Eh bom Boa tarde eh para todo mundo que tá aqui assistindo a gente que ve quem veio assistir presencial quem tá no YouTube também é sempre uma honra eh fazer uma mesa de debate sobre algum tema contemporâneo aqui na fefel acho que a gente sempre tenta né pensar De que maneiras as disciplinas que a gente tem aqui na casa Ciências Sociais né sociologia antropologia Ciência Política filosofia história geografia literatura Linguística todas essas áreas de que maneira isso tudo contribui paraa sociedade pensar seus problemas concretos contemporâneos e enfim eh o momento histórico em que a gente
tá passando que a gente tá enfrentando né então bom começo me apresentando eu sou Marília moscovite Sou professora aqui do departamento de sociologia eh da fefel desde 2023 uma jovem baby de carreira aqui eh E Eu Sou coordenadora de um Laboratório que fundei aqui que chama-se ímpar né um laboratório de gênero sexualidade e Estudos críticos da família n e no ímpar a gente tem o privilégio de juntar gente de tudo que é disciplina das humanidades pessoas de diversas universidades de diversos níveis de carreira então tem alunos de doutorado tem alguns orientandos de iniciação científica e
mestrado dos professores que fazem parte né do ímpar tem colaboradores já que são pós Doutores estão no no pós-doutorado estão fazendo pós-doutorado e tem professores de outras universidades também Associados contribuindo para tentar reconfigurar um pouco a maneira como as humanidades vêm trabalhando a ideia de família nessa sociedade nesse tempo histórico com as ferramentas que temos disponíveis né e as contradições que elas acarretam também então o ímpar é o laboratório que tá promovendo esse evento Eh com o apoio não só da fefel do departamento de sociologia Mas também da editora boitempo que tá publicando agora no
final do ano o livro do Douglas eu vou comentar daqui a pouquinho quando for apresentar ele para vocês eh eh eu queria começar antes de apresentar né meus eh meus colegas convidados aqui da da mesa que vão debater eu queria hã dizer que além de ser um privilégio sempre fazer né eventos aqui para discutir ver pessoas ao vivo que é muito Bom a gente sempre bater junto né Eu acho que tem uma uma outra coisa que me faz me sentir muito honrada de tá aqui hoje que é o fato de que a gente tá promovendo
esse debate com pessoas eh jovens com jovens intelectuais né talvez não tão jovens de idade mas para mas enquanto intelectuais né pessoas que tão aí no começo de carreira como eu né no começo da sua vida intelectual de alguma forma e tentando propor coisas novas tentando propor Novos enquadramentos novas formas de pensar os problemas e eu sempre fico muito contente e aqui na nossa mesa de hoje vou apresentar agora os jovens que estão aqui para vocês e eu tenho lá na ponta a minha grande amiga melhor amiga da vida né não dá pra gente fingir
que não é que não é verdade porque a gente se conhece já há uns 10 anos e a gente é muito próximo Amanda palha que é da Associação Nacional de travestis e transexuais a antara e que é Uma intelectual que vem da de uma trajetória da militância de uma trajetória não acadêmica apesar de todo mundo dizer que ela é muito acadêmica e reclamar do jeito que ela fala difícil né Igual Douglas vocês podem ver que não é uma questão de título de titulação né todo mundo fala ah Amanda é muito acadêmico falou Amanda não tem
graduação completa tip como é que a gente eh no entanto é uma na minha eh perspectiva e eh acho que de algumas outras pessoas Que acompanham o trabalho dela também é uma grande intelectual Da nossa época eh e aí cabe um parêntese muito importante né de que as trajetórias de escolarização das pessoas trans não são as trajetórias tradicionais das pessoas Sis né de escolarização uma população extremamente marginalizada em termos do acesso à educação em especial então eh a gente tem no Brasil grandes intelectuais né travestis grandes intelectuais estanhos que não tem né uma graduação um
Mestrado um doutorado eh então a Amanda tá é parte desse desse grupo desse coletivo que tem ajudado a construir uma teoria social travesti para o Brasil nos últimos 10 anos aí então bem-vinda obrigada pela sua presença Amanda eh temos também aqui o Douglas Barros eh também outro grande amigo aqui né Ah desculpa esqueci de falar né Amanda também é colaboradora do ímpar desse laboratório eh O Douglas que também é colaborador do ímpar né Eh e que é doutor em ética e filosofia pela Unifesp professor da pós--graduação em Filosofia na unifai Centro Universitário Assunção acertei o
nome sim Centro Universitário Assunção eh e que vem trabalhando com esse tema dos identitarismo já há bastante tempo né a gente mesmo entre nós já dialogou sobre isso um zilhão de vezes em outras ocasiões e a gente tá também aí no contexto de que ele está lançando esse livro né o livro ainda não foi lançado Né importante dizer o livro O que é identitarismo do Douglas tá saindo pela Editora boitempo agora em dezembro na verdade o lanamento vai ser no dia 10 de dezembro na livraria megafauna vou ler para vocês as outras pessoas que vão
est no lançamento que vai ser uma mesa incrível também vai ser o Douglas o Davidson Faustino que agora é professor da só um minuto que alguém falou que aqui o áudio tá muito baixo lá no YouTube gente só para melhorou Não sei Camila dá uma checada no áudio fala para mim se melhorou Oi Ah eu tava desde o começo bom Ah tem um delay né é isso tá bom obrigada eh bom então o lançamento do livro ele acontece no dia 10 do livro do Douglas tá pela boi tempo no dia 10 de dezembro às 19
horas na livraria megafauna então nessa mesa para discutir o livro especificamente do Douglas estarão o davon Faustino que felizmente agora é Nosso colega aqui da USP tá na faculdade de saúde pública da USP o Douglas autor do livro né E a Letícia Parks né que é outra intelectual negra incrível e a com mediação da Alana Moraes Então acho que vai ser uma mesa incrível de lançamento fica o convite aí para vocês esse não é um evento hoje de lançamento exatamente do livro do Douglas Mas alguma coisa do tipo vamos aproveitar que estamos todos aqui em
São Paulo não esquenta né Amanda que também Amanda é mora em Pernambuco Mora em Recife então calhou de tá tudo acontecendo ao mesmo tempo vamos Por não aproveitar e trazer esse debate que nos toca tanto e que a gente vem todo mundo costurando junto já em uma década mais ou menos porque não aproveitar e trazer nesse momento aqui com o apoio da fefel né Eh a boi tempo pediu para eu dar um aviso aqui para vocês tá bom que tem um cupom ah para quem quiser comprar aí o livro do Douglas tá bom tá na
pré-venda eh ele tá com 20% de desconto com esse Cupom até o dia 31 de dezembro fica aí o presente de Natal de vocês amigo secreto para aquele Tio bolsonarista maravilhoso uma ótima ideia eh conservador de esquerda conservadores de esquerda que tem na família de vocês também fo outra outra ótima oportunidade né aquele aquele bouche primo para vocês presentearem aí então fica aí a dica tá eh Então tá com 20% de desconto até 31/12 com esse cupom que é identitarismo tudo em maiúscula Com Interrogação no final né identitarismo é o cupom é n identitarismo o
cupom tá bom eh eu vou repetir isso depois mais para frente para quem não tiver pegado tá então fica aí a apresentação do Douglas que veio também nos brindar com essas reflexões e por fim lá no telão e no YouTube vocês vão ver depois a projeção Quando ela for falar projeção da cara dela tá a Maira Marcondes Moreira que é Doutora em filosofia pela UFMG me corrija Se eu estiver lembrando falando Tudo errado amiga mas acho que é isso né Doutora em filosofia pela UFMG não falei errado ó tá vendo pela PUC Minas ah lá
depois ela fala ela falou tá bom depois ela se apresenta os títulos porque eu tô errando tá mas a A Maira é psicanalista é uma grande de filósofa atualmente ela faz o pós-doc aqui na fef leste com o Professor Vladimir eh aqui no departamento de Filosofia e ela também vem trabalhando esse tema da identidade já tem um tempo né o livro Não o mais recente A Maira é uma máquina de escrever livros assim a gente inveja ela né Douglas ela escreve e publica escreve e publica ela tem vários livros excelentes e não o mais recente
mas o o anterior né chama-se fins do sexo como fazer política sem identidade então um livro que justamente tenta trazer um pouco do da discussão que ela vai abordar aqui eh depois mas se você quiser você cementa as credenciais que eu falei tudo errado me perdoe Eh e tanto a Amanda quanto Douglas quanto Maira muito honrosamente eu posso dizer que são colaboradores do ímpar fazem parte do nosso laboratório né Eh então tá sendo um debate bastante rico né entre quem tá participando do laboratório então fico muito contente da gente poder trazer para fora do laboratório
um pouco desse debate para debater para discutir aqui com vocês hoje ã essa mesa essa composição de mesa e aí Eu vou encerrar a minha apresentação e passar a palavra primeiro pro Douglas tá bom depois pra Amanda depois pra Má eh essa composição de mesa ela tem um sentido e bastante específico na medida em que o debate sobre identidade identificação e identitarismo que não são a mesma coisa mas não sou eu que vou explicar isso para vocês hoje eh é esse debate é um debate que ele fica latente por conta de desenvolvimentos não só teóricos
como políticos dos movimentos Sociais né de alguns movimentos sociais aqui no Brasil especialmente movimento negro o movimento feminista e o movimento LGBT não é que esse debate não perpassa outros movimentos mas esses três movimentos são chave na sua produção teórica intelectual e discussões políticas que acabam trazendo eh recentemente esse essa discussão para esse ponto enfim de que isso é um interesse público né né discutir identitarismo Então como o Douglas eh Elaborou né a obra dele a partir não só não não é que se reduz né Mas a partir de experiências que vem do debate com
o movimento negro a Amanda tá dentro desse debate com o movimento de travestis transexuais e o movimento LGBT e a Maira escreveu especificamente sobre o movimento feminista e vem pensando nessas eh formas de entender o mundo e de discuti-lo desse movimento também eh achei que seria um diálogo bastante interessante de ser acompanhado Inclusive por mim né vocês acham que eu tô fazendo isso pelo bem público na verdade só porque eu queria ver eles discutindo aqui e brincadeiras a parte eu vou passar a palavra pro Douglas e a gente começa tá tá bom bom primeiro dizer
que é um prazer e uma honra enorme partilhar dessa mesa com vocês Maira de maneira virtual aí em Minas né Eh bom no que me cabe então talvez vou enfim 15 minutos né tentar tentar falar um pouco sobre a identidade e os problemas dessa ideia de identidade Então acho que eu vou me centrar isso aí Maira fala da identificação Enfim né Fazer o a divisão do trabalho né então vou vou falar especificamente da identidade porque além de tudo eu começo o livro Especificando A Identidade né então primeiro capítulo quando vocês puderem ter a obra em
mãos coisa que também eu espero e Anseio porque AB BO e tempo infelizmente enviou o livro por um número errado então eu tô indo no no correio todo dia tentar buscar eu abro o livro com esse debate sobre identidade Na verdade o que me me impulsionou a falar sobre identidade foi um certo espírito zit guist espírito do tempo que começou de Repente a transformar e dar centralidade a noção de identidade no debate no dos movimentos então eu começo daí né meu percurso com o livro vai se iniciar aí só que a ao mesmo tempo eu
tinha um incômodo muito intenso com a limitação do próprio conceito de identidade bom então só para que vocês saib porque que eu resolvi começar o livro falando de identidade né no livro e nas pesquisas que eu vou Fazendo eu então não falo de identidade eu falo de identidades e das formas de abordagem teórica epistêmica que elaboram o conceito de identidade então por exemplo eu vou falar da identidade no sentido subjetivo portanto com auxílio da psicanálise eh e depois a identidade cultural né consigo eu a com algum esforço criar uma espécie de linha em que mostra
a importância da identidade subjetiva da formação da Identidade subjetiva como uma ilusão subjetivamente necessária para entrada no mundo cultural então de certa forma a noção que eu esboço sobre a identidade é que a identidade ela é uma ilusão necess né No entanto a depender de como essa identidade vai ser abordada ela pode também se tornar uma armadilha hum Então esse é o ponto da onde que eu vou partir para pensar a identidade bom tem vários caminhos enfim A história da filosofia 2500 anos de certa forma traz o debate da identidade tanto no sentido lógico como
no sentido ético né Eh é claro que eu não vou em 15 minutos fazer o mergulho da identidade desde Aristóteles até a modernidade mas né O importante é levar em consideração que todos os debates feitos na relação com relação à identidade tudo aquilo que se produziu acerca da identidade demonstra que a Identidade ela é fissurada pelo princípio de contradição né quer dizer a identidade ela se marca como uma miragem né porque entre outras coisas ela é atravessada pela alteridade e é por isso que nesse sentido eu inicio com a psicanálise porque a psicanálise de certa
forma Ela traz uma novidade com relação são a identidade primeiro demonstrando que não é possível né a Identidade é uma impossibilidade para psicanálise e portanto se organiza o campo do primado da identificação E por que que a psicanálise vai chegar a essa conclusão né a psicanálise tá revolucionando a noção de sujeito ã quer dizer nós tínhamos uma ideia de sujeito anterior à psicanálise que era esse sujeito translúcido moderno que montado no cavalo da história dava Curso aos seus sentimentos afetos e ao mundo objetivo né Tudo bem não é tão assim pobre descart né mas a
ideia de um o sujeito do do cito ergosum né quer dizer penso logo sou que é enfim atravessado também o descart foi eu eu gosto do descart né Não acho que é tão assim né o descart ele também quando ele vai falar sobre a cera né ele também tem sabe que alguma coisa atravessa para além do princípio Racional né Eh pois bem a a psicanálise ela acaba ao projetar o in ela acaba desnudando a impossibilidade desse sujeito íntegro ou seja para psicanálise é uma coisa talvez que devêssemos observar para psicanálise o sujeito é constitutivamente alienado
e aliás a posição do sujeito se dá justamente pela alienação que é constitutiva o que isso significa que o sujeito é Tod a todo Momento atravessado por um outro né Eh Com base no seu próprio desejo desejar é desejar o desejo do outro né Com base na sua própria forma de identificação eu sou porque de certa forma há um outro que me nega e há o me negar dá limites ao que eu sou né É mais ou menos por aí assim em 2 minutos o sujeito da psicanálise apresentado né então ou seja tem alguma coisa
aí que evoca a noção de identidade né quer dizer como é como é possível pensar o eu Mesmo esse eu como uma fantasia que é algo que o lac felizmente vai deixar para nós né quer dizer nós estamos todos relacionados ao campo da fantasia a todo momento né Mesmo quando acreditamos sair dela entramos em outra né então nós fantasiamos a todo momento inclusive aquilo que acreditamos que somos né Eh então há um eu aí que é um eu em processo um eu e Devir e que à medida que ele se correlaciona com o outro né
Ele se determina né quer dizer aqui tem uma diferença entre determinar e definir né uma determinação do eu é uma determinação de no campo de uma identificação que o eu que o eu faz com o outro nã Eis aí então o primado da identificação quer dizer aquilo que sou é as balizas que o outro me dá e as formas que organizo a minha identificação na minha relação com o mundo essa identificação tá totalmente Ligada à relação do desejo enfim não dá para dizer isso muito né assim não é não dá para se aprofundar tanto nisso
mas a ideia Central subjacente é que a identidade é uma impossibilidade né o eu igual a eu é impossível com o primado da identificação né Eh isso por quê Porque nós somos experienciados e experienciamos né a nossa relação com a alteridade que força nega e tensiona a nossa experiência Então o que eu sou sempre está ind Devir isso portanto interrompe qualquer forma de identificação estável em que eu encontre no outro lado um eu integral O que é ótimo né porque seria muito chato se integrar totalmente por exemplo se eu sou o que eu acreditei que
eu era antes provavelmente a minha experiência teria sido totalmente limitada né por isso essa experienciação com A negação é fundamental então a identidade ela cede ao princípio da Identificação pois bem só que nós temos um problema aí né se eu sou justamente porque as minhas escolhas me desenvolvem experienciando A negação que o outro me dá e a experiência que eu tenho com o mundo e essa é a de sujeito quer dizer esvaziar as minhas fantasias na no meu processo de experienciar o mundo se essa é a condição do sujeito o que acontece então com aqueles
outros que recai uma Identidade neles n veja o que eu quero dizer o seguinte se a condição de sujeito é justamente a fratura quee o eu comigo mesmo com aqueles grupos humanos sobre o qual recai uma identidade sobre os quais né recai uma identidade quer dizer o que acontece com aqueles povos aqueles grupos que foram identit pelo outro europeu que inclusive lhes dêu uma identidade uma identidade organizada a partir do princípio de Inferioridade desses povos né Esse é o problema veja que a gente tem um problema aqui né quer dizer se ao mesmo tempo ser
sujeito é poder experienciar e esvaziando as minhas fantasias e organizando quer dizer ser sujeito a duvidar da minha própria experiência com relação ao mundo e conseguir transitar sobre todas as experiências sobre todas as possibilidades de experiências que terei né No entanto Se ser sujeito é isso então alguma coisa acontece aqueles que não serão vistos como sujeitos que serão vistos como identidades né esse para mim é a grande tensão né ah mas como assim né bom para mim o processo Colonial E aí é onde eu parto né Sempre houve formas de identificação né e construção de
Apegos do eu durante a história né Sempre também é muita coisa mas enfim não quero ser transrico Mas eh nós sempre observamos formas de construção da de identidades que se relacionam com as formas de domínio de territórios né Eh ligações geográficas e linguísticas que serviam para balizar um tipo de identificação bom o exemplo mais clássico Talvez o que é aplis grega né O que é o grego o grego ateniense é diferente do grego Espartano né Então essas Formas sempre quer dizer sempre não mas enfim essas formas aparecem antes da modernidade né No entanto algo novo
acontece da na modernidade que é as formas identificatórias que serão consolidadas elas estão ligadas a uma nova forma de produção e reprodução da vida social né quer dizer o grande A grande questão que a modernidade inaugura é que no novo modelo de produção Social modelo econômico que está nascendo de produção social as formas identificatórias que serão consolidadas a partir das necessidades desse novo modelo vão ser usadas por esse mesmo modelo para organizar toda a vida social né ou seja o que eu quero dizer é que as formas identificatórias que estabilizam identidades para grupos humanos na
modernidade elas vão estar ligadas às formas de exploração radical que organiza A vida moderna nesse sentido Então a partir dessa estabilização identificatória nós vamos assistir então consolidação de identidades cujo parâmetro de comparação vai ser sempre dado por um outro qual outro o colonizador né Essas formas de consolidação de identidades é por isso que eu falei uma frase Né que me xingaram bastante que foi o primeiro identitário foi o o primeiro identitário da modernidade foi o colonizador né justamente porque organiza o princípio de identidade para grupos humanos sobre o qual não há o interesse de saber
quais grupos são esses mas se esses grupos podem se tornar rentáveis e super explorados na nova forma de organização social Nascente Tá bom então é isso tem muito mais coisa Para falar porque agora que ficou bom né mas não mas tem uma só uma questão eh que é a seguinte né durante o processo Colonial Então veja aqui no processo Colonial que eu tô falando para vocês eu acho que já devem D sacado que é qual é essa forma de identificação que vai se estabilizando na relação com esse novo modelo de exploração essa forma e e
essa noção que nasce com esse modelo é a raça né é a noção racial quer dizer a Raça vai ser um atributo hiper identificatório dado a grupos não europeus né que vai ganhar o horizonte moderno e o solo moderno né quer dizer aí tem todo um debate com a filosofia que a gente vai ter que fazer vai ter que acertar contas também porque em que medida a filosofia vai cooperar com essa estabilização de um dispositivo de controle que se organiza conceitualmente sobre o qual a filosofia não teve interesse em Questionar né é daí quando a
gente pega por exemplo grandes filósofos que eu inclusive gosto né de derr né e volta Talvez o de derou muito mais o volta tem grandes problemas né mas quando se fala sobre o homem na enciclopédia ou se fala sobre o conceito raça não se questiona O que é a raça é como se a raça Já fosse dado como uma naturalidade de posta quer dizer como se a raça fosse algo ligado a um Horizonte essencial da Natureza humana né então Eh o que eu quero dizer é que três formas de consolidação do Saber moderno foram fundamentais
paraa Nossa naturalização da noção de raça que continua permeando a nossa vida social né que foi o discurso religioso em primeiro lugar Esses povos têm ou não Alma O Discurso filosófico né quando tenho que falar Hegel né quando Hegel cante né o Kant depois ele vai fazer uma autocrítica mas quando a gente Lê metafísicas dos costumes a gente vê ali e a ideia de superioridade racial operando né o heg já vai dizer que bem o sol da Razão não nasceu para os povos africanos né isso porque o Hegel tinha só seis livros que falavam sobre
África e os seis livros que ele tinha era de Aventureiros padres né Ou seja questionem a biblioteca de Hegel sobre bom Então veja eu tô dizendo tudo Isso porque no século XX né havia uma espécie de de esperança Liberal burguesa democrático Liberal burguesa que acompanhava uma nova forma de identidade que nascia com a modernidade já capitalista de 1850 em diante né não que a modernidade desculpem aí meus críticos dos do valor né eu sei que a modernidade começou antes o capitalismo já tava lá na sua forma embrionária tudo isso mas A grande questão é que
quando se desenvolve a Revolu Industrial né se cria uma nova forma de orientação de gestão da vida social que vai precisar de uma nova identidade que é a identidade nacional essa identidade nacional ela cria um imenso guarda-chuva sobre o qual repousam todas as outras identidades que foram organizadas pelo colonialismo e a grande esperança é que a identidade nacional suplante essas outras identidades Através da unidade territorial daí a importância do Estado nação né e mais né do desenvolvimento das forças produtivas que é o fim do grande périplo do espírito né todas as identidades seriam absorvidas ao
capital e se tornariam consumidoras né então a grande esperança Liberal burguesa foi que o desenvolvimento das forças produtivas superasse identidades coloniais e aqui né Se a gente for pensar com o po Preciado que vai trazer algo interessante aí também que é bom que é o gênero né pensando as o desenvolvimento dessas forças materiais e o lugar que se ocupa ali né O que é a determinação dessa sexualidade né normativa tá tudo ligado veja é esse o ponto né Tá ligado com as formas de produção e reprodução da vida social se isso não for né as
lições de Marx eu não sei o que é mas enfim Eh daí A grande questão para encerrar mesmo assim que esse o debate que que coloca em cena o identitarismo né o que acontece essa identidade nacional que vai criar o mito da democracia racial porque no Brasil a gente sempre tá na Vanguarda da do da do conservador né na na Vanguarda do atras então a a democracia racial ela é um ótimo exemplo dessa Esperança do desenvolvimentismo marcado pelo capital né de que todas as fraturas coloniais fossem curadas com a Superação do Espírito capitalista em direção
ao mundo Próspero do capitalismo né então a democracia racial foi justamente essa tentativa de né demonstrar uma uma nação uma civilização brasileira que que tinha superado e que ia superar todas as máculas organizadas do colonialismo o que que acontece né Foi muito bom muito bem né só que não deu certo né tudo muito bom muito bem os últimos desenvolvimentistas radicais do Brasil foram os militares né que Inclusive tava tudo e veja não é à toa que a identidade nacional é tão evocada pelos militares né justamente por essa unidade fascisti né que não deixa visível ou
não quer deixar visível as marcas degradadas do próprio capital né acabou né acredito que ninguém nessa sala o que está nos vendo o que nos verá acredita ainda que a estabilização de uma entidade Nacional possa Resolver no interior do capitalismo né Qualquer coisa é aí quando cai o mito da identidade nacional quando cai as esperanças com o desenvolvimentismo quando o novo modelo uma nova figura do capitalismo como eu gosto de chamar né se processa né que o identitarismo entra em ação Fico por aqui a gente se fala [Aplausos] Depois fica por aqui parece que falou
né só um tá bom se tiver baixo você me avisa por favor tá tá bom gente boa tarde boa noite eh é primeiro agradecer demais o convite a possibilidade de estar nessa troca muito importante me sinto muito honrada também estou muito nervosa como sempre nesse tipo de espaço eh vou pegar um pouco do gancho que você deixou inclusive mas antes eu queria Localizar algo que acho que fo que é importante pra nossa discussão até pegando a partir do que Marila colocou no começo que tem a ver com qual com a com a minha relação com
a discussão de identidade de porque isso vira uma questão na na na eh no meu estudo e né nas minhas tentativas de contribuição também teóricas não só políticas eh que tem a ver com vir e tomar contato com a pesquisa a produção acadêmica a Teoria a partir do movimento de travestis e aqui é importante fazer uma delimitação que vocês vão me ver ouvir vocês vão me ouvir fazer em alguns momentos que esta distinção do que é um movimento de travestis e o que é um movimento de pessoas TRANS e travestis né Não não vou ter
tempo aqui no nosso de desar isso com mais qualidade a profundidade mas existe uma distinção que é histórica e tem consequências eh epistemológicas inclusive de formas de Compreender o mundo e de fazer política inclusive entre o que é esse movimento de travesti que a gente tem ali de forma organizada nas origens desde os anos 60 de alguma forma que é responsável pela por boa parte dos avanços na na construção de política pública ali nos anos 90 que inventa redução de danos no Brasil né Tem uma uma trajetória de movimento que é própria né e o
que a gente passa a compreender como o movimento de pessoas TRANS e travestis a Partir aí na primeira década de 2000 e um pouquinho depois né Essa transição não é exatamente uma transição Talvez esteja mais perto de duas coisas que passam a coexistir com as suas diferenças e conflitos e atritos né Eh de forma bastante como fala eh dolorosa pro movimento de travesti infelizmente por um conta de uma limitação que tem tudo a ver com identidade com a forma como a gente compre de identidade vou chegar nisso já Já espera eh por que que eu
acho que isso é importante porque tem sido ultimamente para mim muito importante pensar no que seria uma contribuição epistemológica travesti para pensar gênero para pensar capitalismo para pensar modernidade e pensar numa política travesti ou numa perspectiva sobre gênero travesti tem sido uma referência constante para mim de uns tempos para cá mas isso não foi um ponto de partida meu né Eh quando eu começo a Estudar mais a pensar a a querer pensar ação política de forma mais sistematizada também isso veem isso foi inclusive algo que surgiu muito recentemente na na minha na minha relação aí
eu vou tirar gente senão vou ficar assim com a cabeça eh na minha relação com com teoria e política assim que tem a ver com com com eh eu ia dizer pensar mas é muito mais um sentir nas n nos conflitos nas relações de movimento de cotidiano de Movimento social de ativismo nas nossas relações inclusive dentro da própria Academia da produção teórica né da dimensão inescapavelmente política que existe na produção teórica eh de algumas perspectivas ou de algumas formas de compreensão eh do mundo de forma mais Ampla vai eh que parte dessa experiência coletiva do
que é o movimento de travestis do que é a a movimentação política de travestis Que Talvez tenham bons bons bons boas propostas boas boas provocações boas contribuições né e eu eu eu gosto de de comentar porque é algo que na minha memória é muito é muito presente mas talvez não de todo mundo tem uma o que a gente entende como cultura através de é uma cultura bem violenta extremamente politicamente incorreta com diversos problemas dos mais diversos tipos assim eh mas uma que é mais usual É que era muito comum quando alguém ou alguém início de
transição ou de fato um homem gayi por exemplo chegava num grupo de travestis ouvia a brincadeira sai daqui né Tu não é travesti sai daqui eh esse esse esse esse tipo de de de de comportamento tem uma tem uma expressa uma relação com identidade ou a o que o que se entendia de forma não né não não não descrita dessa forma como identidade pro movimento de travesti que é dupla Que é ambígua que é extremamente interessante que tem de um lado isso do que é de mais conservador de uma política que tem identidade como fim
né de um pensar político que tome identidade como fim que é a delimitação de Barreiras de fronteiras A Conservação dessas barreiras e uma política que obviamente conservadora que emana daí Porque é sobre conservação mas também uma compreensão ao mesmo tempo sobre o ser que é Fundamentalmente coletiva relacional e circunstancialmente histórica né quando se diz sai daqui você não é travesti o que tava se dizendo na verdade olha não é só querer dizer que é travesti né não é e estar aqui ou ser travesti não é ex não é uma questão de anunciar-se por e simplesmente
existe um conjunto de relações que estão postas que determinam a nossa realidade a nossa experiência que faz com que nós sejamos Travestis não como algo que se é individualmente mas como algo que se é coletivamente a gente tá no final das contas descrevendo uma realidade e e e e e um conjunto de relações e práticas sociais que elas não não estão centradas no indivíduo né Eh essa tal vez é uma das grandes cisões uma das grandes incompatibilidades entre muito do que se produz eh sobre movimento de pessoas TRANS trvestis e e e e parte do
que se Compreende hoje como transfeminismo pós 2000 com a forma de pensar mundo e política do movimento de travestis né a possibilidade de se pensar uma existência em relação a gênero que ela é individual né um gênero que se possui que é uma coisa que eu detenho né Eu tenho um gênero né não algo como não como algo que descreve um pertencimento que des Eve um conjunto de relações né mas como algo que eu tenho tipo um Pokémon né eu tenho o meu gênero né como Algo que um indivíduo tem eh difícil de secar isso
porque o movimento de travestis tem produção teórica escrita há muito pouco tempo a gente tá falando de um movimento que se constitui como tal em conflito com a polícia nas ruas fundamentalmente no contexto de trabalho sexual com baixíssimo acesso à escolarização formal Então o que a gente tem de produção e a gente tem bastante coisa sobre ação política e pensamento teórico sobre Gênero sobre relações sociais eh de alguma forma se perde nalidade desse desse desse primeiro período assim desses dois primeiros períodos do movimento né de uns tempos para cá a gente vem tentando sistematizar isso
de alguma forma eh imagina imagina E por que que eu t dizendo isso porque eu entendo sim que a gente tem um desafio político hoje que não é de hoje obviamente mas com o identitarismo que eu gosto de dizer que São dois a gente tem hoje dois identitarismo são um desafio difícil de superar e e e que causam problemas de mobilidade política assim por assim dizer pro movimento LGBT pro movimento de pessoas trans travestis mas não só eh um e e ele esse tem muito a ver com a minha história e com a minha trajetória
política é o identitarismo marxista O Inferno em algum momento da nossa história não assim com com problemas gigantescos por quê Porque em algum Momento da trajetória também não daria pra gente aqui com pouco tempo secar os porquês e Como isso acontece mas em algum momento das trajetórias da segunda metade do século passado e a medida em que a discussão sobre identidade torna-se uma discussão mais né assim mais calorosa eh se normaliza de alguma forma uma crítica ao identitarismo à identidade que não é feita a cabo né que ela é sugerida Ela é iniciada e ao
não ser concluída ao não Ser levada a cabo a não ser levada à últimas consequências e a gente né assim Talvez consiga com muita facilidade supor o por que isso não é levado a cabo com né e não elevar as últimas consequências o que acaba se produzindo é uma é uma crítica uma pseudocrenilabrus né porque existem relações e práticas sociais que recebem a identidade que são identitaria essas relações né se você se propõe a criticar a identidade como Forma de pensar e de organizar essas relações isso não significa parar de olhar para essas relações porque
elas existem né A racialização não é um um um um um um recurso verbal né assim ass a a a a a a generação a generificação a sexuação dos corpos não é um processo só retórico né Muito pelo contrário assim hoje a gente tem e e gosto de me iludir achando que num campo mais crítico Há algum consenso pelo menos de que não dá para pensar a Gênese Capitalista sem pensar relações de gênero e processo de racialização né não é uma questão eh posterior que se agrega que se desenvolve não tá ali na Gênese né
a gente tá falando de de gênero a gente tá falando de organização de trabalho trabalho reprodutivo a gente tá falando de família a gente tá falando de algo fundamental genético ao desenvolvimento da da da da nossa ordem social né agora se essa crítica não é feita ao fim eu me Justifico de pegar todo esse escopo de compreensão e esconder eu não preciso compreender porque o problema não são as identidades então vamos parar de olhar para as identidades resolvido né e ironicamente o que se faz nesse movimento é um movimento um um um um apego ou
uma afirmação fundamentalmente identitaria porque afirma reitera e solidifica de forma tão invisível quanto intransponível as fronteiras identitárias das identidades não ditas Né porque se a gente fala de identidade racial não é só Negritude né seja branquitude também assim você tá falando de identidade transgênera travesti transsexual que seja também ass se gênera né Essas não ditas essas que se colocam ou são postas como universais né que são eh O positivo sobre os quais a gente consegue olhar definir e nomear a diferença acabam sendo resguardadas e protegidas como um pressuposto epistemológico que se coloca como neutro Né
Eh a partir daí ou ou ou de forma correlata isso também a própria concepção de classe ganha um sentido identitário né num num fazer político que que que que que escorrega para uma concepção de consciência de classe que também é de identificação né quer dizer bom você não tem identidade não adianta você dizer que você é negro não você tem que ter classe você tem que ter consciência de classe Né como se a autocompreensão como parte de uma classe fosse uma substituição a a a a qualquer outra identidade que seja o que é muito cômodo
porque se você não tem nenhuma outra identidade imposta de forma tão tão eh tão explícita que confortável que é se reconhecer como classe né você não tem outra para substituir ali né O que vem inclusive na contramão do que a gente tem imagina de mais profundo de produção histórica dentro do próprio Campo marxista sobre consciência de classe né de como a gente organiza e constitui os movimentos sociais para produzir com eh eh compreenção de relação né de identidade num sentido não idêntico de diferença de de de de similaridade de relações né de como a gente
pensa por exemplo o que a gente tem de produção sobre o movimento Sindical de pensar o sindicalismo como ponto de partida para nas entidades de nas entidades de classe se compreender Que a os distintos trabalhos materiais se encontram tem uma produção gigantesca sobre isso que se termina se apagando numa pretensa crítica à identidade que é de substituição né substitui idade de vocês vamos falar de identidade de classe sofre os movimentos sociais que estão operacionalizando as identidades que nos foram impostas sofre o próprio movimento da classe trabalhadora que tem agora uma concepção de classe completamente esvaziada
de Sentido político né e sofre o processo de de de contraposição a isso à medida que se a que que Como se efetiva como identidade qualquer crítica passa a ser vista como uma característica de que você é um outsider né se você faz uma pergunta que não cabe aqui dependendo de que você seja óbvio né porque tem gente que pode fazer qualquer pergunta agora Dependendo de quem você seja se você faz uma pergunta que não cabe aqui então você não cabe aqui né E Tá tudo bem tá resolvido não preciso pensar sobre essa pergunta eu
não preciso pensar sobre a sua questão Você só não é um de uma de nós né vai se aproximando muito mais de comportamento de uma literatura que para mim é nova mas que eu tenho curtido procurar sobre comportamentos de seita tá um pouco na origem do que a gente tem nos Estados Unidos né da da das histórias do que eles chamam de de culto né Eh do que efetivamente de uma mobilização que tem como origem uma uma uma estratégia política no conteúdo também não só na retórica né esse é um grande identitarismo que nos que
nos ameaça eu acho outro e aí especificamente pro movimento de de transsexuais é uma questão é o identitarismo que se constrói em torno da identidade mulher e aí acredito que Maira eh vá vá Vá muito mais do que eu até porque eu já tô um pouco no no tempo mas eh poar umou nessa re não tira perto de mim pelo amor de Deus que é pior eu fico mais ansiosa S uma pessoa Medic [Risadas] eh nessa Auto não sei nem como chamar isso nessa pseudo reinvenção de uma suposta de um suposto feminismo radical essa coisa
faresc que a gente chama hoje feminismo Radical eh que não tem uma unidade teórica né não tem um uma uma algo que a gente possa at dizer Olha pelo menos na minha opinião isso é Ó essas essa abordagem teórica ou essas referências aqui essas perspectivas com constituem um feminismo radical contemporâneo não isso é absolutamente diverso o que a gente tem em comum é uma defesa identitária né é um movimento de defesa de identidade e e perigoso porque assim Como acredito que qualquer movimento identitário que eh que se Organize em torno de de relações de sujeitos
que experienciam a violência né Eh a identidade ela acaba se apresentando também como M muleta na falta de outras ferramentas né então se eu se eu se eu passo por uma quantidade de violências na minha vida eu não tenho a onde me apoiar e de repente eu tenho uma identidade um grupo que compartilha De violências similares eu tenho ali um ponto de apoio para poder dar sentido e dar vazão paraas compreensões sobre essas violências né e a especificamente No que diz respeito à identidade mulher nos feminismos não só os que se auto reivindicam radicais Mas
os que não mais agem como tal eh uma mobilização afetiva a partir da violência eh sofrida por por essa essas pessoas para mobilizar uma política que no final das contas é contra é é é é eh Como fala contra contra contrária não faria nenhum sentido vai no sentido oposto do que é do que seria efetivamente a superação daquelas violências né Hã contradições eu não vou tentar porque senão vou ficar meia hora na palavra mas é um pouco isso né E aí a medida em que o ser o ser mulher ou o ser o ser né
o sujeito feminino deixa se afasta daquilo que era ou daquilo que é que eu citei no início de uma compreensão travesti né do Movimento de travesti sobre o que é ser travesti que não é sobre o que a gente é individualmente mas o que a gente é posta a viver em conjunto com uma inclusive com uma abordagem sobre identidade que é extremamente Debochada e e e eu acho que existe um defendo que o deboche é uma das contribuições que seria talvez uma epistemologia do movimento de travessia fenomenal que é uma ação inclusive com essas ferramentas
que é de profundo desapego né No pajubá Que é uma um não sei se tá falando não tem consenso sobre isso se é um dialeto se é uma língua se é uma antil língua o que quer que seja que é uma forma de falar típica das travestis brasileiras eh homem trans por exemplo a palavra para homem trans historicamente é mon ocó que é junção de mona mulher com ocó que é homem que é extremamente desrespeitoso e para nós mesmas era Mona de que que a mulher dando Truque para nós mesmos não tava se ofendendo no
processo mas é que a relação com o ser gênero é profundamente desapegada é é uma compreensão sobre o existe gênero que é instrumental né porque Qual utilidade de se falar de um movimento de travestis isso começa a se falar de movimento por conta de reivindicações de política pública por conta de organiza então é é é uma afirmação de uma identidade que é quase que peguei no ar algo que foi julgado Para mim vou personalizar isso mas que não tem pelo menos inicialmente nesse movimento Uma expectativa de veracidade a histórica biológica ou qualquer coisa do tipo
muito pelo contrário né Eu não sei quantas quantos quantos de vocês já trabalharam e na rede de assistência ou ou ou serviços similares mas uma característica muito marcante da população de travesti em situação de rua por exemplo é que a identidade é o que ela precisa ser dependendo do Serviço e tudo bem né assim vou entrar numo se pode ou não pode mas a questão de que isso acontece com facilidade sem sem romantismo óbvio que isso é produto de violência óbvio que a pessoa tá ali de fato fazendo o que é necessário para conseguir ter
acesso ao que ela precisa mas esse essa possibilidade de fazer esse tipo de maleabilidade com a própria autoafirmação não é novo é histórico e tem a ver com essa forma mais Debochada de de olhar pra identidade e pra Construção política né Eh então quando eu coloco já para finalizar e quando eu quando eu proponho que a gente pense o Marxismo e a identidade mulher como grandes Barreiras identitárias não é porque ultrapassando elas a gente vai resolver o problema da identidade com qualquer coisa que vá após Talvez para mim essa preocupação apareça porque eu acho muito
difícil extrair politicamente na ação política coletiva qualquer Bene do que a gente Tem de acúmulo histórico do movimento de travestis sem que essas identidades não sejam ultrapassadas de alguma forma né assim eh e o que é possível de se fazer e se mobilizar a partir do que é uma ação política travesti e em torno de identidade fica apagada incompreensões sobre as identidades incompreensões sobre o ser gênero no caso mas não só inclusive sobre o ser classe que se que se que se apagam né atrá da identidade e só para citar um exemplo rapidamente eu Eu
disseco isso um pouquinho melhor ainda que Muito pouquinho no texto que eu escrevi para esquerda eh não vou lembrar a edição desculpa da bu tempo mas mas tem um um um caso que eu acho bem emblemático a gente teve na Alemanha em 1920 mais ou menos na década de 20 uma associação de trabalhadoras sexuais foi fundada por duas comunistas vinculadas a partir do comunista alemão essa Associação fundou um jornal Que era escrito pelas trabalhadoras sexuais de Hamburgo fo em Hamburgo e eu não vou lembrar quantos anos de vida esse jornal teve não foi muitos mas
também não foram poucos é o der prang eu não sei pronunciar isso der pranga isso o curtiço em português eh é margem esquerda 33 33 margem esquerda 33 e enfim a gente tem isso na nossa história né e um determinado momento Fui quando eu descobri que isso existiu eu fui louca atrás de entender Quem eram essas comunistas O que quais eram esses jornais o que que eles escreviam né no o que que eles tinham como conteúdo desses jornais e tal e surpresa surpresa a gente não tem a onde eu tive acesso eu vou falar Cielo
né os portais mais mais comuns de pesquisa acadêmica nenhuma produção em português nenhuma sobre o der panger e sobre isso e veja não é nada muito Sobrenatural no famoso para marxistas cartas entre Lenin e Clara zetkin esse Esse isso é mencionado essa Associação é mencionada mas como ela é mencionada amente por Lenin E aí tanto tempo depois ninguém achou que fazia sentido olhar para isso enquanto o campo feminista marxista se degl adia sobre como pensar trabalho sexual parece que olhar para uma experiência concreta de Hamburgo de 1920 construído por duas comunistas que mantinham um jornal
de trabalhadores sexuais não foi relevante suficiente né talvez algo das identidades que compõem O que se entende com feminismo marxista nessa trajetória tem um buraco com um problema né Eh talvez a própria identidade marxista tem um posto aí Alguns filtros do que é pertinente recompor da nossa própria história ou não acho que esse tipo de barreira que eu acho que nos ameaça em grande medida acho que é isso pra gente começa depois a gente conversa [Aplausos] obrigada eu vou passar a palavra pra Maira e como a Maira é a nossa última falae nesse blog antes
da gente abrir para perguntas eu ia dizer que só para facilitar a nossa mediação de perguntas né assim o tempo e tudo mais eu ia pedir para quem tem perguntas para fazer no final escrever num papelzinho bem old schol assim bem analógico é escrever num papelzinho deixar aqui na mesa que aí a gente vai lev várias assim na sequência para facilitar um pouco porque a gente tá com um microfone só e tal e quem tá Assistindo pelo YouTube coloca as perguntas no chat que a gente tem uma equipe de moderadores aqui meus Orient de iniciação
científica aqui no apoio que estão olhando o chat para também eh separar as perguntas pra gente poder debatê-las no último bloco Tá bom então é isso má vou passar a palavra para você e aí eu não sei se vai ficar dando retorno enfim essas coisas mas acho que a Camila eh tá tudo certo né Camila Tá bom então obrigada então Maira bom muito Obrigada marí é uma alegria falar por último porque eu posso colher um pouco a fala também do do Douglas e a fala da Amanda e ver se é possível sintetizar alguma coisa já
com o que eu pensei em trazer né e eu queria até começar um pouco com uma brincadeira aproveitando que você eh chamou a gente de jovem né de jovens intelectuais né E a gente tem aqui uma mulher Sisa uma mulher trans um intelectual negro eh eu queria ver se alguém também pede pro Paul Arantes Falar de forma menos complicada mas não sei né se se é pertinente ou não pensar que isso acontece mas de toda forma eh eu queria eh dizer que o livro do Douglas ele vem num momento muito feliz muito oportuno principalmente para
mim mas não só para mim Eh porque eu também tô trabalhando um pouco com essa questão mais voltada para para pensar as nossas relações de identidade nacional até por conta também de algo que a que a Amanda trouxe né de como que Às vezes os movimentos eles caem em algumas armadilhas contra intuitivo né de por exemplo eh um movimento que se organiza em torno da da violência contra a mulher e acaba pedindo por medidas punitivistas por maior eh segregação dos espaços que as mulheres que os homens frequentam acabam Deixando as mulheres e as Crianças cada
vez mais eh relegadas ao privado fora da socialização dos corpos que seriam estranhos e Perigosos né E ao mesmo tempo a gente vê também Uma certa crítica crescente assim a ideia de do eurocentrismo e de toda a pesquisa né que bebe de fontes que seriam coloniais e aí inadvertidamente de repente a gente vê essas pessoas defendendo uma identidade nacional que é a ideia mais europeia eurocêntrica o possível né então eu acho que tem esse grande mérito assim essa esse livro chegar agora pra gente pensar um pouco isso até porque dentro das nossas pretensões assim acadêmicas
Intelectuais de militância né Tem uma coisa cada vez mais assim eh local tentando recuperar umas passagens um pouco assim de um futuro ancestral né do afrofuturismo Douglas chega a mencionar o sagrado feminino né esse esse maldito mas assim seria eu queria ouvir um pouco o Douglas falando um pouco também sobre isso porque são searas muito difíceis de entrar porque as pessoas são muito combativas muito apaixonadas por esse tema mas é importante a gente discutir Isso criticamente e perceber assim que existem algumas armadilhas Principalmente dentro de alguns tipos de eh essencialismos que a gente vai encontrando
né e é por isso que o feminismo radical não produz nada de novo ele fica só tentando Reinventar o velho infinitamente eh o livro do Douglas ele me trouxe uma uma avada mais mais Gentil em relação à identidade do que eu costumo ter e eu achei isso interessante que ele pensou Que ele trouxe um pouco a questão da identidade como aquilo que se daria no final né de um processo de de vivências de acum de experiências de subjetivação né tipo assim o sujeito que vai se narrando que vai experimentando e que a partir daí pode
dizer alguma coisa de si colher alguma coisa de si dentro dessa passagem do tempo Diferentemente dessa ideia também de uma identidade a partir que a gente é hétero designado pelo outro né a gente já entra na cultura já Com alguns lugares muito bem estabelecidos e às vezes a gente acaba se engendrando assim por alguns caminhos né a partir do que que já tá colocado E aí o que que eu trabalhei principalmente no meu segundo livro que é um livro publicado por autonomia literária que é o fins do sexo como fazer política sem identidade e tentando
pensar um pouco como que a identidade ela foi se tornando uma arqué né um um princípio Comandante eh principalmente Dos movimentos sociais sobre como como que a gente deve se organizar politicamente e quais são as consequências disso aí para isso eu usei Lacan né queer pensar assim que existe consequências lógicas eh dependendo do modo dos nossos modos de entendimento sobre o que que é o sujeito ou seja né Se eu entender o sujeito a partir de uma identidade né de um traço comum uma identificação né intercambiável do grupo que seja uma Violência comum que seja
eh algo que eu vou vou nomear como eh presente no corpo né tipo assim da cor da pele da eh do sexo biológico tipo essas tentativas né de encontrar né um substrato comum isso permite de alguma forma também que a gente consiga fazer uma certa unidade para depois pensar um Universal né E esse esse modo de se pensar a política pensar a organização política ainda que viabilize alguma coisa isso Também acaba ingeção um pouco assim não só o fazer político eh mas também os nossos nosso entendimento subjetivo também das nossas possibilidades então assim eh O
Douglas foi mais na no livro ele chega trabalhar um pouco também com a revolução francesa que é onde eu eu Centre mais na minha análise e no livro dele ele fala também da Revolução Industrial né Desse Marco assim em termos da identidade como gestão mas eu Eu sempre pensei mais Identidade como gestão porque a minha questão com a Identidade Parte um pouco eh por essa visada assim de perceber que tinha uma coisa um pouco um pouco cínica nas políticas públicas né Eh eu sou formada em psicologia pela pela FMG e por muito tempo eu fiquei
muito as voltas com com a psicologia social só que eu tinha a sorte também de participar de alguns coletivos anar istas então isso ia me tensionando o tempo inteiro porque a psicologia social Né atrelada esse trabalho de políticas públicas fico o tempo inteiro pensando o que que viabiliza uma política como que a gente pode formalizar uma política pública né e é sempre a partir das coordenadas do estado é sempre a partir desse estado que ele é um estado gestor né que tenta dizer o que que deve ser feito como deve ser feito e uma tentativa
de de tentar eh enquadrar com comunidade sujeitos né A partir dessa lógica da identidade então assim se por Um lado isso pode ser até interessante assim esses grupos operativos que tentam mostrar assim bom eh percebam que vocês todos estão sofrendo do mesmo mal percebam que vocês todos têm um um interesse coletivo comum percebam que isso que você vivencia não é só na Esfera individual mas é maior né coletivo tem tem lá algum tipo de efeito né interessante assim mas vira um trabalho muito restrito e vira um trabalho também F colocando sempre assim Não só os
movimentos sociais mas todos aqueles que se organizam minimamente assim em relação ao estado a partir de uma demanda uma posição muito querelante num posição muito eh de trabalhar junto com essa gestão Essa gestão existe né então a gente vai operar a partir daí eh e uma coisa que eu procurei pensar era que existem também modos de se fazer política que não estão estão atrelados a identidade porque a identidade ela produz também exclusões e para Além Disso né a gente pensar também assim como que o estado vai organizando essa possibilidade de que os grupos né as
minorias sociais começam a formalizar demandas é que mesmo que a gente tenha né esse esse ideal desa Revolução Francesa de igualdade essa igualdade ela se dá de forma paradoxal né Por dizer quem que é o igual eu tenho que dizer quem que quem que é o diferente assim como no proco de identidade eu tenho que dizer também Qual que é autoridade então assim a exclusão tá prevista a segregação de grupos ela tá prevista então assim se a Revolução Francesa ela permitiu né que alguns grupos minoritários eh se organizassem minimamente para conseguir fazer parte ela é
uma revolução jurídica principalmente né Eh para vocês poderam obter né esse esse título muito bacana de de cidadania eh ao mesmo tempo a gente vê que aqui o já tá posto né são é fazer política com com cartas marcadas Né tipo assim a gente nem é dono do baralho também então Eh é interessante questionar um pouco assim pensar assim os limites da identidade tipo assim o problema que a gente fica acreditando que fazer política é fazer a organização política como se se fosse o grande objetivo da política até porque a organização política não garante ação
política né Tipo assim tem tem sempre essa essa essa tentativa né tipo assim a tá primeiro a gente precisa construir o Nosso neoplan etário para depois a gente fazer revolução né então assim gasta-se muito tempo nisso nessa tentativa de assim de a gente vai gestar uma identidade aqui a gente vai parer essa identidade aí agora sim a gente vai conseguir de fato fazer a revolução a gente vai conseguir de fato fazer alguma coisa melhor e maior né tipo assim a partir desse desse ponto então assim o que que eu procurei eh mencionar um pouco nesse
livro foi como que partindo Da inexistência partindo daquilo que que borre a identidade eh ainda assim é possível fazer algum tipo de política que não seja sempre a partir dessas demandas dos protocolos do Estado E aí qual que é a minha proposta assim que a eu eu distancio um pouco do do Douglas e eu queria até ouvir um pouco mais que que a visada dele que assim na na as feministas da segunda onda tentam estudar um pouco mais a questão de direitos humanos anos da Revolução Francesa né como ess essa revolução jurídica que possibilitou que
algumas minorias começassem a se organizar eh então assim no meu livro eu até falo tipo assim que eh para John Scott por exemplo que é uma historiadora marxista feminista e Este foi o período em que eh eh a diferença sexual Serviu de base ontológica de diferenciação entre os corpos né porque já que agora eu vou ter um território nacional em que todos são eh iguais eh fraternos né Eh e libertos Eu preciso dizer quem são aqueles que não vão participar disso internamente dentro deste grande grupo dos cidadãos né e a partir daí as mulheres viram
internamente um grupo de de cidadãos de segunda classe né E ao mesmo tempo possibilitado também que eh esses valores lindos né burgueses não sejam eh exportados para fora do mundo porque a gente pode marcar o outro né a parte desses marcadores de raça na nossa construção do que que é um povo e Escrevar um outro povo dizendo que é outra coisa né tipo assim dois pesos Duas Medidas ou várias medidas o quanto que o estado achar interessante eh e ao mesmo tempo assim eh ao mesmo tempo que a gente tem esse lado da diferença sexual
o sexual seria aquilo que vem para borrar um pouco essas fronteiras né então assim tem a aí tem a tentativa de construir um corpo sexuado dentro de um corpo social né Tipo seim a gente tem os homens e as mulheres a gente tem a Reprodução social a partir desses corpos né esses corpos precisam eh as mulheres precisam parir depois elas precisam cuidar né E aí a gente tem todos os corpos que não estão obedecendo isso estão atrapalhando o processo normal a continuidade da Nação a figura da mãe né é uma figura muito importante para qualquer
projeto Nacional eh e aí a gente tem o sexual que tem uma uma parte que é completamente inútil e que borra um pouco essas fronteiras né então o que Eu queria ver com o Douglas algumas questões que eu tenho assim eh que eu queria pensar com ele assim queria que ele provocar ele nesse sentido de pensar assim o que que ele ele toma como como possibilidade também da gente borrar as fronteiras até onde que é interessante ou não tipo se a gente tem essas questões de dos territórios né mas assim eh ao mesmo a gente
tem o Freud falando um pouco da possibilidade de uma de uma Internacionalização né tipo assim porque tem muitas discussões a gente dia também que ficam defendendo uma psicanálise brasileira bem Nossa eh eu gostaria de ver também assim como que ele tá pensar um pouco assim essa essa questão toda né Eh de de Israel e Palestina né porque até por exemplo a Alin hun que é outra outra historiadora feminista ela localiza também como que como que se tornou uma questão né os judeus dentro da da Nação já que eles também TM as Suas próprias leis E
aí como que Israel vem depois com uma tentativa também de tipo assim ah é um povo uma raça com a sua lei com a sua língua e aí a gente vai tipo assim fazer um uma neoc colônia aqui hoje em dia né que é uma coisa assim eh eh tentando marcar um pouco essa questão do território né né então assim eu queria queria ouvir um pouco o que que o que que o Douglas eh pensa sobre isso sobre essas questões assim essas questões são muito Contemporâneas também eh essas discussões sobre eh O que que a
gente faz hoje em dia com o decolonial pós-colonial sem cair nessas armadilhas de de ser eh nacionalista aí eu eu acho que eu provavelmente não me estendi Se a Mar puder me sinalizar porque eu tô vendo só meu rosto aqui o tempo inteiro eh bom E aí eu acho que tipo assim eh queria aproveitar então para falar Também assim até que o Douglas faz umas considerações que eu achei muito interessante no livro também dougas que você se aventurou em ler eh filósofos conservadores e da economia que deve ter sido assim um super trabalho assim um
trabalho hercúleo eu achei super interessante assim ler um pouco essa parte de como que é virtude encontra Fortuna né que eh eu não sei se alguns colegas meus compartilham Do mesmo do mesmo incômodo que eu tenho de às vezes Achar assim que eh a direita produz argumentos muito burros mas ao mesmo tempo eh em algum nível eles são bem sucedidos também nesse nesse eh nesse capitalismo de gestão sabe os nossos projetos nacionais os nossos projetos enquanto povo né Eh eh mas eu achei super interessante essa essa parte que você eh trabalhou no livro e a
outra coisa que eu queria falar que eu devo ter me perdido aqui porque eu fiz muitas Eh fiz muitas anotações Ah sim eh que eu achei muito esse eh você foi até tema da minha análise indiretamente né porque eh essa questão toda também que surgiu né junto com os posts assim né em torno desse desse falar difícil né Eh se tava escrito de forma muito difícil muito complicada né Tipo ess esse alvoroço todo e você ter eh sustentado a sua a sua posição eh Foi algo que foi muito interessante para mim porque assim eh o
tempo inteiro a gente a gente é chamado Né para para falar de forma um pouco mais acessível né e assim eu acho que a princípio a gente julga que a gente tá sendo acessível né às vezes quando eu fico até um pouco surpreso com algumas pessoas que que tem alguma expectativa de alguma coisa vir muito eh mastigada mas assim alguém que eu acho que facilmente conseguiria ler também se se se debruçarem um pouco mais e existem temas também né que tem que tem certa complexidade que exige maior tempo né a Gente não precisa entender tudo
de primeira também eh mas eu achei muito eu gostei muito da sua da sua posição também que a gente pensa pensar assim que a a figura do do intelectual né que a gente também enquanto enquanto classe né enquanto classe o tempo inteiro eh eh colocado em cheque né que a gente tá servindo algum algum algum interesse oculto ou então que a gente tá numa Torre de Marfim ou que a gente não Tem eh utilidade nenhuma a gente não dialoga de Fato né com os movimentos sociais a gente não fala a língua do Povo né Essa
essa língua mas reaciona possível e esse esse lugar assim a gente nós temos excelentes comunicadores hoje conseguem fazer todo um trabalho de de transmissão de tradução mas o papel né tipo assim do intelectual mais do que comunicar e transmitir tem que ser Forçar forçar uma gramática nova forçar as pessoas a Pensarem e enfim né tipo assim te agradecer por ter se posicionado eh por aí acho que é isso que eu queria falar vamos lá vamos lá Obrigada Má você viu que a Maira fez uma armadilha né ela ia falar daí ela começou a colocar o
Douglas aí Douglas e a desculpa apertei um negócio aqui no computador é mas muito bom você consegue ver a gente mas tá vendo pelo YouTube só s é que aqui a câmer a camerin não tá do computador não Tá funcionando é eh infelizmente né a gente queria botar uma câmera para ela poder ver a gente aqui enquanto ela tá falando pelo menos mas não deu eh é sempre muito bom ver vocês três e não é à toa que a gente se tornou amigos também né Não só por várias afinidades intelectuais políticas hã etílicas né cachaceiras
mas [Risadas] também não Amanda Eh mas também porque essa essa essa costura né que vem do debate com cada um desses três movimentos sociais muito centrais para para essa análise e para esse debate hoje em dia ele sempre é sempre muito instigante a gente pensar né eu Antes de ler tem três perguntas que chegaram quem mais tiver pode passar pra frente as perguntas tá não se acanhem a gente adora perguntas não existe pergunta ruim né que nem a gente fala Na graduação PR os nossos alunos Não tem pergunta errada não tem Pergunta boba não tem
pergunta ruim ru eh eh então Antes de ler algumas perguntas eu queria fazer algumas colocações e perguntas também eh estimulantes aí pra gente continuar o debate né vou pegar um gancho com algo que a a ma colocou agora né sobre o essa questão do falar difícil né Que bom quem nunca ouviu essa né já como eu falei no começo acho que não sei se estava transmitindo já no YouTube se tinha chegado mas Eu Mencionei até né que a Amanda por exemplo é uma pessoa que não não tá não tem nem a graduação completa uma pessoa
que tá dialogando o tempo todo com a Talvez o o setor né da nossa sociedade que mais dá para você dizer que tá no que é o povo que tá na né na marginalização da marginalização que são as travestis eh que trabalhava com população de rua e as pessoas dizem que ela tem uma linguagem muito acadêmica né Muito difícil então você fala gente esa Tem umaa coisa aqui que não tá não tá batendo né Eh e eu acho que tem uma uma uma então que junta um pouco essa essa inquietação que a Maira trouxe com
algo que a Amanda falou e que o Douglas também falou por esse lado que é hã o fato quando a Maira diz assim que o estado ele captura né de alguma forma essa essas formas de identificação de criar essas identificações eh pretensamente estáveis bem Essa história especialmente pós anos 80 aceitam que essa é a missão deles e pronto que o horizonte é a política pública e não que a política pública é uma ferramenta para outros horizontes né E para por aí eh e aí essa questão de identidade vem com uma grande força né nessa construção
eh isso ã isso é uma coisa muito latente e que entra um pouco eu acho nessa nesse debate pra gente pensar Então qual que é o efeito disso né que é Isso é o estado estado quer dizer o estado sempre foi nesse processo que o Douglas estava descrevendo da identidade como uma ferramenta fundamental da operação ideológica da colonização né o estado é a ferramenta política né digamos da operação colonial de alguma forma né Então essas coisas não estão separadas obviamente né Eh fazendo aí um parênteses que conecta um pouco com as coisas que eu venho
investigando a gente tem Inclusive a Divisão entre estado e família né como um princípio fundamental de organização dessa sociedade também por isso né então você eh você precisa dessa Essa essa fantasia de que há uma divisão público-privado né E que ela é algo fundamental que deve ser operado e performado o tempo inteiro que deve ser resguardado etc como uma forma também de continuar essa eh essa manutenção né então acho que isso é uma coisa Importante que a AM pontuou e que alinhava muito assim mas que se você for parar para pensar eh concretamente o que
a gente vê e acho que o caso do do movimento de travestis eh e do movimento negro muito mais especialmente do que o movimento feminista porque o movimento feminista ele é um movimento de origem histórica burguesa sim ninguém não dá para não dá pra gente fazer de conta gente que não é quando eu dou aula de introdução aos Estudos feministas nossa primeira aula é revoluções burguesas como que aparece a construção da mulher Mary Stone Craft o lump de G dentro da construção de uma sociedade burguesa aquilo ali começa né ideologicamente quer dizer que necessariamente ele
é burguês que não dá para não não quer né a gente tem todo um desenvolvimento aí 150 200 anos aí que é pra gente eh que isso essa coisa foi se transformando mas Essência ele é um Movimento Originalmente eh de burguês né Eh que tá muito ligado com a a a construção ideológica da fundação de uma sociedade na qual a burguesia passa a ser a classe dominante Ah o movimento de travestis e o movimento negro né Tem uma característica muito eh diferente disso né o oposto disso né que são movimentos que eh que vem justamente
de uma construção política ó lá eles gente de uma construção Ah tá tá confo amiga achei que não sentia não S Brincando eh eh eh o movimento de travestis e o movimento negro eles essencialmente vê de outro lugar nesse sentido né Eh e se você for pensar tem um acúmulo histórico de grandíssimas contribuições teóricas quer dizer ninguém precisa eh falar no linguajar da filosofia eh tradicional teórica para para produzir né teoria inclusive toda a briga que a gente tem por democratização popularização da Universidade por cotas né ações afirmativas etc é o princípio De que se
a universidade ela acolhe né pessoas que são negras pessoas travestis pessoas não binárias pessoas que vêm de origem né social mais pobre etc o a própria produção do conhecimento é capaz de se transformar com isso né porque as pessoas elas não vê lisas pra universidade elas adquirem o grande saber o sol Como é que é o sol da Razão do heel e nessas instituições né existe uma produção de pensamento sobre o mundo de né de de filosofia de entendimento do Mundo de epistemes variadas e tal então acho que esse é um ponto importante que alinhava
muito o que vocês três trouxeram eh e aí eu queria só e pegar um gancho último da Maira para fazer uma colocação que eu vou tentar ser rápida porque isso eu já escrevi em outros lugares quem quiser aprofundar pode ler eh mas que essa questão de quando a Maira faz essa provocação de tipo tá bom Douglas Então a gente vai por onde né Essa armadilha dela aí é tipo Então a gente vai por onde faz o qu né acabou acaba o estado nação sei lá né qual é qual qual qual a tática da qual a
gente pode dispor para desmontar um pouco né Essa essa estrutura de entendimento das coisas que faz parte de uma operação que ainda é Colonial que ainda enfim tá baseada na super exploração e na exploração eh da grande maioria das pessoas e tudo mais e eu vou voltar para rapidamente jogar aqui no Balaio da Provocação esse textinho que eu escrevi que você prefaciou Douglas que fala sobre bissexualidade né E tá publicado em forma de e-book de uma maneira um pouco mais acessível para quem gosta de coisas acessíveis que é chama ebsm mas também tem um artigo
publicado num periódico que daí já é um linguajar um pouco mais Eh rebuscado aí nos termos formais da da da coisa que tá na revista brasileira de estudos da homoc cura e se chama notas para o materialismo balé eh E não sei se você vai lembrar quando a gente estava discutindo esse texto né Mas eh e é uma um motivo pelo qual esse trabalho que eu que eu que eu fiz de teoria bissexual dialoga com o trabalho que a Amanda mencionou que ela escreveu sobre a a as travestis na margem esquerda número 33 na revista
margem esquerda 33 eh São textos que dialogam muito e que tem a ver um pouco com essa ideia de que tudo bem Existem algumas categorias de Identificação e de identidade que são impostas étero impostas n com eh descreveu bem com essa expressão né impostas pelo outro a um certo grupo eh e que são utilizadas como uma ferramenta de redução ali daquilo mas mais tem algumas eh elaborações ou criações Eu gosto da da ideia de criar né Eu acho que muita coisa do que a gente diz eh tem a ver com a ideia de que é
preciso o espaço de criação a gente precisa lembrar que Existe um certo espaço de criação nessas dinâmicas né Eh e existe um uma uma certa dinâmica que é capaz de criar também dentro Eu tô tentando organizar Aqui quando eu falo dentro da da de toda essa essa esse Balaio aí da dos processos de identificação identidade identitarismo e e tudo mais que é a criação de algumas identidades que se reivindica E aí fica aqui o parêntese pra gente pensar se dá para classificar Elas como identidades por conta dessa característica específica aqui que eu vou dizer que
talvez não dê por conta dessa característica eh mas que são a princípio identidades só que elas eh T uma definição indefinível do indefinível né Elas são impossíveis de abarcar porque elas são a a a característica Central delas é de uma possibilidade infinita de criação dentro delas ou seja uma possibilidade Infinita de não de de de alteração de contradição de modificação de adaptação então o limite se é que há quando há é um limite muito pequeno e eu trago como exemplo nesses dois textos que Eu mencionei a identidade né a bissexualidade e a travestilidade porque são
dois lugares que estão dentro do sistema de gênero que a gente tem nessa sociedade né são dois lugares que eles estão nesse lugar de uma adição de possibilidades o tempo todo né Não é você é isso a coisa do é do do sai daqui né então não é não é o fato de ter um limite de negativo do tipo a gente sabe o que não é travesti ou o que não é bissexualidade não significa que haja uma construção de posição de uma positividade do tipo então a gente consegue fazer uma definição aqui do que que
é a verdadeira travesti versus quem não é travesti O que é o verdadeiro bissexual versus quem não é bissexual muito pelo contrário são Construções de lugares que estão dizendo sempre dá para ser isso e isso e isso e isso e é uma adição infinita e simultânea né E são construções de lugares que estão baseados na simultaneidade por Essência né E essa simultaneidade quase infinita é difícil dizer infinito né é um exagero mas é quase infinita ela cria talvez talvez eu esteja sendo muito otimista para variar normalmente o Douglas é o otimista da relação aqui mas
talvez eu esteja sendo Um pouco otimista mas ela cria a porque ela cria a possibilidade de desestabilização né E cria a possibilidade de que as regras do jogo sejam questionadas porque as regras são todas sempre baseadas porque são normas né Especialmente quando a gente tá falando de gêner sexualidade ela é todo tudo é baseado em isso pode isso não pode isso é verdade isso é mentira isso é o Né o o então a gente desestabiliza um pouco porque fala tudo bem mas e pode Ser isso ei isso também é isso também é isso tudo que
aparentemente eram contrariedades você eh Abarca Então não é só uma questão de abarcar possibilidade de contradição porque isso toda a identidade tem mas talvez abarcar a própria contrariedade né Falando em termos reggeli anos aqui eh em si né Eh como uma uma ferramenta então é um pouco essa provocação que eu queria fazer eh e aí vou ler aqui as perguntinhas rapidinho se preparem Eh pergunta para Amanda dois pontos né para fim de construir uma luta coletiva pelo fim da opressão dos corpos como articular a identidade subjetiva como identificação coletiva boa Legal essa pergunta quer que
leia o nome quem fez quem fez Gabriela Macedo eh mais uma aqui pergunta para o Douglas a impossibilidade lógica do princípio de identidade pode impactar a produção científica positivamente ou Negativamente na sua opinião é ótima essa pergunta Gabriela Macedo também Gabriela Macedo Queen das perguntas aqui hoje é só filha at essa já de graduação tá entendi mas ó boa as perguntas muito bem É porque Macedo né já fale ó lá sua filha seas sobrin pergunta para ma a recriação de uma identidade para as mulheres no século XX abre aspas mulher independente Fecha aspas é produto
de um debate feminista ou de uma produção capitalista assumindo que são coisas diferentes mas tudo bem criação ou recreação a criação a criação Ah não desculpa a recriação recriação com r e c r a c a o t se se di recriar de recriar isso eh e aí tem mais uma aqui que tá sem nome então vou ler eh sem o nome da pessoa um anônimo é bom anônimas Eh mas você viu aqui né quem foi Douglas Quais são os efeitos para a luta política da reivindicação de identidades dominantes pelos grupos oprimidos alguns exemplos reivindicação
das cores da bandeira na parada LGBT eh a reivindicação da figura do pai e mãe da família por famílias LGBT Boa pergunta quem faz a pessoa adorei Obrigada ou até mesmo da figura do conservador de todos esses grupos por figuras públicas de direita excelente pergunta também e perguntas do YouTube temos duas Olha tô Me sentindo muito influencer nesse momento gente eh duas perguntas do YouTube aqui eh Isabel Norberto pergunta como reivindicar direitos além das políticas públicas sem abandonar a crítica ao estado a revolução sexual de gênero iminente depreciado é viável ainda neste século ou é
só otimismo burguês gente As perguntas são sempre a melhor parte é como reivindicar direitos além das Políticas públicas tá escrito aqui amiga não precisa copiar não você pode pegar o papel e ler se quiser eh Então vou vou não vou ler de novo ess esse lit a gente passa o papel houve também uma discussão no YouTube aqui eh sobre a questão da linguagem e comunicação das ideias clareza né não teve nenhuma pergunta mas o pessoal deu uma discutida ali no chat essa coisa do F que imagino do falar difícil né É bom que a butler
né quando ela escreveu a Edição mais recente dos sujeitos do desejo que ela tá discutindo Hegel né todo mundo sempre todo mundo sempre é fão também todo mundo sempre falou que a b ah porque a butler escreve difícil porque o problema de gênero porque você não entende né e todo mundo sempre fala que o Hegel também Ah porque eu Hegel escreve difícil porque é muito difícil não sei o qu E aí quando a butler escreveu o prefácio do livro dela sujeitos do desejo que é na verdade a Tese de doutorado dela acabou de sair em
português Enfim uma tradução maravilhosa inclusive Carla Rodriguez beijo Eh eh que que tá enfim novinha fresquinha aí para quem quiser de Natal também e que é uma análise da recepção da obra do Hegel na França que foi o tema de doutorado da butler ela escreve todo uma introdução explicando porque que a escrita do Hegel É do jeito que ela é né então ela faz toda ali uma uma discussão de Por que a escrita do Hegel é desse jeito que nos Parece tão difícil E por que que nos parece tão difícil também que é uma coisa
legal que ela pontua vou passar já porque senão vou ficar aqui comentando a butler no éu ponto né mas o Douglas leu muito mais regg que eu também Oi pox abaixar talvez é abaixar também obrigada bom só uma questão importante antes de iniciar o Hegel acreditava profundamente que ele tava falando de maneira Popular Quando ele escreveu A fenomenologia do Espírito ele acreditava realmente que seria um best seller levou 10 anos não tinha esgotado a primeira edição ainda tinha vendido 900 cópia uma coisa assim então Eh bom eu vou começar então sobre a questão do falar
difícil né Eh bom tem uma questão para mim que é muito importante assim eh a forma como nós elaboramos a respeito dos conceitos e teorias que a gente utiliza ela advém Do próprio problema evocado pelo objeto né então a forma como nós falamos acerca de um objeto tá muito correlacionada à complexidade com o próprio objeto eu acredito hoje que há uma certa eh ideia de que muitos conceitos que acabam se tornando para bem para mal popularizados né Eh são fáceis por exemplo o que mais me o que eu mais tenho a impressão é de que
algumas pessoas Acreditam que a ideia de identidade tá posta né quer dizer primeiro como se a ideia de identidade fosse algo do Século XX e não daquilo da história um conceito que acompanha a história né da humanidade enfim quer dizer a gente pode pensar a relação com a identidade desde a lógica até a ética passando sei lá pela República de Platão banquete enfim quando se instaurou a forma filosófica de pensar esse problema Já emergia então a identidade é um conceito né muito debatido né apesar da sua relação problemática que ela tem com a nossa atualidade
né então é essa questão quer dizer a forma como o E aí eu acho que isso tem a ver também com a com uma certa tradição né que eu vou chamar de tradição dialética que vai se apresentar nesses pensadores por exemplo fanon nã vai se apresentar em Hegel evidentemente mas também Lacan né além ainda que Lacan Faça muito a sua a sua relação de performance o fato é que a forma como lac escreve como expõe os seus seminários está muito ligado ao objeto sobre o qual ele tá falando que é o inconsciente né então a
eh essa só para então demonstrar porque eu não saí da minha posição né É porque o objeto escolhido demanda uma certa linguagem né demanda uma certa abordagem gramatical e o complexo e os complexos que essa Gramática evocam né Então nesse sentido não e aí é muito interessante porque é claro que isso é um sintoma né e bom sintoma entendido como aquilo que produz laço né quer dizer isso é um sintoma do nosso tempo também que é um tempo da aceleração né em que o o a o totalitarismo da né organizado sobretudo pelos dispositivos interconectados que
carregamos dos nossos bolsos né esse totalitarismo da imagem Obliterou né ou tem obliterado não obliterou porque nós estamos aqui Resistindo né mas mas tem obliterado a capacidade mesmo de uma reflexão mais elaborada e demorada é claro que isso não não tô culpando aqueles que me xingam né Eu acho até até que é não na rua é diferente né na internet todo mundo né mas mas a A grande questão é que há uma aceleração da vida né Há Uma um predomínio da imagem que oca a redução do tempo reflexivo diante da palavra escrita que faz com
que as coisas tenham que ter a instantaneidade isso claro que isso vai tem vários de certa forma Eugênio but né escreveu um livro A Super indústria do Imaginário eu acho que todo mundo deveria ler esse livro porque tem algo ali que é muito importante que é como essa instantaneidade da imagem que reduz a nossa a a nossa o nosso tempo da parada Na palavra em relação à palavra escrita né ela tá totalmente atrelado a a essa forma desse dessa nova figura do capitalismo né e eu acho que ainda leva algum tempo pra gente entender os
impactos né dessa produção instantânea dessa relação instantânea com a imagem e assim num tempo acelerado que a gente vive é claro que todo mundo quer respostas prontas né Não Há Tempo a Perder diante da parada reflexiva só que que aí é muito estranho que a esquerda Né que ou não vou falar a esquerda né mas parte da esquerda né recaia nessa armadilha né Porque isso é uma grande armadilha porque enfim primeiro que a dominação do Capital sempre se exerceu sobre o nosso tempo né O que o capital nos tole na verdade é o tempo de
vida né a sua riqueza é produzida sobre a expropriação do nosso tempo e Quem disse isso não fui eu foi Carl Marx né né então Essa essa Veja pelo fato mesmo de nós estarmos numa outra relação com capital sob as mesmas bases uma relação mais acelerada eu explico isso no livro também né como como que haek friedman vão triunfar sobre o novo tempo do mundo né Eh a esquerda deveria optar pelo contrário Na verdade o que no o que sempre assustou os proprietários as classes Proprietárias foi justamente a possibilidade que a esquerda tinha de organizar
o tempo da parada né quer dizer E aí por isso o vida além do trabalho se por um é algo que deixa os deixa assustadíssima de se reapropriar do tempo parando né para refletir é algo inerente à esquerda só que ao mesmo tempo essa esquerda que parte dessa esquerda que deveria optar pelo tempo de parada de reflexividade de colocar boas perguntas e não ir a cata De respostas prontas né Essa esquerda na verdade entra né nesse de Roldão nessa armadilha das respostas prontas que é uma armadilha né evocada pelas formas de consumo da imagem no
tempo presente quem vai pensar isso também não sou eu é guide debor né quer dizer quando a gente se deixa cair na sociedade do espetáculo sem tomar distâncias né a gente é engolido e enfim a gente já perdeu de saída então por isso a minha de falar difícil não porque primeiro não Porque eu quero falar difícil mas porque o tema é difícil mesmo você quer que eu fale o quê que identidade é o qu é o eu igual a eu né a correlação entre o nome e a coisa não é não se trata disso mesmo
falando nso já ficou difícil né Então Então veja esse é o ponto o assunto é complexo né E talvez p o que toda a raiva que me é dirigida é uma raiva que não erra o alvo porque o problema não sou eu o problema não se Ter tempo para refletir agora achar que pelo fato de que eu tenha tempo para refletir eu sou um privilegiado não isso aqui é uma conquista de direito que me atravessa e que vem antes de mim né quer dizer só estou na universidade pública tendo tempo de estudar porque todo o
movimento lutou tomou borrachada da polícia aqui mesmo na USP né para que as cotas viessem e a gente pudesse sentar aqui e levar a sério o Ofício do aprendizado e da reflexão né então Privilegiado não por favor nunca fui continuo Moran Itaquá não por bairrismo porque eu não né mas eu gosto de lá também né da minha quebrada então assim privilegiado não por favor me respeite a minha história a importância também das fotas trans exato exato A grande questão é eh eu acho que a grande questão para nós é organizar o tempo de parada sempre
foi né por isso que as greves sempre assustou sempre assustaram Quer dizer como assim né parar não dá bom então por isso minha posição não falo difícil por gosto né eu falo difícil porque o objeto demanda uma experiência intelectual reflexiva algo detido com as palavras de tropeçar no reino surdo das palavras se deter ter goso por isso gostar da dificuldade né e enfim A negação que nos forja e aí bom vou não sei quanto temp Mas fechar auditório às tá não vou tentar é porque a maa me provocou Algumas coisas bom vou falar vou falar
de maneira a maa devia estar no é vou falar uma coisa rápida assim a queimar roupa bom o identitarismo é uma armadilha eh tô dizendo isso porque bom Amanda palha Marilia eh a Rita vron o Guilherme é é muito interessante vou só contar uma pequena experiência rapidinho antes de né que o livro é uma crítica ao identitarismo né só que levando em consideração as determinações que e os complexos que Organizam o identitarismo portanto a ideia de levar em consideração o pensar sobre a identidade foi fundamental né agora sabe uma coisa curiosa que as pessoas que
não leram o livro mas pelo fato de eu ter chamado a Rita né para para o lançamento olharam uma uma drag né e um não Branco falando sobre identitarismo logo são identitários né essa mesa aqui é é não essa aqui é enfim né da ccia deve a cia Tá est nos financiando então só para dizer de saída que o identitarismo é uma armadilha fundamental que tem obliterado a experiência política radical dos movimentos né e e eu tô falando isso porque eh mais do que quando a gente pega as críticas que se fizeram ao identitarismo até
agora são críticas que eu vejo com um tom politica o que eu quero dizer com isso Parece que alguma forma de um sujeito translúcido coletivo que opera nos movimentos sociais e que dá as coordenadas desse movimento é como se os movimentos sociais resolvessem simplesmente se tornar identitários né A minha proposição vai a contra pelo né é uma proposição que se baseia na formação econômico-política interna ao capital né então o identitarismo para mim N E é isso que eu vou defender nesse livro ele Não é um ato de escolha deste ou daquele movimento Mas é uma
imposição de uma logística engenharia social de um capitalismo do capitalismo contemporâneo do capitalismo tardio pós-fordista N E aí tô falando isso para dizer Maira né para chegar no ponto da da Maira que a para mim não há política de identidade né para mim o que H é gestão da identidade né Por que que eu tô dizendo isso e agora todo meu rococó Com licença né porque eu vou falar de Hegel né Eh a tradição do pensamento filosófico né ocidental e assim bom vou falar de hego não porque eu amo heigel assim de um pouco sim
mas né Tem uma questão ali que é né África né é que é bem complicado quer dizer eu vou falar de Rig porque eu acho eu acredito piamente que Enquanto estivermos no capitalismo Hegel vai est como fantasma né organizando o horizonte político do Pensar o eu o outro a diferença enfim vocês já sabem Foucault já cantou a bola dos anos 70 né que você tenta fugir do Hegel pela porta ele aparece pela janela então por isso que eu vou falar de Hegel para falar de política como eu entendo a política né e enfim como o
Hegel de bordean lacaniano né minhas identidades eh eu não eu não poderia né deixar de que essa influência se perdesse no livro né A minha proposição no livro Aliás não há Proposição no livro que é identitarismo ma você deve ter percebido isso né ela termina assim com canto gospel com com o Hino da arpa cristã ou seja não não há bem do bo não há não há uma proposição porque de certa forma isso tá tem a ver com a tradição da qual compactua que enfim a coruja de Minerva sempre chega nas Ruínas da história O
que que a a gente vai falar né das Ruínas Então o que eu proponho no livro é falar das Ruínas Para provocá-los né mas tem uma questão aí que enfim O que há na identidade é as formas de gestão isso implica que não há política e aí eu evoco o reig porque desde que o pensamento político de certa forma se projetou agora na modernidade mas não na antiguidade na antiguidade havia o espírito da Utopia Platão República para mim já já tem essa coisa né utópica do por o bem enfim tudo isso aí mas em Hegel
Né eu tô falando de Hegel porque isso também estará em Marx N A ideia é que a política se projete por um dano ao espaço de visibilidade que destitua o próprio espaço de visibilidade quer dizer de certa forma o campo da política é o campo do conflito sem sem resolução no campo em que se organiza a visibilidade política Né então a política É nesse sentido sempre conflito e o rococo é porque o o heiga vai chegar nisso via antigo né né Eh para mim esse gesto da política é o que mais importa que é bem
enfim não sei se vocês conhecem antígona mas antígona sófocles teologia teb trilogia tebana eh o grande passe da política era enterrar ou não seus irmãos o seu irmão que tinha morrido tinha sido assassinado pelo outro irmão creonte baixou edito Não vai enterrar antigona Falou vou enterrar sim senhor chamou a esmenia esmenia você vai comigo enterrar nosso irmão a esmenia falou Olha gente é só mulheres eu acho melhor a gente não mexer com isso que que a gente pode fazer aí ela falou ah então não você é bunda mole eu vou enterrar meu irmão e a
despeito do que aconteça porque isso é um direito sagrado né veja quando a antigona fala isso quando Ela se posiciona né a despeito do edito o que ela evoca é a ética né quer dizer o princípio ético da memória aí tem toda a relação do porqu enterrar né essa posição da Antiga é uma posição que destitui o campo da onde se opera a lei onde se opera o direito né E como a gente sabe alguns né mas outros não sabem então Leiam sófocles né creonte tinha baixado o edito creonte era o tirano A antigona vai
até o fim e fala bom você quiser me matar me mata mas eu vou enterrar hã veja que isso tem uma coisa muito importante né Para quem passou pela pandemia ou para quem tem teve seu filho a assassinado ou para aqueles que perderam né o os seus entes queridos por exemplo na ditadura eu acho que agora tá muito marcado né que é bom vou enterrar vou destituir esse espaço de visibilidade é isso que Acontece mesmo criante morre antigoa morre aplis acaba né quer dizer o conflito sem resolução no espaço organizado eh da onde essa lei
que não era legítima Hegel vai pensar portanto a política como espaço dessa singularidade que destitui o processo de identificação né E que organiza uma implicação com o outro tudo bem Falei difícil Agora vou deixar mais mais tranquilo usando o exemplo contemporâneo Rosa par aer [Risadas] uma rosa parques né o que que acontece com o rosa Parks anos 50 Estados Unidos em pleno aparthaid né ela entra num buzão tinha lugar do branco e um lugarzinho lá pro negro lá tava ocupado já os lugares dos brancos estavam desocupado ela se senta nesse lugar do Branco né bom
isso causa né vai vai sair agora porque aí não é o seu lugar enfim é isso que vai dinamitar Aquilo que a gente entende no meu ponto de vista erroneamente como a a Luta pelos direitos civis mas que na verdade era uma revolução inclusive uma revolução socialista no império no interior do império né que depois eles vão adocicar inclusive fazer em Washington vários memoriais né Para todos que eles mesmo assassinaram né Então vai est lá Malcon x vai est Martin Luther King né Então veja esse Princípio ético né quando Rosa Parks ela senta ela não
tá evocando um princípio identitário da sua diferença ela está dizendo eu tenho uma bunda e eu vou sentar aqui porque eu estou cansada ela está focando a humanidade Esse é o ponto fundamental que eu acho que se perde né quando a gente vai caindo nessas armadilhas do identitarismo né que vão evocando uma tentativa de saída pela gestão da Identidade né Então veja eu é esse o ponto para mim Maira só e aí encerrando uma questão quer dizer a política para mim é sempre tem sempre a ver com uma implicação genérica né daquilo que evoca uma
pauta singular Por exemplo quando a gente fala em antirracismo a gente não tá falando de uma coisa que é dos negros né a gente tá falando contra o processo de racialização que inclusive hoje organiza A catástrofe em Gaza percebe então a grande armadilha para mim é a gente acreditar que por exemplo a luta indígena a luta racista antiracista né Ela é uma pauta identitária Esse é o o grande o grande problema né que muitas vezes é apontado como a Amanda falou de maneira muito boa deixou claro né quer dizer esse essa ideia de que vamos
voltar à Universal vamos voltar à identidade Nacional ao mestiço como tá muito né agora né a paridade como percebe aqui a gente tá evocando nada mais nada menos do que o mesmo princípio desse estado gestor que é o estado gestor identitário E aí bom você pediu agora eu encerro rapidinho né Eh tem uma questão talvez importante que aí eu acho que todos nós Devíamos nos implicar com ela que é a transformação do modo de gestão do Capital no último na última quadra do século XX organizou Um outro tipo de estado que não era mais aquele
estado patrono defensor das Indústrias nacionais etc etc o estado agora ele tem uma nova característica que é se tornar um gestor e organizar a capacidade de se rentabilizar ante investidores é por isso que as agências reguladoras externas ao Estado Nacional são fundamentais para que o estado se mostre rentável Daí vem todos os mecanismos que Fernando Henrique vai organizar muito bem que não será Questionado por pelo governo de esquerda que repousa na lei de responsabilidade fiscal e na austeridade como uma Norma bom dito isso esse estado que é gestor empresário e e e rentista ele precisa
evitar o conflito político né uma das grandes características não previstas por haek o Milton friedman Mas enfim eles até tocaram algum ponto e eu tive que lê-los né Foi um sofrimento mas Eh uma das características que foram excessivas ao que eles proporam foi que para esse estado ser rentável ele também deve evitar a todo momento qualquer conflito político portanto é um estado contrainsurgente permanente né é um estado policial que inclusive nos coloca para policiarmos uns aos outros né daí é a grande questão que a gente vê nas identidades concorrenciais na consolidação de fronteiras que se
organiza também pelas Políticas públicas daí veja então esse estado que é gestor empresarial rentista Ele também é um estado identitário ele não é o estado Nação da era fordista daí que para mim o maior modelo do Estado identitário hoje é Israel Israel é um estado identitário étnico organizado por o sionismo que é uma teologia né que tá nesse momento massacrando a olhos vistos quer dizer Nós assistimos o genocídio nos século XX bom era isso com essa palavra [Aplausos] Deus gente minha cabeça é um Cal você soubessem eu comecei a anotar a eu falei não isso
daqui Lembra essa pergunta aqui eu não sei se eu vou entender minhas anotações agora mas eu vou tentar eh primeiro queria passar rapidamente sobre a questão da linguagem do falar difícil eh dois pontos um que eu acho que é Muito simples e que parece que a gente esquece né né ou Parece que esquece-se com frequência que linguagem é ferramenta ela serve para que a gente precisa né se eu vou escrever um panfleto eu preciso ser facilmente lida se eu não vou escrever um panfleto essa necessidade ela cai para segundo terceiro ou quarto plano e outras
emergem se eu vou escrever né secar uma uma categoria filosófica eu talvez não consiga ser facilmente compreendida Porem não tem um acúmulo específico e que permita aquela leitura mas tá tudo bem né de repente você não precisa ter E aí você acumula e você consegue um dia de repente essa não não é sua área e talvez você não precise nunca fazer isso aquele livro Só não é para você ou de repente é aquela área ou é tua área é teu interesse você talvez precise acumular outras coisas até acompanha aquela discussão tá tudo bem quem precisa
ser facilmente lido por todo Mundo é quem tá escrevendo um panfleto ou uma cartilha ou um manual né esse livro não é um panfleta nem uma cartilha nem um manual Então essa pergunta não faz nenhum sentido para mim essa essa cobrança eh mas isso tem a ver de fato com essa demanda que parece que é própria do nosso tempo de que tudo precisa ser uma manual tudo precisa ser um panfleto né tudo precisa ser muito rápido como tu colocou né Eh e a gente parece que Esquece que a a a instantaneidade ela é burguesa Porque
qualquer coisa que eu preciso simplificar para ela caber na compressão rápida eu não vou conseguir fazer isso sem apelar pro senso comum e o senso comum é burguês né conseguir construir uma compreensão uma elaboração sobre algo qualquer objeto que seja que seja o positivo a forma de entender o mundo burguesa vai demandar operar mexer com com ideias e conceitos que eles são contra intuitivos pra gente para todo Mundo não é contra intuitivos pro povo como se o povo fosse essa coisa de fora da qual eu não pertenço sabe tipo mano vai se desculpa eh é
cont intuitivo pra gente é um exercício constante pra gente saca então eh tem tem além da óbvia importância política de de estimular que as nossas né e os nossos e quem conhece as dores que a gente conhece façam esse exercício né abrir mão desse exercício tem um custo político gigantesco né E aí a Gente tem tava a gente tava conversando isso com Marila mais cedo para usar um exemplo bem até assim menor eh na monogamia é uma discussão muito importante para mim há muitos anos né E a gente tem hoje uma coisa que é surreal
que é uma efusão tão grande de eh manuais que a gente chegou numa não monogamia onde é moda não transar não faz nenhum sentido nenhum sentido uma perspectivas conservadoras pessoas com relações eh Fechadas e dizendo que Mas elas se identificam como não é sim e no sentido de que assim é tão é tanta é tanto recurso ao senso comum para simplificar para divulgar que a coisa vai ficando conservadora e você não percebe e de repente com toda uma linguagem que paga de né assim super ah antis sistêmico não sei o que mas você vai ver
o conteúdo é conservador é reacionário tá Aquela coisa né assim reprimida sexualmente coisinha não pode ter desejo não pode Ter tesão Não Pode Não sei o qu não são são expressões usei esse exemplo porque é foi uma memória recente essa conversa mas é porque isso assim a gente conservador ia nossa discussão sem perceber quando a gente simplifica demais sem sentido né escrever manual cartilha eh panfleto É muito difícil você exige um domínio de língua escroto surreal saca surreal por isso que não é qualquer coisa que tem que virar manual não é Fácil fazer isso não
é simples fazer isso e eu queria aproveitar e recomendar uma leitura muito difícil de um livro chamado Neca da Mara moira foi publicada a segunda edição recentemente ele teve um uma versão menor publicada pela companhia das Letras H um tempo atrás tive a honra de prefaciar e recentemente eu não vou lembrar Editora vocês me desculpem desculpa Mara eh que é um romance é pela compet let também ah perfeito Obrigado que é um romance Escrito em pajubá provavelmente dificil muito ser lido porque não tem familiaridade provavelmente um livro muito Burguês mecânica exato eh segundo ponto que
eu queria colocar eh bom não falei da questão da tá da questão do entendimento de como desmontar as coisas e como pensar táticas né assim nessa nessa contradição que é a gente pensar a nossa experiência da do que a gente chamaria de uma Identidade né ou Nossa reconhecimento dentro de um grupo posto como identitário versus considerar a identidade como uma existência coletiva e como que a gente operacionaliza política em relação a isso não tem uma resposta para isso mas alguns elementos que eu anotei Tem uma E aí no escupo mesmo dos movimentos sociais da tem
uma uma constante mentira ISO constante para caramba também nos movimentos parizad Assim da ilusão do esclarecimento né de que você precisa um convencimento das pessoas de ideais Tais para que a partir disso elas façam a coisa certa politicamente de uma bobagem idealismo barato na minha opinião um exemplo que eu também cito nesse texto da da margem esquerda é que acontece algo muito interessante à medida que aí vamos falar de final da primeira década Dos anos 2000 em que o movimento então movimento de pessoas trans traves passa a participar de forma mais constante ou de forma
mais ativa em espaços do feminismo e tradicional até então né que de repente você tem por exemplo emergência da discussão sobre o caráter social do sexo não não que essa discussão seja nova isso estava acontecendo dentro dos da teoria feminista desde se lá 80 70 70 não é uma discussão nova mas não se discutia isso Na reunião do 8m isso não é uma discussão que aparecia até então assim com tanta dentro do com tanta facilidade por quê Porque no movimento feminista gênero isso não é uma questão não tem por você discutir o caráter social do
sexo no movimento constituído por mulheres gêneros não tem não tem um atrito Óbvio dentro das políticas que estão sendo reivindicadas ali que promovam uma pergunta que né difícil de Responder e tal de quem é a mulher tá todo mundo ali a mulher tá resolvido a partir do momento que você tem o grupo pessoas TR travestis participando desse movimento parou de ser tão simples assim e aí parece que essa pergunta é inclusive uma condicional para continuar ou a gente responde isso aqui ou a gente não consegue fazer mais nada cara porque a gente não consegue nem
sentar junta sem responder essa dessa pergunta por quê Porque o movimento de pessoas Trans trvestis tem uma grande formulação sobre o caráter social do sexo não por ele tava ali entende é a experiência do cotidiano político que impõe perguntas pra gente e impõe a relevância de algumas perguntas que promovem alguns caminhos de de e e e e e e e desvios saca eh e outra é é importante pro movimento de pessoas TRANS e travestis porque é uma grande questão mal resolvida Teoricamente não é porque a gente tá nesse ponto de tensão Do sistema de gênero
porque resolver problemas muito imediatos nosso perpassam por questionar a a a normalização e naturalização do sexo como algo biológico né como é que a gente vai falar por exemplo outro exemplo que eu anotei para dar em relação a isso que eu acho que é um bom exemplo de de operacionalização de de demanda né de de grupo como é que a gente vai falar de políticas pro ciclo gravídico poal por exemplo que consegi Incluir e abarcar pessoas transr masculinas e não binárias com útero Sem questionar o caráter social do sexo As pessoas não acessam essas políticas
hoje né Isso é um problema muito imediato e não tem caminho para que acessem essa política Sem questionar isso esse essa coisa bizarramente cabeluda dessa discussão mas precisa ela Brota ela emana daquela daquela movimentação social ela não precisou ser formulada intelectualmente antes de estar posta Ali ela emana daquela mobilização social e ao fazer isso ao questionar que por exemplo não faz sentido nenhum você ter uma política eh ou um conjunto de políticas voltadas para ciclo gravid cororal que sejam políticas para mulheres que se impõe ou que se pretende impor de volta né devolver pro estado
uma concepção sobre existência desses grupos que destrói da identidade que nos foi colocada e é irônico porque isso contradiz a Própria crítica das feministas radicais sobre a gente tá tá tá tá tá como que como é que falam tá tá eh trazendo pro subjetivo né como se gênero fosse uma uma um sentimento ao contrário afirmar esse identitarismo mulher é o que coloca gênero no campo do sentimento a gente tá dizendo o contrário a gente tá dizendo que uma política pública para pro ciclo gravídico poral precisa ser uma uma política pública que não depende do c
Gravídico poral não quer dizer que você não vai pensar ou não pode pensar em identidade para qualificar a eficácia da implementação dessa política para grupos sociais distintos mas ela não é base da política né uma política para pessoas com útero ou uma discussão vou ser polêmica desculpa mas uma discussão Ampla nacional que constituam grupos em torno da violência materna que não chame violência é Mortalidade materna né porque se eu for atropelado ali fora eu sou uma mãe que morri e mortalidade materna discussão não é sobre isso se ela não é sobre isso Ela é o
qu Então porque a palavra que tá se usando tá dizendo outra coisa né Essa necessidade de precisão de alguns conceitos elas não são fruto de uma grande elaboração teórico conceitual do movimento de pessoas SAS travestis a gente só tá ali né é uma consequência da da movimentação política desse grupo e Eh e e é isso eu acho que eu acho que eu acho que esse é é é um bom caminho de se pensar esse esse eu acho certo que assim a gente tem uma E aí eu não sou da psicanálise e vocês certamente vão ter
mais ainda vão ter mais acúmulo sobre isso do que eu mas e penso que certo que a gente tem uma relação com a identidade que ela que ela é individual em algum grau né a nossa experiência ela é individual no sentido de que ela acontece dentro da gente né não quer Dizer que na minha opinião que ela é um um grande flaquinho de Neve isolado no campo do espaço então entender como essa ponte existe efetivamente para além da gente eh um Talvez seja o caminho né de entender que essa articulação não é entre duas coisas
Opostas e dois que esse caminho talvez não seja resolvido retoricamente que a gente precise da da da concretude ideológica da experiência do concr do do cotidiano do real para conseguir constituir outras percepções Também sobre a a a ess suposta a oposição entre o o o eu e a autoridade né acho que é isso obrigado passa muito rápido ag você dá vontade de ficar cor é não total agora a Maira agora eu não sei se o funcionário tava ali porque a a Camila precisou embora não sei se ele tá ali para transmitir o posto da Maira
pelo YouTube mas é isso aí as pessoas vão ver a vão ver a Maira no telão no YouTube também Você pode falar mais acho que dá tá T Certo o microfone né posso V você estão me ouvindo estamos sim tá ótimo tá eu vou vou tentar ser breve assim para para fechar até porque uma hora infelizmente uma hora do debate tem que tem que acabar mas ele vai continuar também de outras formas a gente não precisa ficar sofrendo por toa disso né Eh mas enfim eh eu fiquei muito feliz também ouvindo né as respostas também
que amando porqueas foram as questões que foram foram surgindo né e eí eu acho que eu Vou organizar um pouco a minha fala pensando também as duas questões que foram colocadas e e isso eh que surgiu também em torno do que que é essa tentativa de eh transformar tudo tudo num grande manual né que a gente possa resolver alguma coisa eh Às vezes a gente faz os títulos dos livros até com um certo um certo beit né e eu fiz isso no meu segundo livro desculpa gente mas assim fins do sexo como fazer política sem
identidade né tipo assim como se Essa essa resposta fosse muito possível mas eu fico tentei na verdade mostrar que tem algumas consequências lógicas justamente dessa ideia né dessa política da identidade que o dougas falou assim essa política não existe mas que é uma política em torno dessa gestão das identidades né o estado precisa que as identidades fiquem bem visíveis bem Claras se o conflito se dê sempre a esfera pública né que as pessoas queiram sempre se fazer representar Eh que a gente possa entrar nessa lógica que o Douglas trouxe de identidades concorrenciais a partir da
lógica da representatividade é mulheres no topo negros no topo trans no topo tipo assim cada hora a gente põe uma minoria no topo e fala que a gente tá contemplando todas elas e vejam todo mundo subiu junto com o Lula né agora eh nesse último mandato então assim que lindo né E aí a gente olha e fala assim bom mas e aí né resolve nada né É só Essa esse Esse aspecto muito eh espetacularizada da política mesmo né então esse esse ponto que o Douglas traz assim do dano ao visível né uma coisa que eu
que eu trabalhei um pouco até entrando na questão que fizeram seed Delírio burgues o preciado né Essa reivindicação de direitos das políticas públicas Eu acho essa pergunta engraçada porque assim reivindicação de direitos e políticas públicas esse já tá mais ou menos dentro Da mesma lógica né que essa lógica um pouco de de tentativa de inclusão das minorias né a gente pode até tentar pensar a política como redescrição Infinita da Norma né a butler Caiu um pouco nessa né tipo assim de que a política poderia ser uma certa subversão na Norma o problema é quando os
movimentos sociais eles passam a fazer parte da própria lógica da Democracia Liberal né tipo assim Ah nós vamos proibir algumas coisas e aí de vez em Quando vocês se organizem aí demandem e a gente ver até onde a gente atende ou não a demanda de vocês né então assim topar um pouco isso sabe topar a política como reivindicação de direitos ou reivindicação de direitos para além das políticas públicas né é a gente ficar operando dentro da dessa política de gestão essa política identitária que assim no no meu livro eu não vou entrar nessa porque vai
dar muito trabalho mas assim no livro eu eu faço uma distinção A parte da do formalismo lacaniano das lógicas da Tábua da sexuação que tem uma lógica masculina que a lógica fale que a lógica das identificações sexuadas da diferensa sexual homem mulher papai mamãe né patriarcado não mito do matriarcado essas coisas e uma lógica do não todo que é negando um pouco essa essa universalidade a que que é interessante né que até dentro do preciado aparece também eh que se por um lado a gente Pensar com a butler a possibilidade de redescrição da Norma aquilo
que tensiona um pouco a norma não tá só tentando eh entrar nesse caminho da visibilidade da da empatia da Solidariedade ah a gente tem que se portar de certa forma para tentar ser incluído né mas a gente tem que forçar a norma e redesca Norma porque a Norma Norma e o campo da objeção tá tá num num constante tensionamento o preciado ele tem uma posição também que é um mais Radical que é de poder negar o todo completamente que é de questionar assim bom por que que eu preciso tanto dessa Instância de reconhecimento porque eu
preciso ficar sempre reivindicando se eu tenho várias identidades aqui eu tenho várias formas de eh experienciar de se nomear assim que eh ferem essa lógica de gestão porque a lógica de gestão vai procurar corpos que são úteis né Eh é por isso que a gente tem ess ess essas Aproximações muito fáceis né tipo assim que o feminismo radical fica tentando forçar guelar abaixo né né de que qualquer experiência de mulheridade tá eh condicionada a experiência da capacidade reprodutiva de gestar de parir de amamentar e elas vão encontrando problemas internos mas né tipo atropela isso também
para sustentar esse argumento que no final é um argumento transfóbico um argumento também que eh de certa forma Retorna nessa lógica identitária Aica pensando sempre o corpo a partir de uma certa um certo lugar uma certa utilidade a gente é muito capacitista o tempo inteiro e isso é feito também com diversas outras subjetividades o que que não for útil ao capital que seja eliminado né e fala assim bom mas eu quero mostrar que eu sou útil Essa é a resposta então assim é isso que a gente tem que que questionar e questionar assim para Além
disso para Além também de reivindicar direitos para além de de eh políticas públicas gente pensar na na deposição de lugares não só de ficar vendo as peças do do Tabuleiro né então assim eh esse esse movimento gente ficar questionando essas categorias questionando esses lugares assim é é é um movimento crítico eh importante também para para a gente poder sonhar outros futuros possíveis e impossíveis também porque tudo muito facilmente eh cooptado né a gente pensar Assim esses discursos né ah da mulher independente aí dis assim aí pode ser que no um momento brevíssimo sim dentro de
umas políticas identitárias esse discurso da mulher independente ele é importante para ela ser independente economicamente Mas isso também é Para viabilizar o quê um novo consumidor né tipo assim então tem tem aí um engodo né tem aí até onde que isso é interessante aí você vem Em contrapartida eh eh algumas discussões em torno assim ah Mas nós somos corpos eh interdependentes e aí rapidinho você vê de pano de fundo as pessoas também falando sobre Ah nós somos em corpos interdependentes então nós somos corpos vulneráveis então a gente precisa de um estado a gente precisa de
um estado gestor então assim é sempre preciso ficar muito muito atento né a essas eh a essas armadilhas né tipo assim onde que isso tá sendo levado onde que isso tá sendo conduzido e é por isso que que tem Essas discussões sobre a necessidade às vezes de uma nova gramática de forçar uma gramática também tamb que é para pensar assim bom eh é contraintuitivo a gente ficar pensando que esse debate assim que teve uma importância um local assim ele vai poder ser aplicado a qualquer momento né vai ser aplicado em qualquer situação tipo assim a
gente tem que entender do que que o que que a gente tá falando né Em Cada em cada situação em cada momento histórico eh eu acho que então tem tem muito mais coisas que a gente poderia debater aqui mas são 88:15 né então eu quero acho que eu vou finalizar um pouco a vou finalizando a minha fala eu não consigo ver vocês enquanto eu tô falando eh Então eu fico falando para mim né aí eu fico no eu eu então assim mas eu queria muito eh agradecer a Marília pelo convite agradecer essa oportunidade de Estar
na mesa com o Douglas a segunda vez que eu estou com o Douglas e a Marília primeira vez com a Amanda um prazer conhecê-la virtualmente Espero que uma hora a gente supere essa essa barreira e eh agradeceu o Douglas também por esse belo livro que ele acabou de lançar Obrigada eh Oi deixa eu pegar aqui Eu não sei se tá aparecendo agora só a Maira no YouTube ou todo mundo eu já perdi assim toda totalmente o Rastro assim das da parte mas tá aparecendo Todo mundo legal tá obrigada vamos encerrar então Eh queria agradecer não
só Amanda Maira e Douglas né pela pela última década inteira de pensamento conjunto e diálogos aí eh pela produção de vocês que sempre é muito instigante para mim e acho que para muita gente agradecer quem compareceu aqui pessoalmente quem acompanhou no YouTube eh vou fazer o convite de novamente né Pro lançamento do livro do Douglas eh mas antes disso Queria dizer que especialmente fico muito feliz porque esse é um tema que tá muito latente no debate contemporâneo a gente tem muita gente discutindo esse tema né Eh e eu sou Talvez eu seja um pouco etara
nesse sentido mas eu acho que as ferramentas eh mais interessantes que a gente tem tido para pensar esses assuntos tem vindo justamente de gerações mais jovens de intelectuais e tanto os movimentos sociais quanto dentro da Universidade né Eu vejo muita coisa brilhante sendo produzida tenho a sorte de conhecer a produção desses três né que é muito brilhante mas não só não se resume né a a quem tá aqui hoje e acho que é muito interessante é muito legal a gente ter gente interessada em ouvir o que é que né intelectuais Da nossa época que ainda
não são muito famosos que ainda não t um nome assim e nenhum de nós aqui é chamado pelo sobrenome né porque esse é um um privilégio só dos dos fig brancos Né quem sabe vou chamar o Barros Já pensou dia que fala assim o Barros A palha né e a Moreira a Moreira é bonita parece o nome de árvore aa moreir ismo vamos da escola do moreir ismo e mas eu acho que é dessas desse olhar né Muito muito fresco Assim nesse sentido né muito de de quem tá olhando e tá e tem essa ponte
né com essa prática concreta que é da onde emanam esses problemas da onde essas Contradições vão aparecendo pra gente tentar resolver ou não resolver ou desres solver né eu falo paraos meus alunos que quando a gente tá construindo problema de pesquisa né thgo meu aluno ali é prova eu falo assim o problema de pesquisa não é um problema que a gente faz assim eu tô com esse problema e eu vou resolver o problema de pesquisa a gente não quer resolver ele a gente quer contribuir com ele então eu falo contribuir com os problemas numa Sociedade
dessa é sempre bom Então vamos ver como que a gente contribuir com esse problema do identitarismo aí nas próximas e e da identidade aí nas próximas nos próximos momentos Então é isso gente muito obrigada fazendo o convite a última vez para quem tá aí no YouTube ou então quem estiver aqui com a gente dia 10 de dezembro que é o lançamento do livro do Douglas e vai ter livro para vender para assinar vocês vão poder fazer que nem eu Levar um batom pro Douglas dar um beijo de batom da Xuxa no autógrafo de vocês todo
o lançamento do Douglas eu faço ele fazer isso já é uma tradição na nossa amizade então dia 10/12 na livraria Mega fauna na do Copan né Tá na mega fauna do Copan porque agora parece que tem duas né mas é a Mega fauna do Copan é o Quim deve est assistindo se eu tiver falado errado ele vai me falar aqui no WhatsApp de repente vai aparecer uma mensagem mas é dia 10/12 às 19 horas na mega fauna do Copan o debate vai ser comon o Douglas a Letícia par mediação da Alana Moraes e para quem
assistiu esse debate ao vivo ou no YouTube tem um cupom da boi tempo de 20% para comprar o livro e o cupom é identitarismo com uma interrogação no final tudo maiúscula e é isso gente então Muitíssimo obrigada E o ano que vem aguardo vocês aí nas outras conferências do ímpar do laboratório que serão várias e serão super interessantes e não vou dar spoiler mas vocês vão Gostar eh Então é isso gente obrigada [Aplausos]