Agora vou falar um pouquinho do período de 12 a 18 meses. Nesse período eh se espera que uma criança esteja aprendendo a falar as suas primeiras palavras. Então, ela começa a falar mamá, papá, bó, talvez para representar a bola.
Eh, auau, miau. Então, ela vai aprendendo a nomear cores, formas, objetos, animais, pessoas próximas. E esse repertório de palavras até 1 ano e meio de idade, a gente diz que gira em torno de 50 palavrinhas, o que é um número bom, um número esperado para essa fase.
No entanto, eh as crianças com autismo, especialmente com autismo regressivo, os pais relatam, e foi o meu caso também com os meus filhos, que a criança começou a desenvolver as primeiras palavrinhas. Talvez ela tenha ali desenvolvido 10, 20 palavrinhas e de repente ela começa a perder essas palavras, ela começa a perder o contato visual que antes ela fazia um pouco mais. Ah, ou ela perde totalmente o contato visual, as palavras que antes ela falava, iniciou ali as palavrinhas, agora ela já não fala mais.
E a gente observa que ela regride no desenvolvimento. Isso eu estou falando das crianças que apresentam o autismo regressivo. Nós ainda temos as crianças que apresentaram alterações que lembram o transtorno do espectro do autismo desde o início, né?
que elas não fizeram contato visual na hora de amamentar, elas não fizeram aquele sorriso social como se espera em que eu tô sorrindo para ela, ela sorri para mim. Ela não compartilhou interesses, ela não apantou pros objetos, ela não pegava o objeto, trazia até mim para que eu brincasse com ela, demonstrava já pouco interesse nisso. Então, nós temos essas eh duas manifestações de crianças que nunca adquiriram uma habilidade eh ou habilidades e de crianças que adquiriram habilidades, fizeram contato visual, compartilharam interesse, emitiram as primeiras palavras e lá por volta de um ano e meio, algumas um pouco mais, outras um pouco menos, elas perdem essas habilidades por experiência, por interagir com muitos pais de pessoas com autismo.
Eu vejo que a maioria relata que a sua criança apresentou o autismo regressivo. Ela foi até um período do desenvolvimento e a partir dali, média de 1 ano e meio, ela começa a perder aquelas habilidades que ela havia adquirido. Então veja que é esperado dessa criança, então, com um ano e meio, que ela tenha um repertório já de 50 palavras.
50 palavras, ela já consegue comunicar vários interesses, ela consegue manifestar os seus desejos, ela pede água, ela pede papá. Algumas relatam que tão xixi, já começam a entender que existe ali uma fralda, que tem um xixi que tá incomodando, nomeiam isso, né? pedem para tirar, algumas também conseguem fazer esse pedido e no autismo isso já não acontece, né?
Algumas crianças nessa fase começam a desenvolver uma irritabilidade. Todos os autistas são irritados? Não.
Hoje, com a experiência que eu tenho de autismo e desenvolvimento neurotípico também, eu vejo que crianças que têm um temperamento, a gente fala no senso comum, um temperamento mais forte, aquela criança que eh naturalmente seria mais mandona, mais autoritária, por personalidade mesmo genética ali, eh, às vezes dos familiares que eram um pouco mais irritados também. Esse temperamento que não tem nada a ver com o autismo, seria parte da personalidade dessa criança associado aos sintomas com autismo. Nós vemos que essa junção dos sintomas do autismo com o temperamento que é da criança, que não é do autismo, é da criança, essa junção faz com que a gente tenha às vezes alguns problemas de comportamento muito graves, como a autoagressão, como a hetteroagressão, morder, bater, agredir outras pessoas ou morder, bater, agredir a si mesmo.
Por que que eu digo que tem coisas que são da personalidade que seria ali constituída, né? parte dessa personalidade, eu me refiro ao temperamento e eu não digo que tudo isso é do autismo, porque eu observei não só dos meus filhos, mas de tantas crianças que eu tive a oportunidade de interagir, que quando você faz um tratamento muito precoce, ah, em que a criança tem acesso a tratamento ainda muito cedo, a gente pode observar que ah você intervém nos sintomas do autismo muito cedinho, então aquele sintomas, eles vão diminuindo. Essa criança agora, ela é oralizada, ela é falante, ela fala.
Essa criança agora faz pedidos, ela conversa, ela sustenta um diálogo, mas aquele temperamento mais incisivo, mais mandão, aquela coisa de gostar de dar ordem, de querer que seja do seu jeito, em algumas crianças permanece. Então, eh, faz sentido pensar que isso é personalidade, que isso é temperamento, parte de quem ela é, no sentido eh de construção de personalidade e não necessariamente uma manifestação sintomática do autismo. Então, eh nesse período, eh, eu acho que é importante salientar o que de fato a gente espera, então da criança.
Em resumo, nós esperamos 50 palavras em média. Esperamos que alimite coisas que eu faço. Então, se eu falo, se eu boto a língua, eu espero que ela coloque a língua.
Se eu pisco o olhinho, ela pisca o olhinho. Se eu faço bu, ela faz bu, né? Imitando os meus comportamentos.
Se eu jogo a bola para ela, ela joga a bola para mim. Então, eh, imagine que a imitação ela já tá ali presente, muito marcante, e essa criança usa a imitação para aprender comportamentos com esse adulto, com quem ela tá ali interagindo. Não só com adultos, talvez ela tenha irmãos pequenos também.
E esse convívio, naturalmente, se é uma criança neurotípica, ela tem essa capacidade de imitação. Se ela não apresenta esses essas habilidades que eu acabei de comentar, eh, são sinais de alerta para que os pais busquem ali uma ajuda, busquem uma avaliação e tentem entender porque que a minha criança não fala essas 50 palavras, por que ela não imita, por que ela tem essa alteração no contato visual. É fundamental.
Se você é profissional ou é pai às vezes de criança com autismo e a tua criança tá apresentando esses sintomas, é fundamental que você corra e leve o teu bebê ou essa criança para uma avaliação o mais rápido possível.