Bom dia, moçada! Tudo bem? Dia 27 de janeiro, mais uma reflexão estóica.
Obrigado por estarem aqui; espero que todos estejam bem hoje, com mais uma meditação de Epicteto sobre as três áreas de treinamento. Quem me acompanha aqui desde o começo sabe que, ali, nos dois primeiros vídeos dessa playlist, que são vídeos preparatórios, em um deles eu apresento essa divisão do diário histórico, né? Os autores propuseram que eles separassem a natureza dos trechos selecionados em três disciplinas fundamentais: a disciplina da percepção, a disciplina da ação e a disciplina da vontade.
Então, até o final de abril, nós estamos com a disciplina da percepção, o modo como nós nos enxergamos, o modo como nós enxergamos o mundo, o modo como nós vamos lidar com a matéria-prima do nosso pensamento, né? Ter a clareza necessária para entender o que esperar lá de fora, o que não esperar lá de fora, especialmente o que esperar de dentro e o que não esperar de dentro. Enfim, a gente começa a fazer uma clareza maior sobre o modo de perceber o mundo e a nós mesmos, o que é mais importante.
Depois, temos a disciplina da ação, que é a parte da filosofia prática propriamente dita. Quando a gente fala de ética, a gente fala de filosofia da ação; a ética é um braço da filosofia. Aristóteles, inclusive, chama esse braço de filosofia prática.
Ou seja, eu saio do universo da pura reflexão, do pensamento, e coloco a mão na massa. A ética é o pensamento filosófico sobre o agir, e nós somos pessoas de ação. Quer dizer, o estoicismo não é uma filosofia de pura reflexão pela reflexão.
Ah, antes pelo contrário! O estoicismo é uma filosofia do homem no mundo, não é uma filosofia do homem que se retira do mundo. Cuidado com isso daí, hein?
Porque aquele negócio assim, "ah, eu vou fugir de todo mundo, eu vou não conviver com ninguém". Eu sei que a vontade é grande, né? Eu tenho essa vontade também.
Só que a gente vai virando um negócio meio misantrópico, né? De ódio aos outros, às outras pessoas, de afastamento das outras pessoas. E a filosofia estoica não prega isso, não.
Ela está propondo o seguinte: "não, você tem que estar no mundo". Você é barco, e barco tem que navegar, meu amigo. Barco tem que ir pro alto mar, tem que se jogar.
Então, o que você tem que fazer é se preparar da melhor maneira possível. Lembre-se dessa metáfora, né? Que, inclusive, é de Epicteto também.
Você tem que se preparar da melhor maneira possível. Ah, não, eu vou evitar os problemas do mundo não indo para o mundo! Não!
Você vai evitar os problemas do mundo mergulhado no mundo, porque a solução está dentro, não está fora. É o modo como você se enxerga, é o modo como você lida com esse mundo que conta. E a terceira parte, né?
A terceira disciplina é a disciplina da vontade, que diz respeito a uma disposição do sujeito em relação às coisas como são; a uma compreensão dura das coisas como são e o modo de se colocar diante delas. Por exemplo, a morte, né? Como desenvolver uma certa resiliência em relação às coisas que nos circunscrevem e assim por diante.
Nesta meditação de 27 de janeiro, nas três áreas de treinamento, nós temos uma visão sintética, uma visão sinóptica. Eu adoro esse termo! Uma visão sinóptica.
Esse prefixo "sim", em grego, é aquilo que vai junto, é aquilo que vai unido. "Sim", é o "Sigma", o "Y" e o "ni". É "sim", vai da síntese.
A síntese é aquilo que eu ponho junto, né? "Sinóptico", óptico de ver, então é aquilo que eu vejo junto. Caramba, é muito legal isso!
Então, eu tenho uma visão sinóptica, unida, junta dessas três disciplinas que ele vai falar aqui. Devem ser treinadas. Atenção a esse vocabulário estoico: os estoicos falam muito em treinamento.
Estudar o estoicismo é levar a alma pra academia, não é isso? Então, você pega um músculo atrofiado. O que você faz com músculo atrofiado se você quiser vê-lo saudável?
Leva esse músculo pra academia, pega o halter. Muitos de vocês, né? Eu comentei outro dia: vocês me vêm aí na academia, vocês estão malhando.
Então, agora vamos malhar o intelecto. O que significa dizer pegar — olha que imagem lindíssima é essa — pegar as partes do nosso intelecto, do nosso agir, que estão desnutridas, que estão flácidas, e treinar! Treinar, conferir potência.
Por isso que muita gente fala assim: "Denis, do céu, tenho tanta dificuldade em controlar as minhas emoções". Claro! Porque essa parte do seu existir não foi devidamente treinada, não é isso?
Como qualquer outra pessoa que está lá assim: "eu tenho muita dificuldade em levantar 5 kg no bíceps". Claro, você nunca treinou esse braço. Então, é preciso treinar.
Daí esse vocabulário estoico para treinamento. Quer falar oi? Quer falar oi, Zé?
Olá, vem cá, vem cá falar oi, pessoal. Oi, pessoal! Bom dia!
Se T de m que eu sempre venho aqui falar oi para vocês. Fala oi lá! Posso continuar?
Posso? Porque senão o papai não termina essa meditação. Aqui tem algum problema?
Daqui a pouco eu te dou mais atenção, vai lá. Obrigado! Sem mais delongas, lendo o trecho selecionado de Epicteto, cito: "Há três áreas em que a pessoa sensata deve ser treinada.
Treine essas três áreas no seu currículo formativo". A primeira tem a ver com desejos e aversões. Cuidado com aquilo que você deseja!
Aquilo que você deseja pode te emancipar ou pode te enclausurar. Aquilo que você deseja pode te libertar ou pode te aprisionar. Cuidado com o que você deseja para que o que você deseja não se torne motivo de subserviência, mas de.
. . Liberdade de emancipação que te catapulte pro alto e não que te afunde numa lama da qual, depois, você vai ter muitas dificuldades em sair.
Então, desejos e aversões: treinar sobre desejos e aversões, que essa pessoa nunca erre o alvo em seus desejos, nem caia naquilo que a repele. A segunda área de treinamento se refere aos impulsos de agir e não agir. Lembra do mundo da ética: dizer agir ou não agir, em que situação, em qual não situação?
E, mais amplamente, ao dever. Que ela possa agir deliberadamente, motivada por boas razões e não sem pensar, especialmente nessa época de muita velocidade, de redes sociais, de respostas rápidas pelo WhatsApp, de respostas rápidas no momento em que você está fazendo múltiplas coisas. Cuidado, hein?
Cuidado! Se você não der boas razões ao seu agir, a tendência é você cair no erro. Então, pensar, meditar a respeito daquilo que te leva a agir daquela forma e não de outra, e agir com o máximo possível de segurança, motivada por boas razões.
Se você não consegue oferecer boas razões, isso significa dizer: não razões caprichosas. Ah, porque eu quero! Ah, porque eu tive vontade!
Ah, porque eu sou assim! Que é conversa de cretino, né? Então, assim: motivada por boas razões, ou seja, não, eu meditei a respeito, levei em consideração todas as variáveis, olhei para dentro e a melhor decisão é essa.
Então, eu sei oferecer as boas razões daquele agir. Se você não sabe fazer isso, cuidado. A terceira área de treinamento diz respeito a livrar-se do engano, livrar-se do engano.
Ter um autocontrole, dominar essa área do julgamento, o consentimento que nossa mente dá às suas percepções. Esse controle é importante, é o que eu disse da ideia da emancipação, né? Porque, no fim, você acaba se entregando a situações que estão distorcidas no seu universo de compreensão.
Você compreendeu mal a coisa e, se você compreendeu mal a coisa, se você julgou mal a coisa, a tendência é que você seja movido — e volta lá na primeira disciplina — você seja movido por paixões e que você acabe agindo por motivos inadequados. Então, veja que essas três disciplinas conversam entre si o tempo inteiro. A fronteira dessas três disciplinas — ou as fronteiras — elas são porosas.
Uma disciplina conversa com a outra o tempo todo. Dessas três, não obstante isso, a principal e a mais urgente é a primeira, referente às paixões, pois fortes emoções só surgem quando fracassamos em nossos desejos e aversões. A pior coisa que você pode fazer quando coloca no seu horizonte o agir e o julgar bem é deixar-se tomar por fortes emoções.
Você está lá se afogando. Ah! E aí qual é a pior coisa que você pode fazer?
Você está lá se afogando na piscina, no mar, ou você caiu na areia movediça, para usar aqui só uma imagem, né? Claro! Qual é a pior coisa que você pode fazer?
É se debater, é se desesperar. Ah, Denis, é fácil, né? Então, fica bom!
Se fosse fácil, a gente não estaria aqui fazendo diariamente meditações históricas, é treino! Se todo mundo nascesse com o bíceps trabalhado, a gente não precisaria treinar o bíceps, não é isso? A ideia é treino.
As dificuldades envolvidas nesse processo, meu amigo, é adestrar. Fácil não é! Não é ficar calmo na hora que você está se afogando.
Na hora que você já viu aqueles pilotos, você já ouviu o áudio de um piloto de avião passando por situação difícil, por exemplo, de arremetida e tal. Para quem está lá no avião e que é leigo, fala assim: nossa, agora vai morrer todo mundo! Aí começa oração para todo lado, e joga, e abraça, e não sei o quê.
Só que aí você vai ouvir o áudio do piloto: "Eh, vamos arremeter. Velocidade tal, diga pra torre que nós vamos sair para a direita, angulação não sei o que. " Esse cara está numa reunião com o gerente do banco pedindo empréstimo ou ele está pilotando um avião que parece estar numa situação de perigo?
Não, não é uma situação de perigo, porque eu controlo a máquina. Eu não me deixo controlar por ela! Não é isso!
E a questão é: quando eu sou a máquina? Se eu não estou no controle, alguém está. Se a minha razão não está no controle, as emoções estarão!
As emoções estarão no comentário dos autores. Hoje, obrigado, filho. Beijo gostoso!
Parabéns! Hoje vamos nos concentrar nas três áreas de treinamento que Epicteto nos mostrou. Primeiro, precisamos considerar o que devemos desejar e o que devemos rechaçar, para desejarmos o que é bom e evitarmos o que é mau.
Segundo, o quê? Segundo a velha e boa prudência: sabedoria prática, sabedoria que vai para o universo da ação. Aqui não tem sabedoria metafísica, hein?
Ah, eu quero conhecer pelo conhecer? Não! É prudência, sabedoria prática, sabedoria que me leva a selecionar os caminhos.
Não basta apenas ouvir seu corpo, porque nossas atrações, aquilo que nos atrai, muitas vezes nos desencaminha. Eu vou ouvir meu coração? Vai ser burro!
Eu vou ouvir meus sentimentos? Burro duas vezes! Em seguida, devemos examinar o que nos impulsiona a agir.
Isto é, as motivações: por que eu estou agindo assim e não assado? Cuidado! Boas motivações têm que estar bem trabalhadas dentro de você.
Você não precisa explicar para ninguém isso; você tem que explicar isso para você, bem em primeiro lugar. E aí você não pode ter vergonha de olhar no espelho e falar assim: "Que merda de motivação é essa que me faz agir dessa maneira e não de outra? " Se você tem vergonha da motivação que escolheu para agir daquela maneira e não de outra, pense melhor no seu agir!
Estamos agindo pelas razões corretas ou porque não paramos para pensar ou acreditamos que temos de fazer algo? Tenho, eu tenho que fazer isso. Por quê?
Ah, porque esperam isso de mim? Porque aí o meu coração. .
. aí, porque as minhas emoções? Não, porque a sociedade.
. . burro demais, burro três vezes!
É uma mula! Controle esse avião! Vai, baixa a adrenalina!
Controle esse avião! Coloca ele para voar de forma decente, não joga ele no chão dizendo que isso é o melhor para ele e para todo mundo que tá lá dentro. Não, por fim, há o nosso julgamento, nossa capacidade de ver as coisas claramente, nitidamente, de conseguirmos divisar bem as coisas com nitidez.
Frequentemente as paixões cegam. Aí vejam como essas três disciplinas. .
. insisto, essas três disciplinas têm fronteiras porosas. Os três elementos a serem treinados conversam entre si a todo momento.
Claro, se o meu bíceps tá bem trabalhado, ele tá conversando com o meu tríceps; se o meu tríceps tá bem trabalhado, ele tá conversando com meu peitoral. Tudo melhora! É um todo!
Se eu controlo bem as emoções, eu controlo bem os julgamentos e eu controlo bem as ações. São coisas interligadas. Nossa capacidade de ver as coisas claramente, de forma apropriada, chega quando usamos nossa grande dádiva da natureza: a razão, o melhor de todos os instrumentos disponíveis para pensarmos, tomarmos boas decisões e julgarmos bem.
Lembra lá daquele termo pro Aires? Pro Aires, a escolha, fazer boas escolhas! Ah, eu não vou pra cá, eu vou pra lá!
Essas são as três áreas distintas de treinamento, mas na prática elas estão entrelaçadas. O que desejamos? Nossos desejos afetam as nossas emoções e nosso julgamento.
Então, meu amigo, na vida, na hora que o tubarão tiver vindo pro seu lado, ou você pode fazer igual aquele coach herói que fala: "Tem que dar um soco no focinho do tubarão, que tem que dar mesmo! " Ou você pode se debater desesperado na frente do tubarão, como se estivesse chamando ele pra te comer. É um desenho aí, né?
Que a gente deve levar em séria consideração, mas não podemos apenas esperar que isso aconteça. Eu vou esperar que isso aconteça? O destino vai me levar pro lugar correto?
Tudo eu vou colocar nas mãos de não sei quem? Vai colocar? Não, porque tudo vai acontecer como deve acontecer!
Burro quatro vezes! Cara, você tem autonomia em relação a algumas coisas; não tem autonomia em relação a tudo! Que que foi?
Foi malucão, tá doidão? Ah, tá me assediando aqui hoje? Não!
Você tem autonomia, autonomia, capacidade de se regrar, de regrar a si mesmo a respeito de uma série de coisas! Eu vou deixar tudo na mão do destino? Você tá de brincadeira comigo!
Essa é a frase de quem não quer fazer nada e quer esperar um milagre. É igual escolher com coração! Em todas as áreas da vida devemos refletir e empregar nossa energia com empenho.
Empregar nossa energia com empenho! E eu quero saber se vocês estão empregando essa energia que vocês estão deslocando para esse aprendizado, para o agir. Ou você só fica aqui assim: "Ai, que lindo!
" Tá parecendo um punhado de comunista que eu já vi citando a A. A autora mais anticomunista da história. Mas pera aí!
Por que esse cara tá citando a? Porque achou bonito? "Ai, que frase linda, maravilhosa!
" Não, tudo bem, mas tá desdizendo tudo aquilo que você defende! Ah, não é tão bonito! Interessa se é bonito, se é feio.
Tem que fazer o que é necessário. Em todas as áreas da vida devemos refletir e empregar nossa energia com empenho. Se fizerem, encontraremos clareza, nitidez no olhar e seremos bem-sucedidos!
Eu pego todos os dados que estão à minha disposição, eu pego todas as informações que estão diante de mim. Infelizmente, nós somos seres limitados. Alguns elementos vão faltar; eventualmente, alguns dados vão faltar.
Mas eu não posso esperar o mundo resolver pra depois eu me resolver em relação ao mundo. Não é isso. Então, eu pego os dados que estão diante de mim e tomo a melhor decisão possível, mais racional possível, diante daquilo que se me apresenta, na forma como se me apresenta.
Não esquece de dar um joinha aqui pra mim, por favor! Todos os comentários, todas as. .
. Ah, como é que chama isso? Os compartilhamentos.
. . tudo isso ajuda muito aqui pra gente chegar mais e mais longe com as nossas meditações históricas.
Bom dia, juízo! Ótimas decisões para vocês e a gente se encontra aqui amanhã. Beijo, Joca.