Olavo Luís Pimentel de [Música] Carvalho. Ai ai. Eh, Eloi White pergunta: "Eh, gostaria que o senhor me dissesse qual a diferença de conceito e definição?
" Ainda em aulas atrás, o senhor disse que um no que em um objeto existe várias essências. Não entendi bem porque sempre achei que o que os sentidos captam de objeto é a sua essência junto com o círculo de latência e seus acidentes. Muito bem.
Mas você não pode dizer que os sentidos captam isso, porque se você disser que são apenas os sentidos, você tá dizendo que eles captam apenas os sinais corporalmente sensíveis. O círculo de latência não é corporalmente sensível. Hum.
Então, o que capta isso não é os sentidos, é a pessoa. Você precisa ver que a noção de sentidos, tá certo? como distinto de inteligência, ela por si já é uma abstração.
E essa abstração às vezes é feita não de maneira muito exata. Por exemplo, eh, David Hum dizia que nós só captamos pelos sentidos aqueles entes individuais, um gato, um cachorro, uma bola, etc, etc. E que as ideias gerais são todas criação da da mente humana.
Por exemplo, quando você cria as espécies, eu digo, é possível ser assim, né? O que eu tô dizendo não é que não apenas que rum está errado, eu estou dizendo que o que ele está dizendo é impossível. Porque ele está supondo que a semelhança entre objetos da mesma espécie é construída na sua mente e não objeto de percepção.
Deu. Ora, eu quando vejo dois gatos, eu vejo uma família de gatos, eu estou vendo apenas gatos separados e constituindo a noção de espécie, quando eles mesmos na sua conduta e na sua presença estão me mostrando a sua semelhança e o seu reconhecimento como espécie, né? Por exemplo, você vê o gato fazendo amor com uma gata, não com uma lata de sardinhas, né?
Quer dizer, não é que eu sei que ele é uma espécie de gato, ele também sabe, ele se reconhece na na conduta do animal, tá certo? Você vê a identidade de espécie imediatamente. Então, Ruma está raciocinando como se nós víssemos hoje os objetos só separadamente.
Então, ah, me deram uma bola, tá certo? E e daí eu depois generalizo criando uma noção de bola. Digo e se me deram duas bolas?
Hã, todos naturalmente nascemos com duas bolas, mas não é dessas bolas que eu estou falando. Estou falando de bolas de borracha, de plástico, coisa assim, tá certo? Então, muitos e muitos e muitos e muitos objetos se apresentam a nós, não como entes individuais, mas junto com os da sua mesma espécie, não é isso?
Então, por exemplo, né? Primeira vez que eu vou comer um prato de feijão. Você só vê os feijõezinhos separados, né?
Você come os feijões assim, um por um? Não, os feijões vem todos juntos, né? Então você já tem a o que se foi oferecido.
Não é o indivíduo feijão, mas é a espécie de feijão. Então, a espécie, nesse caso, tem uma presença física. E ao contrário, em vez de você partir da percepção do ente individual para construir a noção da espécie, é o contrário.
Você recebe a noção da espécie pelos sentidos e constrói a noção da individualidade por abstração. Tá entendendo? Vê se tem alguém que o primeiro contato que teve com o feijão foi assim: "Um feijãozinho, ele põe um feijão no seu prato, daí no dia seguinte traz outro feijão igual.
E daí você por abstração vai construindo a noção da espécie. Eu faço a meu favor. Isso nunca acontece.
Então o que Hum está dizendo dizer que a ele parece a tradução da ele quer ser muito realista. Então ele separa o que que é um dado da percepção e o que é uma construção mental. Digo só que ele fez esse processo completamente errado e em toda a filosofia da percepção que se origina nesse século XVI, X tá cheio desses erros.
Tá certo? Então nós não podemos sequer que a a a distinção que ele faz é baseada nas distinções dos sentidos físicos e a mente. Hum.
Mas eu digo, bom, é impossível você dizer onde termina um, onde termina outro, porque justamente por causa deste negócio. Quer dizer, a noção da espécie não pode ser uma criação da mente. Por quê?
Porque alguns objetos só vêm como espécie, nunca como individualidade. E daí a mente separa. E tem outros casos em que vem como indivíduo e daí a mente pode construir a noção da espécie.
Mas se pode ser dos dois jeitos, então significa que a operação dos sentidos e da mente não é tão distinta como imagina David Hum e como tem muita gente que imagina até hoje. Então vamos simplificar a coisa, dizendo, ó, quem percebe as coisas não são os sentidos. Hã, e quem cria a noção da espécie não é a mente.
Sou eu que faço as duas coisas. o sujeito humano real, concreto. Hum.
Não sabemos exatamente qual é o processo, qual é o mecanismo que distingue essas coisas. Em parte a própria percepção, em parte é a mente, mas operando de uma maneira tão integrada que a distinção que eu faço é posterior e ela é imperfeita. Então eu não posso acreditar nessa distinção como se ela fosse um fato.
Quando esta distinção efetivamente essa é uma criação mental, tá? Então por outro lado, quando entra a questão do círculo de latência, o círculo de latência não pode ser equacionado em termos de percepção e construção mental, porque não é nem uma coisa nem outra. Ele é uma précondição para que exista as duas coisas.
Por exemplo, se eu dissesse a minha percepção sensível, ela nota somente a aparência visível dos objetos, tá certo? E não a substancialidade da presença deles. Eu digo isso seria impossível, né?
Se fosse assim, nós jamais conseguiríamos distinguir entre uma percepção e uma fantasia. E eu pensar um feijão seria a mesma coisa que comê-lo. E de fato não é assim.
Então, eu sei que o círculo de latência está presente e que sem a percepção do círculo de latência, eu não percebo nenhum objeto real. Eu só perceberia aparências. E a coitada da minha mente, se fosse operar apenas em cima dessa aparência, também não poderia construir o objeto real.
Por a mente não lida com objetos reais. A mente só lida com símbolos e coisas. Então, eu jamais chegaria a ter a dimensão de realidade.
Hum. Ora, mas a dimensão da realidade foi justamente a primeira que se apresentou a mim. Hum.
Então isso quer dizer que essas distinções, percepção, mental, todas elas são secundárias. O que existe é, vamos dizer, o acesso real que o indivíduo humano concreto, realos reais, nas quais ele percebe a sua presença física e o seu círculo de latência, né? Porque se percebesse os objetos sem o círculo de latência, ele perceberia apenas formas estáticas.
seria impossível perceber uma ação, entendeu? Então, por exemplo, se você acompanha, vamos dizer: "Ah, o gato tá ali deitado, de repente ele pulou, foi pro chão. " Hum.
Eh, então eu acompanho esta ação porque a cada momento desta ação eu sei que ele poderia fazer várias coisas. Hum. Ele poderia, por exemplo, ele levantou da da do sofá, espreguiçou e voltou a deitar.
Hum. No entanto, ele não fez isso, ele pulou pro chão, não é isso? Então, em cada ação, existe a tensão entre a ação realizada e as outras ações possíveis naquele mesmo momento.
Hum. Por exemplo, eu vejo o gato, ele chega na beira do muro e olha para cima como que vai pular. Mede, mede, mede, desiste.
Hum. Vai embora. Eu sei que ele poderia pular em cima do muro.
Se eu não soubesse isso, eu não entenderia que ele desistiu. Então isso quer dizer, a percepção de qualquer ação, ela está tensionalmente embutida dentro de um conjunto de ações simultâneas possíveis. E é isto que dá para nós o senso, vamos dizer, do movimento da realidade.
Hum. Senão nós só perceberíamos formas estáticas. E se só percebess formas estáticas, eu não poderia sequer perceber que o gato que eu estou olhando agora é o mesmo gato depois de eu piscar.
Hã? Então você ver a percepção visual, ela não é contínua, ela é interrompida porque você pisca. Hã, então como se dissesse, ela não é um dado bruto.
A percepção de um gato é uma coleção de atos que você fez, né, entrecortado das piscadas que você deu. Então, como é que você sabe que é o mesmo gato? ser o caso de você perguntar.
Essa pergunta só faz sentido se você acreditar, como David Human e outros tantos, que é a apenas dados do sentido que lhe dão a informação. Digo, não, o que lhe dá informação é presença real. A distinção que eu faço entre os sentidos, o que é dado do sentido, o que é construção mental, ela também é uma construção mental imperfeita.
Hã, então nós temos que pegar toda esta falsa teoria da percepção e restaurar o senso do ato concreto de percepção, que é a percepção de entes reais por outros entes reais, na qual o objeto percebido não é apenas um dado dos sentidos, mas é um ente real carregado das do seu círculo de latência. Sem o círculo de latência, nós não entendermos nada. E eu acho absolutamente impressionante que ao longo de tantas discussões sobre filosofia da percepção que existe pelo menos toda a modernidade, porque Aristóteles não cometeria essa bobagem, né?
Então, Aristóteles sabem que não existe esta fronteira. Aqui termina os sentidos, ali começa a inteligência. Ele sabe que é um jogo muito complexo dessas coisas.
E ele sabe também que a inteligência não opera em cima dos dados percebidos, mas em cima do que ficou na memória. Portanto, é um processo no mínimo mínimo triplo, né? Eh, no entanto, em David Hum só existe duas coisas.
Ou é percepção sensível ou é criação na inteligência. Fala: "Meu filho, assim não é possível. Assim não poderíamos perceber um gato, uma bola, um prato e feijão, nem coisa nenhuma".
Quer dizer, a filosofia que se apresenta como, veja, este é o outro defeito do positivismo, ele se apresenta como muito realista quando na realidade ele é de um abstracionismo absolutamente mórbido, né? Onde não percebe uma coisa real, só percebe convenções, distinções convencionais que ele toma como reais. Então é uma pseudofilosofia de baixíssimo nível, não importando, vamos dizer, o aparente requinte científico com que se apresenta.
Você veja esse cretino desse Michael Dumetalidade da alma é uma questão filosófica para ser resolvida por discussão meramente abstrata e metafísica. Eu digo: "É impossível, meu filho. Hã, por porque a vida após a morte é uma coisa que acontece.
Não tem discussão metafísica que possa resolver se uma coisa acontece ou não. Isso é obviamente um dado experimental que ou existe ou não existe. Portanto, este assunto só é acessível à pesquisa experimental.
E veio os caras achar que o Michael Dom tem um grande gênio. Fala, não é, ele é apenas um cara complicado, né? Ele tem aquela sofisticação, tá certo?
De um homem que entende muito parcialmente a situação real da qual ele tá falando. Quer dizer, o fato de esta questão da imortalidade ter sido discutida teologicamente, metafisicamente, não quer dizer que seja uma questão nem teológica, nem metafísica. Hum.
Se fosse uma questão teológica e metafísica, só poderia ser resolvida na teoria, né? Mas ora, você provar teoricamente que pode existir vida após a morte, não prova que ela existe. É, o juízo de existência é necessariamente um juízo experimental.
Essa é a lição número um do método filosófico. Hã, o que que eu posso investigar por mera abstração e o que que eu preciso dos fatos? né?
Bom, eu digo, a existência do que quer que seja não pode ser uma questão metafísica. É, porque se existe, bom, existir abstratamente é uma coisa, existir nas condições reais é outra. Se eu tô falando da vida após a morte, não é uma vida teórica após a morte, é a vida do seu fulano, dona fulana.
Então, é a questão obviamente experimental. O grande filósofo que falha numa coisa desta, né? Vamos dizer, isso é imperdoável e mostra o que ele é burro.
Não, não é burro. Apenas é a mente fragmentada. Hum.
A mente que opera em cima de conjuntos abstratos convencionais e trabalha com aquilo como um computador trabalharia, tá certo? Mas está desligado das condições reais das quais tá exercendo o seu ofício. Então, é a mesmaor coisa.
Quer dizer, esse cara nunca fala da realidade, como o cara, como Júo Lemos, jamais fala de realidade. Só fala de ideias. Tá certo?
Então, a diferença conceito e definição é o seguinte. Conceito vem do latim com sépio. Sépio, sépio, cepil é o verbo que significa catar, agarrar, segurar.
Então, o conceito é quando você capta junto duas coisas, tá certo? Então você está captando ao mesmo tempo, vamos dizer a presença física do objeto, a sua individualidade ou singularidade, a sua pertinência de espécie e o seu círculo de latência. Este é o conceito.
E significa um conceito não é totalmente, isso é importantíssimo. Nenhum conceito de nada é totalmente expressável verbalmente, porque o conteúdo dele é praticamente ilimitado. Então existe a definição que é o quê?
delimitação, hum, que é uma expressão verbal que lhe permite lidar com o conceito de uma maneira verbalmente viável. Mas enquanto você está usando a definição que é quer dizer delimitação verbal do conceito, você se lembra realmente do conceito e sabe que o conceito é um símbolo e que o símbolo vem carregado daquela tensão entre, vamos dizer, o que foi percebido pelos sentidos, o círculo de latência, o que foi acrescentado pela sua inteligência, o que foi elaborado pela sua inteligência. Tudo isso tá junto no conceito.
Hum. Então, é claro que às vezes nós podemos usar até por uma por uma deficiência, nós podemos usar a palavra conceito e definição como se fosse a mesma coisa, mas não são, tá certo? Então agora nós supomos que aquilo que nós raciocinamos a respeito de uma ideia ou de um ser definido assim, assim, assim, corresponde ao seu conceito real e corresponde, portanto, à realidade.
Tá certo? Mas isso depende, depende do quê? Depende no curso do seu pensamento você conservar na memória de maneira viva a experiência originária e o conceito que unificou.
Isso às vezes não acontece. Você parte de um conceito, criou a definição, daqui a pouco você esquece o conceito, esquece o objeto e tá lidando em torno da defini apenas com a definição, né? A o Ortega Gac dava o seguinte exemplo.
Você vai no teatro, então você deposita lá o seu casaco, seu chapéu na portaria e a mulher lhe dá um um uma chapinha com número. Cada número corresponde a um casaco e um chapéu. Tá certo?
Mas ele não é um casaco e um chapéu. Ele pode ser trocado. Eu digo, e se você esquecer de trocar?
Você vai paraa casa e põ a chapinha na cabeça em vez do chapéu. Isto acontece com os filósofos com uma constância excepcional. quer dizer, continua operando apenas com a definição ou com o termo que a definição define, tá certo?
Acreditando que aquilo pode ser trocado por objetos reais da experiência. Digo, mas a troca não é automática, meu filho. A troca depende da sua memória, né?
E quem diz que quando você se lembra da experiência originária, ela vem, vamos dizer, com toda a riqueza que o conceito tinha no início. Às vezes vem, às vezes não vem. Então, é por isso lembrar a advertência de Aristótel.
A verdade só existe no juízo, quer dizer, naquilo que você pensou, não é naquilo que tá dito apenas a frase, você fala proposições verdadeiras. Esse pessoal da escola analítica adora fazer tabelas de proposições verdadeiras, tabelas de proposições falsas. Digo, isso é uma bobagem.
Não existe proposição verdadeira. A coisa se torna verdadeira na hora que eu penso, a penso, tá certo? se eu a pensar com a devida correspondência que ela tem no mundo da experiência, senão não é verdadeiro, né?
Tá aí o sujeito citando, né, um versículo do Eclesiaste. Ele é verdadeiro, sim, só que é verdadeiro se você o entender no sentido real. Se você disser que aquilo é uma apologia do aborto, a frase é a mesma, meu filho, só que você tá pensando o contrário do que o autor pensou, do que ele quis dizer.
Yeah.