Sejam bem-vindos e bem-vindas neste nosso novo encontro aqui do Narrativas Compartilhadas, hoje com a presença da nossa querida Estela Casagrande. Seja bem-vinda, Estela! É um prazer enorme você estar aqui conosco.
A Estela foi minha aluna no curso Redator Auxiliar do Getúlio Vargas, de 1981 a 1983, mas antes ela já estava lá em 1976 no Getúlio Vargas e foi aluna também da Teresinha de Jesus Gomes, que foi minha professora no Estadão, a minha grande colega, e ela que, na verdade, me comunicou e me indicou ao Dr Pedroso para dar aulas no Júlio Vargas. Então, a Teresinha mora no nosso coração há muito tempo, querida Estela. Então, hoje você vai nos contar um pouco da sua história, sua trajetória dentro desse contexto do curso de Redator Auxiliar e, depois, a sequência, para que você nos conte também o que você está fazendo de bom e maravilhoso, porque sabemos que você sempre se coloca por inteiro naquilo que faz.
Então, conta para nós, Estela. Antes de mais nada, muito obrigada, professor Roberto, por estar aqui, por me escolher como uma das suas escolhidas para essa pesquisa, esse bate-papo. Me sinto muito, muito honrada por isso.
Eu nasci em Avaré, que é interior de São Paulo. Meu pai gosta de lembrar que eu tenho a mesma idade da represa. Olha que incrível!
Quando ele foi para lá, não existia represa, e a represa foi feita no ano em que eu nasci. Lembra-se? Você tem ido lá ainda hoje ou não?
Costumo ir pelo menos uma vez por ano. Eu falo que lá me reabastece, assim, eu gosto da água, gosto daquela e tenho amigos, né? Não tenho parentes, mas tenho amigos lá.
E depois de lá, para onde você foi? Então, eu vim para Sorocaba com 7 anos. Eu tinha começado o jardim da infância na época, que chamava, né?
Então, nós mudamos para cá, para Sorocaba, no meio do ano. Eu só fiquei seis meses sem estudar e só fui, então, no ano seguinte, primeiramente no Sesi, que era ali na Afonso de Vergueiro, que foi demolido, mas depois lá perto da minha casa, na Vila Fiori. E só em 76 é que eu fui para a escola Júlio Vargas, da mudança para Sorocaba.
Ah, antes, eu vou fazer um intervalo, Roberto. A minha casa era muito simples; as pessoas não tinham costume de ler. Eu diria que, se eu pudesse falar, não sei exatamente a palavra, mas simplória.
Enfim, nós tínhamos um único livro na casa. Eu me lembro até hoje que se chamava "Pequeno e Grande Ninho". Era um livro de autoajuda para casais católicos.
Eu folheava aquele livro porque ele tinha ilustrações e, quando nós nos mudamos para Sorocaba, os meus irmãos ficaram lá, e nas primeiras férias, minha irmã me deu meu primeiro livro, que foi "Adam, o Vagabundo". Eu lembro até hoje; eu não tenho mais esse livro, ele acabou se extraviando numa mudança, mas era lindo, lindo. E eu ficava rodando, e a Bíblia também tinha, mas eu não.
. . Depois que eu aprendi a ler, eu li a Bíblia várias vezes.
Mas era assim, era uma casa sem livros. Eu fui a única que destoei dessa história porque eu lia muito, né? Depois, então, a gente veio para Sorocaba e, quando comecei a trabalhar, eu adorava o Getúlio, tudo!
Eu me lembro que, acho que foi na sétima série, eu queria estudar à noite. A diretora, a Sônia, achou muito estranho. Ela falou: “Por que você quer estudar à noite?
” Porque eu preciso trabalhar. Minha mãe falou que eu tenho que trabalhar, e eu fui mesmo trabalhar. Daí, eu estudava de manhã e trabalhava à tarde no consultório médico, que era na frente de casa.
Mas eu fui trabalhar no Getúlio. Quando comecei a trabalhar no centro da cidade, descobri que trabalhava no mesmo quarteirão da biblioteca municipal. Aquilo foi assim, eu lia um livro por dia porque era um consultório médico onde nada se podia fazer, tinha que ficar ali, mas não tinha muita coisa para fazer, então eu lia muito, muito, muito.
Peguei amizade com a Vanda Luzia, que era a senhora que nos atendia lá, e ela acreditava que eu lia mesmo. Um dia, ela me mostrou: “Olha que coisa! ” E eu lia.
Então, eu amava ler. O Júlio também tinha uma biblioteca maravilhosa, diferente da outra escola estadual que não tinha. Não sei se tinha biblioteca, mas não tínhamos acesso.
E foi assim, eu lembro que seu Joaquim, ele era meio sisudo, o bibliotecário do Getúlio Vargas. E daí, tinha livro que você queria pegar, e ele falava assim: “Esse livro aqui não é para você. ” Mas eu gostava muito de ler.
E tem um filme, eu sou muito cinéfila, né? Tem um filme que se chama "Sabrina", sim. Que tem uma cena… seu livro, um livro também.
Então, ela, o pai dela, o pai da bolsa que ela acaba estudando moda e tudo, ele é chofer, né? Ele é motorista da família rica. E daí, um dia, chega aquele momento da adolescência, né?
Que adolescente fica brava com o pai e fala assim: “Por que você nunca quis ser mais. . .
? ” Nada além de motorista. Não sei o quê ele falou assim, porque eu gosto de ler e esse é o trabalho que me deixa, como eu fico à disposição dos outros o tempo todo, né?
Eu fico lendo. E eu tive, depois, quando eu me vi adulta, eu me vi nesse filme e falei: "Nossa, que coisa mais linda! Era isso que eu senti.
" Eu fui trabalhar no consultório médico. Posso falar o nome do médico? Pode à vontade!
Era um homeopata chamado Celso Nacamura. Sim, e o escritório dele era todo forrado de livros; sim, livros que provavelmente ele não leu todos, mas eu li. Olha, então tinha assim: os livros dele e os livros da biblioteca.
Ele tinha coleções fantásticas, ele tinha coleções de clássicos nacionais e clássicos internacionais. E eu, então, você imagina, com 17 anos, 16 anos, 17, 17 lendo os clássicos, porque era o que estava na mão, sim. Só que eu nunca tive essa oportunidade na minha casa, né?
Então, para mim, foi fantástico. E foi assim que, com os livros, foi entrando esse amor à arte, ao cinema, né? E o Getúlio Vargas era um lugar que você, de certa forma, era incentivado, né?
Tinha coisas que eu não gostava. Por exemplo, eu nunca gostei de desfilar em 7 de Setembro, não gostava, nunca dancei em festa junina, uhum. Mas tudo ligado à arte, eu queria estar no meio, né?
E daí eu fiz um ano, depois que terminei o ginasial, né? Naquela época chamava ginasial, hoje é primeiro grau, né? Tinha três opções para fazer o colegial, né?
Que chamava o colegial: tinha o magistério, que as pessoas eram muito preconceituosas e diziam que era "espera marido", né? Tinha o químico, que era para quem ia prestar vestibular e quem era já inteligente. E tinha o redator, que acabou aglutinando as pessoas muito ligadas à arte e que gostavam de escrever, gostavam de poesia, que gostavam de música.
E eu ainda tentei fazer o químico. Eu tentei, eu fiz um ano. Quando chegou quase no final do ano, eu falei: "Não dá, eu não consigo, não entendo física, não entendo química, eu não entendo.
" Biologia eu até entendia, mas física, aquele professor. . .
não, era uma professora Vera. Química, aquele professor Marin parecia que ele queria me matar, né? Que eu não acertava nada, não entrava.
Aí eu fui fazer o redator, e eu acho bárbaro. Hoje em dia parece que tem um projeto do governo estadual que tem o tal do projeto de vida, né? Algumas escolas.
E eu acho bárbaro, porque não que a gente já saiba o que a gente vai querer ser, o que a gente vai querer ser para sempre, porque a gente tá mudando o tempo todo, né? Mas você tem uma inclinação já, você gosta mais de alguma coisa do que outra, né? E eu gostava de tudo ligado à arte, mesmo de verdade.
E daí foi, né? Quando eu tive a minha casa, aí eu comprei aquele monte de livros, sei, mas do Getúlio. Aí eu fui estudar no Getúlio, no redator.
A nossa classe terminou bem pequena. Nós terminamos em 13. Só lembro até hoje, era começo do curso, né?
Mas assim, ela começou uma classe grande até, mas as pessoas meio que foram deixando. Bom, isso é muito natural também, né? Acabar.
E eu tive meus quatro grandes amigos no curso de redator, que eu tenho até hoje um carinho muito especial, que eram Chile Valadão, Eduardo Quada, e o José Antônio Branco Bernardes, que foi caminhando bem direto mesmo para a arte, né? Que hoje ele é regente, maestro e está pelo mundo todo. Quzada também, eu não sei se está no Brasil.
A Chile também tem, temos contato minimamente, nós quatro, porque nós quatro éramos muito diferentes do restante, assim, que eram mais normais, talvez. Não sei, mas a gente gostava bastante. Tanto que, quando eu fui fazer o festival de teatro, eu acho que não tinha ninguém da minha classe.
Eu me associei com pessoas do ano mais velho, ano mais novo, e fui, entrei, entrei meio sem saber direito o que era, sei. Mas tinha, né, o professor de língua portuguesa na época, e ele nos exigia muito assim. Mas foi assim, ó, ele ensinou a gente a gostar de poesia, sei.
É o Carlinhos que foi professor, não é? O Roberto Samuel. Ah, porque o Carlinhos deu aula para você também, né?
Deu, deu. O Carlinhos deu aula para mim, mas, justiça seja feita, ele também era assessor de um prefeito, acho que na época, então ele faltava. Mas tudo bem, ele era bom.
Mas o que me fez mesmo ter vontade de continuar e fazer alguns trabalhos extracurriculares e tudo foi o Roberto Samuel, que você fazia na aula de português, no caso, que tinha montagem, essas coisas, já com vocês. Ah, não, naquela época com o Carlos, com. .
. não, a de português com o Roberto mesmo. Ah, com o próprio.
É porque muitas coisas eu não lembro, você está contando, mas muitas coisas eu não lembro. Então, ó, uma vez nós fizemos um trabalho que eu lembro que eu decorei, decorei uma poesia do Bocage que era "nariz, nariz, nariz". E não só decorar, mas entender a poesia, entender o que ele quis dizer, entender a quem ele estava alfinetando e aquelas coisas todas, né?
Mas eu me lembro muito disso, eu decorei. Ah, e depois a própria "Pés no Chão", né? "Pés no Chão", você participou de "Pés no Chão" com quem mais você lembra?
Lembro, era. . .
Olha, foi. . .
Uma coisa tão interessante: "Pés no chão", que eu só me dei conta que, porque assim, a equipe era muito grande, né? Tinha sonoplastia, tinha as meninas que cuidaram das roupas, algumas que faziam maquiagem e tudo. Mas eu só me dei conta depois, no final, que no palco eu era a única mulher.
O resto era só homens. Mas era assim: o Airton, o Tadeu Munz, o Carl, que eu não me lembro o sobrenome; o Carlos Batela. .
. Não, não é o Carlos, é aquele que aparece na foto do Cruzeiro, que ele tá com os pães na mão. .
. assim, era Car Anderson, acho que. Aquele que tá com os braços abertos.
Ah, bom, então acho que é outra foto. E aí, Quinzito, de Carvalho, é que ele é do jornal de São Paulo, né? Ruiz, acho que também isso.
Alberto Ruiz, que é médico, né? Transou médico, mas parece que foi embora de Sorocaba, no Grande do Sul. Depois, tinha.
. . Nossa, tinha muita gente e várias pessoas.
Nossa, não me recordo agora o nome do resto, mas era. . .
enfim, era uma peça muito interessante e eu fazia um papel muito pequeno; eu era uma velhinha que estava dentro do ônibus e daí o ônibus ia sacolejando e a gente tinha que sacolejar tudo na mesma época, tudo. Mas com certeza, o impacto maior, e se tiver imagens, provavelmente você vai colocar, porque era o Airton fazendo. .
. Airton ou Quinzito fazendo "Operário em construção", né? E o On também faz alguma coisa, também muito interessante.
Mas é impactante mesmo aquilo. E mesmo a gente que estava ali o tempo todo, ensaiando e tudo, no dia, na hora, foi muito emocionante. Foi assim, eu acho que talvez eu não estivesse tão ciente do que a gente estava vivendo, né?
Mas foi maravilhoso, assim, aquela apresentação. E dos que eu participei, foi "Pés no chão", mesmo. Participei de teatro, né?
Eu tenho o certificado até hoje. Eu tenho certificado até hoje, mas eu me lembro e eu não consigo agora. .
. não vem pela memória, mas eu me lembro de mais vezes naquele palco, apenas recitando poesia. Então, eu não sei se era uma aula que o professor falava assim: "Vamos lá pro teatro", e a gente fazia com outras classes, provavelmente era.
Mas eu lembro assim da gente fazendo poesia, sei. E tinha um menino que era de uma sala mais. .
. ele era mais jovem, o Amir, né? Amir, né?
Que ele fazia muita poesia. Ele fazia. .
. ele fazia também com quem eu tive mais amizade depois, né? Inclusive, foi com ele que nós fizemos um grupo.
Daí já não era vinculado ao CR, ao Getúlio, mas nós fizemos poesia de Ferreira Gullar, ah, na concha acústica, na concha acústica, que ela tinha o palco naquela época. Fiz chamava o grupo, nós éramos assim um apêndice do grupo ensaio, assim, que era um grupo mais. .
. era um grupo, digamos assim, eles eram jovens e nós éramos adolescentes, né? E foi muito legal.
Eu me lembro do Amir, que o Amir fazia umas poesias muito lindas, muito lindas. É. .
. Amir Bri. .
. E eu me lembro dele, mas tinha mais pessoas: Davi de Amates. Quem?
Davi de Ames? Ah, Davi, também. Esse grupo, inclusive, foi o grupo que fomos para São Paulo assistir "Aurora da Minha Vida".
Fomos para São Paulo assistir "Os Filhos do Silêncio". Ah, tinha um professor que não era você, que não era meu também. Inclusive, eu ia de, né, penetra.
Eh, agora eu não lembro, mas o sobrenome das meninas, de uma das meninas, era Walker. Karina Walker também foi pra área do teatro. Ah, não me lembro o nome do professor, mas ele era da OSE.
Ah, e ele levava os grupos. E vocês iam juntos, quer dizer, interessante isso. Ah, você ia junto?
Eu ia, eu ia de. . .
de. . .
que legal! E você tinha 18 anos? Acho que eu não tinha 18 ainda.
Não 18 ainda não, não tinha 18. Ainda não. Mas era bem gostoso.
Werner, o nome do Werner? Rild, isso. Werner.
Oh, que legal! Tinha esse grupo, que fazia. .
. foi uma figura muito importante no teatro cabano. Sim, exato.
Ele e a esposa que nos levavam, assim, e era um. . .
era interessante, né? Que naquela época não tinha um Sesc Sorocaba. O Sesi tinha montagens, mas não me recordo.
Mas a gente. . .
eu me lembro, por exemplo, da gente ensaiar na escadaria da galeria Santa Clara. Ah, que interessante! Onde vai ser o ensaio?
Não tinha lugar pra ensaiar, ah, né? Porque o Getúlio, sem a presença de um professor, não tinha como abrir no final de semana pra gente, né? Não tinha como.
Então a gente acabava. . .
vamos sair aonde? Ah, vamos sair dali. Sim.
É o que. . .
deixavam as pessoas. . .
deixavam. Tinha pessoas que paravam a olhar e era. .
. era gostoso. Mas foi definitivo para mim.
Eu sempre gostei de ler, mas essa possibilidade de ler bastante na biblioteca do Getúlio, na biblioteca municipal, que era na Roda Penha, né? Ali a nossa biblioteca geral era ali, não era só infantil, né? E foi me abrindo os olhos para outras artes, né?
Você acaba, eh, conhecendo. E o teatro, eu acho que foi assim uma. .
. porque eu vejo a sua emoção, né? Eu sinto a sua emoção.
É bem mais próximo, próximo, né? Eu sinto até sua inspiração. Ah, então a gente fica assim.
Ó, e eu lembro que "Os Filhos do Silêncio" foi com a. . .
eh, ela é maravilhosa, agora não vem o nome. Enfim, nossa, é uma atriz muito famosa. Mas e o "Aurora"?
Da minha vida, foi com os sorocabanos, né? [Música] Eh, Paulo Bette e Elian Gerardini na época, também jovenzinhos, né? Muito bonita aquela montagem.
Sinto falta de ter visto mais teatro, sim, em Sorocaba mesmo. E, sim, que pena que não tem mais grupos ainda, né? Eu, até hoje, tendo oportunidade, eu vou.
Você vai assistir? Eu vou assistir! E aí, depois, o Getúlio, que, por exemplo, você fez.
Depois do Getúlio, eu tive um hiato nessa parte de cultural, assim, mais ou menos, né? Porque eu me casei, fiquei longe dessa parte, tirei filhos, criei filhos e, quando você voltou a estudar de novo, então, depois, eu tentei eh. .
. eu prestei vestibular para Letras, queria estudar no Miso, fazer Letras. Eu não me lembro o ano agora, sei que deve ter sido.
. . meus filhos eram pequenos ainda.
Eu passei, passei bem. Eu não me lembro a classificação, mas eu passei muito bem. Mas não tinha como pagar, entendi.
Não tinha e acabei não fazendo. Mas eu achava que isso era o que eu queria: Letras. Ainda acho, ainda acho que seria uma coisa que eu ia gostar muito, sim.
Aí, depois, eu prestei para Jornalismo, quando veio o Jornalismo aqui em Sorocaba. Letras foi na Faf e Jornalismo, onde não era. .
. ah, é, não era o Uniso ainda, verdade? O Uniso.
Aí, Jornalismo já era Uniso, já chamava Uniso. Isso daí, Jornalismo Uniso. E quando veio, porque quando vem a faculdade para cá, as pessoas não podiam mais trabalhar sem o diploma.
Isso. Então, tanto os meus colegas. .
. eu fui da segunda turma, tanto os meus colegas já eram jornalistas de anos, né? Mas eles tiveram que fazer o curso para continuar trabalhando, e eu fui também, né?
E daí, ah, comecei na TVCOM como voluntária. Fui um pouco voluntária na TVCOM de. .
. é, o ano 2000. Quando nós terminamos, né, o meu TCC de Jornalismo foi sobre motocicletas.
A gente falou sobre todas as partes. Hoje a gente também falaria dos motoboys, que na época a gente não falou, mas a gente falou de moto de grande cilindrada, os acidentes de trânsito, quanto custa para o Estado. .
. isso, já era naquela época. A gente já falava isso em 2000: quanto custa para o Estado os acidentes envolvendo motocicletas, porque são pessoas que podem, além de morrer, elas podem também ficar, para o resto da vida, dependentes.
É, itens de segurança, encontros de motos, grupos de motos, mulheres que são motoqueiras, motociclistas. . .
então foi assim uma gama, bem legal, um grupo muito legal. E foi um vídeo. .
. ah, é, vídeo. Foi um vídeo.
A gente sempre puxa para o lado do vídeo. Eu sou muito. .
. eu sou muito da imagem também, sou muito visual. Muito.
Tanto que, quando eu leio um livro, eu imagino tudo, tudo, tudo. Eu tô protelando de assistir "Cem Anos de Solidão", porque eu já li o livro e eu já fiz a minha Maconda. Daí eu falo assim: "Meu Deus!
Ah, eu sei como que é e se eu for assistir e não for a minha Maconda? " Você imagine o Grande Germão das Veredas! Então, né, loucura o que andaram fazendo, né?
Então, é difícil mesmo, porque você cria uma imagem e, de repente, é. . .
exato. Algumas coisas você fala: "Não, pelo amor de Deus! Não poderia ter sido assim, né?
" Mas são a leitura de um diretor, né? É, os meus filhos brincam que eu devia ser roteirista. Ah, é, eu brinco, mas é isso.
Aqueles anos todos, eu agradeço assim todos os dias pela oportunidade, pelas oportunidades que eu tive de aprender a fruir arte, fruir arte, porque, assim, se eu. . .
se não tivesse um professor que falasse: "Vamos fazer uma apresentação de teatro! ", você sabe que tem muito professor motivado, mas tem muito mais professor desmotivado, que tá tudo bem do jeito que for. E eu tive esse privilégio, né?
Um professor que se empenhava em nos mostrar todas as nuances e vamos lá e explorar mesmo a emoção, a palavra. Aí vocês iam com muita vontade, né? Bom, era isso, né?
Vocês. . .
tendo de cabeça, eu lembro. Para você ter uma noção, eu lembro de várias atividades ali na Concha Acústica. Sim, e eu lembro que, às vezes, né, alguns grupos nós resolvemos fazer ensaio lá em sábado.
O público chegava, todo mundo sentava para assistir. Exatamente. Era uma delícia aquele palco, os bancos ali, né?
Que retiraram todos depois, né? Não sei por que razão. .
. ah, porque não é conveniente, né? Eu acho, não sei.
Eu me lembro, tinha até um nome esse encontro na Concha Acústica, porque eu me lembro muito bem. Porque, assim, eram todos os grupos se reuniam ali, né? Então, eu me lembro do Wellington Kermes, que era um menininho, né, que gostava de tirar foto.
Sim, tinha uma maquininha lá, ele tirava foto. Aí tinha um pessoal que pintava. Se eu não me engano, tinha um patrocínio de uma empresa de tinta, alguma coisa assim.
Mas tinha o pessoal que pintava. Aí, se você subisse no banco e falasse uma poesia, ninguém ia achar estranho, né? Era gostoso!
Então, era. . .
e é impressionante. Tudo bem, a cidade era menor, eu entendo que a cidade era menor, mas as pessoas passavam e paravam para admirar. Ninguém achava que era um bando de louco ou um bando que não tinha o que fazer, né?
Era gostoso. E, se eu não sei se alguma arte não estava lá, porque tinha música, tinha pintura, tinha fotografia, tinha dança. Com certeza tinha de tudo.
Então era muito, muito interessante. Sinto falta. Como a cidade tá grande, isso poderia ser em vários bairros, talvez.
Mas que era muito gostoso, era isso! E aí, você terminou Jornalismo? Terminei Jornalismo e fui trabalhar onde primeiro?
Na. . .
TVCOM, né? Depois, eu fui para o Cruzeiro, no jornal, mas só que na parte da internet. Ah, na parte da internet, no início.
. . Ah, entendi.
Na verdade, no começo, o Cruzeiro era um provedor, né? O Jornal Cruzeiro do Sul tinha o provedor, sim. Aí foi extinto esse setor, e eu fui trabalhar na Rádio Boa Nova, com José Desidério.
Ele me ensinou profissionalmente, me ensinou tudo sobre jogo de cintura e improviso, porque o rádio é muito disso, né? A gente se virava. Mas o Desidério foi esse grande professor de jornalismo do improviso.
Sei que depois eu voltei para o Cruzeiro, né? Voltei, eu voltei para o jornal, mas já direto para os suplementos, suplementos que eram o Cruzeirinho, Cruzeirinho da Celma, que foi da Selma, exatamente. E o Casa Acabamento, isso, Casa Acabamento.
Ela que era fantástico! E o turismo, sim, turismo. Aí, depois, assim, como a gente gosta, né, de inventar moda, eu acabei ficando responsável pela edição das revistas.
Tinha várias revistas, tinha a revista de aniversário, Casa Acabamento e a de turismo. Não tinha, mas era aniversário. .
. Tinha várias, várias revistas que aconteciam lá durante o ano. Sei que inventamos também eventos, ciclos de debates.
E isso era muito legal, isso é muito gostoso. E o Cruzeirinho era você e a Helena. A Helena que entrou na.
. . aquela é Elena, não é?
Isso, ela era editora, ela chegou a ser a pauteira do jornal. Depois, acho que de 2000 para frente, ela pegou a editoria dos suplementos. Eu entrei em 2002, né?
Daí, que dupla, hein? Vocês duas, que beleza! Nossa, a gente gostava de fazer.
A gente percebia claramente, né? E era assim, foi um momento que, assim, muito bem a abertura que nos deram para os assuntos, né? Então, a gente colocou casais homoafetivos.
. . não, ela.
. . muita!
A Helena já, hoje, ela é psicanalista, né? É psicanalista. E daí, ela já tinha uma tendência a procurar assuntos de psicologia, de comportamento, ela já gostava.
Então, ela era bem assim, uns assuntos muito legais, sabe? Era. .
. as pessoas ligavam para falar, gostavam. Aí, eu coloquei muita coluna, né, no suplemento, né?
A gentileza gera a gentileza! Gentileza gera gentileza. Onde é ela agora?
Alguém tem que dedar alguém aqui agora, viu? Se alguém tem que dedar aqui, alguém agora sou eu, dedando essa moça! Aí tá!
Porque, olha só, tinha dado um livro para ler, né? E aí, ela contou lá no Gentileza sobre essa história que ela não tinha lido o livro, né, e acabou tirando nota 10 depois na prova. Só que ela esqueceu que aquela prova que nós fizemos foi assim: eu dei o livro e, aí, normalmente, a gente fazia um debate, e era um debate bem demorado que, inclusive, muita gente que não tivesse lido o livro, no debate, pelo conteúdo do próprio debate, já conseguiria fazer a prova, porque nós trabalhávamos muito determinadas temáticas.
E nós tínhamos trabalhado também aquela questão das partes da redação, né? Introdução, desenvolvimento, conclusão, né? Como trabalhar o texto.
E essa mocinha aqui acabou não lendo o livro, conversou com o pessoal antes, né? Bastante, né? Principalmente um deles, né?
Também pessoa inteligente, conversaram bastante. Ela fez a prova, tirou 10. Por que será, né?
Demonstrava já a competência dela, já na época, né? Porque ela sabia, né, o que era importante dentro de um livro, sabia o que era importante dentro de um texto. Como era grande leitora, já era uma grande escritora.
E aí, ela falou: "Como que tirei 10? ". Tirou 10 por causa disso, era um texto criativo em cima daquelas temáticas abordadas e discutidas.
E ela brilhou! Brilhou como ela sempre brilha, na profissão dela, em tudo que ela faz, né? Então é isso.
Ah, então agora volto com você, minha cara senhorita. Mas você sabe que tem outras coisas aí que a gente pode pensar em nível, em Brasil mesmo. Eu não tinha lido porque o livro da biblioteca estava emprestado, todo mundo que comprou ninguém podia emprestar, e eu não podia comprar, exatamente.
Então tem essa coisa: eu não tinha lido. Aí, no dia, você não foi displicente, não! No dia, eu me lembro que eu deu para ler quatro páginas antes da prova!
Quatro páginas! E depois, no final, também, você pegou, começo e final. Eu lembro disso, você contou.
Não, tanto é que eu fiz. . .
Depois, acho que do debate, você falou pra gente pegar um personagem e eu peguei a baleia. Era a baleia, que era a cachorra. .
. Não, sim! Mas o nome do livro era de Graciliano Ramos, é Grande Sertão: Veredas, né?
Não é não? Grande Veredas? Como é o nome?
Vidas Secas! Vidas Secas! Isso!
E daí eu falei da baleia, isso, exatamente! Fantástico aquele personagem, né? Quer dizer, a baleia é fantástica.
E quando eu falo que tem a ver com Brasil, eu não sei hoje, né, que todo mundo fala que ah, ninguém gosta de ler, ninguém gosta de ler, ninguém gosta de ler. Eu acho que não! O que não é oferecido.
. . você não tem como saber se você vai gostar ou não vai gostar.
Então, por exemplo, olha, uma coisa familiar: a lição de casa, para mim, não era obrigação, era um prêmio! Sabe que depois que eu tivesse arrumado a casa, eu podia fazer lição de casa! Sim!
Então, assim. . .
É lógico que eu fazia, que eu arrumava logo a casa porque eu queria agradar a professora, porque eu queria aprender, sim, né? Mas se você pensar que hoje não é assim ou que a maioria das famílias. .
. a lição de casa não é um prêmio, é uma ação. Que as crianças acham ruim, não sei o quê, né?
Então, você fala assim: "Olha que coisa! " E, por exemplo, eu tirei 10, mas eu poderia ter zerado, poderia não ter feito nada, porque eu não tive acesso ao livro, né? E assim, aí você fala: "Poxa, são outras formas de leitura, né?
De visão. " E o texto era criativo, né? Então, era baseado naquele conteúdo que foi debatido, principalmente no teatro.
Eu falo: "Exatamente isso! Que lindo que é quando se vê criança pequenininha indo ao teatro! " É exatamente isso.
E também aquela questão da época, né? Era interessante que o pessoal lia, né? Que você dava para ler e o pessoal pegava isso com muita seriedade.
E quem não lia, na hora do debate, ficava constrangido até por não ter lido, né? E a gente percebia isso tudo. E essa história mesmo de não ter dinheiro para comprar livros.
. . Eu já dava, naquela época, nas redes públicas, né?
Em bairros. Então, a gente lutava para conseguir livros para levar e dar para as crianças lerem em sala. Por quê?
Porque a biblioteca não existia. Depois a gente foi montando devagarzinho tudo, mas as crianças não tinham condição de comprar e a gente queria que lessem. Então, surgiam as doações, né?
Mas é tudo complicado mesmo, né? E depois dessas experiências aí no jornal, eu saí do jornal em 2016, né? E já com todas as experiências, né?
E enquanto ainda estava no jornal, eu queria muito, porque nós dividíamos a edição dos suplementos, eu e a Helena, gozando, que nós já falamos; na verdade, no início, ela era editora e eu era repórter. Depois eu fiquei subeditora e ela é editora, mas a gente dividia tudo, né? E eu queria muito que o Cruzeirinho, eu queria ficar sozinha com o Cruzeirinho.
Eu queria fazer o Cruzeirinho do jeito pedagógico e tudo mais, muito por influência da professora Sidney, que era diretora do Colégio Politécnico na época, né? Porque ela, quando nós nos encontrávamos, era assim: você tinha vontade de guardar no potinho, né? Porque ela ensinava tanta coisa numa conversa, assim, ela trazia muita coisa, né?
Sempre muito brilhante. Aliás, duas pessoas que eu queria trazer no potinho: o Rubem Alves e a Ruth de Aquino. Ah, é Rubin!
Com certeza, preciosidades, né? Essas duas, verdadeiras preciosidades. E daí eu fui, acabei indo fazer Pedagogia na FISC.
Na época, era o segundo ano que tinha Pedagogia na fuscar. Eu fui, consegui, tinha que fazer o Enem, fiz. Comecei a fazer, só que lá é bem puxado, são cinco anos, tem uma infinidade de estágios.
Eu cheguei até a fazer o TCC, mas eu não terminei. Eu fui fazendo tudo, tudo me ajudou muito, tanto com o Cruzeirinho quanto com a vida em geral, né? Porque nós tínhamos aulas que eu nunca tive em outro lugar, de Sociologia, de Psicologia mesmo, e os estágios.
Eu consegui fazer quase todos, faltou um. Adorei fazer o estágio de EJA, Educação de Jovens e Adultos. Se me perguntasse o que eu queria fazer pro resto da vida, eu ia falar que queria ser professora de EJA.
Nossa, eu fiquei encantada! Eu fui fazer o estágio em Brigadeiro Tobias, num lugar lá, e a professora era muito generosa. Então, chegou uma hora que ela deixou eu ficar com a classe e eu fiz uma atividade maravilhosa, que acabei levando pro jornal.
Acabei levando para uma seleção de vídeos que nós tivemos, de 25 vídeos, né? Uma série de 25 vídeos que as mulheres ensinavam receitas e contavam sobre um objeto afetivo. Porque lá, nessa aula da Pedagogia, eu fiz isso no estágio, né?
Pedi para que elas trouxessem, como era meu último dia, uma festividade. Cada uma ia trazer um bolo, um prato pra gente comer, comemorar, e eu pedi para elas fazerem também um objeto afetivo. E dali, a riqueza daquelas coisas, sabe?
Das coisas que chegaram, assim, "isso daqui era da minha sogra porque ela veio não sei de onde, não sei de que país", "isso aqui era da minha mãe", e elas tinham muita história para contar, muita história. Algumas histórias muito tristes, mas muito tristes, mas riquíssimas, né? E eram objetos lindos, além de tudo, eram objetos lindos.
E daí acabamos fazendo "Sabores e Lembranças", que foi maravilhoso também no jornal, porque aquela coisa, né? A gente não pode ficar quieta, não pode. Mas eu não terminei.
Aí é uma parte triste, né? Porque eu e a Helena fomos demitidas do jornal, os suplementos foram extintos. Essa é a parte triste.
E a parte pessoal é que eu tive depressão, tive pânico. A gente não se orgulha, mas também não pode omitir de falar das escorregadas, né? E eu fiz uma coisa ou outra e daí fui, acabei ficando mais tempo na Pestalozzi de Canos, fazendo as mídias sociais.
Rio Grande do Sul é no Rio Grande do Sul, porque mesmo quando eu estava sem trabalho, tudo, eu acabei fazendo vários cursos. Então, assim, "Ah, fulano vai fazer um curso de mídias sociais, como vamos lá fazer? ", porque na lista ele não pode parar.
Também tem que se atualizar, sempre tem que se atualizar. E aí descobri o que fazer, descobri como fazer e fui. Mas, assim, eu nunca esqueço dessa questão da emoção que foi lá atrás, que tudo isso me.
. . Eu sou a tia dos livros.
Entendi, pros sobrinhos eu não dou brinquedo, eu dou livro. Liv e Gerente, livro que tem a ver, sabe, com a atualidade ou o que vai acrescentar mesmo pra criança, acho bem, bem legal. E hoje, como que onde você tá, que você tá fazendo?
Então, hoje eu, hoje eu não posso trabalhar, não tô trabalhando, né? Eu não me aposentei ainda. Ah, não, não, porque eu tô de cuidadora do meu pai.
Ah, entendi, o meu pai tem 95 anos, sei, ele tá lúcido. Sei, mas ele precisa de todo aquele amparo assim, sabe? Entendi tudo, né?
Então, nós nos iramos e decidimos que ele poderia ficar comigo, que ele ficaria mais feliz, sim! E eu acho que ele gostaria muito de viver numa clínica, porque meu pai adora conversar. Sei, mas ele gosta também, ele conhece todos os meus vizinhos.
Sei, ele anda lá, ele fala, ele conversa, e ele tanto que fala pra mim: "Ai, o fulano de tal, do meu pai". Eu não sei quem é, mas ele mora aqui. Eu falei: "Eu sei", mas "sabe".
Desculpa, mas eu não conheço. Mas e antes, agora nesse momento, você tava trabalhando? Antes, o meu último trabalho foi na Secretaria da Saúde, que eu já trabalhei também, né?
Lá naquele ato que eu falei pra você que eu não estudei, que eu tive filhos. Eu não tive só filhos, né? Trabalhei todo esse tempo.
Trabalho desde os 16, na verdade. E eu trabalhei duas vezes na Secretaria da Saúde, antes, né? Em 85, depois entrei em 85, saí em 86, aí em 87, daí eu fiz de novo o concurso, que lá é concurso, né?
Entrei em 89, meu filho tinha 1 ano, o mais novo, e daí eu fiquei por muito tempo. Muito tempo, não. Sete anos!
Só que daí eu tive uma padaria, tinha que me dedicar à padaria. Onde era a padaria? Era no Jardim de São Paulo.
Certo, mas daí acabou tudo: junto a faculdade, o casamento e a padaria. E daí eu fui, agora, né, recentemente. Aí não era um concurso, era um processo seletivo, sei, desse novo governo.
Ador novo não é tão novo, mas enfim, era novo. Eles não têm como fazer concurso, então eles fizeram um processo seletivo. Você tinha que lá provar os pontos que você tinha, que você já tinha trabalhado, quantos anos, onde você trabalhou.
Entrei, passei e fiz; era um contrato de um ano, renovado por mais um. Então, eu fiquei dois anos lá, saí agora em. .
. não nem lembro quando, junho, junho do ano passado. Mas desde então meu pai tá comigo, aí fica muito difícil Home Office.
Sim, até dá, mas deixar ele sozinho, andar. . .
E o que mais você gostaria de contar para nós antes de nós fecharmos esse nosso agradável. . .
isso papo? Ah, foi mesmo agradável. Não sei, talvez eu ter falado com isso, sempre cobrando [Música].
Então eu queria contar, o tema do meu TCC na UFMG, que é minha professora, professora Valburga. Ela falava assim: "Você tem que continuar, você tem que fazer mestrado, doutorado". E eu não tava ali, não tava conseguindo nem terminar a faculdade, né?
E ela já tava querendo, por causa que o tema foi muito interessante. O meu tema foi: "Como o cinema mostra o professor". Então eu peguei cinco filmes, na verdade eu peguei um monte, né?
Daí eu fui filtrando e fechei em cinco filmes, e eu falei sobre esses cinco filmes e coloquei em ordem cronológica. Então lá, a messe com carinho, né? E daí eu fui caminhando.
A onda, acho que a onda foi o último, e daí mostra como que o professor é visto pelo cinema, né? Então ele é visto e vendido, né? A gente tem que lembrar que quando você mostra uma pessoa, você vende, né?
Então assim, você não precisa ganhar muito. Você, você é professor, você é. .
. como é que fala? É vocação!
Quando a gente sabe que não é assim, toda profissão, você tem que ganhar, né? Você tem que viver. Mas é interessante como todos eles colocam a pessoa como uma pessoa super-humana, né?
Como se ele fosse tanto. . .
Ah, é "A Substituta", acho. Substituto é depois. Se você quiser eu te dou, você põe lá na legendinha.
Então eu gostei muito de mergulhar nessa, que é cinema, né? É arte. Então, e muito ligado à pedagogia, mas muito ligado ao jornalismo também, né?
Muito ligado! Então eu trouxe, eu fiz toda a costura entre os campos que me agradam, que me chamam atenção. Adoro.
E, no entanto, né, a gente se lembra muito de todos os professores que foram importantes, positivamente e negativamente, né? Por exemplo, já que estou aqui, Roberto Samuel foi uma extrema influência positiva na minha vida. Vocês, por conta da.
. . E dessa, como eu falei, eu me lembro de muitas vezes em final de semana a gente fazia reuniões no Getúlio, né?
Aquele grupo. Eu me lembro que foi a primeira vez que eu ouvi a palavra feedback. E eu queria saber, você tinha tirado.
. . Era de um terapeuta?
Não, era alguém. . .
Esqueci agora o nome, na verdade era um curso de cibernética social, né, que tinha feito. Daí ali nós trabalhávamos, e tinha o Rubo Miller, que era de São Paulo, e um padre do Rio Grande do Sul. E eles trabalhavam muito o conceito de feedback.
Nossa! Então eu falava assim: "Nossa, que coisa louca, né? Que que é isso?
" Demorei para entender, demorei para entender. Era terapia transacional, teoria. .
. ah, não lembro. Terapia da organização humana é, e não sistema, sistema da organização.
Aí eu achava interessante porque era mimeografado. A gente fala, né? Verdade!
Era o Roberto mimeógrafo e a gente tinha que ir lá preenchendo as coisinhas, não era para mostrar para ninguém. Eu lembro disso! Não era, mas era para se conhecer.
Ass er coner. E foi fantástico aquilo tudo, e todos aqueles encontros que tinham. E daí hoje eu fico pensando que professor que ia deixar um sábado, podendo fazer outras coisas, se encontrava com os alunos na escola para fazer os ensaios do teatro e para fazer uma atividade extracurricular que era de engrandecimento da pessoa, de autoconhecimento.
E como eu falei, né, eu cito feedback que até hoje eu lembro da palavra. Eu nunca tinha visto essa palavra na vida! Foi todos nós aprendíamos juntos, né?
Era muito bom isso. Aí tinha o Juarez que era lá de Vatel. Isso depois, tinha o Gilson, o Gilson que foi o namorado do Gilson que eu não lembro o nome.
. . Marisa!
Mar. . .
a Marisa e a Marilda. A Marilda, o Carlos Batistela estava no meio desse grupo já ou não? Porque eu lembro que teve mais um outro, outros grupos, mas esse daí de vocês acho que ele não estava, estava em outro.
Eu acho que o Carlos ele já tinha se formado, né? Ah sim, porque o Carlos era da turma da Selma do Fin. Ele já tinha, eu acho.
. . é porque nós também tivemos algumas atividades lá no salão em sábado.
Então, uma boa lembrança sua disso. Foi um momento muito bonito, sim, muito bonito. E chegamos a ir também na escola, para a escola infantil lá de Votocel.
A diretora liberou que o Juarez que arranjava. . .
ah, ele sabe! Nossa, tem um monte de coisas. São coisas muito bonitas, né, que aconteceram.
Depois eu jorei uma vez, eu estava saindo, Júlio, 11 horas da noite. Passou em frente, em frente de carro. Ele estava trabalhando.
Ele plantava acerola. Na época era uma coisa que ainda era pouco existente no Brasil, na Bahia, e exportava para o Japão. Que coisa, né?
Estava na Bahia. Eu me lembro que o Júlio também não estava no Brasil, né? JM.
O Júlio, perdi o contato. É o Júlio que gravou, inclusive. .
. fez uma fita do meu casamento. Ele foi no meu casamento, gravou.
. . e gravou som, não era nem imagem, né?
Na época tudo era mais complicado, né? Eu também fui no seu casamento, aliás, o convite feito pela Selma. Exatamente, muito legal!
Deixa eu pegar o convite que a Selma fez lá. E foi muito emocionante porque você. .
. a noiva entra ao som de uma poesia. É, exatamente!
Olha aqui o convite! Vamos mostrar para o pessoal lá. Olha o convite aqui, né?
E segurar um pouquinho. Deixa eu ver se está aparecendo direitinho. .
. segur. .
. tá! Tá aparecendo direitinho?
Tá, tá! Agora por cima um pouco mais para mostrar o que está escrito. Abaixa um pouquinho mais.
Pode trazer um pouquinho mais pra frente. Ó lá! Estamos convidando para o casamento.
Então esse daí, a Selma me deu de presente de casamento. Foi muito lindo! E aí ela também escreveu e fez mais alguns desenhos, né, e me mandou de presente.
Então a querida Selma. . .
ah, que faz uma falta, né? Faz muita falta! Falta, meu amor.
Muito obrigado, viu, por essa presença aqui, essa conversa deliciosa, né? Deus abençoe! Muito obrigado, viu?
E obrigado a vocês também que nos acompanham, escutando essas narrativas de vida. Tá? Pessoas maravilhosas que sempre estão conosco, estiveram e estarão sempre de alguma maneira.
Então é muito bom contar um pouco de história e contar um pouco de história de vida. Obrigado! Obrigado, minha querida!
Obrigada! Eu que agradeço! Leve sua criança no teatro, dê livros pra sua criança, né?
Obrigada, meu amor, querida! Lindo, né? Ai, que gostoso!