[Música] Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém. Meus queridos irmãos e irmãs, hoje, 2 de janeiro, celebramos a memória de São Basílio Magno e São Gregório de Nazianzo, dois Padres que viveram na Capadócia.
Digo "Padre" com "P" maiúsculo, eram bispos, dois Padres da Igreja que viveram na Capadócia e defenderam a divindade de Jesus e do Espírito Santo na época da crise ariana, na época em que o mundo inteiro parecia estar abandonando a fé católica. São Basílio Magno e São Gregório de Nazianzo foram luzeiros que atestaram a nossa fé, a fé trinitária. Aqui nós vemos algo muito importante, porque nós que acabamos de celebrar o Natal temos que nos recordar que foi exatamente com a Encarnação de Jesus que Deus se revelou como Trindade: Pai, Filho e Espírito Santo.
Veja, por exemplo, o anúncio do Anjo à Virgem Maria. Quando o Anjo Gabriel veio à Virgem Maria, ele disse que ela iria conceber e que a criança seria Filho de Deus. Primeira grande novidade: nós não sabíamos que Deus tinha um Filho, um Filho eterno; isso foi revelado ali.
E que essa criança seria concebida no poder do Espírito Santo. A Trindade inteira já estava lá, no mistério da Encarnação. Só Maria conhecia esse mistério; aos poucos, esse mistério foi sendo revelado.
No batismo, o céu se abre, o Espírito Santo paira sobre Jesus e uma voz do céu diz: "Esse é o meu Filho muito amado, no qual coloquei toda a minha complacência. " Ali é a manifestação pública do Mistério da Trindade. Mas a Trindade se revela em toda a sua plenitude e magnificência com o mistério pascal, com a paixão, morte, ressurreição e descida do Espírito Santo.
É aí, então, que nós, seres humanos, finalmente compreendemos que Deus é único, mas Ele não é sozinho. Ele é Pai, Ele é Filho, Ele é Espírito Santo. Deus é uma realidade de amor; é um Pai infinitamente amoroso que ama o Filho com amor infinito, que é o Espírito Santo.
Pois bem, esse é o mistério da Trindade e é isto que nos foi revelado no Natal: o Filho de Deus veio no poder do Espírito Santo. São Basílio Magno e São Gregório Nazianzeno deram sua vida para defender a divindade do Filho e a divindade do Espírito Santo na Igreja. Muitas pessoas achavam que podiam deixar de lado uma coisa assim, que afinal das contas ninguém compreende.
Para que complicar as coisas? Deus é um só; o Pai é Deus. Agora, o Filho, o Filho é divino, mas não é Deus.
O Espírito Santo, o Espírito Santo é divino, mas não é Deus. Mas, se fosse assim, nós estaríamos sozinhos de novo. Não haveria Emanuel, não haveria Natal, porque o Filho e o Espírito Santo, sendo Deus igual ao Pai, eles entraram na nossa história.
O Filho foi enviado no Natal, com o poder do Espírito Santo; o Espírito Santo foi enviado em Pentecostes, através do Filho. E então, o Filho e o Espírito Santo entram na história para nos divinizar, para nos unir a Deus. Nós podemos fazer parte da felicidade do céu.
Se eles não vêm, nós continuamos sozinhos. Não tem Emanuel, não tem Natal, não tem Deus conosco. Então, precisamos, nesse tempo de Natal, verdadeiramente meditar sobre a nossa fé e saber que a nossa fé dogmática, sim, aquilo que foi definido pelos concílios, precisa ser realmente defendida.
Ontem, nós falávamos no dia da Maternidade de Nossa Senhora do Concílio de Éfeso (431). Hoje, estamos falando do Concílio de Constantinopla (381), quando finalmente a fé dos Padres capadócios, São Gregório Nazianzeno e São Basílio Magno, triunfou e foi proclamado: é verdade, Deus é um só, mas Ele não é sozinho; Ele é Trindade, é Trindade de amor. Deus abençoe você.
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.