Mas tem o pequeno pequeno outro lado da história. Se eles quiserem deslogar você, você nunca mais faz nada, >> tá? Então por isso que na Europa nesse instante e a grande disputa dos a grande disputa dos direitos civis na Europa nesse momento é dizer não à digital, porque se você tiver uma identidade digital você pode ser simplesmente cancelado pelo governo, pelo quer que seja e você desaparece >> instantaneamente, tá?
Porque tudo a identidade digital, o cara tem acesso ao seu banco, tem acesso à sua casa, tem acesso ao seu banco, tem acesso à sua casa, a sua, quando surgiu a internet das coisas, né, meus filhos todos entusiasmado, não vamos comprar geladeira que fala, eu falei não, eu não tenho menor interessor interesse de dialogar com o meu refrigerador. Exato. [risadas] >> Não, mas ela vai ver que acabou o leite, vai comprar sozinha.
>> Ele faz a lista de compras, né? >> Isso. Mas anos depois eu me vinguei dos três, porque eu falei, você viu o que tá acontecendo?
As geladeiras que falam, os microondas que conversam com você, os cambios, gravam tudo que acontece na sua casa. O microfone deles grava o que tá acontecendo no quarto, no banheiro e eles começam a estatisticamente medir um monte de coisas para >> Nossa, Alexa, eu acho que se ela um dia de ganhar corpo, eu não, meu, eu ganhei de aniversário uma Alexa >> de um vizinho meu. No aniversário dele eu dei para ele, não tirei da caixa, né?
Quando foi o aniversário dele, eu desenvolvi, né? Ele falou: "Pô, você nem abriu a caixa". Falei: "Não, abre você, né?
" Porque é óbvio, né? >> Isso, isso faz lembrar e o grande problema que a gente estuda em finanças corporativas, vocês vocês trabalham no mundo corporativo, em governança corporativa, é o que a gente chama de problema de agência, né? É você ter o interesse do acionista traduzido na execução do negócio, né?
E aí lembra o que o Nicolá está falando que eles estão criando problema de agência para nós, né? Quando você troca a agência pela conveniência, >> a agência passa a ser de quem tem esses dados. Pode deslogar porque você primeiro perdeu a capacidade.
>> Então, mas o agente do negócio, eu não sei se é o Caneman, eu não tô quem é que eu vou citar agora, mas o que ele fala que o que você acabou de falar, a última fase do capitalismo, que é essa que nós estamos vivendo, é o capitalismo do stakeholder e do shareholder. >> O resto não importa. Então, quando você põe um sistema de inteligência artificial para decidir o seguro médico, tá?
Uhum. >> E você dá para ele um critério de otimização, lucro, ele vai matar um monte de gente, que é o que acontece nos Estados Unidos hoje em dia. >> Já tá acontecendo.
>> Não, já tá acontecendo. Não, mas é que as pessoas não entendem como esses sistemas funcionam. O sistema, o 2001 odseno espaço é o melhor exemplo.
Os caras tinham que chegar em Júpiter, né? programar o haller o computador do de bordo do que o Kubreck criou que tinha que chegar em Júpiter. Só que no meio da viagem os caras que estavam ibernando morreram porque o sistema de hibernação deu defeito.
Os dois caras sobrevivam falaram: "Não, não dá para ir para Júpiter, nós temos que voltar". O R falou: "Não, de jeito nenhum. Nós temos que ir para Júpiter".
O que que ele faz? Ele tenta matar os dois caras que sobreviveram, porque a missão era chegar em Júpiter. >> Então, as empresas americanas estão fazendo e no resto do mundo estão fazendo o seguinte: "Eu quero ganhar mais dinheiro.
Aí, sistema, me ajude. " O que que eles fazem? Negam pedidos para paciente terminal de câncer, o cara nega UTI.
Na época da pandemia, na minha na minha cidade, tinham pessoas que estavam morrendo de Covid, precisavam ser entubadas, certo? A pessoa recusava a ser entada porque sabia que se ficasse mais tempo na UTI ia perder a casa. >> Então a família não ia ficar sem nada, ia ficar, >> preferia, >> preferia morrer.
E teve gente que morreu porque se recusou a ir pra UTI, porque você vai pra UTI e acabou se você não tem seguro saúde, >> entendeu? Então, esses sistemas eles não têm moral, não têm ética, não têm empatia e eles não são nem de longe inteligentes, eles são otimizados para um um resultado estatístico. Então, mas aí nesse efeito não acontece o que o que aconteceu nos Estados Unidos, né, que e eu sei porque eu converso com muita gente de tecnologia que trabalha nas seguradoras, né, nos planos de de vida, >> eh, o efeito do Luigi de Mandonia nos Estados Unidos, que a população já começando a enxergar isso, mas ali ainda foi tímido, né, porque assim, ele fez o caso, foi no caso extremo, né, tirou a vida do CEO da do plano de saúde, mas não surgiram outros.
Mas você reparou que ele virou um herói nas primeiras 24 horas da imprensa americana? Laud, >> o cara foi laudado como herói, o Batman da modernidade porque matou o vilão. Uma coisa de louco, né?
O cara, eu não concordo com nada que o CEO da da empresa fez, mas não não faz melhor sentido a gente sair atirando e matar alguém, né? Mas olha onde a gente tá chegando. Aham.
>> Esse é um extremo de psicopatia. >> Aham. >> Né?
que tá se transformando num comportamento eh natura normalizável. Então, o o que esses caras fazem, esses que eu citei aqui, os Peter Tios, os Kirimoscas, é sociopatia. Você é só ir no livro texto e ver lá o diagnóstico.
É, é óbvio, é claro. >> Só que esses caras >> com toques de narcisismo, é >> maligno, né? >> Maligno, >> maligno, né?
E veja, o pessoal olha pro Trump e fala do Trump, o Trump é só o fantoche, é só o cara que tá lá na, mas tem toda uma estrutura, >> um bobão que executa, né? >> É, que executa e que gosta de aparecer na televisão, né? Mas o problema lá é muito mais profundo.
A geração mais jovem não vê perspectiva nenhuma, porque ela, você trabalha para uma grande empresa, você faz, né, contas, eh, gera dinheiro para em 24 horas tá na rua. >> Aham. Eh, você e e lá não é aqui não tem lei trabalhista, você tem duas semanas de de pay que eles te dão seguro desemprego que dura um certo tempo, mas você não consegue viver com ele.
E aí, porque até os currículos, até as >> mora em trailer, >> isso não, você mora no carro. >> No carro >> e tem uma região da minha cidade onde tem o mall, que tem supermercado, centro, sabe o que as pessoas fazem? Academia, tem academias populares, são muito baratas.
45 por mês, 50 por mês. O cara mora no carro no estacionamento da academia, é o parking lot. Então, de manhã ele vai lá, toma banho, faz a academia, toma banho, vai trabalhar, à noite ele volta.
>> Eh, porque é ilimitado, você pode ir várias vezes na academia, ele vai lá usar banheiro, tal, ele dorme e vive no carro. Nossa, >> no carro, porque o carro é o último asset que o americano médio, ele perde a casa, mas ele não perde o carro porque senão você não pode trabalhar, >> é, você nem consegue andar no país, né? Não tem púlp não.
Na minha cidade não tem nada. Então, se eu não tivesse um carro, eu mudei do lado da universidade, mas quando eu morava 10 milhas de distância, se eu não tivesse um carro, eu não chegava lá. >> Um ônibus você tem que andar, tá?
E >> aquilo que eu falei, né? Eles ficam discutindo o conceito de liberdade com chinês, né? >> É.
Exato. E mas aí o TikTok, o TikTok foi uma revolução, >> porque o TikTok chega nos Estados Unidos há uns poucos anos atrás e começa a mostrar o que são as cidades chinesas, o fato de que o cara tem seguro de saúde do estado lá e, né, chega no consultório, tem que pagar um COPE que é, né, quando lá o meu plano de saúde, eu tenho que pagar 1. 000 se eu for para um socorro de cara, sem fis fazer nada, né?
Então, começar a mostrar o que eram as cidades chinesas, o que eram as universidades. Saiu um ranking agora, eu não levo isso muito a sério, mas saiu um ranking das top 10 universidades, citações da literatura científica, sótech, tá? >> Aham.
>> Duas americanas, oito chines. >> Outro chines. Eu vi isso aí.
Aham. >> Harvard caiu para terceiro lugar. >> Aham.
>> Tá. as três primeiras, as duas primeiras universidades chinesas em cidades que você não falaria que são, né, as maiores cidades. É, >> é porque antes também já tinha muito, as universidades americanas já estavam no topo ainda, né, nos últimos 10 anos, tal, só que muito com também estrangeiros, né, os próprios chineses, >> pessoas do mundo inteiro foram para lá para >> Se você tirar os estrangeiros da universidade americana na faculdade de medicina, onde eu trabalhei 28 anos, tá, meu, acaba.
É, >> acaba porque o americano médio não quer fazer um PhD, o cara não quer pagar o preço de ficar 4 anos queimando o óleo da meia-noite, como a gente fala lá, né? Midnight oil para ter um PhD de em neurociência ou em alguma ciência hard. O cara quer ir pro mercado financeiro.
>> Uhum. >> Teve um amigo que comentou: "Por que que tantos CEOs da Índia, né, nos nas grandes empresas e tudo mais? " Aí eu falei assim: "Ó, pai, super populoso, mas é uma questão estatística.
Nascem mais crianças super dotadas na Índia do que nascem crianças nos Estados Unidos. Não, eu acho que nem é isso. Eu acho que é eh primeiro, se eles vieram da Índia, eles vieram dos ITS, são as melhores escolas de engenharia do mundo, tá?
>> É isso mesmo. >> Segundo, se eles são primeira geração de gente que veio, né? Esses moleques estudam, eu tive vários, vários alunos indianos ou primeira geração americana de filhos de ind meu >> e work holic também, né?
É, >> tinha um cara no meu laboratório, eu gosto de trabalhar até de madrugada, né? Eu sou, a gente brinca que neurocientista é que nem astrônomo, porque você registra neurônio e à noite não tem gente no departamento, >> telefone não toca, não tem rádio, né? >> E você registra neurônio, que é um sinal elétrico super pequeno e qualquer interferência você perde o sinal.
Então os experimentos de neurociência, pelo menos do da minha geração, são feitos de madrugada, de noite, de madrugada. Um tinha um um indiano e eu saía do laboratório 2 3 da manhã e aparecia lá às 11 da manhã do outro dia, 10, 11 da manhã. Eu comecei a notar que esse menino, todo mundo tinha de ir embora.
Eu tava lá escrevendo um paper 2 da manhã e o moleque lá no no escritóiozinho dele, quando ele me via todo sorridente, né, dava tchau. Um dia eu cheguei, fulano, você é casado, você tem um filho de que que acontece? Falou, não, se o senhor tá aqui, eu não vou embora.
Quando você ouviu isso na sua vida, eu nunca tinha ouvido o moleque e não era puxa saquismo, não. >> Uhum. >> É porque ele achava que se o chefe do laboratório tava lá até às 2 da manhã, ele tinha que estar até às 2 da manhã.
E esse moleque deu um salto, mas um salto do Ele, tá? Por quê? Porque tava no no nos bones dele, no osso dele, que queria ser cientista, entendeu?
Porque a família dele nunca teve um cientista, nunca ninguém na vizinhança dele imaginou que sairia um cientista daquele lugar, né? E é aquela era a oportunidade da vida dele, né? Então, esses exemplos eu não via na juventude americana mais.
Eu via nos imigrantes, eu via na molecada da China, da Índia, do Japão, né? Era uma coisa impressionante. A dedicação e o entusiasmo.
>> Qual que é o impacto do capitalismo na ciência? Obviamente de uma, de um lado ele vai super avançar algumas alguns quesitos, mas de outros ele entra como um competidor de mentes muito grande do que se poderia ser bom pra sociedade, não? >> O capitalismo moderno matou o etos científico, >> a ética científica.
>> Uhum. Porque hoje cada cada, né, boa parte dos moleques que eu comecei a dar aula na Duke queriam ter a startup deles. Eles não estavam ali para a melhorar a condição humana ou fazer alguma coisa, não.
Eles queriam por isso assim, ó. Hoje no hoje no Brasil um Uber ou uma pessoa que trabalha eh como frila, talvez vai ganhar mais do que um bolsista na nos primeiros anos de ciência, talvez. >> Mas aí o nosso problema é diferente.
A ciência no Brasil nunca foi considerada estratégica. E eu tô falando, não interessa que lugar do espectro ideológico você tá, tá? Nós vimos na pandemia isso.
Eu recebi ameaça de morte trabalhando de graça num comitê.