Eu reafirmo pela milésima Cristino, não é uma doutrina, embora ele contha um aspecto de doutrina, mas ele não é, ele é uma sucessão de fatos que começou a acontecer no ano um e não parou de acontecer até agora. Eu já até tive essa conversa com alguns liberais. Ah, vamos enxugar o estado.
Muito bem. Quem enxuga o estado? O próprio estado.
Por exemplo, você quer privatizar, tem aqui um mundo departamento que estão só dando prejuí. Nós vamos privatizar. Vamos vender.
Quem vai vender? Quem pode vender os bens do Estado senão o próprio estado? Hum.
Na hora que ele vende para particulares, ele cria uma rede de parcerias com particulares e de maneira informal e agora quase invisível, insensível, espalha a sua autoridade até os últimos confins da vida social. Foi isso que aconteceu no Brasil no período do FHC, desde o FHC até agora. privatizou, privatizou, quanto mais privatizava, mais aumentava a autoridade do estado.
Mesmo porque você privatizando, você descarregando o estado de certas tarefas que só estão dando prejuízo, que são muitas trabalhosas, ele conserva os seus recursos para ele poder conquistar novas áreas. Tanto que este período das privatizações é também o período no qual o Estado começa a se meter cada vez mais na vida privada dos cidadãos e até na linguagem, né? Isso não acontecia antes, né?
Então, quando o Brasil estava repleto de estatais, o governo tinha cuidado das estatais, elas estavam dando prejuízo para tudo cantar. Agora vendeu estat, o que que nós vamos fazer com o dinheiro que sobrou? Vamos fazer programas sociais, programas educacionais, etc.
Assim e assim por diante. Então, enxugar o estado é uma expressão que não quer dizer nada. Você não pode se livrar de um estado opressor e avaçalador enxugando o estado.
Isto é impossível. E no entanto, porque acho que quem usou a expressão como metáfora foi o Roberto Campos em primeiro lugar, só que ele sabia o que tava falando. A partir daí a fórmula se condensou no xavão e começa a ser repetida por pessoas que não pararam para pensar nisso aí, né?
O Roberto Camp é perfeitamente consciente disso, de que quem julga o estado é o próprio estado e, portanto, este é um processo muito complexo e perigoso até, né? Então, por que as pessoas falam tanto em julgar o Estado? Porque elas têm uma consciência de que o problema básico do Brasil é que o estado é sempre a única força agente.
O Brasil teve estado antes de ter a população. Quando chegou o governador geral Mendá, ele trouxe um ministro da justiça que era o ouvidor geral, né? E o o ministro da fazenda que era o provedor geral e já tinha o governo.
Então, só que não tinha população, só tinha macaco, tatuola. Então, mas já tinha o estado feito, não é isso? Eh, mais tarde, vamos dizer, com uma população que era composta de 50% de escravos, portanto, não eram cidadãos, chega o Dom João VI e monta o aparato administrativo eh do Brasil, antecipando-se à sociedade.
Então, o Estado sempre esteve à frente de todos os empreendimentos no Brasil. Como é que o Brasil se industrializou? O Brasil se industrializou porque um economista chamado Roberto Simons, ele leu o livro do Michael Manuelesco, economista romeno, sobre o protecionismo e ficou entusiasmado com o livro e levou o livro para o Getúlio Vargas, disse: "Pecisamos fazer leis protecionistas".
Daí fez leis protecionistas para criar a indústria nacional. Então a indústria nacional é filhote do governo, tá certo? Então, o estado é sempre o o agente e a sociedade civil ficando cada vez mais para trás, mais para trás, mais para trás, cada vez mais inérme.
Pior ainda, cada vez que se faz uma revolução ao golpe de estado, é sempre na mesma base. Quer dizer, é um grupo que quer concentrar todo o poder nas suas mãos para reformar o Estado à sua maneira, tá certo? E dominar toda a sociedade civil em volta.
Foi assim na independência, foi assim na República, foi assim na Revolução de 30, foi assim em 1964 e foi assim na ascensão do PT. Então isso quer dizer que essas sucessivas revoluções que prometem libertar o povo brasileiro, elas não podem libertar porque elas estão fortalecendo o opressor. Quer dizer, o o mecanismo opressor muda de mãos, mas na hora que ele muda de mãos, ele já cresce imediatamente.
Você não vai poder comparar, por exemplo, o Estado brasileiro da antiga República com aquilo que o Estado se transformou depois da revolução de 30 e sobretudo depois do Estado Novo 1937, né? Quer dizer, comparado com o a ditadura Vargas, o estado, o estado da República Velha era era uma mãe. Ele não, na verdade, não tinha poder nenhum, coitadinho, né?
Eh, simplesmente se limitava a repartir os bens entre meia dúzas, mas não tava oprimindo ninguém, não tava pondo ninguém na cadeia. Quando vem o retorno Vargas, ele põe um bocado de gente na cadeia, manda matar, etc, etc. Coisa que o estado não podia fazer antes.
Então, do mesmo modo, quando cai o império, a república que vem, ela já começa como ditadura. né? Eu me lembro que uma vez eu tava fazendo, dando uma conferência na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, que era o antigo Congresso Nacional, o edifício do Congresso Nacional e atrás de mim tinha um imenso quadro do Marechal Floriano Peixoto, né?
E digo: "Olha que legal". Quer dizer, a sede do Congresso tem um quadro comemorativo do primeiro sujeito que fechou o Congresso, né? Eh, quer dizer, é uma situação absolutamente cômica, mas era assim.
Então, a república já veio como ditadura. O o o revolução de 30 virou ditadura, 64 virou ditadura, o PT virou ditadura. É sempre assim, né?
Por que que isto acontece? Porque as pessoas não entendem a verdadeira natureza do Estado. Acredito que o Estado é apenas uma entidade que se mantém pelo poder material, né?
Pelo poder de polícia, pelo controle da economia, etc, etc. não entender a verdadeira natureza do Estado. Para entendê-la, você tem que recuar 200 anos e ver o que Hegel escreveu a respeito do Estado, que foi o jeito que mais entender o estado no mundo.
Hegel dizer o seguinte: o Estado é a maior, a máxima criação da inteligência humana ao longo de toda a história. Isso é verdade. N o ser humano inventou alguma coisa maior, mais complexa, né, e mais racionalizada do que o Estado.
Nunca, né? Então, pera aí, você não tá discutindo com idiota qualquer, com um um um grandão bobo que só tem o poder porque tá com porrete na mão. Não é assim, né?
O estado ele tem, vamos dizer, a superioridade do domínio da razão, porque ele é a incorporação máxima da razão. Tanto ele é a incorporação máxima da razão, que se você pegar o conjunto das ciências existentes, que por sua vez também pretendem ser encarnações da razão, você verá que como não existe uma ciência unificada, não existe nem pode existir, nunca existirá uma ciência unificada, quer dizer, uma teoria geral de tudo. Isso quer dizer que o mundo da ciência não é unificado na esfera teórico intelectual.
Ele só é unificado por via administrativa e burocrática. H, você pega uma universidade, aí temos aqui o departamento de biologia, ali o departamento de psicologia, aqui o departamento de economia, ali o departamento de história, etc, etc. O que unifica tudo isso?
uma entidade administrativa burocrática que é a própria universidade, a qual só existe por permissão do Estado. Então, se as ciências só t unidade na esfera administrativa e burocrática, significa que o cume da racionalidade científica é a administração estatal e não o conteúdo das ciências. Tanto que uma descoberta científica com a suposta lei científica descoberta pro seu fulano, seu fulano, por mais cientistas que a endocem, ela só adquire a autoridade pública na hora que o estado a endossa e a transforma em lei.
Fora disso, ela continua sendo apenas uma opinião, não é isso? Então, por exemplo, eh quando aparece para teoria da evolução, era apenas uma teoria, uma ideia que o senhor cidadão teve. foi lá, observou uns animais, né?
Pegou umas conchinhas no Brasil e tal e chegou à conclusão, o negócio foi assim, era apenas a opinião dele. Daí começa a discussão, segue essa discussão por décadas e cada um pode ter a opinião que quiser. Não há, como é que não há essa teoria não tem uma autoridade universal, porém chega um dia que o estado diz: "Ensinar isto é obrigatório nas escolas e ensinar o contrário é proibido".
virou verdade universal. Quer dizer que a instância última decisória de todos os debates científicos não é nenhum cientista, não é nenhuma organização científica, é a administração estatal. Tão entendendo?
Isso significa que o poder do Estado é uma coisa imensamente mais profunda do que os liberais e conservadores imaginam. Por exemplo, se chega aqui um economista liberal, como Valmireses fez, chega, faz as pontas e diz: "Olha, uma economia liberal é muito mais eficiente do que uma economia estatizada". Ele tem razão, isto é verdade.
Só que o seguinte, a economia é apenas uma ciência no meio de 400. Ela não pode ter um poder de influência superior a de todas as ciências juntas que se unificam na hierarquia administrativa no topo do qual da qual está o Estado. Portanto, uma teoria científica, por mais verdadeira que ela seja, não tem poder nenhum contra o Estado.
Hum. Daí aparece o político liberal que leu FMAS e disse: "É, o velho tá certo, nós temos que fazer isso. Temos que liberalizar a economia".
Como vamos liberalizar a economia? Nós nos candidatamos a deputados e senadores e votamos leis, ou seja, nós liberalizamos o Estado através do poder estatal. Hum.
Agora, é óbvio que o poder estatal jamais se diminui, né? Ele se expande por outros meios. Você lê o livro do do Bertão Juvenel e do poder história natural do seu crescimento, vocês verão que essa é a constante nos últimos quatro séculos.
Portanto, você tem aqui um estado centralizador estatista, você vai lá, elege o seu partido e ele começa a privatizar tudo. E na hora que ele privatiza, evidentemente quem comprou se torna automaticamente parceiro do Estado, que já tem interesse em comum, tá certo? E então o poder do Estado se multiplica de maneira informal através das suas parcerias.
Vejo a a a promiscuidade relação entre o governo petista e essas grandes empresas e você vai entender o que eu tô falando, não é isso? Então, muitas delas foram brindadas com privatizações no tempo do FHC, eh, e gostaram da ideia de trabalhar com o estado e estão trabalhando até agora. Então, elas são dono do dos meios de produção, tá certo?
Mas ter trabalhar em parceria estrita com o estado. Por quê? Porque ele é o seu principal cliente.
Você cria uma mega empreiteira aqui na Odebrest. É, daí você vai construir para quem? Você vai construir casas populares pro seu Zé Mané, né?
Quantos Zés Manés você não precisaria pagando prestação para sustentar o Moldebrest? Então, evidentemente não serve. O único cliente é o quê?
é o estado. Então o negócio está privatizado, é privado, mas ele depende inteiramente do estado para crescer. Então isso tudo me leva a acreditar que a perspectiva tá invertida.
É o estado que é grande demais e nós temos que diminuí-lo, né? E o não, o estado brasileiro, em termos absolutos, ele não é grande demais. Se você pensar quanto por cento do país são funcionários públicos, são apenas 8%, é pouco.
Se fosse 50% o país, complicou, né? Mas em termos absolutos, o estado brasileiro é pequeno. Então digo, por que que ele nos oprime tanto e por que ele é o problema?
Não é porque ele é grande demais, é porque a sociedade civil é fraca. Este é o problema, tá? Então isso quer dizer que esta desproporção entre o poder da sociedade do do estado e o poder da sociedade civil não pode ser remediado agindo no estado, só pode ser remediado agindo na sociedade civil.
Isso é óbvio ou não é? Portanto, não adianta mudar o estado, não adianta fazer uma reforma política. Eu vejo por exemplo, agora que e o PT tá caindo pelas tabelas, começa a aparecer então liberais e conservadores já com a ideia, vamos reformar o Estado, nós vamos chegar lá e vamos mudar a Constituição, vamos mudar não sei quê, o direito administrativo, ou seja, fazer mais uma reforma do Estado, né, que naturalmente vai acabar fortalecendo o próprio estado de uma maneira ou de outra.
Se o estado é sempre o agente principal e se toda todo empreendimento de mudança tem de ser encaminhado através do Estado, você está intensificando, né, o monopólio da ação pelo Estado. Não é óbvio que eu tô dizendo, né? O pessoal sempre fala assim, depois de 20 anos diz ao lado tem razão, às vezes confessa, não confessa.
Já apareceu Boris Fausto dizendo coisa que eu tô dizendo há 20 anos, né? Então falei, o maior problema do intelectual esquerdista que tem pretensões de honesto hoje é como concordar com Olavo sem dizer que ele tem razão. Chega lá e diz a mesma coisa que Olá disse, mas não pode citar porque o Olavo é assim, ele é ele é que nem né?
você transa em segredo. Você não vai contar para ninguém. Você vai lá, come o ou é comido, sei lá, cada um faz o que quer, né?
E quando você vê na rua no dia seguinte, você faz de conta que não conhece. É, não é assim, né? Tem até um que cantava, argentino cantava uma música soilô proibido, coitadinha, todo mundo comia ela e [risadas] depois não reconhecia na rua.
Então, o lá virou um né? Você vai lá na maior promissidade mental com ele, mas você não conta para ninguém, tá certo? Então, eh, o que acontece é exato o que eu tô dizendo agora, amanhã ou depois todo mundo vai tá dizendo.
Por quê? Por quê? Porque fui eu que falei, não é?
Porque é óbvio. Acontece que num país onde a linguagem está viciada pelo abuso das metonímeas, abuso assim psicótico das metonas, né? As pessoas acreditam que as ideias agem, né?
Eh, elas acreditam que as armas matam, né? Tudo isso aí é metonímia, né? Acreditam que a miséria produz revoluções.
Tudo isso é pensamento metonímico. Quer dizer, é uma aí e aí o Vitgenstein tem razão, tá entendendo? Aí você tem que dar razão.
Fidgenst e tudo isso é uma confusão verbal miserável, tá certo? Nós precisamos furar essa barreira para ver como é que as coisas são mesmas. Então, infelizmente, nós precisamos das palavras para pensar.
Nós não conseguimos pensar com coisas. Só quem pensa com coisa é Deus. Nós de vez em quando pensamos um pouquinho, por exemplo, se você se lembram daquela aula, uma das primeiras aulas que eu dei sobre o negócio do baralho, né, as cartas azuis vermelhas, uma coisa assim, né?
Você ali você tá pensando com coisas, mas pro ser humano isso é muito difícil. Agora Deus todas as coisas que existem foi ele que pensou, não é isso? E daí uma tremenda desproporção, fazendo um parênteses, por exemplo, é muito comum as pessoas compararem doutrinas filosóficas com o cristianismo.
Todo mundo faz isso. Os historiadores da filosofia parece eles não resistem, dá uma coceira, né? Ah, Platão diz isso, mas o cristianismo diz aquilo.
Aristóteles diz isso, mas o cristianismo diz aquilo. Todo mundo faz isso. Só que acontece que isso aí é uma covardia.
Isso é concorrência desleal. Porque uma filosofia são apenas coisas como o sujeito pensou, não são ideias como o sujeito pensou, não são coisas da realidade, né? Agora, a ação do cristianismo no mundo, a ação do Cristo é uma coisa que aparece na realidade material.
Hã, os milagres do cristianismo acontecem, ó, no mundo material. Então, Deus não precisa argumentar para mostrar o que que ele tá dizendo a verdade. Ele manda fazer o milagre, acabou.
O filósofo pode fazer isso, né? Platão podia lá multiplicar os pães, né? Fazer o Lázaro ressuscitar, fazer a menina sem pupil enxergar, que nem fez o o o padre Piu.
Ele não pode, ele só pode usar palavras, coitadinho. E do outro lado, então vem aqui um discutindo com Deus. Você fala para ela, ele vai perder.
Então é uma concorrência desleal. O cristianismo e as filosofias não estão no mesmo plano. O reafirmo pela milésima o cristanismo não é uma doutrina, embora ele contém um aspecto de doutrina.
Mas ele não é, ele é uma sucessão de fatos que começou a acontecer no ano um e não parou de acontecer até agora. Os milagres continuam acontecendo. Veja os vídeos do Dr Ricardo Castanh e vocês vão entender.
Quer dizer, que raio de coisa é esta? Cai uma hóstia no chão, nego manda examinar a hóstia e descobre que ali é sangue e que o sangue tá pulsando, tá vivo. Eu di, o que que é isso?
Quem pode discutir com uma coisa dessa? Quer dizer, o que que é uma filosofia? Sei a minha filosofia ou a do canto do próprio Platão é nada.
Aí não são apenas palavras.