[Música] [Música] Será que a nossa aparência física revela quem somos ou seja somos exatamente o que vemos no espelho e se a sua aparência fosse diferente do que é você se sentiria como se fosse uma outra pessoa Ah com certeza se eu fosse mais alto tivesse olhos azuis Com certeza me sentiria diferente do que eu sou Pois é e parece que na maioria das vezes não estamos satisfeitos com o nosso corpo é ainda mais hoje com todo esse culto aparência que exige corpo perfeito definido e Juventude eterna para nos ajudar a entender nossos ideais de
corpo e a nossa construção como sujeitos O Café Filosófico traz a psicanalista Hélia Borges e também participa desta conversa sobre e saúde o filósofo André Martins curador desta série A ideia né é que a gente possa começar a parar para refletir O que que tá significando a palavra saúde e o que que tá significando a palavra corpo né Qual é o meu propósito seria desajustar um certo entendimento que a gente tem senso comum de corpo e de saúde quando a gente fala de corpo imediatamente o que que vem à mente né a ideia de um
corpo material biológico né ou saúde um estado onde você tem um Silêncio dos órgãos Como diz G Guilhem né onde não se manifesta nenhuma ah turbulência né onde o o homogêneo se coloca como o horizonte a ser atingido né Essa Ideia de homogeneidade né é uma ideia muito importante pra gente pensar porque é justamente aquilo que vai transformar a possibilidade da gente se diferenciar e buscar o que nos faz existir na nossa singularidade né fazendo a gente se conformar com certos modelos que partem de uma construção sociohistórica eu vou convocar por exemplo a a genealogia
que o Foucault faz né do que que seria o processo de subjetivação né como é que a gente se constitui como é que a gente se torna sujeito ele vai dizer que a gente se torna sujeito a partir das relações que a gente vai estabelecer com o ambiente onde a gente tá existindo são as condições socioeconômicas políticas culturais que vão ditando as formas os modos como a gente tem que se movimentar no mundo ou se paralisar no mundo dessa maneira a gente pode entender que esse processo né é um processo que dentro da de toda
construção da da civilização ocidental a gente tem um percurso e o Foucault faz muito bem isso mostrando como é que esse corpo vai sendo dominado como é que ele vai sendo explorado como é que ele vai sendo eh aproveitado no sentido de produzir sujeitos que sustentem o propósito do Estado Talvez o objetivo hoje em dia não seja descobrir o que somos mas recusar o que somos temos que imaginar e construir o que poderemos ser para nos livrarmos deste duplo constrangimento político que é a simultânea individualização e totalitar PR as estruturas do Poder moderno temos que
promover novas formas de subjetividade através da recusa deste tipo de individualidade que nos foi imposto há vários séculos hoje a gente tem o hipercapitalismo por exemplo que necessita de uma prática que já não é mais uma prática de disciplina como a gente tinha no começo do século XX por exemplo né onde os corpos final do século onde os corpos eram treinados para se ajustarem no modelo de família modelo hegemônico né que você tinha que ter uma família dessa aliança partiu uma herança né um um nome para você poder ter uma organização social que sustentasse o
que veio depois da queda da monarquia né Então essa ideia ela partia de um pressuposto onde os corpos tinham que ser organizados para um destino né tem todo um um grupo hoje que trabalha com a questão dos transgêneros a questão da sexualidade né da homossexualidade da heterossexualidade todas questões que tá colocando em cena né Essa forma que a gente tem hoje de uma certa resistência a esse processo né de domínio de um corpo que se dirige a uma determinada forma de sexualização eu tô querendo pensar todas todos os modos como a gente se organiza né
quer dizer o fouc centra na sexualidade mas não só e ele no final da vida dele ele tem uns trabalhos em que ele vai convocar por exemplo a Grécia antiga falando sobre uma prática que os gregos tinham de que eles chamavam cuidado de si né do governo de si que era uma reflexão constante né dentro desse processo democrático grego né daquilo que compunha aquele corpo compunha no sentido mesmo Espinosa O que faz o meu corpo expandir né e não o meu corpo contrair para os antigos gregos o cuidar de si mesmo levava uma prática constante
da auto-observação de sempre se examinar o conceito foi proposto Originalmente por Alcebíades e deveria iniciar--se na passagem da adolescência à idade adulta quando o indivíduo passaria a participar da vida política o cuidado consigo e o autoconhecimento estariam então a serviço da Poli já Platão afirmava que este cuidado deveria ser permanente e Epicuro dizia que nunca é muito cedo ou muito tarde para cuidar de sua alma o cuidar de si era uma terapêutica para uma vida saudável e feliz um hábito medicinal para o corpo e a alma dentro dessa perspectiva O que que a gente tem
hoje quando eu chamo do hipercapitalismo né é uma proposição que faz o Foucault sobre as biopolíticas tá o trabalho eh de dominação que a gente tem hoje né a forma de conhecimento os saberes eles se posicionam na direção de organizar toda uma forma de captura daquilo que vai para além do desejo quer dizer não é mais em cima do desejo como você tinha você hoje constitui um Corpus né que tem modos fascistas de de funcionar que que é o fascismo senão o desejo de se anular diante do Poder do outro que que significa esse movimento
né significa tanto um um processo de hiperexcitação né os meios tecnológicos oferecem essa possibilidade né de você tá completamente fluido e distribuído numa certa não fixidez como um anestesiamento um corpo anestesiado esvaziado da sua potência de composição a gente seleciona os alimentos a partir do desejo né né o corpo diz o que que a gente quer comer isso é uma capacidade do corpo tá em contato com o que eu chamo de corpo intensivo né o corpo intensivo ele tá Para Além do biológico não que ele Exclua o biológico ele inclui o biológico mas ele tá
vivo né ele tá potencializado de vida ele tá potencialidade potencializado de vida significa que ele tá expandido no mundo ele tá na relação com o mundo ele tá em fricção com o mundo é um corpo vibracional né É desse corpo então que eu tô tratando aqui e é esse corpo né que tá sendo colonizado no capitalismo contemporâneo não é mais a questão do desejo é mais do que isso é um desejo que a gente tem de se destruir enquanto forma de ser a gente não quer ser essa forma de ser aa que as pessoas têm
hoje né de se transformar em outra coisa que não elas mesmas né então elas não podem se ouvir e nem afirmar a sua própria existência por isso que a gente tem como código internacional de doença em primeiro lugar hoje a depressão né quer dizer a depressão síndrome do pânico eh São expressões patológicas dessa impossibilidade de você buscar aquilo que te constitui aquilo constitui você enquanto ser singular único a busca por um corpo Belo parece um imperativo nos dias de hoje e em muitos casos ultrapassa o limite do saudável e vira um torno [Música] [Música] patológico
o cocô chama o trabalho que a gente tem que fazer um trabalho que de guerrilha contra nós mesmos né é uma Guerrilha constante que a gente tem que estar fazendo é acordar esse corpo né é fazer esse corpo existir para produzir pensamento porque enquanto esse corpo tá anestesiado eu só vejo aquilo a gente sabe que a nossa percepção é uma percepção que tá ajustada a uma lógica antecipatória dizem pra gente que aquilo é assim e a gente vai repetir essa história O problema é a gente desajustar essa percepção é criar a possibilidade de enxergar novos
mundos enxergar novos horizontes e isso vem através das experiências sensíveis [Música] a gente costuma acreditar que as aparências enganam Mas as aparências revelam é mesmo eu gosto de observar o jeito como as pessoas se vestem como elas andam como falam os trê jeitos as expressões Eu acho que isso revela muito da pessoa revela mesmo às vezes a gente encontra aquele sujeito sisudo todo sério travado que revela-se um exímio dançarino Eu por exemplo botei na cabeça que eu sou pessoa que dança pessimamente Eu não danço de jeito nenhum em pista nenhuma nunca pois você deveria tentar
a dança é uma possibilidade de criação de sentido pra vida o drumon até escreveu A dança Não é movimento súbito gesto musical um estar entre céu e chão novo domínio conquistado onde busque nossa paixão libertar-se por todo lado e niet disse que dançando e cantando expressa-se o homem como membro de uma comunidade ideal mais elevada ele desaprendeu a andar e a falar o homem não é mais artista tornou-se obra de arte modernidade foi uma uma proposição que tinha em vista a razão como a salvação dos problemas do homem né quer dizer a razão ia dar
conta a verdade a universalidade né você encontrar ali a solução para todas as coisas e h houve muito progresso com com a ciência mas ela esbarrou nessa perspectiva chegou um momento que não podia mais né Então a partir do final do século XIX começo do século XX começam a aparecer emergir esses movimentos o Freud foi um transgressor nesse sentido né quando ele diz que realmente o que não o que nos governa não é o A consciência é o inconsciente né E que é um corpo nesse começo do século XX vários pesquisadores do movimento o o
modernismo ele vai trabalhar muito com essa ideia de movimento né você vai ver na em todo todo o campo da arte né uma resistência ao fechamento do código né Essa essa coisa Da Lógica formal racionalizada então o o movimento modernista vinha justamente fazer um um um um confronto com essa com essa eh esse extremo da Razão no Brasil o movimento modernista propôs uma ruptura com os padrões artísticos estabelecidos Deveríamos ter liberdade criativa para buscar uma arte que fosse verdadeiramente brasileira pela música Literatura e artes plásticas deveríamos redescobrir o Brasil e recriá-lo nenhuma fórmula para a
contemporânea expressão do mundo ver com os olhos Livres a arte ela tem um sentido de abrir novos horizontes porque ela afeta ela faz a gente estranhar ela a gente olha um poema pega um poema de Manuel de Barros você vai olhar aquilo ali vai ler vai mas né realmente um um lagarto em cima de uma pedra no sol batendo Que coisa né que coisa intensa aquele sol vibrando no lagarto deitado em cima da pedra e aquilo acorda uma pedra brilhando dentro da gente né é essa experiência do estranhamento que produz um corpo né É disso
que eu tô falando aqui quando eu falo desse corpo vibrátil desse corpo que foi esquecido para dar lugar à razão com 100 anos de escória uma lata aprende a rezar com 100 anos de escombros um sapo vira árvore cresce por cima das Pedras até dar leite insetos levam mais de 100 anos para uma folha selos uma pedra de Arroio leva mais de 100 anos para ter murmúrios por menos de TRS meses mosquitos completam a sua eternidade Quando chove nos braços da formiga o horizonte diminui o voo do Jaburu é mais encorpado do que o voo
das horas a 15 m do arco-íris o sol é cheiroso nas brisas vem sempre um silêncio de Garça mais alto que o escuro é o rumor dos peixes quando a Rand de cor palha está para ter ela espicha os olhinhos para Deus todas estas informações tem uma soberba desimportância científica como andar de costas Então essa perspectiva científica que foi assim a a as ciências humanas agarraram com todas as forças durante o século X começou a se esvair no Século XX e dentro essa perspectiva a gente vai ter alguns estudiosos do corpo que começam a trabalhar
no começo do século XX o balé clássico Ele trabalha com a com a representação né Ele trabalha em cima de um aonde vai chegar ele tem uma origem e um fim né Então tá dentro dessa ideia de verdade de universalidade de modelo você tem que dentro da Perspectiva da ciência você tem que ter um caminho onde é que começa onde é que termina aquilo vai aquele aquela aquela experiência ela vai sempre ser reproduzida e o Laban vai começar a trabalhar o laba é esse esse estudioso dos movimentos corporais que foi um um um dos influenciadores
da dança contemporânea da dança moderna e da dança contemporânea o Laban vai no vai começar a estudar os movimentos na indústria né os movimentos repetitivos e vai começar a ver como é que o espaço vai sendo reduzido como é que a experiência de movimento ela é ã ressignificada né você perde a dimensão das costas você perde a dimensão né dos cruzamentos das linhas de cruzamento do teu corpo né você começa a ter um corpo reduzido a uma prática né a musculatura vai sendo formatada naquilo que é designado para você realizar dentro da dança várias várias
manifestações porque Isadora dunc foi realmente alguém que já começa a desconstruir a ideia do balé clássico né o caminho da dança moderna e a dança contemporânea ela vai fazer uma trajetória para desconstruir exatamente essa noção que eu tô falando aqui de origem enfim quer dizer não é mais buscar um sentido você não tem mais um projeto de fazer a pessoa ser emocionar com o lago dos Cisnes né A A Emoção Vem de um momento de encontro ali de um movimento de um gesto dançado Laban depois de coreografar diversos balés se dedicou a sistematizar a linguagem
do movimento baseando seus estudos na relação do indivíduo com o espaço ao seu redor e estas suas teorias serviram de base para o desenvolvimento da dança moderna na Europa uma de suas alunas Marie vigman foi um dos nomes pioneiros na dança moderna inspirada por Laban ela chegou a criar formas de dança sem qualquer acompanhamento musical Isadora dancan foi outra bailarina que teve papel crucial na libertação das restrições clássicas do [Música] Balé também para Pina balt a dança era muito mais do que técnica o que me interessa não é como as pessoas se movem mas sim
o que as move trata--se da vida e portanto de encontrar uma linguagem para a vida essa é a ideia que a dança contemporânea traz né É ela ela vai eh levar paraa cena né o movimento o gesto enquanto potência de deslocamento né e o que é fundamental né produzir uma estética que é o que a gente perde quando a gente fica codificado então a gente tá muito contaminado hoje dessa questão que é um esvaziamento das Sensações do nosso corpo pra gente poder continuar existindo na violência que a gente existe numa sociedade contemporânea para mim o
pensamento ele é arte e ele é cultura né eu diria até assim a filosofia é cultura quando o nietz quando quando ele analisa a a tragédia grega e escreve sobre a tragédia grega ele tenta mostrar que o El que entende por filosofia é a filosofia que provoca pela comprão uma experiência estética e El opõe isso a um trabal pens que buca uma experiência moral que buca regrar condut dieri esttica éi inclus quando se D através do pensamento [Música] mente sã corpo são ou seria o a verdade é que quando a gente fica doente a mente
também padece o contrário também pode acontecer corpo e mente são faces de uma mesma moeda formam um só sujeito a filosofia e a psicanálise nos ajudam a entender melhor esta relação entre mente e corpo o Freud quando ele vai estudar histeria né ele já tá aproximando a questão da arte ele vai estudar com ele vai observar o trabalho do do charcot com as histéricas em Paris e ele vai entender esse corrico como um corpo sensível n que tá performático ele tá apresentando algo é uma performance foi estudando a histeria que Freud entendeu que os Sofrimentos
da mente podiam produzir sintomas no corpo hoje já não se fala emteria temos as doenças psicossomáticas as angústias da mente continuam se traduzindo no corpo cada sintoma histérico desaparecia de forma imediata e permanentemente quando conseguíamos evocar nitidamente a lembrança do fato que o provocou e Despertar a emoção que o acompanhava e quando o paciente havia descrito aquele fato com os maiores detalhes possíveis e o traduzira em palavras eu acho que a psicanálise quando ela tomou esse caminho clássico né do discurso ela perde a força da linguagem disso que o Foucault vai trazer para nós por
exemplo quando ele trabalha com a ordem do do discurso ele vai falar que a gente eh tá habituado a um pensamento né que tá fundamentado no discurso e o que produz a vitalidade do pensamento não tá na representação né Tá na força que atravessa a representação né e justamente é aí que entra a arte a linguagem ultrapassa o discurso é esse campo vibracional que é a fricção que a gente tem no contato com o novo o discurso nada mais é do que a reverberação de uma verdade nascendo diante de seus próprios olhos e quando tudo
pode enfim tomar a forma do discurso quando tudo pode ser dito e o discurso pode ser dito a propósito de tudo isso se dá porque todas as coisas tendo manifestado e intercambiado do seu sentido podem voltar à interioridade atenciosa da consciência de si no começo do século XX a gente tem por exemplo William heis que foi um psicanalista que teve problemas sérios né com com a sociedade de Viena acabou sendo expulso da sociedade ele fez um trabalho porque ele foi um freudiano radical ele foi um fridiano radical porque ele dizia que ã a saúde estava
na genital ou seja na capacidade do corpo de se entregar amorosamente à vida né ao amor ao trabalho e ao conhecimento seriam as três vias que poderiam contemplar essa saúde né esse estado de saúde que eu tô chamando aqui que não significa um um silêncio Mas significa a capacidade de você tá criando na vida de você tá encontrando os acasos e podendo constituir com com esses acasos novos lugares pra sua existência né quando você fecha o seu corpo a esses encontros você adoece você rompe a sua mobilidade você interrompe o processo Vital então o re
ele vai sacar ele vai ser um dos primeiros a perceber que o corpo era o lugar aonde se depositava a forma de adoecimento dos indivíduos a ponto dos indivíduos desejarem o lugar de Servidão porque o grande problema que a gente tem é esse né é que é é desejar que alguém domine a nossa vida e diga o que é que a gente tem que fazer é disso que a gente tem que sair É disso que eu tô falando aqui né colocar o corpo em cena um corpo vivo um corpo vibrate um corpo sensível é resistir
a ser dominado né claro que a gente não pode fazer isso completamente porque nessa sociedade que a gente tá é óbvio né eu não posso dizer fora representação senão não falo mais não é isso para eu poder me comunicar eu tenho que tá usar a razão consciência memória né então é eh eh engravidar a minha a minha razão do meu corpo né o meu pensamento ficar pleno de corpo o Reich ele mostra como que a musculatura né vai se contrair a partir das repressões dos impedimentos que a sociedade vai instalando nos jeitos para ela poder
se estabelecer então o que que ele propõe no começo do século XX na Alemanha né E isso foi uma coisa terrível ele propõe o projeto dele chamava sexp a política da sexualidade Ele trabalha com 40.000 jovens em que ele vai instruir né ah sobre a Sexualidade e sobre a possibilidade de viver a Sexualidade na sua Plenitude então eram vários vários Trabalhadores de saúde mental em vários lugares da Alemanha instruindo jovens né sobre essa condição não sei se vocês assistiram a fita branca se vocês tiveram a oportunidade de assistir esse filme esse filme é de de
um diretor que também é psicanalista em que ele vai colocar né como que esse corpo violentado por uma educação repressiva né ele constitu uma que [Música] etwas gegessen nachdem es dunkel geworden IST und ihr nicht aufgetaucht seid IST eure mutter weinend im dorf herum gelaufen um euch Zu suchen glaubt ihr dass wir frh essen und trinken im glauben euch sei etwas zugen glaubt ihr dass wir jetzt essen und trinken Ken wo ihr hier aua und uns lgen als entschuldigung auf ich Wei nicht was trauriger IST euer Fort bben oder euer wiederkommen wir werden heute alle
hungri Zu bett gehen ihr seid wohl MIT Mir einer meinung dass ich euer verhalten nicht ungra durchgehen lassen kann wollen wir in hink kunft wieder in gegenseitig achtung miteinander auskommen ich werde euch also morgen abend um die gleiche zeit vor euren geschwistern jeweils zehn rensch Zu ZL Bis dahin habt ihr zeit Die schwere eures vergehen nachzudenken [Aplausos] o Reich ele tá denunciando essa condição ele foi expulso Por quê a sociedade precisava eh se sustentar né na no no no pré-guerra na Segunda Guerra Mundial e ele tava ameaçando essa sustentação na medida em que ele começou
a denunciar a política né situação política que a psicanálise tinha necessariamente que tá entrando né nesse aspecto um outro autor da psicanálise já mais tardiamente mas que vai trabalhar de uma outra maneira colocando em cena o corpo né Eh de uma forma muito importante foi o inicot e a preocupação dele era a ele ele chamava continuidade na existência essa possibilidade de você continuar a ser né esse continuar a existir só pode acontecer se na verdade você tá vivendo essa troca Intensa com a vida então o inicot vai trabalhar muito em função dessa Perspectiva da existência
em continuidade com o mundo né da existência enquanto contaminação enquanto reverberação eh nesse sentido eh e ele tem uma clínica em que ele tá preocupado com os estágios primários de desenvolvimento e a a ele retoma é é curioso que foi feito com a psicanálise clássica né porque a a psicanálise se transformou no Divan e se você pega dos dos cinco o Freud escreveu cinco textos técnicos cinco textos técnicos em 25 livros e esses cinco textos técnicos ele nunca disse que o o o analista Tinha que funcionar dessa daquela maneira a única coisa que ele ressal
ele diz que ele usa o Divan porque ele não gostava de olhar no rosto do paciente então ele preferiu o Divan mas que cada um fizesse o que quisesse da Clínica né Aí ele dizia que importante a teoria era muito importante como referência mas que o mais importante de tudo era uma análise pessoal por quê Porque era a disponibilidade subjetiva do analista que poderia ajudar o analisando a fazer o percurso pra vida né E essa disponibilidade que o inicot vai trazer nos textos teóricos dele né é uma disponibilidade que ele que ele apresenta a cada
texto dele do de ir para o encontro com outro né o movimento de ir para o encontro desse paciente buscando justamente essa sintonia afetiva né então ele vai valorizar a transferência né a transferência como um campo fundamental de troca entre o analista e o paciente né essa disposição do analista que a gente também a psicanálise clássica na medida em que ela foi sendo reduzida a esse olhar eh ela a esse olhar do discurso né ela foi se afastando desse Campo sensível do analista muitas discussões sobre contr contratransferência por exemplo que se nomeava né ou se
nomeia ainda como esse campo de afetação numa prática Clínica re winot eh eh São autores que que na teorização deles abrem muito espaço para pensar esse trabalho com corpo né Eh justamente falam dessa condição de um que tá amarrado [Música] constrangido explica uma coisa por quando as mulheres estão insatisfeitas e querem mudar de vida a primeira coisa que elas fazem é cortar o cabelo ah vai ver que é porque uma mudança externa inspira uma mudança interna ou então a gente já mudou internamente e precisa externalizar isso agora você me diz uma coisa Por que os
homens têm uma dificuldade de mudar o corte de cabelo medo da mudança será mesmo que as transformações do corpo transformam também o nosso jeito de pensar e de sentir ou é o nosso jeito de pensar que se expressa no nosso corpo quando você retira né a a possibilidade de movimento de um corpo você retira a possibilidade de criação você retira saúde necessariamente né então um corpo que que se movimenta um corpo que tá em contato com as as Sensações mais íntimas ele invade a consciência essa esse corpo que invade a consciência vai produzir movimento no
pensamento pensamento ele ele é um pensamento criativo se ele tá em movimento se ele se ele não tá em movimento ele vai reproduzir não vai criar nada de novo quando a gente se fecha num lugar a chegar a gente não pode est sendo afetado pelas coisas que estão acontecendo à nossa volta quando a gente eh estanca essa esse movimento a gente deixa de criar a gente reproduz a gente repete a questão da educação hoje também passa por aí né A questão da Educação do Como que o aprendizado tá fechado nessa nessa ideia e aí eu
volto lá Angel quer dizer o trabalho de Angel é um trabalho como o inicot né ele tinha essa perspectiva de reconquistar para a existência um corpo sustentável que que é um corpo sustentável é uma capacidade de você existir com a dor da existência e a alegria da existência né Porque a vida é assim né A vida tem momentos alegres ou momentos tristes né não ter medo do medo né Por Exemplo né é poder contemplar um corpo que sustente as suas Sensações as suas experiências sensíveis o trabalho de Angel vai resgatar isso as pessoas se sentem
resistentes a essa modelização né é muito interessante como que eu tenho visto na na faculdade o processo de modificação de alguns alunos a partir dessas práticas eles vão construindo novas possibilidades existenciais Angel Viana dividiu sua carreira de bailarina com uma extensa atividade pedagógica quando fundou sua escola sua intenção era segundo suas próprias palavras criar uma escola de dança clássica menos rígida onde a metodologia estivesse centrada na relação do corpo com a arte para aumentar a consciência corporal e aguçar as de seus alunos ministrava aulas complementares de música rítmica e até yoga e sempre oferecia a
eles a chance de participar da criação das coreografias surgiu assim uma abordagem peculiar da dança que associava conhecimento técnico com criatividade e sensibilidade a Angel ela vai trabalhar com com uma a ideia de buscar no corpo né a os movimentos mais sutis para que a gente possa resgatar uma experiência sensível tem um trabalho que foi feito no Japão que é o butô que traz Eh toda essa construção a partir da destruição que foi realizada na segunda guerra mundial o butô era uma dança tipicamente do Japão né uma dança característica do Japão hoje ela tá já
difundida no mundo inteiro e que ela foi resgatada a partir dessa ideia de uma de um corpo derretendo pela violência da [Música] bomba então ele vai colocar em cena toda uma condição de né em que o objeto é retomado houve muitas proibições inclusive de de de das das aparições dos das demonstrações dos trabalhos porque eles Traz eles traziam degam galinha faziam cenas trágicas no porque eles queriam trazer de volta essa condição né que foi excluída artor também vai trabalhar com isso que foi excluída do pensamento né trazendo um corpo Limpo esvaziado daquilo que é considerado
objeto e é isso que nos constitui né Então essa experiência da sensibilidade do corpo ela tá resgatando um corpo nessa dimensão eh intensiva a ciência eh está batendo nisso de uma forma tão intensa de que a falta do movimento o sedentarismo da vida moderna e contemporânea nos faz tão mal que não quer dizer é impressionante quer dizer não só o tema da alimentação como o tema da atividade física se transformaram em em movimentos culturais não é isso quer dizer eh eu eu fico muito impressionado porque isso tá tomando pela primeira vez tá tomando conta dos
programas de televisão massivos no mundo inteiro acho acho importante o que você tá trazendo muito importante porque e essa ideia de colonização é just sobre isso que a gente tá falando aqui né Você tem uma prática existencial que ela tá determinando como é que seu corpo tem que funcionar isso não quer dizer que a gente vai jogar fora as coisas e que o arroz integral vai fazer mal à saúde não é isso claro que eh legumes faz bem claro que não comer carne vermelha diminui o risco cardíaco isso tudo eh né Assim é verdade isso
agora o problema é transformar isso no sentido da existência quer dizer é você utilizar isso como todo mundo tem que estar agora funcionando dessa maneira o que que você produz com isso você produz uma dificuldade de acesso ao aquilo que te constitui né você as pessoas vão paraa academia de ginástica porque não porque elas querem eh se movimentar né quer dizer sim vão existir pessoas que vão est nesse processo mas a grande maioria é tá voltada para um certo modo de estar no mundo que faz sucesso né que interessa as forças que que que esteja
ali n essa Por que eh eh que de repente uma pessoa que fuma para ela é mais Vital do que parar de fumar mesmo que ela tenha que morrer por conta disso né O que o que tá sendo colocado em questão é a o esvaziamento dessa condição de você poder entrar em contato com aquilo que tá te constituindo né aquilo que vai te constituir tá determinado o que que é bom para você comer tá determinado o que que é bom para você fazer né as pessoas saem para procurar parceiros por exemplo se violentam profundamente os
jovens né as pessoas saem essa condição da experiência do do encontro como produtor de vida fica esvaziado diante daquilo que você deve fazer para ser alguém que tenha né um lugar de visibilidade na sociedade a experiência sensível ela vai colocar no mundo um corpo que não é o mundo não é o corpo que a gente significou nesse mundo né Limpo né e eh bonitinho saudavel Zinho né então mas que a gente sabe hoje que essa essa esse esvaziamento desse corpo trouxe consequências sérias para essa existência para para nós né durante muito tempo e esse muito
tempo Inclusive pega assim um um século passado ainda muito próximo e recente a gente se acostumou com uma disciplinarização do corpo né Talvez uma militarização do corpo sempre assim o o corpo como devendo ser como que adestrado para ele servir a um projeto da mente é um projeto racional h a um suposto Mundo Melhor né e e justamente eh na contemporaneidade o que acaba em muitas pessoas gerando um sentimento até nostálgico né O que há é uma quebra desse dessa desse adestramento só que no entanto Apesar dessa quebra né o o o que substitui essa
repetição S essa essa codificação dos corpos né para usar o termo que você usou é é justamente um imperativo da Felicidade um ideal de corpo um ideal de beleza um ideal de saúde a gente tem hoje toda uma formulação do como é que é que é um corpo saudável o que que é o belo como é que é o corpo saudável Quais são as vitaminas que a gente tem que tomar né o exercício que a gente tem que fazer a ida que a gente tem que comer então a gente se fecha num certo modelo de
funcionamento que será que aquilo é para nós Será que aquilo tá construindo para nós um sentido paraa nossa existência Será que eu tô eh me expandindo enquanto ser será que a gente tem noção de que a vida é única né que a gente não tem outro no mundo quer dizer essa essa recuperação dessa condição da existência desse desejo de tá pulsando com a vida né é que que tá em cena quando a gente tá falando desse corpo vibr né que seria essa essa condição que a gente tem de poder ver algo que a gente nunca
viu né isso que a arte deixa a gente ver né um corpo ele é afetado quando ele é quando ele é capaz de perceber alguma coisa que ele nunca viu antes né e isso é que dá sentido à vida né é isso que dá vontade de viver V né e Descobrindo a cada momento da vida nos acasos que a gente vai tendo novos caminhos novas possibilidades muitas vezes sem perceber a gente acaba tendo uma limitação da nossa própria expressão psíquica e existencial porque o nosso corpo tá limitado né quer dizer então eh eh desconstruir essas
pré-construção no sentido de libertar essa maior sensibilidade corporal e portanto existencial e psíquica que que eu eu Para dar assim um fecho nessa história né O que que eu tô querendo trazer mais do que falar desses autores né é contaminar vocês da ideia de que é É sobre esse campo né de um corpo que ultrapassa a ideia de um corpo biológico né que ultrapassa a ideia de um corpo organizado a partir do aquilo aquilo que a gente ajustou em cima de uma lógica do que é um corpo Belo saudável né que é um corpo que
contempla as experiências sensíveis da existência todas as experiências sensíveis aquilo que a gente digere aquilo que a gente ama aquilo que a gente odeia todas as Sensações do nosso corpo né O que a gente tem medo o que nos o que nos possibilita nos aproximar nos afastar retirar esse corpo de um certo lugar fechado né seria tá mais vivo e tá fazendo a vida valer a pena né Eu acho que a vida ela vale a pena quando a gente começa a entender que não é repetir o modelo né não é se ajustar num olhar né
mas é constituir a nossa existência a partir daquilo que nos realiza que nos provoca né E que nos intensifica [Música] neste Café Filosófico vimos como os movimentos do corpo acompanham os movimentos da vida e ajudam a construir novos sentidos para ela nosso programa termina por aqui mas tem mais Café Filosófico na internet tchau tchau [Música] k [Música] k a [Música]