[Música] Você acha que é normal a mulher sentir menos desejo sexual que o homem? Se você acha que sim, eu preciso conversar com você. Seja bem-vindo a mais um episódio do Foca no Prazer, aqui no seu Prazer TV.
O meu nome é Bruno Lima, eu sou sexólogo, sou terapeuta tântrico, sou fundador do Instituto Bruno Lima e da formação em terapia sexual chancelada pelo MEC, através da Faculdade Fex Educação. E nesse vídeo aqui de hoje eu quero falar com você sobre o prazer feminino, aliás, sobre o desejo feminino. É muito comum a gente ver essa história de que a mulher tem menos desejo sexual do que o homem, que a disfunção sexual da falta do desejo ou o transtorno do desejo excitação é mais comum de acontecer na mulher do que no homem, porque é normal que a mulher tenha menos desejo.
Enfim, a gente vê muito essa história pela internet. Mas será que isso é verdade? Principalmente se você é terapeuta e trabalha com comportamento humano e trabalha atendendo pessoas.
É muito importante que você tenha a real noção de o que que isso significa e de como isso funciona na realidade. Como a gente vive dizendo por aqui, a sexualidade é um campo cheio de tabus, cheio de mitos e nós, como profissionais da área, precisamos estar atento ao que acontece para que a gente não saia por aí espalhando coisas que não é realidade. Então, se você quer saber a resposta para essa pergunta, fica aqui comigo até o final do vídeo de hoje, que é sobre isso que a gente vai falar.
E também eu vou dar várias dicas para você que é terapeuta de como você faz para tratar, te dar direções para você tratar a falta de desejo feminino ou transtorno do desejo de excitação, como é a forma que tá apresentado no nosso DSM. Então, mas sem enrolação, vamos pro nosso vídeo de hoje. Ah, aliás, antes de ir pro assunto, eu quero pedir para você o seguinte, se você não tá inscrito no nosso canal aqui no Prazer TV, não perde tempo, já se inscreve, porque se você chegou até aqui é porque você gosta desse assunto.
Eu tenho certeza que aqui tem muitos outros assuntos que vão fazer com que você aprenda muito mais sobre a sexualidade, sobre o prazer e sobre esse assunto que é tão importante. Então já deixa o seu like nesse vídeo, inscreva no canal para não perder nenhum vídeo que acontece aqui em todas as quartas-feiras às 19 horas. Você sabe, você tem um conto comigo, Bruno Lima, aqui no seu Prazer TV.
Então vamos parar de enrolação e vamos embora falar sobre aquilo que é o assunto do nosso vídeo. Vem comigo, vamos entender. Será que é normal que a mulher tem menos desejo sexual do que o homem?
Será que isso acontece mesmo? Vamos entender essa lógica aqui. Como eu já falei para vocês em outros vídeos aqui do canal, o que faz o ser humano, na verdade, querer e desejar qualquer coisa.
Além dos nossos impulsos naturais, existe uma situação, uma questão que eu falo sempre aqui com vocês, que é o prazer. Foca no prazer que a coisa vai acontecer. Então, para eu querer ter relações sexuais, falando aqui de sexo, eu preciso ter prazer.
Eu preciso ter tido prazer nas minhas relações, porque é assim que a gente aprende, aquilo que a gente faz, que foi prazeroso, a gente quer fazer de novo. Aquela comida que você experimentou, que tava, hum, uma delícia, você quer experimentar novamente, você quer comer aquilo de novo. Então, se você tem relações sexuais que são maravilhosas, que são muito boas, são prazerosas, claro que você vai ter desejo de repetir aquilo de novo.
Você quer ter mais relações. E aí que é o pulo do gato? Será que a mulher tem menos prazer do que o homem?
Será que o corpo feminino ele sente menos prazer do que o corpo masculino? Então, por que que dá a impressão que o homem tá sempre querendo sexo e a mulher às vezes é mais fria, não tem tanto desejo? Li, a gente tem que paparicar mais, é mais difícil, tal, coisa e tal.
Por que que será que dá essa impressão? E por que será que parece que as mulheres não têm naturalmente um desejo pelo sexo? Por isso, na verdade é um puro mito, a ideia de que a mulher tem menos desejo sexual pelo homem.
O que acontece, o que é uma realidade, é que a forma como a grande maioria das pessoas aprende a fazer sexo, principalmente que pensando numa lógica heterossexual, já que a gente tá comparando aqui mulheres e homens, são formas que são muito mais estimulantes e muito mais prazerosas para o homem do que para a mulher. Ora, se eu tenho um tipo de relação, pensando aqui tipicamente, como é que é uma relação típica na nossa sociedade em relação a sexo, que a gente aprende inclusive na pornografia, não é? Chega, abraça, dá um beijinho, beija ali, beija aqui, chupa ali, chupa aqui e já passa pra penetração, certo?
A penetração é um estímulo que ela é muito mais interessante pro homem do que pra mulher. É claro que eu tô falando de forma geral. Existem mulheres que gostam muito da penetração e tem orgasmos muito intensos por ali com essa prática, certo?
Estou falando da forma geral, de maneira geral. Na maioria dos casos, a via de prazer mais importante para a mulher ou mais fácil que a mulher tenha prazer não é penetração, e sim outros estímulos. Já pro homem, a via de maior prazer geralmente é a penetração.
Então, a forma que a gente aprendeu a fazer sexo é muito mais estimulante para o homem do que para a mulher. Então, não é uma questão do corpo do homem sentir mais prazer ou ter mais desejo do que o corpo da mulher. Não é uma questão disso.
Eu sei que muita gente vai falar da questão hormonal, de que o homem tá sempre ali estável em relação aos hormônios, a mulher tem aquela variação de picos hormonais determinada época no mês. Sim, isso realmente acontece, mas isso não é o suficiente para dizer que a mulher tem menos desejo do que o homem. O que acontece é justamente essa questão, os estímulos que provocam prazer naquela mulher, será que tá presente na relação dela?
Será que tá disponível para ela naquela relação? Será que ela tem capacidade de dizer aquilo que ela gosta? E quando ela diz aquilo que ela gosta, será que o companheiro dela recebe bem aquela situação ou não?
ele quer fazer do jeito dele, da forma que é mais prazeroso para ele. Então é isso que você terapeuta tem que ficar atento, como está acontecendo a relação daquela pessoa. E isso já vai te dar uma dica do que você vai tratar, de como você vai tratar, de uma mulher que chega ali falando falta de desejo ou falta de orgasmo, que são duas disfunções que são muito associadas uma com a outra, certo?
a falta de orgasmo. Se a mulher não tem orgasmo, pode ser que ela acaba desenvolvendo falta de desejo, já que ela não tem o quê? Prazer na sua relação, certo?
Então, esse é um ponto importante de você entender. Será que os estímulos que estão presentes na relação daquela mulher são os estímulos mais adequados para aquela mulher ter prazer? Sim ou não?
Certo? Então, a gente tem que avaliar quais são as situações que estão ali presentes no momento da relação daquela pessoa. E tem ainda um outro ponto.
Na nossa cultura, nossa sociedade, é mais aceitável que o homem tenha muito desejo sexual. Inclusive é isso. Inclusive é estranho quando a gente ouve falar que um homem tá sem desejo, porque isso não é esperado socialmente.
E é esperado que a mulher tenha menos desejo. Ou seja, o prazer masculino, ele é muito mais permitido socialmente do que o prazer feminino. Então essa questão cultural também vai influenciar na forma como se apresenta o desejo.
Por mais que a mulher tenha desejo, mas muitas vezes essa repressão da expressão da sexualidade, onde muitas vezes ela acha que se ela tem mais desejo sexual que o homem, tá a coisa errada com ela, ela tem alguma disfunção, alguma perversão, acaba que isso vai minando o desejo, isso vai reprimindo o desejo sexual, porque é como se fosse uma coisa que não fosse permitida a elas. Mais uma vez eu falo isso de forma geral. Claro que tem mulher que vai expressar muito desejo, tal, naturalmente, mas para maioria delas, de forma geral, dentro da sociedade que a gente vive, o sexo, ele é muito mais permitido ainda pro homem do que pra mulher.
O prazer sexual, demonstrar desejo ainda é muito mais permitido pro homem do que pra mulher. Então essa questão também vai influenciar aí na apresentação do desejo, que vai trazer essa ideia, esse mito de que a mulher tem menos desejo que o homem. Na verdade, não é isso.
Na verdade, todos têm a mesma capacidade de ter desejo e de ter prazer. A questão é como a relação está acontecendo, se os estímulos que são prazerosos para aquela mulher estão presentes na relação ou não. Então, se ela vai para uma relação sexual, não tem prazer, pelos mais variados motivos, a gente vai falar daqui a pouquinho sobre cada um deles, é normal que o desejo dessa mulher vai acabando com o tempo.
Se ela tem relações sem prazer, se ela vai para outra relação, não tem prazer, se ela vai pra outra relação, não tem prazer, e ainda pior, se ela vai para uma relação por obrigação, porque tá casada, porque tá namorando, então se sente na obrigação ali de ter relações, se ela faz relações por obrigação, que chamado de sexo, tarefa, vai minando ainda mais o desejo. Então aqui um ponto importante que a gente vai entrar no nosso vídeo de hoje. Como então a gente faz para tratar, para ter um direcionamento, para entender a questão da falta do desejo feminino, que é uma das funções mais comuns que mais vão aparecer na clínica, que mais vai aparecer no consultório do terapeuta sexual.
Qual que é a lógica por trás disso que a gente tem que entender e que eu falo muitas vezes aqui, não existe receita de bolo, não existe um protocolo, o que existe é um entendimento da situação que tá acontecendo. Então a gente vai tratar de acordo com os processos que estão acontecendo ali com aquela mulher, ou seja, as coisas que estão acontecendo na vida daquela mulher que tá levando a essa falta de prazer dentro da relação. Porque, como eu falei, foca no prazer.
É o prazer que vai fazer com que essa mulher tenha desejo, entende? Então, o que que tá acontecendo ali que não tá tendo prazer, que o prazer não tá rolando, então é isso que a gente tem que buscar, tá? Para isso a gente tem alguns parâmetros e para isso a gente vai buscar alguns processos, situações ali pra gente entender o que que tá disfuncional, ou seja, não tá funcionando para aquela mulher ter prazer.
Então um dos primeiros processos que a gente tem que avaliar são as crenças sexuais. O que que aquela mulher acredita em termo de sexualidade? Será que ela acredita que é o homem que é o responsável por levar prazer para ela?
Será que ela acredita de que é normal que o homem tenha mais desejo sexual do que ela? Quais são as crenças que estão relacionados ao sexo? Será que ela acredita que o sexo é pecado?
Que não pode fazer determinadas práticas, que é errado? Então, todas essas crenças podem estar atrapalhando que essa mulher tenha desejo, porque muitas vezes ela tem vontade, ela tem desejo, mas ela reprime por alguma questão que seja religiosa ou por alguma outro tipo de crença. Então, entender como essa mulher pensa em relação à sexualidade, se aquilo que ela acredita está ajudando ou está atrapalhando ela ter prazer.
Então, isso é um ponto que a gente precisa investigar. Comportamento e repertório sexual. Como que essa mulher vai paraas relações sexuais?
Será que ela tem um repertório sexual amplo ou será que ela só conhece a penetração? Será que ela tem conhecimento das suas áreas de prazer, das práticas que têm prazer? Ou será que ela fica sempre esperando ali que o parceiro que dê prazer para ela?
Como que ela age diante de uma situação sexual que de repente parece ser desagradável? Por exemplo, como que ela age diante de um parceiro que de repente perde a ereção? Como que ela age diante de um parceiro que de repente ejaculou rápido?
Se ela simplesmente desiste da relação, pode ser que ela não vai ter prazer. Ou não, ela consegue contornar bem essa situação e muitas vezes conseguir tirar prazer, conseguir ter prazer, mesmo com essas situações que aparentemente seria situações desagradáveis, situações ruins acontecem durante a relação dela. Outra coisa, o repertório, será que é um repertório mais estreito, só conhece penetração?
Ou será que ela também usa alguns brinquedos ou faz práticas orais ou faz outras práticas que são prazerosas para ela? Um repertório sexual rígido, a gente sabe que são fatores de vulnerabilidade que pode estar deixando essa mulher mais vulnerável a ter as dificuldades em relação ao desejo, em relação ao próprio prazer. Então, comportamento e repertório é algo que a gente tem que avaliar também se tá funcionando ou não para aquela pessoa.
A comunicação sexual, será que essa mulher ela tem uma boa capacidade de comunicar, de conversar sobre sexo com o parceiro? Será que ela tem uma boa capacidade de dizer aquilo que ela gosta ou de dizer aquilo que não está sendo legal, que não está sendo bom? Será que ela tem essa capacidade?
Ela conhece o próprio corpo a ponto de saber e poder comunicar aquilo que ela gosta? Porque muitas vezes elas não têm prazer porque elas não comunicam, porque ficam com vergonha ou porque às vezes ficam com medo da reação do parceiro, o parceiro não vai gostar ou porque é ele que tem que saber. Eu não posso ficar ensinando porque se eu tiver que falar essa frase é muito comum.
Se eu tiver que falar o que que ele tem que fazer, isso perde a graça. Eu vou brochar por causa disso. É muito comum a gente ver essa fala entre as mulheres.
Mas o fato é se você fica nessa posição de passividade o tempo todo, passividade no sentido de ficar sempre esperando que o seu parceiro que vai adivinhar que tem que saber o que que você gosta, você vai ficar a mercê de uma outra pessoa. E nesse fato, nessa situação, é muito mais difícil com que você realmente tenha prazer. Ao passo que se você sabe aquilo que dá prazer para você e você tem essa capacidade de comunicar sobre isso, fica muito mais fácil, porque se nem você sabe o que que te dá prazer, é muito difícil que a outra pessoa saiba.
Concorda comigo? Então, ter essa capacidade de comunicação, não só no sentido de saber o que dá prazer, mas também ter essa capacidade de conversar sobre a relação de vocês dois, entender quais as práticas que podem ser mais interessantes, ou mesmo você ter a capacidade de falar que algo que foi feito não foi agradável para você, que você não gostou daquela prática, que da próxima vez vamos tentar fazer diferente. Tudo isso é importante para que a mulher tenha prazer dentro da relação.
E é o prazer, mais uma vez eu tô falando isso aqui, e é o prazer que vai realmente fazer com que essa pessoa tenha e desenvolva o desejo. Auto imagem corporal. Como essa mulher enxerga seu próprio corpo, como ela se vê diante do espelho?
Será que ela gosta do que vê? Será que ela gosta da imagem do próprio corpo? Quais que são os sentimentos e as impressões que ela tem em relação ao corpo?
Será que ela fica à vontade estando sem roupa perto do companheiro dela, perto da companheira? seja quem for, como que está essa autoimagem corporal? Muitas vezes a gente sabe que a mulher não se sente bem com o seu próprio corpo, principalmente nessa neurose que a gente tem atualmente de ter o corpo padrão, o corpo perfeito.
Então, muitas vezes elas não se sentem bem, sentem envergonhada. Por mais lindas que sejam, muitas vezes elas têm vergonha do próprio corpo e aí quando vai para uma relação sexual desse jeito, vai toda travada, não vai focada no prazer, vai focada naquele pensamento, nossa, o que que ele tá pensando de mim? Será que ele tá vendo essa gordurinha aqui?
Será que ele tá vendo essa celulite? Nossa, o que que ele vai achar? O que que ele vai pensar?
Será que eu tô depilada? Como é que eu tô? Como é que eu não tô?
Essa autoimagem corporal é muito importante pro desenvolvimento do prazer. Se a mulher não tem uma autoimagem, ou seja, uma impressão, uma sensação boa em relação ao próprio corpo, a possibilidade dela não ter prazer dentro da relação é muito grande. E aí, se ela não tem prazer, como eu falei, que automaticamente o desejo tende a diminuir, tá?
E a própria vergonha do próprio corpo vai fazer com que ela não tenha disposição, ela não tenha desejo, ela não tenha vontade de ir paraa relação sexual. Então você percebe que são várias possibilidades, vários processos que podem estar prejudicados dentro da relação dessa mulher que podem levar ela a desenvolver falta de desejo. Então por isso que eu digo que não tem um protocolo, uma receita de bolo.
Vai depender de que tipo de processo que tá ali sendo disfuncional. Será que é uma pessoa que tem dificuldade de comunicar? Então eu tenho que trabalhar na comunicação.
Uma pessoa que tem uma dificuldade de comunicar, eu não vou conduzir esse processo da mesma forma que uma pessoa que tá com dificuldade em relação à autoimagem corporal, por exemplo. Às vezes é uma pessoa que se sente super bem com o seu próprio corpo, mas não tem uma assertividade de falar aquilo que gosta dentro da relação sexual. ou de repente é uma pessoa que se comunica super bem, mas é uma pessoa que tá com vergonha do corpo.
Então eu preciso entender quais são esses processos, quais são os acontecimentos que estão ali na vida da pessoa, na vida emocional, na vida mental, na vida prática, que estão atrapalhando o prazer. E aí quando eu começo a entender o que que tá atrapalhando o prazer, eu vou entender o que que tá atrapalhando o desejo. E aí galera, gostaram do vídeo de hoje?
Então, entenda, não é natural, não é normal que a mulher tenha menos desejo sexual do que o homem. O que acontece é que na nossa sociedade, muitas vezes, os estímulos sexuais que a gente aprende, eles são muito mais interessantes pro homem do que pra mulher. Basta ela entender, basta ela conseguir saber quais são os estímulos mais importantes, ou seja, os estímulos que mais trazem prazer para ela e conseguir buscar ativamente esses estímulos dentro da relação, que você vai ver o prazer acontecer, que você vai ver o desejo aparecer de volta.
Então, agradeço muito a presença de vocês até o final desse vídeo. Se você gostou, deixa o seu like, deixa o seu comentário. Se você quer saber mais algum assunto aqui dentro do nosso Prazer TV, no nosso programa Foca no Prazer, coloca nos comentários também.
Se você quiser conhecer a nossa formação sexual chancelada pelo MEC através da faculdade FEX Educação, eu vou deixar aqui na descrição desse vídeo para que você possa conhecer. No mais, um grande abraço para você, até a próxima quarta-feira. Um grande abraço e até lá.