[Música] Olá, estudantes. Sejam muito bem-vindos ao nosso podcast A vida Vida em Pauta, realizado pelo grupo acadêmico Fragmento de uma Vida. Eu sou Marcos Unícios, estudante do do terceiro período de psicologia.
Olá, eu sou a Glisnândia, estudante do terceiro período de psicologia também. E hoje nós recebemos duas convidadas muito especiais no nosso podcast e vamos falar um pouquinho sobre o MTI, que é o movimento da terceira idade, a Isabela Cardoso e a Dayane Henriques. Olá, boa tarde.
Tudo bem com vocês? Vocês poderiam falar um pouco sobre vocês, sobre o trabalho que vocês fazem na instituição? Então, eu sou assistente social, eu trabalho no movimento já tem assim uns 11 para 12 anos já.
E eu gosto muito do que eu faço lá, né? Então eu vou parar por aqui de importante. Vou dar espaço pra Isabela se apresentar também.
Eu sou psicóloga e atuo como coordenadora lá no movimento da terceira idade. Bacana, gente. Então, a gente pode começar com uma primeira pergunta que fala muito sobre o Moti em si.
Eu queria saber, na verdade, qual que é a missão que o Moti tem pra sociedade e pro ele oferece. Então, o movimento ele tem a ele trabalha com serviço, na verdade, né, chamado serviço de convivência e fortalecimento de vínculos. Então, o nosso objetivo é trazer eh a seguridade social, falar um pouco sobre a seguridade social.
Nosso objetivo é trabalhar sobre isolamento, eh dar demonstrar pro idoso a importância em ser protagonista da própria história, dele se manter ativo, né? Então os nossos objetivos, eles são voltados 100% pra qualidade de vida do idoso, que é importante, né? Uh, pensar, nós tivemos uma matéria um tempo atrás que falava realmente da psicologia do jovem adulto, idoso.
E durante um bom tempo foi falado realmente sobre a psicologia que a gente pode praticar em relação ao idoso, que é um pouquinho mais, vou usar a palavra difícil, não sei se é o termo correto, mas tem umas questões ali que a gente precisa eh ter um pouquinho mais de estudo, um pouquinho mais de tato, né? Tem uma uma bagagem diferente, por quê? a gente tem aquele aquele pensamento de que a pessoa idosa é uma pessoa enjoada, uma pessoa chata.
Exato. Na verdade, eu costumo fazer a seguinte pergunta: você hoje tem 59 anos e amanhã você fez 60. Você mudou de ontem para hoje só porque você entrou na terceira idade, né?
Então existe uma grande diferença entre ser velho e ter e passar pelo processo de envelhecimento, que é que a gente passa desde que a gente nasce. É um é a cada dia, né? Então, eh, é um público que tem que ser tratado como adulto.
Eu acho que um grande problema é infantilizar o idoso, eh, diminuir a capacidade dele. E aí, nesse sentido, você acaba tratando como trata uma criança às vezes, como se o idoso fosse birracinto, fosse birrentino, né? E aí esquece que ele é um um indivíduo com direitos e deveres, como qualquer outro, né?
E na verdade a gente acaba eh automaticamente adotando essa prática, né? A gente é comum, fica como se só existisse esse caminho, o envelhecimento trouesse uma certa diminuição. Sim.
É tanto que você pega, por um exemplo os desenhos de pessoas idosas. Quando você pensa num desenho de uma pessoa idosa, você pensa numa pessoa capíngua, com a bengalinha debilitada, atravessando a rua. Existe um meme muito engraçado que tá acontecendo agora, que justamente na minha na minha hora de ser velha elas são fitness.
Não sei se você já avisam isso. Aí tá todo mundo ficando forte, todo mundo ficando com físico em dia. Justamente agora na minha época de ser idosa, de ser isso muda um pouco, né?
Exatamente. Eu acho que só aí já muda. É, já dá pra gente perceber que a sociedade ela tem uma percepção diferente agora do ido.
Tá começando, né? Tá começando e tá tendo esse choquezinho, né? Uma evolução, né?
Na verdade, não só pros idosos, que é importante fala da saúde deles, mas também para as pessoas que compartilham com eles a sociedade, né? Então, ter essa percepção. Às vezes nós que ainda não estamos na terceira idade, a gente tem uma visão agora de terceira idade muito diferente do que a gente tinha antes.
Sim. Então, com certeza isso. E acaba que isso eh deveria ser algo a trabalhar mais que eu eu vejo como engatinhar ainda, né?
algo que tem que tem que se tem que ir passando, né, pr pra geração agora em diante e e algo tem que ser visto como algo positivo, né? Eu acho que inclusive também é um um é bom talvez um monte é porque faz parte da missão talvez de vocês, mas essa evolução também os projetos não só que Motif faz, mas como provavelmente tem outros projetos parecidos, isso também já faz com que a sociedade perceba e tente seguir, né? eh ter essa percepção diferente.
A importância de ter o motiva, uma uma questão que não tinha um tempo atrás e agora tá tendo tem essa evolução. E aí a gente, só para você compreender, o movimento hoje tem 33 anos de existência. Quando surgiu, o objetivo dele era contribuir para que outras entidades nesse âmbito existissem, porque só existiam os antigos asilos, só se falava em asilos, né?
Não tinha nem na época que o movimento surgiu, não tinha nem conselho do idoso no município. Então, surgiu com a a missão antes era justamente contribuir para que outras entidades pudessem existir e atender este público, porque era só asilos ou então eh grupos de senhoras fazendo bordados. Então, não tinha essa questão da perspectiva do direito, não tinha essa questão de enxergar o indivíduo como uma pessoa que é que é ativo na comunidade, não tinha isso.
Então, a partir do momento que as coisas foram mudando, até a visão da instituição também foi mudando em relação a isso, né? Eh, antes era unir as entidades e fortalecer para que houvesse um trabalho, mas como não existia políticas, não existia estatuto, não existia, tava ali o estatuto tava recente também, né? tava tava tudo muito recente, não tinha o conselho no município, então as coisas foram mudando de acordo com a realidade.
Então até a a missão e a visão da instituição mudou mediante as mudanças que foram acontecendo. Outro diferencial que a gente percebe também que diferente dos asilos onde eh, né, entre aspas depositava, né, se deposita o idoso e deixa eles lá, a instituição ela a ela o idoso tem a autonomia, ele vai para ser atendido e volta para os pro seu lar, pra sua casa, né, pro seu conforto. justamente é o objetivo da instituição.
Eh, dentro das da política de assistência, nós temos a baixa, média e alta complexidade. E nós atuamos na baixa comp na baixa na básica, né? A básica, média e alta complexidade.
Nós nós atamos na básica. O que significa isso? é justamente eh diminuir, contribuir para que os impactos da dos relacionamentos, os impactos do processo de envelhecimento não sejam tão fortes ao ponto daquele dor do ser institucionalizado, que hoje em dia já não tem mais aquele formato asilo.
Hoje é são lares, né? Não, né? Até nomenclatura já mudou.
Então a forma de lidar com aquele idoso lá também mudou. Mas a gente compreende que depois que o idoso sai do âmbito familiar, ele raramente vai ter contato com o familiar novamente. Ele vai, ele probabilidade dele ser um idoso sozinho, que familiar, nem em épocas de festivas, como aniversário e Natal, essas coisas vão, muitas vezes não vão para poder eh visitar, ver como que a pessoa está, né?
né? Então, o nosso trabalho é justamente dar eh proporcionar ao idoso essa visão dele mesmo, que ele é uma pessoa ativa, dele reconhecer seus próprios talentos, dele buscar novas oportunidades para ele, eh, e ele se colocar ativo, não só mentalmente e fisicamente também. Outra pergunta que também é muito bacana para esse debate podcast, que é eh que nós sabemos que os idosos eles se sentem excluídos e muit das vezes esquecidos na sociedade.
Então, em relação ao MTI, como que vocês aborda e compreende essas questões? Então, eh, a gente sabe que existe essa questão do idoso se sentir eh, inferior em alguns momentos, só que a gente busca trabalhar alguns temas, né, Isabela? por exemplo, resiliência, né?
Autoconfiança, autocontrole, que importantíssimo isso, eh, autoconhecimento, é justamente para que ele possa voltar um olhar para si, para que ele resgate aquela questão do ser que ele é, da, ele se coloca significado na puxa o significado, né? vamos falar assim, isso, o seu próprio significado. Significado.
E aí a gente busca trabalhar dessa forma porque eh então o Moti trabalha para que eles não sentem excluídos na sociedade, né? Nós temos no movimento da terceira idade atividades físicas como hidroginástica, nós temos propio nós temos roda de conversa, inclusive nessa roda de conversa é com a participação, né, no caso minha participação como psicóloga e a participação da Dayane, onde nós abordamos temas como autoconhecimento, autocontrole, empatia e eles podem se expressar lá como eles se sentem diante da sociedade, como eles vem que a sociedade, né, sente em relação a isso. Então, no caso, eh, a roda de conversa tem as atividades, né, eh, hidroginástica, academia, mas a roda de conversa seria talvez o ponto chave assim para essa autonomia do do deles, né, dos usuários.
é justamente o ponto chave da entidade. Nós utilizamos as oficinas de artesanato, ginástica, hidroginástica como um chamariz, vamos dizer assim, é uma atividade para convidar a pessoa a participar, mas o objetivo mesmo é trabalhar esses temas, é mostrar, né, pro idoso o significado dele, a importância, justamente trabalhar esses temas que é o ponto chave da instituição. E a gente acha que não é bacana assim, muitas pessoas, na verdade, não tem conhecimento, mas é, tem uma diferença muito grande você fazer uma roda de conversa, assim, tem um um bate-papo que muito das vezes não não tem nenhum tipo de preconceito, você tá muito aberto para poder fazer a falar, né, sobre a sua vida, suas experiências normal.
O nosso grupo de conversa, ele é dividido em 15 em 15 pessoas. Nós temos quatro turmas de 15 pessoas, então eles se sentem mais acolhidos por ser menos pessoas. E assim eles realmente se abrem conosco lá, sabe?
Nós abordamos um tema e eles falam: "Ah, comigo aconteceu isso, comigo aconteceu aquilo". E eles choram, né? eles realmente demonstra o seu sentimento, o seu pensamento, o que eles estão vivenciando e até porque também essa essa atividade ela já traz eles para um convívio entre pares, porque ele ali no meio, né, do e eu ele não vai sentir eh retraído porque ele sabe que o outro também tem uma realidade para contribuir, né, para para partilhar ali.
É, esta forma de trabalhar já traz também um significado pra vida deles, já traz para eles eles estão inseridos. Eu estou inserido, eu não estou fora, eu estou inserido. E também faz com que eles dividam, né, a por às vezes a situação que um tá passando, outras tá passando uma situação semelhante, aí tem aquela percepção de que não acontece isso comigo, buscar ajuda em conjunto, compartilhar ali em conjunto.
E o interessante é que esse grupo também ele é um ele é sigiloso. O que que significa isso? Eh, os 15 que se reúnem hoje, eles não se oscilam nos outros grupos, são sempre aqueles mesmos 15 que se reúnem para poder formar aquele vínculo, amizade, liberdade, a segurança de compartilhar.
Mas no caso, eles demoram um tempinho para poder se abrir, tem esse espaço assim, eles já falam que precisa falar. Então, geralmente nós gostamos de começar a roda de conversa com uma dinâmica, um quebra-gelo para eles se soltarem mais, né? ou uma música ou um uma brincadeira.
Então assim, a gente faz um quebra gelo para depois começar com tema. Então nesse quebra gelo eles já começam a se soltar. É uma técnica que nós usamos, dá muito certo com eles lá.
Tem muita necessidade de falar. Quando a gente conversa com a pessoa com, né, uma uma idade, uma maioridade, a gente percebe que eles não têm esse esse blackout que a gente às vezes tem essa inibição de falar, parece que eles são mais soltos, né? A eles já são experientes suficientes e já tem aquela liberdade de de articular, de falar.
às vezes no âmbito familiar a família já tá tão cansada de ouvir as mesmas coisas que aí quando eles quando eles sentem que eles estão num grupo que vai acolher a fala deles, que vão sentir o que eles sentem, que vão entender o que que eles estão expressando, aí eles têm mais liberdade de comunicar. É, se as pessoas no mundo todo, a sociedade escutasse mais, o mundo seria bem diferente, no meu ponto de vista, sabe? eh participar efetivamente dessas atividades que elas são oferecidas pelo motivo, eh ajuda os idosos a vocês já responderam teoricamente, né?
Mas assim, pra gente poder enfatizar um pouco mais, eh, ajuda a ressignificar as questões ligadas ao ao envelhecimento como o sentimento de solidão e o isolamento social, porque o isolamento social, acho que na questão do idoso, ele é um pouquinho mais grave, no meu ponto de vista, sabe? Ele é grave e diferente. Eu vou falar do isolamento social e deixo a outra parte para você.
Eh, pro idoso não é somente morar sozinho, que é isolamento social, às vezes conviver no âmbito familiar, mas dentro da família ele não tem uma voz ativa. Dentro da família ele é aquela peça que tá sempre esquecida num canto. Às vezes ele ainda é casado, mas mora em quarto, vive em quartos separados.
Ele também pode estar dentro de uma situação de isolamento social, porque ele está ali como se ele fosse um móvel. Uhum. Ele não tem opinião, ele não tem voz, o que ele fala não tem significado, o que ele fala não tem importância.
Eh, você tá ultrapassado. Então, o isolamento social pro idoso, ele tem um olhar um pouco diferente do que simplesmente morar sozinho ou não ter filhos ou não ter esposo ou dessa forma. Agora, a questão do sentimento de solidão, eu vou deixar pra Isabela.
Então, gente, eh o sentimento de solidão, nós podemos entrar aí como a depressão, né? Quando a pessoa ela tem um sentimento de solidão, é grande possibilidade desenvolver uma depressão. Eh, a Daane comentou sobre às vezes o idoso não tá sozinho na casa, mas tem um sentimento de solidão.
Eu conheço até uma história que fala que estava, né, um casal, os filhos e o avô. E eles iam viajar e todo mundo arrumando as coisas, tal. O vzinho precisou de ir no banheiro.
A família foi, continuou trancando a casa, guardou as malas e entrou no carro. Quando já tinha dado assim uns 10 minutos, falou: "Ó, o papai e o vovô, cadê ele? " Tinham esquecido, trancado dentro da casa, né?
Aí teve que retornar e o vô tava lá chorando. Então assim, eh, esse isolamento, às vezes o idoso tá dentro de casa e tá se sentindo isolado. Sei da família, né?
que isso, gente, é grave, né? Porque isso pode sim desenvolver uma depressão, isso pode desenvolver uma ansiedade, né? Nós temos aí idosos que tomam remédios fortíssimos para depressão e ansiedade.
Inclusive a gente tem até uma um um parâmetrozinho, né, de não de todos, mas daqueles que já passaram pelo acolhimento comigo, 22% tem depressão, ansiedade. E eu fico pensando, na verdade, desse desse eh caso que você contou de que depois disso esse idoso, ele nunca mais vai ser é a mesma pessoa. Ele já talvez já não era, né?
Mas esse fato de pessoas esquecidos pensam no sentimento de inutilidade, né? Nossa, de não pertencimento. É, gente, inclusive nós temos um vídeo muito bacana dos usuários do Moti falando, né, relatando como que o Moti ele ajudou esses usuários no processo.
Vamos ver. Muito bom, porque se eu tiver nesse motin, eu não tava igual mais. Me sinto com mais energia, com mais compromisso, com mais animação.
Depois que eu entrei, eu conheci gente nova, eu tô com a minha cabeça mais alijada, tenho mais e eh energia, mais reconhecimento com as pessoas. A minha mente melhorou, acho que me ajudou bastante, que ajudou a cada um de nós na memória, né, na mente, relembrando simples as coisas. Esse exercício aqui melhorou minha mente muito.
É ter medo convívio familiar. A minha mente melhorou muito nesse caso aí de ter eh diálogo com as pessoas. Isso cada dia que passa a gente tá conhecendo gente novas, vamos pro passeio passear e lá nós se divertimos muito.
Estou sentindo muito melhor na mente, no físico. Tá sendo maravilhoso para mim. e conviver com as pessoas também, fazer novos amigos.
Tá sendo uma bênção. Quando eu entrei no motinho, eu era muito canta. Eu sortei muito, peguei defana, fui ver todo mundo olhar para lá, todo mundo é igual, é idoso, tudo.
Saúde, faz parte, né? E os movimentos do quadro aqui também tudo ajuda e abre a mente e tudo, tudo, tudo, tudo. Uma gratidão muito que a gente tem com motivo.
Igual a gente sente mais como tá em casa. Eu senti livre à vontade, motivando a cada um de nós no dia a dia, ser perseverante nas coisas que fizemos, né? Para mim o motinho tá sendo uma bênção.
Então o motinho é muito bom, é bom mesmo. Para mim foi tudo de bom, tudo que a nossa precisa tá acontecendo. Muito interessante a contribuição, enriqueceu muito o nosso conteúdo.
Na verdade é muito importante, né? a gente precisa colocar isso em pauta aqui no podcast, porque esses relatos realmente é o que eh dá conexão com os estudantes, né, que é o nosso objetivo, com o resto da sociedade também. Então, muito bacana mesmo.
E trazendo novamente, né, pras pras perguntas, eh, gostaria que vocês falassem um pouco eh para os problemas emocionais entre os entre os idosos. já foi percebido um padrão, algo que se repete, eh, para que agrave esses quadros, o fato de envelhecer, né, eles passam por algumas situações, como já foi falado aqui, que pode prejudicar a saúde mental deles, é o isolamento social, né? Não só como os exemplos que eu dei, mas também quando acontece a perda de um cônjuge, né?
ou quando os netos e os filhos, né, saem de casa pro casamento ou saem para outro país. Nós temos idosos no movimento da terceira idade que tem filhos em outros país. Então assim, eles ficam, né, com eles sofrem esse certo isolamento social e isso afeta, isso impacta, né, a saúde emocional deles.
Eh, a questão também da perda da autonomia, né, que fica às vezes eh um pouco debilitado, né, não conseg não consegue fazer mais do que fazia antes, perde agilidade, né, igual alguns, por exemplo, não dirigem mais, né? Aí depende de pegar Uber, outras coisas assim, então acaba perdendo um pouco de autonomia, né? eh doenças crônicas, né, que também alguns podem desenvolver, né, como aí eh o Alzheimer, nós inclusive nós temos uma idosa que está nessa nesse início aí de Alzheimer, né?
Eh, aí também tem outras doenças crônicas que nós podemos citar, né, como eh Paxo, por exemplo, mol de Paxo, né? Tudo afeta também a saúde mental deles. Eh, lutos frequentes, porque querendo ou não, né, a partir de 60 anos aí vai chegando 70, 80, vai perdendo muito, muitos amigos, né?
Sim, muitos amigos se vão, então eles eles passam também pelo luto. E nós sabemos, né, que o luto ele não tratado é perigosíssimo, né, para desenvolver, pode gerar uma depressão, uma depressão profunda, né, um isolamento, eh, mudança também de moradia, infelizmente, né, eh, nós do movimento da terceira idade, nós trabalhamos, igual a Daan já comentou aqui, com assistência básica para que eles consigam ficar, né, ali na sua casa, ter a sua vida ativa, mas infelizmente tem alguns idosos que eles precisam de ir paraa instituição de alta complexidade, né, que no caso aí é os é os famosos asilos que falam caso de internação que eles tem que ficar lá. Então essa mudança brusca, você era independente, você morava na sua casa.
Aí de repente você tem que ir para uma instituição de autocomplexidade, onde você é cuidado, onde você não tem mais uma autonomia para sair, fazer seu pagamento. Então isso ah sim é um fator assim como agravante, muito agravante na saúde mental. E outra questão é quais os desafios a equipe de atendimento encontra ao lidar com a saúde mental dos idosos?
Então, como o nosso trabalho ele é um trabalho que você não tem o foco direto no indivíduo, ou seja, a gente a gente não trabalha direto com um usuário em particular, a gente trabalha com com vários ao mesmo tempo. Então, às vezes, a a no o nosso trabalho paralisa ali para que a gente encaminhe ele pela pra rede, pra rede socioistencial isso. Para ser atendido de forma individual.
Então assim, a gente tinha, quando a Isabela começou, eh, a gente tinha até uma uma discussão que a gente falava muito sobre que incomoda a gente o fato de que muitas vezes quando o idoso chega numa situação que ele já não consegue mais ir e vir, que ele não consegue mais ir com as suas próprias pernas pra instituição, que ele passa por um processo de adoecimento como Alzheimer, que deixa ele mais debilitado, a gente se sente um pouco engessado porque é como se o nosso trabalho meio que parasse ali. e é um usuário que tava com a gente durante muito tempo, ativamente, ativamente, porque justamente já ultrapassa os limites das nossas funções como instituição. E aí a gente tem que encaminhar ele pra rede, ele vai ser acompanhado em outras situações, ele vai ser acompanhado pela saúde, já muda, né?
Então a gente enxerga como um desafio pra gente, que a gente discutiu bastante sobre isso, né, Isabela? Eh, é a dificuldade às vezes de quando chega numa situação que não tem como mais a gente intervir, até onde o que passa por um agravo maior, aí a gente tem que encaminhá-lo e e também com essa preocupação de se o atendimento após isso, como será realizado esse atendimento, se vai ter também uma uma efetividade, se ele vai ser eh assistido da forma, né, a trazê-lo. pro pro seio da sociedade para trazer o acolhimento adequado que até ali o MTI está proporcionando.
Isso, porque o nosso idoso ele vai até a instituição. Raros são os filhos que precisam levar os idosos até a instituição. Então quando ele passa para essa questão de dependência de um familiar para encaminhá-lo, aí já passa da nossa autonomia de trabalho.
Se o familiar não tiver disposto com que esse doce continue socializando mesmo na condição dele. Agora, na verdade, eu tenho uma pergunta que vamos entrar no assunto de atividades físicas, que é um ponto muito importante também paraa sociedade, paraa sociedade não, né? para o motim, não deixa de ser pra sociedade também, mas para o motinho específico.
Eu queria saber quais são as melhores atividades que vocês têm no motinho e as mais eficazes que não me garantem melhorias, mas que corroboram paraa melhoria e pro bem-estar da saúde mental nesses idosos dentro do MTI e às vezes até fora do do MTI também. Qual que seria mais ou menos? Então, eu já até citei aqui as atividades que nós oferecemos, né, que é a hidroginástica, a propercepção, circuito funcional, roda de conversa, né, que nós oferecemos.
E assim, o movimento da terceira idade ele ele trabalha todo do idoso, né, de acordo com a Organização Mundial da Saúde, né, a saúde ela não é ausência de doença, ela é o bem-estar social, psíquico, né? Uhum. de do indivíduo.
Então, o movimento da terceira idade, ele trabalha, né, o bem-estar físico com as atividades físicas, hidroginástica, né, para mais flexão, para mais eh para uma belícia mais ativa. O movimento da terceira idade também trabalha a questão social, né, aliás, é o nosso pilar, né, trabalhar com o carro chefe, seria isso, o carro chefe. e também querendo ou não trabalha com a a saúde mental do idoso, né?
Com as nossas rodas de conversa, nós temos muito temas relevantes. Se a gente for colocar em pauta, pesquisinha, o que eles amam? Hidroginástica.
hidroginástica, porque é uma atividade sem impacto. É uma atividade sem impacto que eles, gente, o que eles conversam dentro daquela piscina não tem explicação. Eles vão além do exercício físico.
Não é aquele, não é uma turma robótica que tá ali todo mundo focado como se tivesse numa aula. O o foco deles não é peso, não é peso. Essa é esse também pode ser uma difer.
Então assim, quando a gente conversa com o educador físico, é endorfinas, são dopaminas e ele vai, né, a famosa receitinha da alegria, né? Tem muitos relatos, né, de idosos que chegam pra gente, nossa, depois que eu entrei na hidro, eh, meu sono melhorou muito. Eu tava tomando remédio para dormir, agora não tô precisando de tomar mais.
Ou seja, abriu mão ali do livro trio, entendeu? Então, eh, de uma forma indireta, mas se eles não conseguem dizer que melhorou a saúde mental, mas eles conseguem os pontos demonstrar que melhorou a Eles não sabem que tá melhorando a saúde mental, mas sabe dizer o que que tá melhorando na vida deles. E outra pergunta, existe uma relação direta observada em participação de atividades física e recreativa com a melhoria da saúde mental na terceira idade, né?
vocês já trouxeram a metade dessa resposta, mas poderíamos discutir um pouco mais. Justamente quando a gente conversa com o educador físico e a gente já pesquisando, a gente compreendendo, a gente percebe que além da liberação da endorfina, serotonina, dopamina que acontece durante a prática da atividade física, a gente percebe que eles conseguem ficar, eles têm mais mobilidade, sim, né? a dificuldade de acender a roupa no varal, a dificuldade de subir um degrau de um ônibus ou até mesmo sentar, eles vão melhorando essa questão.
Então, automaticamente a gente consegue perceber que eles vão se sentindo melhor fazendo atividade física. Então a gente não consegue deslocar, desvincular a atividade física das atividades que a gente oferta por causa disso, porque eh ele eles não sabem apontar mentalmente falando a saúde mental, né, Isabela, o que que melhorou, mas eles conseguem apontar que eles estão se sentindo melhor. Nossa, eu tô me sentindo melhor.
Questão da autoestima, né? Isso. Tô dormindo mais, eu tô me sentindo melhor, eu consigo, consigo caminhar a distâncias que eu não conseguia antes e por aí já atividade física faz bem no todo, né?
Tanto até no tratamento mesmo na ansiedade, né? Se você chega no médico e fala que, né, tá com ansiedade, se pessoa tem um transtorno de ansiedade generalizada, a primeira coisa que o mé vai falar é terapia e atividade física, né? Então, fí e é realmente um trabalho multidisciplinar, envolve tudo, né?
vocês já trouxeram eh algumas mudanças, mas eu queria que trouesse mais mais a fundo. Eh, se percebeu alguma mudança significativa eh na saúde mental dos idosos que foram alcançada através das atividades oferecid pelo Centro de Convivência? É, aí a redução da ansiedade, né?
já houve relatos de idosos que estavam muito ansiosos, tomando remédio, que, né, controlou sua ansiedade, depressão, tinha idosos lá depressivos, né, já relatou comigo mesmo, nossa, eh, antes do movimento da terceira idade, eu ficava sozinha em casa, não tinha nada para fazer. Agora que eu entrei no movimento da terceira idade, é um compromisso. Eu acordo, eu já sei que eu tenho que ir na hidro trazido.
Sei que eu tenho pintura, porque muitas vezes tem de manhã e pintura à tarde. Então eu já faço o meu cronograma, eu já acordo, vou pr e tomo meu café, vou pra ida, depois eu venho e faço meu almoço rapidinho e daqui a pouco tá na hora da ir pra pintura. Então assim, ocupa a mente deles, né, com com o compromisso da rotina e particip isso faz muito bem para eles.
Isso faz muito bem. Então assim, a pessoa deixou de ficar trancada dentro de casa, depressiva, para encontrou o movimento da terceira, né? E hoje tem uma vida assim ativa, uma vida feliz, uma vida de justamente por isso que às vezes se torna tão difícil apurar assim uma coisa só específica, porque a gente trabalha o físico, emocional, habilidades, ele é ativo, ele é saudável.
Então a gente sabe que é consequência de um conjunto abrangente, né? né? É bem abrangente.
Eh, gostaria também que vocês trouxessem para nós, eh, respondendo a pergunta, é, quais os principais desafios para manter em funcionamento o centro de convivência e como o governo, os órgãos que regem, as políticas públicas, a sociedade pode contribuir para que esse esse atendimento continue e que ele também cresça a cada dia eh alcançando mais pessoas. Primeira coisa é compreender que o trabalho que nós oferecemos não é uma ajuda, é um direito. É um direito estabelecido e que ele merece ser trabalhado, né?
Então, quando você pensa em perspectiva de direito, que é direito do idoso a acessar espaços como esse, aí você pensa em diversas situações. Primeiro, participação da sociedade. Participar não é só contribuir financeiramente, é participar afetivamente.
é entender o contexto, o que que tá acontecendo, que precisa ser melhorado, participar dos espaços públicos como conselho, préconferências que discutem as necessidades do do do ambiente, né, do território, para que essas propostas quando quando vierem lá de cima para baixo, para que as entidades possam atuar, elas venham de acordo com a necessidade do usuário de fato. Em segundo momento é que eh por ser uma organização da sociedade civil, ser uma OSC, né, eh precisa que a sociedade civil perceba também a necessidade de a importância do trabalho que é executado. E a gente fala de empresas que podem estar doando através de projetos via SSQN.
a gente fala de de emendas impositivas que a gente recebe, que é muito importante essas emendas paraa entidade. A gente fala de fundos, né, no caso, a dedução do% de imposto de renda que o empresário também pode estar fazendo através para o fundo do idoso para financiar os projetos. Por quê?
Nós não recebemos o dinheiro diretamente. Não que a gente não possa, não que a comunidade não possa, ela pode contribuir, deve contribuir direto na instituição, mas também para que elas também podem estar contribuindo de outra forma que através dos fundos, né? Fundo Municipal do Idoso que nós temos hoje, os nossos projetos eles são financiados pelo fundo municipal do Idoso, fundo municipal da pessoa idosa, emenda impositiva e também via ISSQN, que é dedução de impostos.
Então é importante compreender aqui, às vezes eu como sociedade eu não vou lá como empresário, por exemplo, na sociedade que presta um serviço, eu não vou lá tirar do meu bolso e do lá porque não é minha intenção, mas eu posso deduzir outras formas. Sim. Ah, sim.
De outra forma, né? E assim, o nosso trabalho ele é fiscalizado, ele é acompanhado. Eh, os nossos projetos a gente tem que escrever com coerência.
Então, o trabalho que é ofertado, ele é muito sério, ele é um trabalho com com comprometimento, né, eh, e responsabilidade. Então, o como que isso acontece? Fechando a sociedade pode contribuir para que a gente consiga levantar as demandas.
Sim, ela pode contribuir para que compreenda o idoso como indivíduo de direito naquilo ali, não é porque ele é bonzinho, coitadinho, né? é um indivíduo que merece ser respeitado e é um direito dele como e é um direito e o estado a partir do momento em que reconhece as ações das organizações da sociedade civil também, porque é uma forma de terceirizar o serviço que eles deveriam estar prestando. Sim, gente, então para encerrar, eu queria que vocês deixassem eh uma recomendação, um conselho para esses estudantes de psicologia, os futuros profissionais, as pessoas que já estão na área atuando de todas as áreas.
da saúde, porque ela é uma equipe multidisciplinar. Quais seriam as recomendações eh que vocês gostariam de passar eh para quem cuida desses idosos eh em relação à saúde mental? como que a gente poderia eh ajudar, mesmo não sendo parte do motivo, como que eu, tendo uma pessoa que é da terceira idade, como que eu poderia eh estar com essa pessoa ou como que eu poderia eh talvez ajudar ela de alguma forma?
Quais seriam as recomendações assim, os conselhos que vocês gostariam, poderiam dar pra gente? Olha, acho que em primeiro lugar paciência, né? Sim, paciência e ter um olhar atento mesmo pro idoso, sabe?
eh, prestar atenção em sinais que ele tá dando, né? Às vezes talvez de esquecimento, né? Eh, tristeza profunda, né?
que nós temos aí é depressão, é palpitação, que às vezes a pessoa chega no hospital com palpitação, acha que tá morrendo de um atacado e morrer ansioso e o idoso, infelizmente tem ainda aqueles pensamentos, alguns a maioria posso falar da minha família de que, ah, não vou ir psicólogo, que eu não sou doido, né? Tem esse né? Pelo menos na minha família, às vezes é de vocês não tm, mas aí é conversa, né?
uma conversa, explicar até mesmo a nossa profissão, vocês futuros psicólogos, né, que terapia não é só para quem é doido, terapia trata transtornos, né, para todos está tristes, perdeu para todos nós, com certeza perdeu o interesse de fazer exercícios, perdeu o interesse de sair, tá numa tristeza profunda, o que que será, né, e realmente fazer um acompanhamento, andar junto ali com o idoso, até porque também muit das vezes é é visto assim assim, ah, tá fazendo assim porque tá ficando velho. E não é, às vezes é um sinal de algo que que está afringindo ele ali, que ele está passando por momento de ansiedade, que você está chegando na depressão e por ser um idoso não tá acontecendo, tá assim, porque ele é velho, tá ficando velho comoativa, né? Isso, infelizmente, né?
ainda tem temos essa essa questão essa integridade de achar que tá fazendo certas coisas porque é velho. Gostaria de agradecer a vocês pela participação, a Daiane Isabele, né, que nos eh disponibilizou do seu tempo, né, do tempo de vocês para trazer eh debater, conversar sobre esse tema, sobre esse assunto e que trouxe muito enriquecimento, muito conhecimento para nós. É, gente, eu agradeço demais.
Eu primeiro gostei muito de vocês dois, quero frisar isso. E o movimento ele é muito bacana. Que bom que nós estamos fazendo esse podcast para as pessoas que estão nos vendo, tenham conhecimento, que inspire, incentive também outros outros movimentos, outras pessoas a colocar, impulsionar o projeto pra frente.
Então eu muito obrigado mesmo por ceder realmente o tempo de vocês. Oportunidade e eu desejo realmente muito sucesso projeto para vocês também na vida de vocês como psicólogo, como assistente social. Então, muito obrigado mesmo e que cresça, né?
Que esse trabalho cresça e alcance mais pessoas, consiga ajudar mais pessoas, mais famílias. Exatamente. Estudantes, nós chegamos no final do nosso podcast.
Eu espero que vocês tenham gostado, eh, que esse projeto do podcast sirva como incentivo para vocês na jornada, jornada acadêmica de vocês, também a nossa, e que daqui pra frente a gente possa só seguindo o sucesso também, sendo profissionais em formação e aprendendo constantemente. Então, no final desse vídeo, nós vamos deixar um vídeo muito bacana de todos os idosos, que eu gostaria que vocês também fizessem parte eassem. Então, até mais, até o próximo projeto.
Muito obrigada. Principalmente você tem que amar a ti. Se você amar você, a sua cabeça vai est boa para você amar o outro, para você ter uma mente sadia e ter também compaixão e respeito pelo outro.
Saber ouvir a pessoa também é se respeitar. Compaixão. Se não tiver compaixão, você não vai a lugar nenhum.
e o respeito com as outras pessoas e com o mundo inteiro, né? Quando você tem respeito, você tem uma saúde mental super controlada, aí você consegue também respeita o outro e respeitando a si próprio e voltando para dentro de si mesmo. Você tem que dormir bem, alimentação saudável vai paraa sua mente e te ajuda a viver melhor no dia a dia.