[Música] que eu vou fazer hoje aqui com vocês é conversar sobre a leitura que eu faço não é como todas as leituras extremamente parcial né de uma obra que me acompanha já há muitos anos né o t quichote a de L mancha o engenhoso o Fidalgo Dom pichote de La Mancha e Miguel de [Música] cantes Esta é uma obra eh que merece ser lida eh por todos aqueles que se interessam por literatura não é por literatura pela ficção pela pela criação imaginária pelo trabalho da Imaginação né eu num dos textos que escrevi sobre o o
donot e que escrevi na revista publiquei pela primeira vez na revista [Música] Cult nesse texto sobre o Don Quixote eu começo o texto eh dizendo uma coisa que que me parece absolutamente válida eu digo a inveja de quem moço ou moça lê servantes o Don qu chot de Cervantes pela primeira vez né quer dizer eu tenho invejo de quem lê pela primeira vez o Don quichote porque se depara com uma obra imensa não é ela é imensa mesmo em termos de extensão não é mas ela é imensa em termos de variedade de de criação de
soluções e da ficção e sobretudo é uma obra que dá prazer em ler né porque ela é muito engraçada né quer dizer o próprio servantes dizia que a obra foi feita para que se risse as gargalhadas ele não gostava de riso a Só capa né de risinho ele gostava de gargalhadas e por eu acho que esse é o bom leitor do servantes é aquele que lê e não se contém nãoé D gargalhadas porque o livro solicita isto né e eu realmente o que eu escrevi continua para mim continua válida eu tenho inveja de quem não
leu o donot nãoé não de quem leu mas de quem não leu o donot porque depois de ler serão as releituras né os comentários as glosas as notas o que vão preenchendo o interesse do leitor mas a leitura primaveril né Essa só se faz uma vez né E depois o que ocorre é a releitura já sabendo do que se trata né quer dizer Esta é uma obra eh que tem tido uma difusão imensa né ela foi imediatamente traduzida né para as línguas cultas a sua tradução para o inglês apareceu em tempo record naquele momento Isto
é no século X e o que leva até a pensar que é possível que ela tenha sido lido lida por [Música] Shakespeare que ainda estava vivo e aposentado quando obra foi traduzida para o inglês então é possível que o Shakespeare tenha lido o donot o contrário não é possível porque servantes não Lia inglês né servantes era um homem de uma língua só né Lia o espanhol e o espanhol do seu tempo Latim é claro né que era comum se ler o grego algum grego mas não o inglês as línguas modernas Talvez o francês é que
ele lesse alguma coisa né dizer então é uma obra de uma difusão imensa não é faz parte do sangue da literatura ocidental né circula no organismo da literatura ocidental e está presente nas mais diversas criações desta literatura n é nas mais diversas criações para dar um exemplo a vocês não é quem leu dostoevsky e Leu o idiota de [Música] dostoevsky talvez se Surpreenda se eu disser que o modelo adotado por dostoevsky na composição do idiota foi o donot Né o dostoevsky numa carta que ele escreve para uma sobrinha no momento em que Ele começava a
pensar no idiota no livro no romance dele o idiota ele dizia que o modelo dele era o donot né uma figura um personagem com que ele se identificava e que ele achava de um enorme comoção né comoção ele chega e dizer não existe nada mais profundo isso é frase do dosto não existe nada mais profundo e mais poderoso em todo o mundo do que esta peça de ficção e continua é ainda a expressão final e maior do pensamento humano a mais amarga ironia de que um ser humano é capaz de expressar e se o mundo
viesse acabar e a pessoa fosse ali inquirida bem você entendeu alguma coisa de sua vida na Terra e tirou dela alguma conclusão a pessoa poderia silenciosamente mostrar o Dom Quixote e dizer aqui está a minha conclusão acerca da vida você pode ensinar condenar-me por ela essas são expressões de dostoevsky né e e na carta sobrinha ele diz a ideia principal do romance Isto é do idiota é retratar um homem positivamente bom não há nada mais difícil no mundo Isto é especialmente verdadeiro hoje em dia dizia dostoevsky todos os Escritores não somente os nossos mas também
os europeus porque dost falava da Rússia e ele tratava os outros como europeus e não ele que alguma vez tentaram retratar o positivamente bom sempre fracassaram porque o problema é infinito o perfeito é um ideal e este ideal seja dos nossos ou do europeu civilizado está ainda longe de ter sido trabalhado existe apenas um personagem positivamente Bom boa no mundo Cristo de tal modo que o fenômeno desta ilimitadamente infinitamente boa personagem é já em si mesmo um milagre infinito diz o DSK devo somente mencionar que das personagens na literatura Cristã a mais completa é o
Don quichotte mas ele é bom apenas porque ao mesmo tempo ele é ridículo isso É extraordinário né Estas são frases de dostoevsky eh a numa carta uma a sobrinha referindo a a origem do romance O idiota quem lê o idiota vai ver vai sentir a presença do donot do príncipe minsk que é o personagem infinitamente bom e ridículo também do dostoevsky n o dom quot portanto teve este poder de fão pois bem há um texto de um outro Russo de um outro romancista Russo fundamental na literatura do acidente turgenev Ivan [Música] turgenev que se titula
Don kot e Hamlet né um ensaio do turev sobre esses dois personagens esses dois símbolos da literatura ocidental em que o turgenev exatamente chama atenção para o que há de eh exteriorização de um personagem virado para fora como c viil donot e outro virado para dentro como Hamlet não é o pesaroso Hamlet né o meditativo Hamlet na literatura inglesa o Lawrence sterner já no século XV [Música] ele sofre a influência do para não mencionar a literatura nossa literatura brasileira não em que um autor com Machado de [Música] Assis revela a sua leitura que ele fazia
doot e nait brasileira sempre se fala na grande influência que teve o donot na imaginação de José Lins do Rego do escritor regionalista paraibano dos anos 30 que criou um romance chamado fogo [Música] [Música] morto parce um personagem não é chamado Vitorino Carneiro da Cunha que tinha um apelido de Vitorino Papa rabo né que é um personagem quixotesco né evidentemente de traços quixotes e é dado como a maior Encarnação do Don quot na literatura moderna do Brasil n isso para não falar a literatura alemã em que um autor como Thomas Man não é o grande
Thomas Man O Grande romancista Thomas Man autor do Dr faustos não é da Montanha [Música] [Música] Mágica Thomas Man teve uma influência muito grande do do do do do donot do antes foi um leitor do lsot há uma página absolutamente cativante do Thomas Man algumas páginas dele no ensaio que se chama abordo com Don quichote neste ensaio Thomas Man conta que quando ele se mudou da Alemanha para os Estados Unidos quando ele se exilou para os Estados Unidos fugindo a persão nazista não é no navio ele resol veio levar para lê durante a viagem era
uma longa viagem de navio de Hamburgo até Nova Yorque da Alemanha até Nova York ele levou uma edição uma tradução para o alemão do Don quichotte e ele vai lendo a Bordo o Don quichotte e faz uma espécie de diário de bordo n é em que ele de vez em quando refere a leitura que ele estava fazendo do Don chot e foi de tal maneira obsessiva aquela leitura que ao se aproximar de Nova York na noite anterior já chegando ao porto de Nova York O Thomas Man anota assim Ontem à Noite Sonhei com Don Quixote
ele tinha um enorme bigode magro de olhos cavados em um enorme bigode nãoé onde evidentemente é fácil de ver nessa nessa figuração do Don quixot a presença de [Música] nietz e a mistura no sonho de Thomas Man das duas culturas quer dizer a cultura alemã e a cultura mediterrânea de servantes a cultura espanhola de servantes não é mas foi um personagem e foi um livro que eu persegui durante toda a vida durante toda a vida então esta é uma dimensão extraordinária deste deste escritor deste personagem deste livro agora o que é este livro O que
é este livro O que é o Don quichotte né O que é o Don quichotte o Don quichotte é um livro a obra é uma obra em duas partes ela foi publicada em duas partes uma primeira parte em 1605 portanto nos inícios do século X e uma segunda parte a continuação a segunda parte em 1615 10 anos depois não é quer dizer há uma diferença de 10 anos na a distância de 10 anos entre a primeira e a segunda parte da obra tem uma significação muito importante esta esta distância muito importante é que a primeira
parte do dos do perdão a primeira parte do donot teve um enorme um enorme sucesso ela foi lida como como se hoje nós dissemos um bestseller de repente Cervantes se transformou num autor lidí simo a obra foi lida por todos todo mundo Lia e comentava as aventuras daquele personagem na primeira parte que que era a única parte publicada da obra isto em 1600 e aa só surge em 1615 10 anos depois o que é curioso é que em 1614 portanto um ano antes de aparecer a segunda parte da obra surge um livro na Espanha publicado
na Espanha chamada a segunda parte do engenhoso Fidalgo de La Mancha [Música] escrito este livro por um t de avena que era um pseudônimo do autor era uma continuação uma segunda parte apócrifa da obra do servantes e isto teve a maior consequência pra própria obra do servantes por ele passa quando ele escreve a segunda parte ele discute na segunda parte a repercussão da primeira parte do donot há um capítulo absolutamente dispensável que é o capítulo terceiro da segunda parte Capítulo terceiro em que há um momento não é há um momento em que em que ele
está conversando com um personagem chamado Sansão Carrasco Sansão Carrasco que é um bacharel por Salamanca n o Salamanca e esse e o donquixote Pergunta o o Bacharel diz o senhor não é diz para doot você vossa mercê como ele chamar é conhecidíssimo a sua história está difundida tá todo mundo falando na sua história todo mundo lendo as suas aventuras tá se referindo a primeira parte e Don kot Pergunta ele né Me diga uma coisa e quais são as as aventuras de que gostam mais as minhas aventuras de que gostam mais e o são carasco diz
olha tem aquela do moir dos Ventos a sua briga a sua confusão entre os moinhos e os Gigantes é uma é uma é uma é um episódio muito elogiado né Há outros que gostam muito da sua da sua confusão entre os um tropu de um rebanho de carneiros e os Gigantes né que ele vai destrói os Carneiros pensando que era gigante também é muito apreciado né e sai discutindo a primeira parte e o e o quot pergunta e eu como estou representado né else como um cavaleiro andante como nunca existiu no mundo né e o
donot fica satisfeito né quer dizer então tá certo é isso mesmo né ele diz é isso mesmo que eu sou não existe ninguém tão bom quanto eu né quer dizer Vejam Só é na no início da segunda parte ele discute a primeira parte da obra ele discute a primeira parte da obra não é quer dizer ele ele arranja uma maneira de introduzir um personagem que lhe traga informações sobre a publicação primeira da primeira parte ele diz mas eu ouvi falar que estão também que está também circulando uma obra aí que dizem que é a segunda
parte né e o Bacharel de Salamanca diz Mas essa não presta ele diz ah eu sabia disso né diz uma pessoa que é de saragoça não pode escrever como Sid hamet que a obra é é pensada Como já já eu chego aí né como escrita pelo Sid ramet né Por Um moro que foi traduzida para o espanhol não é quer dizer então vejam que coisa impressionante não é quer dizer em pleno século X Ele opera aquilo que muito mais tarde nos nossos dias né Há de se chamar de intr textualidade né de intr textualidade quer
dizer a própria a obra se refere à própria obra mais tarde já no fim da segunda parte ocorre novamente porque ele fica cara obsecado com aquela publicação da obra apócrifa e ele estando em Barcelona com o o San chupança eles vão a uma tipografia e na tipografia estão ao passar ele vê que estão fazendo correções sobre uma obra chamada segunda parte do Don shot que não é a dele que não é a dele não é quer dizer que é aquela apócrifa e ele Nem considera quer dizer uma obra sem sem importância então o fato de
se ter dado essa essa distância entre as duas publicações quer dizer entre a primeira parte e a segunda parte teve uma importância digamos assim para usar uma terminologia moderna né do nosso tempo teve uma significação estrutural paraa obra estrutural paraa obra quer dizer muitos acontecimentos da primeira parte são retomados na segunda não é na segunda e comentadas por ele não é e já incluindo o seu leitor isto é que é fundamental já incluindo o seu leitor quer dizer o leitor que havia lido bastante aquela primeira parte da obra né E aí ocorre quer dizer fica
claro né se define de de maneira bastante nítida um mecanismo Central na composição do donot que é o da obra O do escrever a obra como leitura como leitura quer dizer a leitura no caso do Don quichote é um elemento da estrutura da própria obra isto se revela já na primeira parte não é em que o e o Barbeiro amigos do Dom Quixote de sua pequena família né Ele tem ele mora com a sobrinha e com uma empregada né o velho Alonso qurano nãoé o Alonso qurano que é o o o o nome de batismo
né daquele que se transforma depois em Don Quote ele mora com a sobrinha e com a ama e de repente ele começa a se imaginar um cavaleiro andante ele tinha uma biblioteca formada sobretudo por livros de Cavalaria e Lia sem cessar Lia como depois dirá Machado não é numa frase nitidamente cervantina sobre um personagem dirá o machado Lia Antes de ler e depois de ler não é Lia sem cessar e aquelas leituras levaram-no à imaginar-se um cavaleiro andante quer dizer eles Solitário ali naquele lugar ele intoxicado pelos livros de Cavalaria enlouquece enlouquece não é entretanto
eh sem perder sem perder a inteiramente a razão né isto é que é extraordinário no no livro é que os discursos que faz o dom quichote são discursos inteiramente enlouquecidos quando se tratam de Cavalaria e da cavalaria como ele diz várias vezes andan nãoé andante e entretanto são discursos extremamente sensatos quando tratam de outras coisas né nessas duas teclas o servantes vai fazendo permanecer o seu personagem então quando este personagem se transforma em Don quot na primeira parte Logo no início ele trata de cumprir os rituais da cavalaria né andante andantino com E aí o
que que significa isso significa conseguir um cavalo né conseguir um Escudeiro e conseguir um amor impossível não é amor que vem que vocês viram na conferência anterior não é o amor que vem da idade média aquele amor Cortez né em que a personagem feminina é quase quase sempre chamado de inimiga minha inimiga para dizer impossível né o amor impossível que vinha de lá e que os o o o o Alonso kirano também trata de encontrar não é então ele nomeia um cavalo um rossim não é um cavalo meio estropeado né dá o nome primeiro ele
dá um nome a ele próprio nãoé ele se chama-se Don quichote ele só pensa na palavra no início no nome Don qui shote mas ele diz mas todos os cavaleiros andantes tiveram o nome do lugar então eu vou me chamar Don quichote de L mancha e vou ter ter que escolher um cavalo ele escolhe esse rocin meio estropeado que dá o nome de rocinante não é e uma amada mais ou menos impossível que ele encontra numa camponesa que ele vê de longe não a conhecia né E que ele dá o nome de Dulcineia né Dulcineia
mas também que tinha que ter o nome de lugar né então ela fica Dulcineia deloso nãoé era uma camponesa feia gorda desdentada né masch que ele vê como a perfeição é a formosura encarnada nãoé Di é ela e que ele exalta e briga e desafia quem disser que ela não é a perfeição da formosura absoluta né qu dizer e arranja o seu Escudeiro que é um seu vizinho né chamado sanchu pança casado com filhos né que ele atrai o sanchu panza paraas aventuras com a promessa de lhe dar uma ilha quando ele conquistasse né as
vitórias ele teria a capacidade de dar um não é nem Ilha ele dá uma ínsula não é ao Sancho Pança né e o Sancha Sancho convencido disso aceita e com o donk shot nas Aventuras e sai não é é a primeira saída do donot o livro tem três saídas porque vejam bem ele sai a primeira vez é mais rápida a saída é mais rápida ele sai e quando se encontra com os tais Moinhos de Vento né que é uma coisa famosíssima não é que faz o espanto de Sancho né porque o Sancho não tinha nada
a ver com aquilo né o o Sancho não estava enlouquecido né mas isso É extraordinário no livro é que o Sancho vai se identificando com Don kot e vai também ficando enlouquecido a sua a seu modo não é primeiro ele acredita que seria governador de uma ilha não é quer dizer e na primeira aventura quer dizer mais extraordinária com os moinhos do vento o com os moinhos né e e o Don shot diz olha ali os Gigantes prepara-te que nós vamos ter que enfrentá-los né e as frases do sanchos são aí é que que entram
as gargalhadas né Nós temos que rir porque o Sancho é sobretudo a meu ver a peça que mais atrai as gargalhada porque o dox shot a gente sabe mais ou menos que ele está enlouquecido não é mas o s diz eu não tô vendo gigante nenhum eu tô vendo os muinhos e olha aqui meu amo Isto vai dá a maior confusão e dá não é o Don quijote vai de de de de de de arma em punho e e vai em cima do Moinho e as o moinho rodando joga ele longe né quer dizer então
todas as cenas e todas as batalhas que vão acabam no destroço destroço do donot ele ele sai moído né o servantes eh fez a pintura precisa né donot é magro alto magérrimo né e o o o o o Sancho é pequenininho gordinho quer dizer ele cria esse esse par Infernal né quer dizer que entrou na Cultura né na na cultura do ocidente e em várias maneiras de várias maneiras né de várias maneiras Então esta é a primeira saída ele volta absolutamente maltratado maltratado volta cas quando descobre que tinado os livros etc repousa durante algum tempo
mas não se convence e resol sair novamente convoca o Sancho e saem novamente é a segunda saída há um momento em que o Sancho olha para o Don chote não é porque ele é cheio o livro é atravessado por essas cenas comoventes né ele olha pro Don Quixote e diz assim que o o o o Sancho apresenta o Don quichote e diz assim é o famoso Don quichote de La Mancha que por outro nome por outro nome se chama o cavaleiro da triste figura e o Don Quixote perguntou a Sancho Por que é aqu ele
o chamou de cavaleiro da triste figura e o Sancho diz eu vou dizer É porque eu tive olhando momento e para você à luz daquela lamparina e vossa vossa mercê verdadeiramente tem a mais feia figura que jamais vi e isso deve ter sido causado tanto pelo cansaço dos combates como pela falta doss dentes né porque numa briga ele perdeu todos os dentes né e o Sancho olha e diz é uma triste figura né e nomeia o Don chot né Cavaleiro de triste figura e ele donot a imediatamente aceita a nomeação isso É extraordinário ele aceita
a nomeação e passa da e diz a partir de agora eu me passo a chamar e o Cavaleiro da triste figura né E se apresenta assim né Eu sou Don quichote de La Mancha também conhecido né como se fosse conhecido pela como o cavaleiro da triste figura né e é como o cavaleiro da triste figura que ele encerra a primeira parte né mas logo na na na na segunda parte Logo no início no capítulo 17 que é um dos Capítulos eh eh mais ridículos e ridículos no no bom sentido né quer dizer mais cômicos do
da obra é que ele vê uma carroça Onde existem vários leões dentro da Carroça e ele Se informa o que é que estão fazendo esses leões presos né porque ele se julga aquele que liberta as pessoas liberta os necessitados as viúvas né os animais então ele vê os leões presos ele perguntam Por que que estão levando esses leões presos estamos levando esses leões de presente para o rei né e ele diz não não é possível prender os pobres animais e você não mexa com os leões né el disse não eu vou abrir a jaa nisso
vocês podem imaginar o temor do Sancho né Sancho diz agora acabou né meu ambo vai ser devorado pelo Deus não é mas o DC shot vai e abre abre a jaula né Abre A Jaula e os leões o o leão eh o o homem que estava levando leões Não faça isso que esses leões estão Famintos porque há dias que nós não de comer a eles né a viagem é longa mas ele abre ele abre solta do rocinante vai a pé até a jaula abre e o leão misteriosamente vem até a ponta da jaula olha para
ele e lhe dá as costas e vai embora nãoé e entra na jaula de novo então Aquilo é o espanto o dono da jaula as pessoas que estavam perto que tinha muita gente o próprio Sancho não é e o donot disse a partir de agora Sancho eu não sou mais o cavaleiro da triste figura agora eu sou o Cavaleiro dos leões e passa assim até o fim do livro né Esta é a segunda já é a segunda saída né quando ele sai pela segunda vez né e desta vez ele retorna não porque quer ou porque
estivesse cansado das aventuras mas ele é acorrentado preso dentro de uma jaula né e volta para sua paraa sua cidade paraa sua província obrigado nãoé e é recolhido em casa mas ele não se aquieta né ele não se aquieta e resolve ainda sair uma terceira vez nesta terceira saída ocorre de forma explícita aquilo que aparece de vez em quando nas partes anteriores que é a relação do das Aventuras do Quixote com a cultura e a literatura Popular Popular né ele se encontra com um como é que em espanhol chama-se titereiro né que é de títeres
aquele que faz que brinca com é eh Mamulengo né se diz no nordeste Mamulengo títeres que brinca com os títeres e nessa última parte na terceira parte é a leitura do do do do do títere do jogo de títeres não é que tinha que naturalmente ser feito de acordo com o que era o próprio donk shot e é também pagável né porque o o o o o titereiro o rapaz que faz o jogo com os títeres títeres ele ele ele faz uma representação e Mas é uma representação em que há perseguidos e Perseguidores e como
Dok chot é um defensor dos perseguidos ele no momento em que ele está vindo Ele acha que estão sendo mesmo perseguidos aqueles bonequinhos né e ele vai em defesa Ele pega a espada e quebra tudo né em defesa dos perseguidos e o tintureiro fica espantado perdeu tudo né perdeu quem vai pagar né quer dizer é a pergunta quer dizer e mas ele faz isso ele ele derruba o cenário quebra tudo né e diz não admito perseguição de infelizes de de gente humilde né quer dizer ele passa a ver a perseguição de Fato né quer dizer
então há esse jogo constante não é entre a ilusão e a realidade né que vai se dando em vários planos vai se dando em vários planos um dos planos fundamentais é da Dulcineia porque a Dulcineia fica e não o acompanha ele sai com o Sancho e ele manda o Sancho um bilhete para dulcinea e o Sancho Vai e leva o bilhete para docin isto é leva o bilhete para aquela camponesa e quando Sancho chega ela tá tirando leite de vaca né e o Sancho disse mas é essa a formosura do meu amo não é não
é possível ele disz não não vou dizer isso a ele não vou dizer aí quando ele volta quando o Sancho volta diz ao Don quot eu eu procurei mas ela estava Encantada porque o Don quot sempre quando uma coisa não corresponde nem à realidade nem à fantasia ele diz que foram os encantadores que eram inimigos dele que criaram aquela imagem né então Sancho aproveita disse disse olha ela tava Encantada transformada numa camponesa e o e o donot disse isto é iso é próprio dos encantadores daqueles que me perseguem daqueles que me perseguem né quer dizer
então a Dulcineia fica Encantada grande parte da obra O que deu ao grande crítico autor do mimesis auerbach [Música] a oportunidade para escrever um ensaio magnífico sub observante chamado a dcine Encantada né A dcine Encantada que é exatamente esse jogo entre a realidade que é o tema central do livro do auerbach a realidade e a ficção e a literatura né A ou a ou em alguns casos a realidade da ficção né quer dizer a do cinea fica Encantada só perto do final da obra é que o aparecimento de um outro de uma outra figura mais
ou menos mitológica um encantador né também fingido porque uma das cenas mais brilhantes do livro e é uma das cenas finais do livro é quando ele se encontra com os Duques Duque Duquesa não é são reais Duque e duqueza e os Duques e o Duque e Duquesa resolvem brincar com com donot e resolvem fingir mais do que ele toda uma realidade né de Cavalaria andante de e eles criam um personagem que dizia que poderia desencantar a dulcinea n desencantar do ciné e como desencanta fazendo com que o Sancho apanhasse 3.000 açoites né o Sancho diz
mas eu que vou pagar né ela e o sanjo fica numa situação terrível porque ele é que tinha criado aquela ideia de da dulcinea Encantada quer dizer isso É extraordinário né isso É extraordinário então o o o o o o o livro vai eh criando essas essas essas camadas de de de de ilusão de ficção eh que se articulam com com a realidade de tal modo que o grande leitor do do Don quichotte eh que foi Jorge Luiz [Música] Borges que escreveu pelo menos nos dois textos fundamentais sobre servantes um se chama Pierre menar autor
do Quixote né que o Borges imaginou um escritor pós simbolista chamado Pierre menar que resolve escrever o donot e ele escreve ciando copiando IPS literis o donot né copiando E aí e o bor faz um comentário terrível e definitivo o bor diz aquilo que parece arcaísmo era natural no século X mas hoje é um arcaísmo extraordinário né dizer escrever como se fosse no século X né quer dizer o Borges cria também ele essa que é próprio do Borges né Essa duplicidade entre ficção e realidade mas o Borges escreveu um texto também Central sobre o Servante
chamado magias paais do quichote nesse texto há o seguinte trecho do Borges que a meu ver define bastante uma série de coisas que estão na obra Borges diz assim por que é que nos inquieta que o mapa esteja incluído no mapa di um mapa dentro de um mapa e às 100 noites no livro das 1001 Noites um conto chamado as 100 noites no livro chamado às 100 noites Por que nos inquieta que Dom quichote seja o leitor do Quixote e Hamlet o espectador de Hamlet eu acho que vocês sabem que no próprio no Hamlet na
obra do Shakespeare há um momento em que chega uma trup teatral junto ao príncipe Hamlet para representar uma pequena peça e esta peça tratava Do mesmo tempa do mesmo tema que a obra Hamlet trata né então diz o Borge Por que nos inquieta que Don Quixote seja o leitor do Quixote e Hamlet espectador de Hamlet creio que eu encontrei a causa diz o borres Tais inversões sugerem que se os personagens de uma ficção podem ser leitores ou espectadores nós seus leitores ou espectadores podemos ser fictícios isso É extraordinário né quer dizer esta criação do Borges
toca fundo no no no problema que está em todo Don quixot né e há outros trechos outros textos do Borges fundamentais sobre sobre o o o servantes né em num dos quis o último aliás que foi uma conferência que o Borge fez no Texas que era sobre servantes sobre a alegria de ser leitor de Cervantes em que o Borges diz que na no livro O servantes parece entrar e sair do livro a todo momento o próprio servantes parece entrar e sair do livro e isso é verdade a todo momento deixando esse gosto né em pela
leitura não é de uma obra de ficção e uma leitura que é ao mesmo tempo uma criação fictícia quer dizer que nós não podemos eh chamá-la de leitura crítica de leitura eh literal né quer dizer uma leitura que está sempre que é sempre instável incerta não é porque nós não sabemos onde começa a a a ficção e ou onde começa e onde nos apoiarmos no uma realidade quer dizer e isto faz do do donot do personagem Don do personagem donot um personagem extremamente complexo né e faz com que dostoevsky pudesse dizer aquilo quer dizer ele
que ele que eu li é ao mesmo tempo no fim um bom bom né mais ridículo né quer dizer isto faz com que ele seja nos se aproxime mais da do que nós chamamos de humanidade O crítico Harold [Música] Bloom escreveu um livro sobre Shakespeare né em que ele tenta dizer neste livro que o shak é o criador do próprio conceito do hom né o mesmo Poderíamos dizer com servantes eu vejo o donot como capaz de promover várias reflexões né em várias linhas assim como o dost permite uma reflexão psicanalítica assim como ele se aproxima
ou destrói gêneros nãoé constitui gêneros mistos né era reitor de jornais e processos cria o crime castigo que se aproxima tanto da do do romance [Música] policial sem ser um romance policial né o o Don kot o servantes também não é quer dizer a a sua obra permite uma uma percepção da sociedade espanhola no século X que está ligado àquilo que é fundamental no século X espanhol eh é difícil perceber o servantes e Inclusive a sua linguagem se nós não tivermos presente que ele participa de um grande momento da arte né que é o momento
do Barroco né E todas as contradições as negativas os paradoxos que surgem tanto em servantes quanto em Hamlet e em Shakespeare né faz em parte de uma mesma época quer dizer a realidade e a ficção no Barroco é fundamental é fundamental quer dizer a ilusão né a criação do do do do da da ilusão daquilo que eh está na fresta da realidade não é é não é real né quer dizer está está na tá na arquitetura Barroca né está na pintura barroca está na poesia está em Cervantes quer dizer todo esse mundo do século X
espanhol não é eh ou ibérico digamos assim comparece na na obra não é e faz parte da formação desse desse homem né desse homem desse homem Barroco europeu e que se transfere nãoé pra América né pra América um crítico brasileiro da maior perspicácia o gaúcho Augusto [Música] maer escrevi uma vez um texto que ele chama um certo Cervantes né que é o que teria vindo de contrabando para o Brasil não é no século X porque no Brasil entrava pouca obra né já no século 18 cantes é lido no Brasil nãoé Quer dizer então é possível
encontrar elementos dessa ordem culturais para ler essa essa figura né quer dizer ele faz parte ele é um mito moderno um mito de Constituição do moderno se diria melhor né um mito que vai ajudar na Constituição do moderno não é através desses elementos porque Se nós formos pensar em teoria literária em crítica propriamente em Literatura propriamente é de uma riqueza infindável né a relação entre entre a linguagem culta né de que o o Don quixot se utiliza e a Popular os refrães né que o o o Sancho e isto é próprio da cultura popular né
o Sancho usa e abusa do refrão né do do adágio a todo momento ele tá a a é claro que ele começa falando pouco mas com o desenrolar do do livro na segunda parte ele desembesta né Tem tem momento que ele não para de falar adágio isto incomoda o próprio doot pá você só fala em adágio não é como se fosse uma luta entre a a a linguagem culta de Cervantes e a linguagem popular do Sancho que era um camponês quer dizer ele traz para para para o livro esses elementos que são importantes na formação
e na caracterização antropológica sociológica antropológica do personagem e que se vai dar em outros livros em outras obras fundamentalmente né como por exemplo no nosso Grande Sertão [Música] [Música] Veredas onde aparece essa a linguagem eh a relação entre linguagem culta cssa né cssa e a linguagem Popular né a linguagem do Cancioneiro a linguagem do romanceiro não é quer dizer tudo isso está nesta nesta obra constituindo os precursores da da modernidade enfim eu apenas procurei despertar em vocês espero ter conseguido o desejo de ler este livro n o desejo de ler este livro é uma leitura
e que vale a pena né uma leitura que preciso ter tempo para ler nãoé porque é longo é um texto longo é um texto cheio de interrupções nas Aventuras de outras histórias mas são sempre são sempre elementos enriquecedores né ninguém lê o para sair em assim como que ninguém lê nenhuma grande obra e sai emum da leitura né a gente sai sempre meio modificado né meio modificado são obras que interessam inclusive por causa disso né Di acrescentam alguma coisa a nossa percepção do homem e do Mundo Muito obrigado [Aplausos] 2 [Música] da [Música]