E aí! O meu filho tem alguns comportamentos diferentes, mas eu não acho que ele seja autista. O que pode ser, então?
Muitas vezes, os pais ficam angustiados porque alguém veio falar para eles que os seus filhos estão com alguns comportamentos diferentes dos outros colegas da mesma idade. Às vezes, a escola diz sobre alguns sinais de comportamento, de atraso, de fala, de interação, de dificuldades na socialização, de dificuldade para brincar, de cuidado, de prestar atenção. Às vezes, os pais levam para avaliação, e algum profissional dá um diagnóstico, dizendo que aquela criança possivelmente esteja dentro do espectro do que nós chamamos de transtorno do espectro autista.
Mas os pais muitas vezes ficam muito angustiados e não se convencem desse diagnóstico porque entendem que o autismo é uma criança que fica num canto. Muitas vezes, eles dizem: "Meu filho interage, meu filho é carinhoso, meu filho é inteligente, mexe no celular e me mostra coisas". Eu conheci uma criança autista que não fazia o que o meu filho faz.
Um filho faz as coisas que eu leio na internet que uma criança autista não faz. Eles ficam se apegando a alguns critérios diagnósticos para excluir, porque em casa a criança funciona bem. Em casa, os pais entendem tudo que ela quer.
Quando a gente pergunta para os pais, eles dizem: "Ele segue comandos? Ele interage? Ele brinca?
" E os pais respondem: "Sim, ele faz tudo isso. " E é verdade, porque uma criança com autismo não é incapaz; ela é capaz de fazer tudo isso, mas faz um pouco menos do que devia para a idade. Mas e se não for autismo?
Pode ser alguma outra coisa. Muitas vezes, me perguntam: "Isso pode ser, então? " E eu digo: "Pode ser só um déficit de atenção.
" Meu filho pode ter atrasos, mas atrasos não são autismo. Existem algumas crianças que ficam no que nós chamamos de um "diagnóstico lindo". O "lindo" é um lugar que não tem uma luz, que não tem uma definição, e elas ficam com alguns sintomas e características que não fecham o diagnóstico direito para nada.
A gente não consegue: os médicos não conseguem enquadrar como um autismo, mas também não conseguem enquadrar como um déficit de atenção. O que a gente precisa entender é que isso não significa que a criança não tenha nada. É importante entender que, se ela tem comportamentos alterados ou, principalmente, atrasos, a gente precisa tratar com muita urgência.
O que for, mesmo que essa criança nunca receba um laudo, nunca receba um código internacional de doença, nunca receba um diagnóstico por toda a vida. Isso pode acontecer. Pode acontecer porque, como autismo, principalmente, é um diagnóstico de observação comportamental, a gente depende do que cada médico tem como conceito daquele diagnóstico para fechar esse diagnóstico ou não.
Então, pode ser que nunca aconteça, pode ser que um ache, o outro não ache. Então, a gente precisa primeiro tirar esse preconceito, esse medo da palavra autismo. Está tudo bem!
É uma forma do cérebro se formar, é uma forma, um transtorno do neurodesenvolvimento. A gente precisa tratar. Pronto!
Tem esse medo de que parece que é uma condenação, né? Mas não pode ser outra coisa. Não quero que seja autismo de jeito nenhum.
Ter atraso é só um atraso. Muitas vezes, pode ser pior do que ter autismo porque significa uma alteração no neurodesenvolvimento que traz déficits, que traz retardo na aprendizagem. Então, a gente precisa cuidar.
Pode ser alguma outra coisa? Pode! Pode ser que tenha um atraso específico de linguagem.
A criança se comunica, aponta, faz gestos, se comunica de outras maneiras, mas não fala. Pode ser um atraso específico de linguagem. A gente precisa consultar uma fonoaudióloga.
Pode ser estereótipo, algumas alterações sensoriais, sem atraso de linguagem, sem alterações comportamentais. Então, a gente precisa de uma terapeuta para avaliar a integração sensorial. Pode ser uma dificuldade simplesmente de aprendizagem de conceitos escolares, procuramos uma pedagoga.
Pode ser alteração motora, precisamos da fisioterapia. Então, podem ser algumas questões específicas, mas quando são questões específicas e a criança só tem aquela alteração, pode ser também um transtorno global. Pode ser deficiência intelectual, pode ser transtorno do déficit de atenção, mas a gente precisa de uma equipe especializada não só para dar um nome e para responder essa pergunta para os pais, mas principalmente para estimular.
Porque o nosso cérebro tem uma capacidade – enquanto a criança – de fazer novas conexões, de fazer novos caminhos, de recuperar atrasos e de ampliar muito o que essa criança pode ter de inteligência, de desenvolvimento. Então, amanhã, o nosso cérebro já está mais velho do que hoje. Portanto, ele não tem mais a mesma condição de aprender do que tem hoje.
Quanto mais velho nosso cérebro fica, menos condições de velocidade e capacidade de aprendizagem. Pode aprender, mas aprende de uma maneira menos rápida. Então, é agora!
Intervenção imediata, como um treinamento, com uma equipe capacitada para fazer terapia comportamental, com uma fono, um material, com uma psicóloga comportamental, uma equipe multidisciplinar. Se você acha que isso é importante, dá um joinha e se inscreve no canal. Até o próximo vídeo!
[Música] E aí? [Música] E aí?