Olá, pessoal! Tudo bem? Eu sou a Bruna Torlai, professora de Filosofia, e hoje eu trago para vocês uma reflexão a respeito do que nos permite aprender qualquer coisa com o máximo rendimento.
Não é exatamente uma dica o que eu vou falar; eu acredito que muita gente já saiba, mas eu vou explicar, dando exemplos de áreas completamente distintas, do quão determinante é esse componente essencial e intrínseco a qualquer aprendizado realmente eficaz na nossa vida. Me acompanha! Eu sempre digo para as pessoas que me procuram com dificuldades, né, com os estudos, que a gente está nesse ambiente digital em que as pessoas têm acesso aos melhores professores do mercado.
Eu sempre digo para a minha filha mesmo: "Se você está com dificuldade na escola, complemente com o YouTube! " Porque os melhores professores estão no YouTube. Isso não significa que eles não estejam em universidades, em escolas, etc.
; é que os professores que realmente são fora da curva e têm uma capacidade de ensinar mais ampla também estão no YouTube. Eles também têm cursos digitais porque têm realmente uma capacidade de alcançar muitas pessoas, e são procurados pelas pessoas que realmente querem aprender. Pela internet, temos acesso a pessoas que estão longe de nós, e, pelos cursos digitais, conseguimos ter acesso a todo tipo de conteúdo possível, desde conteúdo de ginástica e educação física, passando por hábitos alimentares, até chegarmos a português, matemática, filosofia, inglês, línguas, enfim, todo tipo de profissão técnica.
Nós temos cursos de tudo lá na Hotmart, tá? Então, nós realmente, nesse ambiente digital, temos a possibilidade de aprender muito mais com tudo. Existe um problema que a gente precisa resolver fora do digital para termos rendimento e aproveitamento na nossa vida em geral ou em qualquer curso digital que a gente venha adquirir, e esse é um dos segredos do aprendizado que toda pessoa que ama estudar descobre sozinha.
Mas algumas pessoas que não têm exatamente amor pelo estudo, mas têm o objetivo de se qualificarem, não entendem muito bem, tá? Ou pessoas mais imaturas, adolescentes. Gente, no começo do processo de aprendizado de algo importante, que é o fato de amar o processo, aqui não tem enrolação; a gente vai direto ao assunto: ninguém precisa fazer um curso para explicar o que aumenta o rendimento no aprendizado de qualquer pessoa.
É amar o processo mais do que o objetivo. As pessoas, quando vão aprender algo, muitas vezes focam no objetivo. Por exemplo: uma pessoa quer aprender um instrumento porque ela quer saber tocar aquela música, e aí ela não ama o processo de aprender cada parte de lidar com o instrumento, de treinar 500 vezes, de calejar o dedo se ela está, sei lá, aprendendo violão, ou de reeducar os músculos da mão se ela está aprendendo piano, etc.
Ou de verificar o quão bom é o seu ouvido se você está trabalhando com algum instrumento que exija afinação, né? Ou mesmo no caso das pessoas que querem emagrecer. Muitas pessoas vão fazer exercício físico porque querem emagrecer, querem ter uma aparência melhor, só que elas não amam o exercício físico.
Elas não amam o processo; elas não têm prazer na execução do exercício. Então, o que acontece? Elas não aprendem corretamente a fazer os exercícios, e, evidentemente, fazer aquilo é maçante, mas por que é maçante?
Porque elas estão focadas na consequência do aprendizado e não no aprendizado. Aprendizado é sempre atenção ao processo, tá? Eu comecei a formular isso para mim mesma quando eu precisei explicar aos meus alunos de filosofia que não se trata de você saber.
Não se trata de você, ah, eu quero entender os problemas do mundo; eu quero entender, ah, eu quero entender sei lá, esse autor; eu quero dominar esse assunto; eu quero saber tudo de ética; eu quero saber tudo de epistemologia. Não se trata de você querer saber, entendeu? Você precisa ter realmente um prazer no processo de refinar a sua atividade intelectual da reflexão, que basicamente envolve você se ocupar de um problema, ou por meio de uma leitura, ou por meio de um exemplo real.
Aconteceu algo na realidade, você para naquilo, e volta, e pensa, e volta, e pensa. Quando você ama esse processo, e o nome desse processo é reflexão, e quando ele sobe um degrau, é meditação. Você está pensando com seus botões intensamente em um problema.
Quando você ama esse processo, você vai ampliando naturalmente a sua inteligência. A ampliação da inteligência e saber entender a realidade é uma consequência do amor que você tem ao processo. Uma coisa que é uma moda de muitas pessoas, ah, não só que frequentam esse canal, mas que frequentam o YouTube, é a história de ser culta.
As pessoas muitas vezes querem fazer cursos e ler romances, e etc. , porque elas querem ser cultas. Ah, eu quero ser culto, eu quero ter cultura, tá?
Eu quero ter cultura geral. O problema é que, justamente, ter cultura é uma consequência. Uma consequência do quê?
Do amor ao processo de estudar. Então, se você não tem amor ao processo de estudar, se todo dia você está descobrindo algo novo, todo dia você está com o coração aberto para aprender algo novo, todo dia você realmente está ouvindo atentamente uma pessoa nova que você descobriu, te ensinando alguma coisa. Se você não tem amor no processo, de abertura da alma para o aprendizado, você nunca será uma pessoa culta.
Mesmo porque a pessoa culta é justamente aquela profundamente ligada ao exame constante do real, tá? E a literatura, a poesia, o cinema, as artes de maneira geral têm um papel muito importante nisso, porque tudo começa na imaginação, né? Coisa que os gregos já sabiam: tudo começa na imaginação.
Portanto, é ali que nós vamos educando a inteligência num primeiro momento. Então, se você, por exemplo. .
. Não ama? Em algum momento da sua vida, você não amou o simples prazer de acompanhar uma história?
A leitura de um romance não tem prazer, sabe? Nem em acompanhar uma bela descrição, uma reconstituição de paisagem, uma definição de personagem, um perfeito delinear de caráter. Se você não tem prazer nisso, que são os processos da leitura, você não terá essa consequência.
Essa consequência de se tornar uma pessoa culta não recairá sobre você. Tá, a gente. .
. eu tô aqui dando uma série de exemplos, mas, basicamente, essa questão de amar o processo foi algo que eu comecei a pensar para explicar isso para meus alunos de Filosofia também, quando, com relação à escrita, tá? Porque todos os, a boa parte dos meus alunos, desde sempre.
. . Eu dou aula há 10 anos, tá?
Desde o primeiro momento que eu. . .
na verdade, desde que eu estava na universidade, eu dava aula de uma ou outra coisa para os meus colegas, tá? E já naquela época eu me dispunha a revisar trabalhos dos meus colegas. Foi ali que eu comecei a perceber, já tinha recebido, com os meus próprios, né, que eu precisava de muita revisão para melhorar meu português.
Aí, quando eu melhorei um pouquinho, a ponto de ajudar meus colegas a melhorarem o seu português, a sua escrita, eu comecei a perceber que a deficiência era muito grande. E por que, na escrita e na comunicação, as pessoas às vezes têm dificuldade de melhorar? Porque as pessoas querem falar bem, querem escrever bem e querem ser respeitadas por falar bem, escrever bem e usar corretamente a língua, mas elas não amam o treino, o processo que nos leva e que tem como consequência uma boa escrita e uma boa comunicação.
Que é, basicamente, amar fazer revisões, amar reformular. Você fez uma formulação, você escreveu um parágrafo. Se você não tem verdadeiro prazer em voltar lá para a primeira linha, relendo, pensando em como você poderia ter dito melhor, você nunca vai aprender a escrever bem.
Todo escritor tem um prazer na revisão. Em algum momento da vida. .
. Não digo que isso tem que durar a vida toda. Tem um escritor fantástico que é o autor do maior clássico mexicano, né, que é o autor de "Pedro Páramo", Juan Rulfo, que era muito conhecido por ser obsessivo por cortes.
Ele queria cortar tudo até deixar o mínimo. Isso é um caso extremo, né? Mas toda pessoa que escreve minimamente bem já teve, realmente, em algum momento da vida, esse amor por reformular, por revisar, o prazer na prática da reformulação.
Tá, e as pessoas, na verdade, em geral, estão sempre muito satisfeitas. Elas escrevem um e-mail, escrevem algo de qualquer coisa e raramente relêem. Quando você não tem o hábito de reler, você não vai desenvolver o amor de revisar e falar: "Nossa, eu falei assim, deixa eu falar melhor.
" Tá? Então, é o processo que determina o seu rendimento em qualquer aprendizado possível. Tá, por último, eu queria aqui dar o exemplo.
. . Eu já falei, né, das pessoas que querem emagrecer, mas elas não amam, por exemplo, o processo de aprender a execução correta, o processo de ampliar sua consciência corporal, né?
E aí, elas nunca vão fazer dos exercícios uma prática realmente significativa e com rendimento nas suas vidas. Porque, se elas não executam corretamente o movimento e não fazem os movimentos com consciência corporal, o resultado dos exercícios será sempre insatisfatório. Elas não estarão se exercitando corretamente, elas vão chegar no objetivo.
Tá, e quando você aprende a amar o processo, o objetivo vem naturalmente. Eu tô dizendo isso porque, no Brasil, a gente tem a mania de queimar etapas, né? E, além dos meus alunos, eu tenho também uma filha adolescente.
Eu lembro que, quando ela começou a estudar piano, que é a maior diversão dela, que ela mais gosta de fazer, eu me lembro que ela tava com dificuldades de controlar a própria ansiedade. Ela tava ali desesperada porque ela queria saber a música, então ela queria. .
. ela ia muito rápido, ela não tinha paciência, né? E eu lembro que eu comecei a dizer para ela.
. . Eu falava para minha filha: "Você precisa amar o ensaio, você precisa amar cada parte que você aprende.
Você precisa realmente extrair prazer da construção lenta, gradual, da música e não mirar no saber tocar essa música. " Eu sei que você está com essa ansiedade porque você tá focando na coisa errada. Você tá focando em saber a música.
Você vai saber a música naturalmente se você amar o processo de reconstruí-la parte a parte, com paciência, tocando devagar, porque é como se você tivesse a sua vida toda para aprender esse pedacinho, a sua vida toda para aprender aquele pedacinho. Quando a gente se dedica para qualquer atividade espiritual ou mesmo para uma atividade física, eu acho que esporte é uma coisa muito importante na vida e todas as pessoas deveriam fazer porque é algo determinante para a gente ter, realmente, saúde mental, inclusive, né? As pessoas, às vezes, que não se dedicam ao esporte ou ao exercício físico, elas às vezes não se dão conta de que não estão bem, né?
Então, esse diagnóstico que a gente faz, esse cuidado que a gente tem com o corpo é um exercício para a gente prestar atenção em nós integralmente. E é mais fácil prestar atenção no corpo do que na alma. Então, é um aprendizado para a gente conseguir prestar atenção na nossa alma, né?
Quando a gente reconhece que nosso corpo não vai lá, essas coisas, nossa saúde tá debilitada, a gente começa a prestar atenção também que nós, como um todo, estamos assim. . .
falhando, recalcitrantes, tá? Então, todo tipo de aprendizado vai nos educando para que, enquanto seres humanos, nós ampliemos cada vez mais. O nosso autoconhecimento é a chave.
A chave do aprendizado é amar o processo. Eu vou dar um último exemplo para vocês: eu me lembro quando tive que ler um autor difícil, né? O Francis Bacon.
Eu não sabia o inglês tão bem na época e ele escreve no chamado Middle English, o mesmo inglês de Shakespeare. Não era algo que eu dominava ainda. Aí eu falei: "Ah, tudo bem, eu vou aproveitar que tenho que estudar esse autor, que é um autor pelo qual eu tenho um grande apreço, porque foi um gênio da filosofia do pensamento moderno.
" Né? O Francis Bacon é um dos maiores gênios do pensamento moderno. Eu falei: "Já que vou estudar e quero estudar ele, vou aproveitar a oportunidade para dominar também essa ferramenta, entender essa linguagem em que ele escreveu.
" Eu comprei uma edição em que cada palavra tinha uma edição inglesa, né? E o editor moderno dizia o que significava cada termo do Middle English. Eu lembro que, às vezes, eu passava uma tarde toda em uma página, uma página e meia.
Então, a gente tem que ter paciência com o processo, mesmo quando ele é lentíssimo, mesmo quando ele é tão lento que parece que a gente nunca vai alcançar o objetivo. Qualquer atividade espiritual que nós realizemos, é preciso que nos dediquemos a elas como se tivéssemos todo o tempo do mundo. E quando estamos ali realizando, nos entregamos totalmente ao processo, como se realmente tivéssemos todo o tempo do mundo para aprendê-lo.
Assim, o seu rendimento vai aumentar em qualquer domínio que você esteja procurando aprender: da filosofia ao esporte, do cálculo ao domínio de um instrumento musical, da escrita à oratória, etc. Você precisa amar realmente todas as etapas, cuja consequência final é o domínio de uma arte específica. Nós precisamos valorizar as etapas, e eu estou fazendo esse vídeo também porque o que eu mais observo no Brasil é que as pessoas querem chegar lá muito rápido, queimando etapas no caminho.
E é por isso que somos tão pobres culturalmente. Isso pode mudar! Nós já fomos muito ricos culturalmente em outras eras, somos muito ricos culturalmente em vários domínios e podemos fazer da nossa vida uma vida mais rica espiritualmente, aprendendo pacientemente a amar cada processo de cada tipo de técnica que desejamos dominar.
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