na hora a minha ficha caiu e eu me dei conta a minha criança é uma menina e não um menino e aí eu descobri o luto o luto do nome que eu tinha escolhido aos 14 anos o luto de chamar a minha criança de filho o luto dos sonhos que eu imaginei viver com aquele menino o luto de uma maternidade validada me tornei a mãe maluca segregada apontada que não era convidada para mais nada a mãe julgada inconsequente que não sabia o que estava fazendo era tudo muito solitário eu não tinha informações nem referências A
minha filha foi a primeira pessoa trans que eu conheci na minha vida muita coisa se passava pela minha cabeça e se eu gostasse mais da minha filha do que um dia eu cheguei a gostar do meu filho será que eu estaria trindo ele como é que eu amo alguém que matou a pessoa que eu mais amava