Olá! Dando continuidade ao nosso curso. Após compreender a definição, diagnóstico e classificação da obesidade, nesse vídeo nós temos como propósito falar sobre as causas da obesidade que já foram descritas na literatura científica.
Antes de darmos continuidade, vamos relembrar a definição de obesidade, que se trata de uma doença crônica, caracterizada pelo aumento do peso corporal dado pelo acúmulo excessivo de gordura do nosso corpo, que ocorre devido a um desequilíbrio entre o consumo e o gasto de energia, que é o balanço energético positivo. Mas, o que seria esse balanço energético positivo e qual é a sua correlação com o peso corporal? O balanço energético é a diferença entre consumo alimentar, ou seja, a ingestão de calorias, e o gasto de energia por um período de tempo.
Funciona como uma balança e buscamos sempre o equilíbrio. Porém, quando o consumo de calorias for maior que o gasto, acumulamos gordura corporal, assim, dia após dia, temos o aumento do peso e desenvolvimento da obesidade. Entretanto, devo destacar que apesar deste cálculo entre calorias ingeridas e consumidas estar correto, essa lógica não é tão simples quanto parece, pois, tanto nosso consumo, quanto o nosso gasto de energia, ou seja, nosso metabolismo basal, eles são influenciados por fatores modificáveis e outros não modificáveis.
Também vale destacar que cada corpo humano é único e possui características individuais. Dessa forma, a obesidade é descrita como uma doença multifatorial causada pela associação ou não de fatores relacionados ao comportamento humano, fatores culturais, sociais, genéticos, epigenéticos, dentre outros. Incluímos aqui as múltiplas causas da origem da obesidade, como fatores culturais, genéticos, que envolvem fome e gastos de energia, fatores ambientais, que envolvem alimentação e atividade física, fatores sociais, como renda e escolaridade, além das alterações hormonais.
Algumas delas são modificavéis, dependendo apenas dos hábitos de vida, porém, outros, como os fatores genéticos, não são. Quando se fala em causas da obesidade, os primeiros a serem citados são os fatores ambientais, relacionando a mudança do padrão alimentar com a substituição do consumo de alimentos naturais por uma dieta industrializada, pronta, rica em açúcar, sal e gordura, acompanhado de redução da atividade física diária ou mesmo sedentarismo total. Sabemos que nas últimas décadas o acesso ao alimento pronto aumentou, além disso, a tecnologia que temos na nossa casa, a melhora dos meios de locomoção, dentre outros, reduziu o nosso gasto de energia e as atividades do dia a dia.
O alimento é nossa única fonte de calorias. É preciso escolher quanto à sua qualidade nutritiva, mas também quanto à quantidade de alimentos que devem ser ingeridos por cada indivíduo ao longo do dia. Deste modo, para se evitar a obesidade, é preciso saber fazer boas escolhas sob a orientação da equipe de saúde.
O gasto energético pode ser voluntário e involuntário, influenciará diretamente o balanço energético. Como havia citado, nem sempre o peso corporal será regulado por uma equação simples, facilmente reduzida entre o velho conselho de comer menos e malhar mais. Já se sabe que vários fatores contribuem para a sensação de fome e para o metabolismo corporal, entre eles a genética.
No nosso DNA temos genes relacionados ao gasto energético, à resistência a insulina, ao metabolismo de gordura e à compulsão alimentar. Os fatores genéticos da obesidade incluem a herança genética, onde se herda dos pais genes com disposição para obesidade, e a obesidade poligênica - ela é resultado de centenas de polimorfismos, ou seja, as variações da sequência do DNA, mutações, onde cada um tem um pequeno defeito, ditam o metabolismo mais lento ou influenciam a sensação de fome e saciedade, facilitando o acúmulo de gorduras e atrapalhando o emagrecimento. Nessa imagem estão listadas as mutações mais frequentes observadas em indivíduos obesos.
Tratam-se de genes críticos para regulação da fome e saciedade, metabolismo dos lipídios e da glicose. Outra causa bastante discutida sobre origem da obesidade são os fatores culturais. Sabemos que alguns países têm o hábito do consumo de Fast Foods, porções de alimentos muito grandes.
Por outro lado, temos também países que, por exemplo, consomem alimentos mais naturais, com baixo percentual de calorias e em porções um pouco menores. No Brasil, temos o excelente hábito do arroz, feijão, carne e salada. Contudo, pesquisas demonstram que o brasileiro está perdendo sua identidade alimentar em prol dos alimentos industrializados.
O IBGE mostrou que o prato do brasileiro vem perdendo sua qualidade, o arroz e feijão, além das frutas, verduras e legumes vêm perdendo lugar para alimentos industrializados, como biscoitos, salgados, sanduíches e refrigerantes. Isso está diretamente associado ao aumento do peso da população brasileira. Observem os gráficos: enquanto temos uma curva ascendente para obesidade em nosso país, temos uma curva descendente, ou seja, redução do consumo de feijão no país.
As alterações hormonais também podem contribuir para elevação do peso corporal, nosso corpo possui uma série de glândulas, o chamado sistema endócrino, que podem influenciar o ganho ou a perda de peso corporal. Por fim, entre as causas da obesidade, atualmente discutem-se os determinantes sociais dessa doença. Sabemos que cuidar da própria saúde não é apenas uma questão de escolha ou boa vontade ou determinação, pois, fazer boas escolhas e colocá-las em prática envolve outros fatores, como escolaridade, acesso à informação, acesso aos serviços de saúde, renda mensal, acesso a medicamentos, entre outros.
Precisamos de Políticas Públicas. Além disso, estaria a Indústria de Alimentos interessada em prover uma alimentação saudável? Vamos finalizar essa aula mostrando novamente o quadro com diversos fatores que, associados ou não, podem promover genes da obesidade.
Existem outros fatores que podem contribuir para sua gênese? Provavelmente sim, os pesquisadores seguem neste tema sobre ampla investigação. Uma outra dúvida que pode ter surgido em vocês ao longo desta apresentação é: os fatores psicológicos podem ser causa da obesidade?
Os manuais e diretrizes dizem que não, os artigos científicos relatam que existe uma associação entre os fatores psicológicos e o desenvolvimento da obesidade, as pessoas com obesidade possuem uma maior prevalência de doenças como ansiedade, depressão e transtornos alimentares do que aquelas pessoas com IMC normal, que são aquelas pessoas que nós consideramos magra. Há uma associação, mas não uma relação de causa. Essas são as referências utilizadas para esse vídeo.
Até a próxima aula, muito obrigada!