Narrativas compartilhadas têm o prazer de continuar ouvindo um profissional do look que agora vai falar um pouco do momento em que ele vendeu Genebra para o Brasil. Mas antes, uma pequena lembrança do momento em que ele foi ao Brasil, da Genebra: um pequeno resgate, realmente, em '73, com a morte e tortura do meu sobrinho Alexandre. Eu fiquei muito mais visado porque, quando recebi a notícia de que ele estava preso, foi um telefonema anônimo de um colega dele que ligou para minha irmã, a mãe do Alexandre, e quem atendeu foi o irmão mais novo do Alexandre, na altura com 10 ou 12 anos de idade.
Alexandre foi preso, venham vê-lo, simplesmente assim, o telefonema. Isso fez com que o pai dele, meu cunhado, e eu imediatamente fôssemos a São Paulo para descobrir onde, como e por quê. Eu me lembro que fui procurá-lo, por exemplo, no hospital militar no Cambuci, porque eu sabia que o hospital militar lá era dirigido por freiras, por religiosas.
Eu falei: "Lá é um ambiente bom para mim", mas eu procurei a irmã superiora para pedir informações e fui lá, não estava ninguém na ala, porque, naquela altura, quem era preso imediatamente era torturado e mandado para o hospital. Ficou-se a ideia de ir para o hospital onde meu cunhado estava, ele foi a outros lugares. Eu tinha compromissos na igreja e não pude ficar fazendo tanta romaria: triste romaria!
E nem ele, nem eu, nem ninguém conseguiu descobrir nada. Ele voltou vários dias para conversar com o delegado. Este mundo é ligado aqui, outro lá, desconversavam, os delegados se contradiziam.
O resultado deu no que deu: ele foi torturado ali no DOI-Codi, na Rua Tutóia, em São Paulo, e foi morto ali. Tudo isso, posteriormente, ficou público. Os sobreviventes contam a história de como ele foi torturado; terrível história!
Terrível! Eu fiquei em um ponto máximo de crise interior, daí a minha decisão de querer sair do Brasil. Mas para sair, quando contei isso a um amigo meu, Alexandre Del, que era um amigo de muitos anos, o meu primeiro fusquinha foi ele que financiou.
Ele tinha uma ligação com a Cobel, porque a Cobel, Consermelli e Beldi, eram os dois donos da Cobel. Acabei dando uma malha para quem não sabia da história: o meu primeiro fusquinha saiu da Cobel, financiado por ambos, com Sêmelli e Alexandre. Béu, béu, béu!
Ele também me ajudou quando fui nomeado vigário da Vila Progresso, porque me ajudou não só porque me deu o telefone. Imediatamente, naquele tempo, ele era o dono do Coffee RTS, que naquela época também um casal já da própria conversou comigo, desesperado: eles estavam devendo vários meses a mensalidade da casa própria da Caixa Econômica e, naquele mês, se não pagassem, iam perder o acaso. Eu contei isso para Sandri; ele pagou as mensalidades.
Grande Alessandro! Quantas saudades que eu tenho dele! Ele morreu há alguns anos atrás.
Grande Alexandre fazia tudo isso sem publicidade. O que diziam? Alexandre foi preso; o meu sobrinho foi preso sob a alegação de que era um comunista, agitador comunista, de que ele tinha, inclusive, participado de assaltos à mão armada.
Nunca pegou uma arma na vida dele. Ele, inclusive, era um pouquinho de gente. O apelido dele era "Minhoca", por dois motivos: grande adjetivo, grande apelido, porque, primeiro, ele era de pequena estatura e, segundo, porque ele adorava a terra; era geólogo.
Vive na terra, o apelido foi dado com muita precisão. E essa acusação era falsa. O que ele realmente era, e isso perturbava a situação política: ele era um líder intelectual, ou seja, ele fazia teatrinhos na favela perto da USP, escrevendo e, com outros, trabalhavam um teatro de reflexão.
Rafas, as forças armadas, líder entre os alunos, colegas dele. Por essa razão é que ele foi preso e todo o meu esforço, o esforço da minha família para conseguir informações, tudo isso me fez ficar muito visado. E aí fui contar ao Alexandre que eu ia embora, me despedir dele, e ele falou: "Ah, você vai embora?
Não é tão fácil assim, não! " Alexandre tinha relações maravilhosas. Cota culpa do governo!
Ele era uma figura neutra. Ele era um negociante, alguém que tinha interesses empresariais e estava interessado, naquela altura, em criar uma faculdade de engenharia em Sorocaba. A ideia, de fato, eles disseram antes de falar comigo.
E outra vez eu voltei e ele falou: "Olha, você não vai embora sem mais nem menos. O meu sobrinho, Luiz Castanho Delta, Luíz Belo de Castan, vai levar você da sua casa até o aeroporto. Lá no Rio, eu tenho alguém que vai estar lá para garantir o seu embarque.
" Coisa que me arrepia até hoje! Tudo foi feito. De fato, chegou o dia, o juiz esteve, o caso pegou e fomos para o Rio.
Uma religiosa, lá no Rio, depois, mais à noite, tinha que me pegar e me levou até o aeroporto. Fiz o check-in, embarquei sem problema nenhum. Por quê?
Porque ele colocou lá um grande oficial do exército, garantindo o meu check-in e o meu embarque. Impressionante essa ligação de Alexandre com autoridades! E lá em Brasília, ficará caracterizada, sobretudo, se particulariza, vá com a aeronáutica, tanto que, quando foi para criar a faculdade de engenharia, quem o ajudou foi o ministro da aeronáutica.
E a faculdade de engenharia foi criada realmente, acho que em '76, não mais tarde. Mais tarde foi criada em '80, por aí. Porque eu lembro disso, porque eu fui, quando voltei, o Alexandre de novo, me apresentei a ele como amigo e pedi a ele: "Alexandre, estou voltando, tenho quatro aulas na faculdade de filosofia.
Minha mulher, Arroz, é professora do SESI, mas eu gostaria de conseguir algum emprego para completar a nossa situação. " Ele imediatamente. .
. Sabor! De novo, Luíz.
. . Falou, procure ver se não tenho a possibilidade de entrar nas Ciências e Letras.
O diretor da época era de Alma Clarín. Já uma Clara tinha sido minha funcionária na Faculdade de Filosofia, um cara muito esperto, não muito dotado para didática e pedagogia, mas tinha expertise, como se diz hoje. Que era o diretor.
Mais um diretor que estava querendo sair. Assim, eu fui nomeado vice-diretor e, após alguns meses, diretor do NCI (Ciências e Letras) de 75 a 80. Quem eram os diretores, os donos das Ciências?
Era um trio muito amigo meu até hoje: Luiz Carlos Beldí, Castanho, Buzar Fonseca e Samuel Tabacof, um médico, o engenheiro e dois engenheiros; o Oscar é mais físico, não é engenheiro, e o Libelo era engenheiro. Eles me receberam muito bem; eram os meus chefes. Depois, eu fui diretor do CIS e Letras.
Foi outra experiência interessante também. Me lembro que, numa noite, eu tive que fazer boas e más-artes para defender um professor, Miguel Trujillo, professor de História, e Zagallo, na Faculdade de Filosofia, que era comunista e fazia pregação com lista, mas dava aula muito bem. Em uma noite, a polícia veio e o pegou.
Precisamos colocá-lo no sótão do prédio para que não fosse pego naquela noite. Depois que pegaram, ele foi preso e torturado, mas conseguiu se reencontrar em Sorocaba. Mas continuava, então, aquela visão de alguém poder.
Todo Ciências é perigoso; professor da faculdade é perigoso; casado é perigoso. Tão perigoso que eu descobri mais tarde o outro ofício lá em São Paulo, no DOPS, contra mim. Um ofício interessantíssimo, que faz chorar e ri muitas vezes.
O ofício dizia simplesmente isso: "O ofício de delegado de Sorocaba para o lado de São Paulo, o seletíssimo senhor, tem o presente ofício como objetivo informar a vossa excelência que o ex-padre Álvaro foi visto esta noite com a sua esposa saindo da Pizza na Pedra. Sem mais, atenciosamente. " Impressionante!
Nem à noite fosse crime, como se fosse um gesto, mais um gesto de um agitador. Mas essa era a situação e a minha vida então em Sorocaba começou ali na Rua Santa Maria, morando num sobrado, na faculdade, e diretor do Sensus de Letras. Aquela vontade imensa de ter um filho.
O nosso grande médico, obstetra, foi Doutor Luiz Ferraz, Luiz Sampaio Ferraz, acompanhando as ruas na gravidez. O primeiro parto, tão desejado, não vingou; ela teve um aborto no fim de novembro. Uma tristeza imensa!
O dia em que eu cheguei com o resultado do laboratório para dizer a ela que não deu, eu me lembro que a gente, para tentar minimizar o sofrimento, marcamos: vamos para Campos do Jordão logo depois do Natal. Campos do Jordão era minha grande meta de descanso quando estava no clero. Me lembro que fui umas três ou quatro vezes, até porque Campos do Jordão tinha um edifício que era para férias do clero, com pagamento muito pequeno, mas um local bem situado no Capivari.
E então bolei isso: vamos voltar a Campos do Jordão agora como padre casado procurando um botãozinho. E fomos. Bem, lembro que um passeio que a gente fez, que a gente imaginava que seria tão bom.
Infelizmente, tinha ali, logo na entrada do hotel, alguém com produtos artesanais, coisinhas para bebês recém-nascidos. Aquilo foi o choro solo, mas a gente viu o Roberto Carlos cantando. Eu sempre gostei muito do Roberto.
Eu me lembro que, às vezes, quando eu estava ainda no clero, pegava o meu Fusca e ia viajar por Campos do Jordão. Conhecia bem tudo aquilo. Hoje eu fico lembrando: um padre, um fusquinha, sozinho naquela cidade, natureza, falando de vida, tudo verde, tudo maravilhoso.
Aquela agitação turística, um padre só, sim, num fusquinha rodando, procurando o que, procurando o que? Seguir a série B? Série Batalha?
Sério sustentando, aguentando? Parava, às vezes, ligava o rádio para ouvir Roberto. Detalhes como é que aquela outra era a nossa canção.
Não sabia de cor todas naquela altura e cantava junto. Mas valeu! A gente a Campos do Jordão voltou.
E assim a vida de casado de Doutor Luiz Sampaio. No domingo, sempre chegou o dia do parto. Nasceu Ana Maria.
O segundo parto, dois anos depois: João Estêvão. E uma coisa impressionante: hoje, não entendo e agradeço ao Doutor Luiz Sampaio, que fez questão de não cobrar nenhum dos dois partos, porque os seis não sei, vi até hoje. Eu não sei.
A gente procurava dar algum presente a ele, mas o grande presente foram os dois filhos nascidos. Perfeitas numa tensão imensa dele, nossa, tudo isso é graça de Deus. Eu sei que, falando assim, e posteriormente alguém me ouvindo, haverá alguém que não acredita em Deus.
Haverá muitos, alguém que não tem prática religiosa. Eu respeito, mas eu simplesmente digo: tem-se um pouco. É preciso explicar algumas coisas que acontecem na vida que eu chamo de graça divina.
Não sei como você chama. Diga lá o que você quiser. Pense lá o que você pensar.
Mas há, há, há! Existe o sagrado, existe o absoluto, existe o suprassumo de tudo que a felicidade, que não tem explicação matemática, física, química, tecnológica. Essa é uma observação que eu deixo no ar, mas a minha vida continua: vida de casado, vida de professor, tendo depois, em 80, um grande outro momento, que foi a minha eleição, escolha para diretor da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, que vai ser agora a Faculdade de Filosofia, seus viçosos tatons.
Vamos aguardar. Vamos lá e até o próximo! Então, encontro-nos, que estaremos aguardando a próxima fala em Salvador.
A partir do momento em que ele entra na faculdade dos ofendidos. Seus elementos, como um dígito, eram filha da igreja. Certinho, bom que Bono canta livre; e olha que Braga Jordão, em minha viagem de vocês, foi Campos do Jordão.
Já é um carinho muito grande por aquele espaço.