Quatro adolescentes investigados por maus tratos a animais. Dois deles viajaram para Disney, nos Estados Unidos, logo após a repercussão do caso. Um porteiro ameaçado para não falar com as autoridades e um cão comunitário que viveu quase 10 anos sendo cuidado por uma comunidade inteira até ser encontrado gravemente ferido.
Esta é a história do cachorro orelha. O cão orelha, também conhecido como preto, era uma figura conhecida na praia brava em Florianópolis. Durante quase uma década, ele foi cuidado por moradores, pescadores e comerciantes da região, um verdadeiro cão comunitário.
Mas em 16 de janeiro tudo mudou. Orelha foi encontrado com ferimentos graves provocados por agressões apauladas. As lesões eram tão severas que o animal não resistiu e precisou ser sacrificado.
A morte do cão gerou comoção imediata entre os moradores e repercussão massiva nas redes sociais. A Polícia Civil de Santa Catarina iniciou as investigações e identificou quatro adolescentes como suspeitos das agressões. Segundo a investigação, há indícios de autoria do crime de maus tratos a animais.
Nesta segunda-feira, 26 de janeiro, a polícia cumpriu mandados de busca e apreensão nas casas dos adolescentes suspeitos. Durante a operação, foram recolhidos celulares, notebooks e outros aparelhos eletrônicos que passarão por perícia. Mas um detalhe chamou atenção.
Segundo informações do repórter Felipe Kusch da NDTV, dois dos suspeitos viajaram para Disney em Orlando, nos Estados Unidos, após a repercussão sobre a morte do cão orelha. A informação foi confirmada pelo delegado geral da Polícia Civil de Santa Catarina, Ulisses Gabriel. Ele afirmou que ambos os jovens ainda não retornaram ao Brasil, mas que a viagem já estava programada antes da agressão.
Os adolescentes devem voltar a Florianópolis na próxima semana. Até o momento, nenhum dos quatro adolescentes suspeitos foi apreendido. Além deles, três adultos são investigados por coação.
E aqui o caso ganha mais uma camada. A investigação também apura possíveis ameaças a um porteiro que trabalhava no prédio de um dos investigados. Ele teria sido hostilizado pelo pai de um dos adolescentes e coagido a não falar sobre agressão às autoridades.
Chegou a circular a informação de que o pai de um dos jovens seria um policial civil, mas essa hipótese foi descartada pelas autoridades e a história não para por aí. O grupo de adolescentes também é investigado por agressões contra outro cachorro chamado Caramelo. O animal teria sofrido uma tentativa de afogamento.
Caramelo sobreviveu e acabou sendo adotado pelo próprio delegado geral da Polícia Civil, Ulisses Gabriel. Um gesto simbólico em meio a um caso que mobilizou toda a comunidade. O Ministério Público de Santa Catarina informou que os adolescentes deverão prestar depoimento nos próximos dias.
Após essa etapa e análise das provas reunidas, incluindo material apreendido nos aparelhos eletrônicos, o MP definirá quais medidas socioeducativas poderão ser aplicadas aos investigados, caso sejam considerados culpados. O caso provocou forte repercussão pública. O governador Jorginho Melo declarou que cobrou providências imediatas e o delegado geral Ulisses Gabriel afirmou que os responsáveis serão levados à justiça.