[Música] Reg misericord [Música] bem nos anos 50, mais propriamente em 1954, se publicou no Brasil eh uma série de, posso dizer de romances ou de contos relacionados ao matrimônio. Era a coleção, deixe-me ver o nome da da coleção, mas eram fascículos. Coleção pensando em casar. Eram 24 fasículos publicados sobre temas relacionados ao matrimônio e foram todos escritos por um padre francês, o padre Gerard Petti, um religioso francês, eh, então publicado nos anos 50 no Brasil e o intuito era fornecer à juventude católica uma leitura fácil, uma leitura leve, agradável sobre temas relacionados ao matrimônio. Então,
não era não era um catecismo do matrimônio, não era um livro doutrinal sobre matrimônio que talvez Afastasse esse público, né? Mas pelo contrário, eram, como posso dizer, romances ou contos. Eles contavam sempre uma história e no meio da história se incluía um ponto, um tópico sobre a teologia do matrimônio. Então, uma coleção bastante interessante mostrava uma preocupação da época de orientar os jovens, de ilucidar os jovens a respeito de questões eh que dizem respeito ao sacramento do matrimônio. E as capas também eram muito Muito interessantes. eram aquarelas, posso dizer aquarelas, e que mostravam cenas bastante
curiosas eh a respeito de cada um dos temas. Então, por exemplo, nós temos aqui o título número 13, a moda, sobre questões relacionadas, então, à vestimenta, a modéstia. Depois, um outro fascículo, número 17, sobre a dança, se era, enfim, permitido ou não que os jovens católicos dançassem. Eh, depois o número 22, posso Divorciar-me? Então, sempre temas muito oportunos para eh instrução cristã da juventude. Eu gostaria nessa conferência de fazer o resumo de um desses fascículos, que é justamente é o fascículo eh número 15, os namoros modernos. gostaria de fazer um um resumo desse facículo, porque
ele realmente entra no assunto da conferência de hoje. Então, como eu disse, eram histórias que esse padre, o Padre Gerard eh Gerard Petin, eram histórias que ele então criava para através delas expor algum tópico eh de doutrina católica sobre o matrimônio. E aqui nós devemos imaginar então eh vamos imaginar uma cena, digamos do do verão europeu, uma família que conversa na sua sala, as janelas abertas, é possível ouvir do lado de fora e está lá naquela casa. Então, a avó e a avó conversa com dois netos e nós sabemos aqui o nome dos dois netos
era Maurício e Clara. E sobre O que que eles conversam? Eles conversam justamente sobre namoro e matrimônio. Então, vamos imaginar de novo a cena, uma casa em que as janelas da sala estão abertas, é possível ouvir do lado de fora e os netos conversam com a voz sobre matrimônio, sobre namoro, eh justamente sobre a diferença que há entre aquela geração, então a geração dos jovens dos anos 50 e a geração da avó, que é a geração do começo do século. É uma conversa bastante Interessante. E no começo os irmãos Maurício e Clara, eles fazem uma
crítica, eh, digamos, ao estado da sociedade no tempo da avó, porque afinal de contas no tempo da avó era muito comum os casamentos arranjados. Não havia tanto namoro, digamos assim. O namor era algo muito mais breve, porque afinal os casamentos eram boa parte arranjados, né? Sobretudo até o começo do século XX, mas sobretudo no século XIX, os casamentos eram Arranjados. E é claro, quando o noivo ia visitar a sua noiva, ele não se encontrava sozinho com ela. Estava ali também a família. Eu era na sala de casa, o pai estava ali, a mãe, talvez os
outros irmãos. Então, eram encontros abertos, ou seja, eles não estavam em solidão em casa. Pelo contrário, eh, o rapaz ia visitar a moça, mas em presença da família dela. Então, os netos criticam o estado da sociedade do tempo da vó, dizendo que, bom, felizmente nós Evoluímos e hoje o estado da sociedade é bem melhor do que no tempo da avó. Mas a avó, ela repreende os netos, ela não permite essa crítica porque ela parte de um outro de uma outra perspectiva. Ela então repreende os netos dizendo que, bom, no tempo dela havia bem menos pecados
em matéria de castidade e havia bem menos divórcios. Então ela repreende os netos que elogiam a liberdade de hoje, mas não percebe o preço dessa libertinagem que existe Hoje, que é justamente a proliferação do pecado e sobretudo do divórcio. Bom, depois eles também fazem algumas outras considerações sobre várias mudanças e circunstâncias, ou seja, hoje, como a mulher entrou eh no mercado de trabalho e compete com homem, na verdade isso começa justamente ali naquela época, na época em que esses netos estão conversando com a avó, nos anos 50, né? Isso já está começando a acontecer. Então,
os homens e as mulheres, os rapazes e as moças se encontram na sociedade, nas fábricas, eles se encontram nas ruas. Então, esse contato com o sexo oposto, ele é muito mais frequente, o que, é claro, prejudica eh uma certa vigilância em matéria de castidade. Então, a avó, de novo, critica eh essas mudanças porque ela parte eh de um princípio que quando eu li, eu pensei imediatamente em Santo Inácio, nos exercícios espirituais Santo Inácio. A gente sabe que os exercícios espirituais, Santo Inácio, que ele compôs, são meditações para se fazer ao longo de 30 dias, um
retiro de 30 dias. E a primeira meditação se chama princípio e fundamento. Princípio e fundamento, porque, enfim, é o começo do retiro. Tudo começa dessa primeira meditação, do tema dessa primeira meditação. E nessa primeira meditação, aquele católico que vai então fazer o retiro, os exercícios Santo Inácio, ele deve meditar no seguinte, que o homem foi criado para conhecer, amar e servir a Deus essa vida, a fim de gozá-lo na eternidade. E ele deve se servir das criaturas à medida em que elas o aproximam, os o aproximam de Deus. E ele deve então se abster das
criaturas à medida que elas o afastam de Deus. Então, servir-se das criaturas na medida que elas nos aproximam de Deus, abandonar as criaturas à medida que elas nos afastam De Deus. Então, esse é o ponto que a avó vai tratar. E ela diz: "Meu pai e o senhor pároco nos repetiam sempre: quereis saber se tal ou qual inovação é um progresso? Considerai se conduz melhor a Deus? Se auxilia a conservar a cabeça erguida, se respeita o caráter sagrado das instituições?" Então, esse é o ponto da avó. É exatamente aquilo que Santo Inácio diz na sua
primeira meditação, Princípio e fundamento. Será que realmente a sociedade progrediu em matéria de namoro e matrimônio? Será que o estado atual das coisas nos aproxima mais de Deus? nos ajuda a viver de modo muito sobrenatural eh o namoro e o matrimônio ou pelo contrário, nos afasta de Deus e prolifera o pecado, o divórcio e assim por diante. Aquilo que os netos tratavam como um progresso, uma maior liberdade para os jovens se encontrarem na rua, Fora de casa, nas faculdades, nos nas fábricas e assim por diante. Será que toda essa liberdade ela está nos aproximando de
Deus ou não? E toda essa liberdade no namoro está tornando os casamentos mais santos ou não? Está proliferando o pecado no próprio namoro ou não? Então, a avó corta os netos lançando um argumento sobrenatural que é bastante inaciano, bastante interessante. Mas os netos continuam conversando com a voz sobre essa Questão. E aqui nós entramos eh num outro ponto bastante interessante que eu vou me deter mais longamente, que é uma crítica que eles fazem dessa vez. Os netos acertam e fazem uma boa crítica. O Maurício, ele diz o seguinte: "Estou pronto a concordar que o problema
dos encontros, os encontros entre os namorados, o problema dos encontros se tornou bem penoso por causa da civilização moderna. Agora ele vai Criticar a civilização moderna. Ele diz: "Diziis há pouco, custa uma fortuna namorar uma jovem. danças, restaurantes, teatros, cinemas, automóveis, etc. Então aqui quando eu li esse trecho, eu fiquei bastante admirado porque em plenos anos 50 nós temos uma crítica ao namoro de um problema que hoje os jovens católicos vão também se queixar, os rapazes católicos sobretudo vão se queixar. que custa uma fortuna namorar Uma jovem, porque é necessário entretê-la nos encontros, é necessário
bancar os encontros, levá-la para ambientes que vão ter um certo custo. E, portanto, o namoro é um investimento que muitas vezes não se sabe se esse investimento será ou não, enfim, vantajoso. Pode ser que esse namoro acabe, mas enquanto ele perdura, é preciso que esse rapaz invista na moça. precisa gastar com a moça, levar a um restaurante hoje em dia no shopping, Talvez até mesmo viajar com ela, o que hoje em dia não é tão raro acontecer. Os jovens vão viajar, tirar férias juntos, então são gastos. Isso é criticado num livro dos anos 50 como
problema moderno. Custa uma fortuna hoje namorar uma jovem. Mas eles avançam aqui na crítica, ou melhor, o Maurício avança aqui na crítica porque ele não está nada satisfeito com os programas da época Dele. Ele diz: "E que temos nos lugares públicos de diversão? Danças que se assemelham às outras danças, a promiscuidade de pessoas mal afamadas e pervertidas. Então ele critica esses ambientes de dança, uma sala onde a orquestra faz um ruído que se chama de música e que ataca os nervos. Ele critica não só as danças da época, mas a música da época, músicas ruidosas.
Tantas pessoas achando que as músicas Dos anos 50 são músicas eh, enfim, melhores do que as de hoje. Mas nós temos aqui um sacerdote dos anos 50 nesse nesse romance criticando eh as músicas da época, dizendo que elas eram ruidosas e que fazem mal, portanto, aos jovens que vão a essas salas para ouvir e dançar essas músicas. Então ele critica aqui, o Maurício critica, digamos, a os divertimentos, o entretenimento da juventude dos anos 50. E a Clara, a outra neta, intervém e diz À avó dela: "Os encontros combinados tornaram-se difíceis, vovó, não temos senão que
escolher entre jogar tênis, comer, dançar, beber ou, e aí o Maurício intervém e diz: "Deter-se ao longo do caminho e namorar", disse o Maurício. Ou seja, a Clara e Maurício concordam que parece que essa juventude dos anos 50 está num dilema em que não existe alternativa. ou o namoro consiste num gasto exorbitante em que os jovens Precisam, sobretudo o rapaz precisa gastar com a sua namorada, ou então eles não tm alternativa, ou melhor, a única alternativa que eles restaria seria ir a uma encruzilhada, num lugar afastado, numa floresta, num bosque, num lugar longinho afastado, longe
de todo mundo, para que lá eles possam então cometer pecados contra a castidade, beijos prolongados, abraços e assim por diante. Então, como diz aqui o Maurício, né, deter-se ao longo do caminho e namorar. Então, parece que o jovens dos anos 50 só tinham essas duas alternativas. ou eles vão para lugares públicos em que eles precisam gastar, ou eles vão para lugares secretos, menos frequentados, e lá eles vão então trocar carícias avançadas em pleno namoro. E é nesse momento que uma outra pessoa intervém, porque nessa história aqui contada pelo padre Gerard Peti, eh, existe um amigo
da família que está passando, ouve a conversa pela janela, Lembremos que janelas estavam abertas, era o verão europeu, então eh, enfim, o ar bom, se abre a janela para se sentir aquela brisa agradável e uma pessoa, um amigo da família passa, ouve a história e fica lá ouvindo, né, com um pouco de curiosidade, o que é que os netos estão conversando com a avó. E nesse momento esse amigo da família resolve intervir, ele resolve se meter na conversa e todo mundo se admira que ele estava lá discretamente ouvindo tudo. Então agora Eles passam pra varanda
e começam a conversar. Então os quatro, o amigo da família, a avó, o Maurício e a Clara. E esse amigo da família, ele vai então ser, digamos, eh, uma espécie de porta-voz da fé católica nessa conversa entre avó e netos, que ele vai expor, ele será como que o teólogo, né, o padre da história, porque ele vai defender a fé católica para ajudar os netos a eh adquirirem mais convicções em matéria de namoro. Então, justamente, é a crítica Que ele faz. é uma é um falso dilema que os jovens têm que escolher entre gastar muito
dinheiro em locais públicos ou então se esconder e cometer pecados e praticar carícias avançadas eh no namoro. É um falso dilema. é um falso dilema moderno. Então aqui o esse amigo da família critica justamente esse problema do isolamento. E é curioso observar que justamente num livro dos anos 50, numa Numa num romance dos anos 50, nós temos essa crítica dos encontros entre namorados que terminam à tarde, até altas horas da noite, em que eles permanecem isolados num carro. E assim tem uma certa facilidade para cometer pecados contra a castidade. Então isso já é criticado no
livro dos anos 50, essa permissividade para permanecerem sozinhos num carro até altas horas. Isso é uma coisa que não é apenas criticada hoje pelos padres Tradicionais, mas nós já vemos isso muito antes do concí, enfim, uma década antes do concílio praticamente, criticado aqui eh por um padre num romance que ele escreveu paraa juventude. E o argumento que o padre dá é interessante. As estatísticas elas nos apontam quantas pessoas se acidentam e num carro num ano, ao longo de um ano, quantas pessoas morrem num acidente automobilístico. Mas o problema dos Pecados cometidos num carro é um
problema muito mais grave, porque a perda da alma é muito mais grave do que um acidente, do que eh, enfim, um uma morte física mesmo. A morte física é um mal muito maior que é o mal da alma, que é o pecado grave. Então, bastante interessante essa crítica que é feita, porque mostra que quando os padres tradicionais apontam esse problema dessa circunstância, eles não estão sozinhos, eles estão repetindo algo que já era Dito pelos sacerdotes nos anos 50. Mas é claro que esse amigo da família que aparece lá, tava ouvindo a conversa e ele resolve
intervir, é claro que ele dá o contraponto aos jovens. Ou seja, o namoro não consiste nesse falso dilema de ou gastar uma fortuna em lugares públicos ou então se isolar e cometer carícias avançadas contra, enfim, pecados contra a castidade. Ele, é claro que ele precisa dar o contraponto, dar uma solução católica Para o namoro católico. E o argumento que ele dá é bastante interessante. Ele diz, ele diz que eh os esposos depois do casamento, eles precisam de um interesse comum, de um objeto comum, de um ideal comum, senão esse casamento não vai se sustentar. Então,
é claro que um namoro que ele é baseado, que ele é fundamentado no deleitável, se não houver um ideal comum De vida, caso esse namoro se conclua em casamento, esse casamento arrisca é entrar em crise rapidamente. Porque como que os namorados conceberam o namoro deles? Eles conceberam o namoro no usufruto do deleitável. Ou eles iam a restaurantes, cinema, bailes e passeios caros e assim por diante, ou eles se isolavam e cometiam carícias avançadas, pecados contra a castidade. Então, em ambos os Casos, nós estamos diante do quê? Do deleitável. Procurar deleites, procurar diversões, procurar entretenimentos. Alguns
mais pecaminosos, outros menos. Mas enfim, procurar deleites. Mas será que o matrimônio é isso? Quando vier o matrimônio, eles se darão conta que o matrimônio não é nada disso. Eles deverão trabalhar para sustentar a própria casa, pagar as próprias contas, trabalhar para poder pagar a escola dos Filhos, o plano de saúde dos filhos, os remédios, os tratamentos, o aluguel e todas as despesas que terão. Enfim, no matrimônio haverá uma série de dificuldades de cruzes. E se o namoro foi entretido com deleitável, de repente chega o matrimônio e eles se dão conta que o matrimônio vai
ser o matrimônio se torna muito diferente do que foi a preparação, do que foi o próprio namoro. Então, se faltar um ideal de vida, se faltar um Objetivo comum do interesse de ambos, se faltar esse esse ideal comum de vida, de repente eles vão descobrir que eh eles não se entendem do matrimônio, eles não têm nenhum interesse superior além do deleitável. E é por isso que casamentos de artistas dura tão pouco, casamento de famosos dura tão pouco. Quando eles perdem algum interesse relacionado à paixão ou ao próprio deleitável, de repente eles dão conta que não
se amam mais e se separam. É por isso que esses casamentos de famosos, de artistas dura tão pouco. Não há nenhum interesse superior para além da paixão ou além do deleitável, da busca do deleitável. Hã, então essa é a grande crítica. Se os jovens concebem o namoro apenas em buscar o deleitável, seja ele qual for, e sobretudo se esse deleitável inclui pecado, é claro que quando chegar o matrimônio eles darão conta que ou não se conhecem ou não se Entendem. É por isso que esse amigo da família, ele continua argumentando, dando uma solução católica para
esse problema. E ele diz: "O matrimônio não é mais que uma série de encontros prolongados até a morte. Um encontro preparado é muito mais que um prazer que dura algumas horas da noite. É a aprendizagem do encontro contínuo a ser estabelecido pelo vínculo conjugal. Então esse é o cerne da questão. Essa é a chave da Questão. O que é um namoro? é o aprendizado daquele encontro contínuo que será o matrimônio. Eles estão aprendendo como eles querem que a vida deles seja daqui paraa frente até o fim. Ou seja, esse matrimônio que se presume que durará
algumas décadas e pode chegar até os 50 anos, o namoro é a preparação para esse encontro prolongado. Eles se preparam para aquilo que eles esperam que seja o futuro Matrimônio. Então, é o aprendizado desse encontro prolongado que vai perdurar, se presume, algumas décadas da vida desses jovens. inclusive vai durar a maior parte da vida deles. Então é um aprendizado. Se eles fazem o namoro se basear apenas no deleitável, eles não não estão aprendendo nada. Estão apenas usufruindo do que o dinheiro pode lhes proporcionar. Vão a um restaurante, vão a uma festa, vão não sei onde,
vão no Shopping, vão num passeio que custa alguma coisa. Estão se proporcionando deleites, né, entretenimentos. mas não estão necessariamente aprendendo, se conhecendo, adquirindo convicções para que possam dar esse passo como ao próprio matrimônio. E é claro que sem essa preparação adequada há muitas chances de que esse matrimônio já comece com crises, com desentendimentos, com discórdias, com Crises. Então aqui nós temos uma crítica mais direta ao problema de conceber o matrimônio com, ou melhor, namoro como um momento para se gastar dinheiro e se aproveitar a vida a dois. Mas o amigo da família, ele também faz
uma crítica a essa outra alternativa também falsa, os namorados se isolarem e cometerem carícias avançadas, pecados contra a castidade. E ele dá um argumento também muito interessante, esse amigo da família, ele diz: "Se o Homem não pode agir com retidão durante o período preparatório ao matrimônio, enquanto lhe é relativamente fácil a razão para temer que não o possa fazer melhor após a cerimônia nupscial". Um argumento bastante interessante e é um choque pros jovens. Por quê? Porque o argumento dele parte do seguinte princípio: é mais fácil a castidade no namoro do que no casamento? E os
jovens pensam que é o contrário. Por quê? Porque os jovens pensam que aquilo que lhes é proibido no namoro será absolutamente permitido no matrimônio. Mas aí vem a grande questão. É claro que eles têm direito ao débito conjugal no casamento. Por outro lado, eles não têm direito, ou melhor, eles não têm a possibilidade de exercer esse débito conjugal, de usufruir desse débito conjugal quando eles bem querem. A vida é feita de várias Circunstâncias em que os esposos nem sempre vão poder, digamos, viver aquela lua de mel, aquele mundo que vai ser um mar de rosas,
como eles bem imaginam. A vida, o matrimônio não será uma lua de mel perpétuo. Passeios, diversões, entretenimentos, enfim, prazeres diversos. A vida não será essa. A partir do momento que eles começam a ter os primeiros filhos e vem as primeiras cruzes maiores para sustentar, para educar, para garantir a saúde e o Bem-estar desses filhos. e todas as demais despesas da vida em família, eles vão descobrir que ao final do dia eles estarão cansados, que talvez ao final do mês não haverá dinheiro para certos passeios, para certas diversões. Então, justamente no matrimônio, os esposos têm direito
ao débito conjugal, mas isso não quer dizer que eles podem exercer o débito conjugal como bem querem. Então, é claro que é necessário uma castidade matrimonial que é mais difícil em certo sentido do que a castidade do tempo do namoro. Porque no tempo do namoro, enfim, se o encontro é bem ordenado, quando acaba, cada um volta paraa sua casa se ele é bem ordenado. Agora no casamento, eles moram juntos, eles vivem juntos, eles se encontram todos os dias, mas eles precisam trabalhar, eles precisam estudar, eles precisam cuidar Dos filhos e, portanto, eles precisam, claro, guardar
a castidade, sabendo que nem sempre eles vão poder fazer uso do débito conjugal. Há momentos em que a esposa está para dar a luz, ela não está disponível pro marido. Depois, quando ela tiver dado a luz também por um tempo, ela não estará disponível pro marido. Então, justamente o marido nem sempre terá esposa à sua disposição em vice-versa. Então, eles serão ser castos Nesse momento. Então, justamente é mais difícil, é mais dedicado a castidade no matrimônio do que antes do matrimônio. E é por isso que o amigo da família faz essa crítica. Se um homem
não pode agir com retidão durante o período preparatório ao matrimônio, enquanto lhe é relativamente fácil, há para a razão para temer que não o possa fazer melhor após a cerimônia nupcial. Então, o maior bem que um jovem pode proporcionar sua namorada e vice-versa é Que eles procurem dar e receber essa prova de castidade, porque eles vão precisar muito dessa virtude depois para que não haja, é claro, traições, para que não haja, é claro, desconfianças, para que eles tenham uma plena confiança um outro, o que nem sempre é garantido. Às vezes pode ser que ocorra desconfianças,
medo, né? Sei lá, o marido está viajando a trabalho, com quem ele está, onde ele está. Então, pode ser que isso crie eh Um grande sentimento de desconfiança, mas tudo isso deve ser remediado de antemão o namoro casto. Então, em resumo, esse amigo da família, ele responde, refuta esse falso dilema da juventude, que já era o caso nos anos 50 e continua sendo o caso pros católicos de hoje, esse falso dilema de que os jovens só tem duas alternativas. Ou eles vão procurar encontros caros, entretenimentos caros, ou então eles se isolam e percam contra castidade,
senão Não tem namoro. Pelo contrário, o que ele está querendo explicar é que o namoro é a preparação daquele encontro prolongado que será o matrimônio. Como que eles querem que seja o matrimônio? Então eles vão preparar isso no namoro. Bem, apesar do argumento desse amigo da família ser bom, os netos eles questionam. E o Maurício ele diz: "Um encontro não é um círculo de estudos". Quer dizer, se eles vão preparar o matrimônio deles, vão se conhecer melhor E vão preparar o que eles esperam ser o futuro matrimônio. Ora, eles não vão sentar numa mesa de
biblioteca, pegar uns cateicismos de matrimônio e vão estudar juntos sobre a teologia do matrimônio. É claro que o namoro não é um círculo de estudos. O namoro não é um grupo de teologia, não é uma pós-graduação da PUC, né? Não faz menor sentido isso. De fato, não faz o menor sentido. Porém, isso não esvazia essa Realidade que de que o namoro é sim um tempo de observação, de observação diligente do futuro cônjuge. Mesmo que não seja um grupo de estudos, um círculo de estudos, é claro, eles terão sim direito de se divertir, de se entreter
com, claro, entretenimentos saudáveis, virtuosos, honestos. Porém, o Cne do Namoro continua sendo essa observação diligente do futuro Cônjuge. Essa observação do seu temperamento, do seu caráter, do seu ideal de vida, como que ele concebe a vida, o que é que ele espera de um matrimônio? O que é que ele pensa a respeito dos filhos, a compatibilidade dos dois? Compatibilidade de temperamento, de caráter, de ideal de vida. Então, é óbvio que o namoro é sim uma observação diligente, mesmo que ele não seja um grupo de estudos, né, um círculo de Estudos. E é claro, se os
namorados não estão de acordo sobre isso, é bom que eles reflitam se vale a pena continuar o namoro, porque afinal de contas, se uma jovem não quer ficar com o rapaz, a não ser que ele gaste muito dinheiro com ela, então será que ela é uma jovem honesta e séria? Como diz aqui a Clara, né? Nós estamos aqui numa conversa entre a avó, a Clara e o Maurício. Então a Clara faz essa objeção. Não é uma jovem honesta e séria. Se ela espera que o Namorado invista muito dinheiro com ela, senão ela não quer namorar,
senão ela não quer prosseguir nesse namoro. Bom, então acho que ela está apaixonada muito mais pelo cartão de crédito dele do que pela pessoa dele. Então, será que ela é uma jovem honesta e séria? Será que vale a pena continuar um namoro em que se não houver eh encontros caros, investimentos caros, ela tá disposta a romper tudo, né? Então, de fato, isso não é uma prova de Virtude. E continuando aqui o nosso diálogo entre esses três familiares e o amigo da família, eh o amigo da família, ele diz que sempre restaurão restarão numerosas descobertas para
depois do casamento. É claro que o matrimônio inclui um aspecto de, digamos, de desconhecido, de surpresa. Ninguém sabe como que será o futuro matrimônio. Será que eles terão Filhos? Quantos filhos terão caso tenham? Quem é que vai falecer primeiro? Quem é que vai falecer por último? Será que os filhos vão crescer saudáveis? Será que eles terão um trabalho? Será que eles terão dificuldades financeiras? Será que alguém vai ter uma doença grave? Ninguém sabe. É algo reservado à providência. É o segredo da providência. Ninguém sabe o que lhes aguarda, o que lhe aguarda no matrimônio. Ninguém
Sabe. Então, claro que há muita surpresas, muitas descobertas para depois do matrimônio, mas é preferível, é sempre prudente preparar-se o melhor possível para evitar o quê? As má surpresas. Ah, eu não sabia que essa pessoa era assim. Ah, eu não sabia que ela se comportava desse jeito. Ah, eu não sabia que podia ser dessa maneira. Então, evitar essas má surpresas de saabores através do namoro que seja o quê? Uma observação diligente do futuro Cônjuge. Então, como diz aqui o amigo da família, acho muito preferível verificá-lo antes do casamento a verificá-lo depois. É melhor saber certas
coisas agora do que descobrir com tristeza depois. Bom, eh, depois eles entram num outro assunto. A avó intervém contando que no tempo dela os jovens namorados eles saíam juntos, faziam passeios juntos, né? Claro que é um pouco injusto porque ela tá falando aqui de paisagem Da França, então era bem mais fácil. Sempre tem um monumento para visitar, sempre tem um castelo e alguma esquina, né? Então era mais fácil, né, para ela lá na França. Mas enfim, aqui no Brasil a gente pode eh encontrar alguma alternativa para isso. E ela dizia então que os jovens saíam
juntos à tarde, domingo à tarde, para o quê? Para que um casal vigiasse a casa de idade do outro casal. Então os jovens namorados saiam juntos para se vigiarem mutuamente, para Evitarem a solidão domingo à tarde. Então não era todo dia, domingo à tarde. Em grupos de quatro ou seis, ela conta. e depois um piquenique regressavam antes de cair à noite, ou seja, nada de mulher sozinha de noite na rua. De novo, eu encontrei isso num livro antigo, né? Era mal visto naquele tempo. E então eles saíam à tarde, aproveitavam à tarde, domingo, guardavam o
dia do Senhor, um passeio, depois voltavam antes do anoitecer. Então, de novo, aqui encontrei esse mesmo testemunho de do começo do século passado. Então, em resumo, o que a gente vê eh nessa historinha aqui contada pelo padre Gerard Peti é que os falsos dilemas de hoje já eram os falsos dilemas dos anos 50 e que isso se responde de que maneira? concebendo o namoro como um tempo de discernimento, de observação diligente do futuro cônjuge, para conhecê-lo o melhor possível, a fim de Evitar as surpresas possíveis e desagradáveis futuras. Mas justamente o que é que se
deve observar e o que é que se deve cultivar nesse tempo de namoro? E para responder essas questões, eu agora vou me servir de um teólogo francês, o padre Fonsois Dontec, que escreveu um livro chamado eh O noivado cristão e que foi eh publicado em 1956. Então, o nosso autor, nosso teólogo, ele vai dar aqui num num capítulo da sua Obra as condições de base para um futuro lar cristão, que é tudo aquilo que os namorados terão que cultivar ao longo do namoro, as condições de base para um futuro lar cristão. Então são aquelas condições
cuja ausência arriscaria quase que infalivelmente o fracasso do lar cristão. Então são condições eh indispensáveis. A ausência dessas condições levaria quase que infalivelmente ao fracasso do lar Cristão. Então é com os pilares de uma casa, né? Se a gente retirar esses pilares, esses fundamentos, a casa vai eh desabar, né? Então, são as condições indispensáveis para um futuro futuro lar cristão. E nesse sentido, assim como os pilares de uma casa e sobretudo de um prédio, se a gente retirar um, toda a construção fica ameaçada. Então, da mesma maneira, como são condições fundamentais, nós não podemos nos
contentar com algumas delas e Negligenciar uma, abandonar uma, ignorar uma. Não, pelo contrário, todas são necessárias, todas são fundamentais. Então, se deve evitar ao máximo, né, a negligência de uma delas, porque senão isso pode trazer consequências sérias pro futuro. Todas as condições são relevantes, importantes, necessárias. E nesse sentido, se o casal observa que eles cumprem essas condições de base, que eles encontram essas condições de Base no namoro deles, existe até um aspecto de sinal da providência de que esse namoro vai dar um casamento católico eh bom, frutífero. Eles devem considerar isso como uma vocação providencial.
Quer dizer, se eles realizam as condições de base, há um sinal da providência de que eh eles provavelmente vão vão vão realizar um matrimônio muito santo no futuro. Então é um bom sinal, é um sinal Da providência a favor desse namor. A questão mais importante que os jovens devem se perguntar e devem responder ao longo do namoro, que é o que explica essas três condições de base que eu vou tratar daqui a pouco. Então, a questão que os jovens mais devem se fazer e responder é a seguinte: com quem eu estou namorando, eu a vejo
como no caso das moças, o pai ou no caso Dos rapazes, a mãe, a educadora dos meus futuros filhos. Quer dizer, o que está em jogo não é apenas, ah, uma boa companhia, eu gosto, eu sinto uma atração, eu tenho um afeto, eu tenho uma empatia pela pessoa natural. Não é só isso que está em jogo. Não é apenas uma companheira ou um companheiro. O que está em jogo é a moça vê nesse rapaz o futuro pai dos filhos dela, o rapaz vê nessa moça a futura mãe dos filhos dele. Então, essa é a questão
fundamental. que eles devem se fazer ao longo do namoro, devem responder essa questão para que tenham certeza, uma certeza pelo menos razoável, eh, certeza moral de que esse esse namoro vai conduzir a um bom matrimônio. Bom, então vamos agora tratar das condições de base. Primeira condição de base, uma grande estima mútua. Uma grande estima mútua. Então, na base de todo o amor Conjugal verdadeiro, é necessário que haja uma grande estima mútua entre os esposos. Essa estima, ela é uma estima motivada, fundamentada, ou seja, ela não se baseia em promessas. Por exemplo, no caso do namoro,
quando o rapaz diz pra moça, mas eu prometo que eu vou mudar e a moça diz pro rapaz: "Eu prometo que eu vou mudar, é possível que mude". Mas por enquanto não há nada real e concreto que seja objeto de uma estima. É como se eu estivesse diante, eu estivesse, é como se eu tivesse entre as minhas mãos um cheque sem fundo. Quer dizer, ali pode ter muitos zeros, pode ter um valor exorbitante escrito, mas não tem fundo, ou seja, não tem valor real. Aquilo ali é só um papel. E assim também a estima dos
namorados deve ser uma estima Motivada, fundada em valores reais, qualidades concretas que ele ou ela possuem aqui e agora. Não algo que eles podem prometer pro futuro. Claro que nós sempre podemos mudar, melhorar, progredir, crescer na virtude, mas nesse momento, quais são as qualidades reais que são objeto da minha estima? Não algo que eu apenas prometo pro futuro, porque se eu prometo eu ainda não possuo. Então eu não posso estimar o que o outro ainda não Possui. Então são qualidades reais aqui e agora que a outra pessoa possui. Então se não houver qualidades reais, é
impossível a estima. Estimar o quê? Bom, nessa matéria, nós não podemos nem exagerar na, digamos, no no grau de dificuldade, na severidade e tampouco afrochar as exigências e agir com ingenuidade. É preciso um justo meio. E por isso o nosso autor, ele dá alguns critérios de qualidades a serem Observadas na outra pessoa, né, que cada namorado deve observar um no outro. E as a primeira qualidade é diz respeito ao corpo, as qualidades do corpo. Como assim as qualidades do corpo? Muito simples. Que seja dotado, é que o namorado ou a namorada seja dotada de saúde
suficiente. Saúde suficiente por quê? Para cumprir os deveres matrimoniais, para que essa moça seja capaz de educar os filhos e o rapaz Também. Então, saúde suficiente. Isso deve ser observado. Claro que os jovens têm todo o interesse de observar qualidades físicas, estéticas de beleza. Isso é normal, não há nada de pecaminoso nisso. Mas é claro que não é o mais importante, até porque acaba sendo a maior motivação, uma das maiores motivações dos casamentos dos artistas, dos famosos. E é justamente porque esses casamentos acabam terminando tão cedo, Porque eh não há nada para além dessas questões
que engajam a concupiscência, não há nada para além disso. Então, ainda que seja legítimo que se procure, né, essa esse essa observação, esse interesse, digamos, por uma certa beleza, uma certa eh, enfim, um certo agrado à vista, porém não é o mais importante. E é claro que a questão da saúde eh acaba sendo a mais importante de todas em razão dos deveres Estado. Por isso que um jovem deve se preocupar se ele não está negligenciando a saúde, o que é que ele come, o que é que ele bebe, como é que ele dorme, né? Porque
as coisas vão piorando com o passar dos anos, né? E chega uma certa altura que esse pai, por exemplo, se torna incapaz de educar de modo conveniente os seus filhos. É preciso que ele tome cuidado com isso. Bem, depois o nosso autor entra nas qualidades do espírito. Tratamos Aqui das qualidades do corpo. Agora, as qualidades do espírito, ele numera aqui qualidades de equilíbrio e de bom senso. Nós estamos diante de um problema, porque se faltar equilíbrio, se faltar bom senso, nós estamos diante do quê? Estamos diante da do mal, da teimosia. falta de bom senso,
falta de equilíbrio, muito apego à opinião própria, muito apego a si mesmo, uma certa rigidez, uma Dificuldade de aceitar eh a opinião do próximo, de ceder em pontos que são secundários. Então, é claro que isso também é algo bastante importante. Qualidade do espírito, da inteligência, ou seja, não convém que a pessoa seja eh muito apegada à própria opinião, os próprios pensamentos e questões secundárias. E nesse lar não haverá diálogo, haverá muita teimosia e é claro que isso vai Gerar uma grande infelicidade dos esposos no futuro. Então, qualidade do espírito, né, equilíbrio, bom senso, qualidade da
inteligência. Depois, último ponto, qualidades do coração e da alma, das demais potências da alma. Porque como diz o nosso autor, um homem e uma mulher valem antes de tudo aquilo que eh tudo aquilo que valem as suas virtudes. Então, a virtude é o que melhor, digamos, Eh, vai avaliar uma pessoa, as suas virtudes. Então entramos aqui nas qualidades da dos bons hábitos, né, da das virtudes de um homem ou de uma mulher. Então essas são as qualidades que devem ser mais observadas. Claro que o que eu falei antes é é importante, mas isso aqui é
ainda mais importante. As qualidades morais, as virtudes, de maneira que se se descobre que o namorado ou a namorada tem um Defeito grave e incorrigível, o nosso autor diz que essa pessoa não deve hesitar em romper sem demora esse namoro. Uma qualidade grave e incorrigível. justamente o que não é moderado pela virtude. As virtudes são as qualidades que mais devem ser observadas e que mais devem, portanto, produzir a estima mútua e profunda entre os namorados. Bem, segundo a condição essencial, uma profunda simpatia Mútua. Profunda simpatia mútua. O que é que se entende por simpatia? simpatia
é uma certa atração, uma certa inclinação eh na dire na direção de uma outra pessoa, uma certa inclinação por outra pessoa. E quais são os sinais dessa simpatia se ela existe? Muito simples. O desejo de reencontrar aquela pessoa, a alegria de reencontrá-la, de falar com ela, de conversar com ela, o Pensamento frequente na outra pessoa, a preocupação com os problemas da outra pessoa e assim por diante. São sinais de simpatia. Agora, essa simpatia, como diz o nosso teólogo, ela não é necessariamente uma atração física pela outra pessoa. Não se pode confundir. Quer dizer, essa simpatia,
ela é mais que uma atração física. é uma simpatia fundada nas qualidades, nas virtudes da outra Pessoa. Então, é porque a outra pessoa estima que ela nutre, então, simpatia, uma atração, um sentimento, né, de de atração, o desejo de estar com essa outra pessoa, porque ela é virtuosa, ela é interessante, ela é boa e assim por diante. Isso não se reduz a uma questão de atração física ou não sei de um sentimento que faz o coração bater mais rápido, que acelera o coração. Tudo isso passa. Tudo isso passa. Quando o marido volta paraa casa do
trabalho, ele Encontra a esposa, os filhos, ele não sente assim o coração saindo pela boca, né? Não tem coraçõezinhos que tomam o lugar das pupilas dele, não tem isso. Quer dizer, toda essa, esse romantismo do começo do namoro não vai perdurar ao longo do matrimônio. A vida continua, eles vão cuidar dos problemas deles. Então, é claro que não não se pode basear o namoro apenas essas questões de ter um sentimento avaçalador pela outra pessoa, porque senão eu me Sinto inseguro de me casar ou de continuar o namoro, porque eu não tenho aquele sentimento avacalador. Ora,
você não é um ator de de filme, você não é uma atriz de filme. Você não precisa ter essas emoções forçadas, exageradas, encenadas. Não é um teatro, não é um cinema, é a vida real, não vai durar para sempre. Então é necessário uma simpatia, mas essa simpatia não se reduz à atração física. Então, é claro que em matéria de sentimento, de paixão, há uma certa flutuação. Às vezes há um grande sentimento, às vezes passa, depois passa, né? Em geral passa. É claro que não é essa a simpatia que mais importa, não é nesse aspecto. Então,
uma simpatia fundada é na na nas qualidades, nas virtudes, na estima mútua. E é por isso que o nosso autor diz que se eles não Têm uma nenhuma simpatia um pelo outro, eles não devem continuar, eles devem romper esse amor. se eles não têm nenhuma simpatia, quer dizer, não tem nada na outra pessoa que desperte a minha simpatia, eu não vejo nenhuma qualidade, eu não estimo nada na outra pessoa que desperte em mim uma simpatia. Então isso torna essa esse namoro bastante eh perigoso, não convém, aliás, pelo contrário, convém eh Terminá-lo, não convém prosseguir com
essa dúvida. Depois, terceira condição essencial, uma inteira confiança mútua. Essa inteira confiança mútua significa que, eh, ambos se sentem seguros por causa das qualidades que observam um no outro. As qualidades acabam inspirando essa segurança, essa confiança. A moça observa a qualidade de um rapaz, isso desperta nela o quê? Segurança. Ela se Sente segura e vice-versa. O rapaz observa qualidades nela e ele se sente seguro com ela. Então, sabe que pode contar com a outra pessoa, sabe que pode se apoiar na outra pessoa nas mais diversas situações da vida. E mais que isso, sabe que pode
confidenciar a sua própria vida ao outro. Pode abrir segredos, contar coisas da própria vida. Claro que existem graus nessa abertura de coração. Ao longo do namoro, eles vão construindo essa confiança. Assim também como existem segredos de consciência que cada um só revela ao confessor. Não é necessário fazer do cônjuge o seu diretor espiritual, não é? É óbvio. Por outro lado, existe sim a necessidade de que eles se confiem mutuamente. Uma se confie mutuamente eh a própria vida, que não haja grandes segredos, né? Mas que haja uma abertura de coração Simples da própria vida, sem entrar
novamente aqui em questões de consciência que se revela apenas ao confessor, ao diretor, mas abertura de coração. Cada um dos namorados sente à vontade para confiar a própria vida. para confiar aquilo que realmente vale a pena ser confidenciado, que seria desleal ou imprudente esconder. Isso aqui é importante, né? Que seria desleal ou imprudente esconder. Por exemplo, Esconder relacionamentos passados, né? esconder que teve tantas namoradas antes ou tantos namorados antes. Não fale a verdade, diga as coisas como elas são. E por fim, última condição, eu havia falado três antes, mas são quatro, é o acordo sobre
o ideal de vida. Todos esses pilares aqui são importantes, mas eu posso dizer que esse aqui é de todos o o maior dos pilares, né? mais importante dentre todos que são Importantes. Porque sem essa condição essencial, o futuro lar não tem praticamente nenhuma chance de ser um verdadeiro lar cristão se eles não têm eh uma comunhão de ideal de vida e de ideal de vida cristã. Se eles não têm um certo acordo sobre os problemas essenciais da vida, como que eles concebem a vida, como que eles concebem o matrimônio deles, os filhos, a questão da
contracepção, do Espaçamento, da educação dos filhos, né? Os futuros namoros dos próprios filhos. Como é que eles pretendem trabalhar isso à medida que os anos vão passando? Enfim, se eles não têm nenhum tipo de acordo sobre o essencial da vida cristã, sobre os problemas fundamentais da vida cristã. Por exemplo, um deles diz: "Ah, eu acho que quando nossos filhos nascerem, eles escolhem se eles querem ser batizados na fé católica ou não. Não quero forçar nada. Se eles não têm Acordo sobre isso, como que esse lar será um lar verdadeiramente cristão?" Impossível. Então, é necessário que
eles partilhem eh as mesmas eh visões sobre os grandes problemas que eles terão que resolver num matrimônio católico. Eles têm um acordo sobre o ideal de vida cristã no matrimônio. Claro que isso não significa que eles devem compartilhar as mesmas ideias a respeito de tudo, porque senão Esse matrimônio seria uma ditadura, né? Seria um governo totalitário. Eles não precisam ter os mesmos gostos, as mesmas opiniões sobre absolutamente tudo. Muito pelo contrário, essas diferenç diferenças sobre coisas secundárias, coisas que não são tão importantes assim, elas até são importantes porque marca uma complementariedade entre o marido e
a mulher. Eles são diferenças em outras questões secundárias. Isso até pode ajudar, inclusive a um ajudar o outro a praticar virtude, a corrigir defeitos, porque ela tem uma inclinação boa para uma tal virtude, ela ajuda o marido na dificuldade que ele tem e vice-versa. Então, essas diferenças de caráter, temperamento, etc., pode até mesmo contribuir e em geral contribui muito, né? Amos, estamos se santificando, rezando, frequentando Sacramentos, um vai ajudando o outro. Então, não é necessário que eles compartilhem a mesma opinião sobre tudo, os mesmos gostos sobre tudo. O rapaz não tem que procurar uma cópia
dele por aí e a moça também não tem que procurar uma cópia dela por aí. Mas é necessário que eles tenham um acordo sobre o ideal de vida eh cristã, de matrimônio cristão. Durante última instância, ele deve se perguntar se eles são verdadeiramente católicos e se eles Querem ter um matrimônio católico. Não qualquer matrimônio, mas um matrimônio fundado na moral católica, em que haja nesse matrimônio um desejo de santidade para si e pros filhos, é claro. Quer dizer, somos católicos, queremos matrimônio católico, queremos filhos católicos. Essa é a grande questão. Estamos de acordo sobre isso
ou não? Afinal de contas, nós somos membros da Religião de um Deus crucificado. O nosso Salvador morreu pregado na cruz. Ele se ofereceu a nós no grande, tremendo mistério da paixão. Então, a vida, a nossa vida cristã é algo muito sério. É uma luta constante contra o pecado, contra o demônio, o mundo, a carne. Há muitas renúncias para se praticar a virtude. Há muitos sacrifícios. para se praticar a virtude. E, portanto, os namorados devem saber Desde já que o matrimônio deles terá muitas cruzes para sustentar uma vida cristã nas dificuldades do matrimônio, porque senão seria
muito fácil viver a contracepção, viver o divórcio e pronto, eles serão felizes conforme a regra do mundo, conforme o espírito do mundo. Mas não é esse o objetivo deles. Não é viver a contracepção ou o divórcio. O objetivo Deles é viver uma família numerosa dentro da daquilo que a providência lhes permite e na fidelidade matrimonial. E, portanto, quantas renúncias, quantos sacrifícios são necessários para sustentar esse estado de vida que é uma cruz também. Então, se eles servem a Deus, a Jesus Cristo, que é um Deus crucificado, se eles são membros da igreja do de Jesus
Cristo, que é Deus crucificado, eles devem esperar cruzes pro matrimônio para Sustentar uma vida santa, católica, né, no matrimônio. Então, é claro que se eles não têm um acordo sobre o ideal de vida, como que eles vão ter o mesmo olhar sobrenatural? Como que eles vão abordar da mesma maneira, com um olhar sobrenatural, os problemas da vida? O segundo filho, o marido já está desesperado, já quer que a mulher faça uma operação para não ter mais filho. Então, perdeu toda, enfim, eh, a Convicção dele, talvez porque não tinha muita antes. Então, são coisas serem eh
conhecidas de antemão, observadas, analisadas, ponderadas de antemão. Temos ou não temos o mesmo ideal de vida cristã. E é por isso que os namorados devem ter a determinação firme de conversar sobre isso com clareza desde o começo do namoro. E isso é um problema muito sério Que acontece com muita frequência. O rapaz conhece uma moça, começa a desenvolver um sentimento por ela, ele percebe que ela tem várias questões mal resolvidas na vida católica dela, se é que ela é católica. E aí ele fica postergando esses problemas para depois, porque primeiro ele vai tentar converter, vai
tentar ganhá-la, tem medo de perdê-la e vai deixando essas questões essenciais para depois, para depois. E aí passa um ano, 2 anos, às Vezes vai chegar até 3, 4, 5 anos, namoro carismático que dura não sei quantos anos. né? Tá completando jubileu de prata de namoro, né? E não resolveu ainda o essencial. Não estão certo sobre o que eles querem pro futuro. Não conversaram sobre isso desde o começo com clareza. E por isso eles vão se sabotando, sobretudo a parte católica vai sabotando o próprio namoro porque tá constrangido, com respeito humano, medo De perder, sobretudo
medo de perder. E aí ele vai abrindo mão pouco a pouco da fé católica para não perder a moça. Algo que acontece com certa frequência. Ora, como que eles podem namorar sem tratar do essencial do matrimônio que é uma vida cristã? Nós vimos aqui nesse romance do padre J P que o namoro é um tempo de observação diligente daquele que será o futuro cônjuge. Vejo nessa pessoa ou não Qualidades para um futuro pai, para uma futura mãe, os meus futuros filhos ou não? Então, nós não podemos ceder a essa tentação diabólica. Os rapazes, as moças
não podem ceder a essa tentação diabólica de calar-se sobre o essencial para poder guardar a pessoa e perder em seguida, digamos, um matrimônio que poderia ser católico. Talvez ele tivesse falado desde começo, quantas coisas já não Tenham sido resolvidas, mas vai escondendo, vai postergando, vai procrastinando essa essa questão e o namoro vai se tornando cada vez mais perigoso, muitas vezes vai cair naquele falso dilema, né, ou dos passeios caros, né, ou dos encontros secretos com liberdades indevidas. Então é necessário tratar dessas coisas desde o começo com clareza que é que cada um pensa. Antes de
iniciar o próprio Namoro, é necessário termo clarizar. Olha, eu quero me casar, quero ter muitos filhos batizados na fé católica, etc., né? ser claro desde o começo, antes mesmo do próprio namoro. Nós não fazemos assim na nossa vida como um todo. Quer dizer, antes da gente alugar uma casa ou comprar uma casa, a gente vai lá, olha, analisa, julga antes de firmar um contrato. Quer dizer, nós tomamos tantas cautelas para tanta coisa na vida em matéria de Namoro. Os jovens preferem o quê? Preferem se deixar levar pelas circunstâncias, né, da vida. prefere, enfim, esperar, né,
com com uma certa ingenuidade que no futuro as coisas vão se resolver sem que eles as resolvam. Quer dizer, não estão resolvendo problemas, mas estão esperando que os problemas vão se resolver no futuro. Uma esperança ingena que não, eu acho que no futuro talvez tudo vai Melhorar, mas se você não está resolvendo problemas, os problemas não vão se resolver, né? O Papai Noel não vai descer pela sua chaminé que você não tem, né, para entregar para você a solução dos seus problemas. Ou você os resolve ou eles não serão resolvidos, né? Deus nos deu inteligência
pra gente resolver os nossos problemas, não pra gente esperar que o nosso anjo da guarda faça tudo no nosso lugar. Essa não é a Fé católica. Em caso de grave desacordo sobre o ideal, os jovens não devem prosseguir. Eles devem romper esse namoro. Em caso de grave desacordo sobre o ideal. E eu digo mais, se eles percebem de antemão graves desacordos, melhor nem começar o namoro, já sabendo que existem graves desacordos sobre questões essenciais e fundamentais. Agora, não é a maioria das vezes que existe esses graves desacordos. Na Maioria das vezes, o que existe é
uma profunda mediocridade, como diz aqui o nosso autor, uma profunda mediocridade. Ou seja, um dos jovens é muito católico, a outra parte é medíocre. é o que nós chamamos de católico de IBG. Aquele católico que tem certas qualidades humanas, pode ser que seja uma pessoa simpática, interessante, agradável, pode ser que seja um bom trabalhador, uma pessoa que sabe ganhar Dinheiro, que tem uma profissão, mas como cristão ele só tem uma prática exterior. Quer dizer, no melhor dos casos, ele vai à missa, mas é no melhor dos casos e nada mais que isso. No resto da
sua vida, ele não é católico. Ou seja, a fé não ainda está presente na sua vida como um todo. Ele só vai à missa. É uma prática exterior, pontual, nada mais além disso. Então, a sua fé católica ainda não está presente no resto da sua vida. A sua vida não está impregnada do sobrenatural. Uma pessoa ainda muito natural, com objetivos muito naturais. Ah, eu quero viajar, quero conhecer o mundo. Ah, eu quero ter um um carro muito bom, uma casa. Então, às vezes são objetivos muito humanos, muito naturais, nada sobrenaturais, pessoa superficial. E como diz
o nosso autor, essa mediocridade é um dos piores inimigos de toda a vida, de toda a Verdadeira vida conjugal cristã. É um dos piores inimigos. Por quê? Porque a mediocridade, a tibieza, ela é contagiosa. De repente, a esposa que se casou com um homem medíocre se torna ela também medíocre. Ela começa a diminuir a frequência da confissão. Ela não reza tanto porque o marido não reza com ela, então ela não quer mais rezar também porque ela tem vergonha de ir lá num canto da casa para rezar. O marido não Está nem preocupado com isso. Depois
os filhos crescem nesse ambiente medíocre e começam a ficar medíocres também. Faz a primeira comunhão, mas depois esquecem tudo, perdem tudo. Mediocridade é um mal contagioso. Mesmo a esposa fervorosa vai acabar se tornando medíocre. Mesmo o rapaz devoto fervoroso vai se tornar medíocre se ele está alimentando ilusões para uma pessoa medíocre. Então nós não podemos brincar com coisas sérias porque depois é o fracasso do lar Católico. E por fim, o nosso autor trata de um último ponto, quando o acordo não é completo, ou seja, falta um dos elementos essenciais. E nesse caso, o nosso autor
diz que o que é que o jovem deve fazer? Ele deve mais do que nunca rezar, refletir e tomar conselho. Rezar, refletir, tomar conselho. Quer dizer, o que que eu faço? Tem chance de salvar, tem chance de Consertar, tem esperança, não tem? Reze. Pense sobre a luz da fé. Peça conselho, converse com o padre, peça conselho a algum amigo que já é casado, eventualmente, uma pessoa prudente de vida cristã, reconhecida, libada, sólida, peça conselho. que existe alguma falha, se o acordo não é suficiente sobre o ideal, o ideal de vida, seu acordo não é suficiente,
se falta alguma garantia sobretudo um época como a nossa, em que Existem tantas dificuldades no sentido da ignorância religiosa. Ou seja, muitos jovens ainda padecem eh de uma certa ignorância sobre esses temas de matrimônio católico ou da doutrina católica como um todo. Então, a gente nota muitas vezes nos namoros, né, esses problemas de catecismo que muitas vezes podem ser resolvidos. Pode ser resolvido se a pessoa for dócil, a instrução do Sacerdote. Se ela for dócil, isso pode ser resolvido. Então, às vezes um acordo não é completo, mas é possível salvar. possível, digamos assim, eh, chegar
a esse acordo completo, mas às vezes não. Às vezes falta docilidade, a pessoa não está tão aberta assim a uma mudança. Então, os jovens devem, se houver dificuldades, rezar, refletir, pedir conselho, mas não abrir mão dos pilares. Ou seja, o objetivo é que ao final haja Esses quatro pilares que fundamentam um futuro lar cristão. não é abrir mão do pilar, mas refletir se vale a pena continuar com a pessoa, se ela está sendo dócil, se ela está realmente progredindo, se ela está realmente avançando nos seus estudos, na vida de virtude e assim por diante. E
como nós vimos na no primeiro pilar, são qualidades reais que fundam a estima, não qualidades imaginárias, não Qualidades prometidas. A pessoa deve estar de fato num processo de mudança e não apenas prometendo mudança, não apenas prometendo que será diferente, mas nada concretamente se torna diferente. Ninguém pode se iludir com promessas. Como eu costumo dizer nessas conferências, né? Quem gosta de prometer é candidato a apresentar a república. Faz muitas promessas, depois não ganha nada. E não se pode fazer o mesmo em matéria De matrimônio. Se basear um estado de vida que vai durar a maior parte
da vida dos jovens a partir de uma promessa que depois não se concretizou. Então é um assunto por demais sério para ser levado com tanta leviandade pelos jovens. É um assunto por demais sério. É a maior parte da vida da pessoa que está em jogo. Se ela chegar até os 80, 90 anos, a maior parte do tempo será normalmente um tempo de casamento. Isso deve ser bem calculado Agora para não chegar depois a um desastre. E às vezes já nos primeiros meses, primeiros anos, já existem crises severas, dúvidas severas, tentações de divórcio, né? Então, os
quatro pilares existem para serem todos respeitados, visados, né, pelos jovens. Se existe qualquer dificuldade, qualquer temor, que os jovens então procurem rezar, refletir, pedir conselho. Vale a pena continuar? Não vale a pena continuar. Estou desconfiando que não Existe um acordo nesse ponto e ele é sério. É um acordo que deveria haver aqui uma é um ponto que deveria haver um um acordo muito sólido, questão de filhos e natalidade, etc. Mas tô observando que o acordo não é tão bom, não é tão sólido assim. Será que essa pessoa está disposta a ceder nessa questão ou não?
Enfim, não se pode brincar com essas coisas, né? Então, rezar, refletir, pedir conselho. Eu a mais absoluta certeza que todos aqueles Jovens que pediram conselho ao sacerdote, ao final não se arrependeram desse conselho, porque o padre, pela sua experiência, pelas graças de estado, pelo conhecimento que ele tem da moral católica, tem muito a contribuir, portanto pode ajudar muitos jovens a saírem de certas eh certos labirintos, né? Não são nem namoros, mas são labirintos, né? e preciso ser bem resolvidos para não terminarem num Desastre matrimonial futuro. cias