existe democracia sem verdade factual esta instigante questão é tratada no livro que leva esse nome pelo jornalista e escritor eugénio butti professor titular da escola de comunicações e artes da usp membro entre outros do conselho científico cultural do instituto de estudos avançados da unicamp articulista no jornal o estado de são paulo além de inúmeras outras experiências em funções acadêmicas e editoriais foi superintendente de comunicação social da universidade de são paulo a questão é mais vital do que nunca diante dos avanços de governantes autoritários em democracias até consolidadas e também diante da crise que através dos
meios de comunicação tradicionais em função das novas tecnologias de digitais e também a proliferação de informações fraudulentas via essas mesmas tecnologias para responder à pergunta título do livro ruth percorre um universo que vai da filosofia grega a sociologia ciência da informação ao jornalismo e as redes sociais destaques do duas afirmações de seu texto aspas a verdade factual se estilhaça em fagulhas e materiais em códigos digitais escondendo sua indecisão os cada vez mais inacessíveis ao repórter fecha aspas abre aspas de novo a defesa da verdade factual implica exigir que sejam tornadas públicas e transparentes todas as
formas de controle privado e por vezes secretos de administrar o fluxo de idéias e informações na sociedade contemporânea noite muito prazer em tê-lo aqui as duas questões que eu destaquei no seu texto destaquei por que ela se refere à ao repórter solitário diante de uma milha de informações implicados e pouco visíveis ou camufladas ou trabalhadas de um lado e de outro lado o status coque nós estamos vivendo com gigantes da área de tecnologia mais especificamente dois que são o google e o facebook que dominam tantalita mente o sistema de informação e ao mesmo tempo que
ameaçam o sistema de formação atual não falta também o estado ou alguns estados também nessa cadeia de elementos que ameaçam o livre trânsito da informação ou a qualidade da informação mas é claro você tem toda a razão eu antes de responder no entanto serrano eu gostaria muito de agradecer o seu convite para estar aqui na nossa superintendência eu que trabalhei aqui por três anos e que tenham visto com enorme alegria e até uma ponta de orgulho como um integrante da comunidade da usp os progressos que estão acontecendo aqui sob a sua liderança é importante para
mim estar aqui hoje também por uma outra razão o livro que você acabou de ler e que suscita essa pergunta que você me faz é uma produção da usp né eu venho trabalhando nessa pesquisa e preparando as conferências que depois deram origem a esse livro eu estou fazendo meu trabalho de pesquisador e de professor na universidade de são paulo isso é parte do que nós podemos oferecer para a sociedade então eu me sinto aqui voltando aos ares da nossa superintendência de comunicação órgão tão importante para a vida universitária e me sinto também é reconhecido por
fazer o trabalho que é o meu trabalho na usp de pesquisar desenvolver conhecimento e dá aulas e as atividades de extensão em tudo isso e aí eu vou pra a sua pergunta falta a gente falar mais do estado quando tratamos é do poderio desses conglomerados como google facebook é sem dúvida o estado é um participante é um protagonista das massaroca smas principalmente dos dados a a partir dos quais são adotadas decisões de gestão é são negociados acordos internacionais e por vezes isso transborda em pequenos escândalos um grande escândalo seu cinto um que foi o escândalo
da ns que revelou nos estados unidos a agência nacional de inteligência e de segurança dos estados unidos que vasculhava e armazenava dados ou metal dados de conversas telefônicas e comunicações de pessoas do mundo inteiro inclusive de chefes de estado mihály foi revelada é a partir das declarações de adwords nolden senhora o jornalista então do guardian que era o bangu reino onde um que já vivia no brasil o que foi revelada ali era uma máquina de espionagem de bisbilhotagem e de monitoramento da vida alheia inclusive de monitoramento da vida de pessoas envolvidas na gestão pública de
outros estados sim é comparável ao que era a máquina da estágio na alemanha oriental assim é no tempo da guerra fria sem a tecnologia que tem hoje pois é é a stasi não tinha a tecnologia de que dispunha a nbc ora ali nós temos um exemplo de como os estados sim agem no sentido de organizar bancos de dados de empregar intensamente intensivamente a tecnologia para governar de uma forma sorrateira de uma forma oculta empregando procedimentos dos quais os cidadãos não fazem ideia mas há outros exemplos aquele é um exemplo dos estados unidos se a gente
for avaliar o que acontece na rússia do pouquíssimo que está bem vindo nós vamos ver o envolvimento direto de autoridades ou de extensões da máquina do estado ou elementos que nos autorizam a supor que existam conexões entre estado ea gestão dos dados numa escala nunca vista na rússia é uma coisa que chama atenção na rússia de putin novo coisa que chama a atenção é a organização de redações aparentemente jornalísticas sim que são máquinas de propaganda se e essas agências têm hoje representações ou mesmo instalações sucursais em outros estados espalhados pelos continentes aparentemente eles estão ali
fabricando conteúdo jornalístico sim mas estão de tal maneira engajados com a estratégia é do estado russo que passam a agir como centros de propaganda e às vezes entro de interferência no debate público para facilitar o atingimento de metas estratégicas do estado russo eu digo que esses estados estão inventando as fake newsrooms a aplicar para explicar para os nossos telespectadores e para os nossos ouvintes o público que acompanha o trabalho da informação na usp é a expressão fake news quer dizer falsa notícia ou notícia fraudulenta pequeninos é algo que tem o aspecto de notícia mas é
uma fraude sim nilson é a expressão da língua inglesa para designar redação da redação jornalística é uma newsroom 11 a rússia foi além das feito news ela começou a fabricar mil sons são falsas redações jornalísticas que na verdade são agências de propaganda estatal então é um outro exemplo que mostra como pode se dar sim o envolvimento entre o aparato estatal e à consolidação a fabricação desses imensos bancos de dados com muita tecnologia aplicada eu queria trazer o exemplo da china a china essa é a partir dos anos 80 90 a china do toma uma política
de desenvolvimento diferente da então união soviética ela ela é abril empate para o mundo pra buscar tecnologia para buscar conhecimento e atraiu investimentos estrangeiros para produzir lá inicialmente com mão de obra barata e os investimentos estrangeiros encantados pela possibilidade de de fazer lucro já foram pra lá continuou se nos estados unidos a idéia de que como a china também estava estimulando o aparecimento de um mercado em um mercado mais livre um dia o espírito do consumidor também se transformaria em espírito de alguém que queria democracia o caso da china sem dúvida vem causando muita perplexidade
em observadores da mais alta capacidade e gente com muito acúmulo de informação sobre a história da china o que representa aquela experiência para onde ela aponta o que chama atenção neste momento é a crise em rom com seria uma contradição entre um estado que consegue ele mesmo a partir dos mesmos centros decisórios governar a máquina administrativa e ao mesmo tempo o mercado ele governa o capitalismo e de outro lado uma sociedade que com informação com evoluções de padrão de consumo viria a frente há mais espaços democráticos herança é o tempo que era uma posição uma
inglesa isso e que foi andrezinho liberalismo em inglês é mas foi essa possam foi transferida para a china mediante condições sim é e parte das suas condições e implica ainda em vigência implica que roncon adote um modo de vida que não é igual ao modo de vida da própria china e ali nós temos um desequilíbrio que desfecho isso vai ter difícil saber mas sim o estado chinês controla a internet controla é o facebook ou o facebook dela mesmo sem se em vem produzindo padrões e outras formas tecnológicas pelas quais o estado também governa todo o
fluxo de dados de informações na internet um outro momento que nós tivemos desta mesma contradição em que essa mesma contradição que hoje nós encontramos em um com aflorou foi a crise da praça da paz celestial na própria china 11 por volta de 89 por aí foi é portanto há uns 30 anos e isso naquele episódio é foi resolvido pela força bruta foi resolvido pela repressão violenta pela repressão armada não se sabe bem a extensão da tragédia que lá aconteceu mas não há até agora como você bem diz um cenário ou uma tendência mais segura qual
será o desfecho disso o que nós sabemos no entanto e aí tem tudo a ver com a nossa conversa é que lá também o estado controla as tecnologias e o fluxo da informação veja só isso não é só na china sim nos estados unidos assim também se verificou algo muito parecido e hoje é uma grande discussão mesmo nos estados unidos sobre quem detém o controle das informações na esfera digital nos estados unidos em todo o mundo democrático chamado de museu veja que uma das potenciais possíveis candidatos a presidente da república pelo partido democrata que a
senadora elizabeth warning mundo vem falando da necessidade de estabelecer um novo enquadramento em relação aos gigantes google facebook e outros ela que é inclusive ela localiza isso ela quer repartir esse mercado quem está evidentemente confinado a um monopólio a 1 do o pólio é controlado por facebook e google os grupos que controlam facebook e google então ali nos estados unidos também nós temos de um lado com escândalo da eni e sei do adwords nolden a demonstração de que o estado se envolve diretamente no controle do fluxo de dados até espiona pessoas e de outro lado
nós temos sinais temos sintomas de que esses super conglomerados que monopolizam essas tecnologias estão saindo de controle estão saindo de controle do próprio estado sem no entanto que essa tensão agora aparece com propostas no âmago do partido democrata e de estabelecer uma nova forma de regulação a nova forma de regulação estaria inspirada na na legislação antitruste que os estados unidos fez por volta dos anos fizeram durante os anos 1930 mas o que fizeram a separação da famosa e cliente que era uma empresa de telegrafia e telecomunications que era um digo tenho o o o monopólio
mas se houvesse um oligopólio lá é muito forte e ela foi quebrada em função disso só que ela só tinha o monopólio das transmissões do sistema de transmissão e agora nós estamos falando de sistema de transmissão e de conteúdo assim o quadro é mais grave hoje mas isso aconteceu com o episódio do qual você acaba de se lembrar do haiti em que isso aconteceu na organização de todo o mercado de redes de televisão nos estados unidos com a divisão do mercado em três grandes grupos que era cbs ebse e é esse para que houvesse competição
é a mesma coisa pode vir à tona novamente é uma intenção já manifesta de repartir esse mercado para que ocorra a competição o que nós temos hoje uma situação em que não há competição e que não há conhecimento público sobre o que é feito lá dentro com os dados da gente é um pouco isso impacta é o problema da verdade factual nas democracias contemporâneas e ver que a legislação americana ela não permite aqui quem tivesse um canal de televisão numa cidade tivesse também um jornal tivesse rádios era para manter a pluralidade de informação hoje esse
sistema está meio sob ameaça porque os jornais locais os estados unidos considera muito sério jornalismo local das comunidades mas com a crise da do financiamento da da imprensa muitos jornais locais estão com dificuldades existem empresas que estão sendo transformado em road em vários jornais locais de várias cidades este é um problema que está sendo discutido de lá para ver os efeitos maléficos disso mas dentro dessa linha de raciocínio está falando estados unidos a europa e um pouco mais avançada no controle do dos sistemas como o google eo facebook periodicamente está em enormes multas la em
função de não se saber do uso errado de das informações particulares depois de a europa ter um pouco mais avançada tentando controlar né sim é é muito importante essa lembrança porque a europa que está em debate o tempo todo agora mesmo com a decisão das últimas eleições no reino unido vai se consolidando a tendência de que o reino unido vai sair é da união européia é e talvez isso vá a ocasionar um problema na escócia que quer adotar uma posição diferente mas enfim a toda hora nós discutimos a união europeia sem porque a união européia
configura uma união de estados nacionais como se trata de uma união de estados nacionais a escala em que ela trabalha sim é maior como a escala é maior ela representa uma economia mais poderosa ela representa uma população mais numerosa e ela representa um condensado de conhecimento conhecimento científico conhecimento humanista é muito maior ela tem estatura para enfrentar esses conglomerados ele é só um google da vida diante de um estado pequeno da américa do sul por exemplo é absolutamente inatingível ele sobrevoa o alcance dessa legislação de um estado nacional pensemos estados pequenos da américa do sul
imaginemos um desses estados amanhã querendo regular o google sim ele não vaiou a empresa e o comando da empresa não vai nem abrir um horário na agenda para considerar essa questão é em relevante o estado nacional pequeno diante da escala com que esses conglomerados trabalho é irrelevante a união europeia não é relevante e ela consegue estabelecer barreiras ela consegue estabelecer um espera aí desse jeito não e vem conseguindo alguns avanços eu digo no entanto que são avanços por enquanto pequenos em uma grande batalha nesta matéria vai ser travada na na economia americana em clam nós
vamos ver o que que mas sim a união europeia vêm estabelecendo multas por questões diversas e estabelecendo limites eu vou dar dois exemplos um é a proteção dos dados privados isso diz respeito à nossa vida íntima nossa vida privada o meu dado é do que eu gosto de consumir como o consumo como eu gasto os recursos da minha conta bancária que tipo de informação é o acesso como eu funciono como internauta para usar um palavrão isso é um dado que pertence a mim e esses conglomerados não deveriam dispor disso tão livremente assim então isso é
uma é uma das razões desse senhor mas há uma outra razão é entre muitas mais mas o que eu queria citar aqui há o uso de conteúdo jornalístico sem remuneração dos produtores desse conteúdo jornalístico é sabido que as redes sociais melhor dizendo as plataformas sociais sobre as quais se apoiam as redes hoje é pública o veículo ou abrigam muita produção jornalística mas os jornais não são remunerados por isso então esse é um dos outros flancos é que justificam com muita justiça justificam uma polêmica ou uma disputa e é uma uma das outras frentes em que
a gente vê casos na união europeia é de tentativas do estado de estabelecer regras em profuncionário desses conglomerados vamos puxar nossa conversa embora estejamos falando sobre isso sobre a questão do nome da democracia e à verdade factual e teve embutido em toda essa conversa nós mas vamos explicitar mas a questão você cita a arena de você cita o autor limpa e descentralizando a questão entre a política e é e o jornalismo sempre discutindo se um faz parte do outro não faz parte do outro como como explica um pouco essa questão para nós não isso é
ótimo tempo todo nós estamos aqui falando das redes sociais que fazendo um parentes redes sociais é é são fenômenos que sempre estiveram aí né uma turma de pessoas é o uma organização de cidadãos mesmo numa sociedade é de um século atrás de dez séculos atrás pode ensejar uma rede social a questão por suas plataformas em tecnologia e abrigam as redes sociais é esse é o problema falando dessas plataformas nós estamos falando do controle ou do não controle pelo público da gestão da informação uma democracia depende para ser democracia de alguns postulados ou da verificação de
alguns postulados um deles é que a sociedade tenha o controle por meio das eleições por meio de mecanismos de investigação do que se faz dentro do estado sim é se o estado abriga uma turma que uma vez instalada lá dentro faz o que quer a despeito das deliberações da sociedade não temos democracia podemos ter outro tipo de como não temos democracia à democracia supõe que o cidadão tenha uma privacidade um espaço que não pode ser violado pela autoridade estatal em um a menos em situações excepcionais com autorização judicial e 7 essas duas coisas estão em
risco hoje meu lugar porque nos estados mais autoritários as práticas dos governantes são ocultas em relação à sociedade com a ajuda das tecnologias assim o problema da privacidade é outro os conglomerados que nós já citamos aqui e tem um volume de dados sobre a nossa vida e fazem desses dados o uso que nós não sabemos qual é extraído esses dados um valor de mercado e um comércio que nós não sabemos qual é e pelo qual nós não recebemos nada sem a democracia é tem os seus postulados feridos nessa situação há muitas outras situações que mostram
isso então esse é é uma uma questão que atravessa toda a discussão sobre democracia sobre a informação que nós estamos fazendo hoje no país do mundo e fazendo aqui nesse diálogo nesse momento você citou ram na área de que é uma das autoras é é que eu cito no mesmo o autor limpa um grande jornalista americano que também cita no texto hanare é nos ensina perceber que os fatos são o próprio domínio político ela usa a palavra textura ela diz assim os fatos e os acontecimentos são a própria textura do domínio político ou seja a
política é o exercício de um debate racional nem me cidadão sobre os fatos e os acontecimentos se nós não temos acesso aos fatos se nós não temos conhecimento dos acontecimentos se nós não sabemos o que se passa no interior do estado o senhor não sabemos as razões que movem determinado governo se nós não sabemos o volume de um determinado capital de uma determinada fortuna nós podemos discutir outras coisas mas não os fatos e acontecimentos sim o que acontece numa sociedade em que o debate público é subtraído por coisas que não são fatos nem acontecimentos essa
sociedade vai ficar discutindo terra plana essa sociedade vai discutir substâncias mágicas que acabam com o câncer sem nenhuma comprovação científica esta sociedade vai discutir sei lá religião mas não política portanto é a partir de hannah arendt e isso num texto dos anos 1960 nós podemos perceber que a política na democracia depende da apuração dos fatos depende da verificação dos fatos os cidadãos de uma democracia por meio da política e não da guerra discutem os seus problemas reais e discutem as soluções viáveis para esses problemas isso é o que deveria acontecer numa eleição assim para quando
a eleição passa a ser dominada por temas de caça ao comunismo veja loucura não existe comunismo sim sim é caçar o que ou começa a ser dominada por temas como família brasileira família brasileira significam uma relação monogâmica entre pessoas de sexo diferente eu não sei nem formula isso aí recusando o estatuto de família para uma família de duas pessoas do mesmo sexo com filhos adotados essa discussão moralista dos costumes sem base nos fatos às vezes temas racistas sem base nos fatos têm base nas verificações científicas nos estudos científicos nós temos em lugar da política o
desenvolvimento do fanatismo e o fanatismo produz a tragédia então isso que hannah arendt nos ajuda a entender a partir desse texto de 1960 por isso que eu falo tanto dela nesse texto porque ela entre outras coisas percebe o papel mais do que relevante dos jornalistas ela atribui aos jornalistas uma função de verificação dos fatos insubstituível ela percebe o lugar da justiça e ela em fina com muita clareza como a política precisa discutir os fatos e se a gente se afasta disso é o que vem é algo ou trágico ou desastrosa ou ignorado é um é
um risco muito grande nós estamos nos aproximando desse risco como é que você vê o equilíbrio hoje entre os veículos de comunicação que eu vou chamar de tradicionais jornais que hoje não são mais uns são mais importantes do que jornais rádio e televisão o que têm em todas suas qualidades e seus defeitos e este mundo digital é eu acho que o mundo tradicional está perdendo muito espaço então exatamente tá e isso é bom ou ruim isso pode ser bom e isso pode ser ruim a tecnologia isso é uma grande dificuldade nas nossas conversas habituais a
tecnologia claro que deve ser criticada deve ser muito criticado deve ser olhada pelos ângulos mais diversos mais inventivos mas a tecnologia é não é um mal sim não é a encarnação da barbárie antigamente não existia a a prensa para fazer o feitos entre a imprensa escrita e 70 a coisa andou e apareceu outra não é sem dúvida que o progresso tecnológico pode ensejar já o conforto os avanços pode ajudar a libertar o pensamento a expandir as fronteiras da arte tudo isso eu quero dar um exemplo bem doméstico aqui nós tínhamos até outro dia o jornal
da usp como um jornal impresso em papel o tempo entre o fechamento do jornal da usp a entrega do jornal da usp ao leitor às vezes tem dia por dez ou 15 dias porque era preciso mandar o jornal pró gráfico jornal precisava voltar da gráfica precisava ir para as escolas de caminhonete de a usp tem escolas por todo o estado nós trabalhamos muito e na sua gestão vocês alcançam milhões de eleitores 1,6 milhão por mês incrível essa é na transposição de um jornal que era em papel para um jornal que pudesse ser entregue por meio
do celular que foi como foi feito na sua gestão isso mas que vocês trabalharam isso muito mais e muito melhor pois bem isso ajuda a realizar a missão da universidade pública por meio da tecnologia a informação chegava em ao leitor nós conseguimos com isso é trabalhar muito mais conteúdos é muito mais histórias muito mais reportagens é com muito mais velocidade na interação com o público que é o que mais interessa um progresso é possível graças à tecnologia em outras circunstâncias a tecnologia traz problemas e deve ser vista também como uma fonte de desarticulação da sociedade
veja só a tecnologia não é só solução a tecnologia não é só um problema para usar a palavra muito em voga a tecnologia nos obriga a lidar com fenômenos complexos de muitas leituras distintas de muitos matizes muitas faces às vezes contraditórias e que requerem soluções mais difíceis então é você falava da disputa entre as novas tecnologias ea chamada imprensa convencional existe essa disputa e ela muitas vezes se manifesta sim como um problema porque o que caracteriza o que nós chamamos de imprensa não é uma palavra impressa sobre o papel sim não é uma câmera de
televisão não é um programa de rádio não é uma tecnologia à imprensa deve ser entendida como um conceito que significa a organização de redações profissionais integrados por portanto jornalistas profissionais que vivem do seu trabalho essas redações são independentes e dedicam um olhar independente de crítico capacitados sobre os fenômenos sociais vai investigar o que se passa vai buscar a verdade e vai oferecer essa verdade dos fatos mal apurada sempre rascunhada para a sociedade discutir os seus problemas e as suas soluções nós temos tido é nos ambientes digitais uma série de relatos de imagens de discursos que
vêm de lugares ignorados que sejam apurados editados publicados por jornalistas profissionais e que são absolutamente mentirosos embora pareça um verdadeiro sem é como se entrasse um vírus num organismo saudável a sociedade passa discutir mentiras sem coisas inexistentes soluções para problemas reais e essas soluções também fraudulentas isso ocupa o tempo e as energias da sociedade e ela se desliga da sua vida real ela se desliga dos fatos aí sim a tecnologia pode ser o prenúncio de desagregação social o prenúncio de barbárie e nós temos que enfrentar isso aí eu costumava dizer nos anos 80 quando o
brasil abriu se pra começar o sistema democrático que na hora que dá a partida no sistema democrático e aí existe e coloca-se a questão eleitoral recursos para a eleição coloca se a questão na justiça a capacidade do cidadão se fazerem representar diante da justiça e outras outra muitas questões o capital os mais aquinhoados saiu em vantagem porque eles tinham recursos para investir em profissionais que fazem isso e o trabalho ou o os que não estavam na hora ele não tinha os recursos portanto passar vão enfrentar uma nova realidade política em desvantagem profissional no sentido de
operar todos os membro de uma democracia de certa forma que está acontecendo na área da comunicação é isso é isso porque há há há eu vou chamar assim as forças do mal tá vou simplificar não do mal setor do mar apela mais elas estão trabalhando para defender é os seus posicionamentos as suas ideias a as suas propriedades o seu capital enquanto o outro lado está defendendo idéias possibilidades etc ele tem muito mais recursos para usar o lado perigoso da das redes sociais ocupam os espaços até que se viu até que toda a sociedade perceba que
tem que participar de uma maneira muito séria nesse jogo também né porque não dá para voltar atrás não dá tem que ocupar espaço você vê o seguinte na eleição do obama que usou as redes sociais com a até de certa maneira pioneira nos estados unidos movimentando jó jovens etc pode dizer que pra quem era simpatizante dele foi positivo mas o trânsito e também os outros redes sociais está certo e reading dill de formas até de identificar grupos de pessoas que pensavam x y e z mandando mensagens de conteúdo x y e z para essas pessoas
e vendendo a idéia dele e 168 a hipótese não gosto do trump é dizer ali foi o uso que é um exemplo de como as redes sociais podem ter com um uso para um lado ou para o outro e isso sem dúvida é bom a gente lembrar disso obama usou muito as redes e trancaram os recursos mais duro do mundo e foi um inovador e poemas pequena quantia foi um inovador nesta matéria samba também usou muitas vezes mas há um marco de instintivo crucial franca trouxe nou mentiras e foi catapultado por mentiras sim que mentiras
ele patrocinou eu vou citar um exemplo e ele fez até barulho em torno disso mais de uma vez e ao longo de um bom período obama não é americano sim é obrigou o presidente a responder e e foi um desgaste um aborrecimento foi uma coisa chata veja só era uma mentira era uma mentira é primária né de muita má intenção e que ele diretamente patrocinou um outro exemplo de mentiras que ele não patrocinou directamente mais que o atenderam no sentido de que deram vantagem para ele na internet foram veiculadas informações como o papa apoia a
candidatura de trump isso durante a campanha sim é na qual ele saiu vitorioso quem inventou isso foi ele não podemos dizer mas essa falsa informação causou um certo furor abril certas portas ajudou na propaganda dele isso pode ter vindo daqueles grupos da macedônia que faziam isso apenas para ganhar dinheiro e aí entra um outro aspecto perverso porque as redes as plataformas elas remuneram sim antes era pior elas remuneravam pelo número de cliques pelo número de likes pelo número de reprodução de replicação independentemente de a notícia ser verdadeiro ou falso e isso fazia com que a
falsificação de relatos fosse um bom negócio para grupos pequenos como aconteceu e depois foi bastante noticiado até estudado com aqueles meninos da macedônia que no início tentavam falsificar a informação em prol já hillary clinton que também era candidato em prol do trompe mas notaram rapidamente que as mentiras a favor de trump davam para eles mais retorno o público detran-pe era mais adepto desse tipo de truque a estudos hoje mostrando que a direita ou extrema direita costuma se sair melhor com o uso de inverdades ou de falsificações quando comparada à esquerda à esquerda uso também esses
truques baixos mas parece que a direita se sai melhor eu mesmo publiquei agora um texto na revista novos olhares é um pequeno estudo que trata disso mas há vários autores apontando esse indicativo é algo que terá que ser observado melhor o dado de trump que eu acho mais perigoso não é enfim que ele tem usado as tecnologias pode ser direcionado mensagens isso foi grave isso foi grave ea gente ainda precisa saber como isso aconteceu porque isso envolve invasão de dados pessoais sem o conhecimento do público mas o mais grave é o uso da mentira o
uso deliberado da mentira a mentira empregada dessa maneira além de produzir um estrago imediato que é levar o eleitor a decidir de uma maneira que ele não gostaria de decidir se ele soubesse que aquela mentira além desse estrago imediato ela causa um estrago de longo prazo que é desacreditará as instituições democráticas pelos eleja que está acontecendo no brasil é o judiciário vem perdendo respeitabilidade é claro que há uma responsabilidade de juízes no entrados é nessa corrosão da imagem do poder judiciário mas há mais do que isso uma propaganda insidiosa o incidente é de desacreditá as
instituições democráticas isso também se volta contra a imprensa a imprensa erra é evidente que a imprensa é guerra muito mas ela faz parte das garantias democráticas que nos ajudam a encontrar a verdade e nos ajuda a nos proteger contra a mentira então os efeitos que vem é no médio prazo e no longo prazo são esses de desacreditá as instituições democráticas o uso do uso indiscriminado da mentira corrói a democracia num butt nossa conversa seria interminável coloco como uma última questão os produtores da verdade factual tem que entrar no campo das mídias sociais com força e
fazer valer esta visão que deveria ser visão real do mundo para que valores como a democracia permaneça no médio longo prazo é claro que os verificadores da verdade factual precisam entrar no jogo e precisam entrar no jogo com força a sociedade é livre quando ela sabe o que se faz no comando do estado e sabe o que se faz no comando dos grandes conglomerados econômicos e mais do que isso quando ela uma vez contrariada consegue fazer valer sua vontade para que regras democráticas sejam respeitadas acima dos interesses estratégicos do estado e acima dos interesses econômicos
de capitais que tendem ao monopólio senhora é por isso que na invenção da democracia a invenção da imprensa acontece de forma simultânea à imprensa é o mecanismo pelo qual a sociedade consegue saber dos fatos em oposição aquilo que o estado eo poder econômico querem fazer acreditar uma sociedade que só se forma das coisas a partir do que o estado diz é uma sociedade confinada ela é refém ela é prisioneira ela é taxativa ela não é livre ela só é livre quando ela por seus próprios meios verifica os fatos e é isso que está em risco
como nós podemos é reduzir esse risco ou como nós podemos fazer com que as fábricas e os agenciamentos da mentira percam terreno por esse mecanismo que você a venta que é a presença mais constante dos profissionais encarregados de verificar a verdade no debate público que são jornalistas esses é precisam contar e já contam com garantias constitucionais precisam contar e já contam com proteção muitas vezes a própria proteção da sua integridade física mas isso precisa ser reforçado por vários caminhos os estados democráticos protegeram a imprensa durante dois ou três séculos até outro dia no brasil agora
mesmo nós temos um incentivo um estímulo ao papel imprensa sim uma redução de imposto e tudo isso nós temos que imaginar outras fórmulas os países da europa na social-democracia e inventaram as instituições públicas de informação e de comunicação como bbc e outras nós estamos agora eu e você conversando num canal em uma variedade de canais de uma instituição pública que a universidade são paulo tudo isso são modos pelos quais a informação de interesse público é protegida pela democracia para poder alcançar todos os cidadãos nós vamos precisar mais disso agora nos organizar desenvolver novas formas nós
vamos precisar de tudo isso para vencer esse período muito obrigado e eu agradeço e até a próxima