[Música] Oi gente tudo bem com vocês nós estamos aqui no final do mês de dezembro a gente tá nesse clima de véspera de natal e nessa época do ano a gente costuma ficar muito mais reflexivo né ter as nossas reflexões momento de introspecção de fazer uma avaliação do que a gente fez no ano de como foram as nossas vidas se a gente conseguiu atingir todos os objetivos que nós traçamos né muita gente faz isso e se para pro ano que vem a seguir e hoje eu venho com um texto eu venho com um conto do
escritor Mário de Andrade que vai dialogar que combina bastante com essa data com essa época mas antes disso eu quero pedir para vocês mais uma vez apoio se você ainda não se inscreveu no canal inscreva-se Ative o Sininho para receber as novidades dê o like nesse vídeo comente aí também o que que você acha desse texto que nós vamos falar sobre o qual nós vamos falar compartilhe com com seus amigos suas amigas e se você puder apoiar ainda um pouquinho mais eu vou deixar aqui no no na descrição o link da nossa campanha no apoia-se
para você se quiser e puder contribuir também financeiramente com aceia no YouTube muito bem o conto sobre o qual eu vou falar com vocês hoje está nessa antologia aqui contos novos é um conto que foi escrito e publicado pela primeira vez no ano de 1942 e é o peru de Natal totalmente né coerente com a época que nós estamos vivendo Só que nesse texto nós temos uma pegada diferente nós temos uma estratégia diferente porque há algo que era muito comum nos textos do Mário de Andrade que é a questão da carga ideológica das reflexões sobre
a sociedade do início do século XX dessa primeira metade do século XX Na verdade eu já fiz um vídeo sobre este livro todo sobre contos novos eu que eu comento principalmente os aspectos que são estruturantes da obra né são são contos divididos em focos narrativos há contos que são narrados em terceira pessoa há contos que são narrados em primeira pessoa por um narrador personagem que se repete que é o Juca que vai aparecer também investida de preto que aparece também no conto Frederico paciência é o que narra aqui o peru de Natal então este conto
aqui faz parte desse eixo dos contos em primeira pessoa que apresentam uma subjetividade que an Isa a sua época que analisa o seu tempo eu vou deixar o link pro vídeo contos novos aqui na descrição e também no card para vocês assistirem se vocês ainda não Caso vocês ainda não tenham assistido e aqui nesse conto nós temos uma situação que é muito comum na classe média brasileira que é uma família que vai se reunir pra ceia de Natal só que existe uma particularidade especial aqui que é o fato de que há 5 meses né 5
meses antes o pai do Juca faleceu e aí é a primeira ceia de Natal a primeira noite de natal sem a figura paterna e o que poderia ser muito melancólico muito profundo muito reflexivo Vem Com certas doses de ironia com certa crítica à realidade que constitui a tradicional família brasileira que é patriarcal é Tradicional em alguma medida também até autoritária né a figura do pai é uma figura muito presente de muita autoridade de muito Marc tanto é que nessa relação nessa situação família está ceiando ele resolve comprar um peru de Natal né pra família o
peru de Natal que é esse símbolo esse essa refeição servida em outras ocasiões uma refeição considerada até de luxo que ele comenta inclusive na narração que era servida em outras festas e que normalmente er os convidados que se esbaldava no perío de natal e não sobrava nada pra mãe dele na verdade não sobrava nada Pras Três mães dele né a mãe a irmã e e uma tia muito querida ele resolve comprar o piru de Natal para essa se específica porque em nenhuma circunstância elas três tinham acesso aos melhores pedaços do Peru quando não eram os
convidados né que simplesmente se esbaldava depen avam o frango a ave inteira e simplesmente ficava por isso mesmo elas ficavam só com as com os restos quando sobrava quando não eram os convidados era o próprio pai que sempre era a figura patriarcal a figura de autoridade a figura Central que era servido primeiro e ele escolh os melhores pedaços e elas sempre ficavam com o que vinha depois com o que sobrava com o que restava então ele resolve comprar um piru de Natal para servir exatamente essas três pessoas e abre espaço para elas pro que o
Mário de Andrade chama no conto para que o narrador fala no conto né para se deleitar nessa felicidade gustativa de poder desfrutar poder saborear os melhores pedaços as melhores partes do Peru Só que nesse intervalo começa uma espécie de disputa porque a mãe a irmã e a tia ficam profundamente melancólicas e a partir desse momento o Juca entende que algo não vai dar certo nessa situação porque se baixar esse espírito de melancolia de luto né 5 meses atrás e esses 5 meses ainda estão ali muito fortes muito presentes não vai poder ter uma felicidade gustativa
e uma boa seia de Natal então ele começa a meio que debater com essa figura do Pai com esse fantasma do pai uma figura cinzenta uma presença cinzenta que aparece ali ele menciona isso no texto né uma figura que vai pro provocar ali mobilizar ali nele certas críticas né o fato é muito comum na nossa Cultura né Eu não sei se é só no Brasil que isso acontece ou se é no ocidente como um todo mas é muito comum e outros autores já se valeram desse argumento é muito comum que a gente de certo modo
perdoe todos os equívocos todos os erros todos os atos desagradáveis das pessoas depois que elas falecem então é como se a pessoa Às vezes em vida fosse Medíocre fosse ruim fosse hipócrita fosse Leviana mas depois que morre ela meio que é perdoada e santificada existe uma prática é comum essa prática essa cultura entre nós de de certo modo canonizar as pessoas depois de morta mas o Juca não quer fazer isso de forma alguma porque ele quer que a família dele desfrute de uma boa seia de natal e ele também quer desfrutar de uma boa sede
de Natal ele inclusive é tratado dentro do texto como louco Ele é tido pela família como louco que é o que tem os rompantes que bate de frente com os padrões que questiona as tradições e os conservadorismos né Essas imposições da família burguesa da primeira metade do século XX ele não aceita essas verdades prontas e vai batendo de frente com uma série de de padronizações que são impostas à família dele então ele é tratado como louco então dele se espera tudo e já que ele tem essa licença poética ele enfrenta e ele começa evocar a
figura do próprio peru né o peru também morto então ele coloca dois mortos em duelo na mesa da ceia de natal o peru morto sendo evocado para duelar com a figura do pai a o Fantasma Cinzento do pai também bem falecido né E aí ele começa a argumentar pra família Olha nosso pai estaria feliz de saber que nós estamos felizes né de que a vida continua de que a gente tá lembrando dele no momento de alegria e não só com tristeza então ele começa a fazer todo esse discurso para a angariar né para conseguir alcançar
o engajamento da família na ceia de natal Então o que o que seria um conto seria um texto para simplesmente Celebrar lembrar ou homenagear essa data que é tão Marcante que é tão comercial que para tudo né que mobiliza as pessoas de uma maneira quase que geral aqui é um pontapé inicial é um gatilho para reflexões para pro personagem fazer uma reflexão uma análise sobre a própria estrutura familiar que de certo modo dialoga se conjuga com as reflexões que o Mário de Andrade Faria sobre a sua própria vida sua própria estrutura familiar porque existem alguns
aspectos em comum né entre Mário e entre juca na narrador ambos perderam o pai cedo precocemente ambos tinham essas três figuras femininas na família as quais eram consideradas mães muito alegres muito protetoras muito bondosas e os as três figuras figuras de ruptura transgressoras né que transgridem aí certos certas tradições certos padrões familiares que os colocariam em lugares de pessoas loucas né de pessoas de muito de muita ruptura de muito rompimento figuras até insurgentes em relação ao Status né a a situação a configuração da família e aí ao mesmo tempo que isso é uma reflexão de
caráter subjetivo sobre a própria estrutura familiar de certo modo também aponta para uma reflexão a formação da sobre a formação da sociedade brasileira a sociedade burguesa Suburbana brasileira como um todo na página 74 dessa edição que eu tenho que é a edição da nova fronteira no iniciozinho do texto ele vai falar um pouco sobre o pai né já no segundo parágrafo ele fala sobre a figura do pai e sobre como essa figura precisa ser vista enxergada da maneira como que ele significava mesmo pra família né não é o fato dele ter morrido que vai santificá-lo
morreu meu pai sentimos muito etc quando chegamos nas proximidades do Natal eu já estava que não podia mais para afastar aquela memória obstruent do morto que parecia ter sistematizado para sempre a obrigação de uma lembrança dolorosa em cada almoço em cada gesto mínimo da família então o que que fica subentendido aqui que enquanto o pai era vivo presente era uma figura mesmo de cercear alegrias ex ivas né de sempre est ali com aquela figura austera Severa rígida e também Medíocre comum e ordinária barrando as felicidades maiores mais efusivas mais exuberantes e depois de morto a
figura fantasmagórica espectral permanece e ele quer simplesmente eliminar isso ele quer simplesmente se livrar disso para poder desfrutar de uma alegria maior entre a família e aí eu eu me lembro de um outro trecho não da do texto do conto em si mas de um posfácio que há aqui no livro em que ele vai falar sobre a estrutura da família burguesa dessa família burguesa da primeira metade do século XX no Brasil e de de como essa estrutura em certa medida mutila os as espontaneidades as autenticidades de uma personalidade mais criativa mais poética que é o
caso da figura do Juca ele vai até chamar os parentes dele de parent agem quer um nome que o Juca vai atribuir a essas figuras dos parentes em outros textos também que vem para punir que vem para castigar que vem para ser injusto para ser preconceituosos quem não tem né gente quem não tem na família um tio ou uma tia um primo que não é lá essas coisas de agradável que a gente preferia passar essas festividades sem ver a cara para evitar de sabores e desconfortos e constrangimentos e aí ele fala o seguinte parent agem
é o nome pejorativo atribuído por Juca a um modelo familista constituído por gente por grande número de membros em que ficam escondidas no véo ideológico dos valores morais as diferenças econômicas e as relações opressivas entre supostos iguais então aqui n só nesse trecho aqui a gente tem uma série de críticas que o conto evidencia pra gente e que em conjunto com os outros contos em primeira pessoa que eu falei Frederico paciência vestida de preto tempos de camisolinha né que são os contos narrados em primeira pessoa pela figura do Juca que a gente percebe essas relações
familiares que às vezes muito baseada em moralismos em falsos moralismos vem somente para estabelecer hierarquias opressivas violentas dolorosas negativamente marcantes eh separando as pessoas em vez de uni-las então Ele Decide no texto uma coisa que é uma mensagem que fica que é apesar de toda essa crítica de toda essa ironia né que fica muito Evidente fica na superfície do texto inclusive que a primeira coisa com a qual a gente esbarra ao ler esse conto acho que vale a pena uma reflexão por trás de tudo isso pensando como uma mensagem para esse Natal nosso pra gente
pensar também esse Natal nosso é de quem a gente escolhe para passar essas datas tão Profundas e reflexivas Ah é uma data comercial tá é uma data comercial Mas e se você de repente resolve transformar isso num ritual familiar mesmo no qual você escolhe seleciona pessoas que realmente tem sentido e significado familiar na sua vida para poder Celebrar esse momento esse feriado essa pausa na correria esse recesso no cotidiano né na rotina naquilo que tem que fazer todo dia para poder comer beber se divertir assistir uma programação voltada exclusivamente para isso com pessoas que vão
agregar que é o que o Juca faz Ele Decide insistir e enfrentar essa memória porque ele não quer estragar esse Natal com as pessoas escolhidas pra família dele que ele com as quais Ele gostaria de passar esse Natal então para além de toda a ironia de todo o deboche de toda crítica de toda a reflexão de caráter sociológico e até mesmo antropológico que o texto propõe eu quero deixar para você vocês nesse Feliz Natal de 2023 que vocês possam passar esse momento essa pausa e esse recesso com pessoas que realmente para vocês vem a pena
desfrutar de uma felicidade gustativa eu agradeço a atenção de vocês eu fico por aqui e um feliz Natal para vocês [Música] r