Tobias estava em frente à porta principal do seu restaurante um pequeno estabelecimento de esquina situado numa rua quase Deserta era tarde da noite e a chuva caí intensamente fazendo com que as poas d'água se espalhassem pelo calçamento irregular enquanto ele girava a pesada chave na fechadura um sentimento de desalento se espalhava por seu peito as cadeiras de madeira já estavam empilhadas sobre as mesas as Luzes internas reduzidas a um tom amarelado e o cheiro de temperos alho e cebola que antes permeava o ambiente agora parecia mais discreto e cansado Tobias sempre fora um homem orgulhoso
de seu trabalho seu Restaurante Sabores do Largo existia havia mais de 20 anos ele havia construído tudo com esforço e dedicação passando por épocas movimentadas e outras difíceis mas nos últimos meses as vendas caíram vertig amente clientes fiéis desapareceram o Movimento em colheira a crise econômica boato sobre a qualidade dos ingredientes difamados por um concorrente invejoso Tobias suspeitava e a própria falta de sorte colaboraram para tornar o faturamento um fiapo do que era antes agora diante da chuva da Escuridão e do silêncio da Rua Tobias sentia que talvez aquilo tudo estivesse chegando ao fim não
era apenas uma noite ruim era a possibilidade real de falência o temor de perder o único sustento que conhecia E que definia quem ele era ele suspirou esfregando as mãos no avental manchado de óleo e molho sem saber se deveria deixá-lo no interior do restaurante ou levá-lo consigo optou por deixá-lo pendurado no gancho perto da porta não valia a pena levá-lo o dia seguinte talvez nem trouxesse necessidade de cozinhar se a clientela não aparecesse Tobias deu uma última olhada nas mesas vazias o balcão antes repleto de potes de farofa saladas e guarnições agora Apresentava um
aspecto melancólico com uma simples caixa registradora e um porta guardanapos encardido quando se virou para trancar a porta reparou em uma figura encolhida sob a Marquise do vizinho a chuva grossa dificultava a visão mas bastou um momento para Tobias perceber que se tratava de um menino Talvez um adolescente a princípio pensou que o garoto estivesse apenas esperando a chuva passar mas então notou os cabelos Ralos molhados a camisa fina a calça suja e o olhar perdido ele parecia não ter para onde ir Tobias se aproximou com cuidado pisando nas poças a água molhava à barra
da calça e escorria pelas sobrancelhas entrando lhe nos olhos aproximou-se do menino que se encolheu um pouco desconfiado puxando o joelho contra o peito para tentar se proteger da chuva que mesmo sob a Marquise ainda o atingia de soslaio Ei garoto o que faz aqui nessa hora perguntou Tobias a voz Rouca mas não hostil o menino levantou a cabeça os olhos castanhos e cansados observando-o parecia medir se Tobias era confiável ou apenas mais um adulto indiferente após um instante de hesitação respondeu num tom baixo nada só estou aqui não tenho para onde ir a resposta
atingiu Tobias como um soco lento no estômago havia tantas crianças nas ruas Cada uma com sua história mal contada e feridas escondidas o homem olhou em volta como se procurando alguma Explicação a chuva continuava o vento frio dificultava a respiração e poucas luzes se mantinham acesas nas janelas dos prédios em frente Qual é o seu nome perguntou Tobias evitando que a compaixão transparecesse demais na voz sem saber ao certo por se importava tanto Rafael respondeu o menino ainda encolhido Tobias deu um passo à frente tentando não parecer ameaçador você mora por aqui Rafael desviou o
olhar apertando os lábios não Mais meu pai Me expulsou de casa minha mãe minha mãe bebe muito e ele usa bom ele usa umas coisas Meu Lar era um um inferno hoje hoje eles disseram para eu me virar na rua então eu vim Tobias sentiu um nó na garganta o menino tinha o quê uns 13 anos talvez menos parecia tão novo chover naquela noite largado assim era cruel demais uma mistura de raiva contida e tristeza tomou conta do homem ele coçou o queixo pensativo não tinha muito a oferecer seu restaurante Mal sustentava a si mesmo
agora mas a imagem do garoto ali sozinho sob a chuva era insuportável escuta Rafael disse abrindo um pouco à porta do restaurante A mesma que ele acabara de trancar Por que não entra um pouco tá frio eu acabei de fechar mas tem um cantinho lá nos fundos onde você pode passar a noite amanhã a gente vê o que faz Rafael arregalou os olhos surpreso o senhor não vai me botar para trabalhar nem nada assim né a Desconfiança era na rua muitos queriam explorar não não respondeu Tobias com um gesto de negação a voz firme só
quero que você tenha um lugar seco para dormir hoje não precisa fazer nada Vamos lá antes que a gente Pegue um resfriado ainda hesitante Rafael se levantou Tobias percebeu a magreza do garoto as roupas gastas a expressão de quem carrega um peso grande demais para a pouca idade entraram juntos no restaurante o som da chuva Abafado pelas paredes a luz amarelada iluminando o espaço vazio Tobias trancou a porta outra vez agora por dentro e conduziu o menino pelos fundos passaram pela cozinha onde panelas penduradas reluziam de leve mesmo no escuro o chão de ladrilhos molhado
pelas solas dos Sapatos rangia sob seus passos na pequena área de serviço havia um depósito de mantimentos Quase vazio algumas caixas e um armário próximo dali ficava um quarto minúsculo antes usado Por um funcionário que ajudava na faxina em anos melhores mas agora servindo para estocar coisas antigas aqui disse Tobias abrindo a porta do cômodo Estreito lá dentro havia uma cama de solteiro encostada na parede semid desmontada com um colchão antigo coberto por um lençol gasto o homem se aproximou endireitando o colchão e sacudindo o pó do aviro havia um cheiro leve de mofo mas
era um lugar fechado seco e melhor do que a rua encharcada Rafael ficou parado na Entrada sem saber se podia mesmo entrar Tobias notando o constrangimento do garoto tentou sorrir um pouco mesmo sem muito ânimo pode se deitar filho é simples mas deve servir para você descansar hoje eu não posso te garantir muito mais que isso mas pelo menos você não vai dormir na chuva Valeu murmurou Rafael aproximando-se da cama tocando o colchão com cuidado como se checasse a realidade da cena eu eu nunca imaginei que alguém Deixaria eu dormir em um lugar assim Tobias
deu de ombros caminhando até uma prateleira no fundo do cômodo pegou um cobertor velho meio desfiado nas pontas e o entregou a Rafael não é nada demais mas vai te manter aquecido Amanhã de manhã quando eu abrir a gente conversa mais tá certo Rafael puxou o cobertor com as mãos trêmulas sem dizer nada por alguns segundos só olhando o chão Então se sentou na cama e devagar acomodou-se Estendendo as pernas Obrigado seu ele parou talvez sem saber o nome do homem Tobias meu nome é Tobias disse o homem com um aceno de cabeça não precisa
me chamar de senhor já me sinto velho bastante sem isso Rafael quase sorriu tá bom Tobias obrigado mesmo Tobias suspirou olhando para o menino enquanto ele se ajeitava sob o cobertor O Silêncio do restaurante vazio pesava sobre eles mas de algum modo era um silêncio menos hostil que aquele lá fora No mundo encharcado e frio pensou na própria situação financeira no desespero que sentia com o restaurante indo mal ainda assim não conseguia ver outra atitude se não ajudar aquele garoto amanhã ele pensaria nas consequências pensaria em Como não deixar o menino ali para sempre Afinal
Tobias mal conseguia se sustentar Mas aquela noite estava dada o menino precisava de um abrigo e Tobias não podia negar Bom eu vou indo Rafael disse ajustando a maçaneta da Porta do quartinho durma bem boa noite Tobias respondeu o garoto já mais calmo a cabeça apoiada no travesseiro de espuma velha Tobias apagou a luz do cômodo deixando a apenas a claridade fraca de um abajur improvisado no corredor passou pela cozinha silenciosa o cheiro de comida agora um fantasma lembrando-o da falta de clientes voltou até a porta principal Pegou sua chave desligou todas as luzes do
salão principal do restaurante e abriu a porta Para sair sentiu o ar úmido no rosto novamente a chuva persistia embora um pouco menos intensa a rua continuava Deserta as poças refletindo as luzes amareladas dos postes ele trancou cuidadosamente a porta conferiu mais uma vez a fechadura e então se afastou passos lentos caminhando em direção à sua casa sozinho com a cabeça cheia de preocupações mas deixando para trás um garoto agora abrigado da chuva quando Tobias retornou ao seu restaurante na Manhã seguinte o sol já iluminava a fachada simples e o letreiro meio desbotado a chuva
da noite desaparecera deixando a rua úmida e o ar levemente Fresco ele destrancou a porta com cuidado o coração pesado com as incertezas daquele dia não esperava grande movimento e a preocupação com os negócios Ainda lhe atormentava ao entrar porém notou algo diferente atravessou o salão principal e reparou que as cadeiras estavam todas Alinhadas as mesas bem arrumadas os guardanapos organizados de maneira Impecável o chão que antes apresentava marcas de passos e manchas antigas agora brilhava com um aspecto Limpo que ele não via há muito tempo até as janelas estavam reluzindo sem a poeira opaca
que costumava embaçar a vista da rua por um instante Tobias acreditou ter entrado no restaurante errado Bom dia disse uma voz Jovem ecoando do canto do salão Tobias voltou-se para a voz e encontrou Rafael Parado próximo ao balcão um pano de prato pendurado no ombro as mãos ainda levemente úmidas o garoto tinha um sorriso tmido no rosto oabo despenteado e vestia as mesmas do dia anterior porém um Pou mais Limas Rafael você fez tudo ISS perguntou Tobias surpreso aproximando-se a luz do dia deixava o ambiente mais acolhedor e a expressão do homem foi de genuína
admiração sim Senor Tobias eu acordei cedo procurei produtos de limpeza nos fundos E dei uma geral queria agradecer por ter me deixado ficar aqui ontem não sabia como agradecer então pensei em deixar tudo organizado explicou o garoto mexendo no pano sobre o ombro Tobias passou a mão pelo balcão sem pó sem gordura como se estivesse recém polido menino você fez um trabalho e tanto o restaurante não ficava assim há meses Nem meus funcionários têm feito uma fachina tão caprichada Rafael sorriu envergonhado os olhos brilhando um pouco Eu eu queria ajudar não tenho muito o que
oferecer mas se eu puder ser útil o homem o estudou por um momento ainda estava preocupado com a situação financeira ainda temia o futuro mas ver o restaurante Limpo sentir o empenho e a gratidão do garoto trouxe-lhe um pequeno alívio no peito Rafael eu disse que você podia ficar por a noite mas se você não tiver mesmo para onde ir pode ficar mais um pouco desde que não se importe com esse quartinho nos fundos disse Tobias Apontando à direção de onde o garoto passara à noite é simples mas é melhor do que a Rua Rafael
que mal conseguia conter a alegria a sentiu rapidamente o rosto se iluminando Sério Nossa eu agradeço muito nem sei o que dizer não tenho para onde ir mesmo e a noite passada foi a primeira vez que dormi direito em meses Tobias abriu um sorriso discreto então está combinado mas vamos devagar Vou pensar numa forma de resolver isso com calma pouco a pouco a Equipe do restaurante começou a chegar Um deles Caio o garçom de 33 anos foi o primeiro a entrar após Tobias Caio era um sujeito alto cabelos curtos e uma barba bem aparada ao
ver Rafael Franz a testa o garoto ainda segur o pano de prato parado ao lado do balcão Senor Tobias Quem é esse garoto perguntou Caio aproximando-se com expressão desconfiada Não me diga que é algum parente do antigo ajudante de cozinha Tobias deu um pequeno suspiro e respondeu calmamente Este é o Rafael ele passou a noite aqui aconteceu um imprevisto ontem eu o encontrei na chuva sem ter onde ficar ele limpou o restaurante todo esta manhã Caio pode acreditar Caio cruzou os braços analisando Rafael de cima a baixo e Quem garante que não é algum menino
de rua que vai nos trazer problemas o senhor sabe como as coisas andam o restaurante já não vai bem trazer alguém assim pode complicar ainda mais Rafael ao ouvir isso abaixou o olhar parecia Acuado como um animalzinho que teme ser expulso mas não disse nada Tobias levantou a mão Pedindo Calma a Caio eu entendo sua preocupação Caio mas o garoto não deu n um motivo para desconfiar ele está tentando ajudar olha em Volta quando foi a última vez que você viu o chão tão Limpo assim Caio deu uma olhada no ambiente percebendo a diferença meneou
a cabeça ainda hesitante realmente está limpo mas Senor Tobias o dono do restaurante se Aproximou colocou a mão no Ombro do garçom confie em mim por enquanto Caio esse menino não tem ninguém só preciso de um tempo para entender a situação dele Rafael mordeu o Lábio e ousou olhar para Caio com um olhar sincero eu não quero causar problemas senhor só queria um lugar seco para dormir se eu puder ajudar com a limpeza com o que for eu prometo que não vou causar encrencas Caio soltou um suspiro relaxando os ombros algo na voz do Garoto
parecia verdadeiro tudo bem Vamos ver no que vai dar se o Senor Tobias confia em você eu também posso tentar confiar o garoto um sorriso miúdo aliviado Obrigado o dia transcorreu com lentidão no restaurante poucos clientes chegaram apenas alguns habituais que não tinham sido afastados pelos rumores ou pela crise Tobias tentou se manter firme atendendo aos poucos clientes com um sorriso profissional embora a atenção fosse perceptível em suas rugas Rafael Sem atrapalhar continuou a se oferecer para ajudar em pequenos serviços trazendo água guardando talheres limpando novamente a bancada da cozinha Caio observando-o foi relaxando e
até lhe ensinou a melhor forma de dobrar guardanapos em forma de leque o que distraiu a ambos num momento de pouco movimento no final da tarde a porta de madeira rangeu ao ser aberta novamente uma jovem entrou no restaurante era Ana a neta de Tobias única parente próxima Do Idoso ela era nutricionista tinha o rosto arredondado e cabelos castanhos presos num rabo de cavalo Seus olhos eram atentos e ela carregava uma bolsa de couro escuro sobre o ombro Oi vô disse ela sorrindo ao ver Tobias atrás do balcão passei para ver como você está Está
tudo bem Tobias ajeitou os óculos sobre o nariz e Sorriu de leve estou bem Ana bem melhor do que ontem para dizer a verdade como vai você minha querida e o trabalho Tudo certo Estou tentando adaptar umas dietas novas para pacientes com restrições alimentares é interessante mas estava preocupada com o senhor depois do último telefonema achei melhor vir conferir explicou Ana olhando ao redor e estranhando a limpeza inusitada o restaurante está brilhando o senhor contratou alguém Tobias hesitou por um segundo o olhar fugindo para os Fundos onde Rafael estava sentado num pequeno banquinho perto da
cozinha Já cansado do dia de pequenos serviços na verdade Não exatamente mas hum Ana preciso lhe apresentar alguém Ana franziu o senho não entendendo e seguiu o avô pelos fundos do restaurante passando pela cozinha e chegando ao quartinho onde Rafael antes dormira lá estava a improvisação de uma cama o colchão gasto o cobertor velho dobrado ao lado e Rafael sentado ereto ao ver os dois entrarem ele fez um aceno tímido Com a cabeça quem é ele vô perguntou Ana desconfiada o que está acontecendo Este é o Rafael disse Tobias calmamente encontrei o ontem à noite
na chuva sem ter onde dormir deixei que passasse a noite aqui ele é um bom garoto limpou tudo para agradecer decidi que ele pode ficar mais um pouco não tem para onde ir Ana arreal os olhos o senhor abrigou um estranho aqui dentro do restaurante sabe o quanto isso pode ser perigoso e se algo acontece Tobias suspirou não queria Discutir mas não podia recuar Ana eu sei que você se preocupa comigo mas o menino está sozinho entende ele não tem família não tem ninguém é só uma criança pode ser arriscado mas eu prefiro arriscar do
que deixá-lo na Rua Rafael tentou ficar calado mas se sentiu no no dever de falar algo Dona Ana né Eu entendo sua preocupação Mas eu só precisava de um lugar para dormir não tenho para onde ir juro que não vou causar problemas Caio que chegara no corredor e percebera o Clima tenso resolveu intervir Dona Ana eu também fiquei preocupado no começo mas vi como o garoto se comportou Hoje ele ajudou não reclamou não mexeu em nada de valor é um bom menino é verdade que não o conhecemos bem mas até agora não há motivo para
temer o pior Ana cruzou os braços olhando para o avô e para Caio depois para Rafael notando sua expressão humilde ainda assim não parecia convencida e se algo acontecer vô a gente precisa ter cuidado Tobias Levantou um pouco a voz firme mas sem agressividade ele vai ficar Ana é minha decisão posso cuidar disso a jovem nutricionista bufou deixando escapar um ol mas sem insistir mais naquele momento Caio tentou amenizar o desconforto ele pode ajudar no que precisar Dona Ana eu mesmo fico de olho Mas acho que o Senor Tobias está fazendo o que acha certo
Ana não respondeu de imediato apenas deu um suspiro curto e desviou o olhar para o Garoto que permanecia quieto tentando não piorar a situa o silêncio se instalou no pequeno corredor dos Fundos luz amarelada do teto projetava as sombras deles nas paredes limpas alguns dias se passaram desde que Rafael começara a dormir nos fundos do restaurante de Tobias Apesar Das incertezas que pairavam sobre o estabelecimento as coisas seguiam uma rotina relativamente calma Tobias abrira cedo naquela manhã sentindo um leve peso No peito por conta das vendas ainda baixas mas tentava manter o semblante firme a
movimentação na rua era de sempre umas poucas pessoas indo e vindo o cheiro do café recém passado invadia o salão ainda quase vazio enquanto Caio ajeitava o balcão para receber os primeiros clientes Foi então que sem aviso A Porta Se Abriu e entraram dois homens e uma mulher vestindo jalecos brancos com o brasão da Vigilância Sanitária Tobias que segurava um pano de Prato parou imediatamente Caio ao perceber os visitantes ergueu as sobrancelhas e a a postura deixando a toalha de lado bom dia senhores disse Tobias aproximando-se posso ajudar a inspetora uma mulher de olhar neutro
deu um leve aceno de cabeça Bom dia recebemos uma denúncia sobre problemas de higiene e falta de condições adequadas no seu restaurante viemos verificar Tobias sentiu um aperto no peito Sabia que não havia nada de errado Pelo menos Nada que justificasse uma denúncia o o restaurante estava limpo a cozinha em ordem e ele sempre respeitara as normas mas o susto veio pelo inesperado olhou para Caio que devolveu um olhar preocupado e então com firmeza Estendeu o braço indicando o caminho fiquem à vontade podem inspecionar tudo que quiserem disse Tobias tentando manter a calma não tenho
nada a esconder durante meia hora os agentes da vigilância passaram pela cozinha abriram Armários checaram os estoques analisaram o freezer as prateleiras as etiquetas de validade Caio seguiu-os à distância nervoso enquanto Tobias tentava disfarçar a ansiedade limpando o balcão já Impecável Rafael que tinha acordado mais cedo e saído rapidamente para comprar um pão com as poucas moedas que juntara voltou ao restaurante e notou o clima estranho ele ficou no canto em silêncio observando quando viu Tobias preocupado Aproximou-se tá tudo bem perguntou Rafael baixo vigilância sanitária respondeu Tobias seco mas sem aspereza receberam uma denúncia falsa
ao que tudo indica Rafael franziu a testa denúncia falsa Quem faria algo assim Tobias Balançou a cabeça olhando para a Rua através da vitrine não demoraria a descobrir o responsável tinha uma forte Desconfiança de que o outro restaurante da esquina um lugar chamado Cantinho do Sabor cujo dono Lucas andava fazendo Comentários maldosos estava por trás daquilo quando os inspetores retornaram ao salão o homem que parecia ser o líder da equipe limpou a garganta e encarou Tobias Senor Tobias conferimos tudo não encontramos nada que comprometesse à higiene ou a segurança alimentar a denúncia pelo visto não
procede Tobias Soltou o ar aliviado fico feliz em ouvir isso sempre mantive tudo em ordem aqui a inspetora concordou anotando algo em sua prancheta infelizmente recebemos Denúncias que nem sempre são verdadeiras pedimos desculpas pelo incômodo sem problemas Obrigado pelo trabalho de vocês disse Tobias tentando ser cordial embora indignado por dentro os agentes saíram deixando um rastro de tensão dissipada Caio se aproximou coçando a nuca esse pessoal do outro restaurante andava falando coisas foi armação deles comentou o garçom com a voz contida de raiva Tobias apenas concordou murmurando algo Rafael ao lado Deu um suspiro de
indignação pouco depois quase como se tivesse ouvido seu nome em pensamento Lucas apareceu na porta era um homem de meia idade camisa social clara cabelo penteado e um ar de soberba no sorriso torto entrou sem pedir licença os sapatos batendo no chão bem var de Tobias Boa tarde Tobias soube que a vigilância passou por aqui a voz de Lucas carregava um tom irônico Tobias serrou os dentes Pois é Lucas Engraçado Não acha eles disseram que a denúncia foi infundada mas eu aposto que você sabe algo sobre isso não é Lucas fingiu surpresa exagerada eu imag
Tobias eu fazer Ass an já está indo tão mal pelo visto não vai durar muito mesmo a raiva de Tobias transbordava pelos olhos ele serrou os punhos tentando manter a compostura você está espalhando mentiras porque tem medo Lucas medo de perder seus clientes para o meu tempero minha comida honesta você Sabe que meu restaurante já foi conhecido no bairro E se eu me reerguer você não vai ter vez Lucas ficou sério o maxilar travado o silêncio pesou Caio e Rafael encaravam a cena sem saber se deveriam intervir Lucas deu um passo à frente o rosto
contorcido de raiva disfarçada medo não seja ridículo seu tempo já passou o bairro mudou a clientela não quer mais o seu estilo simples eles querem modernidade você não consegue acompanhar é isso mesmo que Você pensa retrucou Tobias forçando um sorriso sarcástico Então por que se dá o trabalho de tentar me derrubar com mentiras em vez de confiar no seu próprio talento a pergunta acertou Lucas em cheio ele fechou as mãos em punho respirando fundo não disse nada apenas lançou um último olhar de ódio e virou as costas indo embora o silêncio que ficou para trás
era tenso Tobias sentiu uma pontada no peito uma dor estranha que irradiava para o braço esquerdo Tentou respirar mas a fraqueza tomou conta de seu corpo em poucos segundos a vista escureceu e ele desabou no chão do salão sem emitir um único gemido Tobias gritou Caio correndo até o patrão Rafael arregalou os olhos ajoelhando-se ao lado do Idoso Calma calma Ele desmaiou ele não responde disse caio à voz em Pânico Rafael tateou o bolso do avental de Tobias encontrando o celular ao ligá-lo a primeira foto que surgiu foi a de uma moça Sorridente Ana a
neta de Tobias o primeiro contato na lista de chamadas era ela vou ligar para Ana disse Rafael já discando a voz jovem atendeu do outro lado alô vô é Ana aqui é o Rafael eu tô no restaurante do seu avô ele desmaiou tá passando mal precisa vir rápido o qu respondeu Ana atônita Como assim eu já estou indo para aí desligou as mãos trêmulas Caio tentava manter Tobias deitado de lado checando a respiração não sabiam se Deveriam chamar a ambulância felizmente Ana chegou rápido esbaforida ao ver o avô caído ela imediatamente pegou o celular e
discou para o socorro pedindo uma ambulância pouco tempo depois a sirene suou na rua e paramédicos entraram no restaurante com a maca eles examinaram Tobias estabilizando e levando-o às pressas ao hospital Ana seguiu dentro da ambulância segurando a mão do avô enquanto Caio e Rafael Ficaram para trás preocupados e sem Saber o que fazer além de rezar em silêncio para que tudo terminasse bem no hospital após horas de incerteza O médico deu seu veredito a Ana seu avô sofreu um derrame vamos mantê-lo internado Ele precisará de cuidados e repouso absoluto não Podemos prever o tempo
exato de recuperação Mas faremos o possível Ana assentiu os olhos marejados embora abalou com a notícia era forte o suficiente para enfrentar a situação no Dia seguinte bem cedo ela voltou ao restaurante entrou pela porta principal encontrando Caio alguns funcionários e o ambiente mais silencioso que o normal todos se aproximaram pessoal começou Ana tentando suar firme o vô vai ficar internado por um tempo ele teve um derrame eu vou cuidar do enquanto isso houve um murmúrio preocupado entre os presentes Caio se destacou na roda sinto muito Ana conte comigo no que precisar Ana deu um
pequeno sorriso agradecida Obrigada Caio vocês todos são fundamentais agora eu ela hesitou nunca gerenciei um restaurante meu trabalho é nutricionista sei das coisas sobre alimentação mas não sobre a operação diária daqui vou precisar da ajuda de todo os funcionários acenaram afirmativamente Caio aproximando-se um pouco mais colocou uma mão no Ombro da moça pode deixar a gente vai te mostrar como tudo funciona vamos manter as coisas rodando Até o seu avô voltar Ana respirou fundo aliviada Obrigada conto com você Caio dito isso Ana seguiu para os Fundos do restaurante onde ficava o quartinho improvisado encontrou Rafael
ali sentado na beira da cama velha os olhos baixos como se estivesse esperando alguma notícia ao vê-la entrar levantou-se ela se aproximou as mãos Unidas na frente do corpo visivelmente constrangida Rafael começou eu queria pedir desculpas no início eu desconfiei De você achei que era perigoso deixar você ficar aqui mas você salvou a vida do meu avô se não fosse a sua rapidez em me ligar não sei o que teria acontecido obrigada Rafael abaixou a cabeça e deu um pequeno sorriso tímido eu entendo a senhora só queria proteger seu avô eu não tenho para onde
ir e ele me ajudou era o mínimo que eu podia fazer Ana tocou o próprio braço sem graça pode me chamar de Ana só Ana por favor E obrigada de verdade apesar de tudo você provou que é uma boa pessoa nesse instante Caio apareceu na porta do quartinho dando as batidinhas leves na madeira desculpa interromper disse caio mas queria dizer Ana que o Rafael é um menino trabalhador e honesto quando o seu avô estava aqui ele ajudou bastante limpou o restaurante dá para confiar nele Ana se virou para Caio e assentiu depois voltou o olhar
a Rafael Obrigada Caio e Rafael Pode ficar tranquilo você É bem-vindo aqui e obrigada mais uma vez por tudo o que fez alguns dias se passaram desde o incidente com Tobias no hospital o velho homem havia apresentado uma leve melhora já conseguia falar com menos esforço e até arriscar um sorriso quando Ana e Rafael apareciam ainda assim os médicos haviam sido Claros ele precisaria ficar internado por mais um tempo em observação antes de poder ir para casa Ana preocupada fazia o possível para acompanhar a recuperação Do avô entre uma visita e outra ela mantinha o
restaurante funcionando contando com a ajuda incansável de Caio e o empenho silencioso porém significativo de Rafael certa tarde Ana decidiu levar Rafael ao hospital o garoto hesitou no início um tanto desconfortável por entrar naquele ambiente Mas acabou concordando pensando em Tobias ao chegarem passaram por corredores brancos e silenciosos o cheiro característico de desinfetante e Remédios no ar Encontraram o quarto de Tobias de porta entreaberta Ana bateu de leve e abriu esboçando um sorriso Oi vô trouxe visita disse dando espaço para que Rafael entrasse Tobias ergueu lentamente a cabeça do Travesseiro um sorriso brotando no rosto
cansado Rafael Que bom ver você garoto como estão as coisas no restaurante Rafael aproximou-se da cama as mãos nos bolsos e Sorriu timidamente Oi Tobias tá tudo indo bem acho A Ana tá cuidando de tudo O Caio ajuda bastante e bem eu também tenho tentado ajudar Tobias fez um movimento positivo com a cabeça eu sabia que podia contar com vocês e Ana minha querida como você está Ana puxou uma cadeira sentando-se perto da cama estou bem vô estou dando conta do restaurante como posso Engraçado eu não imaginava que um dia estaria no comando da sua
cozinha mas Caio tem sido um ótimo guia e o Rafael bom ele não é apenas um bom garoto ele se tornou parte da família lá Dentro ao ouvir isso Tobias estreitou os olhos emocionado esse menino me lembra você quando era mais nova Ana curiosa disposta a aprender e a ajudar Rafael você poderia ser meu neto também sabia Rafael ficou sem graça desviando o olhar para o lençol puxa Obrigado Tobias eu não sei o que dizer o velho riu de leve colocando a mão sobre a do garoto com um gesto afetuoso não precisa dizer nada no
dia seguinte de volta ao restaurante Ana decidiu ter Uma conversa séria com Rafael Esperou o movimento da manhã acalmar após o horário de pico do almoço com o salão já mais vazio chamou o garoto até uma mesa no canto Rafael eu preciso falar algo com você ela mantinha a voz baixa cuidadosa ele franziu a testa o que foi Ana ela respirou fundo você sabe que eu gosto muito de você e sou grata por tudo que fez pelo meu avô mas não podemos continuar assim para sempre você é muito novo deveria estar estudando tendo uma Vida
normal Rafael abaixou o olhar para o tampo da mesa eu eu entendo eu sei que não posso ficar aqui para sempre mas não tenho para onde ir meu pai e minha mãe eles me expulsaram eu não posso voltar para lá Ana tocou de leve a mão do garoto eu sei é por isso que vou chamar o Juizado infantil eles podem te ajudar a encontrar um lugar seguro onde você possa estudar não quero que viva aqui nos fundos do restaurante Não é justo com você Rafael sentiu um aperto no Peito mas não protestou tá bom você
só você pode esperar o tobias voltar para casa antes de fazer isso eu não queria ir embora sem me despedir dele direito sem ver ele bem Ana pensou por um instante e assentiu sim eu espero mas quando ele voltar para casa eu vou ter que chamar as autoridades precisa ser o melhor para você Rafael concordou a voz embargada eu entendo os dias foram passando a rotina no restaurante era puxada mas Ana já não sentia o peso Inicial O trabalho intenso as conversas com Caio sobre receitas compras cardápio tudo aquilo a ent mais do que ela
imaginara ela se via trocando o jaleco de nutricionista pela toalha de cozinha com certa naturalidade Caio tinha um bom humor contagiante sempre disposto a fazer uma piada leve a dar uma sugestão prática sob sua orientação Ana entendia melhor o fluxo diário do local horários de pico fornecedores problemas com entrega reclamações de clientes aos Poucos sentia-se cada vez mais segura Rafael continuava sendo discreto mas prestativo ainda que não fosse funcionário ajudava a limpar a arrumar mesas a conferir alguns estoques conversava com Ana sobre o cardápio sobre o tempero que Tobias costumava usar e escutava atento à
histórias de Caio sobre os tempos em que o restaurante vivia cheio de gente e sempre que podia visitava Tobias com Ana acompanhando a lenta mas consistente Melhora do velho ente depois de um tempo que pareceu mais longo do que realmente era Tobias recebeu alta ainda estava fraco e o médico recomendara repouso absoluto em casa nada de voltar ao restaurante tão cedo Ana ajeitou tudo para receber o avô Em sua residência garantindo que tivesse comida pronta remédios à mão e um ambiente calmo Rafael ficou feliz em vê-lo fora do hospital mas desconfiava do que viria a
seguir no final da tarde após deixar o Avô a Ana Voltou ao restaurante lá estav Caio e Rafael organizando algumas coisas no salão o momento tenso chegou mais depressa do que Rafael esperava Rafael precisamos conversar disse Ana mais séria desta vez ele entendeu na hora e apenas assentiu agora que meu avô está em casa como prometi Vou chamar o Conselho Tutelar eles uma assente social é oor que posso faz por você ra sentiu um soco invisível no estômago tudo bem Eu já sabia que isso ia acontecer Ana viu a tristeza no olhar do garoto mas
não disse mais nada aquela era a solução mais correta diante das circunstâncias dois dias depois uma assistente social apareceu no restaurante era uma mulher de aparência tranquila sorriso educado roupas simples Ana a recebeu na parte da frente enquanto Caio e Rafael observavam de longe então Ana você me explicou por telefone a situação do Rafael disse a assistente olhando ao redor ele foi Abandonado pelos pais Correto sim eles o expulsaram de casa nós o acolhemos aqui mas não é um lugar adequado para ele ele precisa de um lar de escola falei com ele e ele entende
a assistente social assentiu séria nesse caso Vamos levá-lo a um orfanato será um lugar provisório mais seguro enquanto resolvemos a parte burocrática e seus pais serão aluados por abandono de menor é o procedimento padrão Ana concordou a voz falhando um pouco entendo ela chamou Rafael que veio Devagar como se carregasse o peso do mundo nos ombros atrás dele Caio se aproximou e Tobias mesmo ainda fraco também apareceu apoiado em uma bengala insistindo para estar presente na despedida a assistente social olhou o garoto com um semblante compreensivo Rafael vamos comigo lá você poderá voltar a estudar
e ter um futuro melhor ele não protestou apenas olhou para Ana os olhos marejados depois para Caio que engoliu em seco e finalmente para Tobias Que tentou sorrir mas não conseguiu esconder a tristeza raael abra C um Ana obrigado por tudo sei que você só quis o meu bem desculpa causar problemas Rafael Ana murmurou a voz embargada não não se desculpe Você não causou problema algum ele abraçou Caio que deu um tapinha nas costas do garoto sem conseguir dizer nada e por fim Tobias recebeu o abraço mais demorado obrigado por ser como um avô para
mim sussurrou Rafael Tobias fechou Os olhos apertando o garoto com carinho você sempre será bem-vindo aqui Rafael a assist indicou a saída Rafael se soltou devagar deu um último olhar ao restaurante e seguiu no silêncio que se instalou Ana não conseguiu segurar as lágrimas olhou para o chão pensando se fez a coisa certa enquanto Caio apoiava uma mão em seu ombro Tobias com a Bengala encarou a porta por onde Rafael partira sem dizer nada nos dias que se seguiram a saída de Rafael do restaurante um silêncio incômodo pair no ambiente Ana e Caio sentiam a
falta do garoto como um vazio Difícil de explicar mesmo estando concentrados no trabalho era impossível não Lembrar da voz Suave de Rafael perguntando se podia ajudar com a louça arrumando as cadeiras e limpando o salão a atmosfera não era mais a mesma o tempo passava os clientes vinham e iam mas faltava aquele brilho que o menino trazia ao lugar certa tarde depois do Horário de pico Caio olhava para o canto em que Rafael costumava se sentar Ana recolhendo alguns talheres notou o olhar do amigo pensando no Rafael perguntou Ana forçando um sorriso Caio sem tirar
os olhos do Canto apenas assentiu Sim sinto falta dele aqui ela suspirou apoiando a bandeja no balcão Eu também então como se tivesse tomado uma decisão Caio voltou-se para Ana Olha eu eu fui visitá-lo ontem a declaração pegou Ana de surpresa foi no orfanato sim não Aguentei ficar longe queria ver se ele estava bem disse caio meio envergonhado Ana se aproximou curiosa e como ele estava Caio deu um sorriso triste ele ficou feliz de me ver acho que não esperava contei um pouco sobre o restaurante que as coisas estão calmas ele perguntou do seu avô
Ana abaixou o olhar Mexendo nos próprios dedos o voo ainda não pode sair muito mas talvez quando estiver mais forte ele vá visitá-lo na semana seguinte após Caio Contar novamente que visitaria Rafael Ana decidiu acompanhar o garçom quando chegaram ao orfanato as funcionárias simpáticas e curiosas perguntaram se eles eram um casal Ana e Caio riram um pouco constrangidos e disseram que eram apenas bons amigos e colegas de trabalho entendo entendo mas vocês combinam disse uma das cuidadoras piscando enquanto os guiava até o pátio Rafael correu até eles quando os viu estava mais magro mas aparentava
estar se mantendo firme Conversaram sobre bobeiras sobre o restaurante e Ana levou uns doces caseiros para o menino o sorriso do garoto aquecia o coração dos dois visitantes por um instante a saudade do restaurante cheio do Riso de Tobias da presença de Rafael tudo parecia se amenizar nos fins de semana seguintes a rotina se estabeleceu Ana e Caio iam ao orfanato juntos conversavam com Rafael e as cuidadoras levavam pequenas lembranças às vezes Ana levava um suco Natural diferente outra vez Caio contava piadas ou histórias engraçadas do passado do restaurante as cuidadoras continuavam brincando sobre o
suposto casal o que sempre causava risadas e aliviava o clima quando Tobias conseguiu melhora suficiente para sair de casa as visitas ao orfanato tiveram que coincidir com o delicado estado do Idoso ele estava em casa mas muito fraco conseguia falar com dificuldade porém mantinha o brilho no olhar ao saber que Ana e Caio estavam cuidando bem do restaurante e que Rafael não havia sido esquecido meses depois Tobias piorou novamente dessa vez ele não poderia sair para visitar Rafael então com o coração apertado Ana e Caio foram até a diretora do orfanato e pediram permissão para
levar o garoto por um dia explicaram a situação disseram que o velho senhor que o acolhera estava muito mal e desejava vê-lo a diretora ponderou Mas acabou compreendendo e autorizando era um caso Especial Rafael nós conseguimos que você fosse ver o tobias disse Ana juntando as mãos à voz suave o garoto arregalou os olhos sério ele está muito mal Caio colocou a mão no ombro de Rafael ele está fraco mas quer muito te ver Rafael concordou apertando os lábios Então vamos por favor no dia combinado os três seguiram até a casa de Tobias ao entrarem
no quarto Rafael sentiu um aperto no peito o idoso estava pálido magro com olheiras Profundas mas ainda Assim abriu um sorriso débil ao vê-lo Rafael menino a voz saiu quase num sussurro mas com ternura Rafael se aproximou da cama puxou uma cadeira e sentou-se ao lado Oi Tobias Senti sua falta Tobias ergueu lentamente a mão e o garoto segurou-a com cuidado eu eu também Rafael precisava te ver dizer que você é um grande garoto Você é como um neto para mim o os olhos de Rafael se encheram de Lágrimas Tobias Obrigado por tudo o senhor
me ajudou quando Ninguém ajudou Ana e Caio discretos ficaram um pouco atrás dando espaço aos dois eles conversaram por horas Tobias contava sobre seus tempos de juventude falava de receitas que gostava de inventar e Rafael escutava cada palavra como Se guardasse Tudo na memória Quando a Noite Caiu foi preciso levar Rafael de volta ao ele se despediu com um abraço apertado prometendo que guardaria cada lembrança De Tobias no dia seguinte chegou a notícia Tobias faleceu durante a madrugada de forma tranquila o restaurante não abriu naquele dia em vez disso todos se juntaram no funeral Ana
estava com os olhos inchados Caio tentava apoiá-la e Rafael chorava sem parar ele tinha perdido alguém que considerava família enquanto as pessoas se reuniam Rafael deu uma espiada ao longe e reconheceu um rosto dentro de um carro era Lucas o homem estava sentado Ao volante observando a cena com um sorriso cínico Rafael sentiu o sangue ferver aquilo era uma crueldade o menino aproximou-se do carro com passos firmes Ana não notou de imediato mas Caio viu Rafael se afastar Rafael parou diante da janela aberta do carro O que você tá fazendo aqui vai embora não tem
nada para você aqui Lucas ergueu uma sobrancelha Ah o menino de rua vim ver o velho cair agora esse restaurante Não volta Não é uma concorrência a menos no Bairro a raiva explodiu Rafael ergueu a perna e num golpe seco Quebrou o retrovisor do carro de Lucas o barulho foi alto atraindo olhares Lucas saiu do carro furioso xingando Ana assustada correu até eles percebendo a confusão o que tá acontecendo Rafael gritou Ana Lucas gesticulava indignado esse moleque quebrou meu retrovisor vai pagar garota vai pagar pelo seu protegido Ana tentou manter a calma tirou o dinheiro
do bolso quantia suficiente para cobrir o dano Aqui Lucas toma isso paga o retrovisor e a mão de obra agora vai embora Lucas com o dinheiro na mão ainda bufava de raiva mas não tinha mais o que fazer entrou no carro e partiu lançando um olhar amargo Ana voltou-se para Rafael a voz tensa Não é assim que se resolve as coisas você não podia ter feito isso Rafael abaixou a cabeça chorando lágrimas escorriam por seu rosto o nariz vermelho o corpo trêmulo desculpa desculpa Ana é que eu Sinto tanta saudade dele O Tobias ele foi
tão bom para mim eu não aguentei ver aquele homem rindo de tudo Ana mordeu o Lábio segurando o próprio o choro que agora se soltava Eu também sinto muita saudade dele Rafael ela o abraçou apertando-o contra si Deixando as lágrimas caírem sem cerimônia o garoto encharca o ombro dela com o choro sufocado Caio parado a alguns passos também tinha os olhos marejados mas preferiu não interferir naquele momento Era um abraço cheio de ausência de dor mas também de afeto algo que os unia diante da perda de alguém tão querido os dias seguintes foram cinzas de
tristeza o vazio deixado por Tobias parecia impregnar cada canto do restaurante Ana passava pelos corredores pela cozinha pelas mesas sentindo a presença ausente do avô em cada detalhe agora ela era a gestora definitiva do lugar não havia mais a esperança de que Tobias voltaria para reassumir seu posto nem aquela Conversa tranquila cheia de histórias antigas que ele costumava oferecer nas horas vagas mesmo amando o que fazia a nutrição a culinária a relação com os clientes Ana sentia falta da figura que a inspirara a seguir adiante caio também carregava uma melancolia silenciosa antes sorridente e sempre
fazendo piadas agora concentrava-se no trabalho com afinco dobrado continuava como garçom atendendo as mesas com eficiência mas também ajudava Ana na gerência dando Sugestões cuidando do estoque do contato com fornecedor Fazia tudo que podia para aliviar a carga que caíra sobre os ombros dela Ana notava o esforço dele o carinho contido em cada gesto começou a observá-lo mais atentamente cada palavra Gentil cada olhar compreensivo percebeu que Caio era um homem raro alguém que estava sempre ao lado dela apoiando quando mais precisava certa noite após o expediente o restaurante estava vazio e Ana Observava as mesas
AL sentindo o cansaço e a saudade foi quando caio se aproximou com um pano de prato pendurado no ombro você está bem perguntou a voz Suave os olhos cheios de preocupação Ana ergueu o olhar sinto falta dele Caio meu avô eu acho que nunca vou me acostumar Caio se aproximou mais parando ao lado dela é normal sentir falta ele foi importante demais não só para você mas para todos nós o silêncio pairou mas não era Desconfortável Ana sentiu um calor diferente no peito um aperto que não doía mas a envolvia seu coração bateu mais forte
e nos dias que se seguiram ela sentiu o mesmo crescente calor ao olhar para Caio não demorou muito para que o sentimento se tornasse Óbvio para ambos eles encontravam motivo para conversas longas após o fechamento para Breves toques de mãos quando achar acidade antes apenas profissional se tornava algo mais profundo algumas Semanas depois num fim de tarde Caio chamou Ana para um passeio à Beiramar o sol se punha lentamente tingindo o céu de tons alaranjados caminharam de pés descalços na areia sentindo o vento salgado no rosto em certo momento anse para C eu por você
Ele sorriu segurando a mão dela eu também vem comigo eles se beijaram ali com o mar como testemunha a partir daquele momento passaram a namorar era algo recente mas fazia sentido aqueles Meses trabalhando lado a lado enfrentando perdas e desafios revelaram o que realmente significavam um para o outro não demorou e o assunto de Rafael Voltou ao centro das conversas o garoto agora com 14 anos continuava morando no orfanato mas Ana e Caio o visitavam com frequência gostavam de passear com ele conversar sobre a vida contar histórias de Tobias e do restaurante durante um desses
passeios à Beiramar o mesmo lugar onde tinham se declarado Ana tomou Coragem para compartilhar uma ideia que a rondava há tempos Caio eu sei que pode parecer loucura mas estou pensando em adotar o Rafael Caio surpresa ao contrário seu olhar brilhou loucura não acho eu também andei pensando nisso quero adotar o Rafael junto com você Ana piscou emocionada Mas nós somos apenas namorados e se não der certo Caio deu um passo à frente e Segurou o rosto dela nas mãos sorrindo Então vamos casar O que você Acha ela sorriu com lágrimas de alegria nos olhos
sim Vamos casar e vamos adotar o Rafael eles se beijaram rindo da própria ousadia o coração deles dizia que era o certo a fazer mesmo que tudo parecesse um tanto apressado a vida Afinal fora cheia de surpresas até ali e aquela parecia a decisão mais natural do mundo tempos depois já com tudo pensado Ana e Caio Foram visitar Rafael no orfanato ele crescia a olhos vistos estava mais alto a voz um pouco mais Grossa mas ainda com aquele jeito delicado de falar e sorrir sentaram-se num banco do pátio Enquanto algumas crianças brincavam ao fundo Rafael
começou Ana segurando a mão de Caio nós temos algo para dizer o garoto franziu o senho Curioso o que foi Caio pigarreou bem a gente não veio aqui só te ver nós viemos fazer um convite muito especial Ana olhou nos olhos do menino queremos adotar você queremos que você seja nosso filho de verdade Rafael arregalou os Olhos sem acreditar vocês estão brincando né Ana sorriu fazendo que não com a cabeça é sério queremos que você viva conosco formar uma família Rafael abaixou a cabeça as lágrimas escorrendo antes mesmo que ele tentasse escondê-las ficou em silêncio
por um momento absorvendo a notícia então lentamente levantou-se e abraçou Ana e Caio ao mesmo tempo um abraço desajeitado e cheio de emoção eles se apertaram e logo as cuidadoras do Orfanato que observavam De Longe Também começaram a chorar era uma cena comovente e verdadeira dias depois a papelada e os trâmites legais encaminhados Rafael estava morando com Ana e Caio ajustou-se tão naturalmente ao lar deles que parecia fazer parte daquela família desde sempre ajudava em casa era organizado e um dia enquanto arrumava umas caixas velhas no sótão encontrou algo que parecia um tesouro um livro
de receitas antigas de Tobias as páginas amareladas a caligrafia Caprichada do avô deana estavam ali preservadas no papel achei isso aqui disse Rafael mostrando o livro A Ana e Caio os olhos brilhando parece ser do seu avô Ana pegou o livro com cuidado emocionada ao reconhecer a letra do avô Caio deu um assobio baixo isso é ouro puro receitas de Tobias Muitas delas ele fazia quando o restaurante estava no auge levaram o livro ao chefe do restaurante um cozinheiro experiente que trabalhava com eles após alguns testes Começaram a introduzir as antigas receitas no cardápio o
impacto foi imediato clientes antigos voltaram clientes novos chegavam curiosos o restaurante antes em Apuros agora crescia atraindo mais gente a cada semana do outro lado da rua Lucas observava a mentação com o renascimento do cardápio de Tobias seu próprio restaurante sofria a clientela minguavam felizes trabalhando juntos no restaurante estudando cozinhando rindo e Aprendendo a ser uma família certa noite após o jantar Ana perguntou a Rafael se ele sentia saudades dos pais biológicos o garoto ficou em silêncio um instante eu agradeço por eles terem me colocado no mundo mas não sinto falta Pelo que eu sei
Eles continuam vivendo do mesmo jeito que viviam antes nada aconteceu com eles por terem me abandonado só que eu não sinto raiva sabe no fundo se não fosse por tudo isso eu não teria vocês os pais incríveis que Tem hoje em Ana sentiu um aperto doce no peito e não respondeu nada apenas sorriu Com ternura enquanto Caio apertava de leve o ombro do garoto eles sabiam que nada mudaria o passado mas o presente e o futuro estavam ali e aquela era a família que construíram juntos h