Eu tenho 32 anos e eu acabei de finalizar o meu processo de transição de carreira. Oi, gente, sejam bem-vindos ao meu canal. Meu nome é Ariesca Meurer e hoje, excepcionalmente eu não vim falar sobre livros.
Eu estou ciente de que esse é um assunto totalmente aleatório, totalmente fora das coisas que a gente costuma conversar aqui no canal. Mas quando eu criei o canal, além de ser uma porta para encontrar outras pessoas que quisessem conversar sobre livros, que eu pudesse fazer amizades literárias, eu também gostaria que fosse um ambiente em que eu pudesse conversar sobre temas diversos. E já faz um tempo que eu queria contar para vocês, eu queria compartilhar com vocês como que foi o meu processo de transição de carreira.
Mas eu queria fazer isso quando eu considerasse que tava finalizado esse processo. E agora, recentemente, eu colei grau na minha segunda graduação e eu senti que era o momento de finalmente conversar com vocês sobre isso. Antes de mais nada, eu queria deixar claro que eu não tô aqui com esse vídeo na intenção de dizer o que você tem que fazer ou deixar de fazer.
Na verdade, eu só quero compartilhar como que foi realmente a minha experiência e quem sabe com alguns questionamentos que eu vou levantar aqui, que foram os questionamentos que eu fui me fazendo no decorrer do tempo, eu posso auxiliar dar um pouco mais de clareza para algumas pessoas que pensam nessa possibilidade. Então, eu vou dar um panorama pr vocês de como que foi a minha carreira profissional até agora, para vocês entenderem o que que foi que aconteceu, em que momento que eu decidi que eu precisava recalcular a rota. Quando eu era criança, eu estudava em um colégio que ele era um colégio privado, então ele não era um colégio público, mas eu também não pagava para estudar nesse colégio, ninguém pagava.
era uma fundação mantida por um banco privado. Provavelmente muitos de vocês só com essa informação já vão saber qual que é a fundação e qual que é o banco que eu estou falando. Eu estudei nessa fundação desde que eu tinha 6 anos e saí de lá formada aos 17 anos no ensino médio.
E desde que eu me conheço por gente, assim, desde que eu era criança, a gente ouvia falar na escola que os melhores alunos, os alunos com maiores notas e com melhor desempenho poderiam lá no terceiro ano ser recomendados para esse banco privado que mantinha a fundação como boas opções de profissionais, né? E quando eu tava lá na primeira segunda série do ensino fundamental, eu coloquei na minha cabeça que eu queria ser bancária, que eu queria ser uma das alunas, que ia ser indicada pro banco. Fiz disso um grande objetivo da minha vida.
E quando eu tava com 17 anos, quando eu terminei o terceiro ano, eu de fato fui uma das alunas indicadas pro banco. Então eu terminei o ensino médio lá com 17. Em janeiro eu fiz 18 anos.
Em março de 2011 eu ganhei uma bolsa 100% para estudar em uma universidade privada. consegui passar no curso de direito e já em maio de 2011 eu fui contratada por esse banco para trabalhar na agência de Paranavaí, que era a minha cidade. Como vocês já devem imaginar, eu não trabalho mais nesse banco, mas eu só queria deixar claro que nem sempre eu não gostei de trabalhar lá.
Na verdade, no começo, eu era apaixonada pelo meu trabalho. Eu me sentia muito grata, muito feliz e satisfeita por ter conseguido atingir esse objetivo. Eu gostava do trabalho, eu gostava de atender os clientes, eu gostava de resolver os problemas dos clientes.
Então, eu trabalhei ajudando eles no autoatendimento, trabalhei no atendimento de abertura de contas, trabalhei no caixa. Até aqui eu fui pra área comercial trabalhar como gerente de contas assistente. Nesse meio tempo eu tava fazendo, né, a faculdade de direito nessa universidade privada que eu ganhei a bolsa.
Logo no primeiro, segundo ano, eu já tinha plena noção de que eu não gostava da área do direito, de que eu não iria seguir carreira na área do direito e que eu não estava gostando absolutamente nada daquilo que eu estava estudando. A começar pelas minhas notas, quando eu tava na escola, o ensino fundamental e o ensino médio, eu sempre tinha assim as melhores notas da minha sala, sempre era 85, 90, 95, 100. Era sempre assim, as notas mais altas da turma.
Em toda a minha vida escolar, eu tirei uma nota vermelha que foi em química no terceiro ano, porque eu era realmente péssima nessa área, mas em todas as outras disciplinas, eu sempre tive um bom rendimento. E na faculdade de direito isso não aconteceu, isso não me acompanhou. Todas as minhas notas na faculdade de direito era média 6, 6 e5, 7.
Inclusive, teve disciplina que eu levei dependência porque eu não consegui atingir a nota mínima. Eu era muito ruim, só que eu fui muito teimosa e muito orgulhosa também, porque eu sentia que eu precisava ir até o final. Por qu, eu não sei se você que tá assistindo esse vídeo vai concordar, mas eu sinto que na minha geração muito se falou sobre a importância de ter um diploma universitário, independente da forma você precisava ter.
Então eu tinha muito assim no meu íntimo que eu não poderia desistir da faculdade, eu não poderia ser a pessoa que na metade do caminho desistiu. Então eu fui teimosa, eu fui orgulhosa, insisti, fui até o final, terminei a faculdade de direito sabendo que eu não ia exercer, mas que eu continuaria trabalhando no banco, porque até então eu tava ainda muito satisfeita, muito feliz. Isso mudou quando eu fui trabalhar na área comercial, que eu comecei a trabalhar como gerente assistente.
Eu não estava mais ali no papel de resolver os problemas dos clientes, atender aquilo que os clientes precisavam. e começou a ocorrer uma expectativa de que eu batesse metas, que eu vendesse, que eu oferecesse produtos pros clientes, que muitas vezes eu entendia que não era o que ele precisava no momento. Eu sempre falava que uma das partes mais doloridas assim do meu dia era quando eu tinha uma meta de contatos que eu precisava fazer por dia.
Então eu tinha, por exemplo, que contatar, que ligar, conversar com pelo menos 20 clientes por dia. E nesses contatos eu tinha que oferecer produtos, consórcio, investimento, financiamento, seguros, título de capitalização. E era muito frustrante para mim tentar argumentar com o cliente que ele tinha que contratar aquele produto, mesmo que eu sabia que ele não precisava daquele produto.
E como vocês devem imaginar, eu era uma péssima gerente assistente. Eu não conseguia argumentar, eu não conseguia convencer os clientes, eu não conseguia me forçar a fazer isso. Com esses meus resultados eram muito ruins e com o tempo eu fui ficando infeliz no trabalho que até então eu gostava muito.
E daí chegou num ponto que eu comecei a questionar o que que eu ia fazer da minha vida, o que que eu queria fazer. E no dia que eu completei 10 anos trabalhando no banco, eu estava então com 28 anos, eu me dei conta de que eu não queria passar mais uma década da minha vida trabalhando no banco. E eu falei, eu preciso tomar alguma decisão, eu preciso mudar a rota, porque senão eu vou ficar doente, eu não vou ficar bem trabalhando num lugar que eu me sinto insatisfeita, que eu me sinto infeliz hoje em dia.
Naquela época, eu comecei a refletir quais que eram as áreas que eu poderia buscar, quais que eram as possibilidades, é, o que que é que eu gostava de fazer. E eu comecei a perceber que eu sempre gostei muito da parte de idiomas, de leitura, de organização, de planejamento. E daí surgiu a oportunidade de eu fazer a faculdade de secretariado executivo trilíngue.
Era um curso que lá quando eu tinha 17 anos, eu tive interesse por um certo período em fazer, mas não fui atrás. acabei indo cursar direito. Só que bem na semana que eu tava mais ansiosa, que eu tava mais preocupada, que eu tava mais infeliz por causa de várias coisas que estavam acontecendo no banco, surgiu uma vaga remanescente dos vestibulares da Universidade Estadual de Maringá.
Uma amiga minha compartilhou nos stories dela que tinha algumas vagas remanescentes e quando eu fui olhar eu vi que tinha uma vaga no curso de secretariado executivo trilíngue. E a possibilidade era de se inscrever com a nota do Enem desde que você tivesse feito de 2009 para cá, tinha feito em 2010. Aí eu não contei para ninguém, consegui o relatório que tinha o resultado das minhas notas lá de 2010, fiz a minha inscrição e alguns dias depois saiu o resultado.
58 pessoas tinham se inscrito para aquela vaga específica de secretariado executivo trilíngue. Tinha apenas uma vaga e ela era minha. Eu entrei com um mês de atraso naquela mesma semana que eu entrei na faculdade e que eu soube que eu ia ter que me mudar para Maringá para fazer essa faculdade.
Até então eu ainda morava em Paranavaí. Eu sentei na mesa do meu gerente geral lá do banco, expliquei para ele a situação, conversei, fiz um pedido e ele aceitou me demitir. Então, a partir daí, eu fiz um planejamento com o valor do acerto e do FGTS.
Eu e meu marido fizemos um planejamento para que eu pudesse me mudar para Maringá. Inicialmente, sem ele, eu fiquei um ano dividindo apartamento com uma amiga minha da faculdade, inclusive a Lorena, que vocês já conheceram aqui no canal. E depois de um ano vivendo aqui e indo para Paranavaí todo fim de semana ver o Rafael, meu marido, a gente decidiu se mudar de mala cuia.
Transferimos a nossa casa, o nosso lar de Paranavaí para Maringá. Eu fiquei os dois primeiros anos da faculdade sem trabalhar, só estudando. No terceiro ano iniciei o estágio obrigatório e no quarto ano eu comecei a de fato trabalhar CLT novamente.
Era para ter sido resumido, mas eu acabei contando coisa para caramba. Aqui me formei em direito. Eu entrei no banco em maio de 2011 e saí do banco em março de 2022.
Portanto, eu trabalhei 11 anos como bancária e hoje em dia eu sou assessora executiva do CEO de uma empresa na área de tecnologia e marketing. Algumas coisas que me ajudaram a tomar essa decisão. A primeira delas foi que eu fiz algumas perguntas para mim mesma.
O banco tinha vários pontos positivos, principalmente a segurança financeira, os benefícios era o grande assim ponto positivo do banco. Só que eu comecei a colocar na balança quais que eram os pontos positivos e quais que eram os pontos negativos. E a questão foi que quando eu começava a comparar, os pontos negativos estavam sendo muito maiores do que os pontos positivos.
Eu não tava mais me enxergando, fazendo uma carreira dentro do banco. Eu não conseguia mais me ver como uma pessoa contente, satisfeita e saudável se eu continuasse trabalhando no banco. E daí eu comecei a me questionar o que que é que eu gostaria de fazer, o que que é que me traria paz e tranquilidade.
Isso acabou se tornando a minha maior prioridade. Eu queria ter paz. Tem um vídeo que fala também sobre a transição de carreira que é do Leandro Carnal.
Ele já é de alguns anos atrás e é um vídeo muito bom em que ele fala o seguinte: você precisa fazer escolhas, mas toda escolha que você fizer, toda decisão que você tomar, vai vir com problema. Não existe nenhum trabalho que você vai fazer, nenhuma faculdade que você vai fazer. Não existe absolutamente nenhuma escolha que você vai fazer que não vai ter algum tipo de problema junto.
Nada é perfeito nesse mundo. Então, quando eu escolhi fazer o curso de secretariado executivo trilíngue, eu tinha plena consciência de que eu estaria abrindo mão de outras coisas. A pergunta que eu tive que me fazer é: essas coisas que eu estaria abrindo mão, elas eram mais valiosas ou menos importantes do que aquelas que eu conquistaria a partir dessa minha escolha nova?
Então essa é uma pergunta que eu recomendo muito que vocês façam, caso vocês pensem algum dia em fazer uma transição de carreira. Quais que são os pontos negativos? Quais que são os pontos positivos do que eu estou fazendo agora?
Quais que são os pontos negativos e positivos daquilo que eu desejo fazer? Essa insatisfação e essa infelicidade que eu tô sentindo agora, ela é momentânea? Ela é um processo que está acontecendo por um certo período e ela vai se encerrar ou eu já tô percebendo que é algo que vai me acompanhar por muito tempo e que eu não tenho disposição de passar por essa infelicidade por tanto tempo?
Quais que são os meus objetivos? Quais que são as minhas prioridades? Eu lembro que na época que eu tava pensando muito em sair do banco e recomeçar, eu me questionava o seguinte: eu passei da idade, eu já tô com 28 anos, a gente toma a decisão da carreira que a gente vai fazer quando a gente tem 17, 18 anos.
Só que hoje em dia eu tenho um ponto de vista completamente diferente. Por que que a gente precisa fazer essa decisão quando a gente é tão jovem, sem ter uma maturidade da vida adulta, sem ter passado por experiências, sem ter um conhecimento assim? por que que isso tem que ser a decisão pro resto da nossa vida?
E eu tava lá com 28 anos questionando por que eu terminei de fazer a faculdade de direito, por que eu continuei trabalhando no banco e por que eu deveria continuar sendo bancária, porque eu era bancária até então. E eu lembro que eu vi um vídeo no Instagram, parece assim que ele tinha sido feito especificamente para mim. Era uma jovem falando o seguinte: "Você que tá aí com 28 anos se questionando se você deveria fazer aquela faculdade de 4 anos, porque quando você terminar você vai ter 32, pensa o seguinte, daqui 4 anos você necessariamente vai ter 32.
Então não é melhor ter 32 com uma faculdade que você queria ter feito do que 100? " E eu fiquei assim, gente, isso é tão óbvio, mas parece que precisa a outra pessoa falar para você. Eu fiquei assim, ok, daqui 4 anos eu vou ter 32 anos, esses 4 anos vão passar de qualquer forma, não é melhor eu já começar a fazer essa faculdade agora?
E daí quando eu tive essa oportunidade, parece que tudo casou, parece que deu tudo certo para mim. E daí quando eu entrei na faculdade de secretariado, eu coloquei uma meta para mim. Eu prometi para mim mesma que eu iria fazer essa faculdade aproveitando absolutamente tudo que eu pudesse, todos os eventos que eu pudesse frequentar, todos os cursos que a universidade oferecesse, que fosse do meu interesse, eu iria fazer, eu iria me dedicar absolutamente em todas as disciplinas.
E eu coloquei como meta, como um tipo de certificação de qualidade dessa minha dedicação, que eu queria laurear a faculdade, eu queria terminar ela e receber uma laurea acadêmica. Na UMN, a laurea acadêmica é dada aos alunos que têm ao menos 2/3 das disciplinas com média superior a 90. E eu coloquei, essa é a minha meta, é isso que eu quero fazer.
Eu coloquei como objetivo que eu iria laurear a faculdade. A minha graduação foi em língua portuguesa, francesa e espanhola. E como eu comentei com vocês, na metade do último ano da faculdade, eu consegui me inserir no mercado de trabalho para trabalhar na área de assessoria executiva.
Então, hoje eu trabalho como assessora executiva. Eu me sinto muito grata e eu me sinto muito feliz por eu ter tido aos 28 anos a coragem de mudar, a coragem de sair de um lugar que estava seguro para mim, mas que estava me deixando insatisfeita, que estava me deixando infeliz e que, pelos sinais, iria me adoecer ao longo do tempo. Várias pessoas já me perguntaram, principalmente pessoas que me conheciam de antes, né, da época que eu ainda trabalhava no banco, me perguntaram se eu sinto falta do banco.
E eu sempre falo o seguinte, o que eu sinto falta do banco é de amigos meus que continuaram trabalhando lá, de alguns clientes que eu criei amizade, pessoas que realmente eu criei algum tipo de vínculo de afeto, mas eu não voltaria atrás. Eu sempre falo que se o banco me oferecesse o triplo do que eu recebia de salário naquela época, eu ainda assim não voltaria, porque hoje em dia eu posso não ter o salário que eu tinha naquela época, há 3, 4 anos atrás, mas hoje em dia eu tenho uma coisa que eu não tinha lá, que era essa paz, essa tranquilidade e essa satisfação com o meu trabalho. E no decorrer do tempo eu percebi que essa era a minha prioridade, mas eu não quero parar de me desenvolver.
de estudar, de me melhorar. Eu ainda vou descansar por alguns meses. Ainda não sei o que que eu vou fazer.
Só tenho algumas ideias e mais para frente, quem sabe eu posso trazer algumas atualizações para vocês. E daí, para finalizar o vídeo, eu quero mostrar uma coisa para vocês. Promessa é dívida.
Eu prometi pra Ariesca de 28 anos e a Ariesca de 32 tem em mãos a Laura Acadêmica. Eu não sei se esse vídeo foi somente um desabafo ou de alguma forma ajudou alguém de alguma maneira ou se só ajudou a complicar mais ainda o que se passa na sua mente. Mas eu só queria realmente compartilhar, botar para fora isso que tá há tanto tempo aqui na minha cabeça.
Claro, eu vou com certeza gostar de saber a opinião de vocês, eu vou gostar de saber e pontos de vista. Então, por favor, sintam-se à vontade para deixar nos comentários qualquer tipo de percepção que vocês tenham a respeito desse assunto. Bom, pessoal, esse foi o vídeo de hoje.
Muito obrigada por ter ficado até aqui, principalmente pelo fato de não ser um tema comum do que a gente conversa. E se você gosta de conteúdo de literatura ou outros conteúdos afins, por favor, curta esse vídeo e sinta-se à vontade para se inscrever no canal. Sugestões são sempre bem-vindas.
Tenha um lindo dia e ótimas leituras. Tchau.