodiversidade continuando queria destacar a relação da Sâmela com a Elisângela e as conexões que atravessam o rio negro e aproveitando que você você já tinha uma relação dentro do movimento mesmo sem se conhecer queria que você comentasse isso Também é sim eu eu conheci Elisângela a gente se viu a primeira vez em 2019 na primeira marcha das mulheres indígenas ela tava lá né tinha oito mulheres do Amazonas e eu e ela fomos uma das mulheres que estavam lá na primeira marcha das mulheres indígenas aí ela foi uma das pessoas escolhidas
para falar com a ministra e ela gritou assim na frente na cara da da ministra eu achei isso muito interessante eu conheci também a Dadá muito de nome porque o Movimento indígena É principalmente o movimento indígena de mulheres a gente tem uma rede de contato muito grande então quando a gente precisa saber informações Solimões do Alto Rio Negro a gente tem referências e a Dadá é uma referência aqui também no Alto Rio Negro e falando em representatividade Então queria puxar a experiência Outra experiência que vocês tiveram de promover deve ter sido inédito isso um debate
com os candidatos a prefeitura Aqui de São Gabriel da Cachoeira vocês ao promover isso coloca num lugar de protagonismo né de falar as propostas e a gente vai escolher Então queria também escutar é que você Contasse um pouco sobre essa experiência e como ela contribui para a formação política dos parentes que estão tendo que fazer escolhas no momento de eleição se você já escutou o Episódio 4 Vai se lembrar da rede wirele de comunicadores indígenas e da Cláudia o anano uma das Fundadoras da rede e locutora do programa papo de Maloka A Cláudia é uma
das 20 mulheres que levam adiante as demandas desafios e projetos das Comunidades indígenas e compartilham conhecimentos de outras regiões pelas ondas do rádio e através de podcasts e vídeos é ela que me responde para a gente foi importante esse momento porque a gente estava conhecendo assim quem seria os candidatos E quem seria os nossos representantes futuramente né Para nos ajudar para colaborar enfim para a gente foi esse momento assim que eu estive juntamente com a jovem comunicadora Daniela né do Povo que é uma Universitária indígena estuda da Unicamp agora né e para a gente foi
um desafio grande porque a gente estava fazendo um trabalho muito bonito né de tentar levar essas informações para os nossos parentes e tal mas aconteceu uma série de coisas que acabaram querendo impedir um pouco essa roda de conversa Se bate-papo que a gente teria feito com os candidatos né E foi uma situação assim que nos deixou um pouco assim ao mesmo tempo animado e desanimado ao mesmo tempo né alguns queriam que a gente fizesse alguns queriam que a gente não fizesse quase impediram a gente fazer esse debate então colocar uma série de dificuldades né dizendo
que ia surgir sei lá queria ser muito perigoso e arriscado para as meninas que no caso seriam as mediadoras desse bate-papo né Mas foi uma coisa assim uma produção tudo bem preparada como essa pra gente fazer uma coisa a gente tem que fazer um preparo antes né ter uma equipe tem uma produção para ver todos os detalhes para nada sair né e a gente fez tudo isso mas aí para a gente foi importante porque a gente estava de cara e cara com candidato fazendo perguntas que a gente entrevistou algumas pessoas assim né e através das
perguntas dessas pessoas a gente lançou para os candidatos né Gisele aparece para somar no papo nas nossas autoridades mesmo falando acredito que contribuiu bastante para se fortalecimento nosso da comunicação E como a Cláudia falou se vier a imagem a gente vai encarar né a gente vai fazer mais um programa desse né bate-papo uma outra conversa com nossos candidatos porque de quatro anos tá aí né então a gente tá aqui para levar informação para abrir esse espaço para ele só que eles não entendem desse jeito entendem como Ameaça ou perseguição e não é isso que a
gente tá querendo isso estamos querendo ajudar né aí eles esclarecerem a proposta de governo para o povo da intenção que a gente já acompanha e vê nas redes sociais com os movimentos indígenas mesmo a nível nacional é de colocar no caso e deputados e tudo mais de colocar mais indígenas no poder a gente está com essa missão com esse objetivo né junto com os povos indígenas a gente quer mais lideranças indígenas No poder porque atualmente hoje a gente eu em dia a gente só tem a Joana e opxana e é mulher né única indígena que
tá lá no meio do pessoal lutando pelos direitos dos povos indígenas e estar sozinho ali no meio de pessoas que não gostam né de nós é difícil né uma mulher lutando sozinha que nem ela está se rodeada por leões né prontos para dar o bote atacar infelizmente a joenia ou apichana a primeira indígena conquistar vaga de deputada Federal Não foi Reeleita por outro lado esse ano tivemos um aumento de 119% de candidaturas indígenas em 8 anos totalizando 186 candidatos e candidatas a bancada do cocar como é conhecida pretende demarcar o território político desse país esse
movimento já começou histórico temos pela primeira vez cinco pessoas indígenas na Câmara e com destaque para lideranças do movimento indígena Sônia Guajajara em São Paulo e Célia chacreabá Em Minas Gerais Sâmela ué Dalton essa conversa aqui é um ato político todas as pessoas que estão Vão ouvir a gente vão entender a gente como ato de resistência e ser resistência falar nossa língua manter Nossa cultura Nossa identidade está no território é um ato político e a gente faz política todo dia quando a gente discute isso quando a gente discute política quando a gente mantém a nossa
Cultura a gente mantém a política mas Também a gente entende que não só essa política é necessária nesse âmbito que a gente está vivendo é necessário também que a gente ocupa esses espaços de tomada de decisão porque as nossas mobilizações elas causam pressão no governo causam pressão nos ministros mas elas não são suficientes para que a gente consiga de fato ter um bem viver para que a gente consiga de fato aprovar leis que apoiam nossos povos que benefícios nossos povos não são Suficientes para que a gente não precise mais tá todo dia lutando por uma
educação diferenciado por uma saúde diferenciada para que as pessoas respeitam a nossa cultura então a gente entende é preciso que mais mulheres indígenas e indígenas em geral ocupa os espaços de tomada de decisão E é isso que eu queria saber também das mulheres se tem essa para além dos nossos muitos trabalhos que a gente já faz aqui a gente ainda pensa assim ocupar os Espaços continua falando sobre como chegou na Federação das organizações indígenas do Rio Negro e eu sinto muito orgulho disso e sou lá da região do Sana né da comunidade de Assunção dos
Sana nasci lá cresci lá fiquei um pouco da minha juventude né de lá a gente teve que se deslocar para a cidade para poder dar continuidade dos nossos estudos né E também sou formada em ciências políticas também fiz pós-graduação em educação Escolar indígenas pelo ifã Campus daqueles São Gabriel e esse ano tive o grande uma grande Vitória também de defender a minha dissertação é mestrado em busca e línguas indígenas pelo Museu Nacional do Rio né Foi assim foi um sonho meu porque sou do mas tô falante da língua em gato né A minha mãe é
do povo erequena e meu pai é baniva não fala a língua da minha mãe nem do meu pai fala a língua do que é do Povo Baré né mas assim isso tem uma longa história Né quando a gente começa a estudar Nossa histórias a gente percebe por que que a gente não fala né a nossa língua e hoje eu tô como mestra né E também tô como coordenadora do departamento de mulheres da folhine A gente tá sucedendo a Eli né com a genética que fez um grande trabalho que deu visibilidade eu trabalho das mulheres no
Rio Negro foi uma luta muito árdua porque foi durante um período assim muito crítico né onde a pandemia chegou em São Gabriel a gente Não esperava pegou a gente de surpresa mas eu acho que as mulheres assim foram muito lutadoras né porque nesses dois anos e até agora a gente continua na linha de frente né lutando né contra essa doença que é invisível mulheres em geral incluindo vocês seja pensaram na candidatura é então eu vejo assim na aqui na nossa região né agora no momento atual que estamos nesse dentro do movimento indígena as mulheres já
tem ocupado Vários espaços né tanto nos territórios várias mulheres já são presidente de associações são coordenadoras regionais dentro da diretoria também já temos uma diretora mas que daqui para frente a gente pretende trabalhar muito mais em relação a isso sabe quem sabe daqui a pouco dentro da folha a gente tenha cinco diretores cada uma representando a sua região mas aí como a Samila falou essa parte de política partidária é muito necessário também porque as ações Dentro dos nossos territórios elas depende muito de políticas públicas sabe então a gente precisa também ocupar esses espaços ano passado
teve né teve várias candidatas mulheres assim para gestão Municipal em letras outras não né mas eu acho que a nível nacional Federal a gente precisa fortalecer essa conversa né Essa Luta Larissa Tucano complementa agora hoje em dia a gente quer sentar junto com os não os Indígenas para poder decidir o que é bem melhor para o nosso povo todo visando nosso território nosso ponto de vista nas educação diferenciada tudo isso com certeza para criar uma lei não vieram consultar a gente né tipo assim eu concordo super com essas duas parentes Então mas essa questão né
é que a gente não consegue entender essas palavras que eles trazem essas leis que eles inventam por nós Elisângela do Povo Baré narra Como Participar da vida política foi se tornando algo aceitável na vida cotidiana para nós mulheres ela não é muito discutida dentro do território de mulher para mulher a política não é para mim eu porque toda vez que eu ia para reunião deles só tinha uns homens falando não tinha uma mulher falando hoje eu vejo na televisão muitas mulheres né Assim que não seja não é indígena né Hoje é a vez da mulher
falar sobre a educação é a vez da mulher Falar sobre a saúde Mas a gente sempre fez saúde nós indígena nós mulheres indígenas sempre fizemos a saúde desde o nascimento do bebê desde no momento que a gente tem primeira menstruação nós fizemos nossa saúde porque nesse momento foi ensinado tudo aí a política partidária também ele não é do nosso contexto indígena ele não é da nossa cultura só que o problema dele hoje que para defender meu território para defender meu Rio para defender minha Floresta eu preciso porque quem faz ler é aqueles que estão lá
dentro seja ele Estadual Federal Municipal ou Vilas me faz ter certeza de que ao trazer essa roda ampliada pela proposta de imagem de vozes do episódio estamos tendo uma real troca de benefícios muitos porque exatamente isso ter mais espaços de nós para nós eu aprendi que quando as mulheres indígenas avançam todos avançam a mesma coisa com as mulheres ribeirinhas que Lombolas e todas as detentoras dos conhecimentos tradicionais do Brasil eu preciso isso que hoje em dia eu converso muito com as mulheres às vezes a gente volta numa deputada ou num Deputado e a gente não
sabe nem quem são nunca vimos só vimos aquele santinho aquele número né e vamos lá aí eu voltei porque eu fiz a minha obrigação porque quando eu for para fazer um emprego ou fazer uma aposentadoria vão pedir aquele papelzinho que se eu estou em dia eu Falei para eu falo hoje para as mulheres não é só isso você tem que pensar que é a política faz a educação chegar dentro do território a política faz a saúde chegar dentro do território a política faz chega aos benefícios sociais dentro dos territórios agora a gente precisa votar nas
pessoas que vão apoia as causas indígenas aonde muitos parentes que estão lá dizendo que vão representar causa indígenas a gente acaba vendo que o dele também não é causas indígenas Quando a gente pensa em movimento de mulheres indígenas tô conhecendo agora Larissa é a gente tenho certeza que a gente vai construir ainda muitas histórias dentro do movimento porque o movimento indígena principalmente o movimento de mulheres sempre está em movimento esse que cruza o Brasil na boca das mulheres quilombolas do Vale do Ribeira no Sudeste de São Paulo a história da escravização atravessa a luta feminina
e a luta pelo território Dona leonilla trouxe-se importante olhar para o passado porque eu tenho muito amor naquela comunidade eu sempre falava quando eu trabalhava lá que eu tocava ela lá e dizia para aquela turma vamos lutar para o nosso território porque eu podia ter nem ter lutado porque não tenho filho não tenho neto não tem ninguém para deixar mas você tem seu seus netos vocês deixarem para ele aí uma coisa para sobreviver empatelham de viver mas lá o Povo é meio eles não querem muito nada com nada querendo saber do dinheiro que venha para
cada um deles assim trabalhar em comunidade eles não são não são muito amante não mas eu tô com 73 anos hoje e quando eles descendentes vieram da Senzala do Miguel Antônio Jorge é o maior Mercador de escravo do Vale do país e ele trabalhava lá com engenho de mandioca e cana o meu bisavô foi o primeiro dele a Rafaela do Quilombo Porto Velho complementa essa História ela acompanha a gente né E ela nos guia em todas essa continuidade né que a gente tá tendo né então a gente tem que sempre reconhecer Nossa trajetória para poder
estar aqui hoje né se reafirmar de fato é uma coisa que eu tenho feito também muito ultimamente então eu cresci muito com esse cenário de ameaça na verdade nossa comunidade foi essa questão da grilagem essa questão né das faltas de acessar água a falta de acesso né a moradia adequada né Então tudo isso fez parte da nossa influência né essa luta né ver toda aquela luta e sempre foi luta nunca foi nos dado né Sempre foi conquistado me formou no sentido de continuar né vamos continuar porque é isso né acho que eu já cheguei numa
geração que já tem os caminhos um pouco mais abertos para poder uma coisa Sempre coloco né Para a gente poder brotar a floresta a gente tem que ter um terreno fértil né e acho que eu já cresci um pouco nesse terreno Fértil aí construído pelas comunidades nos quilombos do Vale do Ribeira as responsabilidades são compartilhadas desde cedo mas tanto lá quanto em outros espaços no campo ou na cidade é comum que as mulheres recaia desproporcionalmente o peso de cuidar do outro fazer ainda criança trabalhos de adultos é parte relevante da experiência feminina a quem é
esperado cozinhar limpar e olhar pelas crianças mais novas a Rosana do Quilombo em um Guará nos Conta sobre essa realidade né E aí a minha irmã uma outra irmã minha ela ganhou a minha sobrinha que era mulher dele né eu tinha ido para casa dela eu tinha que lavar roupa eu tinha que soca arroz eu tinha que buscar lenha eu tinha que fazer comida cinco anos não desde os três anos de idade eu já ia para roça com meu pai tinha que subir aqui buscar milho para depois se arrumar para ir para escola bem cedo
por isso que eu não estudei naquela época Era muito difícil né aí meu pai fazia a gente subir aqui buscar milho de manhã cedo para depois ir para escola e aqui até ainda até o terceiro ano mas é pouco né e agora vem um povo de fora aqui fazer faculdade da professora Ah se for para ensinar na roça e nós íamos longe desde roçar assim para roçado derrubar plantar limpar colher Esse é com nós mesmo é verdade as mulheres são essenciais no cultivo Alimentar quilombola e na manutenção do sistema agrícola tradicional atualmente quase 42% das
pessoas cooperadas da cooperativa dos Agricultores quilombolas do Vale do Ribeira a Cooper que vale são mulheres arroz chuchu batata Taioba inhame cará tem de tudo um pouco nas roças das mulheres cujo cultivo prioriza não só comercialização mas também a alimentação de qualidade para suas famílias A gente contou para vocês no Episódio 3 mas vale repetir as mulheres quilombolas foram maioria na entrega de alimentos para comunidades vulneráveis de São Paulo durante a pandemia de covid-19 53% das entregas vieram das mãos e das roças delas direto para mesa de quem mais precisa é cuidado e coletividade com
os seus e com o próximo aliás coletividade cuidado também são palavras-chave da rede de sementes do Xingu que você vai conhecer no nosso Próximo e o último episódio dessa temporada do casa Floresta a rede é majoritariamente feminina cerca de 80% das coletoras de semente para reflorestamento são mulheres Jennifer uma jovem brilhante coletora de sementes do assentamento bordolândia encerra nova Dourada Mato Grosso comenta sobre os desafios que ela enfrenta entre a vida no campo e a cidade tem até uma professora minha que sempre que eu às vezes eu comento assim que tem alguma Podcast da rede
que a rede participou ou até mesmo publicação ela vai lá e pede o link para poder ela ouvir mas é tipo assim às vezes ai eu caí alguma matéria alguma coisa do ambiente tudo e os professor que sabe toca no assunto falar é Jennifer e a família trabalha com isso e tals Só que os alunos os colegas da minha sala especificamente olha com cara de deboche tipo como se fosse coisa pouca sabe como se se ele está lá se eles vai no shopping por exemplo se Eles vai tomar sorvete todo dia com um monte de
gente é mais coisa do que eu às vezes e só com a minha família adultos catar semente no meio do mato como se isso fosse como se ele eles fazem aí seja melhor que o que eu faço então é muito complicado porque povo lá da minha sala Eles não têm interesse para nada quando eu falo ou algum professor fala ele eles rirem na cara da gente basicamente seguindo nas teias femininas da rede de sementes do Xingu Milene Conta uma história de orgulho um Desafios que se assemelham e que confortam a Jennifer eu sou evangélica né
e o meu pastor ele fala assim que todos os dias a oportunidade vem para você cabe você agarrar ela pode ser que a oportunidade que eu tenho hoje eu não vou ter amanhã vai ser Mas pode ser que a que eu tenho hoje vai mudar minha vida para sempre e foi o que aconteceu na minha vida a oportunidade que eu tive no ano de 2012 que a minha mãe teve eu tive Mudou a nossa vida para sempre um dia eu falava da rede sementes para o pessoal do meu ensino médio Outro dia eu tava no
palco do Rock in Rio falando para milhares de pessoas sobre a rede de sementes Então foi uma oportunidade que bateu na minha porta e quando eu andava com roupão na blusão era comprida para tampar do Sol dos Espinhos do Capim olhava um rio sabe porque eu não tava lá na rodinha das meninas que toma coca-cola que vai para praia que vai Para Praça eu tava no sol quente de bike com a minha mãe carregando o saco pesado sabe toda suja de botina lá só que escolhas Hoje eu tô num lugar que elas não estão tenho
uma paz de vida uma paz de espírito que elas não tem porque eu fiz uma escolha a escolha que você é Jennifer fez então as pessoas ri zomba mas elas não têm o que eu tenho dentro de mim sabe o que você olhar assim eu olho para aquele Verde ali olhando aquelas Palmeiras ele Brilhando traz uma paz um sentimento tão gostoso um prazer tão gostoso que outras pessoas não têm além de Milene Jennifer que são representantes de uma Juventude Urbana que planta florestas nas bacias dos rios Xingu Araguaia e Teles Pires há também 11 grupos
de coletores indígenas na rede de sementes todos com presença feminina esmagadora é o caso do movimento de mulheres e arangue composto por quase 90 mulheres do povo e que peng e que vive dentro do território indígena Do Xingu no Mato Grosso tal como formigas cortadeiras elas caminham a passos rápidos pela Floresta difícil de acompanhar Sempre Juntas coletando sementes e procurando trazer água de volta para o território o alimento tradicional e o Bem Viver em 13 anos de vida baseada e coletaram um pouco mais de 5 toneladas de sementes florestais nativas da Amazônia e do Cerrado
e conquistaram uma relevância política gigante dentro do seu Território voltamos do Xingu para São Gabriel da Cachoeira lá para roda de conversas com as mulheres indígenas do Rio Negro seus saberes e tradições que fazem política Quando eu escuto vocês e como visitante aqui eu tava até comentando um outro mundo mesmo assim a lógica Para mim seria que a política que o sistema se descolonizasse um pouco e se tornasse mais indígena para estar de acordo com a realidade de vocês da população porque Quando eu vejo vocês falando e toda a roda de conversa indígena que eu
participo eu aprendo muitas coisas mas a coisa que eu mais aprendo é sobre fazer política acho que vocês são Mestres em fazer política porque são Mestres em conversar em transmite conhecimento em negociar de uma forma coletiva que acho que é muito que a política tenta fazer sei também que porque ouvi falar que das minhas colegas o protagonismo da mulher indígena faz parte da cultura ancestral De vocês porque tá muito relacionado ao que deram o nome né de sistema também sistema agrícola tradicional indígena eu queria que vocês contassem como é que funciona para quem não conhece
o que é o sistema tradicional matrícula E qual é a importância da mulher dentro desse sistema e da experiência de vocês como é que vocês vivem como é que é ser agricultura dentro da cultura indígena eu sempre falo assim para as pessoas que cada uma das mulheres cesto de Conhecimento cada uma de nós ter seu sexto lá está tudo eu né na minha cultura para quem fez eu quando eu fiquei primeira vez menstruada para vocês né os homens que estão aqui para nós é ficar moça né nesse momento eu aprendi o meu sistema de vida
tradicional do meu povo porque nesse dia a minha mãe a mulher que ela ela é responsável né pela minha educação ela vai me dar todo conselho Como plantar rosa como cuidar filho como ter marido Quem que eu vou escolher eu gosto de contar para os meus filhos né A minha mãe tu tem que procurar o marido que sabe escolher roça tu tem que procurar o marido que sabe matar você tem que procurar o marido que é Mário Pera ela nunca falou assim elito tem que estudar e ser alguma coisa ela nunca falou ela sempre dizia
que ela queria que um homem para me cuidar aí aí teu marido vai ter uma roça para ter uma roça cheio de plantação nesse dia é só dia de hoje Quando eu fico menstruada eu tenho 38 anos toda vez que eu fico mestrado eu lembro da fala da minha a voz da minha mãe se repete vidro e da minha avó que já faleceu tudo ela conta lá é para é para cuidar da criança Ela é chala é tudo aí eles perguntaram no covid-19 como vocês aprenderam fazer chá eu falei tava dentro de um cesto de
conhecimento que tava lá guardadinho adormecido e na hora e a gente precisou fazer né então esse que é o sistema agrícola para nós é Esse cesto que a gente carrega porque ele a nossa mãe que já repassou esse cesto invisível só aqui nessa nossa caixinha psicológico nossa que você acabou de escutar é Elisângela Baré ela nos leva a refletir sobre a responsabilidade do repasse cultural para as comunidades indígenas para quem ainda subestima a medicina dos povos tradicionais ela continua todo mundo pergunta ele tem ideia é professora sou você professora até morrer mas eu não tô
Na sala de aula mas tu tá vivendo de quê de produto da roça e eu tô vivendo de artesanato esse sistema agrícola esse é o nosso viver que pode gerar renda para nós sem precisar tira um pouquinho só que o nosso bom que a gente não quer lucrar como grandes empresas tem aquele dinheiro não sei para que que tem a gente quer só para sobreviver para comprar um sal sabão uma roupa só isso ninguém quer ficar aquele rico o sistema agrícola tá aí para dar nossa maior Riqueza covid mostrou lá que nosso chá nossos banho
tudo foi proteção Nossa quem que fez mais esse trabalho nós mulheres nós que dava banho Nossa mas que defumava quando César e liberava ainda dado para nós quem tava mais morrendo era os homens porque eles eram muito teimoso Não queriam tomar banho não queriam fumar não queriam tomar chá não queria fazer defumação do corpo logo em seguida Larissa do Povo Tucano pediu a fala na verdade na primeira Menstruação os pais já Bezerra gente né para preparar o nosso útero para receber o bebê né tem que benzer né Aí ele pra ele crescer saudavelmente Aí quando
nasce se for menina já dá o nome através do benzimento Já prepara ela para ela ser agricultora culpada já coloca o dom dela né assim vamos dizer assim como ela disse a gente já é preparada desde criança a mulher indígena ela já leva bebezinho com medo já para roça né ele Tá lá balançando né enquanto a mulher tá trabalhando na roça lá e na roça da diversidade de conhecimento né é um espaço elas onde ela se como ela se expressa vamos dizer tem suas conhecimento tem suas técnicas na qual o bebezinho a bebezinha que tá
vendo ela já tá aderindo aos poucos né no Rio Negro as mulheres são verdadeiras mais das roças fundamentais para manutenção e divulgação do sistema agrícola tradicional para o mundo através dos Seus produtos como a pimentas de pitaya baniua assim nos conta Dona nazária a pimenta ele é muito importante na nossa vida ela serve de proteção ela serve de para nós indígena ela serve como se fosse assim de uma maquiagem né para fazer uma mulher bonita ter mais uma aparência bonita ela serve muito para isso então que ele colocou agora tem que a gente a pessoa
usa pimenta para poder usar ela é bem assim novinha assim não pode Esse aqui naquela arde muito essa Pimenta verde o pano preto né quando é bem novinho assim bem novinha dá para perceber que esse aqui não vinha uma pimenta assim novinha e não arde não uma pimenta assim aí posso pegar experimentar primeiro não há dinheiro eu posso passar não há de mesmo como você deve ter escutado no quarto episódio o projeto da pimenta baniu a Surgiu por uma demanda das mulheres que buscavam meios para complementar a renda e ter autonomia sobre o uso do
dinheiro que entraria aqui é um bom momento para a gente recuperar a cultura do Babaçu lembra ela é um emblema da ação das mulheres da rede Terra do Meio em Altamira no Pará com a palavra Marinês que vive na beira do rio Xingu eu quebro coco eu quebro coco babaçu se não fosse as paieiras homem não era forte no Xingu eu nunca Desisti do trabalho do Babaçu e sempre eu chamar minha paciência gente vamos embora passou embora graças a Deus a gente foi convencido mesmo nosso trabalho e maravilhoso e eu me sinto muito orgulhosa viver
num trabalho desse eu sinto orgulhosa porque eu vi minha mãe criando nós somos três irmãos e fui criando foi nós vendendo Babaçu o óleo uma surra feito manual e até agora hoje em dia minhas irmãs já fala tu nunca dizem cultivar a sua Eu digo não que é o meu prazer é o meu sonho enquanto eu ser vivo meu trabalho eu quero mexer no Babaçu depois que saímos de Altamira onde gravamos o segundo episódio do casa Floresta a Marinês foi Eleita presidente da momex a associação dos moradores da reserva extrativista do Rio Xingu em uma
chapa só de mulheres é mais um exemplo da força feminina da rede Terra do Meio que se você não se lembra é o ecossistema que o indígenas e ribeirinhos na gestão De seus territórios e na comercialização de produtos da Floresta em pé marinez é também a gerente da minha usina de produtos da floresta na comunidade baliza duas outras minionsinas são lideradas por mulheres a que fica na terra indígena preencher a bacajá comandada por cocotech crim e aqui fica na reserva extrativista do Rio Iriri gerenciada pela Raimunda Rodrigues para Raimunda a produção local é sinônimo de
Persistência e preocupação com o coletivo com a floresta ver a floresta né se renovando de novo e eu tenho muito essa negócio de cuidado com a floresta uma vez eu fui pesquisar meu nome eu vi que o meu nome é Raimunda vem de ter um significado rainha da floresta da floresta alguma coisa assim eu falo aí eu acho que o meu nome serviu porque eu sou muito isso né mas da roça rainhas da floresta e mestras da cerâmica Voltando para São Gabriel da Cachoeira nas áreas dá um baita histórico sobre a produção de cerâmica o
movimento liderado pelas mulheres e que é exemplo da circulação de saberes e do fortalecimento político feminino e o movimento começou há quanto tempo mas já tem mais de mais de 20 anos já só que o grupinho veio muito devagar e quando começamos mas leva mais para frente a gente tinha perdido muitas velhas que era mestra mesmo começamos com uma ceramista que Tinha conhecimento através da mãe dela a mãe dela faleceu e começamos a fazer oficina dentro dessa oficina teve 12 mulheres que participaram teve segundo a oficina teve 30 mulheres e hoje nós temos mais de
30 mulheres que estão trabalhando que já aprenderam que ela já Venderam e estranho nesse caminho né valorizando ensinando os filhos passando esse conhecimento para essa nova geração em sucema Conquista né E isso foi uma teonquista para nós né então isso para Nós esse trabalho foi muito importante muito importante e muito interessante também e quando eu comecei a primeira oficina eu tinha feito trabalho mal feitinho Ele também era aprendiz e fazer muito trabalho e hoje já faço um trabalho Um pouco melhor né esse aqui eu fiz esse tempo quando eu tenho folga e eu faço esse
trabalhinho quando eu tenho material também né Já sei desenhar direitinho Conheça o nome dos desenhos a maioria desses mulheres que são sermista Que estão participando mesmo que eles estão participando eles estão tudo já aprendendo já fazer desenho aquele processo como modelar Onde buscar né já tem o conhecimento sobre isso duas das primeiras associações de mulheres indígenas a Associação das mulheres indígenas da região do taracuá e a união das mulheres indígenas do Rio foram criadas por iniciativas de mestra será mistas para mobilizar a produção e a comercialização das peças hoje já são Cerca de 90 mulheres
dos povos Tucano e baniu a que trabalham com a cerâmica é importante a gente explicar para ela o que quer essa peça significado dela e como que ela foi feita ela foi feita de uma argila misturada com o próprio mistura mesmo que é uma palmeira que é encontrada na Terra Firme e no lugar específico né E essa argila aqui também ela também encontra no lugar específico deve ser dentro do Igarapé ou mesmo na beira do Rio não é com aquele argila tem que ser mais ele específico e para tirar tem que ter mistura misturar bem
E a cerâmica tem que conhecer como que é mistura você sabe quanto tá bem já misturado aí já começa a modelar ela pode começar a modelar de acordo com com as peças né Por exemplo esse aqui esse aqui chama-se uma pop serve para comer comida serve para tomar alguma coisa então cada cada peça ela tem um objetivo específico né tem para Cozinhar tem para servir comida tem para tomar uma para colocar bebidas a água por cada peça possui sua especificidade para colocar algum alimento esses gráficos que a senhora escolheu para essa peça tem um significado
esse aqui chama assim mania que é um desenho que as pessoas colocam no artesanato chama-se caminho infinito e esse daqui chama-se em baniu a Chama-se já conhece beiju ela é cortado assim né assim ele divide por quatro pedaços e esse desenhozinho aqui é que quando tem uma cerimônia cultural a dança por exemplo o mestre usa esse chocalhozinho né então é desenhar desse aqui esse Zinho aqui um pezinho de maçarico então cada um tem seu nome diferente né significado esse desenho aqui é feito Com argila mesmo tipo assim pede pedra mesmo é difícil de achar esse
material aqui sim esse cor vermelho é misturado com limão um pouquinho de limão e o pincelzinho é feito de cabelo é cortar no pedacinho de cabelo mesmo assim eu tava escutando vocês imaginando a vida de vocês no dia a dia né então tem um trabalho da casa um trabalho dos filhos um trabalho da roça um trabalho institucional também Trabalho da loja né do espaço de artesanato esse ano eu me tornei mãe e eu nunca minha filha tem um ano eu e você já vai deixar eu vou deixar ela com você para você passar um cesto
de conhecimento Depois eu pego de volta eu falo que eu falo para os meus amigos que eu nunca me senti tão feminista quanto agora e não é um feminismo só esse feminismo da luta para fora né para dentro é o feminismo para dentro do Cuidado porque agora eu tenho noção no meu corpo na minha pele o da carga né que é de todas as responsabilidades que a gente carrega no nosso cotidiano e do sexto de conhecimento que a gente carrega também né mesmo como não indígena esse texto que vem é um sexto que também vem
na minha mãe na minha avó e eu conheço as pautas do feminismo não indígena né que é por salários Iguais por ocupar também espaços na política e outras Pautas aí eu queria saber dentro da luta institucional Qual é dentro da foine do departamento Quais são as pautas da luta das mulheres indígenas Então hoje o departamento esse ano ele completa 20 anos de criação dentro da foime né uma luta assim foi uma luta de mulheres né E hoje assim ela já vem trabalhando com vários temas dentro dos eixos mais importantes né A gente trabalha a questão
de segurança né de Segurança Pública a gente trabalha também na área De sustentabilidade a gente trabalha também na área de saúde educação para o acompanhamento né porque também dentro tem um departamento de Educação não é uma pauta prioritária Nossa mas a gente acompanha porque o trabalho do departamento também ela inclui né educação e esse ano né a gente colocou dentro matemáticos também mais importantes né em relação às mudanças climáticas incluímos também a política partidária né porque a gente precisa Falar sobre isso incluímos também a agroecologia né é um tema muito novo que a gente precisa
também compartilhar isso com as mulheres indígenas e se os cestos de conhecimentos são feitos de trançados assim como a Trama da Terra e do território com a gente no meio trancemos aqui mundos onde a força a sabedoria e a criatividade das mulheres indígenas ribeirinhas e quilombolas se façam centrais fala para mim Regiane do Quilombo de São Pedro como é que é para vocês eu acho que nós aqui Chegamos no entendimento enquanto mulheres enquanto organização a gente entendeu a necessidade de a gente se organizar para uma fortalecer a outra tanto é que a gente tem um
coletivo né e mulheres quilombola na luta aí faz dois anos já que a gente tá com esse coletivo inicialmente o coletivo ele foi criado Para justamente isso a gente debater política a gente falar sobre sobre tudo Né a gente falar sobre o feminismo né falar também falar sobre os jovens e aí em forma de organização a gente o coletivo nos traz isso né é a gente se organizar a gente fazer as nossas reuniões e nós pretas falar para nós mesmo assim a gente tá num a gente tá chegando num nível que assim não que as
outras não seja importante fala de outras mulheres mas a gente tá buscando nós enquanto comunidade nós mesmo falar para nós mesmo quanto mulher eu tô Falando aqui enquanto mulher gente nada contra os homens mas assim Enquanto essa organização que a gente tem vamos adentrar agora um campo delicado a violência contra os nossos corpos e como ela se espelha na violência contra a terra vai Samila tá com você a gente costuma dizer que nós sempre estivemos na no protagonismo na luta pelo nosso território porque o território é uma mulher o território é uma mulher que dá
à luz que dá vida e atualmente essa Mulher é atacada essa mulher é a primeira a ser atacada porque é quando eles atentam contra o nosso território quando eles atentam contra uma criança é uma mulher Então as mulheres elas sempre estão na frente desse protagonismo porque nós somos as principais afetadas por várias questões mudanças climáticas invasões do nosso território e a gente que sofre na pele todos os dias quando essas atrocidades acontecem com a gente e a gente precisa se unir tanto mais Porque nós estamos aí né nesse protagonismo nós precisamos defender o que é
nós defender nossas crianças da covid defender nossas crianças de abuso defender nossas crianças e também lutar para que elas tenham o futuro para que elas tenham território a raiz ancestral para onde voltar e fazer com que elas também sejam grandes liderança participando do movimento para que elas aprendam e tudo mais e esse protagonismo é nosso que mulher é assim Mulher Mãe Mulher cuidado mulher carinho a violência contra mulher é uma questão de máxima prioridade para as mulheres indígenas de São Gabriel da Cachoeira conforme nos contam Dadá e a Larissa Quem São Gabriel da Cachoeiro o
alto índice de violência contra mulher é grande né tem acontecido vários casos de feminicídio casos que a gente não sabe se o autor do crime foi preso ou sei lá foi julgado é um tema assim que assim nos preocupa bastante como mulher Indígena sabe porque como eu falei nós temos filhas que daqui a pouco tô ficando adolescente estou ficando moças daqui a pouco são mães né e de repente sofre violência como é que a gente vai defender então é uma pauta Assim Que A Gente Tem trabalhado bastante tanto na sede que da cidade e também
agora nas comunidades indígenas é muito difícil também falar de violência dentro da comunidade porque muitos dizem que é cultural sabe então a gente tem que ter Muito cuidado e às vezes nós como coordenadores do departamento a gente não tem essa formação né a gente não sabe como é como começar a falar isso dentro da comunidade né então acho que essa essa agora é uma bandeira de luta do departamento nesses dois anos e a gente pretende continuar em um projeto que vai até ano que vem a gente pretende abranger todas as regiões para ver se a
gente é ameniza um pouco essa situação porque também durante a pandemia tem Acontecido vários casos né então isso é muito preocupante pra gente esse caso de violência contra mulher é um assunto muito delicado como eu falei sobre a políticas públicas também as palavras que são dita violência psicológica emocional tudo isso De que maneiras elas entendem a palavra violência da comunidade e as leis da Maria da Penha será que atende as mulheres indígenas das comunidade conforme sua realidade e as políticas públicas o que que eles Estão fazendo os municipais ou estaduais e Federal em questão de
mulheres Juventude porque não é só mulher que está sofrendo é nossa criança a nossa adolescente ele está se tornando doente questão de vícios né seja ela alcoólico droga mesmo então tudo isso a mulher se preocupa de bastante né com o filho com Besta da Família com bem-estar da comunidade em 2019 nós fizemos décima primeira encontro de mulheres né no departamento de mulheres aí eu falei Assim agora pode sair os homens aí Elas disseram não Os homens fica porque os homens que fazem violência então por isso que hoje eu assim né as minhas falas eu sempre
procuro de compartilhar com os homens com a família porque a violência ela acontece na família então por isso que na época as mulheres indígenas principalmente do território da Larissa eles não deixaram os homens sair da dentro da Maloca até a Nayara perguntou Eli você acha que é proibido Os homens ir para fazer a gravação falei não eles que tem que ouvir para ajudar a gente não é que eu tô criticando homem eles que tem que compartilhar junto com nós Porque nós mulheres indígenas não falamos que as coisas são coletivas as coisas são criados dentro de
um território Então se as coisas ruins também que tem hoje dentro do território também ele tem que ser compartilhado Então nesse momento de encerramento o espaço tá aberto para que a voz de vocês E coe e encontra em outras mulheres de outros povos de outras regiões que queiram Se somar a luta porque tem pessoas assim que com quem a gente conversa a gente não conhece pessoalmente mas a gente conhece através do WhatsApp através do e-mail a gente parece que a gente tem aquela intimidade assim que de muito tempo porque a gente compartilha as nossas lutas
com elas né E hoje por exemplo conheço ela há muito tempo mas assim eu Nunca aceitei assim de cara com ela e hoje eu tô tendo a oportunidade de conhecer ela através da luta dela né ela também teve a oportunidade de vir aqui então acho que mulheres assim não só indígenas mas como também pessoas que se sensibilizam né com a nossa causa elas são sempre bem-vindas no nosso território né a gente sempre quer somar com elas né porque o conhecimento de vocês somam com o nosso e o nosso conhecimento que a gente tem só uma
com De vocês eu acho que isso é muito importante para a gente então a gente espera sempre né o apoio de vocês que vocês possam estar também compartilhando tudo que a gente comentou aqui com outras pessoas e essa semana também a gente teve o privilégio de de receber eu tive privilégio de receber pelo WhatsApp que as mulheres de uai uai tiveram a referência do departamento para criação do departamento delas de mulheres sabia se a gente fica muito feliz porque a Gente está sendo referência para outras mulheres quem sabe dar que é a pouco vai ter
Vixe vários departamentos de mulheres criadas em outros territórios né Não só aqui do Rio Negro sabe então a gente fica muito feliz então só quero agradecer essa oportunidade né de vocês terem vindo acho que muitas de vocês vieram de estados diferentes né questão hoje aqui dentro do Rio Negro sempre eu falo que os que não moram dentro do território sempre são bem-vindos né Dentro do nosso território que eles precisam sempre estar junto com nós se fortalecendo ficando mais forte né porque vocês vão levar o que nós falamos pouco daqui vocês vão ser multiplicadores né eu
sempre falo quando eu saio do meu território eu volto para o meu território estou multiplicadora do que eu não tenho dentro do meu território coisas boas isso que eu sempre falo né então vocês estão aqui para multiplicar o que nós estamos Fazendo de luta né acredito que hoje o departamento ele é exemplo para outras departamento para outros grupos de mulheres né então assim sem levar em consideração nossos etnia mas sim nosso povo nós mulher de mulher para mulher eu só queria também compartilhar com vocês esse ano a gente teve assim eu tive essa felicidade de
ser selecionada uma das mulheres lideranças da Amazônia né nessa etapa de 2020 dois com um projeto da soberania alimentar né e assim porque o Desafio muito grande também pra gente porque a gente não é profissional de escrever projeto mas a gente sabe das dificuldades que a gente tem dos anseios que as mulheres têm nas Comunidades a gente acompanha os relatórios das assembleias que a gente tem então de lá a gente tira todo assim todo o conteúdo do projeto que a gente quer escrever né então quando saiu esse edital de programas de liderança da Amazônia até
na primeira etapa a Samila foi Contemplada né ano passado e eu falei não eu vou eu vou escrever eu vou arriscar Então a gente tem que colocar a nossa cara lá um pouco do conhecimento do que a gente tem assim queria compartilhar também esse prêmio com as mulheres do Rio Negro né e dizer também para as mulheres de outros estados né Rio de Janeiro São Paulo Minas Gerais porque a gente sabe também que lá tem mulheres indígenas também que são referências nossas que estão nessa luta Diária e que elas possam também contar com a gente
né e a gente contar com elas também nesse nessa luta eu agradeço essa roda que chega ao fim e estamos saindo dela com certeza levando mais três espelhos para nossa vida e que as nossas ações na volta dessa expedição possam refletir o conhecimento todo que vocês transmitiram aqui para gente e que a gente possa somar com vocês nessa luta saibam que vocês têm Essas mulheres todas que estão aqui também nos Bastidores chama ela e eu aliadas então eu quero agradecer a equipe que estão aqui nos apoiando para dar essa visibilidade a luta das mulheres independente
das cores das línguas temos que somar as nossas forças né é diferente problemas em diferentes realidade Mas temos que nos apoiar por mais que tenha a idade bem Novas tem muita gente estando na frente lutando Por território por sua cultura independente ser estudada ou não você tem grau tem doutorado ou não estamos junto então eu agradeço todo mundo que estão nos ouvindo por favor ajude a Compartilhar esse áudio esse trabalho que a gente está fazendo compartilhando Você já está nos ajudando politicamente socialmente você está sendo cidadão também nosso irmão nosso parceiro Então é isso que
eu peço Agradeço todo mundo obrigada melhor garota propaganda gente Tá contratada Obrigada mulheres Obrigado muito emocionante [Aplausos] [Música] chegamos realmente no fim dessa Trama Esperamos que as palavras finais da Elisângela Dadá e da Larissa façam morada em seus ouvidos e peito e cheguem ainda mais longe com você que nos ouve terminamos emaranhados entre terras e territórios formando mundos integrados Com muita diversidade e conhecimentos onde mulher é centro geradora e fio condutor de histórias Esse foi um episódio diferente da série casa Floresta que chega agora ao penúltimo dos Ramos em que esse podcast tem flores agradecemos
imensamente a quem tem nos acompanhado de pertinho e cuidado dessa casa conosco o próximo ramo será a nossa despedida dessa temporada Eu também estou adorando e querendo muito Mais encontros se você gostou fica aí na torcida para a gente ter outras temporadas esperamos sua visita em pode voltar favoritar o podcast colocar seu coraçãozinho não só nesse mas em todos os outros episódios faz uma roda de compartilhamento com o teu redor Caso seja seu primeiro contato com a gente existem outros quatro programas em que você pode conhecer melhor Os territórios em que habitam essas mulheres incríveis
Que você teve a chance de ouvir e conhecer um pouco mais hoje acompanhe o Isa pelo site socioambiental.org ou digitando @socio ambiental tudo junto pelo Twitter Instagram e sem uma arroba no Facebook nesse Episódio contamos com a parceria da Federação das organizações indígenas do Rio Negro da casa ao Ariró da rede wyuri da rede Terra do Meio da cooperativa dos Agricultores quilombolas do Vale do Ribeira a cópia que vale da Rede de sementes do Vale do Ribeira e da rede de sementes do Xingu o podcast casa Floresta tem apoio da fundação rainforest da Noruega até
a próxima apresentação Aline matuja produção local Clara baitello Fabíola Moreira Igor Casemiro Roberto Almeida Vitor Cabreira Andressa Botelho Ariel gajardo Adriana Rodrigues Frederico Viegas Raquel passcinato Juliano Nascimento Fabiana Fagundes Maurício bissek Ana Amélia Gontijo Nayara Alice Bertolli Natália Pimenta Juliana hadller Bruna Ferreira Ludmila Balduíno João Carlos Pereira Rodrigo Gomes a direção geral a de mm Izidoro o roteiro Roberta Almeida e Vitória Martins assistente de roteiro Taline Silva edição Jéssica Correia assistente de edição Pedro pastores Almeida Ariel gajardo e Vitória Martins produção Ampére porque Guilherme Pinheiro e Ana Maron relações públicas Agência lema ativação widen Kennedy