Desde que o homem pensa para viver, a pergunta sobre a vida boa é a mais importante. Em relação a essa pergunta, todas as outras são secundárias. Você que aprendeu tantas coisas, decorou os afluentes da margem esquerda do rio Amazonas, a função das organelas citoplasmáticas, que seno quadrado de teta mais cosseno quadrado de teta é igual a 1. Talvez Deva admitir que diante da pergunta sobre o que que tem que acontecer na vida para você ser feliz, todas essas informações são secundárias. senão meio ridículas. A verdade é que a reflexão sobre a vida boa atravessa séculos
e o homem sempre deixa registros na história do pensamento daquilo que sempre considerou o filé minhon da vida. O que de mais importante deve acontecer para que ela seja bem-sucedida. Lá na mitologia, Homero escreveu a Odisseia. E a odisseia, você sabe, é a aventura de Ulisses. Ulisses é o nosso herói. A Odisseia é a sua aventura. Ulisses era rei, rei em Ítaca, e foi convidado para participar de uma guerra dos gregos contra Troia. O porquê dessa guerra, o príncipe de Troia pegou a mulher do rei de Esparta, Menelau. A mulher era Helena, maravilhosa Helena. E
o príncipe de Troia impiedosamente a seduziu. Menelal, então, atravessado pelo ciúme, declara guerra à Troia e convoca todos os gregos para se juntarem a ele. Ulisses não queria guerra nenhuma. Ulisses vive em Ítaca de boa com sua mulher Penélope. Ulisses no seu lugar. Ulisses adorado pelos seus súditos. Ulisses, um rei aplaudido por onde passava, não queria de jeito nenhum ir Paraa guerra. Mas Menelau constrangeu todos os reis gregos a participarem desta vingança contra os troianos. Ulisses, então tem que ir. A verdade é que a permanência de Ulisses ali na guerra foi de 10 anos. E
durante esse tempo, os troianos, na verdade, estavam ganhando a guerra. Os gregos estavam tomando um pau. E aí Ulisses teve a ideia que você conhece, a do famoso cavalo de Troia. encheu o cavalo de troia de soldados e Deu de presente pros troianos. Os troianos enchendo a cara, comemorando a vitória. Os gregos desceram de dentro do cavalo e ganharam a guerra. O cavalo devia ser grande. Aí então Ulisses volta para casa. foi condecorado o herói. Mas durante a guerra, Ulisses, Ulisses fez uma bobagem. Ele furou o olho do cíclope Polifemo, filho de Poseidon, Deus dos
mares. Ih, meu amigo, ele furou o olho do Deus Dos mares, do cíclope, do filho dele. E aí não prestou. E o que é pior? Um cíclope só tem um olho. Posseindo então enraivecido, resolve aborrecer Ulisses. E Ulisses vai levar 10 anos para voltar para casa. Claro, Deus dos mares na Grécia tinha tudo para aborrecer Ulisses e Ulisses não conseguia voltar para casa. Dos 10 anos que Ulisses levou para voltar para casa, 7 anos foram passados Na ilha de Calipso. Calipso, uma deusa grega, dizem que maravilhosa. Imagine como quiser. Afinal, é mitologia. Nada disso existe
mesmo. Eu imagino o Calipso mais ou menos com o sorriso de Isis Valverde, o resto de Juliana paz. e glúteos de Paola Oliveira. Assim é a minha Calipso. E Calipso se apaixonou por Ulisses. E aí então Ulisses, Ulisses queria cair fora. E Calipso tinha uma ilha que era quase que um rort de cinco estrelas. Ela tinha ninfas a seu serviço. Era uma espécie de paquitas que estavam ali limpando, fazendo churrasquinho, assando a lagosta. E aí você, mas que espécie de castigo é esse com uma mulher dessa com ninfas num lugar paradisíaco, mas toda noite lisses
ia pra praia chorar porque ele queria voltar para Penélope, paraa Ítaca, pros braços da sua amada, pro seu lugar. E aí então Zeus manda que Calipso liberte Ulisses. Zeus é o deus dos deuses. Calipso é uma deusa de quinta. Ela tinha que liberar Ulisses. Então ela tenta uma última cartada. Ela vira para Ulisses e diz: "Malandro, é o seguinte, eu tenho que te liberar, mas se você ficar comigo, eu te dou a eternidade." Imagina, isso significa virar Deus. Ulisses era mortal, humano, que nem nós. E Calipso estava propondo a ele a Eternidade e com uma
cautela. Porque não adianta nada propor a eternidade com você envelhecendo, envelhecendo, envelhecendo, daqui a pouco você já tá no chão. Parece uma uva passa num impróprio pro consumo. Então, Calipso diz: "Eu te dou a eternidade e a juventude". Vai ser eternamente assim, espetacular, viril e tal. E aí Ulisses tinha essa proposta na manga e a resposta que Ulisses dá é a primeira grande resposta da história da filosofia Paraa vida boa. É preferível uma vida de mortal, uma vida de humano vivida no seu lugar, no lugar certo, do que uma vida de Deus no lugar errado.
Agradeço a sua proposta. Ulisses vai embora. Está dada aí a primeira grande lição da história do pensamento ocidental. Existe um lugar para você, um jeito certo de você viver que tem a ver com a tua natureza, que tem a ver com as tuas especificidades, talentos e dons Naturais. Se você tiver no lugar certo, a vida tem tudo para ser boa. Mas se você não tiver no lugar certo, nem Calipso resolverá o seu problema. É exatamente aí que a filosofia começa. O que será que a vida tem que ter para valer a pena? E o primeiro
grande pensador será Aristóteles. 350 antes de Cristo, Aristóteles garante que o filé minhon da vida, o que definitivamente tem que acontecer, Aquilo que você tem que buscar do nascimento à cova, é a excelência de si mesmo. E a excelência de si mesmo é o pleno desabrochar da própria natureza. É ir mais longe possível dados os recursos naturais que são os teus. E assim você imagina que um pequeno desenhista buscará a excelência no desenho, o pequeno cantor buscará a excelência no canto. E assim Neymar buscou a excelência Jogando futebol. César Cielo buscou a excelência nadando. Haverá
quem tenha talento para cálculos matemáticos. Haverá quem tenha talento para a venda. Haverá quem tenha talento para o convencimento. Outros têm talento para a explicação. Tornar ideias complexas, discursos simples. Haverá tantos talentos e habilidades e você viverá bem. Você será feliz. O filé minhon da vida é ser o mais perfeito possível de si mesmo, buscar a excelência da sua Própria especificidade e aí a vida terá tido sucesso. É o que acontece com a planta. Você pega uma muda de uma planta, você espeta no solo. Se a vida der certo, aquela planta se torna uma grande
árvore. Ela atinge o máximo de si mesma. Assim, cada um de nós também deve buscar a excelência, porque a excelência é condição da felicidade. A felicidade que os gregos denominavam eu daimonia. A felicidade que é o que você sente quando você devolve pro mundo aquele Investimento que o mundo te deu em talentos e habilidades. Você devolve em forma de expertise, em forma de competência, em forma de performance brilhante. E aí você é feliz porque você vai o mais longe possível naquilo que poderia ir. Pode dar errado, né? Pode dar errado porque você pode passar a
vida inteira sem saber qual é a tua praia. Pode dar errado porque é muito difícil descobrir talento pra música num lugar que não tem instrumentos musicais. É muito difícil descobrir talento pro desenho num lugar que não tem lápis e papel. Você pode passar a vida inteira sem saber exatamente o que a natureza esperava de você. E aí, é claro, você vai viver de qualquer jeito, sem saber exatamente qual é a tua a tua praia, quais são as tuas forças e os teus recursos. Você acaba vivendo aonde tem lugar, você acaba se encostando aonde deixam. E
aí a vida tenderá a ser medíocre, menos Perfeita, menos excelente, menos espetacular. E aí ela é sem graça. Assim foi a minha até os 13 anos, completamente sem graça. Eu ia pra escola, a aula acabava meio-dia, 15 meiodia, eu já tava com a mochila pronta, doido para cair fora. Cada segundo eu tava doido para cair fora. Quem sabe muitos aqui não estão nessa mesma situação. Último dia de congresso. Sábado depois do almoço, as malas na porta, voo iminente. E esse cara falando de Ulisses e Calipso, realmente, viu? Olha onde eu fui parar. Depois da aula,
meu pai me obrigava a nadar. Eu detestava nadar. Eu fazia revezamento com um cara que esse sim era nadador por natureza, chamado Ricardo Prado. Esse era bom de bola. Eu fazia revezamento com ele, ele caía, nadava primeiro, ele abria uma diferença Enorme do segundo colocado. Aí caía eu e os adversários se aproximavam perigosamente. Apesar de mim, a gente ganhava. Eu fazia de tudo pela derrota. Eu detestava nadar. No domingo, meu pai me levava no Morumbi para ver jogo. 90 minutos esperando terminar. Enquanto ele torcia, eu descascava Minduim. Ele tinha que me avisar, foi gol. Aí
eu Fingia vibrar para ele não ficar chateado. E ele dizia: "Foi gol dos caras, Cala a boca que nós vamos apanhar." Meu pai também me levava em escola de arte. É tão legal arte, não é? Para artistas tinha aula de argila. É insuportável aula de argila, você sabe disso. Eu sempre fazia um cinzeiro. Eu tinha que dizer que era um cinzeiro sempre. Pior do que argila só origami. Origami, coisa do demônio em japonês. Uma folha de papel, 360 dobras na ordem certa para você chegar num fascinante passarinho que você xuxa no rabo, ele abana as
asas. Errou uma dobra, fodeu o passarinho. Nunca o meu passarinho abanaria as asas quando chuxado no rabo. Com uma semana a mulher já chamou o meu pai e disse: "Com o seu filho aqui temos três tipos de aluno. Primeiro tipo: Super talentosos serão grandes artistas. O segundo tipo não tem tanto talento, mas estão aí se divertindo. E o terceiro tipo é o seu filho. Ele não é daqui, ele é Ulisses na ilha de Calipso. Ele tá fora de lugar. Mas aí aos 13 anos a vida mudou. Professor de geografia entrou no primeiro dia de aula.
Imagine isso em 1978, nos jesuítas de São Paulo, colégio São Luís, na Avenida Paulista. O professor de geografia entra e diz: "Eu não vou dar aula. O curso será todo de seminários dados pelos alunos." Teve um sorteio de temas. Para mim caiu o petróleo, assunto sem graça, mas eu já tava acostumado. A vida era sempre assim, sem graça. Fui para casa estudar. Na época me chamavam de CDF. Hoje me chamariam de nerd. Eu tirava 10 em tudo, mas não vibrava com nada. No meio do semestre, chegou a Minha vez. Subind num palquinho da classe, olhei
pra classe e tava apinhado de gente. Imagina um lugar apinhado de gente. Colegas de outras classes vieram assistir, os professores deixaram que viessem e vieram junto. Eu tinha fama de doido. Isso ajudava a atrair as pessoas. Eu era muito esquisito quando eu era criança. Eu sei o que você pensou, mas eu era muito mais esquisito quando Eu era criança. Eu sei que pela primeira vez quando eu olhei todo mundo ali, eu me senti bem. Foi legal estaronde eu estava. Pela primeira vez eu me senti Ulisses em Ítaca. Pela primeira vez eu tava no lugar certo.
Aristóteles do lado comemorava. Pela primeira vez aquele lugar era adequado para mim. Como a vársia é adequada para o arroz e o deserto ao cactus. Pela primeira vez daquele lugar eu não queria ter saído Nunca. Para ter certeza que ia demorar o máximo de tempo possível. Eu não começava. E olhava para todos em silêncio. Os colegas se cutucavam. Esse cara é mais doido do que eu imaginava. O professor me ameaçou: "Comece, eu vou lhe dar zero." Eu tive que começar cheio de entusiasmo. Falei tudo que eu sabia sobre o petróleo. Mas eu falei rápido demais.
Quando eu acabei, faltavam 50 minutos ainda. Um colega disse: "Professor, deixa ele continuar falando. É tão legal o jeito que ele fala." E o professor disse: "Ele que fale, a aula é dele." Nossa, que dilema, que dilema. Eu não queria sair dali, mas não sabia mais nenhuma para falar. Então eu decidi inventar sobre o petróleo. Quando eu decidi inventar, eu lembrei do meu pai. O meu pai sempre foi a pessoa mais importante da minha vida. Foi o meu pai que me criou. E o meu pai, ele nunca Estudou, mas ele dizia coisas que depois eu
encontrei na filosofia mais sofisticada. Você certamente já ouviu falar de um pensador do século XIX chamado Niet, que escreveu uma obra complicadíssima intitulada Assim falava Zaratustra. Pois muito bem, nessa obra tem uma fala que meu pai dizia praticamente com as mesmas palavras. Olha só a comparação. O filósofo dizia: "Demore o tempo que for para perceber o que você quer da vida." E o meu pai dizia: "Não tenha pressa na hora de viver". Aí o filósofo dizia: "Percebendo o que quer da vida, não recue nenhum pretexto." E o meu pai dizia: "Para trás, nem para pegar
impulso." O filósofo dizia: "Não recueira te dissuadir". E o meu pai dizia: "Não recua tá cheio de gente querendo te foder". E o meu pai ainda sempre acrescentava Com carinho para mim: "Seu bosta". Eu lembrei do meu pai, eu me impertiguei ali, não tinha mais como recuar. E eu disse bem, o que eu falei até aqui tá no livro de vocês, é só ler. Tá fácil. A partir de agora, eu peço que anotem, porque o que eu disser não tá escrito em lugar nenhum. Olhei para trás e vi que o professor arriou os óculos intrigadíssimo.
Eu tive medo, mas eu lembrei do meu pai. Seu bosta. Ali não tinha mais volta. E eu comecei: "Não adianta nada ter petróleo no seu território se os petróleo não presta. Tem petróleo bom, mas tem petróleo ruim. Tem petróleo que não energiza nada. O petróleo não tem a mesma qualidade pelo mundo afora. Da onde eu tirei isso? Não me pergunte. Mas dando palestra na Petrobras, eles me garantiram: "A intuição é perfeita". Tinha petróleo que não presta mesmo. Tem petróleo que não energiza nada. que eu já sabia aos 13 anos. Então eu me levantei mais e
disse: "Todo mundo sabe que o melhor petróleo do mundo é o petróleo da Romênia". Começaram a anotar. Eu achei fascinante que anotassem. Então eu expliquei. Do norte da Romênia, claro, região da Sildávia. A Sildávia não existe. Eu tirei das aventuras de Tin Tim. Eu olhei para trás e vi que o professor balançava incrédulo. Ele não devia entender nada daquilo. Eu não sei nem onde fica a Sildável. Esse cara não pode estar zoando com a minha cara. Eu vi que era hora de quebrar ele no meio, aproveitar a fragilidade dele e perguntei: "O senhor sabia disso?"
Ele olhou apavorado e disse: "Não, não sabia". Eu falei: "Então anota para aprender alguma coisa". [Aplausos] Tava difícil de você aplaudir, hein? Eu sei que [Aplausos] vamos fazer desse evento um evento inesquecível. Eu vou fazer o melhor que eu puder aqui. Pode vir comigo. Eu sei que eu continuei falando o que me vinha na cabeça, porque eu não precisava lembrar de mais nada. Falei de petróleo na Ilha Do Bananau, em Fernando de Noronha, em Madagascar. Um colega disse: "Dá para repetir?" Eu falei, "Eu mandei você anotar, cara. Não lembrava de mais nenhuma que eu tinha
dito. Terminou o seminário, vieram os aplausos frenéticos e um outro colega falou: "Professor, deixa ele dar todos os seminários." O professor falou: "Mas ele só estudou sobre o petróleo?" Eu falei: "Quem Falou?" Saí dali eufórico, fui encontrar o Fusca Branco do meu pai e o meu pai nunca tinha me visto correr, nem andar. Eu me arrastava, na verdade. Ele achou até que fosse assalto. Eu entrei no carro, comecei a contar o que tinha acontecido e o meu pai, que nunca estudou nada, tinha entendido tudo. Aristóteles, no banco de trás do Fusca comemorando. Eu tinha encontrado
Itaca. Ali eu tinha achado o meu lugar. Ítaca para mim é a sala de aula. É ali é onde a vida feliz é possível. É ali é onde a excelência eu venho buscando nos últimos 30 anos. É ali aonde a felicidade atravessou a minha vida. Dali nunca mais saí. Os gregos comemoram mais uma vida bem-sucedida. Aquela pequena goiabeira que virou uma grande goiabeira. Aquela pequena planta que não não Encruou, mas vingou. Essa é a reflexão primeira da história do pensamento. A reflexão de que tem um lugar para você, porque você tem uma natureza que é
só sua, que você descobrindo qual é a tua praia, a busca da excelência é a própria felicidade. A felicidade é ir o mais longe possível, ser o mais perfeito possível e devolver para o mundo em forma de performance Aquilo que o mundo te deu em forma de potencialidade, em forma de talento, em forma de recurso natural. Essa foi a primeira resposta do nosso encontro. Os gregos morreram, Aristóteles morreu e o pensamento grego foi pouco a pouco sendo substituído por um outro, um outro jeito de pensar a vida, o homem, o universo. E esse outro jeito
também tinha um Grande líder, um grande mestre espiritual chamado Jesus. Jesus nasceu em Nazaré 350 anos depois de Aristóteles. Aristóteles, você sabe, era grego, estudou na Academia de Platão. Jesus era judeu e se formou no judaísmo. Aristóteles tornou-se um subversivo na academia. Jesus tornou-se um subversivo no judaísmo. Jesus disse coisas que ninguém tinha dito antes. E Jesus, grande sábio que era, respondeu à nossa pergunta: "O que que a vida tem que ter para valer a pena?" E a resposta de Jesus é impactante até hoje. Por mais que vivamos numa sociedade de cultura cristã, a resposta
de Jesus quando anunciada com clareza, produz extraordinário impacto nos Espíritos de quem ouve. O filé minhon da vida, a vida que de fato vale a pena. é a vida assumidamente dedicada ao outro. Isso é absolutamente incrível, sobretudo para nós, acostumados a ouvir que o sucesso da nossa vida tem a ver com o nosso próprio ganho, com a nossa própria riqueza, com o nosso próprio conforto, Com o nosso próprio poder. Jesus dirá mais ou menos o contrário. O filé minhon da vida, aquilo que fará de você um vivente feliz é a entrega, é proporcionar, é alavancar,
é permitir que o outro viva melhor do que viveria se você não existisse. É permitir que o outro sorria. O sorriso que se você não fosse, ele não sorria. é permitir que o outro sinta a alegria que Se você não estivesse, ele não sentiria. E aí sim você terá vivido vida boa, vida que valeu a pena. Lição de Jesus. Bem, os exemplos podem ir ao infinito. Basta que alguém que você ame fique doente para que você gaste no único cheque tudo que tinha guardado para si. E aí você descobre rápido o que que vale mesmo
na hora de viver. A minha filha Natália é a mais nova dos meus filhos, tem 13 anos hoje. Quando tinha quatro, foi acometida de gravíssima doença rara no ocidente. Síndrome de Kawasak, um vírus letal. Funciona mais ou menos assim. Esse vírus só aparece em crianças de 4 a 6 anos. Esse vírus, se desincubar, mata a criança na hora. Mas tem uma vantagem. Se ele não desincubar por 2 anos, ele acaba morrendo e a criança está definitivamente curada. Dois anos, só Anos esperando. Eu olhava paraa minha filha na UTI e eu me dizia: "Por que não
troca? Eu fico no lugar. A vantagem é óbvia. Eu fico aqui e a criança fica livre disso. Como não tava dando certo, eu fiz proposta irrecusável. Pegue 20 crianças com isso. Ponha os 20 bichos em mim e liberte as 20 crianças. Agora a vantagem é mais do que óbvia. Não esqueça de pôr a minha filha no meio. Bem, pensando assim, eu aprendi coisas sobre mim, coisas que eu não sabia. Eu aprendi que para mim a vida não era o bem de maior valor. Continuar vivo era o mais importante. Porque se fosse o mais importante, eu
não trocaria. Se fosse o mais importante, eu jamais faria aquela Proposta. Então, naquele momento, eu aprendi que havia alguma coisa que valia mais do que continuar vivo. Eu aprendi, então, a maior lição de Jesus de Nazaré. A maior lição, o que mais vale na vida, o filé minhon da vida. Eu aprendi que o amor vale mais do que a própria vida. Por isso propunha troca. [Aplausos] Mas é claro que por onde você andar, Você encontrará o mesmo fenômeno. Pessoas desesperadas lutando para diminuir o sofrimento de quem sofre. Na boate quis em Santa Maria, nos desmoronamentos
em Petrópolis e Teresópolis, nos incêndios em São Paulo. Pessoas completamente despreparadas se atiravam no perigo em nome da proteção da vida alheia. Você encontra isso por onde você andar? Para desdramatizar, minha filha completou 13 anos em maio E ela virou para mim e falou: "Papai, ela tá completamente curada, portanto." E ela falou: "Papai, eu queria comemorar meu aniversário em casa, queria mostrar minha casa pros meus amigos. Você deixa". A minha filha sempre pede tudo para mim, porque de mim ela sabe que ela tira tudo que ela quer. Depois ela só comunica a mãe. Eu já
falei com o papai e ele já deixou. Vieram 39, Subiram no mesmo elevador, invadiram o apartamento no mesmo segundo. E quando eu vi aquele enxame de criança entrando em casa, me lembrei de uma poetisa búlgara que dizia mais ou menos assim: "Criança pequena é como água, ocupa todos os espaços". Eu me tranquei no quarto, mas a poetisa tem razão, todos os espaços. Papai, papai, queremos brincar aí também, minha filha. Para onde você quer que eu vá? Você não gosta tanto da padaria? Vai pra padaria e espera lá, leva o celular que eu te aviso. E
aí eu te pergunto, que espécie de idiota passaria 3 horas de sábado numa padaria esperando que uma criança o autorize a voltar paraa sua própria casa? Esse idiota somos todos nós, não somos? que um dia percebemos que o sorriso da criança amada vale qualquer padaria. Minha filha me autorizou a voltar e Quando eu cheguei em casa, porque ela é muito legal, ela virou para mim e disse: "Papai, muito obrigado por ter deixado. Eu me diverti muito. Eu sou emotivo. Rapidamente as lágrimas brotam." E ela continuou então inapelável. Eu queria te dizer mais uma coisa. Eu
adoro ser sua filha. Nossa, eu para ouvir aquilo passaria uma semana Na padaria. Eu acho que eu abriria uma padaria. Neste momento, você poderia imaginar que o exemplo de Jesus encontra abrigo em situações de afetos familiares. E você poderia imaginar que aqui é trabalho, evento profissional, competidores a flor da pele, com sangue no olho e faca nos dentes. A lição de Jesus não encontraria lugar aqui. Eu tendo a discordar A 30 anos como professor universitário, me perguntam por escolhi essa profissão. E eu costumo brincar dizendo que Jesus explica. Porque se a vida boa é a
vida dedicada aos outros, se o filé minhon da vida é a vida onde cada jaula e cada caloria é destinada a alegrar quem está na frente. Se a vida boa é a vida em que o outro e o seu desabrochar são o maior valor, admita que a minha profissão é imbatível. Tudo é pelo aluno, é para o aluno, é em função do aluno. É o aluno que aprende, é o aluno que se forma, é o aluno que se capacita, é o aluno que se prepara, é o aluno que se posiciona no mercado, é o aluno
que volta para você depois que tá trabalhando para continuar estudando. Tudo é por ele. Cada aula preparada, cada livro escrito, cada ensinamento dado é para que ele possa pensar melhor e viver melhor. Nada volta, nem salário tem. É evidente que é pelo aluno, mas eu falo do professor a título de exemplo, todas as demais profissões podem ser assim. Quando o médico volta, volta para casa à tarde e às 4 da manhã, é acordado, ao se levantar, ele talvez ganhe mais do que o professor, mas não é por causa disso que ele Levanta. Nem ele, nem
o dentista, nem o advogado, nem o psicólogo, nem ninguém. E aí eu costumo dizer, disse até uma vez num num evento de mídia que depois na internet atravessou o país, que trabalhar é quebrar o galho de alguém. Trabalhar é quebrar o galho de alguém com conhecimento de causa. Trabalhar é quebrar o galho de alguém com formação. Trabalhar é quebrar o galho de alguém com método, com expertise, com protocolo. Mas trabalhar é, antes de tudo, quebrar o galho de alguém. Feliz daquele que consegue enxergar na alegria do outro resultado das suas ações, do seu investimento, da
sua dedicação e do seu empenho. E é evidente que alguém como você que trabalha com um valor maior de felicidade, que é a segurança, é evidente que alguém como você tem Claro no seu espírito que se você se empenha por progredir, por ampliar seus negócios, por servir ao maior número de pessoas, muito antes do que pensar no próprio enriquecimento, muito antes de pensar no próprio acúmulo de recursos, muito antes de pensar na própria fatia de mercado, muito antes de pensar em si, você sabe o quão bem você faz as pessoas que bateram a sua porta.
Você sabe o Quanto as pessoas confiaram em você para bater a sua porta? Você sabe o quanto as pessoas que não dominam o setor como você domina confiaram em você para entregar a você a segurança daqueles que ela mais ama, seu maior tesouro, seu bem mais precioso. E você enxerga isso, entende que é a sua e sabe que a tua maior responsabilidade não está na simples Ampliação dos teus negócios, mas está na proteção daqueles que acreditaram em você, na proteção daqueles que em situação de de não defesa, de situação de insegurança, vieram bater a porta
e confiaram, confiaram nos serviços que oferecem. Portanto, você entende que só isso dará a você a dimensão do sentido do trabalho, o sorriso do outro, muitos outros, mas muitos outros, famílias inteiras, Enorme quantidade de gente que sorria um pouco mais por se sentir um pouco mais seguro. Aí está o sentido do seu trabalho. O resto é tabela, números, gráficos de frieza impiedosa e que pouco ou nada justificariam o seu empenho extra, a sua dedicação extra, porque é exatamente olhando no olho daqueles que confiam em você que você se sente importante e não contribuindo com números
frios e porcentagens que nelas Mesmas nada querem dizer. Essa é a lição de Jesus de Nazaré. Até porque você um dia vai perceber que não precisa jantar cinco vezes na mesma noite. Jante só quatro. Vai fazer bem para você. E você terá gente feliz do lado, gente que não ia comer te fazendo companhia. Uma homenagem a Jesus, segundo o sábio do nosso encontro. [Aplausos] [Música] [Aplausos] Chegamos na modernidade. Para aqueles que estão com a mochila pronta, um alento. Eu já passei da metade. Chegamos na modernidade e o homem descobre que o universo não é uma
máquina como queria Aristóteles. O homem descobre que o universo é uma zona infinito e ele é povoado por energia em trânsito. O homem então percebe com Copérnico, Galileu e Newton que a sua própria vida é energia. energia emanada por um aglomerado de matéria que em algum momento se deteriora e se reconstrói. O homem percebe que existe vida e vida enquanto existir energia e que a sua própria vida é energia que dura um certo tempo. O grande mestre agora é Espinosa, pensador holandês, um dos três maiores da história do pensamento. Espinoza Pensará simples assim: Se a
vida é energia, a vida boa é com muita energia. Essa energia que é a nossa, ele vai denominar de potência de agir. Anote aí, potência de agir. Quantidade de energia que dispomos para viver num determinado segundo. Contemple aí a minha potência de agir. Potência de agir. Energia vital, vontade de continuar vivo, tesão pela vida, libido, são outros nomes paraa Mesma coisa. Se a evida é energia, sua potência de agir tem que estar superior a zero. Porque se bater no zero, a vida acabou. E você é o tempo inteiro uma luta pela potência de agir em
alta. potência de agir. A filosofia disciplinosa é um estudo criterioso das condições da preservação da potência de agir. E aí você sabe que ela oscila. Ela oscila porque você tá no mundo. O mundo se relaciona com você. O mundo te afeta, o mundo te transforma. E como você é energia, é claro, o mundo faz oscilar a tua energia. exemplo, outro dia estava no centro da cidade de São Paulo, aonde eu estudei por 5 anos quando eu era moleque, fiz a faculdade de direito ali no Largo de São Francisco. Então eu fui até o centro da
cidade e aí passei por um daqueles restaurantes do centro e tinha lá prato Do dia, rabada com polenta e salada de agrião. Eu falei: "Opa, é isso mesmo. Adoro rabado, adoro polenta, adoro." Sentei, falei: "Traz uma". Aí veio aquilo, parecia bom, comecei a comer e eu percebi rapidamente que o encontro da rabada com o meu corpo não foi potencializador para mim. A minha potência de agir começou a despencar rapidamente. Todas as células do meu corpo viram um exército contra a rabada pequenadora. Aí então eu comecei a suar Frio, comecei a tentar eliminar a rabada por
todos os orifícios que havia possíveis. E aí fui parar no hospital, cheguei no hospital num estado de precariedade, sujeira imenso, porque eu já tinha feito de tudo. A moça do hospital me conhecia na porta e disse: "Professor, o que aconteceu?" Eu disse: "É rabada em forma de vômito, senhora. Coisa tá feia aí. Chamar não sei quê. Buscopan plasil na veia, não sei quê. Uma enfermeira apetecível. E eu comecei A reagir, comecei a melhorar. E aí o meu corpo venceu a rabada. O mundo às vezes é assim, tenta te derrubar e você é um exército para
impedir que a potência caia a zero. Às vezes não precisa nem ficar doente. Quando eu acordo, acordo todo dia às 5 da manhã, a não ser quando eu tenho que acordar antes. E quando eu acordo para levantar da cama é uma desgraça. Eu não sei você, mas eu sou assim. Para levantar é um inferno. Eu sei que tem gente que acorda Cantando. Pessoas que acordam cantando dão um pulo, abrem a cortina. São pessoas detestáveis mesmo. Se você compartilha o leito com alguém assim, livre-se enquanto for tempo. É insuportável gente assim. É brincadeira, é só inveja.
Pessoa tá fazendo abdominal, não consegui levantar da cama ainda. Aí eu vou me arrastando até o vaso e no vaso eu já melhoro umzinho, ganho de potência de agir. Tomo uma ducha, ganho potência De agir, tomo um cafezinho, dá uma espertada, ganho de potência de agir. Sa não pegar trânsito, deixo minha filha na escola, passo na frente do estádio do Paquembu, venho por dentro de um bairro chamado Vila Madalena para não pegar trânsito. Chego na cidade universitária, no bairro do Butantã, grandes espaços, grandes áreas verdes. Aí começam a chegar os alunos, eu começo a falar
e é impressionante como eu gosto do que eu falo. Impressionante como eu me encanto com o que eu mesmo digo. É impressionante. Eu, por mim, me ouviria eternamente. Você sabe que você me ouvindo aí deve estar pensando: "Esse cara é insuportável". Realmente, ele é insuportável. Ele é de uma arrogância sem par. Não é não. Pense o que quiser. Mas reflita comigo. Você já percebeu que você tá sempre do seu lado? Não tem como mandar você e ficar. Aí você pensa e diz: "O Senhor fala como se eu fosse dois. Mas é você e a consciência
que você tem de você". Na filosofia isso chama transcendência do ego. Você quer ver como são dois? Você faz uma cagada e diz: "Caralho, olha o que eu fiz". São dois. Quem fez a cagada e quem, né? Você olha no espelho, vê que engordou. São dois, você diz, o gordinho e quem viu que engordou, um fica puto com o outro. Você encontra alguém topograficamente exuberante, decide ir, investe pesado, paga uma Coca, motel Vesúvel R$9,90. E você que sempre foi um demolidor, nunca nada ficou de pé, né? Boneca inflável, tomada, buraco de fechadura, você nunca deixou
nada barato naquele dia, não é todo dia que tem pão quente. Naquele dia a verticalidade foi pífia, insuficiente. E aí que você vê que você é dois mesmo. Aí são inseparáveis. É o brocha e o envergonhado. Esses dois não se separam nunca. [Aplausos] Se você é dois e você tá sempre do seu lado, se você será sempre o o espetáculo mais recorrente para você, se você vai ser sempre o seu mais fiel espectador, goste do que você faz, senão não tem chance da vida valer a pena. Eu adoro isso aqui. Você deve perceber. Às 10
horas da manhã eu tô em cima da Mesa gritando. E você perguntará: "Professor, o que aconteceu? 5 horas da manhã o senhor não conseguia levantar da cama. 10 horas da manhã o senhor tá em cima da mesa gritando: "O que aconteceu?" Espinosa explica, houve ganho de potência de agir. E Espinosa vai dar um nome para isso. Uma palavra que você usa o tempo inteiro, uma palavra que você conhece e que hoje aprende o significado. Alegria. Alegria. Conceito da filosofia do século X7. Alegria. Passagem para um estado mais potente do próprio ser. Alegria. Alegria é a
maior distância da morte. Alegria, energia em alta. Alegria, nosso filé me da vida. Alegria, condições da alegria. Mundo alegrador. Não sei se já aconteceu contigo. Você do nada você encontra alguém. Alguém que um dia você já conheceu, alguém que você não esperava de jeito nenhum encontrar, Alguém que não passava nem mais remotamente na sua cabeça encontrar. E você encontra e você fica perplexo, você fica absolutamente encantado com aquele reencontro. E aí a alegria é indisfarçável, a alegria é soberana. E aquela pessoa que acabou de aparecer na sua frente é causa da tua alegria. Eu te
pergunto, se você não amar o mundo quando o mundo te alegra? Se você não amar o mundo quando o mundo te distancia da morte, Vai amar o quê? O amor é alegria pelo mundo quando o mundo nos alegra. Lição de Espinosa, alegria. Você não tem o direito de patrocinar para si uma tristeza crônica. Você não tem o direito de aceitar passivamente que rap hour seja às 18 horas de sexta-feira. Não tem por a felicidade demorar tanto. Alegria. Alegria segunda às 8 da manhã. Alegria. Alegria no trabalho, não fora dele. Alegria pelo que você faz, não
depois que acaba. Alegria pelo exercício profissional e não no descanso. A alegria que comece antes, patrocine a você alegria é a chance. Esse momento você deve pensar assim: "Se o senhor todo dia às 10 horas tá alegre, eu acho que eu vou dar aula de ética lá na sua universidade." Não foi isso que eu falei, amigo. Isso sou eu. É um exemplo. E como você deve perceber, olhando para mim, eu sou diferente de você. O mundo que me alegra não é o mesmo mundo que te alegra. Portanto, vá procurar a alegria no seu canto. E
nesse momento você poderia dizer: "Ponha no PowerPoint dicas de alegria para todos. Não preciso fazer isso. Vá na livraria e compre 10 lições para ser feliz, 10 lições para ser líder, 10 passo a passo comoar seu chefe, como passar p seu aniversário, como dá prazer na cama, como líder de sucesso, casais tem enquem juntos, casais fodem juntos, poder da solução, poder do caro, poder da vida, poder da Língua 50 dicas vocês vem para sempre. Gente, é salame. Quem mexu no meu queijo, quem não sei o quê, tudo isso é a mesma coisa. Faça isso e
seja feliz. Mas, pô, será possível? Outro dia, o último que lançou 50 dicas para ser feliz para sempre, tava à venda na caixa da livraria do aeroporto de Congonhas. Eu comprei o jornal e a moça falei: "Não quer levrar o livro R$9,90?" Aí eu vi 50 dicas para ser feliz para sempre. E eu perguntei para ela: "Você Leu?" Ela falou: "Li". Aí eu falei: "É bom". Ela falou: "É". Eu peguei e falei: "Então você não vai morrer?" Ela falou: "Eu não entendi". Eu falei: "Se tá escrito 50 dicas para ser feliz para sempre, a primeira
promessa é que você não vai morrer". Aí ela parou e disse: "Eu acho que é para ser feliz até morrer. Então não é para sempre. tá errado. Aí ela já tava arrependida de ter me oferecido o livro. Aí eu fiz uma última pergunta. Perguntei: "Como será que tá o trânsito na 23?" Ela falou: "Parado, se eu comprar o livro e botar o livro do lado de fora do carro, os carros da frente vão abrindo o caminho e você passará livre. Os radares quebrarão e você irá a 120 por hora até em casa. É isso? Ela
não. Então não presta nenhuma o seu livro não tem fórmula para todos. Meu médico virou para mim e disse: "Professor Cloves, o senhor já melhorou a sua dieta? O que o senhor sugere? Como a linhaça todos os dias pela manhã?" Eu falei: "Não é que comer linhaça me entristece. É como cair de boca na areia da praia". Aí ele falou: "Se quiser melhorar o gosto da linhaça, bata com couve". Eu falei, falando em couve, eu vou fazer uma feijoada sábado, Kevinho. [Aplausos] Não só não tem fórmula para todos, como não tem fórmula para você pro
resto da vida. Às vezes você tem uma alegria e diz: "Opa, daqui eu não saio". Não funciona assim. No mundo da vida, o trânsito da existência faz com que amanhã você seja outro em relação a hoje. As células não são mais as mesmas, os neurônios não são mais os mesmos, as ideias mudaram, os afetos, as sensações, nada permaneceu. Aquilo que te alegra hoje poderá bem não te alegrar amanhã. Às vezes não precisa nem esperar amanhã. Você vem pela rodovia e vê lá casa da pamonha há 2 minutos. Eu nunca entendi esse tipo de placa. Como
é que ele sabe que velocidade eu tô? E se eu tiver a pé? Aí você chega na casa da pamonha e o o encontro com a pamonha começa pelo odor já no estacionamento. Você já saliva, aí você vê a pamonha amarelinha, aí você pega na pamonha quentinha, aí você abre A pamonha, tira o elástico, desencapa a pamonha, desencapa a pamonha, desencapa a pamonha, desencaba a pamonha, desencaba a pamonha. Aí você degusta a pamonha. A pamonha tá do A pamonha tá alegradora, a pamonha vivifica. A pamonha é boa porque ela é causa da tua alegria. Você
ama a pamonha. Espetacular. Pamonha causa da tua alegria. Aí você comete um erro grave e pensa: "Se essa pamonha me alegrou, então pamonhas me alegram. Pamonha e eu tudo a ver. Sou um comedor de pamonha." E aí você pede a segunda. A segunda gozado já não tá tão boa. Você já percebeu como nunca a segunda é tão boa? A segunda já não tá tão boa. Por que que a segunda não tá tão boa? Porque o comedor da segunda pamonha não é mais o comedor da primeira pamonha. E por que que não é mais? Porque tem
milho no bucho. Taxa glicêmica, menos Fome é outro corpo. Então o encontro com a segunda pamonha é outro encontro. Menos alegrador. Mas você é fiel. A pamonha pede a terceira. Cabra macho. Na 10ma pamonha você percebe que tem algum problema na sua teoria de comedor de pamonha. A 10ma pamonha desorganiza as relações vitais. A décima pamonha tinha a pequena potência violentamente. A 10ma pamonha já não consegue comer fora do vaso. Se você não parar, vai Morrer. A mesma pamonha que te alegrou está na eminência de te matar em meia hora, hein? O que vale para
pamonha vale para qualquer coisa. Matrimônio, por exemplo. Quase sempre a lua de mel corresponde à primeira pamonha. [Aplausos] O encontro começa pelo olfato. Aí você desencapa a pamonha, desencapa a Pamonha, desencapa a pamonha, docinha, amarelinha, quentinha, um espetáculo. Depois de 5 anos, não aguenta mais. Vê a pamonha. Aí você resolve inovar e pede para comer um curalzinho. Mas quem quem entende de espiga sabe, não é todo dia que tem curalzinho. Uralzinho diz anda. O Brasil meteu 3 a 0 na Espanha na Copa das Confederações. E é claro que quando você ganha de 3 a 0
do campeão do mundo, você poderia pensar assim: ano jogando no mesmo lugar, no mesmo estádio, com o mesmo time, o mesmo técnico, a mesma torcida, o mesmo hino, a mesma temperatura, vamos ganhar novamente. Então, só que não, como eles dizem, porque durante um ano nós pioramos. Júlio César foi jogar no poderoso futebol canadense. Daniel Alves coestionado no Barcelona, Thiago Silva lesionado no PSG. Marcelo perdeu a titularidade no Real Madrid para um português. Paulinho nem no banco fica no Tottenham. Ficava Luiz Gustavo vendido pelo Bayern de Munique. Oscar reserva no Chelsea. Hulk jogando bola com ursos
na Sibéria. Fred con chinelinho e Neymar atropelado por uma carreta colombiana. O nosso time piorou. Ao mesmo tempo que nosso time piorava, nossos adversários se prepararam para nos enfrentar. O técnico da Alemanha, antes da partida, assegurou que o Brasil não pegaria na bola. Eu quando vi aquilo desacreditei como que esse cara pode afirmar que jogando contra a seleção brasileira de futebol no Brasil, o Brasil não pegaria na bola. E ele ainda deu exemplos antes do jogo e Ele disse: "Quando o Júlio César bate tiro de meta, nove de cada 10 vezes a bola cai com
o Oscar. Quando ele sai jogando com a defesa, 9 e5 de cada 10 vezes, ele sai jogando com o Daniel Alves. Os meus jogadores estão atentos, foram treinados para isso. Se Júlio César tomar distância da bola, vai bater tiro de meta e quatro alemães estarão em volta do Oscar. Se ele não tomar distância, ele vai sair jogando. Quatro alemães estarão em volta de Daniel Alves. E isso em alemão. Então eu espero que você tenha percebido que depois de sete pamonhas, talvez tenhamos tido uma excelente oportunidade para uma lição, uma lição que nos interessa a todos.
A vitória de ontem não faz de você um vitorioso por Definição. Não é porque aqui nasceram Pelé, Rivelino, Tostão, Garrincha, Didi, Sócrates, Zico, Falcão, que o Brasil é o país do futebol. Eu sei que pode ser chato de ouvir, mas é muito lúcido. A vitória de ontem é a vitória de ontem. A vida é uma sequência de encontros inéditos com o mundo. A vitória de ontem e a alegria de ontem Não garantem por si a alegria de hoje, sobretudo num mundo que se transforma numa velocidade insólita, brindando a todos com complexidade inédita. Assim, as competências
que você teve um dia para se alegrar talvez sejam insuficientes para hoje, porque durante a semana surgiram problemas Para os quais você não tem competência. Você terá se transformado em uma semana de vitorioso, infracassado, de alegre, triste. Portanto, a lição de Espinosa é uma lição de humildade. Humildade diante da vida. Não é porque em algumas vezes na minha vida eu triunfei, que eu triunfarei por definição, por decreto, necessariamente. É muito provável que hoje eu tenha que Encarar uma dificuldade para a qual eu não esteja preparado. Portanto, se a vitória de ontem não faz de você
um vitorioso, cada vitória exige uma nova preparação. Vocês devem imaginar que nessa vida que é a minha hoje de palestrante, cada vez mais palestrante, cada vez menos professor, a minha vida na universidade terminará em dezembro desse ano, depois de 30 Anos. Nos dias de hoje, de cada 10 palestras que eu dou, sete são sobre inovação. E essa preocupação é o resultado de um entendimento que me parece claramente apresentado por Espinoza, a certeza de que se ontem você comemorou, é hora de baixar a bola, começar tudo de novo. Tivemos um ano entre a Copa das Confederações
e a Copa do Mundo para descobrir algum novo talento. Tivemos um ano para identificar nossas fragilidades defensivas. Tivemos um ano para melhorar nossas jogadas de ataque. Tivemos um ano para assegurar a fluência entre a defesa e o ataque. Tivemos um ano para nos preparar para uma eventual ausência de Neymar. Tivemos um ano para tanta coisa, mas nada disso aconteceu. Preferimos tirar Foto, preferimos lucrar, preferimos acreditar que a alegria de ontem garantiria a alegria de hoje. Por quê? Porque é assim, o Brasil é o país do futebol e os alemães são cintura dura. Essa prepotência, essa
empáfia que faz da alegria uma verdade eterna, desprepara para a vida. A humildade de entender que o mundo é sempre mais complexo do que nossa capacidade para diagnosticá-lo É condição de uma alegria que se repete. A vitória de ontem e a vitória de hoje. A vitória de ontem merecida porque houve brio, preparo, dedicação. A vitória de hoje também merecida, mais merecida até porque não sentamos nos louros da de ontem e nos preparamos tudo de novo. Melhor ainda. Chegamos na no mundo de hoje e na hora de refletir sobre A vida que vale a pena, surgirá
uma última resposta. Um último esforço, um último arranque. A resposta é do grande sábio Russo, Jean Jacques Russo, aquele mesmo da Revolução Francesa que nasceu na Suíça, mas que ficou muito conhecido por ter ajudado, com a sua inteligência a desencadear o processo revolucionário na França. O só dirá que a felicidade do homem Nada tem a ver com o resto da natureza. Porque a vida do homem nada tem a ver com a vida do resto da natureza. Na natureza tudo é necessariamente do jeito que é. Tudo vive necessariamente do jeito que vive. Na natureza o vento
venta do único jeito que poderia ventar. A maré também, o sapo também, a girafa também, samambaia também. Tudo é necessariamente daquele jeito. Mas no caso da vida do homem, a cada passo ele escolhe, ele delibera, ele Decide. A cada passo ele faz a vida acontecer e ele decide jogar no lixo tantas outras vidas que ele escolheu não viver. Portanto, diz Russo, a verdadeira felicidade é quando você acerta na tua escolha. A verdadeira felicidade pressupõe o uso adequado da liberdade. Ninguém comemora mitos e meioses dentro do próprio corpo, porque isso é inapelável. Isso acontecerá de qualquer
jeito. O homem Comemora quando ele acerta tendo podido errar, quando ele triunfa tendo podido fracassar, quando ele ganha tendo podido perder. É aí que ele vibra. A felicidade do homem está ausente do resto da natureza. Porque na natureza ninguém escolhe nada. Imagina uma perira grudada na pereira se ela pudesse decidir não cair. Tá chovendo hoje, vamos sujar toda. Melhor deixar para cair amanhã. E a Pereira diz: "Melhor cair hoje, amanhã você vai Estar madura demais. Quando cair vai se esborrachar." E a perira diz: "Não quero cair, vão acabar me comendo". Essa é a história da
perira que decidiu apodrecer na pereira. História ridícula. Pira quando tem que cair, cai e acabou. Todo mundo sabe, mas o meu filho mais velho tem 27 anos. Como você vê, eu tenho filho de todas as idades. O meu filho, esse mais velho, nasceu na França quando eu estudava lá, depois Estudou eh propaganda e marketing aqui no Brasil, depois fez marketing esportivo e hoje trabalha eh numa empresa que patrocina a equipe paraolímpica brasileira. O meu filho mora, mora comigo, ganha muito mais do que eu. E eu às vezes me pergunto: será que ele não vai vazar
daqui algum dia? Não, tenho tantos planos pro quarto dele, mas toda vez que ele vem falar comigo sobre a vida, ele me diz o contrário do Que eu acho que finalmente ele vai anunciar. Puxa, pai, como eu sou feliz de morar aqui com você. O meu filho é uma pera que apodrecerá na pereira. [Aplausos] O exemplo de Rousseau não é o da perira, é o do gato. É bom também. Quem tem gato sabe. Gato é irritantemente gato. Gato gateia. O gato já tem no seu instinto todas as respostas para uma vida de gato. O gato
nunca inventa moda. Um gato com fome não come alpiste. Ele morre de fome, mas ele não come alpiste, porque ele não tá programado para comer alpiste. O gato é escravo da sua natureza. Do mesmo jeito que o pombo não come filé. E você sabe que você não é nem gato, nem pombo, porque se tiver com fome, come o alpiste Fácil. Hoje você chama de linhaça. Se ti se tiver com fome, come o filé assado, cozido na chapa, frita, cavalo cru, cru com ovo cru. Se o calo apertar, você come o gato, come o pombo. Boneca
inflável. Antigamente se dizia que o céu é o limite, mas o homem já furou o céu há muito tempo. Para o homem não há limite. O homem inventa, cria, improvisa, inova, empreende, pensa em soluções nunca Pensadas para situações nunca vividas antes. Ninguém na natureza vive assim. Ninguém na natureza tem que viver assim. Cabe ao homem construir e pavimentar a sua trajetória, assumindo a responsabilidade de todos os equívocos. Porque no nosso caso, todos nós poderíamos estar em outro lugar que não este. Se estamos aqui, é porque escolhemos assim. Da mesma maneira que a nossa vida resulta
da nossa escolha livre, assim Também a nossa convivência. Somos livres para decidir como queremos conviver. No formigueiro, as formigas convivem, mas é daquele jeito. Tudo é necessariamente daquele jeito. No nosso caso, pode ser diferente do que é. A nossa sociedade pode ser diferente do que é. A nossa convivência pode ser diferente do que é. Somos livres para decidir como queremos Conviver. E no ano passado, num pequeno livrinho, diálogo com meu grande amigo Cortela, propus a definição de ética, inteligência compartilhada a serviço do aperfeiçoamento da convivência. Não há ética no formigueiro, mas há ética entre nós,
porque entre nós há liberdade para fazer da nossa convivência algo diferente e, portanto, melhor. Por isso, eu digo aos meus alunos no primeiro dia de aula, Só a primeira aula é obrigatória, porque nessa primeira aula, exercício de ética número um, vamos livremente decidir como queremos conviver. Que todos falem. Não se trata de ter direito de falar, mas o dever de levantar a mão e dizer o que pensa, o que sonha, o que pretende, o que sempre quis dizer. Eis a oportunidade. Fale. Vamos construir uma sociedade nova, começando do zero, virando a página. Fale. Levante a
mão. Não engula mais. Fale. A gente fala e depois no final da aula eu digo, a partir de agora você volta se quiser. Quase todo mundo volta. E alguns ainda trazem a mãe. Professor, eu voltei para casa, contei pra minha mãe como foi a primeira aula. Minha mãe não acreditou, trouxe para ela ver. Dá para ela entrar? Deixa eu ver a mãe primeiro. O que que o menino queria mostrar pra mãe? O que nós combinamos. E o que nós Combinamos são princípios de convivência que são inalienáveis, que não podemos abrir mão, que valem tanto que
chamamos de valores. Valores, atributos de conduta inalienáveis, garante dores da melhor convivência possível, segundo a nossa inteligência livre. O que eu tinha prometido na primeira aula, aguerrimento didático. Eu não prometo genialidade nem brilhantismo, porque eu não posso prometer, mas Aguerrimento eu prometo e aguerrimento tem. Cada vez que eu me exaltava, o menino cutucava: "A mãe, olha, eu falei, eu falei". E a mãe sorria. Os dois encontraram o que vieram encontrar, o que vieram procurar. Na terceira aula, a mãe trouxe a irmã, melhor do que ela ainda. E hoje as aulas são acompanhadas por em média
60.000 pessoas na internet, porque você costura relações de confiança toda vez que você é fiel aos valores que Afirma respeitar. Uma senhora de uma liga de senhoras religiosas me ligou. Professor, eu sou sua aluna do programa de terceira idade lá da universidade. Acompanho o senhor há tanto tempo e um sonho para mim. Eu queria que o senhor desse uma palestra na nossa liga. O senhor viria? Com muito prazer, senhora. Professor, eu sei que o senhor é um profissional, mas o dinheiro que a gente arrecadar vai todo pras crianças com câncer. Tudo bem pro senhor? Com
muito Prazer, senhora. Só mais uma coisinha, professor. Eu tenho umas amigas mais idosas do que eu. Pensei: "Nossa, elas elas vão conseguir chegar não, elas já moram lá. Não dá para senhor pegar leve? Dá uma maneirada, pega leve na energia, nos exemplos, nos palavrões. Não custa nada. Dá não, dona, dá não. Isso aí sou eu. É meu jeito. Eu não posso prometer. Eu não vou cumprir. Quando eu começar a falar, eu vou enfiar o pé na jaca. Não tem conversa. Não dá Não. E depois quem é que vai comprar a dos ingressos? Ah, professora, é
todo mundo que adora o senhor vai bombar, o senhor vai ver. E essas pessoas que vão comprar ingresso para me ver, o que que elas esperam de mim? Será que elas esperam de mim? Uma aula xoucha, esgarçada, sem tesão, sem vício, sem emoção, sem alegria, sem energia? É isso que elas esperam de mim? Não, elas não. Então, por que nós vamos traí-las? Avisa aí, suas amigas higienizadas. Se quiser ajudar as crianças com câncer, vai ser com e tudo. [Aplausos] Eu nunca falei tanto numa palestra como naquela. Eu só vi as velhotas se acomodando na cadeira,
mas depois do quinto eu acho que se afeiçoaram porque já pediram outra. Professor, só não pode esquecer o hein? Tem certas coisas difíceis de deixar em Casa, dona. Os valores da gente. Você que tá aí desde o começo deve se lembrar que eu comecei essa palestra perguntando o que será que tem que acontecer na vida para ela valer a pena. Para para Aristóteles é a excelência de si mesmo. Para Jesus é a entrega e o amor. Para Espinoza é a alegria e a potência de agir. Para Rousseau é a liberdade e a Fidelidade aos próprios
valores. Qual dos quatro será que tem razão? Certamente os quatro. Sua vida é melhor se você explorar o que você tem de mais forte. Sua vida é melhor se você se entregar aos outros e tiver com quem comemorar, tiver gente feliz por perto, sua vida é melhor se você conseguir se alegrar. Sua vida é melhor se você decidir com inteligência e com fidelidade. Por isso os quatro falam em felicidade. E eu acho também felicidade é um instante da vida que a gente gostaria de um dia repetir. Um instante da vida que você gostaria que não
acabasse ali. instante da vida que você gostaria que num outro dia a gente fizesse de novo. Felicidade é esse instante que você um dia pretendeu a eternidade. Felicidade é esse instante que você lamenta Que tudo na vida tenha um fim. Felicidade é esse instante que, se Deus quiser, um dia a gente vai repetir, porque eu espero que pelo menos por um segundo você tenha rido e desfrutado, que pelo menos por um segundo tenha pensado em coisas que não tinha pensado antes, que pelo menos por um segundo tenha pensado em trazer a mãe ou o filho.
E se alguma dessas coisas aconteceu, admita. Nesse singelo segundo, você foi feliz. E se eu sair de casa, se eu sair de casa para vir até aqui hoje, a minha única meta, aliás, a meta que todos deveríamos perseguir, a meta das metas, proporcionar alguém que eu nunca vi. proporcionar alguém que eu não conheço E que talvez não venha a conhecer nunca. um mísero segundo de felicidade. Se todos nós nos dispuséssemos a ter como meta a felicidade daqueles que confiam em nós, todos nós patrocinaríamos para nós mesmos uma sociedade mais digna, uma sociedade mais honesta, uma
sociedade mais justa e, portanto, uma sociedade para deixar para os nossos filhos. Tomara você tenha sido feliz por um Segundo. Tomara eu tenha conseguido o que eu pretendia. Oxalá, um dia repitamos. Até a próxima, se Deus quiser. [Aplausos]