bem-vindo avião [Música] em relação a essa fragmentação histórica né que você tá falando eu fiquei na dúvida se você tava falando e eu lembrei aqui quando eu a primeira vez que eu li o carpou e ele falando assim né É fala falam que o Brasil não tem não tem história ou que as Américas não tem história nesse sentido de fragmentação só tem geografia né Como assim né a história as Universidades Harvard é 1600 e pouco né a Universidade do México final do século XVI 1500 e 1890 e pouco né então existe uma tradição e essa
tradição ela é Barroca né então e o pensamento e a tradição brasileira não se pode pensar uma alma brasileira sem desconsiderar essa essa raiz que era a mesma raiz ibérica esse voluntarismo ibérico e tudo mais isso me chamou uma atenção que eu falei poxa isso é evidente isso não se começa uma história do nada e por outro lado o que o professor Guilherme tá ilustrando aqui pra gente são vários momentos de rotura e a minha pergunta existe método nessa rotura existe isso é deliberado como uma estratégia política ou não é só um resultado da miséria
da das perdas dessas tradições ao longo de da dos anos e da falta de incentivo à educação e a preservação dessas figuras históricas que o Magal falou tem um tem um ponto que eu acho que é importante assim né essas biografias nem tanto ao céu nem tanto inferno por exemplo né então exemplo muitas vezes defenestrado um vilão golpe traidor de Dom Pedro II mas também foi o Combatente corajoso durante a guerra do Paraguai que tomou um tiro na bacia homenageado pelo General Osório que na minha opinião nosso maior militar que é o patrono da cavalaria
inclusive General Osório que foi o homem que quando faleceu Dom Pedro II fez questão de quebrar o protocolo e carregar o caixão General Osório que os populares fizeram questão de financiar o seu túmulo este General Osório disse numa solenidade só estou vivo graças a Deus então traiu Dom Pedro II conspirou sim mas também é o homem que durante a guerra do Paraguai é um herói de guerra então eu gosto de trabalhar nessas perspectivas tentando humanizar essas pessoas porque nós sabemos né a nossa biografia é um conjunto de somas eu até fiz referência né sempre quis
ser Historiador mas Em contrapartida fiz uma série de escolhas então durante essas escolhas existe a permanência história mas como eu fiz referência tem somas circunstâncias então primeiro a humanização dos personagens históricos desses agentes eu acho isso sempre é importante segundo dar a dimensão que o passado existe o passado é uma realidade humana e uma forma muito simples de exemplificar isso então para que nós fossemos concebidos duas pessoas se envolveram tem uma relação tem uma gestação Alguém tem o nosso nome ou seja nós já nascemos com o passado enquanto presença o passado de fato é uma
dimensão humana ele está presente na nossa realidade desde antes do nosso Nascimento neste sentido eu sempre coloco isso para os meus alunos entendo o passado compõe o homem ainda tem um sentido de enraizamento se você é de fato nasce num país que você aprende apenas a depreciá-lo que você se depara sempre com o estado de violência pixação depredação os números de homicídios etc isto chega na sua compreensão enquanto Raiz e isso vai gerar um tipo de problema e de afastamento seu diante desta própria realidade neste sentido buscar o enraizamento é buscar uma sanidade porque você
acaba tendo o antídoto Para justamente superar todo esse drama eu costumo dizer para os meus alunos enquanto estado perdemos territorialidade você desce por exemplo numa rodoviária pichação falamos disso antes de começar né pixação violência assalto agressão ou seja encontra o barulho o estado de violência ele está ali colocado o centro histórico da maioria das nossas cidades chega num determinado horário você não consegue visitar você não consegue chegar no centro é terrível nesse sentido a própria relação estado pessoa e território faz com que nós nos apartamos daquilo que muitas vezes é Gênese da nossa cidade então
Perdemos por uma série de em circunstâncias a nossa Raiz com o espaço público e aí perdemos aquele sentido da própria instalação que foi colocado aqui até com paralelo com os filmes hollywoodianos e tal perdemos isso então é possível e com isso eu vou concluir esse meu comentário que você seja a pessoa que consiga enxergar que aquilo que hoje parece só uma farmácia mas você não enxergou sua farmácia você desvela você sabe que ali já foi a casa de alguém ali de fato foi um espaço importante hoje é uma farmácia mas ali de fato viveu uma
pessoa que faltou a nossa história Somos Um país que tem esse nível de ambiente que é quase surreal né imagina em José Bonifácio ele é o patriarca da nossa Independência no ano do Bicentenário o seu panteontem estava fechado você não podia visitar o túmulo Isso é uma administração patriotica Imagine se não fosse então ainda eu tenho registro disso tem uma foto nessa situação que foi o seguinte ano do Bicentenário Museu do Ipiranga monumento túmulo de Dom Pedro I no riacho Ipiranga ouviram do Ipiranga ou seja ano do Bis Centenário o local da Proclamação da declaração
da nossa Independência o que acontece estava fechado você não tinha estava em reforma no ano do Bicentenário estava em reforma Aí você fica com dois sentimentos né primeiro pelo menos estão reformando o que muitas vezes já é quase um milagre questão 2 deixaram para fazer no ano do Bicentenário Ou seja eu fui ministrar uma aula no túmulo de Dom Pedro I assim separado por grades por grades aí um aluno fez um registro uma foto que eu tenho muito apreço então muitas vezes ser professor de história ser pesquisador é você dar uma instalação numa dimensão temporal
que a realidade agride essa instalação ela se impõe de uma outra forma José Bonifácio Patriarca da Independência a sua antiga casa foi destruída morava ali no Campo de Santana não é um museu casa e nisso nós chegamos numa série de sucessões de verdadeiros dramas de continuidades então um dos Desafios enquanto o professor enquanto pesquisador é mostrar assim eu costumo falar isso olha o Brasil está assim mas o Brasil não é assim existe fato aqui uma situação existem motivos existem rupturas existem dramas tem uma explicação para que nós tenhamos chegado neste nível Enfim então para concluir
né nessa situação patrimonial isso chega na própria história como ela ensinada dentro do ambiente escolar o aluno muitas vezes perde dimensão do passado e Quanto sentido humano dependendo do caso não consegue visitar o centro histórico porque já é uma zona territorial que o estado Já não chega já tem ali dentro dependendo do caso uma feira do rolo como tem na frente da Catedral da Sé chegando num determinado horário você não pode visitar então a não ser que você queira correr riscos então com a sua conta e com a sua vida em risco Mas vá dependendo
do caso o Marco fundacional de São Paulo pátio do colégio a cracolândia há poucos Passos enfim Então dependendo do caso você não consegue acessar o território aí entra numa sucessão de verdadeiros dramas que provavelmente a gente vai conversar aqui cara legal porque eu tava com uma coisa na cabeça que a gente vê que o Brasil é um país multicultural né Espírito Santo o Bruno gachague aqui é Bom Jesus da Cachoeira como que é Cachoeira de Itapemirim Garibaldi Rio Grande do Sul centro interior de São Paulo Campinas e teve uma unificação do Brasil de certa forma
né E você falou muito de José Bonifácio eu queria que vocês explorassem um pouco isso o quanto José Bonifácio foi importante para esse período histórico e para manter essa unificação que o Brasil diferente de toda América espanhola conseguiu construir quão importante primeiro da história da vida dele de ele ter ido cedo para Europa ter participado visto a Revolução Francesa de perto Qual que é o peso dessa revolução francesanis depois de ter lutado contra Napoleão tudo e voltado e conseguido de uma certa forma influenciar Leopoldina e Dom Pedro I para o Brasil tá unido como ele
tá hoje como que você vê isso Bruno dentro dessa dessa mesma Clave que a gente tá falando aqui do papel do Historiador da consciência de si né porque talvez seja uma das figuras mais interessantes né pelo fato de ser polim matar pelo fato de de ser aqui próximos né a a nossa região geograficamente aqui regionalmente a São Paulo pelo fato de ter ido estudar fora pelo fato de voltar tem uma atuação política né então é contar Talvez né Acho que contextualizar isso mas deve ser dessa figura do ponto de vista de consciência de si né
Essa figura histórica gigante de de José Bonifácio mas que isso teve um método né teve uma programação então a história dele se desdobra numa coisa que é um fractal né Você pode olhar de diversos diversas maneiras e você vê aquilo ali não para de crescer e só para colocar um último verniz aí aonde estão os heróis do Brasil né preciso tirar o cena se eu tirar a seleção do Brasil de 70 se eu tirar o Pelé aí você fala Cadê elite brasileira porque era pra gente pensar essa essas pessoas ele e outros mais como Elite
e e lá parece a questão visitar a história com orgulho de onde veio é curioso porque brasileiro não tem isso né quer dizer essa questão Cadê os heróis do Brasil se eu tirar os recentes que é difícil de você quando perguntar as pessoas na perguntar para as pessoas na rua encontrar o herói faz sentido isso faz muito porque até o significado da palavra herói foi diminuído o Ayrton Senna foi um de um piloto mas ele não foi herói mas você não pode considerar o cena como um herói da Pátria você não pode porque senão você
vai ter que colocar o seno na altura do General Osório São coisas diferentes Entendi então assim o respeito pelas palavras e pelos significados eu acho que também fazem parte disso um esportista por mais que seja importante do ponto de vista cultural que recupere algum tipo de brilho é patriotipo e aquela coisa que falta né porque a história é tão maltratada seja quando você perde os parâmetros da sua própria história né como país O que foi O que foi feito desde o passado até você chegar aquele momento para admirar o Ayrton Senna ou qualquer outro tipo
de de esportista quem quer que seja né aqui eu nem tô diminuindo a importância do centro de qualquer outro mas eu acho que você tem que se você não trata de maneiras diferentes você acaba é igual a história do gênio né quer dizer o gênio é o bar ou é o funkeiro entende porque se todo mundo é gênio ninguém é gênio você vulgariza a palavra de uma forma que você eleva O Medíocre a genialidade e você transforma o gênero Medíocre E aí isso é um problema e agora eu acho que tá dentro dessa dessa conversa
assim por Qual razão e essa é uma pergunta que eu me faço e para qual obviamente eu não tenho uma resposta fechada eu tenho alguns esboços de resposta quando se dá o golpe militar Republicano em que envolvemos de 1889 há um projeto político destruição da história que foi construída até ali e de tentativa de Reconstruir o Brasil do zero a partir dali então a mudança dos símbolos destruindo ponto de vista cultural símbolos que existiam construindo novos símbolos quer dizer a questão da bandeira eu acho que é o de menos porque assim país diferente você tem
que ter uma mais mas você pegar a bandeira americana dá uma uma mudadinha ali e inicialmente né transformar a bandeira americana uma bandeira do Brasil você não tem outra Bandeira é isso é sintomático é de aí um problema né de uma submissão em relação aos Estados Unidos Mas é por isso que eu peguei porque essa bandeira a bandeira do império ainda tinha é brasões parecidas com brasões portugueses tinha Crush vai aparecer coisas portuguesas quando a gente rompe com eles a gente pega e importa Americanas que é o que faz a gente faz até hoje essa
é pobreza mas os caras foram malandro né É porque mantiveram a cor eu acho que uma forma para que essa transição a história do hino por exemplo eles tiveram que manter o hino Porque o povo não quis né mudar o hino porque vocês fizeram um concurso um outro hino foi escolhido mas a grita foi tão grande que eles tiveram que preservar o hino mas de qualquer maneira assim eu acho que esse projeto começa daí numa tentativa Clara de desmobilizar desincentivar e neutralizar qualquer reação anti-republicano e monarquista para derrubar o novo regime e isso foi sendo
aproveitado para o grupos ideológicos então quando entra os marxistas na jogada os marxistas já não estão preocupados exatamente como mudanças de símbolos com preocupação com República já é enquadrar a história do Brasil numa perspectiva marxista Então você tem grandes nomes das Ciências Sociais você vai ler o livro quer dizer é uma explicação do Brasil colônia é o termo consagrado que não tem nada a ver com que aconteceu de fato Quando você vai pegar os documentos quer dizer você tinha uma sociedade é obviamente muito diferente mas você tinha uma economia muito viva então reduziu o período
desse Brasil colônia ao latifúndio já não sei o que parece que só tinha grandes fazendeiros no Brasil mas nada é e não é assim a história não é assim e então esse projeto eu acho que ele foi sendo continuado por grupos políticos rivais que tinham preocupações distintas Mas nenhum deles colocou em causa a esse processo de transformação porque nenhum deles interessava de alguma forma Celebrar qualquer coisa que remetesse a monarquia e tem uma coisa que eu acho assim muito interessante a forma como a gente lida com a história Então você tem um grupo que supostamente
teria que se preocupar de forma séria com a história historiadores comentaristas jornalistas escritores e tal e que são agentes ativos desse processo de ridicularização na nossa história porque esses caras fazem isso E aí eu acho que tem um componente psicológico que obviamente eu não sou a pessoa mais indicada porque não é a minha formação mas tudo que eu vejo em termos de Psicologia política e aí você tem uma uma ferramenta importante que é o seguinte quando você tem um parâmetro muito alto a ser respeitado e aquilo servir como exemplo seja histórico seja na sua vida
pessoal aquilo funciona para você como se você foi inteligente um estímulo para você melhorar mesmo que a sua história familiar Ou a história do seu pai seja tão grandiosa como no caso dos gregos por exemplo que você sabe que naquela sua vida você não vai conseguir ser um Aristóteles ou como você na sua um político hoje que que está em atuação ou alguém que tem vocação para a política e vai entrar na política quando vai ler a biografia dos estadistas que nós tivemos vai ter um problema porque assim é uma coisa muito maior e eu
acho que tem um mecanismo psicológico aí que é o seguinte se eu tornar essa história grandiosa uma caricatura eu vou me sentir maior do que eu sou eu me sentindo maior do que eu sou fica fácil eu me localizar no mundo e fazer as críticas a um período histórico tão grandioso [Música]