As narrativas compartilhadas têm o prazer de ouvir hoje Márcio Skinny, Márcio Esquitini e os alunos do curso de Letras da Uniju. Foi membro integrante do grupo de Teatro Universitário de Cáceres, professor de Língua Portuguesa em muitas escolas, neuroeducador, coach e master em PNL. O Márcio, quando esteve no curso de Letras, tocava violão e eu achava que um professor de Português que tocasse violão, principalmente em Literatura, teria muito mais facilidade inclusive para dar aulas e melhor qualidade, mas alegria em sala, e também, com certeza, maior facilidade em conseguir emprego, porque seria um professor com uma "áura" fechada.
E aí, além de ele se envolver nas atividades que nós fazemos, ele passou a fazer parte do grupo de Teatro, fazendo cartazes. A peça foi "Encontro no Bar", de Bráulio Pedroso, e além de se apresentar na Extinção, nós, na ocasião, fomos com a "Vila dos Velhinhos". Foi uma delícia inesquecível o envolvimento dos velhinhos, porque a história é de um casal de idosos que se apaixonam e tem esse encontro no bar.
É uma história muito bonita, significativa, e eles souberam fazer isso tudo. O Márcio, além dessas atividades todas, naquele período, passou a ser coordenador pedagógico no Colégio Anglo Sorocaba, professor de Ensino Fundamental e Ensino Médio, responsável por cursos preparatórios para concursos vestibulares e pela capacitação na metodologia "Se Ali", de alfabetização em parceria com o Rotary. Envolveu mais ou menos mil professores.
É autor dos livros "Dificuldades de Aprendizagem: Tem Solução" e "Preguiça" da coleção Neuroeducação, volume 2, editora Allprint; isso foi em 2009. Desde 2013, tem uma atuação clínica como neuroeducador, já são 11 anos, e com dificuldades de aprendizagem. É programador de PNL há dez anos, coaching e master em PNL no Instituto Recomece.
Esse Instituto foi criado e é gerenciado por ele e pela esposa, Márcia Silva. Márcia também era aluna na época do curso de Letras. Então, tem outras coisas para ele contar, e eu também, mas normalmente gosto de interferir pouco, deixar para ele.
Inclusive, essa história de amor, eu, logicamente, acompanhei muito de perto, também. Graças a Deus, é uma bênção maravilhosa, mas faremos bonita. Então, agora eu só posso dizer: seja bem-vindo às narrativas compartilhadas.
É um prazer enorme, meu grande amigo, vocês da família! É algo que eu tenho uma grata satisfação de ter cruzado seu caminho. Seja muito bem-vindo e fique à vontade que agora a palavra é sua.
Vida, desde onde você nasceu e vem vindo até hoje? Eu sou, na verdade, nascido e criado aqui nessa cidade. Eu tive uma infância muito feliz.
Nós jogávamos bola na rua o tempo todo. Para quem é professor de Português, cometemos muitas imaginações do passado. Simplesmente, como eu vou contar histórias para os alunos?
Eu morava na Vila Jardini, na Rua Visconde do Rio Branco, onde agora, na verdade, as casas ainda existem. Lá, uma delas é um comércio, mas eu demorei até os quatro anos ali; depois, fui para o Jardim Belmejo, onde minha mãe mora ainda, na Joaquim Gonçalves Gomes. Eu fiquei lá neste bairro, na Vila Jardim, até os quatro anos.
Foi um lugar mais difícil de demorar porque era muito movimentado. Eu tive até uma passagem bem trágica, mas o final foi feliz. Eu tinha, assim, quatro anos, e a gente vivia brincando na calçada, porque não parava o tempo todo.
Um cachorro brincava e, de repente, um dia, eu atravessei a rua sem olhar e foi assim um acontecimento, porque quando todo mundo olhou, já sabia que algo fatídico ia acontecer. Meu pai correu, assim, como um super-herói. Ele é meu pai, um super-herói, me puxou debaixo da roda do caminhão.
Eu ganhei uma nova vida ali. Dizem que o gato tem sete vidas, e eu tenho um pagamento do resolver, mas foi assim um acontecimento que marcou bem a minha infância naquela casa. Depois, quando eu mudei para o Jardim Belmejo, era um bairro com roseiras, pé de campinho na frente de casa, e minha infância foi maravilhosa.
Eu estudei, eu não fiz educação infantil, porque, hoje, a educação infantil está mais interessante. Eu tinha uma facilidade muito grande com as letras. Meu irmão ia para a escola e trazia os livros, e eu comecei a estudar sozinho.
Quando entrei na escola, já sabia ler e escrever. Minha mãe achou necessário eu ir para a escola naquela época, porque na pré-escola era só um ano, mas era um ano que decidia o ensino fundamental, hoje. Então, aprendi a ler e escrever, e meu pai me carregava pela mão, todo orgulhoso, e chegava lá para cortar o cabelo e falava: "Sabia que meu filho sabe escrever?
" Imagine os rapazes! Ele provocava: "Escreve meu nome aí! " Eu falava: "Você quer letra de forma ou de mão?
" Meu pai ficava cheio de orgulho. Na verdade, eu falava, porque realmente consegui escrever nas duas formas, e isso era uma característica minha. Até hoje eu gosto muito de letras, de signos, de símbolos.
Até os símbolos, grifos, essas coisas todas me atraem. Eu estudei essas coisas. Gosto muito dos símbolos da Cabala, mas é por atração, não pela religião propriamente, mas pelos signos, pelos símbolos.
Que me fascinava demais! Eu, quando entrei na escola, foi um pouco complicado no começo, porque eu já sabia ler e escrever. Ainda mais, ela (a escola) não me ensinou nada.
Então, eu fazia todos os exercícios, fui à escola direitinho, né? E aí, fui aos poucos me adaptando, readaptando, né? Foi muito bom, então, esse foi o começo da minha vida escolar.
Quando eu comecei a ler e escrever, comecei a descobrir uns livros que tinham lá em casa. Na verdade, nós não temos muitos livros, mas sim, eu usava o modelo Lobato que encontrei. E havia um quartinho na casa onde eu ficava sentado lendo, né?
A história do Saci, aquelas histórias do folclore! Nossa, eu era fascinado por aquilo! Deixava aquele ar misterioso todo do folclore brasileiro me envolver.
Eu adorava! Então, às vezes, ficava sentado ali, lia, relia e relia muitas vezes aqueles livros, né? Era algo que realmente já estava assim no meu espírito, na minha composição como pessoa, esse amor pelos livros, pelas letras, sobretudo pelas letras.
Quando eu falo, de maneira geral, né? Me fascina muito a linguística. Não é o modo como as línguas são formadas?
Acho que isso me atraiu muito, na verdade, para o curso de Letras. No fim das contas, não vou pular isso por enquanto, né? Ainda tem uma etapa que eu vou contar.
Mas aí, então, aconteceu um fato que mudou um pouco minha vida, né? Porque, quando terminei o fundamental dois, hoje, seria o antigo, que se chamava 7ª série e 8ª série, né? O ginásio!
Perfeito! Meu pai recebeu uma carta do Senai. Ele mal sabia o que era Senai!
Ele chegou aqui com aquilo e falou: "É mais, né? Você vai fazer o Senai. " Eu falei: "Pai, nós não tínhamos muita coisa.
" Então, acabei perguntando: "Ah, e que é o Senai? " Ele falou: "É um curso online, você vai receber por isso e tal. Você quer fazer mecânica ou elétrica?
" Eu pensei um pouco e disse que queria fazer elétrica. Sabia o que era? Então, com 14 anos, mudei um pouco o rumo, porque tinha outros sonhos.
Na verdade, como eu sempre gostei muito de música, também de tocar violão, eu aprendi sozinho! Já sabia tocar violão nessa época. Meu pai tinha um violão bem velhinho.
Eu ficava lá delineando, entendeu? Sozinho! Na verdade, meu pai até me pagou o curso de violão que eu fiz.
E, embora eu não fosse muito bem, eu falei: "Pai, eu não quero. Não é isso que eu quero. Na verdade, eu quero tocar, quero me acompanhar, quero tentar!
" Daí ele falou: "Tá bom, faz o que você quiser. " Meu pai sempre me apoiou nessas questões. E aí, comecei a comprar umas revistinhas.
Antigamente, eram revistinhas. Porque a internet hoje é algo maravilhoso! No meu tempo, era bom, não sei!
Porque a internet é maravilhosa, você tem o que quiser, informação a qualquer hora. Aqueles revistinhas que eu comecei a comprar, você canta os sucessos, que eram boas e ao mesmo tempo ruins, porque você comprava uma revista por causa de uma música, e o restante era, sei lá, aquelas coisas que você não gostava. Eu ficava lá, né?
As coisas que eu sempre gostei, eu sempre fui muito disciplinado, até chegava a ser chato, porque eu ficava sentado em um lugar, não é? Lendo e escrevendo, aprendendo sozinho. Eu era muito chato, ficava lá o tempo todo, até conseguir!
E com o violão foi a mesma coisa. Peguei um bom senso e em mais ou menos uns seis meses já estava tocando as músicas e cantando junto. E nessa trajetória com a música, meu grande sonho era ser músico.
Coloquei isso na minha cabeça. Eu sempre fui assim, colocava algo na cabeça e não falava não, né? É isso que eu quero!
Mas aí chegou essa surpresa do Senai e eu fiquei um pouco frustrado, confesso para você. Mas, acabei indo, né? Eu achei que foi ótimo!
Lógico, depois que passa, tudo fica ótimo, porque são experiências que vivemos. Então, acabei me formando como eletricista de manutenção e, por conta disso, fiz o ensino médio técnico também, né? Até você me contou que também fez Senai, é muito interessante saber.
Acho que é aquilo que está dentro da nossa alma mesmo; ela está lá, uma hora vai despertar! Eu fiz o técnico em eletrônica. No meu ensino médio, foi interessante.
Olha que coisa, né? Então fiz o Senai e, paralelo a isso, fiz um curso técnico. Quando cheguei no quarto ano, porque lá é em 14 anos, no quarto ano do técnico em eletrônica, tinha um professor de matemática com quem eu tinha dificuldade de lidar.
Não era fácil. Na verdade, expulsões… Mas ele me deixou para me passar no quarto ano de matemática. Daí eu consegui pegar o diploma.
Eu tinha que fazer mais um ano, dependendo de ADP, um ano que conversei com a professora, e ela ficou irredutível. Aí eu pensei: "Quer saber? A minha alma fala mais alto.
Vou fazer Letras, vou fazer faculdade! " E assim, vem na minha cabeça… O que fazer? Eu não gostava muito de esporte também, aí eu queria te conhecer, né?
Gostaram bastante de coisas, mas não tinha muita opção. Na antigamente, você tinha poucos cursos, né? Hoje em dia, é maravilhosa a quantidade de cursos aqui na Uniso que oferecem.
São cursos assim, que você pode se realizar e eu acho que eu acabei. . .
mesmo, acho que, como eu falei, minha alma falou mais alto, porque eu fui fazer Letras. Bom, e foi assim: foi uma surpresa interessante, porque quando eu cheguei na faculdade, eu também não tinha a mínima ideia do que me esperava. Depois de ter trabalhado em empresa, de ter trabalhado na Zé Feliz, em ter sido eletricista de manutenção, eu fui lá e fiquei muito empolgado.
E aí, eu entrei numa sala de aula de quase 90 alunos. Naquela época, a gente tinha salas enormes em que havia, acho que, cinco homens e 90 mulheres. Eu, quando entrei, eu assustei com aquilo, né?
Para nossa! Eu não tinha a mínima ideia que aconteceria isso, né? E aí eu entrei, mas era o mundo que eu gostava, assim, porque as matérias me puxavam para uma arte, por exemplo, do violão, que eu gosto muito.
Eu lembro que a professora Vera, por exemplo, fazia sempre trabalhos, né? A Vera de inglês: "E não, você fazer trabalho? Se você me pedir aqui, eu trabalharei mais algum poema ou uma canção.
" E aí, o violão sempre, quando era despertado, a música despertava em mim, assim, eu sabia que eu estava no lugar certo. Ela viu que eu queria estar. A sala era de 70 anos.
. . Nossa!
Ela. . .
dá impressão que tivemos em um mundaréu de gente! É secretada no sudeste. Nossa!
Servo! Então, eu comecei a me achar ali. Eu gostava do curso, gostava da dinâmica das aulas e de tudo que a faculdade proporcionava.
Um curso de três anos, naquela época. Então, é um mundo novo para mim. Eu acho que, não só o mundo novo, acho que não era o mundo novo, era o mundo velho que eu despertei, né?
Que eu renovei ali dentro de mim. Era um mundo que já estava lá sendo desenhado na minha infância e eu dei uma pausa. De repente, me revi ali, me comer, né?
Me reposicionar em um lugar. Eu a lista mesmo! Então, foi uma trajetória bem legal, assim, ver a gostosa faculdade, né?
Vou falar um pouquinho da faculdade então, Wanda, uma pequena folga? Você não lá? E aí, logo em seguida, você vai falar sobre o curso de Letras, bem!
Então, é daqui a pouquinho! O macho continua agora contando dele dentro do curso de Letras! Viajar!