Trabes você está ouvindo o hisória [Música] FM salve ouvintes do história FM bem-vindos a mais um episódio do podcast leitura hisa Maris aqueles episódios sobre teoria sobre historiografia falando sobre correntes historiográficas e hoje para falar sobre o assunto eu chamei duas pessoas muito especiais para falar Primeiro alguém que já esteve aqui algumas vezes Professor Demian Melo fica à vontade para se apresentar de novo pro pessoal que ainda não te conhece na verdade e aí pessoal tudo bem Aqui é o demia melo ou demia né como Wi e outros amigos me chamam e sou professor de
história contemporânea da Universidade Federal Fluminense do bacharelado de políticas públicas e uma enorme satisfação est aqui de novo com vocês e aqui conosco pela primeira vez tô muito Feliz de receber a professora Virgínia Fontes então Virgínia Fique à vontade para se apresentar pro pessoal que tá ouvindo olá I Olá Demi Olá ouvintes bom eu sou professora aposentada continuo atuando na pós-graduação de história da Federal Fluminense e tem muito orgulho de trabalhar muitíssimo com a escola nacional florestan Fernand com vários cursos de formação política para movimentos sociais e partidos políticos Então é isso vamos conhecer um
pouco Mais sobre os meandros do Marxismo depois os [Música] comerciais Então pessoal depois de muito pensar muito relutar eu resolvi atender ao pedido de muitas pessoas muitas mesmo que entraram em contato Desde o ano passado pedindo e eu finalmente resolvi atender isso que é cadastrar uma chave pix para o pessoal poder apoiar o stor FM eu sempre relutei em fazer isso Por quê como eu sempre digo por aí eu nunca Escondi isso de ninguém a minha renda vem do que eu faço na internet e a minha principal renda o que me dá o mínimo de
estabilidade financeira para tocar esse projeto e viver né sobreviver melhor dizendo é o appo embora eu tenha outras rendas menores né como a venda de camisetas pela dopel e tal mas o grosso da minha renda vem do apoia-se e justamente porque é isso que me dá estabilidade eu não posso correr risco de fazer coisas que vão fazer com que a Minha base de apoiadores mensal diminua e eu sempre achei que fazer uma chave pix poderia causar isso por quê Porque o apoio se lembra os apoiadores todo mês do pagamento né ele cobra automaticamente no cartão
ou quem apoia por boleto ele envia o e-mail com o boleto pra pessoa pagar ele lembra todo mês desse apoio né já o pix não o pix é uma contribuição e pontual que quem colabora tem que que lembrar de fazer então o meu medo era o quê era algumas Pessoas pararem de usar o apoia Para apoiar via pix porque seria mais fácil apoiar pelo pix e depois esquecer de apoiar em outros meses entende e aí o meu medo era tipo assim pô se eu começar a perder apoiadores por causa do pix isso vai me prejudicar
no longo prazo mesmo que me ajude no curto prazo e como eu disse a minha estabilidade depende do apoia-se né só que aí eu comecei a perceber que a maior parte do pessoal que pede uma chave pix São pessoas que Não iriam apoiar pela poest de qualquer jeito ou porque acha a plataforma complicada porque não consegue se cadastrar ou porque não tem condições só quer fazer um apoio único enfim Cada Um Com Seus motivos Mas eu percebi que não é bem o mesmo público né uma plataforma no caso a po e o pix então eu
resolvi arriscar resolvi cadastrar essa chave e observar vamos ver se vai dar certo e tal então assim para quem pode apoiar mensualmente Eu pediria que mantivessem O apoio no apo não não cancelem o apoio para usar o pix Se for possível porque como eu disse é uma questão de sa idade mesmo né mas se você sempre quis ajudar o stor FM mas o apo nunca foi interessante talvez essa seja uma possibilidade e a chave pix para quem quiser apoiar é leitura obrigahistória @gmail.com que é o e-mail que eu fiz quando eu criei o canal leitura
obrigahistória no YouTube lá em 2015 né então repetindo leitura obrigahistória @gmail.com com essa chave PX você pode colaborar com a gente com qualquer valor E aí para manter o apoio assim um pouco mais interessante eu mantenho o esquema de de lançar os Episódios com antecedência para quem colabora com R 5 ou mais por mês que é só para quem colabora no apoia-se e a leitura dos nomes dos apoiadores aqui no setor de comerciais também vai ser só para quem colabora no apoyas mas para quem não se importa com as recompensas não quer usar O apo
o pix acaba sendo uma opção E falando em apoiadores eu queria ler aqui os nomes dos nossos novos apoiadores e apoiadoras que são Felipe lavarda Marcos asturian Igor Almino Rafael escarpeta Evandro caseiro Adail Mota Guilherme Moraes amur João Ornelas Mateus de Andrade Patrícia das Neves I Moura Ricardo pessoa Marcelo Pinho Pedro Ivo Araújo André chaou acho que é assim a pronúncia não sei Fernando Andrade e André Ramos Muito obrigado pessoal como Eu disse vocês manté isso aqui no ar eu dependo de vocês para continuar fazendo esse trabalho e todos os outros trabalhos que eu realizo
que são voltados para o público e distribuídos gratuitamente então vocês permitem isso então muito obrigado e se você quiser colaborar conosco na apoia o link é apoia.se bar obrigahistória Se você quiser fazer um apoio pontual via chave PX a chave é leitura obrigahistoria @gmail.com agora chega de papo e vamos Pro [Música] Episódio para começar uma pergunta um pouco mais básica eu hoje Originalmente eu tinha pensado em começar perguntando o que que é Marxismo mas antes de falar do que que é Marxismo acho que talvez seja interessante começar perguntando Quem foi Marx né a gente não
precisa passar por toda a biografia dele até porque acho que no futuro eu quero fazer um episódio biográfico sobre Marx aqui Mas pelo menos para dar umas linhas mais Gerais para quem tá ouvindo e né não sabe nada sobre o assunto Quem foi Marx Bom vamos lá a vida do Marx é bastante atribulada o Marx é filho de uma de um pai judeu convertido eh alemão numa época que a Alemanha não estava unificada e muito cedo se tornou um estudante muito brilhante um intelectual muito brilhante e muito cedo um revolucionário e esse esse caminho do
intelectual brilhante e do Revolucionário foi sendo construído duplamente na luta e na reflexão era um caminho duplo então eu recomendo muitíssimo que Leiam a biografia de Marx recentemente lançada pelo José Paulo Neto pela Editora boitempo que dá essa mirada Marx foi perseguido politicamente teve de se mudar de um país para outro na Europa seguidas vezes com mulher com filho mulher grávida etc eh depois se instalou na Inglaterra e na Inglaterra é o local onde ele passou a maior parte da Sua vida morre jovem jovem morre antes de completar 70 anos e com uma obra gigantesca
uma obra magistral e uma participação política muito intensa então para resumir Marx foi um gigante intelectual um militante Comunista de quase primeira hora porque no começo ele não era um militante revolucionário e um argut simo analista do capitalismo e dos processos históricos do seu tempo talvez vha a pena acrescentar o fato de que o Marx Foi um intelectual brilhante também porque ele se interessou no estudo de várias áreas do conhecimento a gente pode pensar assim naquilo que a gente chama de ciências humanas né mas ele tá justamente se interessando pela filosofia pelo direito pela história
e no momento em que estão se formando inclusive esses campos disciplinares no sentido das Ciências Sociais por exemplo né não existia ainda sociologia Ciência Política como cadeiras específicas né Nas faculdades existi a economia política e da qual ele é um crítico né Às vezes o Marx é apresentado como um economista político Na verdade era um crítico da economia política não é por acaso que esse é o subtítulo recorrente dos seus trabalhos né sobre essa temática e o Marx nesse sentido ele um dado importante do seu pensamento é justamente Essa visão que não tá muito preocupado
com as fronteiras desses Campos disciplinares Por isso que às Vezes ele é difícil de enquadrá-lo né mas no século XX no mundo acadêmico ele foi tratado como sociólogo né às vezes como economista às vezes como Historiador e ele na verdade foi um pouco de tudo isso né por isso que ele acaba tendo essa influência Ampla né Eh no campo da reflexão nas ciências humanas e já que a gente tá falando de influência quais vocês consideram que são as principais obras assim alguém que tá ouvindo esse episódio que só ouve Falar de Marx na internet nesses
debates às vezes meio histéricos que as pessoas têm por aí mas eh botando o pé no chão né Falando de produção intelectual Quais são as principais obras de Marx bom eh eu vou completar antes de chegar nas principais obras eu vou levar um pouquinho adiante a reflexão que o Demian trouxe porque o Marx é o autoser dizia que o Marx fundou um continente né um continente de conhecimento não era o Marx não era especializado em nenhuma Área ao contrário ele furou todas as fronteiras entre as ciências disciplinares organizadas em caixinhas metodológicas do século XIX com
teorias muito restritas e o lucax eh quando fala no Marx chega a falar de uma ontologia do ser social então talvez a figura seja muito mais clara do que um continente que o out serer compara com por exemplo Darwin ou Freud que na eh uma reflexão sobre a Biologia ou sobre a psicanálise gigantescas no caso do Marx Eu acho que o lucax quando fala da ontologia do ser social coloca no ponto preciso trata--se de abrir de inaugurar de estabelecer um uma forma de pensar o ser como ser social plasmado na história e essa contribuição do
Marx permite simplesmente Superar as limitações do conhecimento que existiam até então que pegam pedaços do ser recortam pedaços do ser e procuram trabalhar com esses pedaços amputados e do ser social enquanto o Marx trata de fato de uma Totalidade em movimento em processo e que precisa portanto ser averiguada nessa totalidade então a principal obra sem sombra de dúvida é o capital obra incompleta Marx só escreveu ele escreveu tudo mas ele só publicou eh na vida dele o livro Um do Capital os livros dois e três foram organizados e finalizados pelo engels amigo camarada e companheiro
da vida inteira Mas se a obra Magna do Marx é o capital quase toda a obra do Marx é fundamental porque o capital é a Obra que concentra A Crítica da economia política do Marx ou em outros termos ele vai fazer a crítica de uma ciência limitada limitadora e amput do ser social que era a economia vai apresentar o processo em movimento processo social da existência do Capital ele não está fazendo uma economia ele tá fazendo uma análise de um processo sociohistórico conflitivo e cuja produção e reprodução é ampliada então ao lado dessa obra Magna
e é fundamental Lembrar os textos dos manuscritos econômico-filosóficos do Marx lá no começo da sua produção e uma sequência de textos eu não vou abrir aqui todos os textos vou apenas destacar alguns A trilogia dele analisando a política francesa analisando o processo das lutas de classe na França é uma trilogia fundamental que vem logo depois o primeiro texto escrito logo depois do Manifesto do Partido Comunista que ainda é um texto introdutório ao ao Marx é o Marxismo de primeira linha é um texto ainda de uma atualidade impressionante e ao lado desses textos Marx tem uma
obra muito muito grande muita coisa foi publicada na vida dele mas a maioria não foi publicada como os grundriss que são eram os rascunhos eh para para o capital então sim para um pouco e vou passar pro demia para ele comentar mais a obra Magna é sem dúvida o capital e no capital todos esses elementos de Política História antropologia processo Histórico conflito luta de classes reflexão sobre a totalidade tensões entre as classes dominantes e estado todas essas questões estão presentes no capital ainda que o foco central do Capital seja o próprio processo de produção e
reprodução a crítica do processo de produção e reprodução do Capital como relação social isso é como extração de mais valor e e complementando quer dizer nesse sentido o capital é o melhor Exemplo né de um Texto que mostra uma perspectiva de análise da realidade que que justamente transcendem aquela essas fronteiras disciplinares né uma primeira coisa a ser DIT sobre o capital é que não é um livro de Economia primeiro porque na época em que o Marx produz a crítica da economia política né eu vou falar um pouco sobre porque que chama crítica da economia política
a própria disciplina é que mais tarde vai se separar da reflexão política vai se chamar economia Simplesmente ou ciência ciência Econômica ela já tinha pensado por autores Como o próprio Adam Smith como uma ciência que não nega a dimensão política do processo de acumulação capitalista ou da criação da sociedade comercial que é assim que o Adam Smith fala sobre o tema quer dizer Não Há a possibilidade de pensar a economia como uma esfera totalmente apartada e muito menos como uma espécie de matemática Como vai ser a partir da economia Neoclássica do final do século XIX
Mas vamos lá por que que é uma crítica da economia política porque o Marx vai olhar paraa economia política clássica como uma forma de consciência burguesa e uma forma de consciência burguesa não de ele não diz isso de uma forma vulgar diz assim Ah isso aqui é simplesmente uma forma de consciência burguesa então é tudo mentira de jeito nenhum o Marx tem em alta conta o Adam Smith o David Ricardo né ou seja os grandes pensadores Da burguesia ele não olha para esses autores como autores que não tinham produzido conhecimento mas produziram conhecimento mas havia
uma certa limitação nesse conhecimento né ela enxerga esse problema e daí que a sua perspectiva seja da crítica da disciplina economia política porque de certo modo ela continua tendo seu grau de parcialidade não comparável ao grau de parcialidade que vai acontecer na disciplina economia com a chamada Revolução marginalista ou economia neoclássica eh pois bem Então nesse caso isso é é importante de ser dito por que que eu tô dizendo isso porque quando a gente vai ler o capital a gente encontra eh Chaves muito importantes por exemplo paraa história pra história do capitalismo embora o capital
não seja propriamente um livro de História ele tá impregnado de História porque uma das perspectivas da crítica da economia política do Marx é justamente observar Que o Adam Smith naturalizavam relações sociais eternas né o Ades Smith chega a dizer que a propensão ao comércio é como se fosse parte da natureza humana quer dizer ele tá mostrando que essas relações sociais que presidem a sociedade capitalista são específicas da sociabilidade capitalista que se a gente for estudar outras sociedades a gente vai ter que encontrar outras regras sociais então ao contrário de uma vulgata que existe para criticar
O Marxismo como se o Marxismo fosse assim um conjunto de regras com os quais os marxistas olham todas as sociedades não seja a principal objeto de reflexão do Marx é o capitalismo e quando a gente fori estudar o mundo feudal as sociedades por exemplo as sociedades que existiam eh antes do contato com os europeus aqui nas Américas né nem chamava Américas né a as formas de sociabilidade são outras então e esse é um dado importante agora falando um Pouco sobre as obras queria mencionar um pouco essa trilogia que a Virgínia falou de análise sobre a
sociedade francesa quer dizer o mais conhecido desses textos é o 18 Brumário de luí Bonaparte que é um texto onde o Marx Analisa um processo histórico que conduzia um golpe de estado ou seja o golpe de estado inclusive ele usa esse termo BR Mário metaforicamente né o 18 BR Mário original é o golpe do Napoleão Bonaparte lá em 1799 né que cria todo aquele novo momento da Revolução Francesa né encerra a revolução em certo sentido e que inaugura um novo momento que inclusive tem um momento militar né que a tentativa do Napoleão de expandir as
luzes ou a revolução pela Europa pela Via militar eh pois bem o golpe de 2 de Dezembro de 1851 né ele usa metafórica amente é 10 18 do brumar ou seja foi um outro golpe de estado perpetrado por um personagem que se dizia ser sobrinho do Napoleão né ele até ironiza um pouco Será que é verdade se não é mas isso é mero detalhe dessa obra e é uma obra produzida justamente quando aquela revolução de 1848 as esperanças que ela tinha despertado aquela situação específica tinha se encerrado próprio Marx se afasta da militância o Marx
foi sempre o militante mas digamos assim ele ficou uns 10 anos participar de uma organização política depois da derrota De de 1848 e a dissolução da liga dos comunistas é só depois com a associação internacional de trabalhadores que ele volta a carga e vai assumir tarefas militantes da militância direta né ele ficou uns 10 anos trabalhando como jornalista estudando no museu britânico né tudo que havia na biblioteca do museu britânico sobre eh a economia política ele teve acesso às obras Ele leu no original os caras e não só isso né só Leu sobre vários assuntos
né antes de escrever o 18 Brumário mar tinha escrito na imprensa da liga dos comunistas uma série de análise sobre a situação da luta de classe ali desde a revolução de 1848 até o momento em que a a vaga revolucionária o calor da revolução começa a refecer esses textos vão ser posteriormente editados pelo engels num livro ele chama de a luta de classe na França mas não é um livro que o Marx escreveu antes do pro Mário são um Conjunto de textos que ele escreveu né na nova Gazeta renana né uma revista que ele eh
dirigiu que são organizados ali pelo engels e publicados como livro Eles são muito interessantes né eles ajudam Inclusive a entender o 18 Brumário o 18 Brumário é um texto que a dificuldade é você conhecer o factual do processo ali de 1848 os personagens aos quais ele tá se referindo né então é necessário ter alguma literatura secundária ali para ajudar a entender esse texto e o Terceiro trabalho é justamente aquele dedicado à Comuna de Paris ou seja o evento histórico que encerra o que acontece após a queda do regime bonapartista inaugurado com golpe lá de 1851
né Ou seja é um regime do luí Bonaparte que na época era tratado como idiota mas que ficou quase 20 anos no poder né e ele ali tem as análises tanto da natureza desse regime quanto da natureza da Comuna de Paris ou seja do evento histórico da primeira experiência De governo proletário que ocorre justamente quando a burguesia francesa que acabava de ser derrotada pelo Bismark na guerra franco priona entrega Paris para os prussianos entrega Paris para os alemães e o proletariado de Paris decide resistir e defender a Paris revolucionária E aí é que tem essa
experiência Tão rica né onde Marx faz toda uma reflexão por exemplo sobre a questão do estado você seja tem várias questões fundamentais sobre qual é a Natureza do estado no mundo capitalista e ele vai fazer toda uma reflexão original né que vai Semear eh reflexões estão presentes na teoria crítica até hoje tem toda uma corrente importante da análise sobre o estado capitalista que parte desses textos mais políticos de análise política do Marx e do próprio capital porque o o o o estado não tá ausente no capital é mais um dado para entender que ou seja
embora ele não esteja o tempo inteiro falando sobre o Estado o estado tá ali presente né ele ele começa falando do Capital numa sociedade de produtores de mercadorias só que esses produtores de mercadorias eles são sujeitos de direito e quem taura o direito que permite que existam sujeitos livres que troquem mercadoria é o estado o estado é pressuposto desde o início do Capital isso é um ponto de partida de uma análise digamos materialista sobre a política sobre o estado sobre a natureza do do o estado Eh capitalista pois bem eu eu chamo atenção que ou
seja ele tem essa essa obra né onde ele no momento ele tá discutindo mais a filosofia criticando mais a filosofia regel da qual ele se considerava um herdeiro isso é importante ser dito né ou seja o Marx no prefácio da segunda edição do Capital ele ele ele se coloca claramente como um discípulo do Hegel ou seja ele ele se coloca como discípulo de um autor que ele criticou é isso para entender o Sentido da crítica A Crítica pro Marx não é simplesmente dizer isso aqui é porcaria descartar não serve para nada ele incorpora aquilo que
ele chama de núcleo racional daquele que ele tá criticando ele fez isso com Smith ele fez isso com o regg é óbvio que ele não fez isso com todo mundo ele sabe separar Quem são os Gigantes com os quais ele tá dialogando e recomendo fortemente O Manifesto Comunista também como a Virgínia eh colocou que é um panfleto é Importante situar a natureza da literatura né dessa obra é um panfleto né não texto com roda de nota de rodapé né Com referência bibliográfica não é o capital né mas é é um panfleto brilhante que tem grandes
reflexões ali eh sobre história inclusive E aí agora que eu acho que a gente tem um subsídio mínimo aqui pro pessoal que tá ouvindo aí agora eu acho que eu posso fazer de fato a pergunta afinal de contas O que é Marxismo o que uma pessoa ela tem que Fazer Ou tem que ser para se definir como tal como marxista né bom essa é uma boa pergunta porque essa é uma pergunta que a gente precisa responder todos os dias ela não tá não tá resolvida a priori Exatamente porque o a gente pode dizer em primeiro
lugar que tem o Marxismo de Marx e o Marxismo do engs e o Marxismo dos dois eh na sequência a gente tem uma série de lutadores revolucionários e intelectuais orgânicos revolucionários que avançaram para Inúmeras direções A reflexão eh do Marxismo inaugurando tradições diferentes então portanto a gente pode falar de marxismos em alguns casos eh tradições inclusive que vão se afastar do Marx e do engels enquanto outras tradições vão aprofundar eh o legado do Marx e engels e eu tô falando no caso dessa primeira tendência a a tendência estalinista ou os marxismos Mecanicistas economicistas ou mesmo
politicas que vão e que vão surgindo e que fazem parte de qualquer tradição Ampla de luta e de reflexão Então vamos voltar aqui pra questão Então a primeira primeiro fazendo um resuminho primeiro ponto eh ser marxista é estar aberto à crítica ao estudo e às Lutas essa é a primeira condição a meu juízo conhecer Marx é fundamental mas não é é o não é só o que define ser marxista tem gente que conhece pouco mar é mais marxista do Que outros que ficaram Estudando muito tempo e foram embora e não não se coligaram com a
concretude das contradições e das lutas de classe e dos conflitos sociais um segundo ponto importante é que o Marxismo não é uma religião não é um um catecismo que tem um credo eh ao qual a gente precise se referir tempo todo para garantir se estou na linha certa ou na linha errada como a gente já falou e o DM apresentou melhor eh paraas primeiras perguntas o Marxismo é a exigência de um certo tipo de conhecimento sobre o mundo e esse conhecimento é implicado ele não é um conhecimento que se faz de fora do mundo e
que olha pro mundo é a exigência de que o ser social possa produzir conhecimento das contradições nas quais ele próprio ou ela próprio está imerso ou imersa eh é o Marxismo é desse ponto de vista um gigantesco desafio cognitivo e militante deixa eu tentar explicar isso Um pouquinho mais é Um Desafio cognitivo Porque se o Marx abre balizas fundamentais que permitem a gente identificar os rumos que precisamos investigar né Oferece categorias valor mais valor capital trabalho classes sociais luta de classe totalidade etc S uma série de categorias fundamentais modo de produção essas categorias não resolvem
o problema na sequência porque cada período histórico tá imerso em contradições Amplificado ou modificadas e precisa por sua vez enfrentar a análise e a análise crítica do seu próprio processo histórico Então não é definitivamente uma religião a religião é uma obediência eu diria que o Marxismo é uma possibilidade e uma exigência e uma Audácia o Mário dyer falecido esse ano de covid ele tinha uma expressão que eu que eu gostava muito eu não sei se isso é uma citação de outro autor mas de que o Marxismo é uma plataforma de Pensamento e luta não basta
chegar na plataforma é preciso saltar você precisa escalar a plataforma é trabalhoso mas não é suficiente uma vez tendo incorporado as grandes questões incorporado as grandes lutas é preciso saltar no conhecimento e na luta Então acho que essa é a o primeiro o terceiro ponto da resposta Além disso eu diria que eh o Marxismo precisa Estar atento a alguns elementos primeiro é trata--se de capturar o movimento do Real a verdade Na sua historicidade constitutiva a não existe verdade absoluta não é religião mas existe verdade e e a verdade é exatamente a identificação do núcleo central
das contradições fundamentais da vida social e essas contradições são tanto econômicas como atingem todo o conjunto da vida social elas o Marxismo não é um economicismo não só não é uma economia mas também não é um economicismo e isso significa que Ele precisa levar em consideração a historicidade do Real a historicidade do ser social a vida a captura da vida concreta porque a vida concreta é uma um mix entre aquilo que a gente é e aquilo que a gente pensa que é portanto esse Mix que é o ser e a consciência precisam estar sempre trabalhados
a partir do do próprio ser do próprio ser social porque é só o próprio ser social que consegue analisar a sua consciência e adequação dessa consciência o ser social então Reparem que o Marxismo não é uma análise de uma objetividade descarnada é a análise do ser social histórico imerso em contradições mas capaz de identificar essas contradições e de inter ferir nelas e de ter papel nelas especialmente do ponto de vista da revolução no caso do capitalismo é a grande análise fundamental é de um lado a forma pelo qual o capital se multiplica e domina penetra
os poros da vida social e portanto como é que ele Precisa forjar cada vez mais trabalhadores e que tipo de trabalhadores tanto objetiva quanto subjetivamente e aí a gente tem uma sequência de autores marxistas para ajudar isso do Lenin a Rosa ao grams ao Trot todos TM e essa preocupação então portanto ser marxista é um desafio é uma escalada íngreme de conhecimento e de luta e é uma abertura não só pro conhecimento mas para a Sensibilidade para a capacidade de compreender o mundo no qual vivemos e de mostrar os processos verdadeiros das relações sociais e
como vocês entendem o legado de Marx para as revoluções do século XX especialmente século XX né eu pergunto isso porque tem um debate muito intenso de algumas claro isso depende de cada revolução cada regime mas existe um debate ali sobre que essas revoluções socialistas elas são processos de transição rumo a um socialismo mais eh By the book digamos assim né que ainda não são socialismos em um estágio final outros afirmam que são de fato regimes socialistas mas é um socialismo real é o que dá para fazer digamos assim outros afirmam que nenhum deles foram regimes
socialistas que são capitalismos de estado e aí eu queria perguntar para vocês Qual é a leitura de vocês sobre esse debate Não digo nem sobre cada caso porque são muitas revoluções mas sobre esse debate em torno da natureza do Socialismo nessas revoluções né então eu acho que eh primeiro importante na formulação da questão Você demonstrou e que de fato esse debate em curso as correntes das quais o Marxismo se dividem ela em muitos casos a divisão tem a ver com a avaliação desses processos históricos revolucionários do século XX isso tem a ver com a leitura
que cada um uma dessas correntes faz do que é o próprio Marxismo então Marxismo de fato ele tem uma é plural né no Sentido de que ele abriga diversas diversas correntes né que avaliam de forma distinta mas que lem Inclusive a própria obra do Marx de forma distinta e e que a partir dela observam esses processos esses processos históricos Então se a gente pegar o caso da Revolução Russa a revolução mais emblemática a gente vai ver que tem um sentido Evidente consciente daqueles que dirigiram o processo tô falando principalmente do partido bolchevique né Que vai
se tornar o partido comunista da da União Soviética de inicialmente pensar aquela revolução como um evento que desencadearia uma onda internacional revolucionária não é por acaso que o a primeira um das primeiras coisas que são criadas pela união soviética é a internacional comunista internacional comunista é criada em 1919 para organizar os partidos comunistas que estão justamente inspirados na Revolução Soviética Inclusive a criação de partidos de caráter Operário em países que não não existiu nem uma socialdemocracia prévia a gente pode pensar nos países que estavam submetidos ao imperialismo na situação Colonial toos enquanto por exemplo a
Internacional Socialista né que tá muito marcada pela socialdemocracia só dar um dado a Internacional Socialista é fundada em 1889 no Centenário da Revolução Francesa E juntou partidos Operários de vários países do mundo mas principalmente da Europa algumas organizações nos Estados Unidos e no caso da América Latina só na Argentina onde havia o partido socialista argentino que existe até hoje a internacional comunista ela foi um movimento que deu vida a partidos comunistas em todos os lugares do mundo na Índia na china onde não tem uma socialdemocracia prévia seja dado a dig assim o horizonte de expectativas
Alimentado por aqueles revolucionários inspirados no Marxismo de que a Revolução deve ser um processo internacional dado o fato que o capitalismo é internacional então para se construir uma nova forma de sociabilidade tem que se superar o capitalismo do ponto de vista da Internacional isso não quer dizer né que vai ser tipo a música do Raul Seixas né O Dia que a Terra parou e aí para tudo e aí vem o socialismo do dia seguinte é Até dig ass uma bela imagem mas não é exatamente isso né mas é um processo um processo eh internacional a
ver expectativa e esse e as revoluções fora do antigo Império kisara falharam fracassaram revolução alemã fracassou a Hungria teve um governo de 4 meses governo soviético que Inclusive era um governo de coalizão do Partido Comunista com o partido social-democrata Húngaro e na Itália a revolução não vingou né ou seja o biênio Rosso falhou e depois veio O fascismo né em outros países e a Revolução Chinesa que havia uma expectativa na Revolução Chinesa já naquele momento também vai vai ocorrer décadas depois então disso faz que algumas correntes marxistas interpretem que a o o caso soviético é
um caso de início de transição ao socialismo que por si só seria uma sociedade de transição ao comunismo que só poderia se realizar no plano internacional já que um digamos assim um elemento importante Do comunismo é justamente uma sociedade sem Estado já que o estado Como eu disse falando do capital do Marx é um pressuposto para a existência da lei do valor paraa existência do do mundo da circulação de mercadorias é um instituição em sua face moderna própria do mundo capitalismo ele deve ser superado e você não pode superar o estado na Argentina sem que
isso seja um movimento internacional porque o pessoal invade de mulão né se você acaba o Estado não cab Bom Essa é uma das polêmicas que temos com os queridos companheiros anarquistas né que eu respeito muito mas tem algumas polêmicas com eles né e tô talvez até aqui fazendo uma caricatura e aceito as críticas que eles vão me dirigir de bom grado e aceito debater com ele sempre mas de qualquer modo essa que esse que é o horizonte pois bem há a ideia né de que E essas sociedades foram sociedades que buscaram construir o socialismo Construiram
construir Essa sociedade de transição dado que a ideia de uma revolução internacional também não é a ideia de que vai ser tudo ao mesmo tempo né então é possível olhar pro Século XX e observar várias experiências que buscaram criar as condições para um triunfo internacional do socialismo E aí de fato Ou seja observar com uma certa generosidade vários desses processos o que eu acho que é muito longe do Marxismo é substituir uma crítica as Limitações desses processos que são várias substitui isso por uma celebração me parece que hoje tem muita força dado a situação política
horrível que a gente vive né de expansão internacional principalmente da Extrema direita do fascismo do neoliberalismo mais desumano é olhar e sempre buscar resgatar o de positivo que essas experiências trouxeram mas e não sou contra recuperar o que de positivo tem dessas experiências eu acho que é parte de um Balanço honesto mas escamotear e apagar as contradições e os problemas não é um procedimento que tem a ver com tirar a poesia do futuro como diria Marx sobre as revoluções proletárias Ou seja é necessário olhar criticamente para as experiências para todas as experiências E aí o
caso soviético o problema do estalinismo é um problema importante mas você vai ter problemas em vários processos revolucionários em alguns menos problemas que outros menos Problemas que outros Mas você vai ter eh problemas em várias dessas experiências hoje um debate importante na esquerda por exemplo é o caráter da China Será que a China é uma sociedade capitalista ou ainda é uma sociedade em transição a socialismo né alguns companheiros seguem basicamente reproduzindo aquilo que é o discurso oficial da China que me parece um problema né ou seja isso tem a ver também com a compreensão do
que é o Marxismo o Marxismo é uma visão crítica Sobre a sociedade e nesse sentido uma capa ade de se autocriticar ou é uma visão que substitui autocrítica pela celebração Então o que eu tenho a dizer sobre isso é isso né Eh quer dizer o as dissidências e no mundo socialista são o capítulo da história do século XX a China na Soviética entraram em conflito pesado a gente não vai entender o caso do Camboja que é um caso trágico e do popote se a gente não entender que naquele contexto a China e un Soviética Estavam
em Campos opostos a China fez acordo com os dos Estados Unidos contra a União Soviética acusando a União Soviética de ser social imperialista por exemplo é é parte das contradições do que foram essas experiências no século XX Camboja invadiu o Vietnã ou seja um país que teve cumprir um papel histórico de resistência ao imperialismo americano que derrotou o imperialismo americano e depois vai ser invadido pelo Camboja apoiado pela China né que por sua vez Estava do lado da dos Estados Unidos contra a União Soviética na África o caso de Angola é trágico Você tem o
principal movimento popular de libertação que é ligado à União Soviética que é o mpla que depois de conseguir a independência vai ter que se enfrentar com o movimento armado de setores apoiados pela China seja no momento que era de Reconstruir a própria sociedade angolana tendo que enfrentar contradições Armadas no interior do Próprio território quer dizer isso tudo é parte dos problemas que o socialismo enfrentou no século XX Então eu acho que minha opinião é essa que tem que se olhar criticamente para esses movimentos para esses processos e fazendo o balanço crítico deles conseguir apresentar a
perspectivas Para o Futuro perspectivas para o futuro porque eu acho que isso que infelizmente a gente vive no mundo que o a revolução socialista saiu do Horizonte de expectativas Isso não é uma Boa notícia Isso é uma péssima notícia Isso é uma notícia terrível Por que que a gente tempo inteiro em processos eleitorais a gente fica rebaixando nossos horizontes e fica aceitando a socialdemocracia mais Meia Boca mais pouco reformista porque parece que ou é isso ou é o fascismo ou é o o neoliberalismo radical é o capitalismo Bárbaro quer dizer às vezes esses cálculos eles
podem ter ter o seu grau de realismo e o grau de Realismo tem a Ver com olhar para uma derrota histórica aprender com ela para poder fazer com que esse projeto possa ser reconstruído e tem a capacidade de capturar as expectativas de grandes massas Como foi no século XX só vou terminar com uma seguinte reflexão na década de 60 isso é uma coisa que o Frederick James eh lembrou em 1991 quando a União Soviética acabou Ele falou o seguinte na década de 60 não se sabia como seria o futuro se o futuro seria um capitalismo
burocrático Se seria o socialismo e mesmo o socialismo não era só um projeto que tava em questão até pelas disputas dentro do campo socialista eram vários socialismos que estavam colocados no horizonte Cuba mesmo não tinha se definido ainda por apoiar a União Soviética Cuba tava tentando sobreviver e buscar estabelecer relações tanto com a China quanto a unão Soviética né o Guevara Ministro da Fazenda para discutir planificação Econômica eles Eles discutiu com o Charles beten High que era um economista marxista maoísta e com Ernesto Mandel que era um trotskista ele tava aberto a pensar o processo
de transição socialismo E dialogar com o que havia no campo de ideas marxistas ou seja por isso que é errado quando a gente simplesmente celebra o passado a gente esconde essas contradições e a riqueza que elas trouxeram porque em cada processo dele tem lições daquilo que deu certo aquele que deu errado né Então eu penso desse modo bom o Demian já praticamente fez um painel histórico do século XXX eu vou voltar pra questão do legado enfatizando isso que o Demian já falou são processos históricos peculiares cada uma das revoluções se deu num contexto Nacional diferente
num contexto histórico peculiar com classes sociais diferentes e todas elas ficaram eh acantonadas em estados nacionais O que traz uma série de dificuldades e de Complexidade são todas experiências revolucionárias maravilhosas Mas isso não significa que a construção posterior seja nem fácil nem esteja dada nem tenha desdobramentos que uns gostariam outros não gostaria e a gente tem de ter essa leitura crítica mas ainda porque Marx nunca disse o que deveria o que seria o socialismo nem como seria o socialismo Marx era extremamente cauteloso A esse respeito o que o Marx assinala incessantemente é o que é
necessário Superar para chegar lá eh Então desse ponto de vista Marx não resolve o que é o Socialismo mas sem Marx você não tem como analisar as experiências históricas tanto do Capital capitalistas quanto socialistas e de fato nós temos hoje e na análise que a gente faz vou falar hoje dos países pós revolucionários né Eh todos que passaram processos revolucionários a gente tem de levar em conta principalmente no século XXI que a escala do capitalismo não tem comparação Com o tempo de Marx mas o legado do continua apto a fazer tanto a crítica do Capital
quanto a fornecer os elementos críticos para os processos históricos concretos revolucionários que enfrentam uma sequência enorme de dificuldades e de problemas que podem ter acertos ou erros ou mais erros do que acertos ou mais acertos que é mas tem de ser eh analisados no contexto de processos revolucionários que ficaram isolados em espaços nacionais mesmo a China que é um País com 1 bilhão 400 milhões de habitantes ainda assim é um país contido né é a a Revolução Chinesa tá contida nas fronteiras eh do país China Então é só isso que eu queria acrescentar lembrar que
Marx coloca os problemas anuncia problemas que ten de superar mas nunca deu nenhum modelo nenhuma solução porque ele sabe que se trata de um processo histórico de lutas de massas e de lutas Internacionais como Demian já frisou bem e dois sem Marx a gente perde elementos fundamentais para pensar essas contradições que se colocam que não estavam presentes no tempo do Marx então o legado do Marx segue fundamental pras próximas revoluções para analisar as revoluções e para fazer a crítica eh da sociedade capitalista você está ouvindo o história FM nesse bloco eu queria focar um pouco
mais em discutir alguns conceitos Algumas categorias que são e importantes dentro do Marxismo porque elas tão eh Vira e Mexe inseridas em trabalhos em análises marxistas né sobre a realidade a história enfim e o principal método de análise do Marxismo seria o materialismo histórico dialético e não é uma coisa só da história né do Marxismo como algo multidisciplinar e que é usado em diferentes áreas da ciências humanas e tal e aí eu queria pedir para vocês explicarem pra gente o que que é Materialismo histórico dialético e saber se Vocês poderiam dar um exemplo assim ou
talvez de alguma pesquisa que vocês fizeram ou alguma pesquisa clássica de algum autor marxista algum trabalho que vocês leram que usa esse método materialista para pra gente ter um exemplo mais concreto de como é que ele funciona na prática né que que a gente pode falar disso eu brinco até porque nos projetos que eu oriento normalmente Eu evito colocar essa frase método Materialismo histórico dialético porque eu acho ela muito pretenciosa é maravilhoso mas mas é pretencioso e nem sempre a gente alcança o conjunto dos elementos que esse método fornece e muito menos a gente tem
a capacidade de responder ao conjunto dos Desafios que isso aí coloca então primeiro eu vou colocar os desafios e pra gente entender e depois dizer que é muito difícil e eu acho que se o próprio Marx fosse submetido ao que ele abre Como Possibilidade é é é ele muitas vezes não não conseguiu fazer coisas que ele prometeu ele não conseguiu chegar ao final do seu projeto né de projeto de vida de pesquisa porque Vamos por partes né Vamos pegar o materialismo histórico dialético eles não se separam então a ideia do materialismo não é uma análise
na qual a consciência está ausente ou o ser como ser pensante está ausente e o materialismo é pensar o ser concretamente é pensar que o pensamento Existe imerso nos seres sociais que andam perambulam produzem a existência etc e que é portanto a partir desses seres sociais concretos que a gente pode compreender a sua dinâmica e a sua própria capacidade reflexiva ou em outros termos a sua consciência então não tem nada a ver com a ideia de que a gente tá falando de uma vai pegar número é isso que eu tô tentando mostrar um dos conceitos
mais importantes é modo de produção acho que você depois vai fazer Essa pergunta mas o modo de produção é um modo de ser social não é simplesmente uma maneira de produzir é um modo de ser então ele é histórico porque ele tem de estar pensado não apenas em grandes pacotes históricos Mas também essa é uma contribuição formidável do Marx que permite olhar pro conjunto junto do processo histórico e verificar que elementos determinantes configuram digamos uma unidade uma totalidade histórica que Pode ser analisada eh com os seus principais traços por exemplo o feudalismo ou escravismo ou
capitalismo ou os os modos de produção comunitários etc quer dizer exatamente pegar os os nervos cruciais para pensar essa totalidade mas lembrar que essa totalidade é histórica nela própria e ela é histórica no conjunto do processo será que fica claro isso ela é histórica nenhuma sociedade é parada no tempo nem mesmo aquelas que se reproduziram Durante milênios com pouquíssimas alterações todas essas sociedades envolvem processos de mudança envolvem processos de transformação interna que em alguns casos podem levar a transformação Total daquela sociedade ou em outros podem ser incorporados e trazem alterações àquela sociedade sem que ela
se modifique por inteiro Então esse digamos é a historicidade constitutiva de cada momento mas ao Mesmo tempo quando a gente olha de um determin histórico a gente também tem de pensar como sociedades transitaram de uma forma para outra como houve essas mudanças que nem sempre eram compreensíveis para os que viviam naquele momento como anunciadores de um novo período que só podem ser compreendidas plenamente depois posteriormente então o Marx abre uma possibilidade enorme de análise da transições das formas de mudança Histórica que são muito complexas não tem uma fórmula e que resolva e é dialético eh
não porque a dialética seja uma cereja de bolo para enfeitar isso daqui mas porque a grande contribuição da dialética nesse caso é pensar as contradições internas que em cada momento tensionam alteram friccionam Essa sociedade seja na direção da sua perpetuação e continuidade seja na direção da Incorporação de elementos de alguns elementos novos seja que abrem abrem caminho para transformações que podem ser boas ou má porque o processo histórico não é um avanço em direção ao melhor dos mundos o processo histórico e aí o Marx quando Marx pensa o desenvolvimento das forças produtivas ele mostra que
o desenvolvimento das forças produtivas a capacidade produtiva que historicamente se expande não é necessariamente o melhor paraa maioria Da população então é que haja uma evolução histórica não é equivalente a pensar que fomos do pior para o melhor eh e essa é uma coisa muito importante porque os os historiadores tendem muitas vezes a negar as as características da história para se preservarem de alguma coisa que é se enxergarem nesse mundo então é o a exigência do materialismo histórico e dialético é portanto nos pensarmos como Seres sociais concretos mergulhados no tempo e na historicidade não somos
idênticos se somos seres de natureza também nós temos uma segunda natureza social e essa segunda natureza social é histórica e ademais Nós não somos seres lisos nós somos seres contraditórios e essa contradição não emerge só da nossa consciência ela emerge das condições materiais concretas efetivas da vida social então por isso eu não vou dar ex exemplo de nenhum livro embora existam Milhares de livros porque nenhum livro vai responder a todas essas exigências Mas se você quiser pegar por exemplo morce doob tem um livro que é lindíssimo e para pensar esse processo de transição pro capitalismo
chama evolução do capitalismo ou se pegar alguns você pode discordar ou concordar com as hipóteses dele não é um Historiador ele não tá fazendo não é uma divindade cuspindo e uma verdade Final mas são trabalhos que vão ter a fineza de conectar e tem autores não marxistas que fazem trabalhos maravilhosos que são materialistas históricos e dialéticos ainda que eles não sejam marxistas Como o próprio Darwin cujo é materialista é histórico e é dialético completamente Então e o não é simplesmente uma questão de método como técnica de pesquisa é uma questão de teoria ontológica do cculo
Social e responder a esse desafio não é tentar responder a tudo mas a pensar aquilo que a gente pesquisa à luz sua materialidade da sua historicidade das suas contradições eu acho que é é o caminho é o primeiro caminho pra gente pensar nisso então eu acredito assim que a gente vai encontrar trabalhos historiográficos inspirados no Marxismo né trabalhos de historiografia Marc vários E aí a gente pode dar um exemplo vou pegar aqui o exemplo do Thomson né Formação da Class superara na Inglaterra ou seja ele tá estudando um processo extremamente contraditório que é a formação
da classe Operária no contexto da primeira revolução industrial inclusive ele tá inserido o Eduard Tom tá inserido num Grande debate do século XX sobre a questão do padrão de vida da classe trabalhadora inglesa durante a Revolução Industrial né porque você tem toda uma historiografia conservadora no século XX que vai tentar Dizer que toda aquela literatura eh do XIX que apresentou a Revolução Industrial como a catástrofe era toda uma literatura dos Inimigos da industrialização O que é bastante curioso né porque um dos primeiros trabalhos Inclusive a cunhar o termo Revolução Industrial é o livro do engels
a situação da classe operária na Inglaterra e pô dizer que o Marxismo é contra Revolução Industrial é tipo é muita forçação de barra né Tipo o Marxismo já foi acusado do contrário de ter uma visão meio que os marxistas não engels nem muito menos o Marx né uma visão certamente AC crítica sobre a industrialização que a gente pode encontrar em alguns cenários mas o que que é por exemplo Qual é a conclusão que o Thomson chega no final sobre o que é o padrão de vida da classe superá inglesa ele mostra que tem um primeiro
momento que de fato é uma catástrofe de onde uma classe trabalhadora que tem origem Rural Ela perde padrão de vida modificações brutais por exemplo nas nos seus hábitos alimentares o hesb também se insere nesse debate mostra por exemplo o que é que significa trocar o pão pela batata como a classe operária essa classe operária informação percebe isso como uma dação das suas condições de vida entretanto ela só se forma para o o o Thomson na política porque tem a ver justamente com o movimento da reforma de 1832 que é um movimento que a classe Operária
se Alia à burguesia industrial para revindicar a ampliação do direito ao voto e no final das contas só quem consegue ampliação do direito ao voto é a burguesia industrial e a classe operária é tipo participa e e perde né a experiência da derrota é da formação da consciência da classe operária Isso é uma aula de dialética e olha que eu já vi alguns pretensos especialistas em Thomson no Brasil que dizer que a formação da apca Operária na Inglaterra Do do do Thomson era uma refutação da historiografia marxista o cara conseguiu E aí você percebe que
o cara na verdade não conhece né não conhece nem o Marxismo nem historiografia marxista e provavelmente não entendeu a tese do Thompson é tipo assim me parece e e sem falar que o Thomson o tempo inteiro se refere ao capital durante o trabalho como referência daquilo que ele tá falando ele certamente não se dedicou anos da vida à leitura do Capital eu fiz Isso na minha vida já boa parte do tempo a Virgínia também já tive vários grupos de estudos mas ele teve uma experiência de militante comunista onde determinados conceitos são compartilhados naquela comunidade então
às vezes o cara não sustentou a bunda e Leu o capital inteiro mas ele aprendeu uma série de conceitos por isso né pela socialização de uma cultura que é a cultura comunista né da qual fazia parte grandes leitores do Capital que estão presentes nesse Grupo de historiadores que ele fez parte então para mim é como são os trabalhos do rsb sobre a classe operária na Inglaterra outros trabalhos importantes é a apresentação né de uma visão materialista histórico dialética é essa visão que tá presente aí e eu concordo também bom aqui no Brasil eu posso citar
alguns grandes historiadores Inclusive a própria Virgínia para falar da dessa questão do uso né mas vai ficar aparecendo aqui que eu tô puxando o saco E tal então deixa para lá né mas eu concordo também com a ideia que a Virginia expos no final de que a gente vai encontrar autores que não necessariamente se colocam como marxistas mas que realizaram trabalhos científicos que a gente não teria nenhum problema de inserir nessa chave eu posso citar aqui o Marcel Moss grande sociólogo francês que por exemplo estudou ele pegou os trabalhos de etnografia do malinovski e estudou
eh Sociedades que não funcionam na lógica do mundo da mercadoria pô e buscou aprender naquela sociedade outras normas de sociabilidade que não são aquelas do capitalismo e são outras a gente pode falar do cpol também que escreve um livro maravilhoso a grande transformação que em certo sentido fazia parte ele faz parte de uma corrente socialista que tá disputando inclusive com o Marxismo maior influência ele se distancia tal mas o que ele realiza do Ponto de vista científico não consigo pensar em outro termo senão materialismo histórico dialético Então acho que talvez a gente pensar desse modo
seja mais frutífera né o Pierre vilá O Grande Historiador francês especialista na Espanha dizia isso né a pretensão dos marxistas na disputa do campo deve ser muito mais chegasse ao ponto de que não exista mais essa necessidade de colocar na lapela sou Historiador marxista Talvez ele não Tenha visto alguns desenvolvimentos um pouco estúpidos né mas com algumas bizarras que surgiram depois que ele escreveu isso mas tudo bem né mas eu penso desse modo né penso que que eu concordo com essa com essa ideia de que além A gente pode encontrar realizações que podem ser incorporadas
essa chave tanto no âmbito de historiadores propriamente marxistas como não né cientistas sociais não necessariamente marxistas mas que realizaram grandes Monumentos ao conhecimento como são esses autores em outros termos Dean e fazendo a síntese para ser uma ciência verdadeira ela precisa ser Mater realista ela precisa ser histórica e ela precisa ser dialética seja marxista seja de origem marxista ou não ser marxista não garante que a gente consiga mas uma verdadeira ciência precisa eh dessas características e aproveitando essa proposta de a gente falar de algumas categorias alguns conceitos que são Caros ao Marxismo eu queria perguntar
para vocês sobre a ideia de luta de classe porque esse é um conceito que ele nas redes sociais etc ele é muito vulgarizado por uma retórica por uma ideia de que a ideia de luta de classe é propagar a desunião de uma nação ou algo do tipo né aquela que nem aquela vulgaridade de que ah não se pensava nisso e naquilo aí hoje em dia todos se contra toou sabe é uma uma vulgarização é relativamente comum então eu gostaria Que vocês explicassem pra gente o qual é o conceito de lut de classe o que que
ele quer dizer na prática né bom vou começar lembrando um belíssimo vídeo que o IES produziu H alguns anos sobre o conceito de fascismo é um dos melhores materiais que tem no YouTube sobre o assunto ele F Eu já falei isso para ele ele não precisa nem ficar envergonhado Obrigado Tem uma parte que ele fala da componente populista que tá presente no fascismo principalmente no fascismo Antes de chegar no poder e aí fala do populismo de direita que justamente prega esse discurso né como se por exemplo a ideia de que a esquerda quer dividir a
sociedade entre pobres e ricos homens e mulheres brancos e negros como se os movimentos sociais que lutam contra a a exploração de classe que luta contra o racismo contra o machismo fosse esses movimentos que criassem as divisões como as divisões não fossem estruturais isso é é É nesse ponto que a Direita faz a festa nesse discurso mas vejam bem o Marx e engels no prefácio das edição do Manifesto Comunista de 1872 eles se eu não me engano Esse presso é só do Marx esse conceito de luta de classe ele vem da historiografia burguesa da Revolução
Francesa Rob B fala isso também no ecos da Marcela a consciência de que a sociedade se divide em classe está na riqueza das Nações do AD Smith no Capítulo 8 do Livro 1 sobre os salários o AD Smith Fala os interesses de trabalhadores e patrões são diferentes e os patrões se organizam para baixar o salário L Smith fala isso o que o Marx e o Eng e o socialistas de forma geral vão fazer é aprofundar a aplicação dessa noção no entendimento da dinâmica da sociedade capitalista Ou seja a historiografia burguesa Liberal tradicional lá do século
XIX da Revolução Francesa entendia que a Revolução Francesa era um evento da luta de classe isso tá no Toqueville para citar aqui um autor Liberal conservador Tá no toqueville tá no Tier tá no Guizo nos caras que foram o primeiro-ministro lá na França falam de luta de classes para falar da revolução burguesa que os socialistas fazem a falar da de CL para falar da disputa da burguesia com o proletariado pô e que é ou seja não é uma coisa que os socialistas inventam é Como diria o dur um fato social você percebe isso nas sociedades
sociedades capitalistas mesmo Sociedade não capitalista entende a dinâmica dessas sociedades a partir da chave da luta de classe você não pode reduzir a dinâmica da sociedade ideia da luta de classe e muito menos tem uma visão caricata sobre as classes as classes não são dois blocos homogêneos que vão eh fazer uma briga na rua as classes são diversas elas são compostas por diversas frações né por isso que as representações das classes sociais geralmente são diversas também 18 Brumário do luí Bonaparte que a gente citou aqui como exemplo de trabalho do Marx o Marx dedica boa
parte do livro a falar das frações da classe dominante na França São várias tem Unos que são ligados a uma casa ginástica dos Orleães outro ligado os legitimistas né que são ligados a à restauração dos borbones os outros são republicanos estão mais ligados a à burguesin industriais o próprio proletariado não é unívoco né então quando se fal daa de classe tá Falando de de um processo muito complexo e que E como diria o Thomson né muitas vezes é o próprio conflito Thomson e Helen Wood depois traduzindo isso assim é a luta de classe que cria
as próprias classes sociais é a disputa entre elas é o conflito entre elas é a experiência dessa vivência de pontos de de vistas diferentes mesmo que produz elas próprias eu acabei de falar aqui do da conclusão seja Quando é que a Class Operária inglesa tá formada segundo Thomson quando ela é derrotada quando a experiência dela de aliança com a burguesia industrial leva ela derrota e a ela tem uma consciência de que de fato ela tem interesses diferentes a consciência de classe vem da derrota dela nesse caso não quer dizer que é sempre assim tá eu
tô falando desse caso histórico A partir da pesquisa dele então é importante situar isso ou seja que isso não é uma coisa que os socialistas inventaram mas obviamente Socialistas não vão abr mão disso eu queria complementar um pouquinho de novo vou pescar um autor não marxista que faz uma definição excelente que é o Pierre burdi naquele texto dele o campo científico e que ele diz que a Sociologia as Ciências Sociais estão divididas entre uma parte que nega que a sociedade tenha divisões e uma parte que afirma que a sociedade tem a divisões então eh e
que portanto e aqui nega que exista divisões É supõe uma natureza humana homogênea líquida e e aqui tem divisões tá tentando mostrar que essa divisão que existe na sociedade também divide em Ciências Sociais Então eu acho que essa explicação é absolutamente genial do Pier burd e queria acrescentar só ao comentário do dem o seguinte que as classes a identificação precisa e física das classes sociais é um sonho de tipo positivista isso não é Marx eh A grande questão do Marx é como Funciona esse elemento crucial Que estrutura a sociedade capitalista que é a reprodução do
Capital porque capital ninguém nunca pegou em capital capital empír ente é dinheiro num processo eh e Qual processo processo de extração de mais valor e é em torno da centralização e concentração de dinheiro da sua conversão em capital isso é em forma de extrair sobretrabalho que se organizam as classes e essa organização das classes é sempre móvel ela tá sempre Exasperados que suscitam reaç as mais diversas e tá sempre procurando negar que essas contradições que surgiram tenham origem em alguma divisão então para simplificar a dinâmica da dominação de classes é negar a existência de classes
porque o estado unifica as classes dominantes e a dinâmica dos setores populares é exatamente demonstrar quebrar esse vidro que torna opaca a Percepção da sua própria vida é uma luta permanente se nós olharmos no século XX especialmente a gente vai ver que as classes dominantes no cenário nacional e no cenário internacional estão organizadas para a luta contra os trabalhadores e o Brasil talvez é o mais brutal desse processo especialmente após 2016 e o golpe de estado mas antes é a gente já tinha elementos não vamos entrar aqui em detalhes e eh então Portanto as classes
dominantes estão organizadas não apenas eh para lutar no sentido de se apoderar dos recursos do trabalho e dos recursos públicos mas também para impedir que os outros setores populares se organizem para lutar então é fascinante quando a gente começa a trabalhar a partir da centralidade da luta de classes mesmo sem ter a dimensão precisa o tamanho quem é quem se pensa a gente vai vendo como emergem lutas e Como essas lutas tendem a ser tampadas seja pela violência seja pelo deslocamento das classes dominantes tem uma tese que já já foi publicada maravilhosa do Marcos Pestana
sobre eh a atuação das organizações populares e das organizações empresariais ele coloca essas duas coisas em paralelo e mostra É no período nas lutas das favelas no Rio de Janeiro essa tese merece serida tem inúmeros trabalhos ó Lógico o meu Próprio trabalho faz isso eh procura mostrar como emergem as lutas populares e como as classes dominantes se organizam para lutar a luta de classes não é um atributo unicamente das classes subalternas das classes dominadas a luta de classes existe porque os dominantes precisam sufocar as possibilidades que emergem naquela sociedade e precisam impedir que essas que
as contradições que a grande maioria sofre se convertam em possibilidades de Uma transformação substantivo Então eu acho que é uma categoria maravilhosa que permite ao Historiador sem entrar em reducionismos abranger um enorme escopo de lutas sociais e perceber como essas lutas tem dois lados e aí aproveitando assunto da questão de classe eu queria perguntar sobre o conceito de alienação porque no léxico comum do dia a dia normalmente se usa o termo alienação quase como um sinônimo de ignorância uma pessoa que é alienada porque ela é Ignorante porque ela é manipulada por algo ou por alguém
e no mundo do trabalho e na análise marxista a ideia de alienação ela tá ligada a uma questão da da produção mesmo né do mundo do trabalho do trabalhador ser alienado daquilo que produz etc e isso se conecta também com a discussão da mais valia ou mais valor então queria pedir para vocês explicarem pra gente o que que é a ideia de alienação no Marxismo e essa coisa da Mais valia né bom eh a gente percebe foi Muito boa a forma que você formulou a questão iis porque existe um senso comum que é reproduzido inclusive
por gente pretensamente tá achando que é marxista que no final é meio cantiano né que é tipo alienado é o que não tem a consciência e para ter a consciência basta o quê se ilustrar né No final das contas é isso enquanto que para o análise marxista né análise do Marx que tá lá nos manuscritos econômicos e filosóficos e como você pontou muito bem Tá na base do que depois no capital vai aparecer como a dinâmica da produção do mais valor essa dinâmica ela não é resolvida num plano individual ou seja para dizer as coisas
como são o Marx ao escrever sobre alienação e mais tarde sobre mais valia ele fala Inclusive tem um momento que ele fala isso seja mesmo eu escrevendo sobre isso sabendo tudo como é que funciona se ele for trabalhar numa fábrica ele vai produzir mais valor ele tá inserido na dinâmica da alienação Da sociedade capitalista ou seja não é uma coisa que você vai superar porque Ah agora eu conheci o Marxismo e eu sei como essa jossa funciona e agora não sou mais alienado porque essa visão mais vulgar de alienação que aparece como alienação política né
a pessoa que não Se informa tal não é sobre isso que debate marxista sobre alienação tá pautado né Tem um livro maravilhoso do mesaros né sobre a teoria marxista da alienação que é recomendo bastante né Ele aprofunda isso inclusive ele no início ele vai comparando as teorias da alienação fala até da teoria Cristã como é que essa noção de aliação vai aparecer na filosofia alemã até chegar no no no Marx nos manuscritos né é um processo complexo tá Para Além de decisões individuais que pretensamente possam superar essa essa coisa ou seja no final das contas
a superação da alienação tal como é apresentado pelo Marx só é possível na Construção de uma nova sociabilidade no interior do capitalismo todo mundo vai est alienado também inclusive os que estudam isso os que estudam isso os que militam contra o capitalismo certo os mais revolucionários mais combativos eles não estão eh soltos né ou apartados da de uma realidade da qual a ali nação é uma uma uma uma das estruturações dessa dessa mesma realidade é isso que eu teria para dizer só para complementar exatamente isso que o o Demian colocou Complementando tem um aspecto interessante
lá no começo né a gente comentou que o Marxismo não é simplesmente um ser de natureza né é um ser de natureza histórico e social e que essa historicidade essa sociedade são segundas peles viver numa sociedade capitalista é ter uma segunda pele que nos constitui então a alienação na sociedade capitalista assim como o fetiche da mercadoria são elementos que se reproduzem permanentemente nessa Sociedade como quase como um elemento constitutivo desses seres sociais é claro que a gente pode ser mais crítico ou menos crítico ou ter uma visão crítica e reduzir portanto eh a capacidade dessa
segunda pele de nos encolher de funcionar como o espartilho abrindo espaços de Liberdade ainda que dentro da sociedade capitalista ou simplesmente se acomodar a esse encolhimento que essa segunda pele constitui Mas é uma luta Permanente porque essa sociedade segrega esse tipo de segunda pele no de ano além disso a gente falou da luta de classes antes a luta das classes dominantes contra as massas populares É no sentido de impedir que enxerguem essa segunda pe E aí não só é o funcionamento cotidiano banal e regular do processo de trabalho e do mercado mas é também uma
atuação intencional das burguesias e dois estados no sentido de impedir essas brechas de liberdade que permitiriam uma Metamorfose da vida social uma verdadeira revolução que é uma metamorfose da vida social e isso é muito claro quando a gente vê por exemplo que as burguesias procurem usar as palavras das lutas dos trabalhadores contra os trabalhadores vou dar um exemplo bem atual eh ano passado principalmente a TV Globo botou todas as semanas um negócio chamado solidariedade S na na televisão procurando mostrar como os empresários São bons são generosos e são filantrópicos porque estavam doando recursos para a
população necessitada e só esquecia de dizer que primeiro em boa parte eles estavam retir and recursos do SUS em plena pandemia colocando seus Trabalhadores em risco indo lá falar com Jair bolsonaro ho genocida para que ele liberasse que os trabalhadores seguissem trabalhando e que eh estavam muitas vezes fazendo ações mínimas mas é micro ali pro seu grupinho E fazendo propaganda como se fosse Aquilo não é solidariedade aquilo é esola e esola interessada então é muito grave muito sério mas a gente aí consegue enxergar como o desenho da luta de classes se coliga com a alienação
quando eles apresentam aquilo como solidariedade E aí eu queria perguntar para vocês para terminar esse bloco dois sobre o conceito de Praxis que é um conceito muito importante que extrapola inclusive o debate acadêmico dos estudos Marxistas e e enfim não acho que não preciso nem formular demais essa pergunta porque ela é bem direta né Afinal de contas o que que é a Praxis e qual é a importância dela pro Marxismo como corrente de pensamento etc bom é um conceito Central não é um conceito eu atualmente Uso mais o termo categoria do que conceito embora eles
sejam sinônimos quando a gente pensa em termos de categoria A gente tem a tendência a pensar uma coisa mais plástica e mais Dinâmica e quando pensa conceito tende a pensar mais uma ferramenta e o no Marx não são ferramentas embora possam ser usadas como ferramentas são formas de pensar bom o o ser social ele não é uma coisa nem é um fato o ser social é uma Praxis ele é sempre uma forma de de ser e agir no mundo o trabalho que é uma categoria fundamental na reflexão marxiana é uma prática transformadora é uma Praxis
Fundamental para o ser social todas quando a gente vai pensar a gente falou lá né o materialismo histórico dialético a gente pensou a gente usou a expressão processo e historicidade processos são formas de Praxis social desse sentido o Marxismo não tá pensando numa prática como uma prática de laboratório mas tá pensando na Praxis como essa forma da intervenção social do ser social e no caso específico do Revolucionário ou da da reflexão sobre a revolução o que se trata não é apenas de explicar o que é o mundo mas de fornecer de pensar junto os elementos
para transformar esse mundo então nesse sentido a Praxis tá presente tanto na reflexão quanto na intervenção prática que pode ser de diversas ordens não sei se eu tô sendo bem clara a Praxis não é uma prática de laboratório A Praxis é a correlação entre o ser e a Atividade sendo essa correlação entre o ser social e a atividade pensar sobre o processo histórico é também pensar sobre as formas da sua transformação e já nesse sentido envolve uma certa Praxis envolve Como diria o Fontana um projeto político naquele livro formidável e do José Fontana como é
que é o título do livro depois da vai lembrar eh história e projeto social que é um livro maravilhoso Lógico que não basta essa Praxis estar no plano intelectual ela precisa também estar no plano organizativo no plano do enfrentamento no plano estratégico no plano da socialização do conhecimento então tem uma série de elementos em que essa Praxis vai se expressar o o fundamental a meu juízo da prax no Marxismo tem um debate filosófico enorme em torno disso não dá nem para aflorar isso aqui eh o fundamental para mim é que todos os historiadores saibam se
a gente tá Falando para historiadores que quando eles analisam o passado mesmo que eles não queiram eles estão também analisando o presente e dizendo é possível haver outro mundo ou não e isso integra a Praxis do historiador agora a gente tá começando a dar um exemplo que talvez permita a gente entender o que é uma práxis lógico se esse Historiador normalmente acredita que não há futuro possível que não há alternativa em geral ele tem uma atuação prática condizente e Se espera dos marxistas ou dos revolucionários que a sua atuação prática corresponda à sua Praxis e
que por tanto esteja sempre no campo da Luta dos dominados dos oprimidos no sentido de uma democratização ampla no sentido da abertura de processos [Música] revolucionários se você quiser colaborar com o história FM você pode fazer isso via pix usando a chave leitura obrigahistória @gmail.com e assim você colabora para manter esse projeto Educacional gratuito no [Música] ar eh dentro do Marxismo dos debates marxistas uma disputa ali um havia uma discussão em torno dos conceitos de infraestrutura e superestrutura e diz respeito a questão da economia da cultura e aí você tem um debate entre galera que
é considerada economicista Defendendo a hegemonia da infraestrutura outras pessoas trazendo uma importância para superestrutura que supostamente não era dada no passado e aí entra eu acho que dá para entrar nessa discussão a ideia de hegemonia de granch né de a ideia de disputar hegemonia no campo público etc Então eu queria pedir para vocês explicarem pro pessoal que tá ouvindo o que que é essa coisa de infraestrutura superestrutura E por que que se fala em hegemonia do Marxismo e Disputa por hegemonia certo então importante situar que são dois debates que estão relacionados né mas eles falar
um pouco de uma coisa de outra primeira essa metáfora da superestrutura primeiro uma coisa por exemplo há uma na tradição da historiografia marxista de língua inglesa e aí tanto os ingleses como por exemplo Helen Wood uma certa posição que rejeita essa metáfora que é uma metáfora arquitetônica que é que tem basicamente duas ocorrências na obra do Mar Né na obra digamos assim a obra publicada os livros né então a ideia de superestrutura aparece uma vez dos out Brumário mas aparece num texto que de fato ele tem uma grande importância na história do do Marxismo que
é o prefácio da contribuição da crítica da economia política é um texto de 1859 ele é tão importante que na literatura marxista geralmente a gente se refere a esse texto é como prefácio de 59 inclusive no no no gramis nos cadernos do cárcere Prefácio de 59 todo mundo já sabe do que que tá falando sabe enfim tal digamos a importância que esse texto tem esse texto por exemplo na geração do grish ele é mais importante que a ideologia alemã porque foi um texto que foi publicado nos anos 30 o grish nem teve acesso aliás boa
parte dos marxistas e importantes que são grandes referências pra gente até hoje como Trotsky a ros o Len o gram não leram a ideologia alemã por exemplo que só vai ser publicado nos Anos 30 que vai ler o lucax que vai só vai morrer em 1971 né pois bem é uma metáfora Mas ela deu lugar a muitas leituras mecanicistas segundo as quais o Marxismo poderia ser sintetizado pela ideia de que a economia determina todas as esferas da sociabilidade existe algumas interpretações tão mecanicistas e chega ao ponto de dizer que a verdade a realidade é a
economia e tudo mais que se refere à Política ideologia expressões artísticas o direito são são meras inversões da realidade como se elas não existissem em si pois bem essa ideia por mais que o prefácio 59 possa dar lugar a esse tipo de leitura ela não se encontra na obra do Marx essa visão que compartimenta a realidade primeiro que ele é um crítico da economia política Como já disse Ele não enxerga uma esfera de uma economia separada da totalidade social a categoria chave do Marx é o totalidade Existe uma determinação entre essas esferas na totalidade social
seja ser materialista não é essa coisa que tá como diria Elen tá mais próximo da Visão Liberal que a ideia de que a economia determina tudo tá muito mais forte no liberalismo do que no Marxismo do ponto de vista da da obra do Marx e principalmente da prática dos bons historiadores dos bons cientistas sociais marxistas porque a gente tem que reconhecer que tem Unos péssimos também Tem Unos que queimam o filme ou seja não resolve a questão sujeito ah mas esse cara é marxista e daí ele é bom marxista pode ser péssimo então h h
essa po poica o grames por exemplo ele apresenta uma leitura muito mais nuançada dessa metáfora base superestrutura ele não rejeita como fazem os marxistas ingleses mas por exemplo edar Thomson o Eric hsb Eles simplesmente são taxativos não isso aqui é isso aqui conduz a mecanicismo né eles abrem mão porque eles não encontram Nessa metáfora uma ferramenta válida para fazer pesquisa para estudar a história porque ela pode servir por exemplo para redução da importância da esfera cultural da esfera da experiência da esfera da política que são valorizadas por esses autores eu já muitas vezes em aulas
no bacharelado alguns professores às vezes bem intencionados outros mal intencionados Falavam do Marxismo como explicação Econômica da história eu até brincava Dizer explicação Econômica porque é uma fórmula né o cara não economizada e explica a partir de uma forma não é bem isso e se isso fosse verdade não existiriam uma historiografia marxista dedicada à política ao processo político ou seja toda historiografia marxista seria sempre uma história Econômica isso não é verdade como também se não existe uma história Econômica que não tem nada a ver com o Marxismo né então acho que acaba acaba havendo essa
coisa eu acho Queen Hood ela faz um no livro dela que é democracia contra o capitalismo né renovação do materialismo histórico ela tem um capítulo dedicado ao exame dessa questão e ela se posiciona pela pela pelo abandono dessa metáfora ela faz uma boa reconstrução mas ela decide pelo AB eu fico do lado do grames eu acho que ela no sentido de que bem exposta essa metáfora pode ser útil se a gente não fizer uma compartimentação da realidade e e estabelecer uma relação mecânica de Determinação então eu acho eu salvo a metáfora mas Raymond Williams Eric
hesb Edward Thomson hel Wood essa tradição geralmente acredita que é melhor deixar de lado essa coisa porque ela não ajuda auda enfim é um debate isso mostra qu o Marxismo é diverso né Tem todos vees que eu falei dos inglêses a todos amo S minhas grandes referências da histerografia mas Eu discordo deles em relação a esse tema percebendo que é possível ter uma leitura mais nuançada Dessas ideias é interessante eu só vou acrescentar um pontinho deha porque a metáfora do Marx e eu demorei eu li esse prefácio não sei quantos milhares de vezes né o
prefácio de 59 Em alguns momentos eu fui bem mecanicista eu separei a superestrutura da infraestrutura atribuí todas as determinações a infraestrutura fui bem mecanicista e uma das vezes que eu fui ler o prefácio acho tava dando Começando a dar aula e alguém algum estudante me Questionou sobre esse mecanicismo E aí eu reli mais uma vez e me dei conta do seguinte no prefácio tá lá colocado que a infraestrutura é uma metáfora Não exatamente arquitetônica ela é uma metáfora de construção né então a infraestrutura seriam os fundamentos ou o que corresponde aos alicerces e a infraestrutura
O que vem depois dos alicerces não é isso a superestrutura ora ninguém mora nos alicer ninguém nunca morou No as pessoas vivem na casa tá certo portanto não é possível separar infraestrutura de superestrutura e a metáfora eh da construção é uma metáfora até mais rica do que a maneira como foi lida porque jogaram as pessoas nos alicerces Mas não é isso e o gramich É talvez o primeiro grande autor que vai dizer que infra Só existe cons superestrutura e que portanto não há superestrutura que não esteja enraizada e o termo dele é enraizar que É
o mesmo termo de colocar alicer que não esteja alicerçada nas divisões cruciais da vida social então Eh é claro que o conceito de hegemonia em gram que parece ser um conceito meramente político não é não é é um conceito que conecta esses dois âmbitos isso é a dominação econômica do controle do processo produtivo não está separada nem do estado nem das formas de sociabilidade de viver e de sentir e estão conectadas exatamente por esses Enraizamentos desse ponto de vista Antônio grames dá um salto formidável ao fazer a crítica tanto do economicismo quanto do politicismo né
que descola a política do conjunto da vida social para mostrar novamente para voltar ao terreno que é propriamente marxiano que é da conexão desses elementos então o conceito de hegemonia não é nunca meramente um conceito cultural no sentido vago a cultura é uma cultura real produzida em condições sociais Dadas e basta Aler americanismo e fordismo para se dar conta né E para terminar eu queria perguntar o seguinte eh me parece e vocês com muito mais experiência no assunto podem me corrigir se eu tiver errado mas me parece que desde os anos 90 o Marxismo foi
perdendo um pouco de espaço na academia e quando eu digo perdendo espaço eu digo porque muitos profissionais foram adotando perspectivas como a história cultural especialmente de influência francesa ou Pós-estruturalismo o departamento onde eu estudei por exemplo o núcleo marxista era pequeno e de fato havia uma predominância da história cultural e do pós-estruturalismo já conversei com colegas de outras universidades que tinham uma impressão muito parecida pelo menos na área da história só que o Marxismo a atuação do sujeito marxista ela não se resume à universidade né tanto que a gente estava falando sobre Praxis agora a
pouco então eu queria Pedir a opinião de vocês e aí imagino que isso seja muito mais uma percepção individual do que um fato mas enfim Qual vocês consideram que é o estado da arte do Marxismo hoje no Brasil bom a gente vai compartilhar com vocês agora as nossas experiências né então eu sou uma pessoa que fez o bacharelado no início dos anos 2000 e no meu bacharelado eu tinha um professor que era um dos poucos que dava na cadeira de teoria Marxismo mas ele falava todas as aulas do enteiro Do Marxismo é muito engraçado alguns
anos depois eu tive oportunidade de estar numa mesa de debate com ele e eu quase falei para ele que eu era o Walking Dead né que eu fui lá para mas eu não fiz isso não foi uma Piada Interna digamos assim e de Fato né era perceptível ali no início dos anos 2000 que havia né poucos marxistas na universidade P soua formado no frj mas insistiam estavam lá eram minoritários ao contrário da visão do do Olávio de Carvalho desses paranoicos da Extrema direita os marxistas são minoritários em algumas áreas perderam força mas eu posso dizer
que nos últimos 20 anos existe uma uma certa volta assim eu acho que a própria situação política eu acho que a própria crise do capitalismo sabe eu acho que alguns eventos da própria luta de classe a dinâmica da luta de classes na América Latina determinadas experiências políticas que que eu que eu sou crítico mas que apelam à ideia do Socialismo todas renovaram o interesse no Marxismo o fato de que você que tem o principal programa de divulgação Científica da área de história faça um episódio sobre Marxismo certamente Você tem interesse nisso e com certeza o
público tem interesse nisso então acho que tem uma retomada e nessa questão da retomada eu posso dizer aqui assim até fazer uma homenagem assim discreta à própria Virgínia porque graças à existência de pessoas como Virgínia Marcelo Badaró Sônia Mendonça Renato Lemos assim Anita Prestes assim os professores que a gente tinha no Rio de Janeiro marxistas a gente pode se formar e ter e se se colocar hoje de como misturadores marxistas eu tô falando de mim mas tô pensando numa certa geração da qual faç parte então tem todo um trabalho também de reconstrução e nesse trabalho
de reconstrução foi importante também ter a capacidade de criticar determinadas abordagens que foram Apresentadas também nas últimas décadas como alternativas às abordagens marxistas observando por exemplo falhas nessas abordagens ou também que não é menos importante reconhecendo problemas que determinados trabalhos feito sob inspiração marxista traziam porque mais uma vez você maor postura que eu defendo aqui de a gente não ter uma visão celebratório sobre as experiências do século XX também para o que foi produzido no nosso campo teórico também Não é digamos assim não é essa tradição de celebração também que nos faz não faz nos
colocar pra frente a gente também olha criticamente para o que foi produzido no nosso campo né e consegue separar Então acho que também isso acaba gerando o fato de que é renovação dos marxistas no campo historiográfico por exemplo nas últimas décadas tem levado a produção de trabalho de muita qualidade que eu posso mencionar né a gente teve por exemplo em 2014 um trabalho premiado que foi orientado pela professora Virgínia fontes do Pedro Campos que estudou o papel das empreiteiras na ditadura militar um trabalho de referência ganhou o jabuti e é do Historiador marxista de inspiração
grana estudou com com a Virgínia os trabalhos mais relevantes dos estudos sobre ditadura militar do da última década foi produzido por um marxista não quer dizer que só o trabalho dele foi foi importante só para Dar um exemplo né Mas a gente pode encontrar em várias outras várias outras áreas a gente pode encontrar também pessoas aí saindo um pouco dessa Esfera do Rio de Janeiro Sidney chalub que gosta de dizer que é marxista principalmente para provocar em determinados debates só o próprio João José Reis grande Historiador baiano também na mesma chave do shalu né eu
falo que eu sou marxista porque eu quero provocar para inclusive valorizar a Origem deles né de onde que tipo de Formação tava na origem desses que são grandes jadores brasileiros continuam sendo referência alguns que já se foram né que também Deixaram um grande legado pode falar da Emília viotte da Costa como é que se pode estudar a história brasileira do século XIX sem ler os trabalhos dela grande historiadora marxista de repercussão internacional é isso estamos vivo eh eu vou fazer uma leitura mais Ampla sou mais velha do que O o Demian né então o Marxismo
foi combatido no Brasil duramente a partir da ditadura de 1964 ditadura Empresarial militar de 1964 e não foi um combate pequeno os professores eh que Conseguiram manter alguma tradição marxista o fizeram unicamente nas universidades porque no ensino básico no ensino médio não era possível A Perseguição era muito intensa com isso A Perseguição faz parte do Marxismo o Marxismo é um um digamos essa plataforma Teórica permanentemente perseguida com a chamada redemocratização que a gente tá vendo agora os limites eh logo depois vem a queda da União Soviética e a queda da União Soviética junto com a
extensão das reestruturações produtivas das demissões etc significou um novo Ataque ao Marxismo brutal brutal e aí você só fazia carreira dentro da Universidade se fosse aparando as Arestas isso não quer dizer que todo Historiador marxista é bom não quer dizer que todo Historiador não marxista é ruim a gente já disse aqui que não é uma religião que não dá garantias para ade do trabalho mas seguramente o volume de perseguição que a gente vive no Brasil desde 1964 até hoje é enorme e eu vivi diretamente isso de bloqueios de impedimentos de bloqueios da Caps de bloqueios
do CNPQ você colocava Marx no Seu texto você podia ter certeza que não seria acolhido então você tinha de aprender a escrever uma um projeto que meio que falsificava o que você pensa de tanto falsificar o seu pensamento você pode acabar se falsificando a você mesmo e esse foi um fenômeno que aconteceu na Europa inteira porque também na Europa houve uma intensa perseguição ao Marxismo não Imaginem que foi só no caso brasileiro lá foi sem ditadura e foi mais econômica mas também lá houve um Bloqueio vocês Imaginem F era o diretor da Escola de autos
estudos em Ciências Sociais e isso significava que você falou em Marx você tinha de justificar 500 vezes de preferência para dizer que ele era um monstro mas você podia falar de qualquer autor que ele não via problema e eu vivi isso na pele Não estou falando de ouvir falar meu orientador que não era marxista lá uma vez que eu botei Marx em rodapé ele disse este não pode ser Citado em rodapé tem de justificar a presença para vocês terem uma ideia do que que a coisa eh queria dizer essa perseguição eh matou muito grupo de
pesquisa matou no ovo e impediu que muitas pessoas pudessem se expandir ao mesmo tempo exatamente por conta dessa perseguição isso estimulou a formação de grupos de pesquisa nas universidades muitas vezes formado por alunos DM organizou um grupo desses na época até junto com meu filho eu organizei e no País inteiro vários grupos se organizaram de pesquisa de estudo de leitura de intercâmbio com um pé dentro da universidade e um pé fora porque não era garantido que a universidade pudesse acolher esses grupos na medida em que esses grupos se expandiram década de 90 e no século
XX eh a gente tem alguns professores eh a gente conseguiu ter alguns locais com professores Porque os grupos é a questão do grupo Oprimido ele precisa ser infinitamente melhor do que Os outros para ser reconhecido Então a nossa carreira acadêmica exigiu e o elitismo da nossa carreira acadêmica em especial nos departamentos na Caps no CNPQ e em outros ambientes exigiu que a formação marxista fosse de excelente qualidade o resultado disso lógico nem todos t a mesma qualidade mas a gente vê o resultado no trabalho do Demian a gente vê o resultado no trabalho do Pedro
a gente vê o resultado no trabalho do Felipe ou no no livro da nova direita Do Flávio Casimiro a gente tem uma toda pesquisa do grupo da Sônia Mendonça do grupo da Unioeste liderado pela Carla Silva e pelo Gilberto Calil que são trabalhos primorosos sobre a extensão das direitas no Brasil Contemporâneo tudo isso na história povo que tá estudando a penetração das entidades burguesas na educação em várias áreas na Sociologia na educação na antropologia na história Então a gente tem trabalhos que são trabalhos absolutamente Formidáveis em base teórica em utilização de fontes uma utilização cuidados
Sima das fontes na capacidade analítica e num ponto que eu acho fundamental que é na relevância social na Praxis na relevância social para a maioria da população é dessa produção não é apenas uma produção para enfeitar um currículo latis é uma produção que faz sentido na vida social Então essa na atualidade nós fomos e continuamos a ser perseguidos a própria Ampu por exemplo coloca a gente numa espécie de canto de canto lateral não não dá maior eh relevância não não não necessariamente persegue mas tampouco reconhece o próprio Ciro Flamarion que foi um grande Historiador eh
marxista falecido precocemente sofreu várias vezes de bloqueios então nós temos mas nós quando alguém eh escolhe Ter como base teórica ou plataforma teórica o Marxismo sabe que tá entrando num ambiente de luta e Portanto muitas vezes esses professores são professores muito combativos nos departamentos exigindo o direito a voto dos alunos exigindo maior participação dos alunos maior cuidado com a própria profissão docente maior participação sindical etc etc etc Então a gente tem aí e essas coisas nem sempre são muito do agrado das chefias de departamento que pretendem mais obedecer aos ditames das agências do que a
enfrentá-los e a modificar esses parâmetros [Música] recomendações de leitura para quem ouviu esse episódio ficou fascinado pensou meu que aula e agora eu quero ler mais sobre o assunto eu quero estudar Quero Mergulhar nos livros se a gente tivesse que recomendar alguns poucos livros pra galera começar que livros vocês recomendariam bom eu recomendo a história dos homens do josée Fontana eu acho que esse é imperdível o José Fontana é todo José Fontana merece ser Lido é um Historiador eh Catalão eu acho absolutamente maravilhoso eu vou trazer mais textos teóricos sobre o Marx que são menos
conhecidos dos historiadores mas que ajudam bastante eh eu já indiquei o livro do Zé Paulo Neto que é uma biografia do Marx que é preciosa e vou indicar agora o livro do do Roman rosowski que se chama Gênese e estrutura do Capital que é um livro fascinante porque ajuda a entender ajuda a pensar o capital sem simplificações bom eu vou Indicar um outro título aí sobre o Marx mesmo que é do Daniel bensa o Marx o intempestivo que é para mim é também uma das grandes leituras sobre a óra do Marx e de diálogo com
as Ciências Sociais é um um livro que infelizmente a gente só encontra em cebo ou nas melhores bibliotecas é a única edição de 99 e enfim é lamentável que não ten uma uma nova edição e eu vou fazer uma coisa meio peculiar eu vou recomendar porque tem muita coisa tem muita publicação Então vou recomendar o meu próprio livro se chama o Brasil e o capital imperialismo que tá totalmente disponível para download no site da Escola Politécnica de saúde Joaquim Venâncio da Fiocruz e vocês vão olhar ali na aquele livro já eu cito uma enorme quantidade
de textos e nós temos hoje um volume de teses e dissertações defendidos algumas publicadas de primeiríssima linha que a gente já foi falando aqui então Renato Lemos é um Professor que orienta teses de primeiríssima linha para além dos trabalhos dele próprio Vale conhecer porque são trabalhos seríssimos vou indicar H uma tese que essa é imperdível do Vicente Gil que é sobre a contrarrevolução preventiva no Brasil tese defendida ano passado uma tese de 1000 páginas preciosas os trabalhos que eu mesma oriento os trabalhos orientados por Sônia Regina de Mendonça que são formidáveis os livros não é
um Historiador mas o trabalho é como se fosse do Renê dreifus em especial a sequência 1964 eh a conquista do Estado a internacional capitalista e o jogo da direita os orientandos do grupo da uneste da pós--graduação em história da Carla Silva do grupo história e poder eh da uniest que são trabalhos formidáveis alguns já publicados outros não publicados com destaque para a tese do Lucas patique sobre eh Mídia Sem Máscara Que começa a analisar O Olavo de Carvalho lá das suas origens que é um trabalho impactante entãoa nós temos muita coisa para ali e muita
coisa em história brasileira bem contemporânea Esqueci esqueci de recomendar uma coisa importante o grupo de orientandos do Marcelo Badaró Matos da uf tem trabalhos absolutamente fundamentais eu seguramente estô esquecendo muita gente já peço desculpa por esse negócio de indicar bibliografia é para deixar Qualquer um doido porque é muita bibliografia Tá bom então é isso vocês gostariam de falar alguma coisa para encerrar dará uma consideração final fiquem à vontade bom eu queria agradecer tá aqui agradecer a você ao Demian é sempre uma satisfação estarmos juntos e agradecer os as ouvintes que nos acompanharam aqui me colocar
à disposição quem tiver curiosidade sobre o meu trabalho pode dar entrar no site e espero que seja do melhor proveito Escutar essa nossa comunicação aqui e não menos importante apoiem ajudem apoiem contribuam com história FM esse tipo de atividade de divulgação Científica é da maior importância em tempos de obscurantismo e é isso então é isso pessoal muito obrigado por terem ouvido até o final não se esqueçam que vocês podem colaborar com o história FM a partir de r$ 2 por mês em apoia.se bar obriga hisória E com R 5 por mês vocês podem ouvir os
Episódios com Antecedência e peguem esse episódio e passem se vocês fazem história Ciência Política sociologia qualquer área das ciências humanas peguem esse episódio e passem adiante porque esse tipo de Episódio teórico eu faço para vocês para vocês estudantes porque eu sei que ajuda muito recebo sempre muitos comentários depois que o episódio sai dizendo ah Finalmente eu entendi tal ideia tal coisa que eu não tava entendendo na aula tal então passem adiante porque eu tenho Certeza que vai ajudar muito muita gente que tá estudando ciências humanas no momento Então é isso muito obrigado e até a
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