Oi, gente, tudo bem com vocês? Hoje a gente vai falar um pouquinho sobre a Crise de 1929, que aconteceu nos Estados Unidos, mas afetou o mundo inteiro, e é um assunto muito importante. Para entender a Crise, a gente tem que entender o que estava acontecendo nos EUA e no mundo naquela época.
A Primeira Guerra tinha acabado em 1918, e a Europa estava totalmente quebrada. Já fiz um resumo sobre Primeira Guerra, vou deixar o link aqui na descrição. Mas a Europa saiu totalmente arrasada do conflito, centenas de milhares de pessoas tinham morrido, os países tinham se fragmentado, muitos países estavam com a economia horrível, outros estavam com a política muito instável.
Então, a Europa não estava em uma situação boa. Isso fez com que os EUA se tornassem a maior economia do mundo. Naquela época, os EUA eram grandes exportadores, principalmente de produtos agropecuários, de produtos industriais, a agropecuária e a indústria tinham crescido muito, muito.
Eram grandes produtores de todo tipo de coisa. Eram um país muito liberalista. Com a economia a mil, os EUA se tornaram os maiores banqueiros do mundo, junto com a Inglaterra.
O dólar virou moeda de referência no cenário mundial, os bancos americanos emprestavam muito dinheiro para outros países. Então, se alguma crise ocorresse nos EUA, influenciaria o mundo inteiro. Como, de fato, aconteceu.
O dólar era uma referência para todas as moedas do mundo, os EUA exportavam produtos para muitos países, além de emprestarem dinheiro para muitos países, como já falei. A Europa tinha acabado de sair da Primeira Guerra, estava quebrada. E os EUA gostam muito de tentar remediar conflitos.
A gente tem que lembrar dos EUA como uma nação curativa, um Band-Aid. Durante basicamente toda a história da humanidade, desde que foi formado, os EUA sempre tentam passar um curativo por cima de qualquer conflito de outros países, mesmo quando foram os próprios EUA que causaram o conflito. Por exemplo, quando acabou a Primeira Guerra Mundial, a primeira coisa que os EUA fizeram foi investir dinheiro na Europa, para tentar reconstruir a Europa e ganhar com isso.
Por exemplo, quando aconteceu a Segunda Guerra Mundial, os EUA jogaram duas bombas atômicas no Japão, acabaram com o Japão, mas, logo que acabou a guerra, já começaram a investir dinheiro no Japão e começaram a ganhar muito com isso. Durante toda a história, os EUA têm essa fama de, muitas vezes, colocar lenha na fogueira e depois aparecer com o extintor para virar o herói da história. Depois da Primeira Guerra Mundial não foi diferente.
Tinha muito dinheiro americano sendo investido na Europa, o que ajudou os países europeus a se reerguer. Aos pouquinhos, foram reativando sua produção e suas indústrias. Com isso, foi diminuindo a demanda por produtos americanos.
Como a Europa estava um pouco mais forte, precisava menos da ajuda dos americanos. Mas o que aconteceu foi que os EUA não diminuíram sua produção. Mesmo tendo menos gente para comprar, eles não produziram menos.
Isso foi chamado de crise de superprodução, porque os EUA acabavam produzindo mais do que as pessoas consumiam. Naquela época, a distribuição de renda era muito desigual, e o salário dos trabalhadores não era bom, então, a população americana não tinha um poder aquisitivo muito grande para comprar aquele tanto de coisa que eles mesmos produziam. E, como diminuiu a demanda do exterior para esses produtos, sobrava muita coisa.
O governo não tinha controle sobre isso justamente por causa do liberalismo, dessa falta de intervenção do Estado na economia. Isso foi um dos grandes fatores da Crise de 29. Um dos principais motivos pelos quais a Crise aconteceu foi essa crise de superprodução, a galera produzir muito mais do que podia consumir, o que fazia o preço das coisas abaixar.
Porque, se tem pouca gente para consumir um tanto de coisa, o preço disso cai. Mas qual foi o grande estouro da Crise? Foi por causa da bolsa de valores.
Primeiramente, queria explicar que sou muito ruim em economia e essas coisas, então vou tentar explicar da forma mais fácil possível, porque eu também entendo pouco disso. Mas, é basicamente isso: naquela época, até hoje, inclusive, os EUA têm uma política de créditos fácil. As pessoas podiam pegar empréstimos com muita facilidade, podiam se endividar para comprar produtos ou para investir, qualquer coisa.
Era muito fácil pegar um empréstimo nos EUA. Também era comum que as pessoas investissem na bolsa de valores. Funcionava basicamente assim: as pessoas compravam ações, que eram pedacinhos de empresas, e esperavam esse dinheiro render.
Por exemplo, eu compro uma ação de R$1 da Ford. Sou dona de 0,0001% de toda a empresa. Então, eu tenho essa ação, deixo meu dinheiro na bolsa de valores e eles me dão um papelzinho falando: "você tem uma ação de R$1 na Ford".
Daqui a duas semanas, a Ford está crescendo bastante e lucrando, e a ação que eu comprei por R$1, agora vale R$10. Então, eu lucrei muito em cima da ação que comprei. Isso era muito comum naquela época.
Não eram só grandes empresários e ricos que investiam na bolsa de valores, eram as pessoas de classe média e baixa, basicamente todo mundo investia. E não investiam R$1 ou R$2, como falei, mas centenas de dólares, muito dinheiro estava investido na bolsa de valores. E o que rolou?
O dia 24 de outubro de 1929 foi o dia oficial em que houve o crash, que a bolsa de Nova York quebrou. O que aconteceu? As pessoas estavam vendo que as empresas estavam se saindo mal por causa da economia, do reerguimento das empresas europeias, algumas empresas da Europa estavam falindo, e as pessoas estavam com medo de deixar o dinheiro investido.
Naquele dia, um tanto de gente decidiu tentar pegar o dinheiro de volta na bolsa. Mas como se pega o dinheiro de volta? Vendendo a ação.
É como se você comprasse uma blusa de R$1 e agora você quer o dinheiro de volta. Como você consegue? Revendendo a blusa que comprou.
Então, para ter de volta o dinheiro investido na ação, você precisa vender a ação para outra pessoa. Naquele dia, mais de 12 milhões de ações acabaram caindo no mercado. Mais de 12 milhões de ações foram postas à venda.
É quase inexplicável, por que exatamente nesse dia? Muita gente especula porque um mês antes uma grande empresa britânica tinha falido. Muita gente especula porque economistas já previam que as coisas iam mal.
Muita gente especula porque o desemprego já estava começando. Mas não se sabe por que exatamente nesse dia. Era uma quinta-feira e 12 milhões de ações foram postas à venda, assim, do nada.
E a lei básica da oferta e procura é: quando tem muita coisa vendendo e pouca gente interessada em comprar, o preço dessa coisa cai. Como tinha muita gente vendendo suas ações e pouquíssima gente querendo comprar, o preço das ações despencou. A bolsa quebrou, porque as ações se desvalorizaram em um nível tão alto que não valiam nada.
Isso gerou um problema muito grande, porque, como eu falei, não eram só milionários e empresários que investiam na bolsa de valores, era basicamente todo mundo. Então, todo mundo estava perdendo dinheiro com aquilo. A bolsa quebrou em uma quinta-feira, e o pessoal pensou que ia se reerguer, que tudo ia voltar ao normal, porque economia é uma grande montanha-russa, tem dias bons e dias ruins.
Só que as ações continuaram em baixa, e foram caindo cada vez mais. E as pessoas começaram a se preocupar com o dinheiro delas, porque o setor imobiliário começou a ficar muito ruim também. Então, as pessoas começaram a ficar com medo de perder seu dinheiro e tentaram pegar de volta o dinheiro que tinham no banco.
Qual é o problema disso? O banco também era um grande investidor da bolsa de valores, pegava o dinheiro investido em contas correntes e poupança, e também investia comprando ações. Os bancos perderam muito dinheiro, milhares de bancos faliram.
As pessoas iam pegar o dinheiro no banco, e o banco não tinha dinheiro. Muita gente perdeu tudo. Por isso, a Crise de 29 também é conhecida como a Grande Depressão, porque foi um período marcado por grande medo e tristeza.
Muita gente se suicidou, muita gente perdeu tudo. E aí, sem gente para comprar os produtos, as empresas vão à falência. E quando as empresas vão à falência, precisam demitir seus funcionários.
Então, o que aconteceu nos EUA foi um desemprego escandaloso. Milhões de pessoas perderam seus empregos. No auge da Crise, um quarto da população estava desempregada nos EUA.
Isso é muita gente. Isso foi um grande problema, porque não só trabalhadores de indústria e da cidade que perderam o emprego. Trabalhadores agropecuários e fazendeiros tiveram grande prejuízo, porque a crise de superprodução também chegou no campo.
Eles também estavam produzindo muito mais grãos e comida do que o exterior queria exportar e do que a população consumia. Isso fez com que o preço dos alimentos caísse muito, de tal forma que não fosse mais rentável para os agricultores produzirem. Isso foi um grande problema, porque as pessoas meio que precisam de comida para sobreviver.
Aquela época foi uma grande desgraça, com um quarto da população desempregada. Grande parte da população vivia de doações e da sopa para desempregados que a Cruz Vermelha fornecia. E agora entra uma parte super importante, que eu preciso que você se lembre.
É provavelmente a imagem mais famosa da Crise de 29, daqueles anos. Vou colocar ela bem na minha cara, bem grandona, porque preciso muito que você se lembre dessa imagem. Essa foto foi tirada em 1937 e mostra um grande cartaz falando sobre estilo de vida norte-americano, o estilo de vida que estava em vigor antes da Crise, quando os EUA estavam no auge do crescimento econômico e tudo o mais.
É aquele estilo de vida que a gente vê em comercial de margarina e filme antigo, de automóveis, eletrodomésticos, de famílias muito felizes com o crescimento econômico, com aquelas casas bonitas, com gramado e tudo o mais. Esse era o estilo de vida norte-americano que o governo pregava. Na foto, nós temos um grande outdoor mostrando esse estilo de vida, mas, na frente, tem uma grande fila de desempregados esperando doações da Cruz Vermelha.
Essa foto é muito importante, muito marcante, porque mostra o contraste entre o que os EUA eram antes e o que haviam se tornado com a Crise de 29. Antes, os EUA eram um modelo de vida saudável, era feliz e próspero. Agora, os EUA tinham se tornado um grande caos.
Acho que essa imagem não cai no ENEM, porque já caiu uma ou duas vezes, mas tem grandes chances de cair na sua prova, se você for fazer. Então, lembre-se dessa imagem. Como falei antes, a economia dos EUA guiava a economia do mundo inteiro.
O dólar era uma referência nos bancos mundiais, e os bancos americanos emprestaram muito dinheiro aos europeus. Com isso, uma crise dos EUA se tornou uma crise mundial. Muitos bancos europeus faliram, muitas pessoas perderam o emprego.
Foi uma grande crise mundial, com moedas sendo desvalorizadas, produtos com preços muito baixos. Então, a Crise afetou o mundo todo e o Brasil também, principalmente por causa do café. Naquela época, o Brasil era um país cafeicultor, que vivia, basicamente, da renda da exportação do café.
Então, a demanda pelo café abaixou muito e o Brasil quase entrou em colapso. Muitos cafeicultores perderam tudo, e o café ficou estocado, porque, como a gente continuou produzindo a mesma quantidade de café e havia uma demanda menor, menos gente querendo comprar, muito café ficou estocado. Daqui a alguns anos, o Vargas vai queimar todo esse café para tentar recuperar a economia brasileira.
O que piorou a situação é que não havia sistema de previdência pública, não havia seguro desemprego nem assistência do governo, então as pessoas estavam em uma situação muito difícil, principalmente nos EUA. E o que aconteceu foi uma grande crise econômica e do liberalismo. O problema mundial causado pela política de não interferência do governo, causado pelo capitalismo, basicamente, fez com que as pessoas perdessem a fé no liberalismo.
As pessoas passaram a não acreditar que capitalismo e liberalismo funcionavam. Isso abriu alas para a ascensão de ideias de extrema-direita e extrema-esquerda, mais de extrema-direita, porque o povo tinha medo do comunismo. Então, o que aconteceu?
Principalmente nos países mais afetados pela Crise, Alemanha e Itália, regimes de extrema-direita, com ideologias pregando fim do desemprego, da fome e da miséria, acabaram ganhando muito apoio, porque eram uma alternativa. Ou as pessoas optavam pelo liberalismo, que falhou nos EUA e afetou o mundo todo. Ou as pessoas optavam pelo comunismo, que é a extrema-esquerda, que tinham medo por causa da recente Revolução Russa.
Ou optavam por regimes de extrema-direita, como o nazismo e o fascismo, que vão começar a ficar muito populares agora nos anos 30. É importante que se associe a Crise de 29 à ascensão do nazismo, do fascismo, do comunismo em outras partes do mundo, porque as pessoas perderam a fé no liberalismo econômico e tentaram ir para outros caminhos que "melhorariam" a economia e o estilo de vida das pessoas. Então, resumindo, está tudo quebrado.
A economia está toda quebrada. Todo mundo está perdendo o emprego, não tem nenhum benefício. .
. Em 1932, quem venceu as eleições nos EUA foi Franklin Delano Roosevelt, do Partido Democrata. Ele começou seu governo no ápice da Crise, quando um quarto da população estava desempregada e não tinha perspectiva de melhora.
Então, o que ele fez? Um plano chamado "New Deal". O "New Deal" foi o plano que tirou os EUA da Crise de 1929, que deu certo, que trouxe popularidade para o Franklin, que foi reeleito três vezes depois disso.
Antes da eleição do Roosevelt, os políticos não tinham feito nada em relação à Crise de 29, porque o liberalismo econômico prega a política do "Laissez-faire". Não sei se estou pronunciando certo, porque é em francês, mas: "Laissez-faire". É uma política meio que "let it go" da economia, Eles acreditavam que o Estado não deve interferir na economia, porque o mercado se corrige sozinho.
Antes, nenhum presidente ou político tinha feito nada para interromper a Crise, porque eles acreditavam que, com a política do livre mercado, a própria economia ia caminhando e ia melhorar sem a ajuda do governo. Mas quando Roosevelt foi eleito, percebeu que devia tomar outro caminho. E aí, ele aplicou o New Deal, o novo pacto econômico.
Foi a proposta política e econômica dele que tirou os EUA da Crise, e previa justamente a intervenção do Estado na economia. Ele começou a controlar mais as instituições financeiras para impedir que houvesse muita especulação, para impedir que as pessoas tirassem muito dinheiro ao mesmo tempo. Ele controlou mais os investimentos que aconteciam na bolsa de valores para impedir que houvesse uma super especulação ou uma super queda, como tinha acontecido.
Ele também foi muito importante pelo que fez com os agricultores. Ele tirou as dívidas de muitos agricultores. Muitas vezes, pagava para os agricultores pararem de produzir e, assim, não ocorrer a superprodução.
Então, ele foi muito importante para a agronomia. Também foi muito importante para a indústria, porque até aquela época não havia nenhuma regulamentação do quanto a indústria podia produzir, do preço pelo qual seria vendido. Ele controlou os preços das coisas, a quantidade de produção.
Foi criado o salário mínimo, que ainda não existia. O salário mínimo foi criado, a jornada de trabalho foi regulamentada. Isso foi muito importante para a geração de empregos, porque antes uma pessoa trabalhava 14 horas por dia e gerava um emprego.
Com a jornada de trabalho de 7 horas, duas pessoas trabalham. Então, gera mais empregos. Isso foi muito importante.
Além disso, ele também criou benefícios, como o seguro desemprego e tudo o mais. Uma das ações mais importantes dele foi a promoção de obras públicas, por exemplo, drenagem de pântanos, construção de ferrovias, melhorar os portos, levar eletricidade para o campo. .
. As obras públicas foram importantes porque geravam emprego, porque precisava de gente para fazer esse tipo de coisa, e era um investimento, melhorava o Estado. Quando se cria uma rua, é um benefício para todo mundo, e para quem está ganhando um emprego construindo essa rua.
Muitas e muitas obras públicas foram feitas. Isso melhorou bastante tanto a qualidade de vida das pessoas quanto os índices de desemprego, que foram caindo cada vez mais. Aos poucos, todas essas medidas foram elevando a economia dos EUA e equilibrando um pouco mais o cenário mundial.
A economia dos EUA só se recuperou totalmente com a Segunda Guerra. Os EUA ganham muito dinheiro com guerras, com produção bélica, indústrias e tal. Então, com a Segunda Guerra Mundial, os EUA lucraram bastante e saíram totalmente da crise.
A maioria dos historiadores considera que a Crise terminou mesmo, ponto final, com a eclosão da Segunda Guerra Mundial em 1939 e com a entrada dos EUA em 1942 ou 1943. Então, é isso, gente. Espero que vocês tenham entendido.
Espero que tenham gostado. Muito obrigada a você, que teve paciência de assistir até agora. Espero que você vá super bem na prova que tem que fazer.
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