Lembra quando os apps eram realmente de graça? Não de graça, entre aspas, não de graça só nos primeiros três meses, não, nada disso. Só de graça mesmo.
Lá no início dos anos 2010, dava para aprender um idioma sem ver comerciais. Dava para ouvir música sem interrupção a cada duas e dava para jogar sem ser incomodado o tempo todo. Parecia a era de ouro da tecnologia.
Os apps eram ferramentas que trabalhavam para você. Mas aí a coisa mudou devagar no começo, depois de uma vez só. Os apps que você amava começaram a mostrar anúncios e depois mais anúncios.
Até chegar a um ponto que usar o app ficou insuportável. Hoje, [música] mais de 900 milhões de pessoas no mundo usam bloqueadores de anúncios. E não é porque odeiam publicidade, mas sim porque os apps tornaram essa experiência tão miserável que pagar para fugir disso virou a única opção para eles.
Essa é a história de como os apps mais populares do mundo deixaram de ser ferramentas queridas para virar armas de publicidade. Bora começar com o Duolíngua, aquele que prometia educação gratuita para todo mundo. Quando lançou, a missão era clara, ensinar idiomas de graça pro mundo.
E por um tempo eles entregaram. Você podia aprender inglês, espanhol, francês, o que quisesse. Totalmente de graça.
O app tinha anúncios, claro, mas era de vez em quando. Dava para aguentar. O app explodiu em popularidade.
Milhões de pessoas usavam todo dia. Com estudantes, profissionais aposentados, aprendendo idiomas para viajar, o duolíngua virou sinônimo de educação acessível. Mas aí os anúncios começaram a se multiplicar.
Chegando em 2022, o Dolingo introduziu algo brutal. Um anúncio depois de cada lição. Não a cada poucas lições, não.
A cada única lição. Uma investigação do Class Central fez as contas. O curso completo de francês tem 120 lições.
Isso significa 1206 anúncios, cada um durando de 5 a 30 segundos. O total até 10 horas assistindo publicidade para completar um curso de 46 horas. Cruz cred.
Pensa nisso. Você tá tentando aprender uma língua e eles te forçam a ver 10 horas de anúncio. Isso aumenta o tamanho do curso em 22% puramente por monetização.
Fóruns no Redit explodiram com usuários perguntando: "Só eu que tô recebendo propaganda do Super Duolingo depois de cada lição? " Centenas responderam que decoraram um texto do anúncio palavra por palavra de tanto ver. Muitos admitiram que finalmente cederam e assinaram.
só para fazer a interrupção parar de vez, o que era exatamente a estratégia do duolíngua. Mas fica pior. O Duolingo começou a bloquear recursos educacionais que antes eram grátis.
O recurso explicar minha resposta, que mostrava regras gramaticais e explicava seus erros, virou coisa só de premium. Um usuário protestou: "Explicar por você errou e poder ver as regras gramaticais parece uma coisa fundamental para aprender uma língua nova, mas o dolingo não tava nem aí. Se você queria realmente entender seus erros, tinha que pagar.
Custando quase 13 por mês ou 84 por ano, o super do língua se posicionou como um sequestro educacional. Pague para aprender de verdade ou sofra com tanta publicidade que vai anular qualquer benefício educacional. Esse estilo jogo que o Duolinguera com ofensivas, placares, sistemas de conquista, acabou virando alavanca psicológica para monetização.
[música] Usuários relataram deletar o app no meio da ofensiva, apesar de ter investido muito tempo em capazes de tolerar o ataque de anúncios por mais tempo. A missão do Doingo prometia educação grátis e divertida. Já usuários sentiram que isso mudou para Pague ou Veja Anúncios.
O app que deveria democratizar a educação virou só mais um serviço de assinatura, mantendo seu aprendizado como refém. Próximo da lista, Spotify, o appic prometia te dar toda a música que você queria. O Spotify lançou nos Estados Unidos em julho de 2011 com um acordo simples, seis meses grátis com anúncios, depois anúncios a cada quatro ou sete músicas quando seu teste acabasse.
Pra maioria, isso pareceu razoável. Você pode ouvir música com interrupções de vez em quando, mas lá pros anos 2020 algo mudou. Usuários agora relatam anúncios a cada duas músicas e não só um, três a seis anúncios consecutivos de 30 segundos tocando um atrás do outro.
Você terminou a música e de repente tá ouvindo 90 segundos de anúncio antes da próxima música começar. Um usuário postou: "Nos últimos meses, eu tenho ouvido mais comerciais do que músicas. A cada duas músicas, eu sempre acabo ouvindo três anúncios.
Outro disse que eu ouvi o mesmo anúncio 50 vezes em um dia de trabalho de 8 horas. O mesmo anúncio 50 vezes em um dia só. Spotify introduziu um recurso onde você podia ver um vídeo para ter 30 minutos de música sem anúncios, só que frequentemente não funcionava.
As pessoas viam um vídeo e duas músicas depois. Lá vem mais anúncio. E aí tem a manipulação de volume.
O Spotify toca anúncios muito mais alto do que a música. Você tá lá ouvindo uma música tranquila, no volume confortável e do nada um anúncio berra na sua orelha, te assustando para prestar atenção. Eles também ignoram o botão de não gostei.
O pessoal marca como irrelevante dezenas de vezes e continua vendo o mesmo comercial. O sistema não foi feito para melhorar sua experiência, foi feito para te quebrar. Saca só o motivo.
90% da receita do Spotify vem de assinaturas premium. Eles usam anúncios como pressão psicológica para converter quem não paga. 80% dos assinantes começaram como usuários grátis frustrados que não aguentaram mais.
Como um cara disse, parece que empurram a assinatura enfiando mais e mais anúncios. Não é paranoia, é literalmente o modelo de negócios deles. Tornar o grátis tão miserável que pagar 11 pareçam um alívio.
Spotify não quer que você curta a versão grátis. Eles querem você desesperado para pagar. Beleza, bora pro próximo.
Imagina a cena, você tá jogando no celular, perde uma fase e anúncio. Quer continuar? Vê um anúncio.
Vai pro menu principal. Quatro mensagens aparecem vendendo moeda, vida, poderzinho, esse tipo de coisa. Fecha tudo e tem um banner lá embaixo cobrindo o jogo.
Joga 2 minutos e lá vem um vídeo forçado de 30 segundos que não dá para pular. Isso são jogos de celular hoje em dia. Isso rende aos desenvolvedores 9 milhões de dólares por mês.
Mas nem sempre foi assim. Volta lá para dezembro de 2009. Angry Birds custava 99 centavos.
Pagava uma vez, levava 390 fases, sem anúncio, sem compra no app, sem sistema de energia te fazendo esperar, [música] só o jogo completo, seu para sempre. Esse modelo fez Angry Birds um dos maiores sucessos da história. [música] Centenas de milhões em receita de gente feliz em pagar dólar num jogo bom.
Aí alguém fez as contas, jogos grátis com anúncios e microtransações dão 300 vezes mais dinheiro que jogos pagos. [música] 300 vezes. Então, em 2013 mudaram o Angry Birds original, aquele que você pagou, agora tem anúncios e microtransação.
E daí veio o Angry Birds 2 em 2015, servindo de manual da miséria. Sistema de vidas. Espera 30 minutos ou vem um anúncio.
Um vídeo depois de cada derrota, um banner durante o jogo atrapalhando os pássaros, popups abrindo o menu, etc, etc e etc. [música] E aqui que fica maluco de verdade. Em 2019, a Rovel deletou todos os Angry Birds originais pagos das lojas.
Os jogos que a galera comprou sumiram, já era. Fãs revoltados subiram a #bringback 2012. A Rovel respondeu lançando um remake pago rapidinho e no fim também deletou ele em 2023.
A versão paga fazia 30. 000 por mês. A cheia de anúncio fazia 9 milhões.
Então, eliminaram a escolha. Todo mundo é empurrado para [música] esse inferno de anúncios. Worlds with Friends, anuncia em tela cheia todo turno.
Subway Surfers, anúncie o jogo sim, jogo não. Royal Match, anúncios [música] de 75 segundos que não dá para pular. Tão irritante que virou o anúncio mais odiado da internet.
E baixar o Royal Match para parar os anúncios não funcionava. A propaganda dele continua aparecendo em outros jogos, mas os anúncios em si viraram o golpe. Aqueles jogos de puxar o pino que você vê em todo lugar, aquele gameplay não existe.
Homescapes e Garden Scapes foram banidos do Reino Unido por propaganda enganosa. Os quebra-cabeças dos anúncios eram menos de 1% do jogo real. Você vai lá e baixa esperando uma coisa e aí vem um jogo no estilo Candy Crush que demora horas para chegar em alguma coisa parecida com o anúncio que você viu.
Um relatório de 2024 mostrou que 56% dos jogos de celular tinham anúncios mentirosos. Mais da metade é desinstalada em 30 dias porque o usuário se sente enganado. Jogos de celular foram de pague uma vez, tenha para sempre para download grátis.
Punição eterna. Duo te forçando 10 horas de anúncio. Spotify interrompendo a cada duas músicas, [música] jogos transformando cada toque numa propaganda.
Os apps forçaram a barra e a galera estava prestes a revidar. Porque olha o que aconteceu. O povo parou de aceitar.
Em 2023, 912 milhões de pessoas instalaram bloqueadores de anúncio. [música] Um aumento de 21 vezes desde 2012. Nos Estados Unidos, 32% dos americanos bloqueiam anúncios agora.
E não é só jovem em Tech, não. Baby boomers bloqueiam 32%, mais até que a geração Z com 27%. É o maior movimento de resistência do consumidor na história da internet.
E os motivos são óbvios. 63% dizem anúncios demais. 53% dizem que atrapalha o conteúdo.
44% querem evitar [música] rastreamento. O recado é claro. As plataformas passaram dos limites.
[música] O impacto econômico é gigante. As empresas perderam de 47 a 54 bilhões de dólares em receita só em 2023. Isso é 8% de todo o gasto digital.
simplesmente sumiu. Os usuários não estão reclamando, estão sabotando ativamente o modelo de negócio. A confiança na publicidade caiu para 37% em 2024, último lugar entre todas as indústrias, abaixo de bancos e de empresas de energia.
Quando 70% das pessoas vem os mesmos anúncios repetidos e só 11% [música] realmente curtem publicidade, o sistema falhou feio. O YouTube lançou aquela campanha agressiva contra bloqueadores, ameaçando travar depois de mais três vídeos. O tiro saiu pela culatra espetacularmente.
As buscas por bloqueadores subiram 336%. E a galera arranjou uma gambiarra em horas usando o navegador Brave, o Firefox comblock Origin, rodando vários vídeos e trocando [música] de aba. Como um site disse, o YouTube pode ser movido a dinheiro, mas os desenvolvedores de bloqueadores são movidos pela força do ódio.
A crise da API do Reddit em 2023 mostrou essa raiva organizada. Quando Reddit matou apps de terceiros para forçar o app oficial cheio de anúncio, as comunidades se revoltaram. Subredits gigantes apagaram por 48 horas.
milhões participaram, mas aí que tá o problema. A maioria não consegue sair de fato. O Spotify tem suas playlists, o Doolingo tem sua ofensiva, os jogos têm seu progresso.
Essas plataformas criaram monopólios pelo hábito e daí exploraram isso para tornar a experiência uma droga. Eles apostam que a maioria vai tolerar os anúncios ou acabar pagando. E até agora estão certos.
[música] Os apps não morreram, só viraram plataformas que os usuários odeiam, mas não conseguem largar. Não vou te segurar mais. E se você curtiu o vídeo, deixa um like e se inscreva.
Vejo vocês na próxima, galera, e até mais.