Responsabilidade é uma virtude fundamental que a partir dela nasce confiabilidade, a partir dela nasce realização. Então vamos pensar um pouco a respeito da responsabilidade e os seus desdobramentos, uma série de virtudes, uma série de posturas que nascem da responsabilidade. É muito importante trabalharmos sobre esse tema para a nossa vida como um todo, mas muito especialmente para a nossa vida profissional, para aquilo que construímos, para aquilo que fazemos.
Vocês já me conhecem e sabem que eu gosto muito de etimologia, sempre vou atrás da origem das palavras. E no caso de responsabilidade, ela vai vir do latim responderem, ou seja, a capacidade de dar resposta às coisas da vida. Isso é que é responsabilidade, não deixar que os acontecimentos da sua vida fiquem sem uma resposta adequada, ou seja, as adversidades, as oportunidades, todos os acontecimentos em geral.
saber arcar com as consequências de tudo que a vida nos traz, saber dar respostas adequadas, isso seria origem da palavra responsabilidade, capacidade de dar respostas condizentes, humanas, as melhores possíveis. Hoje nós praticamos pouco a pessoa, a responsabilidade. Responsabilidade tem a ver com honrar, com assumir.
Isso me diz respeito, isso é próprio da minha vida. Portanto, eu vou tratar disso. Honrar e assumir é algo meio raro na época da vitimização.
Eu costumo brincar com os meus alunos que a vitimização é o nosso esporte predileto. Todo mundo adora se sentir vítima, vicia mesmo, de tal maneira que se passar um dia inteiro sem que você veja ninguém fazendo nada com você, dá síndrome de abstinência. Ou seja, precisa lembrar do passado de alguém que te fez alguma coisa.
Porque viciamos estar sempre culpando os outros por alguma coisa, sempre transferindo responsabilidades. Bom, se a gente for pegar algo que temos falado muito nas minhas palestras sobre aquela visão do imperador Marco Aurélio, o grande filósofo históico Marco Aurélio, ele dizia: "Nada acontece ao homem que não seja próprio do homem". Muitas vezes temos explicado isso.
É como se fosse uma teoria da responsabilidade. Segundo ele, viemos ao mundo para crescer. Temos muitas imperfeições a trabalhar e, portanto, a nossa necessidade de crescimento, a lei da necessidade, traz à vida uma série de situações para bater nessas nossas arestas mais ponteagudas e nos ajudar a crescer.
Como nós não gostamos de passar por adversidades, saímos procurando culpados. Portanto, tudo que me acontece é culpa de alguém. Obviamente, se eu não sou responsável por nada, como eu poderia chamar alguém assim?
Isso é um irresponsável, porque tudo que acontece com ele, irresponsabilidade dos demais, isso é um irresponsável. A primeira coisa que a gente teria que entender, então, se levássemos em consideração o pensamento histórico, é que nada acontece ao homem que não seja próprio do homem. Portanto, se não fosse essa pessoa, seria outra.
Se não fosse essa circunstância, seria outra equivalente, mas você teria que passar por aí para crescer. A lei da necessidade que trabalha para o teu crescimento traria alguma coisa desse tipo à sua vida. Portanto, sem culpar ninguém, como dizia um outro grande filósofo históico Epiteto, a extinção da culpa marca o início do progresso moral.
Portanto, não existem culpados. Existe um responsável, que sou eu, que sou responsável pela minha vida e assumo a responsabilidade por tudo aquilo que a vida me traz. E vou procurar responder da melhor maneira possível.
Quando assumimos as rédias da nossa vida, ou seja, extinguimos a culpa, não há culpados, não é uma questão pessoal, começamos o nosso progresso moral, tá? E que a responsabilidade é a base para o nosso crescimento, né? Vitimismo é sempre fuga da responsabilidade.
Temos que procurar evitar esse péssimo vício de estarmos permanentemente nos sentindo vítimas das circunstâncias, vítimas dos demais e procurando culpados para tudo que nos acontece. Bom, uma característica da responsabilidade que é bastante interessante, uma um desdobramento dela é a autorresponsabilidade. Que que vem a ser a autorresponsabilidade?
é a capacidade de assumir consequências de suas ações e de suas escolhas. Ou seja, já aí não é o que as circunstâncias da vida trazem paraa gente, mas as consequências daquilo que eu decidi, daquilo que eu assumi. Portanto, nós temos um certo hábito, não é, de que quando as coisas dão certo, eu assumo, quando dão errado, eu procuro culpados.
não assumir as consequências daquilo que eu faço, daquilo que eu decido, aprendendo sempre, dando certo ou dando errado, eu sempre aprendo. Portanto, de uma maneira ou de outra, eu sempre saio ganhando. A autorresponsabilidade é aquilo que eu decido, as iniciativas que eu tomo, eu assumo as consequências para bem e para mal.
Em ambos casos, haverá algum ganho, porque se não dar certo, como eu já falei, a experiência me fará crescer. Eu aprendo com a experiência. Quando dá certo, ótimo, eu aí tenho um caminho que está aprovado.
Portanto, autorresponsabilidade é a capacidade de aquilo que eu tomo para mim é meu até as suas consequências últimas, né? Isentar-se buscar culpados externos não permite autocorreção e crescimento. Isso é uma coisa interessante, porque se o outro é culpado, ele é que tem que se corrigir e ao se corrigir, ele é que vai crescer.
E eu não cresço nunca. Se eu não assumo a responsabilidade pelas coisas, eu não cresço nunca. Portanto, a condição fundamental da vida, viemos ao mundo para crescer.
Quando eu não assumo autorresponsabilidade, eu não cresço, porque quem tem que crescer é o outro, já que a responsabilidade é dele, tá? Então, ficamos sem esse estímulo fundamental que a vida nos dá para estarmos sempre nos superando, sempre nos tornando um ser humano melhor. Que mais nós poderíamos falar como consequência da responsabilidade?
Uma das coisas que a responsabilidade vai gerar e que hoje é muito valorizado e muito procurado é protagonismo. Se eu me responsabilizo, eu tenho iniciativa, eu vou atrás de alternativas, eu procuro as melhores saídas, ou seja, eu não sou reativo. Eu não fico esperando aquilo que me pedem, aquilo que me demandam para reagir.
Eu sou proativo. Eu estou buscando oportunidades de fazer as coisas sempre um pouco melhor do que fiz no passado. Ou seja, eu não repito os mesmos procedimentos idênticos.
Estou sempre procurando oportunidades de aperfeiçoamento, de tal maneira que, como alguém que sobe uma escada, cada passo estará num grau um pouco mais elevado do que o anterior. Cada passo num degrau um pouco mais elevado do que o anterior. Ou seja, eu não executo simplesmente comandos.
Eu vejo a estrutura como um todo e vejo se aquele comando é o melhor a ser tomado, se ele não pode ser aperfeiçoado, se ele não pode ser complementado. Quem se responsabiliza invoca criatividade, tem iniciativa, toma dianteira. Protagonismo é uma das coisas que hoje são mais valorizadas, sobretudo em mercado de trabalho, mas na vida como um todo.
Protagonismo é aquele que vai adiante, que não espera ser empurrado pelas circunstâncias, ele vai adiante sempre procurando oportunidade de aperfeiçoamento. Ou seja, ele é criativo, ele é inspirado, ele é líder. Esse é um homem que tem protagonismo, né?
é próprio da pessoa que tem protagonismo um constante desejo de crescimento e um constante ânimo de aprendiz. Que que é importante? Então, sabermos que não somos donos de nenhuma verdade.
Sabermos que não fazemos nada de maneira perfeita. A perfeição não existe nesse mundo. Sempre é possível aperfeiçoar um pouco mais aquilo que fazemos.
Então, ânimo de aprendiz, isso é fundamental. Eu sempre estou em postura de querer saber um pouco mais, de querer aprender com aqueles que têm algo a ensinar. Cada pessoa que passa pela minha vida, eu procuro aprender um pouco sobre o ponto de vista dela, a maneira como ela vê o mundo, que pode ter imperfeições, mas pode ter também imperfeições.
Pode ter coisas que eu não vi, todo mundo é dual. Em todas as pessoas existe uma zona de luz e uma zona de sombra. Portanto, eu posso aprender da zona de luz de cada pessoa que passa por mim.
Eu tenho um ânimo permanente de aprendizado e isso me faz estar sempre crescendo, tá? Então, mais um elemento que é fundamental que a gente procure desenvolver. Não espere ser empurrado pelas circunstâncias.
tome iniciativa. Talvez se nós tivéssemos a iniciativa de estar procurando crescer sempre, não precisaríamos que a vida nos desse tantas adversidades. As adversidades são uma forma da vida nos empurrar para frente.
Se nós não somos do tipo que anda empurrado, mas que anda por iniciativa própria, talvez não precisássemos de tantas adversidades. Que mais podemos falar como consequência da responsabilidade? Sempre perceber o homem responsável percebe o impacto das suas ações no todo.
Ele percebe como as suas ações são sistêmicas e como a humanidade é muito mais interrelacionada do que a gente imagina. Como as nossas ações ecoam muito mais do que a gente imagina, tanto para bem quanto para mal. Na Índia eles têm o hábito de dizer uma coisa que eu acho muito interessante, que quando uma pessoa erra inspirada por você, as consequências do erro daquela pessoa, do ponto de vista cármico, também são tuas.
Você sofre junto com essa pessoa quando ela erra porque te copiou, quando ela erra porque se inspirou em você. Portanto, nós temos responsabilidade pelos exemplos que damos ao mundo. A nossa ação sempre é cor.
Na década de X do século passado, houve um pesquisador que ele falou de uma coisa muito interessante chamada A teoria dos seis pontos. Nessa época, 1927, se não me falho a memória, ele dizia que se você tem uma ideia e você comunica essa ideia, essa ideia passa por seis pontos diferentes, ou seja, seis pessoas passam essa ideia adiante, com esses seis pontos, a a ideia da volta ao mundo. Vocês imaginam isso?
em 27, onde essa comunicação se fazia como através de carta, não tinha muito mais como fazer isso. Eu mando essa minha ideia para, sei lá, uma pessoa que mora nos Estados Unidos, aí essa pessoa conta pro seu professor que tem alunos que são da Europa. Ele conta pros seus alunos que t amigos que moram na China.
Com seis pontos, essa ideia fazia volta ao mundo. Lógico isso em 1927. Hoje que temos meios de comunicação muito mais eficazes com três ou quatro pontos.
Uma ideia dá a volta ao mundo. Quando ela é boa, quando ela é contundente, quando ela chama atenção, quando ela tem impacto, você pode, com apenas três ou quatro intermediários fazer uma ideia, girar o mundo e voltar para você, né? E então é muito interessante a gente perceber que aquilo que fazemos ecoa em todas as direções.
E quanto mais contundente, quanto mais brilhante, quanto mais importante aquilo que fazemos, mais rapidamente é essa difusão. Então, somos responsáveis pelas ideias que lançamos no mundo, pelos exemplos que damos no mundo. Quando a gente sai andando pela rua, as pessoas que nos observam, as pessoas que se inspiram em nós, as pessoas que convivem conosco, estão sendo influenciadas por cada gesto, por cada ato, por cada atitude.
Se você é uma pessoa que, sei lá, chega numa escada rolante, se coloca num cantinho para que as pessoas passem, para que não bloqueie a escada, uma pessoa que nem te conhece, olha aquilo e diz: "Olha que inteligente essa postura de fulano, vou começar a fazer tal coisa. Isso é gentil, isso é educado. Você tem uma postura de esperar que uma pessoa mais velha passe na sua frente para atravessar uma rua, porque se ela for a última fica delicado.
Quem olha diz: "Olha que gentil isso, que bonito, vou me inspirar nisso, vou começar a fazer também". Você vai passando, vai eando, vai passando adiante as suas ideias, tanto para bem quanto para mal. As más ideias, infelizmente, também são propagadas muito rapidamente.
Então, nós temos que sentir essa responsabilidade do efeito sistêmico daquilo que somos. Aquilo que somos automaticamente se propaga em todas as direções e influenciamos as pessoas à nossa volta às vezes mais distante do que podemos imaginar. Somos o que?
uma como uma célula dentro de um corpo. O que uma célula faz influencia o corpo como um todo. Quando ela começa a ter um desvio de comportamento e se torna uma célula e alternativa, diferente, que não trabalha para o corpo como um todo, ela pode ser uma célula tumoral que pode levar esse corpo à morte.
Então, existe um efeito sistêmico. Nós temos responsabilidade por aquilo que somos. A maneira como nos colocamos no mundo, isso influencia.
E nós temos que estar conscientes disso, né? Então, um grupo humano é orgânico e cada um de nós é uma célula. E vocês têm que imaginar também que cada jovem que chega no mundo, ele olha pro mundo e vê esse menu de opções que é oferecido, o que as pessoas fazem, o que sonham, a que se dedicam.
Quando um ser humano tem uma postura de mais valores, uma postura de mais consistência, de mais caráter, você colocou uma opção diferente nesse menu de opções do mundo. Essa pessoa vai olhar e vai ver uma coisa diferente. Por quê?
Porque você vive essa coisa diferente. Então você ampliou o leque de opções da humanidade por ser. Quando um ser humano é, ele dá uma oportunidade diferente, abre um caminho diferente para aqueles que chegam.
Portanto, temos que saber desse efeito, essa responsabilidade que existe por estarmos no mundo e a maneira como nos colocamos no mundo. Temos que assumir também isso também é responsabilidade. Autoconsciência também é um ato que se desdobra da responsabilidade.
Que que vem a ser autoconsciência? é a capacidade de refletir sobre atos, pensamentos e valores próprios com razoável isenção. Autoconsciência é como se você observasse a si próprio de uma certa distância e fosse capaz de ver.
Bom, esse meu comportamento não foi muito correto. Eu agi por paixões, por interesses. Eu não dei oportunidades para fulano.
Eu discriminei esse crano. Aquilo que eu falei naquela circunstância não foi muito gentil. caiu mal, embora a minha intenção não fosse má, caiu mal, gerou um efeito desagradável.
Você tem um certo distanciamento que permita observar a si próprio com isenção, porque nós sempre costumamos ter fantasias quando analisamos a nós mesmos. Achamos que tudo o que fazemos está certo, tudo que o outro faz está errado. Eu acho engraçado quando às vezes uma pessoa está contando para alguém algo que ela conversou com um uma terceira pessoa, uma circunstância que aconteceu com uma terceira pessoa.
Não sei se você já viu essa situação. Ah, eu fui conversar com fulano e ele me falou: "Não, porque isso não pode ser assim. " E eu falei: "Não, fulano, tem que ser sim.
As vozes que a gente faz, a voz do outro é uma voz terrível. E a nossa é aquela voz sensata, ponderada. Ou seja, só na maneira de você descrever o que aconteceu, você já vê o preconceito.
Você acha que o sensato e o ponderado foi você e o outro era desequilibrado. Talvez não. Nós deveríamos ter esse distanciamento de olhar e dizer: "Nessa circunstância eu estava errado.
Quem estava fora do eixo, quem não estava sendo justo, quem não estava equilibrado, sou eu. " Esse certo distanciamento para observar e corrigir as nossas ações, isso é chamado de autoconsciência. Se nós não fazemos isso, é uma coisa curiosa, porque o mundo inteiro tá nos vendo, menos nós.
Nós vivemos uma fantasia a respeito de nós mesmos, onde sempre estamos certos e o mundo inteiro está errado. Evidentemente isso distorce a nossa ação. Evidentemente isso nos coloca de maneira equivocada no mundo e tira de nós a possibilidade de autoaperfeiçoamento.
Então, se você tem o hábito da reflexão de todos os dias repensar o seu dia, deveria procurar um distanciamento onde você olhe para o seu dia, como se tivesse olhando pro dia de outra pessoa e pudesse analisar aquilo ali, submetendo a valores universais, sem querer achar que tudo que você faz, sem despejar sobre os seus atos, uma inclinação como se tudo que você faz fosse positivo, tudo que você faz fosse certo. analisar com isenção a si próprio e assim poder ver onde estão os pontos que têm que ser corrigidos. Isso é autoconsciência e nasce do hábito da reflexão.
Se todos os dias eu reflito sobre o meu dia, eu vou criando um distanciamento onde eu sou capaz de me ver de fora sem ficar retorcendo a situação para provar que o outro está errado e eu estou certo. Vou criando uma certa isenção que me permite ver com clareza, com um certo distanciamento o meu dia, a minha vida e aplicar aí as correções necessárias. Então, autoconsciência, capacidade de refletir sobre si próprio e ver com a maneira da maneira mais clara, limpa e próxima da realidade que for possível, tá?
Isso presume um propósito de vida e é fato. Nós vamos já já explicar isso. E a autoconsciência é a ferramenta que permite a construção da própria identidade, do próprio autoaperfeiçoamento.
Sempre digo nas minhas palestras, talvez você já tenha me ouvido falar sobre isso algum dia, que existe um exercício fundamental que devemos fazer, parar um determinado dia e pensar no final da nossa vida, o ser humano que você quer ser lá nos últimos dias, nos últimos meses da sua vida. Você concorda comigo que isso é obra prima da sua vida? Você trabalhou a vida inteira para construir esse ser humano?
Como você quer que ele seja? Que qualidades você quer que ele tenha desenvolvido? Que virtudes você quer que ele exerça?
Que defeitos você quer que ele tenha vencido? Que que você quer que ele tenha feito pelo mundo, pelo outro, por si próprio? Quando você olhar para trás, qual é a trajetória que gostaria de ver no mundo?
Ou seja, qual é a obra prima da sua vida? Você tem que pensar nisso em todos os detalhes. Isso é o teu ideal, isso é o teu sentido de vida.
de preferência anote, né? Se você não escolhe um ideal, um sentido de vida para modelar a sua vida, vai ser influenciado para algum modelo da sociedade, porque a natureza não deixa vácuos. Aí quando você menos esperar, está imitando o herói da novela das 8 ou de Hollywood ou de qualquer coisa, que em geral não são modelos lá muito recomendáveis, tá?
Então escolha, escolha como se fosse um artista que tem um modelo e esculpe a pedra. Tendo em vista esse modelo, escolha o ser humano que você quer ser. Isso é o teu ideal.
A partir do momento que você tem esse ideal, você pode comparar o seu dia de hoje com esse ideal e ver se você se aproximou dele ou se você se distanciou. Seja, esse ideal, esse propósito que justifica toda a sua vida ajuda muito no processo de autoconsciência e vai te dar um contraste que vai permitir que você perceba se o seu dia de hoje foi coerente com alguém que quer chegar nesse ponto ou se foi incoerente para que você possa a partir daí aplicar a correção necessária. Então isso é uma coisa muito importante, tá?
Então, a autoconsciência é a ferramenta da construção do nosso aperfeiçoamento, ela sempre tem que levar em conta a nossa identidade, que é esse ideal. A nossa identidade se baseia nesse ideal, nesse propósito que justifica toda a nossa vida. Que mais temos como consequência da responsabilidade?
uma gestão adequada e inteligente das nossas escolhas, ou seja, uma capacidade de discernimento. Gestão de escolhas significa o quê? Saber escolher bem que é discernimento.
É uma das coisas mais importantes. Nós somos hoje o resultado de todas as escolhas que fizemos até agora. As nossas escolhas nos trouxeram até aqui.
Eu sou o resultado de tudo que escolhi até esse momento. Então, mais uma vez, gestão de escolhas, discernimento, exige propósito. Isso é bastante evidente.
Se eu quero construir uma mesa, eu tenho um propósito, eu tenho uma meta, eu tenho uma missão, eu vou para um mercado que tem milhares de opções e eu sei o que escolher, porque eu quero construir uma mesa. Então, escolho madeira, escolho pregos, escolho um serrote, uma serra ticotico, seja lá o que for, aquilo que é adequado para minha missão, para aquilo que eu quero construir. Bom, eu tenho uma missão, eu quero construir a mim mesmo, portanto eu me coloco diante da vida e sei o que é adequado e o que não é.
Para o ser humano que eu quero ser, o que me serve e o que não me serve. Que comportamentos, que palavras, que sentimentos, que pensamentos servem para construir em mim o ser humano que eu quero ser. Se eu não quero ser nada, eu não tenho capacidade de escolhas.
É como uma pessoa que entra num mercado sem querer construir nada, sem saber quais são as suas necessidades. Como é que ela vai escolher? Vai escolher aquilo que tem uma melhor publicidade, aquilo que está na moda ou aquilo que é mais baratinho e vai reunir um monte de coisas que juntas não servem para nada.
que é mais ou menos o que fazíamos quando fazemos compras, por exemplo, sem ter uma listinha sabendo qual é a nossa necessidade. Saímos comprando aquilo que é mais motivador, que a propaganda faz mais provocativo, não é assim? E somos vítimas de uma compulsão consumista que no final você não sabe o que fazer com aquilo.
Na vida é mais ou menos a mesma coisa. Se eu não sei qual é a minha necessidade, o que eu quero construir, eu faço escolhas super inadequadas. Então, a partir do sentido de vida, do propósito, você pode ter discernimento, pode ter escolhas adequadas, ou seja, também é responsabilidade tua as escolhas que faz, porque isso construirá o teu futuro.
O tempo todo fazemos escolhas. Você está ouvindo essa palestra, está escolhendo o que pensar, o que sentir, como se posicionar. O tempo todo fazemos escolha.
E é com esse tijolo que vamos solidificando a direção da nossa vida. Ou seja, sempre submeta as suas escolhas ao ideal do ser humano que você quer ser, tá? Aos valores que você elegeu para si próprio.
Sempre submeta, porque isso faz com que você tenha uma série de escolhas que vão te levar lá, senão você não vai chegar lá nunca. São as escolhas que vão te conduzir nessa direção. Hum.
Então, faz parte da responsabilidade fazer escolhas adequadas. Gestão de emoções também é uma coisa que faz parte da nossa responsabilidade. Muitas vezes tenho falado nas minhas palestras que nós temos uma gangorra entre mente e emoções.
Quando as emoções estão muito alteradas, ou seja, eu estou irritado, eu estou colérico, eu estou deprimido, estou ofendido, apaixonado, a mente vai lá para baixo. Ela não raciocina nessas condições. Quando a mente está em bom funcionamento, as emoções estão serenas.
Nós temos que saber ter uma boa gestão de emoções, não nos deixarmos abalar com tanta frequência, termos as rédeas das nossas emoções, qualificarmos o nosso plano afetivo para que essas emoções mais impulsivas sejam dominadas e a gente possa trocá-las por sentimentos mais profundos, duradouros, verdadeiros. Somos viciados em emoções muito superficiais. que quando sobem a nossa cabeça não nos deixam raciocinar nem fazer escolhas adequadas.
Então, muito cuidado. Temos que fazer um processo de construção de um autocontrole cada vez maior. Enquanto não o temos, quando as suas emoções estiverem lá em cima, não tome decisões importantes.
Não se comprometa sem estar lúcido. Isso também é desdobramento da responsabilidade. Conta-se uma história do grande filósofo Platão, que uma ocasião ele tinha um criado que havia sido criado na casa dele a muito tempo e que essa pessoa o teria traído de alguma maneira muito grave, que a história não conta o que foi.
Diz que Platão saiu da sua casa, foi até a sua escola, que era academia, chama seu sobrinho Espeuzipo e diz: "Vai lá e julga fulano, porque nessas condições emocionais em que eu estou, eu não tomo decisões. " Veja que sábio. Naquele momento ele não conseguiu controlar as suas más emoções.
Então não decido. Transfere para alguém que esteja lúcido, que possa tomar uma decisão justa, que dê alguma oportunidade essa pessoa de se regenerar. Aqueles que são pais, mães, sabem disso.
A criança fez a travessura. Se ela te afetou, se ela te irritou, não castigue, não decida, não faça nada na hora. Espere esfriar a cabeça para depois você conversar com a criança e explicar o que pode e o que não pode ser feito.
Quando as emoções sobem a cabeça, não tome decisões e vá lentamente trabalhando para ter as rédias desse eu animal, controlar melhor essas emoções para que elas não subam a cabeça com tanta frequência. Isso é gestão de emoções. Isso também é responsabilidade.
Quando não temos o controle das nossas emoções, elas produzem grandes estragos na nossa vida e somos responsáveis por ele. Por quê? É o seu animalzinho que fugiu, escapou e saiu mordendo a vizinhança.
Você é responsável por não cuidar, não dominar esse animal, não ser capaz de mantê-lo sob controle. Quando nós somos manipulados na sociedade, a lógica da manipulação das emoções trabalha muito com essa ideia. Quando alguém quer te vender alguma coisa, por exemplo, vai gerar um clímax emocional em que você não raciocina.
Nessa hora ela te induz a qualquer coisa. Quando uma pessoa quer introduzir uma mentira, uma falácia num discurso, ela gera também um clímax emocional e aí ela desvia um pouco a lógica, quebra um pouco a sequência lógica do raciocínio e assim ela chega a conclusões absurdas e você não nota onde foi que ela produziu os desvios, as falácias. Por quê?
Quando há clímax emocional, você não raciocina. Então, constantemente somos manipulados por esse descontrole emocional que temos. As pessoas nos provocam, perdemos o controle e aí elas nos induzem a qualquer coisa.
Vocês vão perceber que muitas vezes em lutas, artes marciais, por exemplo, um tenta provocar o outro antes do combate. Se o outro não se irrita, já perdeu o combate. Não vai ter inteligência, não vai ter lucidez para saber o que é mais propício em cada momento.
Então, quando querem nos manipular, trabalham muito com esse nosso descontrole emocional para nos enganar, para nos induzir ideias erradas, para nos empurrar qualquer coisa. Portanto, há que trabalhar com esse processo de cada vez mais ter autocontrole. E quando as emoções sobem a cabeça, aí eu não tomo decisões, né?
Isso tem muito a ver com o que nós falamos hoje, que está na moda, né? Falar de Balman e da modernidade líquida, onde os sentimentos, que não são sentimentos, são emoções, são muito passageiros, muito instáveis, muito superficiais. Quando nós pegamos as nossas emoções, dominamos, não reprimimos, nós sublimamos e criamos sentimentos de verdade mais profundos, comprometedores, muito mais sensatos e capazes de atar laços definitivos.
É trabalhando sobre as emoções, sobre essas energias que você é capaz de elevá-las, tá? Não se trata de repressão, trata-se de um trabalho de elaboração, onde nós podemos ter sentimentos mais próprios de um ser humano e não simplesmente emoções de explosão que são muito animalizantes e que nos levam para trás, nos levam na direção contrária daquilo que se espera de um ser humano. Por fim, eu gostaria de concluir esse nosso bate-papo com uma frase que diz o seguinte: "Ser responsável é ser digno da liberdade".
Interessante, né? Uma pessoa livre, que não é responsável, ela vai se envolver com tanta coisa que era melhor que ela tivesse sendo tutelada por alguém. É como o cachorrinho solto na rua.
É lógico que ele vai ser atropelado, ele vai se meter numa briga com outro cachorro. é melhor que ele tivesse sendo controlado por um ser humano. Portanto, uma pessoa que não tem responsabilidade, ela não tem condições de exercer a sua liberdade, porque vai fazer tanto, vai cometer tantos erros, vai se comprometer tanto, que isso é péssimo para ela.
Portanto, a condição fundamental da liberdade é a responsabilidade, tá? Então, ser responsável é compreender que cada ato nosso deixa uma marca no mundo. É ter coragem e dignidade para assumir e aprender, corrigir e aperfeiçoar.
Ou seja, a partir da responsabilidade crescemos. E nós vivemos num mundo onde as pessoas procuram com a luz acesa ao meio-dia alguém que tenha responsabilidade. Porque somos hoje tão escapistas em relação à responsabilidade.
Tendemos a transferir a responsabilidade aos demais, tendemos a nos exentar das consequências daquilo que fazemos. Enfim, é um mundo complexo, onde criamos essa debilidade de não sermos responsáveis pela nossa vida, não termos as rédias da nossa vida na nossa mão. Eu espero que essa reflexão possa ser útil para você.
Pense a respeito. Responsabilidade é uma virtude que nós temos que desenvolver se queremos crescer, se queremos sair daqui maiores do que entramos, se queremos fazer diferença, se não queremos viver em vão. Muito obrigada e um grande abraço para todos vocês.
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