Narrativas compartilhadas tem o prazer de ouvir hoje a professora Denise Lemos Gomes. A professora Denise Lemos Gomes é professora, principalmente, dos cursos de Letras e Pedagogia da Uniso, foi coordenadora do curso de Letras, tendo sido a minha chefe, com muito prazer, por sinal. Sensível, competente, organizada, antenada no processo de comunicação, tanto presencial quanto virtual, com o corpo docente e discente, e com sua simplicidade, soube levar adiante inúmeras atividades muito importantes, envolvendo, com facilidade, alunos e professores.
Ela cursou graduação em Letras e Pedagogia na Uniso, mestrado em Educação pela Unisul, doutorado em Educação pela Unisul e atuou muitos anos na rede pública de ensino, trabalhando como coordenadora pedagógica e supervisora na Diretoria de Ensino de Sorocaba. Conhecedora do contexto educacional, tem trabalhado, dentre outros temas, o processo de leitura e escrita, alfabetização e letramento, gestão educacional, administração, coordenação pedagógica, supervisão escolar, avaliação, planejamento, didática para multimídias e língua portuguesa. A professora Denise sempre foi assim: excelente em auxiliar os alunos nos seus trabalhos de pesquisa, e a partir disso, ela chegou a desenvolver quase uma centena de trabalhos com seus alunos, principalmente trabalhos de conclusão de curso, principalmente em Pedagogia e Letras, e foi banca de mestrado e doutorado de muitos outros trabalhos.
Ela tem uma facilidade muito grande também em escrever com outros alunos, e com isso publicou muitos textos nos jornais com esses alunos. É, com certeza, uma grande educadora; nós sentimos isso de perto durante todo esse tempo que ela foi coordenadora. Durante oito anos, na análise do coordenador do nosso curso, foram passados assim rapidamente, porque sempre foi muito gostoso trabalhar com ela e pela facilidade de acesso a ela, respostas prontas, a sensibilidade na forma de tratar os alunos com todas as suas dificuldades e chamá-los, envolvê-los.
É comunicadora por excelência no sentido de produzir eventos e divulgá-los, e divulgar, principalmente, o trabalho dos alunos. É muito bonita a forma como ela sempre acreditou no aluno e fez com que o aluno acreditasse nela, nele principalmente. E eu sou.
. . fez com que houvesse muita produção durante os oito anos, é.
. . a produção em todos os sentidos.
E é com isso que o curso de Letras é um curso mais feliz, e não só de Letras, como de Pedagogia também, onde ela esteve sempre muito presente. Então eu queria dizer que é uma satisfação muito grande a sua presença aqui conosco hoje. Seja bem-vinda neste espaço, agradecemos desde já sua presença e gostaríamos que então você contasse um pouco da sua história de vida, desde a infância até a atualidade, focando a sua formação, sua entrada na escola, os principais acontecimentos até entrar no ensino médio, a entrada também na faculdade, o mestrado, doutorado e a sua atuação profissional.
Então, eu fiquei muito à vontade para fazer sua narrativa, porque a narrativa é sua e sua história. Muito obrigado desde já, e então vamos ouvi-la. Muito obrigada, do veto pelo convite e pela generosidade das palavras iniciais a meu respeito.
Também foi uma grande satisfação, e é uma grande satisfação dividir o espaço da universidade com colegas tão sensíveis, competentes e comprometidos, como é a equipe, tanto do curso de Pedagogia quanto de Letras. Então, muito obrigada pelo convite. Bom, quanto a contar a história, parece que é sempre mais fácil a gente contar a dos outros; quando se trata de falar a respeito da gente, é um tanto quanto mais desconfortável.
Mas vou tentar fazer um resgate da minha trajetória, da minha vida. Eu nasci no dia 15 de março de 1964, filha de ferroviário e professora. Nasci aqui em Sorocaba, nunca saí de Sorocaba, nem com todas as minhas atribuições no Estado que eu também vim a desempenhar e concursos que prestei.
Todos os concursos na classificação, felizmente, acabei fazendo a escolha a quem Sorocaba. Então, sempre fui daqui, da cidade, mesmo por conta de meu pai ser ferroviário. A gente tinha a oportunidade de ingressar no Instituto Matheus Maylasky, que era a escola dos ferroviários.
Então, foi lá que iniciei os meus estudos. A gente passou não por pré-escola, mas eu não entrei na pré-escola, eu entrei aos seis anos no que era dito na ocasião, lá no instituto, como cartilha. Eu tenho um fato bem interessante da minha entrada, porque apesar da minha estatura ser baixa hoje, na ocasião até que eu era mais ou menos graúda em relação aos demais colegas.
E no primeiro dia de aula, toda produzida, vestidinho branco, enfeitadinho com ilhós, presilha no cabelo, sapatinhos de salto branco, lá fui eu. E a minha mãe, por ser professora, já tinha me trabalhado questões de escrita e leitura, isso sempre foi muito presente na minha vida, e eu já sabia escrever algumas coisas. Eu me lembro que entrei pelo corredor do Instituto, e uma senhora me abordou e falou assim: "Menina, você sabe ler?
" Eu falei: "Sei! " Mas eu ia me dirigindo para a sala que tinham indicado, mas ela fez essa pergunta. Ela disse: "Então você nesta sala," e entrei.
Ela me indicou que seria ali, já que eu sabia ler e escrever. Entrei e por lá fiquei, assisti à aula, acompanhei as realizações de presença. Demorou um pouco pra lá chegar, porque nem sempre isso acontece nos primeiros dias, né?
E havia também uma outra Denise na sala, que era a Denise Rodrigues, que tem até o Instituto de Balé, e toda vez que chamava Denise, eu levantava a mão e ela também, ninguém percebia que éramos duas, mas tinham apenas uma nas salas; era a irmã doadores, e isso é Denise na doadores. E aí fui ficando nessa turma e envolvendo, inclusive, com a professora. Não havia essa coisa de, depois que perceberam o equívoco de que eu estava na sala errada, que eu deveria estar na cartilha, mesmo já sabendo ler e escrever.
E, mesmo acompanhando a turma, eu teria, por conta da minha idade, seis anos, que voltar para a cartilha. Então, foi um tanto quanto traumática a saída do grupo com o qual eu já tinha feito amizade, com a professora com a qual eu já tinha criado algum laço, e, de repente, me dirigi para a sala da cartilha. Mas, também lá, fui muito bem acolhida.
Era Dona Conceição Bistão, já falecida, mas que também me acolheu de braços abertos, e fui bem recebida pelos colegas. Não tive grandes dificuldades, como eu imaginava que poderia ter, nessa transição. Na verdade, eu acho que eu estava no primeiro ano, aqueles que já sabiam ler e escrever, porque, nesta fase, já na cartilha, já se alfabetizaram, né?
Então, fiz o 1º, 2º e 3º ano no Instituto Matheus Maylasky. Depois disso, meu pai saiu da ferrovia para buscar uma qualidade de vida melhor nesse emprego. Ele não estava conseguindo grandes evoluções profissionais, então ele foi motorista de uma firma que veio para Sorocaba e estava se instalando em Sorocaba.
E aí, eu não tinha mais o direito a esta vaga por não ser mais filha de ferroviário, e meus pais me transferiram para a Escola Estadual Genésio Machado, da Vila Santana. Lá, eu tinha até como referência uma tia que dava aula. Então, essa foi uma das opções dos meus pais, além de ser o bairro em que eu morava, porque eu sempre morei na Vila Santana, primeiro na Jerônimo Rosa e, depois, Ermelino Matarazzo.
Até me formar praticamente, eu morei na Vila Santana. E aí, fiquei no Genésio Machado, minha tia foi minha professora no quarto ano, o que também não é muito fácil para uma professora parente, porque ela sempre falava que tinha que exigir mais da sobrinha do que dos demais alunos. Então, ela era exigente, mas também uma excelente professora, e ela sabia muito bem dividir a questão de parentesco com a profissional dela.
Então, fiquei no Genésio Machado e fiz até a 4ª série, que na ocasião chamava-se série, não ano. Daí, na 5ª série, eu também continuei no Genésio Machado. Nesta época, uma professora de matemática, a professora Nídia Maria Mais Solidó e Grimi, que recentemente vi que faleceu, não consegui, infelizmente, me lembrar do ano inteiro, porque soube depois.
Mas ela foi minha professora de matemática e achou que eu tinha um bom desempenho e que deveria fazer um teste numa escola que estava abrindo recentemente, que era a Escola Veritas, que foi aberta pelo professor Odenir Forlani, que foi aqui da casa, inclusive, professora. A professora Wanda Costa Daiane, já falecida, falou: “Por que você não vai? Apesar de eu ser professora de matemática, eu nunca fui muito assim, eu preferia muito mais as letras, mas procurava me desempenhar também com os números.
” Não custa nada, eles estão abrindo a escola. Tente ver se você não consegue. Eu acredito que seria uma escola de qualidade; aí você faz o seu ginásio, que chamava antes, que é o ensino fundamental 2 lá.
E aí fui, fiz o tal do teste lá e acabei recebendo uma bolsa de estudos para estudar no Veritas. Então, aí foi o momento da minha transferência para estudar, junto com os colegas, lá no Veritas. Apesar da minha classe social ser muito diferente das dos colegas, eu sempre tive uma relação muito aberta; nunca escondi essa minha condição, muito pelo contrário.
Era admirada por eles pela frequência e acompanhamento que meus pais tinham na minha vida escolar, e essa presença era, inclusive, motivo de comparação deles em relação à vida agitada dos pais empresários, médicos, já profissionais muito bem-sucedidos, enquanto meus pais eram trabalhadores, mas com muita luta. A gente tinha um fusquinha verde, e eles eram fiéis, como eles diziam: “Olha, o fiel verdão já chegou pra te buscar. ” Então, era assim uma marca; até que o fiel verdão nunca falhava, estava sempre lá presente, né?
E acabei até sendo escolhida como oradora da turma. Convidei a minha primeira professora, aquela que eu falei que me acolheu bem, a Dona Conceição; ela esteve na formatura da 8ª série, né? Na ocasião, foi um dia muito feliz para mim.
Depois, eu prossegui no Veritas, mesmo que daí ele tinha se transformado em Ângulo Veritas, ainda com bolsa, terminei o ensino médio no Ângulo Veritas. Aí, já fiz vestibular; sempre tive essa influência na família, com muitas professoras. Sempre quis ser professora.
Minha mãe me levava nas atividades que eram possíveis de se levar filho, e eu fui me encantando pelo magistério. Então, a minha opção foi mesmo fazer o vestibular. E aí foi um momento que ingressei aqui na Uniso.
Também, assim, a gente tinha classificações; eu estava entre as primeiras. E eu me lembro como se fosse hoje que fui lá no Trujillo, o professor que veio nos receber, fazia uma chamada para que todos se apresentassem num salão que não era o salão vermelho, hoje não. No terceiro andar do bloco administrativo, hoje se chama Marcel.
Lá, era um salão de recepção e foi muito bonito, também, esse momento para mim, de conquista; também muito emocionante. E também me lembro dessa acolhida. Já nos primeiros momentos com o pé aqui dentro da instituição, eu já senti uma diferença nessa acolhida.
Me lembro também que o professor Aldo fez o turno como se faz hoje, e um dos espaços que ele privilegiou foi a biblioteca. E lembro bem que ele mostrou uma estante que estava vazia, com algumas prateleiras vazias, e ele fez o seguinte comentário: "Estas prateleiras estão vazias porque aqui estavam livros que foram considerados subversivos e foram queimados. Mas nós fizemos questão de deixar esse espaço vazio para que pudéssemos nos reportar a este momento e espalhar ou divulgar, é contar para os que viessem este fato.
" Então, para mim, isso foi muito marcante, e eu vi que ali poderia ser também, para mim, um outro momento de amadurecimento de uma visão mais ampliada do mundo. Né, isso foi também muito bonito e esses primeiros momentos aqui dentro da instituição com uma aluna de graduação. .
. Bom, então, eu queria que você falasse um pouco, então, dessa sua presença dentro do curso de Letras. Primeiro, fiz Letras; foi a minha opção.
É, primeiro iniciar por Letras, também sempre gostei, já estudava paralelamente à minha formação no ensino médio. Eu fazia o Centro Cultural Brasil Estados Unidos, que ainda existe hoje. O diretor era o professor Aristides, excelente pessoa também, que deixou muita saudade; uma pessoa muito humana, competente, comprometido com os alunos, com a educação, com a escola, enfim, e até com a educação aqui do próprio espaço sorocabano.
Então, eu sempre gostei muito das Letras, de escrever, e aí eu fiz a opção por fazer Letras. E lá me deparei com professores que hoje ainda atuam no nosso colegiado, né? A professora Ana Maria Gurgel, que também foi minha professora, que também foi uma coisa muito significativa na minha vida como aluna e depois também como colega, que ainda é; né?
Mas ela sempre foi muito amiga, muito presente, muito conselheira, e isso também foi fantástico. Então, eu tive uma trajetória no curso de Letras: professor Tortello, professora Jayne, professor Danuk. Então, foram pessoas que deixaram marcas inesquecíveis, como profissionais e como pessoas também sensíveis e competentes.
Então, eu me senti acolhida, terminei o curso de Letras e daí já me enveredei por fazer Pedagogia, também aqui mesmo na instituição. Aí, então, curso de Pedagogia. .
. Daqui a pouquinho travam uma pequena pausa, daqui a pouquinho nós continuamos ouvindo a professora Denise falando sobre Pedagogia.