E aí oi oi pessoal eu sou Léo e a gente vai conversar um pouquinho sobre esse livro seria seu aqui e é a paixão segundo GH Clarice Lispector é uma das leituras mais incríveis que eu já fiz na minha vida escreveu foi publicado em 1964 o aparelho se tinha mais ou menos seus 44 anos de idade e é o quinto romance dela quem a paixão segundo GH a gente vai acompanhar uma experiência subjetiva é extremamente intensa da protagonista a GH a olhar tem uma vida interior muito rica e a gente conhece a GH muito mais
por essa experiência subjetiva dela do que pelos aspectos mais práticos da vida dela e embora a gente tenha muito mais contato com a vida interior da GH a gente também vai conhecer um pouco sobre a vida exterior dela e sobre a parte mais prática da vida dela a GH é uma mulher independente e decidida ela é escultura amadora Quem Vive sozinha numa cobertura é muito bem decorada ela não teve filhos e também não tá envolvido em nenhum tipo de relacionamento amoroso mas em alguns momentos Sim ela vai se lembrar de alguns amores passados nessa experiência
subjetiva aquela tem nada nesse livro Esse é basicamente o aspecto mais prático e exterior da vida da GH logo no segundo capítulo a gente descobre que a empregada doméstica da GH as raízes pediu demissão do trabalho depois de ter trabalhado Na casa da GH por mais ou menos um meio ano a já encontra um certo prazer estar sozinho em casa sem a presença da empregada e ficar contente porque ela mesma vai poder arrumar outra eu gostava de fazer ela gostava já vou lá e considerava arrumar algo semelhante a fazer uma escultura mas como age agacha
fosse e se ao longo da vida ela passou a não fazer mais as arrumações e deixou a tarefa de arrumar a casa as empregadas já que a empregada tinha se dividido então a já decidi que vai começar a fazer arrumação justamente pelo quarto da empregada que dá imagina está bagunçado e quando ela vai para o quarto da empregada a gente consegue perceber o contraste muito grande entre a cobertura astralmente bem decorada e tá GH vivia E aí 10 do quarto da empregada que era aquela 25 eles tinham colchão soltando fiaco um armário e umas paredes
brancas caiadas tudo extremamente simples e comprasse então com o Requinte do ambiente em que a GH via e o contraste Entre esses ambientes é tão grande que a GH senti como se aquele quarto de empregada nem fizesse parte do restante do apartamento dela a já senti que aquele quarto da empregada é quase como na área e as torres das mesquitas de onde os fiéis são chamados para as orações e esse detalhe do quarto communality vai ser importante no desenvolvimento posterior do livro quando você agarrar chega no quarto da empregada ela esperava que ele quatro parece
bastante bagunçado mas ao contrário dessa expectativa dela Quase tava lá bem arrumadinho mas apesar do quarto tá em ordem Tem sim um detalhe inusitado é um desenho feito pelas rainhas na parede com carvão desenho com traços bastante rudimentares representando um homem uma mulher e um cachorro nesse momento a GH percebe que talvez a Janaína não gostássemos dela porque afinal ela tinha desenhado nas paredes da casa dela e também percebe que ela nem mesmo se lembrava muito bem dos traços do rosto lá janailson nesses seis meses em que a Janaína trabalhou na é a relação entre
elas sempre foi de distanciamento e estranhesa refletindo as diferenças de posições sociais entre essas duas mulheres a GH decidi então que vai dar um jeito assim embora ele não tivesse desarrumado mas ela queria se livrar daquele desenho feito pela janair na parede em uma característica ancestral se lembrava uma pintura rupestre mas quando a GH abre o armário do quarto da empregada ela tomou um grande susto lá dentro tem uma barata bem grande Ágata o máximo descomunal de barata e medo Inclusive dtas a barata saísse voando quem aí nunca tomou um susto de uma barata voadora
que atire a primeira pedra mas não se preocupe antiga barata aqui do livro da GH não saiu voando aquela era uma barata grande lenta faz DH deduzir que ela fosse uma barata velha uma grande descendência isso leva ela a lembrar de precisar imagem então a terra há milhões de anos e talvez esteja mais baratas que vão assistir a extinção do ser humano na terra essa reflexão sobre a antiguidade das baratas volta mais uma vez essa atmosfera de ancestralidade imortalidade e já foram invocadas pela ideia do quarto como o minarete e das pinturas quase rupestres da
janair nas paredes e é justamente essa atmosfera de ancestralidade imortalidade e vai ser desenvolvida no decorrer desse livro e a GH no seu horror mórbido barata a batendo na porta do armário e atração da barata descobre um talho na no meio da barato e necessário da barata começam a escorrer as entranhas dela trem as brancas a GH fica horrorizada da cima da barata entranhas escorrer e se lembra de como a barata é um animal resistente demora para morrer EA partir disso ela tem uma epifania incrível que vai atingir aí os domínios do que é indizível
Tá além das palavras e a justamente por atravessar o que é indizível que é tão difícil conversar sobre esse livro e também por isso que a gente não descobre Qual que é o nome é que tá por causa dessas iniciais g h t a personagem tem uma experiência de despersonalização onde nem o próprio nome mas é importante e ela se questiona inclusive se o monograma g h k ela vem uma das maletas ainda ela se ela ainda é esse nome uma epifania da GH ou distribuídos os elementos daquela barata ela se volta para um mar
sem se anos estral criadora é um nada primordial e é por isso mesmo que a questão do próprio nome não tem mais nenhuma relevância para ela aí pessoal guia da GH é algo tão forte o tempo do espaço e do mundo em diversas vezes durante a leitura a gente tem a sensação de que nada mais existe de que é só a GH naquela cobertura e que as necessidades mais básicas práticas e cotidianas da vida não fazem a menor diferença para ela mais tão forte que é essa experiência de epifania Mas voltando lá para barato a
soltando as suas entranhas a geográfica ao mesmo tempo seduzida enojada por aquela cena você na muito forte para ela que tem ao mesmo tempo uma força de atração e de repulsão essa cena da barata é o grande acontecimento no dia da GH é de toda a vontade de arrumar aquele quarto é lá concentra toda a atenção naquela barata agonizando e essa concentração de atenção faz com que ela tem essa epifania até um dia esticar intensa e é na observação desse sofrimento lá barata que se inicia essa experiência da Paz o segundo GH o termo paixão
na teologia Cristã é a palavra usada para descrever os Sofrimentos de Cristo antes e durante a sua execução basicamente é uma a experiência de Sofrimento Extrema e essa experiência esse Tormento de Cristo A Paixão de Cristo foi narrada pelos quatro Evangelistas então Mateus Marcos Lucas e João então por isso a gente tem a paixão segundo são até o segundo São Lucas e etc e dá mais uma maneira que a observação do Sol e gerou apaixonar em Segundo Mateus Marcos Lucas e João da observação dos Sofrimentos da barata e na Se a paixão segundo GH essa
Grande Família sobre a condição humana esse episódio da Paixão de Cristo eu muitos artistas no decorrer do tempo a música na pintura e no teatro e um exemplo disso são as encenações da Paixão de Cristo em aí em várias cidades brasileiras quando chega a época do ano se para Mateus Marcos Lucas e João as narrativas da Paixão Vem de um grande evento que é a morte de Cristo esse evento que mudou aí toda a cultura ocidental Japão GH a narrativa da paixão vem de algo extremamente comum que é a morte de uma barata e é
exatamente igual nesse livro tão interessante porque essa forte experiência subjetiva da GH parte de algo extremamente comum e na rede algo extraordinário e parar de escrever essa ai Itália Age é utilizado um texto imagético do Oriente Médio e arredores de mais ou menos dois ou três mil anos atrás em uma das cenas quando ela está observando a cidade do Rio de Janeiro O que é onde ela mora a partir do quarto que agora se converteu em na net e que a gente tem um exemplo desse contexto imagético do Oriente Médio um ela observa o Rio
de Janeiro EA paisagem do Rio de Janeiro se mescla com a paisagem do oriente médio de um lado lá ver os morros nas favelas do Rio e do outro As Areias dos desertos do oriente médio de um lado lá ver os topos dos prédios e do outro os Mercadores assírios e tudo ao mesmo tempo o que se Desenrola diante dos olhos dela é um tempo fora do tempo o tempo nem mesmo existisse Tanto que uma das passagens ela a comenta aqui o presente contempla o presente e ao mesmo tempo que algo fora do tempo também
é algo fora do espaço que a gente tem no Rio de e o Oriente Médio Vale Resistindo exatamente ao mesmo tempo e no mesmo lugar e isso contribuir mais uma vez para aquela sensação que eu comentei de e a única coisa que existe é a GH e que nada exterior mais acerta ela durante essa forte epifania ela tá tendo para além do Oriente Médio de 23 mil anos porque ela também parece que buscar é uma primordialidade um tempo mostrar o início de tudo tanto que enquanto que ela contém lá o Rio de Janeiro existindo ao
mesmo tempo que o Oriente Médio Rio de Janeiro moderno com os Mercadores a cílios ela também se queixou na Que tipo de criatura observava aquela mesma paisagem é a cinco milhões de anos e isso o aponta justamente para essa questão da primordialidade de uma temporalidade primordial do início estudo do início da é sobre essa questão de um tempo primordial do início de tudo a barata assumir ponto importantíssimo que é um animal tá na terra há muito mais tempo que o ser humano Então ela aponta justamente essa temporalidade primordial de tempos imemoráveis eu fiz uma pesquisinha
rápida na internet e esses time que as baratas São do período carbonífero a320neo lance de anos atrás e continuam aí entre nós para o que com algumas modificações Mas então acho que não existe animal melhor para representar essa questão da primordialidade e é interessante que ao mesmo tempo que a gravar usar a simbologia Cristã ela também mistura nisso vá linguagem da biologia falando de plano de protozoários sobre antiguidade das baratas e isso tudo dar esse tom primevo para essa narrativa assim a barata que ao mesmo tempo se refere a Jesus Cristo símbolo máximo da espiritualidade
no contexto e também se relaciona com essa questão dos tempos primordiais muito anteriores A tristíssimo é uma mistura ele diz sagrado com o profano e quando a ghk lá observando o sofrimento daquela barata veia acham da barata ela se a tem muito nesse detalhe do rasgo no corpo da barata de onde então saem as entranhas brancas tá fora do corpo e nesse Fascínio que ao mesmo tempo atrai e repele a GH sente EA completude dessa experiência transcendental atendo tá em tentar comer aquelas entranhas brancas da barata que nesse ponto eu acho que a gente pode
estabelecer um paralelo entre isso e o sacramento da Eucaristia que se recebe a hóstia e apresentar o corpo de Cristo e e que é a alça também tem exatamente a mesma cor branca da entrega da barata que a GH o certo mas a GH reluta desse imperativo que ela sente em comer a entrega da barata e criativa isso que ela não sabe muito bem da onde que vem essa ideia o interior trabalhar causa nela uma repulsa muito grande toda razão mas ela sente que é da superação desse nojo que tá a chave para transcendência nessa
epifania ela sente que é esse sentimento de nojo essa conceitualização da experiência e é o que prende ela ainda no mundo humano e impede que essa transferência dela fique completa então uma luta dela para tentar consumir o interior da barata ainda é um sentir nojo é uma luta contra a conceitualização contra a racionalização da experiência e durante essa luta era da GH sobre consumir ou não as entranhas da barata ela começa a se questionar sobre a questão do neutro da localidade e esse momento parece algo que não faz nenhum sentido parece um pouco estranho mas
no decorrer da narrativa vai fazer sentido Sim essa questão da neutralidade inclusive e ela especula sobre a possibilidade do posto da entrega da barata se neutro e como gosto de uma hóstia e quem aí já recebeu uma óssea sabe que a hóstia tem um gosto neutro nada mas tudo isso é altamente metafórico e vai fazer mais sentido que o final do livro Como eu comentei e o que a gente também observa nessa aí pessoa e ela GH é que ela se conecta com a simbologia Cristã puramente Por uma questão cultural uma vivência cultural anterior e
não por ser uma Cristã devota o tá tentando fazer um elogio ao criacionismo é nada disso só uma questão cultural mesmo Inclusive acho eu que esse paralelo entre os Sofrimentos de Cristo e o sofrimento um olhar a não seriam algo muito bem visto pela igreja mas esse aqui não é de maneira nenhuma aula e para o religioso e aqui também não tem a mínima pretensão de jantar se encaixar numa teologia mais institucional a experiência da GH transcende completamente qualquer divisão nacional e transcendente também qualquer restrição de expressão no contexto o culto e as tradições judaico-cristãs
são que mais se aproximam para ela de uma experiência transcendental por isso que ela algo que se utiliza das simbologias dessas tradições para descrever a experiência dela mas isso por um contexto puramente cultural da mesma maneira que se a GH viesse de um contexto xintoísta a epifania ela vir então simbologias dessa dessa tradição Inclusive a GH se refere a Deus um diversas vezes mas ela não faz isso em um contexto religioso escrito e sim no contexto de algo ligado com essa ideia da primordialidade da vida do início dos tempos e do início de tudo tem
uma passagem específico que ela disse que ela usa o termo Deus por desconhecer um termo melhor essa coisa que ela tá sentir porque a experiência dela vai muito além das palavras e muito além de todas as tradições humanas tem uma lá se refere ao o completamente e além da experiência humana e por desconhecer a palavra melhor então ela usar a palavra de Deus nessa mesma passagem um pouco depois ela especula aqui em um planeta mais avançado na compreensão dos mistérios da primordialidade da vida Talvez os habitantes desse planeta as coisas que nós humanos são sagradas
para eles seriam algo completamente natural a epifania da GH é tão forte mas tão forte ela considera Inclusive a possibilidade de vida infinitamente mais inteligente do que a nossa em outros planetas e com isso tudo ela se liberta de qualquer ideia restritiva possa existir então na nossa Cultura a experiência da GH não é uma experiência moralizante ciência que ela volta cheia de regrinhas de Conduta mas exatamente o contrário uma experiência de libertação dos conceitos e essa libertação dos conceitos vai colocar em xeque inclusive algumas noções mais puritanos até um tem dentro de si algo que
a Essa é a incapacidade humana de compreender essa coisa sem nome ela tá descobrindo que ela chama de Deus de um perdão e de primordialidade da vida essa amplidão sem nome é demais do ser humano é como se a gente olhasse fixamente para o sol a gente não consegue a gente não suporta e quem tenta o acaba ferido vou acabar enlouquecendo assim a compreensão da solidão é algo que acaba se tornando um violento para o ser humano que é muito ignorante para conseguir entender completamente e tudo isso faz com que essa experiência da GH seja
ao mesmo tempo uma experiência de tormento e de contemplação algo do qual a DH vai tentar se afastar é o que ela chama de pata humana que a gente pode entender como esse universo da conceitualização esse universo conceitual do ser humano que vem desenvolvendo ideias completamente erradas sobre os mistérios da vida errada justamente porque ele não consegue compreender a amplidão em profundidade e nem completamente a pata humana Faria do mundo o grande plano conceitual onde as coisas são classificadas como boas ou ruins boa é feia adequadas inadequadas doces e amargas E por aí vai o
que a GH vai almejar sozinho nisso vai se aproximam um sinal é o neutro como o gosto da água e é completamente transcendente e livre das conceitualizações da Pata humana e assim se aproxima do que é indizível basicamente O que que a GH faz é tentar acessar com as palavras que não pode ser acessado com a palavra tá completamente Além das Palavras isso faz é trigo ter uma contradição genial acabar implodindo a própria narrativa a própria experiência subjetiva da GH é uma experiência inclusiva mar interiorização extremamente profunda ela se conecta com a primordialidade o tempo
e se torna ao mesmo tempo tudo e nada e assim a experiência da GH completamente além do e é capaz de entender quando a gente termina esse livro A gente tem a sensação de ter vislumbrado algo tá justamente muito além do que a gente consegue entender e do que a gente consegue narrar e palavras por isso falar sobre esse livro é Um Desafio muito grande eu realmente no final da Leitura tive essa sensação eles vão parado algo Fantástico e de tão fantástico eu não tenho a mínima capacidade para falar sobre eu acho que é exatamente
isso que faz esse livro ser tão especial os capítulos finais desse e as mais Geniais que eu já li o livro inteiro ele é genial mas conforme a gente vai avançando na leitura e vislumbrando essa experiência Além das Palavras da GH essa genialidade vai ficando cada vez mais Evidente a paixão segundo GH foi uma das melhores leituras que eu fiz esse ano e espero que vocês aí também tem um sentido à vontade de embarcar nessa Grande Viagem da VH eu admiro demais a cabeça Oi e a cara novo livro lido essa admiração só aumenta isso
aí que esse também é o sentimento de muita gente por aí relação a ela antes de terminar gostaria de falar sobre a capa desse livro aqui e traz uma pintura da própria Clarice essa edição aqui de uma coleção do Centenário da Faria esse lançada pela Rocco e todos os livros trazem então pinturas dela achei isso muito legal e aqui no verso uma fotografia da Clarice mais ou menos na idade em que ela tava quando publicou cada um desses livros esse então foi o vídeo de hoje um vídeo bastante desafiador para mim contratar de coisas indizíveis
então bastante complicadas de serem faladas isso ele que tenha ficado bom eu gostei demais desse isso eu quero o relé várias vezes ainda durante a vida espero que vocês tenham gostado desse vídeo que que tem um sentido curiosos por ele esse review Tumblr fica aqui então meu muito obrigado a quem assistiu e a gente se ver de novo então não tá ligado aí tchau tchau