Para mim é uma grande felicidade tá tá nesse momento eu queria inicialmente explicar então para vocês como é que vai funcionar a estrutura dos nossos encontros durante a primeira 1 hora e meia eu vou fazer uma apresentação depois a gente faz um pequeno intervalo dois 3 minutos certo para que a gente possa vocês possam beber uma água a gente possa fazer uma uma pausa e depois a gente volta para perguntas pedido que Vocês mandassem a pergun perguntas paraa Nossa produção certo essas perguntas elas vão ser acionadas eu vou lê-las aqui então eu vou poder respondê-las
porque é muito importante participação de todas as pessoas aqui envolvidas né se vocês tiverem questões eh apresentem para que a gente possa então ter um verdadeiro debate né bem eh antes então de começar o nosso assunto específico eu quero lembrar também a vocês que todos aqueles inscritos no Curso receberam uma apostila essa Postila tem alguns textos textos que T certos trechos dos livros que vão ser analisados aqui lembraria a vocês As Confissões de Santo Agostinho né ah os ensaios de mountain as meditações de decart e os pensamentos de Pascal né então você Eu pediria a
vocês que lessem a o trecho citado da aula um pouco antes para que vocês já pudessem estar municiados da discussão a gente possa aproveitar ainda mais esse encontro Quanto mais vocês puderem ler Se tiverem um pouco tempo também para reler Porque alguns dos textos podem ter uma primeira abordagem eh digamos ainda um pouco críptica né então seria ótimo porque isso fornece para nós uma base melhor de discussão a gente possa avançar mais dentro do nosso debate né bem eh eu gostaria então inicialmente Desse nosso primeiro encontro de apresentar de maneira Global o tema sugerido e
depois entrarmos então no nosso primeiro Assunto certo que é a discussão sobre As Confissões do Agostinho vocês vem quer dizer esse curso chama escrever a si mesmo como o ocidente inventou eu c e de fato trata-se de fazer uma articulação profunda entre uma certa modalidade de escrita que vai aparecer paulatinamente no ocidente certo e aquilo que nós poderíamos entender efetivamente não só como a sua instauração social não só como o ocidente Vai instaurar um certo tipo de sociedade mas principalmente Quando ele vai instaurar quando vai produzir um certo tipo de sujeito e como nesse sujeito
ele tem uma ligação orgânica com aquilo que serão Então as instituições os discursos e as práticas que nós podemos entender por modernidade e aqui eu queria inclusive já começar né fazendo uma colocação importante né que é vou fazer ess noso direito né que acho que vai aparecer aqui nosso no aqui exatamente quer já começar Com essa ideia para vocês de que eh nós o a base Então desse nosso curso vai ser uma discussão do que pode ser uma ideia de modernidade mas uma ideia de modernidade em conflito porque veja nós vivemos aqui em um momento
de crise epistêmica no qual nós colocamos em questão ideias de desenvolvimento de progresso e de crescimento que vão constituir o horizonte normativo daquilo que se convencionou entender por modernidade ou Seja nós estamos num momento onde aquilo que aparecia para nós como o movimento em direção à realização potencial de nós mesmos a realização daquilo que nós poderíamos efetivamente produzir como sociedade como sujeitos Livres é cada vez mais colocado em questão ou seja esses eixos desse desenvolvimento Onde nós encontramos essas ideias como a ideia de progresso a ideia de crescimento certo a ideia de desenvolvimento certo é
cada vez mais Devido ao sistema de crises na qual nós nos encontramos né e de fato é importante entender essa ideia O que que significa sistema de crise significa que efetivamente nós temos diante de nós uma articulação entre pelo menos seis sete crises distintas né crise eh digamos crise ecológica crise demográfica crise social crise econômica crise política crise psíquica e crise epistêmica e duas características fundamentais dessas crises é primeiro elas não passarão elas São feitas para não passar ou seja elas se estabilizam enquanto crise nós temos um momento no qual a crise Deixa de ser
uma uma impossibilidade de governo ela ser Na verdade quase uma condição de governo governos nossos governos se servem da situação de crise para desenvolver suas medidas excepcionais para utilizar certas eh eh certos dispositivos digamos cada vez mais autoritários certo para legitimar esses dispositivos porque afinal de contas nós Estamos numa situação de crise né Então essa é a primeira característica Fundamental e a segunda é que elas têm uma interrelação muito profunda entre si né Cada uma alimenta a outra criando uma situação que nos é inédita nós sabemos do capitalismo como um sistema de crises periódicas Mas
nós nunca tínhamos visto eh esta articulação de crise tal como elas coloca no nosso presente isso nos faz colocar dúvidas Profundas vários setores da sociedade começam a colocar Dúvidas Profundas sobre afinal de contas o sistema de valores que nos levou até aqui o sistema de valores que nos impulsionou a este processo que parecia um processo de crescimento mas se mostrou como um processo de catástrofe Parecia um processo de desenvolvimento mas se mostrou como um processo de colapso ao final a final das contas né E aí uma questão Me pare parece absolutamente Central que é exatamente
nesse momento que nós desenvolvemos um Tipo de crítica que aquilo que a gente poderia chamar de uma crítica da modernidade ou seja uma crítica não só do que a gente poderia chamar dos dos dispositivos socioeconômicos próprios a nossa sociedades ocidentais mas também do sistema de valores do sistema de valores filosóficos que nos levaram que que impulsionaram esse processo por isso essa ideia certo que nós poderíamos insistir eh efetiv novamente certo de eh de aí vamos ver se se entra bem aqui Que para nós é cada vez mais claro o vínculo entre Progresso e violência entre
crescimento e Catástrofe e É nesse contexto que nós vos entrar em cena críticas da modernidade que se trata que a tratam como um projeto unitário a se abandonado em profundidade seja que entende a modernidade isso que isso que de uma certa forma produz que é o movimento que vai produzir a estrutura da nossa sociedade como um processo a ser Questionado em totalidade só que o que eu queria fazer com vocês na verdade era desenvolver uma outra ideia que era desenvolver a ideia de que nós temos uma uma espécie de modernidade em conflito experiência de modernidade
seja ess melhor seria se nós soubermos operar com a noção de modernidades em conflito modernidades em conflito confito significa entre outras que nós temos vários projetos que entram em conflito entre si e que num Determinado momento certo alguns deles vão ganhar aquilo que nós poderíamos chamar de hegemonia eles vão se colocar como projetos hegemônicos né E esses projetos hegemônicos eles vão então estabelecer uma espécie de de Tom Geral do que vai ser a modernidade então a modernidade ela vai ter que apagar certo dois tipos de de digamos de de de possibilidades epistêmicas dois tipos de
de de digamos de produção epistêmica primeiro aquelas que estão fora do Centro geográfico no qual o projeto moderno que é um projeto moderno que se nasce dentro do né do do Horizonte europeu certo o modelo de desenvolvimento do capitalismo europeu vai exportar pro mundo então é necessário que as outras matrizes epistêmicas elas sejam silenciadas Só que tem um outro elemento que deixa a coisa ainda mais complexa e talvez por exatamente por causa disso mais interessante que é na verdade no Interior da modernidade você tem projetos distintos e aqueles que serão os projetos hegemônicos eles vão
precisar de uma maneira ou de outra silenciar esses projetos distintos também então Ou seja é um silenciamento da das matrizes externas e é um silenciamento também da da multiplicidade interna e daí vem então uma maneira de digamos exercer esse conceito de modernidades em conflito certo exatamente através da insistência De que cada um desses projetos traz em si cada um desses projetos conflitantes no interior da modernidade traz em si uma forma de escrita de si eh peculiar e distinta certo então ou seja E aí por isso que eu assisto nesse ponto é importante entender que nós
estamos diante de modernidad um conflito que são atravessadas por maneiras conflitivas de eh determinar como nós podemos ser nós mesmos de como nós podemos realizar socialmente a ideia de ser si mesmo né Seja e com com tudo que isso implica que é ser livre ser autônomo ser emancipado ou seja essas ideias Liberdade autonomia emancipação são pontos de contradição e de problemas no interior das nossas sociedades elas não são valores normativos mas do sentido de valores estabelecidos e não problemáticos elas são normatividades instáveis só uma ide me parece importante seja elas não são normatividades estabelecidas não
se estabelece de uma vez por todas Então o Que significa modernidade desculp O que significa ser ser livre O que significa liberdade para nós O que significa autonomia para nós O que significa emancipação para nós então a partir desse estabelecimento bem inaugural desse batismo inaugural a gente poderia então começar a organizar nossos conflitos sociais nossas nossos questionamentos a partir de uma base comum ou seja grosso modo todo mundo tem um acordo a respeito do que Liberdade Significa Então a partir disso a gente poderia avaliar Qual é o projeto mais adequado à sociedade coisas dessa natureza
sabe que não é assim que acontece por que que não é assim que acontece porque esses conceitos são pontos de contradição ou seja eles são pontos de conflito eles são a expressão de um conflito né são expressão de um conflito entre formas de vida distintas que que tentam que entram em conflito no interior da modernidade ideias distintas Do que significa ser si mesmo que nós temos ou seja nós somos habitados por ideias distintas do que significa ser si mesmo é importante ouvir esta multiplicidade para que nós possamos afinal de contas perceber entre outras coisas não
só mas espécie de pluralidade no interior do que nós entendemos por modernidade mas também a matriz das dos seus conflitos a matriz das suas contradições internas certo o as tensões o processo de Tensionamento eu queria abordar isto com vocês a partir da ideia de escrita de si como aparece a noção de escrita de si né por isso eu insistiria nessa ideia de que vamos voltar aqui uma forma de compreender isso é entender como a modernidade foi construída por várias formas de escrever a si mesmo de falar sobre si nossa época então é um conflito sobre
formas de escrever a si mesmo formas de falar de si mesmo né então Eh e eu insisto nesse aspecto certo porque Como vocês vão ver nós vamos ter no interior Desse nosso no encontro certo a primeira seguinte ideia a ideia de que de fato vocês podem se perguntar mas afinal de contas H antes daquilo que nós entendemos por modernidade fora do ocidente ou mesmo dentro do ocidente mas antes naquilo que a gente chama do nosso período antigo né as pessoas não Falavam sobre si mesmo elas não não existiam escritas de si sei lá por exemplo
os gregos e romanos o que Que eles faziam a final de contas bem eu queria insistir para que vocês possam entender o passo o que que significa essa produção né o que ela que ela efetivamente representa por exemplo gregos e Romanos falam na primeira pessoa é Claro só que eles falam de uma maneira muito diferente da maneira como nós falamos eles não entenderiam a forma como nós dizemos o que nós esperamos de um discurso da primeira pessoa do singular Porque para eles o uso da primeira pessoa singular serve para eu relatar fatos memoráveis para eu
dar testemunho de fatos memoráveis por isso essa ideia funciona aqui o dito Cícero história magistra vita a história como mestra de vida que que significa história como mestra de vida aqui significa simplesmente por que que eu olho pra história que eu testemunho a história é porque que eu trago o testemunho da história porque Afinal de contas aconteceram feitos exemplares esses feitos exemplares no passado continuam valendo no presente porque o tempo passado e o tempo presente são praticamente o mesmo não há distinção estrutural que me faça entre outras coisas dizer aquilo que valeu no passado não
vale no presente então por isso essa ideia que entender o passado é é recuperar um exemplo que pode ser atualizado pro presente então o que faz a primeira pessoa do singular Ela traz Uma perspectiva singular de experiência não ela estabelece uma perspectiva originária de compreenção não o que ela faz ela testemunha fatos exemplares Ela traz fatos exemplares Então você percebe a primeira pessoa ela não tem valor enquanto tal a não ser o valor do testemunho a não ser o valor do eu estive lá e vi eu estive lá e vi o acontecimento já o que
pode ativamente servir como Horizonte para saber para Nos orientar nas nossas ações no interior do presente vocês percebam então daí essa esta ideia é absolutamente distinta do que vai aparecer a partir esse é o primeiro texto o primeiro por isso que a gente começa com ele é o primeiro texto vai ser onde a primeira pessoa do singular é utilizada de uma maneira muito parecida com aquilo que nós entendemos aqui existe uma ruptura Aqui existe uma profunda mudança no registro da linguagem uma mudança eu diria de uma ordem enorme que talvez nós ainda não não tenhamos
digamos as condições para para a gente não esquece um pouco Qual é o que que ela efetivamente significa com As Confissões do Augostinho algo vai paramente mudar no uso que a gente faz da primeira pessoa do singular porque a primeira pessoa vai ser o lugar de uma perspectiva Inaugural que vai poder ou não se ultrapassada dependendo do caso que que significa isso significa que este mundo se abre a ideia da existência de algo que a gente poderia chamar de uma perspectiva há uma forma de abordagem a partir da posição do olhar essa perspectiva n então
ou seja isto Vale nasce na escrita primeiro há uma forma de interagir com mundo que ela parte entre outras coisas da perspectiva daquele que Vê do eu e esse esse que vê é a primeira pessoa do singular e é claro esse que vê ele tem sua compreensão do que do que é claro e do que é distinto só que o que ele entende por Claro e distinto pode não ser exatamente o que objetivamente é claro E distinto esta ideia por exemplo ela é impensável para um grego um grego não pode imaginar certo um grego da
Grécia Antiga certo que aquilo que é claro indistinto para mim pode não ser claro e distinto objetivamente no mundo A não ser que eu esteja numa situação de loucura certo A não ser que eu esteja uma situação de completo e afastamento do que significa entre outras coisa o domínio do logos né Só que no caso do Agostinho acontece algo diferente a compreensão de que bem todo e qualquer sujeito está dentro de uma perspectiva certo e todo processo efetivo da escrita de si não é só descrever é descrever essa perspectiva mas é expressar como Esse sistema
que no fundo é um sistema de erros que é um sistema de Ilusões ele pode ser transcendido ou seja o eu se escreve o eu se descreve na procura de uma transcendência na procura de um de um tipo de reconciliação com aquilo que seria Perspectiva da razão e no caso Perspectiva da Razão Divina né então daí Porque por exemplo alguém como Augostinho vai estabelecer um tipo de escrita que a gente vai ver muito Claramente que é marcado por experiências de crise né ou seja H por exemplo daí que eu vou insistir para vocês todos esses
esses modelos de escrita de si todos eles trazem no seu bojo experiências são respostas a experiências de crise conf ses os ensaios meditações os pensamentos certo e essas experiências de crise produzem formas distintas de eu dizer quando já dito essa questão no caso das Confissões do Augostinho seja esta compreensão de Que afinal de contas nós temos uma crise de forma tal que as perspectivas começam a ser perspectivas particulares elas não alcançam mais a totalidade elas não alcançam mais a perspectiva que não é mais uma perspectiva mas é que é a a apreensão correta da daquilo
que é da ordem CTO dos julgamentos Racionais ela não alcança mais porque socialmente nós estamos em crise né porque social porque as nossas formas de saber elas já não já não se orientam mais nossas formas de Vida nossas formas de reprodução material da soci não se orientam mais a partir do ponto a partir do fundamento que deveria ser o fundamento que assegura né uma espécie de racionalidade no interior Nossa da nossa vida né então isso acontece no caso do Santo do Agostinho Isso vai acontecer de maneira muito clara no caso do monten Isso vai acontecer
no caso do descart cada um tem um tipo de crise com o qual vai ter que lidar Isso vai acontecer no caso do Pascal e é claro que isso tem uma interesse suplementar para nós porque se a verdade como eu havia começado com vocês de que nós vivemos em uma época de profunda estrutura de crise então é é claro também que este ato aparentemente simples de escrever a si mesmo de falar sobre si tende a virar um ato dramático tende a virar um ato cada vez mais problematizado cada vez mais problemático não a partir de
do quê como de que forma o que eu posso esperado eu Né Então esse é um tipo de questionamento que nos persegue de maneira cada vez mais forte é claro que nós vamos ter tanto a consciência Clara certo deste questionamento a consciência Clara do que significa efetivamente colocar em questão este processo até mesmo todas as tentativas umas os outras de você recuperar alguma forma de Privilégio recuperar alguma forma de garantia que seria a pró próprio ao uso do eu ao uso da primeira pessoa do Singular essa é uma questão que ela é tanto Clínica quanto
ela é uma questão literária quando ela é uma questão filosófica quando a questão estética ela é uma questão política né Então queria um pouco abordar com vocês algumas dessas dimensões a partir de textos clássicos mesmo porque eu acho que exatamente nesses momentos exatamente nesses momentos de crise profunda que os textos clássicos começam a fazer mais sentido porque de uma certa forma nós Somos produzidos por esses textos mesmo que nós não tenhamos lido mesmo que nós enquanto pessoas nós enquanto indivíduos nós não tenhamos lidos esses textos esses textos produziram horizontes que nós partilhamos eles foram importantes
na consolidação desses horizontes eles foram importantes porque eles vão eles vão eles vão Ressoar dentro do campo filosófico dentro do campo literário dentro do campo teológico dentro do Campo político certo e exatamente por ter por eles terem essa força de ressonância então tornar a eles lê-los tem uma função Central no momento como atual né então volto a insistir queria insistir também nessa nessa articulação entre escrita e crise mais uma vez porque se é verdade que escrit crises sociais vão levar produções de modalidades distintas de escrita de si Então ela necessariamente traz uma problematização do que
significa a noção De si mesmo né e elas têm E aí eu queria é um ponto que eu acho importante também levantar a gente vai também poder aprofundá-lo é Elas têm uma uma função Clínica essas essas escritas elas estão dentro de aquilo que a gente poderia chamar de uma certa terapêutica né a a escrita tem um ato própria uma terapêutica e ela tem uma terapêutica Em que sentido ela não só um sentido dela permitir um encontro o encontro de si consigo mesmo mas mais do que isso né Ela ela ela permite uma reconstrução da ordem
uma produção de si através dessas modalidades escritas se produz um sujeito não há um sujeito que ele se ele está estabelecido e Ao estar estabelecido ele escreve sobre si mesmo n como se você já tivesse estabelecido antes da ação de escrever certo a ação de escrever se torna uma uma simples descrição ela descreve um sujeito já AD já definido Não na verdade o que acontece é que essas experiências esses Experimentos na verdade essas modalidades escrita devem ser vistas exatamente dessa forma como experimentos no sentido mais forte do termo bem alguém que vai ver isso fazer
isso de uma maneira absolutamente aberta explícita é mountain n nos seus ensaios é experimento sobre si esse experimento produz seu objeto essa escrita produz seu objeto ela vai ela produz o eu do qual ela fala então ela não é um ato descritivo ela é um ato performativo Essa escrita tem uma força performativa O que que significa ter uma força performativa a gente sabe a diferença entre um ato de fala descritivo né Eh e um ato de fala performativo um ato de fala descritivo é um ato de fala que descreve o estado de coisas um ato
performativo é um ato que não descreve ele produz um estado de coisas então por exemplo um exemplo clássico do W né eu tô dentro de um eu tô numa numa igreja tô lá tem uma uma pessoa ao meu lado né Eu tô casando com essa pessoa Digamos que eu tenha uma certa religião Digamos que tenha lá o padre e o padre vira e fala pros dois Olha eu vos declaro marido e mulher bem Este ato esta frase ela descreve algo não essa frase produz algo a partir do momento que ela é enunciada Ela produz uma
realidade que não existia antes não havia um marido ou mulher lá é com ela que lá instaura e a ideia é que isto modifique Espera-se né nunca se sabe mas isso modifique a conduta dos sujeitos descritos então por isso essa ideia da performatividade essas escritas de si todas elas TM esta característica fundamental elas T uma força performativa por isso que elas têm Elas têm uma dimensão terapêutica importante porque elas produzem elas criam um um outro tipo de subjetividade né e muitas vezes uma subjetividade que ela tá ela tá de uma certa maneira digamos eh tendo
Que lidar com situações de crise social mas essas crises sociais também tocam profundamente eh como sujeitos se autoc compreendem então é claro eles entram em em processos de afecção muito claros todos eles vão descrever esses esses momentos de profunda melancolia esses momentos de profundo Desterro dessas desorienta todos esses todos esses quatro a gente tem a gente vai ver tem todos essa característica Então se São escritas a partir da Desorientação e essa desorientação então ela vai servir como um momento inicial de uma reconstrução que não é só reconstrução de si porque é claro como si mesmo
o elemento fundamental da vida social é aquilo que é o horizonte fundamental porque é aquilo que vida social se perguntou eu eu produzo o quê eu produzo si mesmos eu produzo sujeitos que possam de uma certa maneira serem reconhecidos enquanto sujeitos então ou seja se o conceito do sujeito muda Né então todo o horizonte da vida social vai mudar então é só para vocês entenderem digamos assim a profundidade da questão a profundidade do problema certo também aquilo que tá em jogo dentro desse processo né então Eh dito isso a gente pode passar pro outro né
aí a gente pode começar um pouco a o nosso objeto do encontro atual que é de hoje que é Agostinho e Agostinho é o nosso ponto de partida e não poderia por ser out de outra forma Que pela primeira vez no ocidente se fala eu tal como nós entendemos não é um acaso que exatamente num texto religioso né porque afinal de contas trata-se de dizer de uma certa forma que o eu é antes de qualquer coisa a nossa ideia de si mesmo é antes de qualquer coisa sim uma a uma invenção teológico-político né então o
que nós entendemos por eu é fruto de uma construção teológico-políticas seja con isso isto me parece extremamente importante é o Que exige toda a nossa atenção porque significa o o seguinte significa que nós não falamos eu impunemente então não se trata simplesmente de um deitico né trata seente de daquilo que vai identificar um falante específico quem fala eu né Eh trata-se de Outra coisa quando nós falamos eu nós pelo menos nós né que somos fos parte dessa dessa Essa complexa história do que nós podemos chamar da modernidade enquanto experiência sociohistórica filosófica Institucional principalmente né então
nós quando falamos eu colocamos em circulação uma experiência teológico política é uma teologia que tá no seu sistema mais profundo exatamente naquilo que nós esperamos descrever quando nós falamos em eu nós falamos em consciência e quando nós utilizamos nós mobilizamos todos os conceitos que de uma certa maneira criaram uma constelação que circulam em torno dele o conceito como conceito de identidade tão né tão Sensível para nós hoje em dia conceito de personalidade né conceito de indivíduo conceito de autonomia todos esses são conceitos teológico políticos tem uma marca teológico política muito forte e por que eh
teológico político primeiro porque eles se encontram em um campo no qual teologia e moral se articulam de maneira muito profunda conceitos como identidade como autonomia como personalidade são conceitos que tem uma carga moral fundamental porque a Maneira como bem lembre a questão fundamental da moral não é simplesmente o que eu posso fazer né questão fundamental da moral é como eu devo ser como eu procuro ser o que que eu procuro Que tipo de sujeito eu procuro realizar como como eu devo ser significa por que que eu devo ser um sujeito marcado pela identidade pela coerência
da unidade da conduta isso não me Permite por exemplo ser mais imputável do ponto de vista mesmo até mesmo jurídico porque afinal de contas é um sujeito só né ele tem uma coerência mesmo que ele Mude o seu da o seu comportamento durante os anos mas ele continua sendo o mesmo então se ele fez uma coisa 10 anos atrás ele ainda é responsá porel que foi feito H 10 anos atrás Então você tem uma unidade Você tem uma identidade essa identidade ela estabelece final de contas entre outras Coisas um certo tipo de não só um
certo tipo de partilha com outras identidades mas ela estabelece um certo tipo de unidade então aquilo que tem unidade vale mais do que aquilo que é disperso vai mais tem tem mais valor é mais bem acabado que aquilo que se dispersa por todos os lados tem quantas vezes vocês já não não foram objetos de de de implicações Morais esse sentido isso é muito dispersivo e é muito dispersivo ou seja que não consegue entre outras Coisas usar a sua força usar sua energia da maneira como socialmente se espera ou seja produzindo da maneira como socialmente se
espera vocês percebam todos esses conceitos T uma forte carga moral essa forte carga moral ela tem por sua vez como o seu fundamento a realização da nossa sociedade como uma certa perspectiva teológica no sentido mais forte do termo a teologia di dizem outras coisas respeito a um certo tipo De hierarquia a um certo tipo de separação uma hierarquia por exemplo entre aquilo que é da Ordem da natureza e aquilo que é da Ordem do Espírito uma hierarquia entre aquilo que é da Ordem do corpo e aquilo que é da Ordem da da mente né ou
seja em todas nessas hierarquias tem também hierarquia sobre aquilo que tá mais próximo do divino aquilo que tá mais distante do divino bem tudo isso é absolutamente indissociável da maneira como nós Falamos eu né então tem um lado teológico mas não só um lado teológico tem um lado político porque significa entre outras coisas certo eh justificar operações de hierarquia de autogoverno de domínio aí vem um caso interessante porque toda vez que a teologia política aparece é porque tem um conceito a mais aqui que vai aparecer aquilo que é diferente aquilo que é não previsto aquilo
que é não controlado não é simplesmente algo que é Distinto aquilo que é diferente aquilo que é mal e por isso tem que estar submetido a um certo tipo de domínio tem que estar submetido a um certo tipo de hierarquia né ele ele é visto como como uma espécie de ameaça minha capacidade de autogoverno né de autolegislação então por isso que eu insistiria é eh compreender esses conceitos não pode ser uma operação que tenta descrevê-lo simplesmente como realidades sociais Certo Tenta descrevê-los como realidades Psicológicas ou coisas dessa natureza compreender esses conceitos que são conceitos que
produzem nossa sociedade no sentido mais forte do termo é recuperar a sua arqueologia é recuperar todas essas operações no sentido Arqueológico mais profundo certo de articulação Entre várias dimensões da experi das nossas experiências a dimensão teológica a dimensão política a dimensão cultural a dimensão Econômica a dimensão estético todas elas ressoam Nesses conceitos por isso que eles são tão tão tão complexos por isso por isso que seu enraizamento É Tão Profundo entre nós então o que eu gostaria de fazer com vocês nesse nesse curso é um pouco recuperar um pouco dessa arqueologia fazer um pouco dessa
arqueologia para trazer para vocês não só esta pluralidade de de concepções Mas também como cada uma delas certo ressoa em nós cada uma delas tem um tipo de Ressonância porque nós somos nós somos o espaço desse conflito então o espaço de um tipo de subjetividade que é marcado pela confissão né É claro e aí é um topus clássico de alguém como Foucault que insistia por exemplo Ah mas nossas práticas psicoterapêuticas como por exemplo a psicanálise e várias outras Elas têm na sua matriz fundamental a ideia da confissão né Elas são ess esse esse esforço de
constituir uma narrativa de Si constituir uma unidade dessa da nossa experiência a partir da escuta de um outro de um outro que a sua maneira não vai não vai exatamente referendar mas vai vai vai permitir ao sujeito né Eh digamos assim se apoiar em uma perspectiva exterior e uma visão exterior para tomar distância do que ele foi até agora Então promete uma transformação através de uma conciliação com aquilo que aquilo que ele teria perdido né aquilo que de uma maneira ou De outra ele ele ele só só sentia como Sofrimentos como aquilo como alguma coisa
que dentro da experiência mesmo individual certo aparecia como uma falta aparecia como al um não Realizado a gente conhece isso essa ideia de que D uma confissão ela teria essa característica só que eu insistiria não é só essa escrita que nos habita nós temos nos habitamos somos habitados por outros tipos de escrita como por exemplo os ensaios como os Med como os ensaios Vão mostrar alguma coisa dessa natureza a gente vai ver isso muito claramente eh o caráter fragmentário desses dessa dessa crítica do amor próprio próprio pensamentos a dos dos moralistas eh do qual Pascal
faz parte também diz alguma coisa sobre sobre essa nossa noção de eu certo e assim como as meditações né dito isso eu queria começar então com isso me parece uma uma ideia muito interessante que o exitação muito interessante tá lá mais ou menos no Começo das das confissões né E que pode nos nos explicitar sobre o que significa exatamente confessar-se eu queria citar para para vocês é uma citação do Agostinho mas o que a quem narro eu esses fatos não é a voz meu Deus na vossa presença eu me dirijo ao gênero humano aquele a
que eu pertenço ainda que essas páginas possam chegar apenas a uma minoria Então para que que eu escrevo isso para que eu para que eu e todos os Que lerem essas palavras pensemos de que Abismo profundo se deve clamar por vós que coisa mais próxima de vossos ouvidos do que um coração arrependido e uma vida de fé essa colocação me parece absolutamente Central para nós entendermos O que é este projeto das confissões que nasce com Agostinho que é exatamente mais uma vez talvez ã depois do Paulo a figura mais central da da religião da religião
eh Cristã né com suas influências não só no catolicismo Mas sua influência no luteranismo no Lutero influência posterior mesmo nas religiões protestantes bem o que diz o Augostinho aqui diz veja que interessante o que é o eu o eu é a marca de um Desterro é a marca de um abismo O Abismo do qual clamo por vóz não clamo por essa perspectiva Divina que é uma perspectiva transcendente à minha experiência então vejam que coisa interessante nós vamos então começar a descrever a história de Uma errância né A História de um desterro de um engano de
um esio né e de como essa história desse desvio como essa história dessa errância ela pode ser superada em direção àquilo que na verdade não é errância alguma não é desvio nenhum então vejam que coisa importante esta modalidade escrita de si ela nasce a partir digamos da da compreensão da perspectiva de que o eu desculpa da compreensão de que o eu é uma Perspectiva mas uma perspectiva que deve ser superada certo a o lugar onde nós estamos é um lugar de parcialidade de equivocidade é importante entender como essa equivocidade ela é Ela é natural a
nós como nós somos ela é insubstituível Não há como não passar por ela não há ninguém que não passe por ela né então ela é insubstituível e é mas a es esta escrita ela pode oferecer um exemplo de como é possível a partir dela certo a Partir do arrependimento a partir da compreensão da sua limitação a par partir da compreensão da sua precariedade certo alcançar algo que não é uma perspectiva mas é que é a expressão da Razão essa expressão da razão que nos faz aproximarse do divino né fazse andar caminhar em direção ao Divino
Então isso é interessante porque vejam é um texto que começa se perguntando por que que eu escrevo todos esses textos T Essa característica me larga medida Por que eu escrevo o que eu espero com a escrita se já vocês percebem vamos vamos vamos permitir aqui da Tua sensibilidade em relação a sua experiência de crise ou seja se eu coloco essa questão é porque eu tô inventando alguma coisa Eu tô inventando um tipo de escrita que me faz perguntar mas por que que eu tô falando dess dessa forma por que eu estou falando desta forma porque
eu estou falando dessa forma que nunca ninguém Falou antes eu lembraria vocês dado muito interessante Todo projeto filosófico é sempre uma instauração estilística não há projeto filosófico algum que não traga no seu bojo uma instauração de estilo significa a compreensão de que não é mais possível escrever como se escreveu até agora não é mais possível falar como se falou até agora então é necessário uma que a que a língua integre este este Abalo que ela perceba este Abalo e que apareça uma outra forma de organizar a língua a partir deste Abalo então ou seja o
qual é o abalo aqui o abalo é todos nós estamos em um abismo Sim aquilo que é próprio do eu e não há e não há out outra perspectiva que nós não conhecemos o nosso exercício cotidiano a no seressa elas nos coloca em um distanciamento e uma distância em relação àquilo que tem validade objetividade assegurada Então seja há Uma uma precariedade que é escrita integra isso é um dado impressionante ele integra essa precariedade para dizer agora eu vou escrever para explicar como através desta precariedade eu pass é possível passar a um outro lugar mesmo quer
dizer dentro do próprio texto Agostinho você você começa na descrição certo de relatos de vida e você termina no Exercício da razão você começa o Agostinho descrevendo bem como é que eu tive uma vida de devassa né bem desde o Momento que eu roubei perira lá no no no Jardim do do vizinho até o momento em que eu tive eu entrei na na na n ceitas elas as mais as mais equivocadas maniqueístas coisas diss di como eu estabeleço minha vida descrevo minha vida até chegar no momento que aí são inclusive os dois capítulos que passei
para vocês onde o exercício da reflexão se coloca de maneira cada vez mais clara mais profunda dentro do texto muda muda o muda o eixo muda o lugar exatamente do Problema não é mais não é mais a descrição da minha vida mas agora uma reflexão sobre sobre o que é o tempo reflexão sobre o que é a memória né como é que essa experiência da memória do tempo ela pode então de uma certa maneira a reflexão sobre ela me permite entre outras coisas me apropriar daquilo que é que é mais próximo da Razão Divina então
vejam mas aí uma questão seria interessante né que é eh O que que é exatamente uma confissão Além isso que eu falei para vocês uma confissão é um ato político eu queria insistir nesse aspecto né e a por isso que eu coloquei aqui uma política da vontade né vejam vamos pegar essa citação uma outra citação do também do nosso texto das confissões se alguém disser que a carne é caus Não a essa aqui é a cidade cidade de Deus desculpa se alguém disser que a carne é causa de todos os vícios e dos maus costumes
justamente porque a alma tada vinculada Com a carne vive assim é fora de dúvida que não se fixou em toda a natureza Human os cara não entendeu do qual que é que que é o problema a corrupção que acabrunha a alma não é causa do primeiro pecado mas o castigo corrupção é o castigo desse primeiro pecado né nem a carne corruptível fez a Alma ser pecadora e sim a alma pecadora que fez a carne ser corruptível porque afinal o homem não se tornou semelhante ao diabo por ele ter carne de Que o diabo inclusive carece
mas por Viver segundo si mesmo quer dizer segundo o homem essa colocação ela ela é fantástica pela sua concisão de todo todo um certo projeto tá dizendo mais ou menos o seguinte veja eh o de onde vem o mal porque afinal de contas É sempre bom lembrar Agostinho é aquele que transforma o pecado original do fato central da teologia Cristã né é é aquele que fala a queda é o fato Central né então porque a queda porque Ele vai tentar explicar o mal vem da onde por Afinal de por Deus que é onisciente porque Deus
tudo sabe né Deus sabia de Deus tem tem tem tem eh tem uma é onipotente se a força não é limitada né Ele é limitado por que é que um sujeito como esse permitiu o mal que qual qual que é a lógica por trás disso né então vejam que interessante primeira coisa que ele vai precisar fazer falar veja de onde vem o mal ah o mal vem da Carne mas se o mal viesse da carne então Deus fez alguma coisa ruim Deus não pode ter feito uma coisa ruim a carne em si não tem nenhum
princípio corruptível né a carne em si não tem nada que seja um problema né por isso que ele tem que falar bem o que não é a nem a carne é corruptível que fez a Alma ser pecadora desculpa a carne é corruptivel mas ela não é uma não é corrompida né então não é a alma a carne que fez alma ser pecadora é a alma que fez a carne ser corruptível então Ou seja a alma o quê Então não é é a alma a vontade aquilo que é próprio da vontade humana a vontade humana que
perverteu né que ela que ela prent o que sentido ela fez literalmente uma subversão ela colocou o que era para est embaixo em cima ela mudou a ordem das coisas né a carne era para est embaixo ela foi para cima né aquilo que era da ordem então do Espírito devia est em cima ele foi para baixo foi submetido a cara ou seja tem um problema político aqui uma mudança da Hierarquia A Hierarquia foi mudada a ordem foi mudada a ordem precisa ser reinstaurado por isso que essa a confissão Tem uma função política qual é a
função política da confissão reinstaurar a ordem que foi quebrada reinstaurar A Hierarquia que foi quebrada né seja fazer com que em outras coisas aquele que tem que governar efetivamente governa porque o que acontece é que o o ser humano quis viver segundo si Mesmo e é interessante que ao querer viver segundo si mesmo ele se perde olha que engraçado ao querer viver segundo si mesmo ele não realiza sua potência de liberdade ele não realiza sua autonomia ele não realiza a potencialidade da Razão ao querer viver segundo si mesmo ele se perde Ele se perde ele
ele ele se perde no campo da natureza né ele ele ele se perde naquilo que em outra em última instância quebra a possibilidade mesmo do exercício Livre da vontade ele Vai ser um exercício agora não livre ele é um exercício afetado porque a ele ele entra nos dos regimes de afecção dos dos dados naturais das ações e das reações como vão dizer séculos posterior posteriormente ou seja Aí vem uma questão absolutamente Central mais uma vez Qual que é o problema por isso talvez isso explique um dado muito interessante você pode a gente pode até continuar
aqui né que é o ser humano pode querer viver segundo si mesmo e não Se mundo Deus ele inverte o bem próprio de uma vontade livre racional quebrando as relações políticas de hierarquia de obediência isso explica esse é o ponto que queria chegar porque o pecado Central para Agostinho não é não é Luxúria né pecado Central não é cudade at porque efetivamente Se tem uma coisa que Di não tem problema nunca teve problema é com a cudade cer Na verdade o problema Central é esse a soberba a soberba é o pecado Central Isso é muito
Interessante veja porque o que que significa soberba quem acha que deveria quem não deveria governar tá governando esse é o problema Central entendeu o que não dever podia mandar tá mandando certo o sujeito acha que pode mandar ele acha que pode governar Ele acha que pode est na frente ele acha que pode decidir né Este é o problema Central E é claro nesse esse problema Central ele vai fazer então com que de uma certa forma aquilo que é que é da Ordem do logos Aquilo que da razão Não legisle mais não governe mais né e
aqui a gente poderia se perguntar né Por quê E aí vem a teoria do livre arbítrio né aí vem a astúcia do Augostinho né que Augostinho tem esse problema né quer dizer AF final de contas eh Por que que Deus permitiu tudo isso até lá Por que ele permitiu que a vontade pudesse perverter as hierarquias porque ele permitiu que a vontade humana pudesse perverter as hierarquias porque ele permitiu que a Vontade pudesse errar né Aí vem uma questão interessante veja As Confissões gente nesse ponto elas aparecem com escrita de um eu que é isso não
é uma frase retórica Isso é para mim me parece uma coisa muito precisa é expressão de uma guerra civil interna é fruto da consciência de uma experiência de insubordinação exatamente esta insubordinação da vontade ela produz no interior do humano uma verdadeira guerra civil né ou seja uma clivagem uma Divisão nós vi então o cristianismo ele vai integrar uma concepção dividida do humano a natureza humana não é uma a natureza humana ela é uma cisão ela é cindida né seja já ela é cindida em que sentido no sentido de que ela a partir do momento em
que houve O pecado original a partir do momento em que houve a queda CTO Então a partir do momento em que houve essa insubordinação que afinal de contas que que o ser humano não obedeceu como ele Deveria obedecer mostrou que ele tinha um potencial profundo de desobediência né mostrou que seu desejo de saber escondi um potencial profundo de desobediência Então o que acontece nesse momento nesse momento Acontece uma cisão experiência humana de um lado então essa esse Horizonte insubordinado do humano que vai a cada vez mais se constituir como um o a experiência da Carne
corruptível a experiência da animalidade que pode retornar a experiência dessa Desse desejo que não se submete mais à vontade livre né E para outro lado a vontade então todas essas figuras que são clássicas na filosofia moral moderna né Por exemplo entre a distinção entre desejo e vontade né a distinção entre o desejo patológico a vontade livre todas elas o amor à lei certo e aqui e e os sistemas de ações e reações que são próprios da da afecção da sensibilidade dier todas essas figuras que vão estabelecer distinções profundas do Interior do humano Elas têm uma
matriz teológica que são el é própria né Então aí eh a questão interessante né todo mundo esperava Tá bom mas por que que Deus permitiu assim so nação que diabo aconteceu que deixou isso acontecer aí vem a questão era impossível não ser assim por quê Porque Deus quis que o ser humano fosse dotado de livre arbítrio ele pudesse escolher para ele poder poder escolher Ele precisa poder errar o erro pode tem que ser interno a sua possibilidade de existência se houvesse uma espécie de determinismo da virtude então a virtude ela determinada de uma maneira muito
estrita né no sentido de que eu não posso me desviar da virtude s a virtude não seria uma não seria uma virtude que virtude é essa que não é fruto de uma escolha que não é fruto de uma decisão que é fruto de uma de uma espécie digamos assim de de ato reflexo Que que é uma que é uma disposição imanente do comportamento humano né então por aqui Como assim virtude não teve não teve nenhuma possibilidade de erro teve nenhuma possibilidade de Pecado então não tem valor algum percebe então daí essa ideia livre arbítrio significa
bem é a possibilidade do exercício da virtude ela é construída sob a possibilidade do erro sob a possibilidade do pecado sob a possibilidade do Mal sobre a Possibilidade do desvio se Deus permitiu isso é porque era só assim que ele poderia criar sujeitos livres e aí vem uma questão interessante o que que é livre arbítrio nesse caso livre arbítrio vá várias maneiras de dizer mas Talvez uma maneira mais pedagógica de insistir é uma espécie de Desejo de segundo nível é a possibilidade de ter desejo de segundo nível isso diferenciaria profundamente todo bati aqui não devia
né Já entendi isso diferenciaria Profundamente os o que da Ordem do humano do que é da Ordem do do animal né é o que marcaria a excepcionalidade humana aí vem toda todo uma teoria que vai desdobrar durante muito tempo essa ideia de que bem a excepcionalidade humana é dada pelo fato de que os seres humanos teriam livre arbítrio coisas que os animais não TM não teriam que que é livre arbítrio livre arbítrio é mais ou menos o seguinte Imagina eu posso ter desejos Os animais também podem ter Desejos posso ter desejo de fumar eu posso
criar em laboratório em certos animais o desejo por nicotina desejo de fumar então desejo de fumar não é nenhum atributo específico do humano agora eu posso ter desejo de não ter desejo de fumar inclusive mesmo fumando ou posso ter desejo de ter desejo de fumar mesmo não fumando seja eu posso ter desejo de desejo um desejo de segundo grau sign isso pressupõe que eu posso tomar Distância do meu desejo atual eu posso pensar ser de outra forma eu posso pensar agir de outra forma posso abrir uma outra disposição de conduta e comportamento né seja enquanto
de uma certa forma dentro dessa teoria né então os animais por exemplo não poderiam ter desejo de desejo você não pode pensar num animal que teria desejo de não ter desejo de fumar tendo desejo de fumar por exemplo né então o que significa essa possibilidade de uma espécie de re Daqu isso não tem esse nome nesse momento né mas depois vai ter essa ideia de uma reflexividade interna a vontade humana seja como eu tomo a mim mesmo por objeto u eu me objetificam minha vontade por eu tomo distância do meu próprio desejo eu avalio eu
penso se vale a pena ou não vale a pena tê-lo né eu tomo distância da minha disposição do meu impulso eu não sou só impulso né eu tenho também essa possibilidade de abrir uma Distância em relação ao meu próprio impulso né então tomando essa distância eu abro um espaço que é próprio Ao livre arbítrio eu abro um espaço que é efetivamente a realização do livre arbítrio então ou seja o ser humano tem que ter esta disposição de poder ir para outros lados para poder errar para que ele possa efetivamente exercer a a virtude que a
virtude seja um exercício da vontade ela não seja alguma Coisa digamos involuntária como por isso que eu disse aqui bem se não houvesse a possibilidade do pecado todas ações seriam naturalmente Virtuosas né e Ação virtuosa é aquela na qual vontade queer a virtude Então seria uma contradição porque é uma vontade uma virtude involuntária que não foi necessária vontade para realizá-la ela não é virtude nenhuma né então vejam aqui entra um elemento importante dessa teologia do Agostinho é aquilo que a Gente pode chamar da inobi recíproca Por que isto porque Deus precisou lembrar aos seres humanos
o pecado original é importante que esse o pecado original apareça como uma espécie de tensionamento em direção ao exercício da virtude a consciência do pecado original é que efetivamente realiza minha liberdade dado muito muito interessante assim entre nós tem essa ideia ela vai ela vai vai circular por séculos e Séculos porque por exemplo um dado momento quando o a América foi invadida nós aqui fomos invadidos pelos europeus os europeus mandarem todas suas tropas de jesuítas todas suas tropas de evangelizadores todas suas tropas de apóstolos da Boa Vontade certo para nos mostrar afinal de contas Onde
tá o caminho certo onde tá a luz onde tá realmente o saber né eles vão chegar por exemplo tem tem um belíssimo livro do David Weber que chama Despertar de tudo Né onde ele vai narrar um pouco esse processo Onde por exemplo você vai ter Padre Jesuítas no Canadá que tribo dos ncap Entre várias outras que vão começar a ter um problema problema mais menos o seguinte porque eles vão descobrir que os povos aminos eram mais livres do que os povos europeus Por que essa sociedades eram sociedades baseadas na argumentação eram sociedades na qual você
não segue alguém por autoridade são é o clastres vai desenvolver isso muito Bem que é a figura por exemplo da chefia sem eh da chefia sem poder ela só tem poder em situações de guerra não situações de paz situações de paz ela tem uma outra outro tipo de função tem a função de falar bem tem a função de de fazer trocas rituais sustentar trocas rituais ou seja só tem um só tem um jeito nesse momento de eu me fazer do Da Da Minha autoridade ser respeitado pela argumentação preciso convencer eles falam bem nem a relação
entre os pais os Filhos os filhos obedecem se não for por convencimento é claro resultado Você tem uma sociedade Todo mundo precisa convencer todo mundo uma sociedade tem uma capacidade de argumentação ele isso é muito interessante porque ele pega Os relatos dos padres jesuítas a capacidade de argumentação de um eh de de um de um amerin de um médium é é muito superior à capacidade de argumentação de um francês médico porque o francês méd Não precisa ele não é chamado a a a avaliar Argumentações para que eles sigam não autoridades é a autoridade é autoridade
porque é autoridade porque é uma definição de porque el legalmente constituída ela é divinamente assegurada e ponto final né Então aí vem uma questão bem mas como é que eu vou então se eles são mais Livres como é que eu justifico as minhas formas de vida como é que eu justifico as minhas estruturas institucionais então daí as a a a solução é muito interessante né quer Dizer não mas ISO isso não é liberdade isso é outra coisa porque a liberdade exige a consciência do pecado original ele exige por isso ela ela não entra na ívia
ela não é liberação para fazer toda e qualquer coisa né como por exemplo como eles entendiam que eram os costumes dos dos ameríndios aqui então não ao contrário ela é consciência fundamental de que o livre arbitro é um exercício duro né que pressupõe a consciência da Divisão muito clara certo entre aquilo Que é da Ordem da corporeidade aquilo que é da Ordem do Espírito por exemplo né E ela porque ela pressupõe integração dessa história seria constituído que é a história da queda da queda devido à nossa inobservância da a queda devido a nossa soberba a
queda devido a nossa insubmissão e Deus na verdade fez com que o corpo a todo momento lembrasse a nós a nossa vontade essa queda porque o corpo a todo momento se mostra como insubmisso lembraria para vocês talvez Você conheça essa história por exemplo o Agostinho vai descrever uma situação eu diria e assim mais ou menos que noção moderna de eu nasce né que ele tava numa sauna e na época uma sauna não era nada mais do que uma sauna era um lugar que você ia para tomar banho né coletivamente só que ele tava lá ele
tem uma ereção involuntária e ele fica corado de vergonha e ele fica revoltado ele fala mas como é que como é que Deus permite né entre outras coisas que o Corpo ele tenha a sua própria lei ele não se submeta à vontade uma à nossa à vontade então um pouco mas aí é uma questão aí vem a ideia da in obediência recíproca da mesma maneira como nós perce nós fomos insubmissos na no paraíso né E nós fomos expulsos de lá então é como se essa insubmissão fosse repetida em cada momento que o corpo se insurge
contra a vontade essa quea e essa insurgência do corpo essa insubmissão do corpo vai ter Um nome para Agostinho e esse nome vai vai nos acompanhar durante mais bem quase do praticamente quase 2000 anos né Eh 1800 anos ela nos acompanha né como como um a expressão de um mal a ser evitado né mas vamos ver como Agostinho descreve essa inobi recíproca enfim para dizê-lo em poucas palavras que se retribuiu como Pena ao pecado da desobediência o que senão a desobediência o que que o que que foi uma uma Retribuição ao nosso pecado da Desob
ência a não ser a desobediência agora que todos nós sentimos na nossa relação ao nosso corpo e que miséria mais própria do homem que a desobediência de si mesmo contra si mesmo endeu de modo que por não haver querido que pôde agora ele quer o que não pode embora seja verdade que no Paraíso antes do pecado não podia tudo somente o que queria o que podia e portanto podia tudo o que queria agora por porque não Havia distinção para né Não havia não havia essa dualidade essa dicotomia própria natureza né antes da queda agora porém
como vemos em sua descendência e testemunha Divina escritura o homem se tornou semelhante à vaidade quem poderá contar as coisas que quer e não pode se o ânimo é contrário e a carne inferior a ele não lhe obedece à vontade se o ânimo é contrário e a carne que é inferior a ele não lhe obedece a vontade né Aqui queria só vamos passar pro outro eu queria lembrar vocês essa ideia do pecado original havia dito para vocês essa só expressão desse fato Ele tem um lugar fundamental para Agostinho porque ele explica a função dessa guerra
civil interna na qual a natureza humana se tornou a desobediência diante da Vontade Divina se tornou uma desobediência de si mesmo contra si mesmo a desobediência de uma carne que não se submete mais à vontade de uma natureza que é um espaço Hostil né Então aí vem uma questão absolutamente importante percebam dizer esta teologia ela marca um tipo de experiência ela vai dar um um Horizonte a um tipo de experiência que essa experiência dá D desobediência de S em relação a siim então a confissão ela é a descrição dessa desobediência de S em relação a
si dessa impossibilidade da vontade conseguir submeter à carne a vontade humana conseguir submeter a cara n ou seja na verdade submeter o corpo né Ao contrário ela agora ela submissa ao corpo ela se submete ao corpo né então para que ela pudesse submeter ao corpo ela precisaria se aproximar desse Princípio Fundamental de legislação né dessa autolegislação dessa legislação de si que só pode se fundar só pode ocorrer quando eu encontro um fundamento da minha vontade Na Vontade Divina quando eu encontro uma semelhança da minha vontade Na Vontade Divina por isso que a partir do pecado
original o ser humano Vai se o lugar de uma cisão contínua entre vontade e um princípio de insubmissão que agora vai ter um nome específico ele vai acompanhar a trompia do ocidente como uma sombra que é a libido e aqui Vejam a libido a pior forma de desgoverno né cito Agostinho não há dúvidas de que a natureza humana se envergonha dessa libido e com razão porque em sua desobediência que deixou os órgãos sexuais submetidos a Seus próprios movimentos e os desligou da vontade mostra-se bem as claras a paga que o homem recebeu da sua própria
desobediência e foi conveniente que o seu v ío aparecesse em especial nos membros que servem a geração da natureza piorada pelo primeiro enorme pecado vejam que coisa absolutamente Central dentro desse processo então agora nós temos uma natureza que é impulsionada por dois princípios antagônicos vontade Livre e a libido a libido que quando aparece faz da joga uma sombra na vontade faz a vontade de entrar em curto circuito porque a libido é um princípio fundamental de desordem de desobediência de insubmissão ela é um aqu aquilo que é o desejo de difícil regulagem é difícil de ser
regulado pela vontade né Então aí vem uma questão perce Claro Este Horizonte de libido a gente fala até hoje até hoje 2024 Então Significa o quê esta discussão ela nos marcou de uma maneira absolutamente central até hoje e mais do que isso ela mostra entre outras coisas como essa a ideias fundamentais essa constelação de ideias vinculados àquilo que nós entendemos por eu quer dizer o exercício do domínio de si esse exercício da unidade esse exercício então da capacidade de ter autonomia De se conseguir legislar sobre si mesmo certo de ser legislado estabelecer uma Lei para
si mesmo Veja onde tudo veem de onde tudo isso nasce veja um dos elementos fundamentais da consolidação cer desses dispositivos de liberdade que nós normalmente chamamos entendemos por dessa dessa digamos dessa dessa disposição de liberdade um dos elementos fundamentais desse dispositivo de liberdade é esse efetivamente um projeto teológico político paraas sociedades ocidentais né é uma produção teológica política né E aí tem várias Consequências é claro né porque é por isso eu insistiria é aqui o Agostinho não fala exatamente desse termo autonomia né um termo tão importante para nós tão decisivo para que para que nós
entendemos por liberdade né Eh dizer que nós tão não só Liberdade do ponto de vista político mas Liberdade também do ponto de vista Clínico né a vontade alienada e a vontade autônoma né a vontade do lidade do ponto de vista estético autonomia da obra de arte Tantas outras coisas bem autonomos autonomia autonomos nomos lei Auto si mesmo né mas na verdade ele estabelece todo o horizonte para que essa ideia se consol se constitua tal como ela se constituiu depois né Então essa confissão como escrita Esse é o ponto que eu queria chegar com vocês ela
coloca em Sena um eu que tá entre a consciência da culpa de um lado e a procura da transcendência do outro o eu tá aqui ele tá de uma certa maneira Passando de um lado ao outro essa transcendência é dada pela aproximação à razão divina e ela é o relato do reconhecimento do eu como uma perspectiva que tem que cair e a procura da superação dessa perspectiva em direção a uma transcendência que desconhece perspectiva né E essa teologia política ela vai estabelecer aí é um dado importante na nossa crítica da modernidade a gente entende por
crítica Da modernidade ela ela só pode funcionar entre outras coisas como crítica desse Horizonte teológico essa teologia política estabelece distinções muito estritas a gente viu agora né vontade livre e libido mas também entre autogoverno caus a mesmo cusa de si mesmo né Vocês lembram aquela coisa o homem quis governar a si mesmo o humano quis governar a si mesmo veja o que deu né mas quando ele governa a si mesmo ele perde a si mesmo porque Ele não é mais si mesmo porque ele se perde na sua definição do que é si mesmo né então
entre autogoverno e causalidade natural que agora quando na verdade ele acha que tá governando a si mesmo mas quem governa é a natureza quem governa são disposições mecânicas da natureza é claro isso vai permitir ver outras distinções como essa distinção então tem a animalidade aquilo que é próprio de uma animalidade que não conhece o Liv arbítrio né porque tá ela É impulso de desejo e a humanidade né ela vai ser a base de uma noção de liberdade de autonomia que vai constituir isso sim o eixo hegemônico da modernidade então aqui a gente a gente lê
um uma um uma consolidação depois você vai ter outros desdobramentos que são quais são as condições Por que que essa religião ela vai ser tão fundamental paraa consolidação das das dinâmicas expansionistas do capitalismo a uma relação profunda entre capitalismo E religião Tá longe de ser eh um modelo econômico desencantado não ele precisa ele precisa dessa divisão porque você percebe essa divisão é entre outras coisas só para ficar num num termo aqui a gente pode ir para nosso nosso último ã nosso nosso última imagem ficar num termo né por isso que eu insisti na modernidade Como
projeto teológico político ela precisa da divisão entre a natureza e a liberdade divisão entre bem a na Natureza eu não encontro é uma é um elemento hostil a liberdade ela precisa ser submetida ela precisa ser vencida ela precisa ser subjulgar ela precisa ser esconjuro da minha liberdade se realize bem quando eu consigo fazer isso então eu desencanto o mundo né n todo esse processo vai ser vai aparecer ess esse topos vai aparecer só no século XIX né ser o top clássico da sociologia weberiana né mas tá lá também no no Chile começa paulatinamente né no
interior do idealismo alemão a ideia de que bem a o mundo ele se desencanta pelo pelo cálculo ele se desencanta pela medida ele se desencanta pela quantificação por para poder submetê-lo à ordem da previsão ordem dessa da de uma racionalidade que é própria dos processos de acumulação Cap que que adequado os processos de acumulação capitalista eu posso ver essa natureza não como espaço que é um espaço no qual Algo da Ordem do humano circula não mas ela é radicalmente distinta do humano Então ela pode ser um objeto objeto para que eu possa pura e simplesmente
conseguir realizar as condições materiais de previsibilidade poder ter uma situação da queal eu possa prever da que eu que eu possa me me digamos assim me defender certo da hostilidade da contingência dos fatos da natureza certo e com isso entre outras coisas submeter certo ela aos princípios Fundamentais de de acumulação e de produção capitalista então por exemplo a a gente vai se perguntar sobre que de teológico nessa crítica da da encantamento teológico próprio modernidade eu insisto nesse ponto porque parece então que com isso nós tiramos a teologia quando a gente estabelece então um tipo de
relação desencantada à natureza parece que a teologia foi embora mas não foi graças à teologia que a gente pode ter uma Relação desencantada à natureza parecer estranho isso né mas bem mas o mundo tá longe de ser uma coisa simples Então realmente essas essas R voltas estranhas é bom que todo mundo se acostume né seja é graças à teologia a gente pode criar esta imagem de que nossa visão científica de mundo ela é ela é ela é desencantada Ela não tem Teologia porque a teologia estabelece uma Divisão muito clara né Essa Divisão muito clara é
o que permite essa Objetificação de algo que não tem a dignidade do do humano de algo deve ser dominado pelo cálculo pela medida pela quantificação algo que no final pode aparecer como uma máquina Como vai ser a figura da natureza na modernidade né a natureza como uma máquina uma máquina mecanicamente estruturada uma causalidade mecânica estrutural né E aqui então Eh dominar a natureza vai ser submetê-la à vontade Desculpa submetê-la à vontade Só é possível no interior de uma teologia política que tem Agostinho o seu início através da nossa noção de autonomia e eu a modernidade
se encontra com a teologia bem é isso era o que eu tinha apresentar para vocês hoje né então a gente vamos fazer um pequeno intervalo agora de 2 3 minutos para vocês poderem descansar um pouquinho e para vocês também levarem as suas perguntas e a gente então faz eh um um outra parte Para com as as discussões e o debate até daqui a 3 minutos Ok então boa noite Vamos então retomar nosso encontro de hoje algumas perguntas que foram enviadas Então por vocês para que a gente possa efetivamente estabelecer um debate mais uma vez eu
insisto muito nesse aspecto é muito importante que as dúvidas que vocês tiverem as questões que vocês quiserem fazer que vocês façam porque a ideia como a o título pensar coletivo não é é Um acaso A ideia é exatamente alguma coisa dessa natureza não só simplesmente uma espécie de disposição magistral coisa nesse sentido mas o a a possibilidade o espaço oportunidade de uma discussão alguns de vocês podem ter uma um certo receio por achar que as questões são muito simplistas ou coisas dessa natureza eu diria costumo dizer isso aos meus alunos há mais de 20 e
Poucos Anos não existem questões simples existem professores que explicam mal é Outra coisa então assim toda questão ela pode ser uma questão importante a gente tomar aspectos que não ficaram completamente Claros que vão ser Ah também eh digamos eh eh elementos para auxiliar a compreensão de outras pessoas estão presentes nesse momento agora então é só para lembrando esse ponto eu vou começar com a questão do Mauro Machado Vieira Mauro Machado Vieira pergunta o seguinte qual a principal diferença nas Confissões de Agostinho e As Confissões de Russo essa questão maur é uma questão interessante a gente
tá falando de dois momentos históricos desculpa muito distintos né dier esse primeiro momento eh eh do Agostinho os 300 pouc depois de Cristo e ah o o século 1 né que é o século desculpa século XVI século do Rousseau né onde então aparece também uma outra mais uma vez uma figura eh filosófica de envergadura que vai utilizar As Confissões como um modelo então des escrita de si a A grande diferença é o que acontece com a posição de transcendência Agostinho como vocês perceberam ele escreve a confissão para que a nessa confissão se constitua um movimento
no qual você começa descrevendo a os os descaminhos da sua vida cer os descaminhos no sentido do erro sentido da ilusão sentido de você se aproximar da loucura na na da loucura no sentido do da de você perder por Completo O o guia da razão então Ou seja você faz isso em direção à consolidação cada vez mais forte de um princípio que que elimina o eu como eixo fundamental da narrativa né então que no caso do Rousseau isso não acontece Esse princípio de transcendência não existe mais então qual confissão serve para quê ela a confissão
serve para que eu coloque em cena eh um dispositivo subjetivo CTO que é muito bem descrito quando Rousseau escreve um Outro texto que chama eh Rousseau juiz de Jean jacqu essa figura ela é fantástica né porque significa seja eu vou eh que que que é o nome que julga que o nome próprio que julga o nome né o nome esse esse patronímico que julga o nome próprio né significa entre outras coisas que a se percebe Não é uma distinção agora Não não é um eixo de transcendência que vai ser colocado em em circulação agora o
que acontece é a a O o o eu o sujeito tem si mesmo mas ele tem em si mesmo aquilo que pode ser o elemento fundamental do seu próprio julgamento e esse então ele se autoavalia se auto inspecciona e essa autoinspeção essa autoavaliação ela não tem Vista a consolidação de um dispositivo teológico político no sentido tradicional do tempo porque esse dispositivo já foi internalizado também tem isso né então é importante também entender disso a ruptura não é completa Com a confissão ainda é uma confissão né sentido forte do termo dizer pela pela pelo dispositivo da
culpa pela dinâmica da culpa eu internalizou já como no Agostinho existia mas Agostinho essa essa Conciência da culpa ela ela me permite sair si né no caso do do do russa não me permite sair de mim mesmo mais né isso não existe mais porque porque o o poder teológico tá sendo colocado em em questão mas não no sentido de que de que ele não vai deixar De operar ele deixa de operar explicitamente né já não é mais a a posição explícita da organização do Poder ele ele opera implicitamente ele opera na sua força disciplinar ele
opera na sua organização con organização consal que subsiste Tá certo e um dos elementos fundamentais é essa autorreflexividade essa essa capacidade então que eu tenho de julgar a mim mesmo eu tenho de avaliar a mim mesmo porque se eu ele precisa de uma certa maneira Ocupar uma outra posição né ele tem mas mas mais uma vez toda esse esse H há uma A grande diferença é que o que funcionava assim de uma certa maneira funciona assim o que se colocava numa uma verticalidade em relação ao humano agora tá toda interna dentro do humano que é
o dispositivo assim o russ ele só adianta o que é o dispositivo de secularização desses processos que vai ser próprio por exemplo filosofia moral do século XIX né Né que é o que esse Dispositivo da da deontológico da n da dessa moral deontológica que de modelo cantiano por exemplo que vai consolidar de forma tão Clara a noção de autonomia certo ela ela não não tem nenhum tipo de voluntarismo no sentido de que de que espera algo da da Vontade Divina que tem reconhecer a Vontade Divina né Não ela tem esse esse esse desencantamento mas esse
desencantamento mais uma vez a teologia é isso me parece uma importante a teologia ela ela subsiste de uma Maneira que eu diria que é uma uma maneira silenciosa mais silenciosa agora mas ela vai tá lá né OK agora outra questão vamos pegar aqui questão do Leonardo Castor de Mesquita né Eh a modernidade não justamente rompe com esse esquema de superação do eu na vida confissão caro para teologia católica com a doutrina da justificação de Martinho Lutero então mais uma vez eu insistiria muito Nesse aspecto h não há uma ruptura no sentido mesmo digamos de uma
instauração eh eh de uma de uma lógica eh claramente distinta com advento da modernidade né O que tão caro na com a doutrina da Tá então não é uma ruptura nesse sentido o que nós temos é outra coisa que a gente tem é uma espécie de secularização desses princípios teológicos e a secularização dos princípios ideológicos é uma maneira desses princípios permanecerem e continuarem no interior Do nosso do horizonte da nossa experiência social né então eu eu proporia a vocês um certo modelo de reflexão certo modelo de crítica seja baseado exatamente nessa compreensão de que a
teologia ela continua por outros meios ela permanece seus sistemas de divisões seus sistemas de separação a o sua o seu modelo de organização de dos de problemas a sua definição do que é liberdade a sua definição do que efetivamente significa bem emancipação Que é um conceito tão central doos nossos processos de transformação social C ela permanece mas permanece não problematizada né E não vai ser a reforma protestante que faz algum tipo de distinção e muito menos eu diria eh a teologia Luterana Néia Lana ela tem uma matriz uma matriz agostiniana me parece muito Evidente né
entre outras coisas é importante também lembrar de uma série de elementos que vão constituir em larga medida no no interior da da da Experiência protestante do do protestantismo certo H alguns dispositivos que vão ser tão centrais para nossa compreensão do que significa a noção de eu né essa noção que tá sendo percebe paulatinamente criada ela vai sendo paulatinamente digamos eh se consolidada como forma hegemônica veja e é claro que o horizonte teológico é Horizonte Central para isso né para pra consolidação pra formação dessa psicologia por exemplo eu lembraria Vocês eh dessa dessa ideia tão Clara
não não por outra razão quer dizer eh que que a noção de unidade ela vai ser tão central cada vez mais Central certo dentro desse Horizonte que é o próprio Horizonte daqu a gente poderia chamar do eu e da sua escrita vejam por exemplo elemento interessante no calvinismo né calvinismo ele insiste nessa ideia da predestinação calvinismo também é uma é é uma teologia determinista como como o agostinismo era Um um determino distrito né mas dentro desse processo calvinista e significa o quê Deus tudo sabe Deus não só tudo sabe mas Deus também já definiu muito
claramente antes de qualquer um tá aqui nessa sala já definiu afinal de contas quem vai ser salvo e quem vai ser eh que e quem vai perecer né então se se é isso nada do que eu faça vai poder mudar o que foi foi foi objeto da Vontade Divina já foi decidido já tá tudo decidido o que que cabe a mim agora Cabe a mim agir Como se eu estivesse salvo agir agora como se eu estivesse salvo organizar minha vida minha conduta de uma maneira absolutamente unificada a partir da consciência da minha própria salvação então
vocês podem imaginar o tipo de pressão psicológica que isso não produz a pressão psicológica de que então qualquer coisa que pareça vir contra essa minha destinação de salvo ela é objeto da mais profunda versão objet a mais profunda luta interna a Ideia da guerra civil interna aqui é levada ao seu Extremo e esta pressão é que vai produzir a ideia de entre outras coisas claro né entre outros elementos que vai dar um impulso pra consolidação da ideia de personalidade de Persona né seja essa Persona que ela de uma não é só a máscara né que
era o nome da máscara do teatro grego que de uma certa maneira eu eu uso para atuar socialmente essa máscara vai ficar colada agora ela vai Colar no rosto do sujeito que agora não é importante que ela não seja simplesmente eh eh Como seama assim disposições sociais mais ou menos eh eh esperadas o sujeito mas não é a disposição interna É aquela ideia típica do cristianismo certo vocês encontram no nos Evangelhos que quando eh perguntam a Cristo afinal de contas mas se o sujeito eh eh quiser quiser ficar com a mulher do outro ele não
vai ele vai ele vai produzir pecado ou seja não vou dizer eh Que ele for tentar ficar com a mulher do outro ele vai dizer não não é só tentar se ele imaginar se ele querer sabe se aparecer na sua mente já já foi o pecado né Ou seja a você percebe a pressão na disposição de unitária de cond Constituição da ideia de unidade di um elemento que não pode hipótese alguma entrar em contradição com aquilo que seria o horizonte fundamental dos meus ideais né organização fundamental dos meus ideais então simplesmente para Dizer mais uma
vez esses elementos que vão ser constituintes da nossa experiência subjetiva da nossa Constituição de nossa subjetividade Elas têm nesse nessa nesse debate teológico nos seus eixos fundamentais né então vamos agora para uma outra questão não foi Ah tá desculpa então ok vamos agora luí Fernando Riga vasol né ao ter como premissa um projeto teológico político não se Salta do eu Indivíduo para um coletivo sociedade então Luiz Fernando eu diria o seguinte mais do que se salta o que a acontece assim nós percebemos muito claramente como essa distinção ela não é operacional essa distinção entre o
eu e e uma espécie de coletivo ela não é operacional por quê Porque o eu é uma produção social porque o eu já é no seu desde o seu início é o fruto de um projeto social ela é a internalização de um projeto social né todos todos se os Eus são individuais mas todo todos são eus a partir de uma maneira socialmente estabelecida então todos são eus mais ou menos da mesma forma então ou seja há uma homogeneidade Esse é um dado me parece fundamental é claro nossa sensibilidade Liberal ela ela ela nos fez perder
um pouco isso porque ela a nossa sensibilidade Liberal porque o liberalismo vai ser um elemento absolutamente decisivo na Constituição hegemônica no certo projeto da Modernidade ela faz com que a noção de indivíduo ela seja inflacionada de ao a tal ponto que parece que os os indivíduos com seus sistemas particulares de interesse eles conseguem estabelecer um Horizonte que é Horizonte de de de pluralidade da sociedade né Horizonte de pluralidade de interesse pluraridade uma pluraridade que mostraria então com as sociedades e são sociedades marcadas por uma certo um um uma certa digamos assim eh um aumento Fundamental
da sua experiência de liberdade a gente poderia dizer praticamente o contrário na verdade certo que o que nós nós eh podemos perceber se nós fizermos uma arqueologia desses conceitos de todos eles conceito de indivíduo conceito de eu conceito de interesse é que todos esses são dispositivos sociais de organização seja são são ordens sociais certo o eu é uma ordem social é uma uma forma da sociedade de se reproduzir Materialmente certo ela reproduzir materialmente a partir da multiplicidade dos corpos reproduzir lateralmente partir da multiplicidade das experiências mas que elas se conformam em larga medida a uma
mesma um mesmo padrão ao mesmo padrão de experiência o mesmo padrão de Conduta ao mesmo padrão de avaliação o mesmo padrão de valoração ou seja esse é o dispositivo central de reprodução material da sociedade Então esse é o Dispositivo central da coletividade o a noção de indivíduo é o dispositivo central da coletiv idade a noção de eu é o dispositivo central de uma coletividade que não tem coragem de dizer seu próprio nomea ela se esconde ela se esconde no interior dessa ideia de que de uma maneira ou de outra afinal de contas nós estamos diante
de uma pluralidade redutível de perspectivas e de perspectivas que vão ter suas modalidades de escolha vão ter suas Perspectivas de escolha mas veja todas essas m vamos só pegar um exemplo todas essas multiplicidades de perspectivas Elas têm que submeter ao mesmo princípio de livre arbítrio para que elas possam ser reconhecidas enquanto Tais não há nenhuma multiplicidade no interior da multiplicidade dos eus da multiplicidade dos indivíduos que possa ter algum tipo de circulação social se ela não for capaz de exercitar o livre arbítrio Então todas elas precisam el estar do livre arbitro da mesma forma ou
seja elas T que elas desculpa todas elas precisam ter uma liberdade que se declina da mesma maneira e essa liberdade que se declina da mesma maneira é todas elas decl nossa liberdade sob a forma do livre arbítrio e agora a gente percebeu Quais são os pressupostos do livre arbítrio o que é necessário para o livre arbitro existir livre arbitro precisa de Um machado precisa de uma machadada ele precisa pegar o corpo humano e cortar assim pá tá cria uma dá uma machadada no sentido de que eu divido eu separo eu estabeleço uma clivagem uma divisão
fundamental entre aquilo que é dona da libido de um lado aquilo que é dona da vontade do outro aquilo que é da hem da natureza de um lado aquilo que é da hem da Liberdade do outro aquilo que é da hem da possibilidade de eu estabelecer o cálculo a Legislação do saber legislar sobre mim mesmo e aquilo que me afeta que me é afetado que me faz responder às afecções que me faz ser um um um móbile das afeições então vocês percebam isso significa em larga medida quer dizer para que eu possa ter essa multiplicidade
é sempre importante essa questão o que deve ser homogêneo para que essa multiplicidade apareça o que que deve ser homogeneamente Presente no interior da vida social e é essa um pouco a questão que eu tava tentando levantar para vocês que Você levantou muito bem seja que afinal de contas de uma certa maneira você perceb este esta noção de eu que nos é tão cara de onde qual qual é a sua produção social de que experiência social ela efetivamente faz parte a gente voltou até 300 depois de Cristo 300 e poucos depois de Cristo para encontrar
de uma certa forma as Bases teológico políticas dessa experiência que vocês percebem exige um tipo de pensamento de longa duração seja um tipo pensamento que que compreenda a continuidade mesmo dentro da descontinuidade como existem elementos como nosso tempo é um tempo estriado é um tempo que tem muitas estrias tempo tem muitas camadas ele tem camadas descontínuas el você rompe Cert certas experiências sociais só que por trás dessa descontinuidade também tem fluxos Contínuos e nós temos uma dificuldade de de lidar com esses fluxos contínuos e um desses fluxos contínuos é esta longa longa experiência teológico-políticas que
nos que que nos acompanha porque ela é a experiência da hegemonia e essa hegemonia enorme essa hegemonia fundamental certo do cristianismo certo no interior das nossas nossas formas de vida mesmo quando a ela eh essas formas de vida parecem assim secularizadas parecem desencantadas Né Ok então vamos mais uma pergunta né Kevin Gabriel aok kobayash O que é Afinal uma crise O que diferencia A análise lacaniana de uma confissão o que separa a responsabilização ética da culp de se por si da culpabilização suere egóica então Kevin as questões muito boas eu diria o seguinte primeiro que
ainal uma crise né uma crise é uma situação na qual um sistema de normas que então conseguia organizar Nossas ações nossas condutas não conseguem mais Organizar você tem horizontes de valoração você tem horizontes de de de Conduta que não conseguem mais se realizar Tais quais então é claro dentro dessa essa crise ela exige Então ela é um momento no qual não é possível mais governar é basicamente isso a crise é uma situação na qual não é possível mais governar Então ela Exige uma mudança da nossa ideia do de governo da nossa estratégia de governo certo
uma ideia da nossa Ordem que permite tantas coisas alguma forma de governo isso vale tanto por uma crise econômica vale por uma crise V por uma por uma crise política uma crise social CTO e outras formas de crises que nós conhecemos né então é claro a crise crítica porque para nós a crise é uma coisa tão importante porque só tem crítica Porque existe crise Então se só tem crítica Porque existe crise só tem filosofia Porque existe crise se não tivesse crise não tinha filosofia Não nunca teria existido algo parecido à filosofia eu insistiria eu sou
daqueles que a filosofia não é um presente que o milagre grego deu pro mundo né embora é claro o termo que nós conhecemos seja seja grego bem essa experiência a experiência de uma de uma disposição crítica em relação àquilo que nós tomamos por válido e por Incondicional né seja uma disposição crítica em relação aos nossos valores disposição crítica em relação nossas formas de Conhecer as nossas formas de desejar as nossas formas de reproduzir materialmente a sociedade as nossas formas de utilizar a linguagem essa disposição crítica ela é um elemento interno a toda e qualquer forma
de vida n não é possível pensar uma forma de vida que não é capaz de colocar em questão si mesma certo de pensar afinal de contas que as suas estruturas de valores elas podem efetivamente não estarem a não realizarem aquilo que elas Prometem né ou seja ou que elas elas elas podem ter um um grau de coersão elas podem ter um grau de violência que nos nos faz perguntar se afinal de contas nós não poderíamos ter valores de outra natureza pensar de outra forma imaginar que só os gregos foram aqueles que de uma certa maneira
colocaram de forma sistemática a possibilidade de pensar de outra maneira certo é algo da ordem algo da Ordem do Delírio né não tem não tem não tem base histórica Alguma é só uma forma de você estabelecer um certo tipo digamos de de de prevalência como se fosse assim a experiência da liberdade é é é uma é é é um presente é um presente que o ocidente deu pro resto do mundo não então é claro que isso não é o caso eu insisto nisso por essa experiência de essa experiência crítica é um elemento fundamental daquilo que
nós entendemos pelo exercício eh do do pensamento atento do pensamento sobre si mesmo esse exercício Do atento do pensamento sobre si mesmo que normalmente chamamos de filosofia certo essa experiência crítica ela é Ela é a sensibilidade em relação às crises ela é Ela é o ela é fruto da capacidade de escuta do sofrimento produzido pelas crises então não tem crítica Sem sofrimento já começa por aí né e que que não significa dizer que a crítica nos faz sofrer significa que ela é baseada na capaci de escutar o sofrimento e esse Sofrimento que é produzida exatamente
pelo fato de que com a crise vem a instabilidade vem a precariedade dos meus modos de julgamento de ação vem então todo um exercício de um processo de tensionamento da vida social com todos os seus conflitos e todas as possibilidades que poderiam ter sido realizadas que não foram realizadas então elas são são vistas como possíveis novamente então tem S todas essas transformações internas agora esse é um Parte da tua questão a parte da sua questão era sobre eh era sobre eh a psicanálise né então por até que ponto a psicanálise não seria uma forma de
confissão ordenação laqu seria uma forma de confissão essa é uma questão importante né questão importante quanto a responsabilização ética com diferencia umaação ética uma espécie de de digamos assim de de imperativo super egóico coisas dessa natureza diria o seguinte Foucault quando faz essa essa Colocação dizendo não a psicanálise depende deste modelo da confissão né ele tava pensando entre outras coisas no fato de que você tem um poder Pastoral esse poder Pastoral que é próprio daquele que recebe a confissão nessa escrita do que a gente viu do Agostinho o que acontece bem a confissão ela não
tá sendo feita para para para uma para um outro para um outro humano ela tá sendo feita em direção a e é o solilóquio em relação a Deus né então de uma certa maneira por isso que eu que eu já diso tem tem o a a teologia Luterana ela recupera isso ela recupera algo dess dessa ideia de que não é possível um sol ló imediato né quer dizer quando quando você tem essa ideia protestante clássica de que não é não são as obras que salvam é a fé que salva então a fé a fé ela
pressupõe um teatro interno é eu com Deus eu diretamente com Deus né Então essa é a lógica fundamental da confissão só que é Claro dentro do processo institucionalizado que você tem você tem a confissão para um outro que que aparece como poder Pastoral representando poder divino esse poder Pastoral ele me permite entre outras coisas que eu unifique a minha história partir de uma narrativa uma narrativa na Qual a figura da culpa né é um elemento Central A narrativa teror da qual figura da falta é o elemento Central né da do desejo de Transcendência é o
elemento Central A ideia do Foucault é projetar esturo dentro do processo psicanalítico só que aí vem uma questão muito interessante poderia desenvolver isso durante muito tempo qual a diferencia entre a confissão e a transferência né que esse é o eixo do debate se se a gente quiser entender afinal de contas a especificidade de um dispositivo Clínico como a psicanálise né Por que que a psicanálise não porque Que o psicanalista não é um um um um um pastor ou ou um padre que tá num confessionário Por que que um set analítico porque que um Divan não
é um confessionário Ah isso essa é boa questão por que que o Divan não é um confessionário Qual a diferença entre o Divan e um confessionário né Por que afinal de contas a transferência funciona de outra forma que uma confissão Onde tá a diferença a diferença tá no no destino da ideia de Hierarquia entre entre tantas coisas mas talve uma maneira mais simples de de demonstrar a diferença Ou seja a ideia fundamental da psicanálise nesse sentido é que é claro o o analista ele ocupa uma posição de poder por exemplo lacam vai descrever a posição
do analista com posição de um sujeito suposto saber sujeito suposto saber é também sujeito suposto poder porque saber é poder né não há nenhum não há um sem o Outro eles são são intercambiáveis no interior desse debate né então Ou seja você você você pressupõe vou processo analítico funcionar você pressupõe que o outro sabe alguma coisa sobre o seu desejo ou seja ess esse é o seu poder e esse outro não é necessariamente o analista enquanto enquanto analista mesmo eu né esse outro ele é o pode ser o discurso analítico que de uma certa maneira
ele pode ser melhor bem ou mal digamos atualizado pelo analista aqui em Questão tanto que eu posso Em certas situações analist não tá funcionando eu vou para outro né Mas eu continuo no processo transferencial do discurso e esse é o elemento Central né ou seja essa ideia de que há há um discurso que sabe alguma coisa sobre o meu desejo sobre o objeto do meu desejo né então aqu ele pode dar um nome ao objeto meu desejo até aí não tem nenhuma diferença em relação ao processo de profição e eu vou de uma Certa maneira
estabelecer uma anamnesia eu vou contar a história do meu desejo CTO dos meus descaminhos para que algo se realize nesse sentido porque eu possa então encontrar certo aquilo que que pode apaziguar a minha procura aí vem uma questão vem a a a diferença a diferença que dentro do processo de confissão bem esse sujeito disposto saber ele é referendado no seu lugar ele é atualizado né ele não cai ele não é colocado em questão ao Contrário ele tem ele ele ele precisa ter ele precisa est no ele ele ele funciona com o princípio de sabedoria uma
sabedoria sobre como lidar com a vida né sabedoria significa o quê a gente conhece escritas de Sabedoria as meditações do Marco Aurélio por exemplo filósofo estoico que por acaso era o Imperador imperador romano né então qual que por que que é um exercício de Sabedoria porque situações exemplares de alguém que teve então uma vivência Fundamental e que pode então fornecer a você uma resposta sobre o que fazer como agir em que circunstância sabe te dá uma orientação de espírito cer só que é uma conduta de orientação de espírito bem isso é tudo que um processo
psicoanalítico não faz quando ele funciona tudo que ele se recusa a fazer quando ele funciona o que ele vai fazer é ao contrário a figura da suposição de saber ela precisa cair ela precisa Cair Em que sentido no Sentido de que aquela aquela projeção própria transferência certo que ela foi o elemento da transferência essa pressuposição de saber ah uma projeção essa Projeção de quem espera não mas o outro tem alguma coisa sobre tem algum saber sobre objeto meu desejo ela cai porque o que funciona na transferência não é interpretação do analista O que funciona na
transferência é a capacidade quea tem de parar de impedir que o os objetos que terminam que causam o desejo Do sujeito possam circular e possam agir Então quem age no processo tral não é não são os sujeitos quem age são os objetos isso é completamente diferente qualquer coisa que uma confissão se capaz de produzir e mais esses objetos eles eles eles destitui os sujeitos então por isso o processo ele é um processo não de não de confirmação não um processo de transcendência um processo de acese como o processo da confinação um processo de destituição Subjetiva
nesse processo de destituição subjetiva não é não encontro ao final o fortalecimento da minha vontade eu não encontro ao final o fortalecimento da minha autonomia no sentido da minha capacidade então de me autole legislar né eu a partir da proximidade da Semelhança do que seria então esta esta figura Pastoral do Poder Pastoral eu encontro outra coisa eu encontro uma abertura abertura Não exatamente uma abertura aquilo que que Dentro do meu desejo não aparece como objeto de controle certo dentro do meu desejo ele aparece exatamente como essas disposições da libid percee quase o mundo inverso nesse
caso Então você tem um tipo de eh por isso que que lá vai descrever esse processo como o o analisando passa por uma destituição subjetiva destituição subjetiva por quê Porque não é ele que age ele ele entende o que significa os objetos que causam o seu desejo agir no seu lugar e segundo u Que o analis o analista elee ele ele passa por um processo que chama de descer e em português funcionou bem porque você tem um descer do descer mesmo né mas no caso era descer de um desra de um deixar de ser né
então vejam mais uma vez o acho acho que talvez fique claro o dispositivo não é o mesmo por quê Porque hierarquia do Poder do do analista é colocada em questão Esta é a questão certo porque nós sabemos muito bem que a hierarquia nos faz sofrer Porque ela estabelece um sistema de regras ela estabelece um sistema de possibilidades de de de e de conformações necessárias todo processo analítico é de uma certa maneira uma certa forma de quebrar essas relações de gerarquia de tentar quebrar ess a partir da sua atualização eu atualizo elas na transferência eu atualizo
exatamente para desativá-las eu só eu só posso não posso matar nada em Absencia eu preciso que ela se apresente e ao se apresentar ela eu posso estabelecer um outro tipo de dinâmica com o que o que é então projetado né Ok então vamos lá IX ficou 55 acho que dá tempo para mais uma questão tem várias outras Então vamos vou pegar do Marcos José Leal Júnior na medida em que nas confissões Agostinho propõe uma narrativa das crises singulares do eu expressando a intenção de reintegrar sua vontade à verdade que É Deus e que este apenas
se encontra no abismo do homem interior seria possível entender que em Agostino eu é relacional Pois parece que o conhecimento de si mesmo Enquanto eu o que ele pretende com As Confissões depende dessa relação com Deus fazendo com que o eu ainda não seja essa identidade de si para consigo mesmo como ficou marcado a modernidade sim não a colocação foi muito boa Marcos Você tem toda a razão é isso mesmo você tem uma experiência relacional mesmo eh que É a base que o eu como entidade relacional E aí se tivesse mais tempo eu juro que
eu fazer isso mas assim a gente poderia a gente poderia fazer toda a história de como essa ideia de que o eu não é entidade solipsista é uma entidade relacional ela persegue eh aquilo que gente chamada filosofia ocidental né Por exemplo V ho gente poderia Lembrar para você a gente vai ver isso depois o causa das meditações é muito parecido é é eu e Deus Deus só que Deus apare tá o Deus Cartesiano é muito mais interessante desculpa eh quem qu gosta do Augostinho mas sim ele é muito mais interessante porque esse Deus ele tem
tem várias figuras ele aparece como gênio maligno ele aparece como Deus enganador depois ele vai ter que aparecer como fundamento para poder permitir que a min eu saia da minha ciência a ciência no sentido objetivo certo então mas ele tá lá então você tem uma esse essa ideia do solipsismo da consciência moderna ela é Uma ideia ela é uma ideia mal construída a consciência nunca foi solipsista no sentido estrito do termo é claro que é é é essa essa articulação entre eu e Deus não é uma intersubjetividade no sentido forte do termo não são dois
sujeitos Deus tá em outro lugar né assim há há uma de simetria brutal nesse caso e mesmo no caso do do do descart o o eu não é uma perspectiva Deus não é uma perspectiva de asese como é no Agostinho né por isso que alguém como o Pascal vai Dizer ah se Deus do decart não funciona Deus do decart é o Deus dos filósofos ele ele é ele ele é só uma hipó ele só ele é só um um instrumento só uma alavanca para eu conseguir sair das minhas certezas em direção ao objetividade das das
certezas do mundo depois ele some né ou seja não tem essa transformação que é que é típica dessa escrita da confissão confissão é uma escrita da transformação de si né ah e essa é um dado interessante a primeira Vez que a gente fala sobre eu usa eu com pronome da primeira pessoa do singular da maneira como nós escrevemos é para falar de uma transformação ação é para falar de uma instabilidade para falar de uma relação instável consigo mesmo são todos elementos muito interessantes né seja para falar aqui o que o que é o eu é
a história desta instabilidade porque ele é relacional de fato que ele esse esse relacional não significa que ele é relacional no sentido que a gente Entende atualmente né no sentido sei lá Jorge mid Herbert mid e todo esse tipo de coisa de que não o eu a entidade é uma construção social no sentido que você tem estruturas de relações sociais eh de interação social estão a todo momento sendo eh colocadas em em atualização nas minhas na minha capacidade que eu tenho de de de de me auto inspeccionar de relacionar a mim mesmo certo então Ou
seja eu tô bem envolto envolto no interior da ordem Social como uma espécie como como como um peixe que tá envolto no mar né então o mar é o ambiente é um ambiente bom pro peixe né então ou seja então a asações é um ambiente bom pro eu porque porque ele lhe confirma lhe conforma eh lhe lhe acolhe V todos os aspectos não aqui a gente tem outra coisa tem uma eh na verdade a verticalidade da relação ela é um empuxo do eu para fora de si Então a primeira vez que a gente vai escrever
eu a gente vai querer a gente vai querer Descrever esse empuxo esse empuxo de quem se se tira de dentro do Horizonte que se percebe como havia dito uma espécie de Abismo de queda como você vai caindo né dizer que você vai cair caindo entre outras coisas porque bem Lembra sempre bom lembrar Qual é o contexto histórico do do Agostinho é um contexto histórico declino do Império Romano né ou seja de de incertezas inseguranças sociais as mais profundas certo de um de de de Embates teológicos virulentos né Ele mesmo vai vai descrever como ele nem
como ele ele acredita no maniqueísmo até seus 29 anos e a mãe dele que era que era uma católica chora chora compulsivamente esperando que afinal de contas ele volte a sua fé a ele encontre a a a luz da da natural da Fé da do divino então é bem ele vai para Roma tal até que no dado momento ele fala sobre sua conversão ele fala sobre seu desencanto né com a descoberta de do Desencanto e sua conversão então vejam eh o que que nós temos nesse caso nós temos efetivamente uma uma forma social em crise
e o o eu aparece aí isso é um dado interessante certo ele aparece como não como como quem ah como como algumas leituras que fazem do não o império romano tá em crise Então o que eu faço eu volto para mim mesmo eu começo a cultivar a mim mesmo dentro de mim né muitas vezes aparece Parece isso por que que alguém como como mon fala sobre fala Sobre ensino os ensaios porque o mundo entra em crise eu falo sobre mim né não tem ess é totalmente errado a ideia totalmente errada não quando o que que
significa falar sobre mim significa bem eu vou levar a crise até o ponto mais mais profundo parece uma espécie de de de de defesa mas não é o é o mais forte todos os ataques né eu vou levar a crise até até dentro de mim então por isso essa escrita de si não é uma escrita do apaziguamento não ela você é escrita da Transformação o pagamento vem ao final vem vem na possibilidade de uma reconciliação onde a ordem vai ser reestabelecida onde onde a o horizonte político cor A Hierarquia vai ser afirmada certo então aí
a reconciliação quando quando a culpa fizer seu trabalho quando a culpa fizer se fo internalizada para que eu possa entender entender afinal de contas O que que significa meu vínculo ao pecado original como eu deixei afinal de contas alibido entrar Na frente Deixa o Corpo entrar na frente É necessário uma reconstituição de de quem conduz o quê dentro da minha experiência mas isso significa o quê eu internal a crise quer dizer a crise eu dou uma outra resposta Ou seja a crise leva levo eu levo o que eu entendia por mim mesmo junto ou seja
essa crise também ela faz com que aquilo que eu que eu acreditava ser Me leva junto e eu e eu construo alguma outra coisa que a partir de agora Vai ser chamada de eu todas as escritas vocês vão ver tem algum elemento nesse sentido então mais uma vez não é to quando pegando a pergunta do colega quando Foucault por exemplo insiste ah essas confissões continuam até hoje elas não continuam até hoje não é só na na igreja né não é só l no confessionário ela continua até hoje dentro dos dispositivos clínicos que organizam então eh
todas as experiências de Sofrimento da nossa sociedade procura Afal de contas dar uma terapia pro sofrimento no interior da nossa sociedade bem o que ele quando ele fala isso tem pelo menos um elemento muito interessante muito interessante Por que que eles permanecem até hoje né eles permanecem até hoje porque é essa escrita ela n de uma exigência fundamental de integrar uma crise e superá-la então ela fornece o modelo e depois mesmo em situações essa Crise tão estabelecida as crises psíquicas as crises subjetivas elas podem também de uma certa maneira procurar essas formas de escrita Então
o que aí a gente vai ver já nosso próximo encontro da quinta-feira como como isso Esse é um dos modelos que a modernidade ocidental vai produzir vai vão ter outros a gente vai ver nossa nosso próximo encontro como esse modelo dos ensaios ele vai ele vai emergir e ele vai se impor era isso Então então muito obrigado aí pela presença de todos vocês nesse nosso primeiro encontro então espero vocês eh na nossa próxima quinta 7 horas até lá