se você não viu falar de Sueli Carneiro não bom então você tem um problemão porque Isso demonstra uma grande cima ignorância da sua parte mas é uma ignorância que esse ótimo livro da Bianca Santana minha colega jornalista e escritora lançou faz algumas semanas não sou em maio pela companhia das Letras ele tenta preencher tenta acabar com essa ignorância de quem não conhece uma das maiores intelectuais brasileiras é a Sueli Carneiro que tem sua vida contada no continuo preta eu fiz essa essa brincadeira de se você conhece não conhece os filhos Carneiro porque a gente no
Brasil a gente justamente por sermos na sociedade assista a gente aprende muito pouco sobre a história do povo negro sobre a própria escravidão sobre o que fez e o que faz o racismo estrutural se perpetua é sobre os heróis negros e também sobre os intelectuais negros quando ele se livro eu já conhecia Sueli Eu já sabia dessa importance é um não tinha dimensão de que ela não é só importante era gigante e a Bianca conta a história dela desde os seus antepassados escravisado até hoje passando por diferente momento intenso ele construiu o feminismo negro brasileiro
ela foi uma dessas Engenheiros das arquitetas o livro delicioso é uma história gostosa de ser contada em entrevista Bianca Santana essa entrevista que você assistir agora pouco agora na sequência Então ela fala sobre o livro fala sobre isso ele fala sobre feminismo negro e fala claro sobre o nosso Brasil que a gente gosta muita coisa mas é muito racista eu te convido a assistir te convido a Comentar nas redes sociais da coluna valeu o Olá Bianca tudo bem Boa tarde obrigado pelo tempo na sua atribulada agenda e um prazer para mim finalmente conseguir entrevistar magina
Guilherme é uma alegria para mim muito obrigada Olha eu vou te dizer uma coisa eu gostei do seu livro porque você conta uma história que uma maneira deliciosa então assim para quem gosta de boas histórias É uma história muito bem contada muito gostosa mas eu tenho que te dizer também que eu aprendi muito aprendi muito sobre sobre a Sueli aprendi muito sobre sobre feminismo negro é aprende mais um tanto sobre sobre os nossos países são racistas e eu queria começar te perguntando o seguinte quanto tem de disso ele na Bianca e que bela pergunta tem
muito disso ele em mim e ao entrevistasse Sueli Carneiro para o livro foram muitas horas de entrevista em alguns momentos eu reconhecia a tópicos próximos da trajetória da minha avó em outros momentos situações muito parecidas com as que a minha mãe já me relatou Especialmente na experiência com a universidade ou com o movimento negro me senti muito próxima da minha própria experiência então eu encontrei muito de Sueli Carneiro na Bianca não só pela minha trajetória de vida mas também pela trajetória da minha família Então tem muito dia Sueli Carneiro em Bianca tá certo como é
que você conheceu a Sueli como é que foi a primeira ponte de vocês e eu fui leitura de Sueli Carneiro então ainda na universidade eu busquei a partir do próprio movimento negro autoras e autores negros que eu não tinha como referência na própria universidade e ali eu não entendia bem as minúcias do pensamento de Sueli Carneiro mas eu gostava do que eu ia já mais velha depois de concluir o mestrado quando eu voltei para alguns textos isso ele ainda da década de 1980 eu me encantei parece que eu acessei camadas do que ela tinha pesquisado
especialmente É sobre o Candomblé que antes eu não conseguia acessar e ali Sueli Carneiro virou uma referência a primordial para mim bastante destacada de outras alturas é autores que eu costumo a valer em 2017 eu era a colaboradora da revista Cult e propus uma entrevista com Sueli Carneiro Que acabou sendo capa da revista Então a primeira vez e tivemos nós duas foi para essa entrevista publicada em Maio de 2017 eu te perguntar e dali para biografia Foi quanto tempo como é que nasceu a ideia da biografia foi muito rápido porque depois dessa entrevista à Cut
fez um lançamento E aí lançamento de revista é uma coisa que diferente Pelo menos eu achei mas era uma oportunidade de estar com a Sueli mais uma vez a conversar com ela então a gente fez um lançamento da Revista depois disso eu passei encontrar Sueli Carneiro uma série de eventos né atividades tanto acadêmicas como militantes e lógica Ela já me reconhecia né como dizem as pessoas vaidosos Erika verão me notou e sinto que a gente tava conversando chegava alguém perto e falava nossa vida já ficou tão boa que ela entrevista porque você não escreve uma
biografia da Sueli e de repente pessoas variadas de muitos contextos começaram a me fazer a mesma pergunta e até aqui em maços 2018 com assassinato da Marielle eu decidi rever uma série de trabalhos meus que não faziam mais sentido o assassinato de Marielle Franco pegou em mim como eu imagino que para muitas pessoas um jeito forte reversível e eu tinha um livro é porque é para mim ficou Evidente naquele momento aqui mulheres negras podiam estudar chegar graduação mestrado ou doutorado elas podiam até ser eleitas mas que se ela se estivesse incomodando muito mesmo com cargo
de vereador elas podiam levar a tiros na cara sim é uma expectativa na minha geração que a mesma geração da Mariele de que a gente estava alcançando outro papel né outro lugar na sociedade brasileira pessoas falavam mais um protagonismo de mulheres negras a gente tinha acessado lugares em que as que vieram Antes de nós não tinha acessado a gente acredito nisso e o assassinato da Marielle mostrou que não que não é bem assim que a outra coisa É nos mostrou uma dureza do racismo que talvez a gente não tivesse compreendido ainda e da misoginia do
machismo por isso eu decidi rever uma série de trabalhos eu tinha um livro prometido uma das letras que não fazia mais sentido para mim e eu marquei um almoço com a minha Editora para dizer para ela que eu não escreveria o livro eu sou não mas calma a gente pode pensar em outro livro tem algum projeto que faça sentido para você agora eu nem tô conseguindo pensar aí ela me perguntou porque você não faz uma biografia da Sueli Carneiro ela falei até então eu decidi conversar com Sueli e ela disse que se eu quisesse fazer
a biografia poderia fazer Bianca uma das coisas mais legais do livro para quem gosta de história é quando você mergulha no Brasil colônia para contar a história dos ancestrais da Sueli quanto pouquinho pra gente como é que foi esse trabalho e o que que você descobriu foi um trabalho muito prazeroso a própria se ele tirava sarro de mim que eu não posso ver um papel amarelo que eu adoro ao mesmo tempo eu tinha pouca experiência de pesquisarem arquivo então eu aprendi muito e eu é muito com ajuda qualificada de pesquisadoras e pesquisadores mais experientes Então
a professora Ivana da UFMG que trabalha com arquivologia e conhece muito a região de Grão Mogol no norte de Minas foi alguém que me ajudou demais o professor José do Carmo que pesquisa a história dos povos bantos em Minas Gerais e que é da cidade de Ubá onde nasceu pai que ele camelo me ajudou demais a própria Fernanda Carneiro uma feminista que vive no Rio de Janeiro Mas nasceu em Ubá me aponta uma série de caminhos o Elder irmã irmão dela então tive muita ajuda muita ajuda a qualificada para fazer pesquisa surika nem sabia o
primeiro nome dos avós paternos que nasceram como eu disse em Ubá Minas Gerais Mas ela não tinha informações sobre eles ela sabia que o pai saiu de Ubá aos 17 anos de idade e que depois ele voltou para buscar os irmãos para viver em São Paulo e por último o pai e a mãe também mas ela não tinha um detalhe ela tem uma axia de mais de 90 anos de idade com quem ela não e deixa eu conversar por um bom tempo eu decidi para o bar então se você pesquisa é pesquisando em cartório igreja
eu encontrei primeiro o nome de uma avó da Sueli Maria Gaivota uma mulher que nasceu em 1856 em Grão Mogol norte de Minas essa mulher tinha um pai chamado Manoel gaivota e depois Josefina o nome da mãe dela que eu encontrei mais tarde em Grão Mogol nessa metade do século 19 ainda existia um ciclo do diamante ela nasce muito perto do início do ciclo do café em 1850 a gente tem a proibição do tráfico Transatlântico não podiam mais vir legalmente pessoas escravizadas da África para o Brasil é quando cresce o tráfico em e o café
crescia muito como atividade econômica em Minas Gerais em São Paulo Então esse tráfico interno vira muito comum de pessoas que saem da região mineradora e são vendidas para a região do café se Maria gaivota e o pai dela Manoel Gaivota fossem pessoas Livres Libertas elas dificilmente fariam tráfico de escravizados as pessoas que eram Libertas elas costumavam ficar no lugar para todo mundo saber que elas eram Libertas e não correrem o risco de serem escravizadas de novo então por eles terem feito esse fluxo E aí eu encontrei documentos que mostravam número exato de pessoas que saíram
da região de Grão Mogol vendidas e das pessoas que chegaram escravizados em Ubá vindas de outras regiões do país então tanto Maria Gaivota quanto Manoel Gaivota vieram escravizados muito possível Oi Maria Gaivota então em Ubá e tem um filho chamado Horácio e ela registra esse menino sozinha sem o nome do pai então o sobrenome Carneiro não aparece nem na criança nas recém-nascida e nem no nome dela aparece em uma testemunha do Nascimento um homem chamado José Honório Carneiro E porque é que um homem é testemunha do nascimento de uma criança preta hoje eu vim a
saber que José Honório era um homem branco da família proprietária de terras ele mesmo era comerciante uma família muito poderosa na cidade a família que fundou a cidade de Ubá Então por que que esse homem branco poderoso é testemunha de nascimento de uma criança preta era muito comum nesse período os homens que não podiam registrar os seus filhos chamados adulterinos porque na legislação do Brasil da época Ainda era uma legislação da época medieval europeia né pela lei mesmo que esse homem quisesse registrar a criança ele não poderia eu não sabia disso isso também me permitiu
fazer muitas outras reflexões sobre a nossa história que eu não conhecia então era comum que eles fossem ou padrinhos de batismo ou testemunhas no Nascimento por isso a hipótese de que José Honório seja é pai de Horácio eu posso ir buscar vida pelo contrário ela me pode ser bastante forte segundo eu consegui conversar com várias historiadoras historiadores E aí quando a gente olha para a árvore genealógica desse homem a gente encontra uma série de nomes famosos da nossa história então ele José Joaquim Honório Januário Carneiro nome dele me perdoa ele era filho de Justina sim
é irmã de Teresa e quando a gente vai olhar essa Teresa ela era mãe de José Cesário de Faria Alvim filho que é bisavô do Chico Buarque por exemplo e que era avô do Afonso Arinos que foi responsável pela primeira lei de discriminação racial no Brasil então nessa hipótese de árvores genealógicas foi de carneiro seria prima distante de Afonso Arinos e de Chico Buarque de a chuva alguma coisa que eu achei divertida quando quando lhe é mais que mostra muito como era uma sociedade racista mas eram uma única sociedade né que as as coisas eram
e não era em brincar das não é uma na outra né exatamente e o que significa ser filho legítimo e esse filho chamado adulterino em relações que não eram aceitas relações entre homens brancos e mulheres negras que muitas vezes se davam Por que as pessoas construir um vínculo amoroso afetivo mas outras tantas vezes se davam também por meio da violência e por as mulheres serem Posses desses homens a própria Sueli Carneiro tem um texto em que ela fala sobre o estupro colonial e como a nossa miscigenação no Brasil ela é fruto desse super colonial e
não necessariamente de uma relação amorosa Então por mais que nós todos sejamos uma mesma coisa as condições de filhos legítimos e reconhecidos brancos ou mais claros eram muito diferentes dos filhos pretos Mais Escuros e que não carregavam sobrenome e nem tinham herança Esse é o Brasil então por muito tempo a gente falou na democracia racial brasileira como se a miscigenação tivesse oferecido as mesmas possibilidades para pessoas de todas as cores isso não é verdade por mais que as famílias sanguíneas possam se as mesmas ou muito parecidas o papel social as condições de vida de quem
teve o sobrenome a herança é muito diferente de quem não te vi fiquei não teve o pai dessas famílias Maria Gaivota por exemplo Porque depois ele me deixou entrevistar sua tia e a tia ela me contou dessa avó que teve três filhos cada um com um homem diferente e ninguém sabia quem era o pai porque fossem os pais brancos ou e os negros escravizados muitas vezes essas famílias não podiam ter vínculo sanguíneo porque às vezes o homem era vendido por um lugar a mulher para o outro filho para o outro teu família sanguínea destruídas e
que mesmo que acontecesse a miscigenação as crianças miscigenados não tinham o convívio com os pais e nem as condições socioeconômicas desses homens vou-te lançar um Desafio o vou te pedir um ted de a um minuto dois minutos mas quem Açude Carneiro o caminho é uma ativista e ela é do Instituto dele desce nega é dessa instituto da mulher negra uma das fundadoras de ideias e atual uma das atuais coordenadora mpç3 se participa ativamente de ações do movimento de mulheres negras e do movimento negro brasileiro a cadeira mas também uma pesquisadora Ela estudou Filosofia na Universidade
de São Paulo fez doutorado em educação e contribuiu imensamente para as nossas formulações teóricas para compreender o que é o racismo no Brasil quais são as especificidades do nosso racismo é um dos traços mais únicos da Sueli é mais importante sem dúvida de que ela é uma feminista Negra né é isso é muito interessante porque eu acho uma das melhores histórias todas do livro A do prólogo em que você fala de uma de uma peça que está ocorrendo no Sion em São Paulo salvingando nossas 82/82 182 aí tribunal Berta nisso e que o Abdias do
Nascimento Ele é o único negro ali e é entre entre vários outros ativistas e Defensores de direitos humanos é em Tribunal finalista Alberto tem um homem negro e não tem mulheres negras participando naquela abertura do tribunal da alegria que você me Contasse Por que que contato para o para nossa audiência que o Internauta Qual é a onde entra a Sueli nessa história e com acesso para muito saborosa Ai que bom foi buscar que me impactou muito quando eu vi essa história da Sueli ela me contou de forma muito emocionada e é uma história que significa
muito mesmo da trajetória de Sueli Carneiro que é uma feminista responsável por o feminismo no Brasil considerar raça como este o primordial ela falou muitas vezes sobre enegrecer o feminismo bom Então imagina tribunal bertha Lutz 1982 encontro feminista e que tem mulheres brancas participando alguns homens brancos e só um homem negro e aí tem umas pretinhas na plateia para usar as palavras da Sueli nem dessas pretinhas está Sueli Carneiro e Abdias ator além de um político e intelectual muito importante toma o palco e fala E já que não tem mulheres negras aqui me faço cavalo
de nossas vocês traz então começa a dizer porque nós mulheres negras e é muito forte muito impactante ele fala que as mulheres negras não estão ali mas que Muitas delas estão nas cozinhas das mulheres brancas ou cuidando das crianças para que as brancas estivessem ali faz um discurso muito coerente muito bonito e bastante feminista ao final do encontro Sueli Carneiro que ninguém conhecia uma jovem sim ali sentada vai até Abdias do Nascimento e diz e a gente agradece muito que o senhor tenha falado por nós é uma honra Mas isso não vai mais precisar acontecer
porque nós vamos chegar e é a história petróleo é a história petrólogo né é a história agora como é que é a concepção da Sueli sobre diálogo quando a momento de dialogar quando o momento de lutar quando o momento de botar o sentido de brigar de marcar posição de ser mais enfático na defesa como é que ela vezes é Oi Sueli carneiro é filha de ogum e ela se baseia muito na mitologia dos orixás até para explicar própria personalidade Ogum é guerreiro a pele Carneiro tá sempre com a sua espada as palavras de Sueli Carneiro
são a sua arma para uma luta política que ela trava de diversas formas mas principalmente pelo diálogo sobre cabelo conversa com todo mundo em diversos fóruns muito diferentes mas ela tem sempre uma posição firme e coerente no que ela tá ali com as suas palavras muito afiadas para dizer o que é necessário para uma luta em benefício da população negra e das mulheres brasileiras então diálogo para Sueli Carneiro não é algo diferente de luta pelo menos não me parece isso pelo contrário diálogo é uma das principais armas de Sueli Carneiro para travar o que ela
chama de Bom Combate o futebol o Se você fosse recomendar a quem nunca leu a Sueli Carneiro um primeiro livro qual você recomendaria e o inscritos de uma vida é condensa uma série de artigos e ensaios escritos por Sueli Carneiro ao longo da vida então é um texto é um livro né que traz muitos textos de períodos diferentes da Sueli Carneiro me parece um livro abrangente eu começaria por ele com você tem um capítulo que eu acho que se chama exatamente os homens negros misóginos uma coisa assim mas você fala dos dos homens negros que
são machistas são misóginos índio como que ela entra nisso é aquele que você Contasse um pouquinho para gente sobre capítulo II a brincadeira se descobre feminista ouvindo lélia Gonzalez lélia Gonzalez é uma antropóloga brasileira muito importante que estudou também que se canalize toda a história e que também foi ativista do movimento negro a lélia Gonzalez foi uma pensadora que formulou o sujeito político mulher negra exatamente por dizer que o movimento feminista tem um racismo assim como o movimento negro era protagonizado por homens negros machistas e que as mulheres negras ao transitarem nesses dois espaços e
também os partidos nas entidades de classe elas precisavam se constituir como sujeito político autónomo que é o mesmo tempo denunciasse o racismo e o machismo e a maior parte das mulheres também podem precisava fazer luta de classe Então lélia falou sobre nessa tripla exploração a que as mulheres negras eram submetidas e transferir Carneiro quando ela se coloca no movimento negro ela se coloca como uma mulher negra no sujeito político mulher negra EA relação dela com o movimento feminista também vende esse lugar já autonomia Então ela denuncia tanto o racismo do movimento feminista quanto machismo do
movimento negro e o que ela enfrenta muitas vezes nas lutas conjuntas desses movimentos é assim uma misoginia e machismo muito pesado de vários companheiros né os homens negros eles são sim muito oprimidos pelo racismo e pela igualdade de classe mas isso não faz com que eles não é reproduzam o machismo tão presente na nossa sociedade e isso ele fala sobre isso escreveu sobre isso e travou também batalhas em relação a isso foi bastante atacada em diversos e eu tenho que contar um pouco disso não se tem algum episódio desse que você se acha que seja
mais icônico desse incômodo dos homens negros com a chegada dela eu falei que ela foi uma das fundadoras de geledés instituto da mulher negra ela e outras mulheres em 1988 fundaram essa instituição que é das mais antigas né organizações de mulheres negras no Brasil quando elas Fundão dele 10 ela tem a intenção e isso imagina 88 nasce a constituição saída do regime militar parte da sociedade civil brasileira se organiza em ONGs e no LG isso não era muito comum para pessoas negras ou entidades do movimento negro mas sua Elite Nativa uma experiência no governo então
no Estado de São Paulo ela foi do Conselho Estadual de condição feminina com Montoro Governador e no governo Sarney existe o Conselho Nacional dos direitos da mulher em que Sueli Carneiro era coordenadora da mulher negra mas ela percebeu uma série de limitações e de necessidades estando no governo que ela não gostaria de viver tinha ali um beijo a mão nas palavras dela que ela não tinha condição de fazer então ela queria atuar como sociedade civil mas também queria atuar profissionalmente na formulação e na implementação de políticas públicas E para isso a figura jurídica é a
organização do terceiro setor é o m g GG 10 Então se coloca como uma MG e busca financiamento internacional Oi Sueli mesmo recebe ela é células choca uma das primeiras no Brasil Então ela recebe uma bolsa para constituir nega ele 10 e depois recebem financiamento da fundação ford Grand é sempre prezou por autonomia e recebi a financiamento internacional pra executar os seus projetos isso foi muito atacado por alguns setores do movimento negro e teve uma troca de meios em que para mim fica muito explícito machismo porque um homem do movimento negro se refere à dele
10 como as prostitutas do imperialismo mesmo que existisse uma discordância política de receber financiamento internacional não dá para falar desse jeito é um machismo muito escancarado então para mim é só um exemplo sorte do machismo que elas precisarão você me deu a deixa para eu te fazer uma pergunta que tava mais para o fim que é sobre uma das mais fortes para usar uma palavrinha que tá na moda mais emblemática da Suely que é a frase que te deu o nome ao livro que é entre esquerda e direita eu continuo preta no começo dos anos
2000 Sueli Carneiro deu uma entrevista para revista Caros Amigos em que perguntaram sobre a eleição do Celso Pitta aqui em São Paulo porque teve uma frase muito mal colocada da alguns erundina em que ela dizia que ela era mais representante dos negros do que o Celso Pitta e a época é Sueli Carneiro ele desce posicionaram dizendo que tudo bem elas podiam até estar alinhadas politicamente com Luiza erundina mastermind já tinha muitas críticas vai fazer o Pita pela política mas não dá para uma mulher branca dizer que ela representa a população negra ou para desqualificar um
sujeito a partir da sua condição racial e para fazer isso então você critica o Celso Pitta pela política que ele faz se a gente falou se cometer um anacronismo e entender um paralelo nos dias de hoje a crítica que a gente faz a bolsonaro não passa por ele ser um homem branco a gente tem bastante para falar da política que ele tem promovido da política de norte do governo dele agora quando a gente tem que ter suas negras a gente traz a condição racial em primeiro plano como se não existisse diversidade de lógica entre pessoas
negras e então uma defesa ser feita é de que as pessoas negras precisam elas podem é assumir posições políticas diversas bom nessa conversa em que isso ele explicava o pronunciamento dela em relação ao Celso Pitta ela soltou essa frase emblemática explicando o que que a direita conseguiu na década de e trazer Celso Pitta como candidato a prefeito da maior cidade do país um movimento que é esquerda até hoje não conseguiu fazer então você tem de esquerda que faz um discurso mas que na prática continua com pessoas brancas no poder só que elas não tem nenhuma
ilusão em relação à direita ela sabe que a direita não quer colocar pessoas negras à frente para serem anti-racistas a direita que a pessoas negras subjulgados que é perpetuar o racismo só que é esquerda que diz se anti-racista tem poucas posturas efetivas anti-racistas por isso então ela diz entre a esquerda EA direita continuo Preta você recentemente Você interrompeu sua coluna de um grande veículo nacional é dizendo que parte da razão é porque você tá muito ocupada eu vi isso porque a gente eu consegui marcar nosso papo Mas também como uma espécie de Statement político e
jornalístico de reação a forma como a cobertura da de assassinato de pessoas Negro do Rio de Janeiro é vinha sendo feita e é aquele que você Contasse um pouco dessa história e a razão que te levou a tomar essa decisão e a gente fiz um momento em que diversos veículos querem se mostrar de versos plurais abertos anti-racistas mas a gente vê pouca prática então quando um veículo assim me convida para ser colunista eu percebo evidentemente os benefícios que isso me traz pessoalmente e também para as causas sobre as quais se inscrevam só que eu não
tenho que receber o benefício que isso traz Paris veículos eles tem mais condição de dizer que eles são Francisco se eles têm colunistas - é só que não adianta nada você tem meia dúzia de colunista negro falando uma coisa e você continuar na sua cobertura rádio News ou naquilo que você faz reportagem com uma um mesmo olhar para o que acontece no Brasil e se fosse bom jornalismo a gente podia até conversar só que o jornalismo que em vez de noticiar fatos a entrar a justificativa de relações públicas da polícia militar para assassinar pessoas isso
é inaceitável inaceitável o jornalismo ele questiona o poder ele não propaga a versão oficial de nada e aí eu tenho uma versão oficial de que uma mulher grávida Negra foi executada com tiro no meio da rua porque foi um confronto essa versão a versão da polícia de onde saiu de Faro quando você entrevista os moradores da região ninguém que fala de troca de tiro não houve confronto existiu a polícia atirando em uma mulher grávida na rua como já tirou em uma Van e assassinou uma criança como a tira na escola e assassina criança como atira
aleatoriamente invadir a casa das pessoas assassina as pessoas com ela também se de suas casas sempre com a versão do confron e o jornalismo ele questiona O Confronto ele investiga ali denuncia ele não coloca a versão oficial da polícia na Manchete ele não defende o estado assassino E aí uma demanda do movimento negro é chamado de genocídio negro porque é o nome que tem de acordo com parâmetros internacionais Mas tudo bem sem imprensa acha que isso é compra um lado não usar a palavra genocídio Eu acredito que ele vai usar mas não quer usar a
palavra genocídio utilize palavras então que tem conta dessa imparcialidade que você busca e agora em troca de tiro se tratar como fato isolado isso distorce a realidade isso não é jornalismo essa questão é outro dia dava Tô dando uma entrevista para Leda Nagle e E aí uma das pessoas eu não sei se foi ela não foi ela não tinha comentário de Internauta não ela perguntou sobre o coisa do genocídio eu não sei se ela perguntou alguma coisa genocídio ou se ela tava era um outro ponto e eu trouxe à tona a questão de genocídio que
há uma discussão jurídica muito pertinente se o que está acontecendo ao genocídio ou não e do ponto de vista jurídico eu fico convencido de que não é um genocídio ainda caracterizado Se houver uma uma uma caracterização de que em relação aos índios ouvir os indígenas ouvir aí dá para gente falar de genocídio E aí eu falei na sequência isso mas para mim tem muita clareza de que o que acontece com pessoas negras pobres é no Brasil o é genocídio e mesmo juridicamente é controverso né então tem juristas que afirmam que não há base para isso
e tem outros que afirmam que sim é aqui que havia saber que música eu achei que fosse meio que um consenso não é então não é um consenso o deixavam tarot tenho um texto muito bom publicado sobre isso Ele é professor do curso de Direito da GV e ele traz outros juristas argumentando que sim o que existe no Brasil é um genocídio eu vou procurar muito bom a palavra genocídio desculpa Guilherme mas a palavra genocídio Ela já foi usada até por uma observador a da Oi a da organização dos Estados americanos ela já usou a
palavra genocídio no documento o próprio estado brasileiro tem a CPI do Senado e da Câmara de 2017 também usa a palavra genocídio e é uma disputa Olha eu queria horas aprendendo com você como eu aprendi para o seu livro te agradeço muito pelo teu tempo e boa sorte que você tenha bastante tempo livre para escrever outro livro gostoso como esse e enfim foi um grande prazer obrigado Muito obrigada Guilherme Desculpa a demora é que além de muito trabalho eu tenho três crianças e eu te agradeço muito por essa conversa boa Obrigada