Então, boa tarde a todos aqui presente e boa tarde a quem está acompanhando pelo YouTube também. E damos início agora à mesa sobre culturas indígenas e mudanças climáticas com Aloísio Caba do Instituto Sociobintal ISA, trazendo reflexões sobre os impactos climáticos e o papel dos povos indígenas na proteção dos territórios e do futuro do planeta. Seja muito bem-vindo.
>> Eh, boa tarde a todos. >> Boa tarde >> todas. Prazer estar aqui nesse evento Labip e UFRJ.
eh agradecer o convite e o tema que a gente vai tratar aqui nessa sessão é sobre eh os povos indígenas e as mudanças climáticas, mais especificamente sobre eh caso aí do do Alto Rio Negro. Eh, para quem não me conhece, eh, eu sou Aloísio Cabalzá. Sou antropólogo, trabalho aí na região do Rio Negro, infelizmente não tô presente aí agora, né?
Tô em São Paulo, eh tô indo depois do carnaval, mas eh trabalho aí nessa região há 35 anos e eh no Instituto Socioambiental. Depois a gente pode falar um pouco mais do ISA também. Eh, acho que a maioria conhece.
E então a gente vai começar. Tá tudo bem? Estão me ouvindo?
Posso seguir? Sim, pode. >> Eh, eu tenho uma uma apresentação, eh, a gente poderia projetar >> e eu acho que tem imagens que acho que são importantes assim, falam por si mesmo, né?
Então, acho que é interessante fazer uma apresentação visual também. né? >> Tá entrando, Alío.
Eu tô colocando na tela aqui. Já já vai entrar. Tá bem.
>> Beleza. Tá bom. Eh, então eu vou dividir essa apresentação em três partes.
Eh, a primeira falar um pouco eh um contexto assim muito breve, né? que é um assunto muito extenso e complexo, mas rapidamente sobre as mudanças climáticas. Eh, algum algumas informações básicas, né?
E em seguida vou falar um pouco do de um trabalho que é feito aí no Rio Negro, né? eh, principalmente parte da rede dos agentes indígenas de manejo ambiental em colaboração com a Fuirne e com o ISA. Eh, então, eh, começando assim rapidamente sobre as mudanças climáticas, que se fala tanto hoje em dia, né, atingem diferentes escalas geográficas, global, regional, local.
Essas dimensões interagem na na crise climática. as mudanças climáticas acontecem hoje, que acontecem hoje são resultado das atividades humanas, né? Não são eh mudanças climáticas naturais, né?
Eh, como já aconteceu no passado aí do planeta, né? Eh, essas eh mudanças climáticas também são chamadas antropogênicas, elas são resultado das atividades humanas. Isso é importante destacar, né?
Tanto que atualmente existe essa proposta, inclusive de chamar eh o nosso tempo de antropoceno, né? Porque as forças eh enfim eh que o homem, o ser humano mobiliza, né? Tem impactos inclusive geológicos, né, no planeta.
Então, eh, essas atividades sobretudo nos dos países mais industrializados, né, que produzem muita energia através da queima de combustíveis fósseis, né, petróleo e carvão principalmente, também contribui muito a destruição das florestas, eh, desmatamento, queimadas, né, e a agropecuária em larga escala. Então, a a queima de combustíveis, eh, e a mudança de uso do da terra, né? A destruição das florestas, principalmente, produz gás carbônico, né?
Eh, e isso, esse gás, entre outros, né? Ele está eh aumentando sua concentração na atmosfera, né? E e provocando o que a gente chama de efeito estufa.
né? Então, a atmosfera, né, que, enfim, tem ao redor do nosso planeta, é é constituída por gases, né? E alguns gases, por exemplo, gás carbônico, gás carbônico, metano, outros gases, eles eh têm a propriedade de reter calor, né?
E então o calor que o planeta recebe através da irradiação solar, né, a luz, o sol, ele, boa parte desse calor, a maior parte ele é dispersa no espaço, né, e uma parte fica, né, eh, no nosso planeta e é retido pela atmosfera. Isso que propicia a vida, né, no no na Terra. Eh, só que a o aumento da concentração desses gases de efeito estufa com as emissões, né, de de morre emissão com a queima dos combustíveis, ele ele reta, retendo mais calor e eh gerando, né, esse aquecimento.
Então, outro gás de efeito estufo importante é o metano, que é produzido pela digestão de animais de criação, né, como o gado, bovino, suíno, né? Eh, isso também, esse gás metano, ele ele tem um uma propriedade de de acumular mais calor ainda do que o próprio gás carbônico. Eh, é considerável, né, a importância, porque os rebanhos são muito grandes, né?
No Brasil, por exemplo, existe mais cabeças de gado, bovino do que gente, né? Então, todos esses animais comendo e gerando gases, né? Eh, também tem um impacto climático, né?
Eh, bom, essas mudanças climáticas elas eh tem como principal indicador justamente esse, né, o aumento da temperatura média global, né, tanto temperatura atmosférica do ar, como também a temperatura da da água, das águas, né, dos oceanos. E então, eh, isso nem não é sempre que se soube dessa relação, né, entre queima de combustíveis e aumento da temperatura, né? Eh, isso foi em algum momento foi também descoberto pelos cientistas.
E então, eh, esse gráfico que tá aí na tela, ele mostra, né, desde 1880 até 2024, eh, o como tem aumentado a temperatura, né, em relação ao período pré-industrial, né, antes do do ser humano tá gerando todo esse impacto, né? Então se a gente vê por esse gráfico que esse aumento já é de 1,25. E nos dados mais recentes ainda, de 23, 24, já atingiu 1,5.
Só que para estabelecer essa essa essa essa temperatura, né, quanto que realmente já subiu, existe eh um cálculo que é de 10 anos. Então, não pode se dizer ainda que já subiu 1, grau e meio, mas eh provavelmente já subiu, né? Eh, então 2024, por exemplo, né, que foi o último ano do Elninho, a temperatura já foi 1,5 acima desses níveis eh daí de pré-industriais.
os acordos entre os países, né, os acordos eh diplomáticos, né, buscam justamente eh conter, né, a elevação da temperatura com o controle dasões de gases de efeito seguro. Eh, passando aí pro próximo, eh, além do da temperatura, né, do do ar e da do das águas, existem outros indicadores, né, de das mudanças climáticas. Bom, esse da das águas do oceano, né, eh geram o aumento da temperatura também significa uma expansão, né, do nível do mar, né?
Então, regiões costeiras são afetadas, né, por essa elevação do nível do mar. alguns países, ilhas, né, inclusive estão desaparecendo. Então, eh, é um problema grave, né, o aumento do nível do mar e o a das da da criosfera que chama, né, que são as águas que são congeladas, né, tanto as geleiras que existem em eh áreas mais altas, né, cordilheiras, como aqui na América do Sul, os anes, né, E também outras regiões, os no Himalaia, na nos Alpes, né, tem grandes geleiras que são gelos permanentes, mas que com a mudança climática, o aumento da temperatura também estão derretendo, né?
Isso é também outro impacto grande na medida em que eh secam, né, cursos d'água que são alimentados por essas geleiras e e enfim, né, um impacto grande aí em algumas regiões. e também as calotas polares, né, que são os gelos, o gelo marinho, né, que também é grande quantidade que existe tanto no Ártico, né, agora tem se falado bastante da Groenlândia, mas também a Antártica, né, que é no sul do Antártica, que é no sul do planeta. Então também tá pouco a pouco se derretendo esse gelo.
Isso gera impactos, né, gente, que a gente tem visto diariamente, né, no na mídia, no na na televisão, nos jornais, né, eh, é um tema eh enfim, né, e total assim, né, do o tema, o grande tema do nosso tempo, né? Ah, vou citar algumas aqui, né? São inúmeras.
Eh, podemos falar, né, maior frequência de eventos climáticos extremos, tanto secas quanto eh enchentes. No caso da Amazônia, né, a gente assistiu agora 2023, 24, grande de Rio mais Co, né? Isso desde o começo dos registros em 1950 que acontecia depois de 30, 40, 50 anos.
Atualmente vocês veem, aconteceu dois anos seguidos, né? E isso outros anos também jáente estressa, né? né?
Eh, enfim, né? toda a paisagem. Tô ouvindo porque você tá travado aqui.
>> Oi, a rede dele tá ruim. É bom. Nós vamos ter o nosso convidado da foíne aqui, né?
>> Edson. Edon tá tá preparado aqui, né? Não sei se a gente se tiver muito ruim a a conexão dele, a gente passa pro Edson falar um pouco, né?
Interagir com ele falar do trabalho da foine nesse campo socioambiental, né, Edson? E aí a gente continua depois a caiu ele. É, mas caiu a ele ou a rede toda?
>> Caiu a nossa rede? >> Ele caiu. Tá.
Então é bom, gente, né? Eh, >> eu voltei. >> Opa.
voltou. Oi, Aluío, que beleza, hein? >> Então, você pode continuar.
A Luío, deixa eu te pedir uma coisa. A gente acabou atrasando muito, então eu vou pedir só para você tentar ser um pouquinho mais sintético. A gente é uma hora agora estamos quase na no atraso, né?
E a gente e a gente vai convidar, né, o Edson aqui daí para pr >> Estamos te ouvindo. Estávamos te ouvindo perfeitamente até você cair. Mas então você pode continuar, né?
E aí a gente vai convidar. Vou mais rápido, >> tá bem? A gente vai convidar o Edson aqui da Foí para dar uma dialogada contigo, né?
Acho que você conhece ele também, né? Trabalha aqui aqui da Foir, né? Claro, >> para fazer um diálogo e pra gente abrir para as perguntas, né?
Mas enfim, então é isso. Pode retomar a palavra. Obrigada.
>> Então eu vou eu vou um pouco mais rápido nos slides e a gente >> Maravilha. essas consequências que a gente tem assistido, né? mudança no ciclo hidrológico.
algumas regiões eh tão secando, né, essa essa vanização da floresta em outros casos desertificação, né, de ambientes que eram mais úmidos, impacto na agricultura, nas atividades de produção de alimentos, gerando insegurança alimentar, incêndios florestais, que a gente viu muito, né, agora também recentemente, aumento de doenças, né, associadas a essas alterações climáticas, ambientais. redução e extinção de espécies, né? Eh, podemos passar então os acor, bom, toda eh essa informação climática, informação científica, ela eh é sistematizada por esse PCC, né, que é um painel intergovernamental de mudanças climáticas.
Não vou entrar no no mérito aqui, né? E esse esse esse PCC ele subsidia as discussões que são entre os países, né, e que buscam acordos justamente para reduzir a o aumento da temperatura do planeta, né? E outro foco de de ação, eh, são é a adaptação, né, aos efeitos das mudanças climáticas, né?
Eh, então essas negociações elas estão concentradas na Convenção Quadro das Nações Unidas sobre mudança climática, né, que eh enfim envolve praticamente todos os países. Atualmente os Estados Unidos saiu, né, acho que isso foi bastante noticiado, né, com o atual governo. E e a e essa convenção anualmente eh se reúne, né, representante de todos os países nas COPs, né, a última COP aconteceu agora em novembro passado em Belém, todo mundo acompanhou e além da das representações oficiais dos países também a sociedade civil, né, se mobiliza muito para participar.
Eh, voltando um pouco para trás, a COP 21 estabeleceu esse acordo de Paris, né, que cada país eh eh voluntariamente propõe metas, né, de redução das emissões, né, e visando um aquecimento máximo de 1,5, né, e isso, como a gente tem visto, né, eh, não vai ser alcançado porque essa temperatura praticamente já foi atingida. As as COPS geram grande mobilização, né? E a de Belém foi muito especial que teve uma participação muito grande, né, da da das populações indígenas da Amazônias.
Foi eh o grande destaque aí da eh dessa COP. Não vou entrar em detalhes também. Eh, a o próximo slide a gente vê como esses acordos eles estão tendo um efeito bastante eh discutível, né?
assim, porque eh a concentração que é esse gráfico aí, a concentração de desses gases, ela continua subindo, aumentando e muito assim, né? Essa pequena retração que teve aqui não foi devido aos acordos, mas foi por causa da pandemia, né? Então, enfim, né?
Que prejudicou transporte, transporte aéreo, tudo foi muito prejudicado, né? foi eh, enfim, paralisado. Então, houve uma pequena retração, mas já retoma, né?
países emergentes, que eles chamam economias emergentes, que estão se desenvolvendo muito rapidamente, eles, né, eh, tem um as emissões, né, como China, Índia, mais do que os as economias mais antigas, né, países mais desenvolvidos. Bom, vamos passar. Bom, mudança climática e povos e comunidades indígenas.
Esse é o cenário global baseado nas pesquisas de cientistas reunidos no IPCC e outros coletivos internacionais que alimentam as discussões entre governos e nas cópias. Os conhecimentos locais e indígenas são pouco considerados, embora vem aumentando o interesse sobre o que chamam de impactos locais das mudanças climáticas e maneiras de adaptação aos seus aos seus a seus efeitos. esse interesse nas mudanças climáticas que está presente nos editais prioridades de quem financia projetos, né?
Hoje a gente vê praticamente todos os editais, esse é um tema chave, né? Assim, a gente tem que falar essa linguagem também. Os povos indígenas, muito muitos casos, como no Rio Negro, tiram suas subsistências, principalmente seus territórios, né?
da floresta, dos rios, da agricultura, agrofloresta, manejando seus ambientes no dia a dia, conhecem por dentro os ciclos de vida, os sinais de animais e plantas, os pulsos do rio, os rios, né, a passagem das constelações astronômicas, né, animais, plantas, rios, rios voadores, né, as nuvens, os ventos, eh, são os mais sensíveis às mudanças ambientais e climáticas. E quem vive ali, né, e tira as suas sustento desses ambientes, dessas paisagens, tá muito eh sensível, né, a a isso também. Podemos passar.
Bom, eu vou entrar agora na segunda parte aqui da apresentação, que é sobre eh a pesquisa que é realizada no Médio Al do Rio Negro sobre os ciclos anuais, né, que são conhecimentos ancestrais, né, eh, dos povos que vivem nessa região há muitas gerações, né? Então são esses calendários ecológicos econômicos, eles estruturam conhecimentos detalhados sobre os ciclos biológicos e ecossistêmicos, encadeado às práticas de manejo das comunidades. podemos seguir esse esse trabalho, ele é desenvolvido numa parceria, né, já há 20 anos, eh que envolve, né, as comunidades, organizações de base, FOIRA também, eh, especialistas não indígenas, né, pesquisadores de universidades, institutos de pesquisa e também há um uma um intercâmbio com parceiros do lado do do outro lado da fronteira, com os colombianos.
Eh, vamos lá. Eh, alguns dos objetivos desse trabalho é apoiar a governança ambiental e climática da bacia do Rio Negro a partir das comunidades, estabelecer um sistema de monitoramento ambiental e climático da bacia do Rio Negro a partir dessa rede, né, dos agentes indígenas de manejo ambiental. Vou falar um pouco mais deles daqui a pouco.
Fortalecer os direitos territoriais indígenas. com implementação dos PGTAs, produção de para incidência política na governança ambiental da Amazônia e o futuro desse bioma e fortalecer os conhecimentos indígenas de sua circulação entre as gerações. eh considerando eh que esses esses conhecimentos, né, devem ser também eh continuados, né, junto aos jovens atualmente e e fomentar, né, uma colaboração entre conhecimentos indígenas e não indígenas.
Eh, podemos passar então falar um pouco dos agentes indígenas de manejo ambiental, que são os agentes desse trabalho, né? são agentes comunitários, são pessoas que vivem em suas comunidades encarregados de animar os planos de manejo de recursos naturais e das paisagens. Desenvolve pesquisas, são pesquisadores indígenas, né?
Eh, pesquisas indígenas e interculturais, eh, socioambientais e também atuam como educadores na formação, informação sobre questões ambientais, né? dentre elas, eh, enfim, questão de lixo nas comunidades, boas práticas de manejo e a questão das mudanças climáticas e como agir, né, nesse contexto aqui, rapidamente um mapa, né, de onde estão situados esse esses esses aimes aí dentro dos territórios indígenas, alguns também em regiões que ainda não foram regularizadas, né? Aí próximo slide um pouco a enfim, né, a cara das pessoas e seguindo diferentes regiões, né, os armas atualmente eles estão principalmente no rio Tiqué, no rio tem um grupo também em Barcelos e também tem uma equipe em na região da Coidi, né, de Oretê e do Alto Rio Negro.
Eh, esses eles recebem uma bolsa de pesquisa e mas eh enfim assim, a dinâmica é um pouco eh enfim, depende um pouco do fluxo de recurso, dos projetos, etc. Bom, esse ciclo aí mostra um pouco os diferentes temas que são observados, registrados pelos né? você vê essa essa representação do de um ciclo anual, eh, né, que tem na parte mais externa as constelações e dentro os diferentes aspectos são observados, né, por exemplo, as a as proteções rituais que que é feito, né, de cada tempo do ano, as estações, reprodução de peixes, frutificação, abertura de roça, reprodução de insetos, né, que são comestíveis, eh, anfíbios, os rãs, enfim, eh uma série de de aspectos que tá no próximo slide também, eh, em termos dos textos, né?
Não vamos ler tudo agora, mas são todos esses temas, né, eh, ambientais, socioambientais, né, que são abordados por essas pesquisas dos e eles anotam e eh diariamente, né, esses registros são anotados em diários e então cada tem o seu diário. É, chamando atenção, né, que podemos seguir. Eh, próximo.
Pode ir pra frente. Mas que você passa. Tem esse do É, tem um antes.
Então, os Aimas são pessoas que vivem em comunidades, né? São pescadores, agricultores, enfim, caçadores, coletores, enfim, e e comunitários, né? alguns são professores, lideranças, eh, então eles têm uma vivência, né, eh, real, né, da das condições ali do do ambiente, né, podemos passar esses essa essas informações que são registradas pelos eles elas são eh sistematizadas, né, tem um conjunto de encontros, oficinas, né, de trabalho conjunto e que esses materiais são reunidos, levados para cada um e aí se trabalha, né, na produção.
podemos passar os próximos slides são mais fotos assim, eh, né, de algumas oficinas, né, que eles se encontram, eh, resumem um pouco os textos dos diários, né, eh, escrevem textos, fazem desenhos também, essas representações circulares são bastante eh visuais, né, assim, e permitem uma uma visão, né, eh, eh integrada daquele ano, né? Então, cada ano nas diferentes regiões é feito essa essa representação, essa visualização e também textos, né? Eh, uma parte desse material ele também é publicado, ó.
Podemos aí, né? Resultado de uma oficina lá no Rio Inana. Eh, o próximo pode passar eh esse aí eh um outro tipo de visualização que são linhas do tempo, né, que aí eles fizeram uma eh legenda, né, também aqueles mesmos temas, não sei se da leitura aí.
e mais alguns na nos próximos slides, mais algumas representações desse desse calendário aí do Rio Negro, eh, na região de Barcelos aí, um outro da também da região do Isang. Eh, o que a gente eh aprendeu assim ao longo desse tempo, né, que tem pode passar mais um, mais três, na verdade, né? Isso aí também é um gráfico, né, de é uma linha do tempo, não é o gráfico circular, não.
Uma aí aí pode parar um pouquinho nesse do gráfico, né, ó. eh que tem alguns aspectos que são mais importantes, né, assim, eh o primeiro deles é o ciclo hidrológico, né, eh, né, essas populações geralmente são ribeirinhas, né, dependem muito do rio, não só para pesca e pro banho, paraa água, para, enfim, né, pro transporte, para se deslocar e e o o os rios tambm também determinam, né, migrações de peixes e tudo. Então esse é um um aspecto eh central assim, né, dentro do desses ciclos eh anuais, que é o o ciclo hidrológico, né?
Então, se o rio sobe bem, se não sobe, se tem as as estiais, por exemplo, a a reprodução de várias espécies de peixes, né, como esses que estão aí desenhados, depende do repiquete de do rio em certos tempos, né, certas épocas do ano. E se não acontece, então prejudica a reprodução. Em outras épocas, o rio deve encher bem, né?
Nessa época, justamente não agora, mais para a partir de abril, maio, junho, julho. Então, se o rio não sobe tanto, também prejudica as as migrações de espécies, né, que fazem migrações mais longas. Eh, então o ciclo hidrológico tá muito relacionado ao à reprodução e migração dos peixes, né, e a pesca também, né, porque cada nível de rio tem certos tipos de pesca.
tem o calendário agrícola também, que é outro que que é bastante eh dependente, né, dessas mudanças, né, eh climáticas. Então, a necessidade de que tenha períodos de de seca, né, em em algumas das regiões são muito úmidas, então, mas tem que ter uma seca pelo menos de uma semana, 10 dias mais intensa para que possa ser queimado, né, os pedaços de floresta que são derrubados paraas roças, né? Então, esses são alguns eh aspectos, né, que são, digamos, vulnerabilidades desse ciclo, né?
eh as mudanças climáticas. E aí o último slides é é um pouco a revista Aru até pedir, viu Ivana, para o pessoal do ISA levar esse último número. >> Recebemos aqui, já distribuímos aqui pro pessoal do Mink, dos povos indígenas e se tiver mais a gente vai sortear aqui pro pessoal.
>> Tem mais aqui, né? >> Não, vocês vocês falam aí quantos mais vocês precisam que a gente pode fornecer. >> É, aqui tem pelo menos umas 60 pessoas, né?
60 pessoas pelo menos aqui. >> Quantas [risadas] levaram? >> Tá, vou te passada pelo WhatsApp, tá bem?
>> Ah, bom, a gente >> tá bom. Eh, então esse último número é sobre é assim justamente sobre eh essas pesquisas sobre os ciclos anuais e os impactos que tá tendo na na região do Rio Negro, né? Então ela entra em detalhes sobre isso.
Não tenho como me alongar mais aqui, né? Mas vocês tendo a revista aí vocês vão ter essas informações, né? E também o Isa tá permanentemente em São Gabriel havendo dúvida ou querendo contribuir ou enfim, né?
Eh, enfim, eh, estender mais essa conversa, a gente está disponível. >> Maravilha, Luís. Muito obrigada, né?
Obrigada. Eu vou aproveitar aqui, né, que a gente tá com o Edson, né, Baré, que é um dos diretores aqui da Foíne, né, só para ele vir para cá para fazer um diálogo aqui com a Luía e contar pra gente um pouco como é que o a Foí trabalha com Isa. O Isa fica aqui numa, né, numa instalação lindíssima, maloca ali, lindíssima na Beira Rio.
Então, quem quiser ir lá conhecer, né, quer ficar aqui mais aqui perto na luz, pode ficar em pé também se você preferir, né? A gente vai ter só uns 10 minutinhos aqui para fazer um bate-bola. Se alguém tiver alguma pergunta específica, gente, sobre mudanças climáticas, sobre essas questões, já levanta que vai ser rápido, tá bom?
Obrigada. Eh, >> Poranga Caruca, >> boa tarde a todos e todas. Boa tarde.
>> Eh, eu sou Edson do povo Baré, eh, um dos diretores aqui de nossa federação. e falar sobre a política de mudanças climática eh um assunto bastante importante, né, para nós, né, principalmente para esse momento aqui que nós estamos vivenciando durante esses dias, né, e que nós, a gente bem sabemos que os nossos ancestrais, né, os nossos avós, os nossos tios, as nossas famílias, nossas comunidad já sempre já dominavam, né, acompanhando, né, essas mudanças. né, o convívio e a forma de como era calculado a vida nossa, principalmente para desenvolver os seus trabalhos, né?
Época de fazer roça, época da pescaria, época de revoada de pássaros, tudo isso tinha um significado, né? Mas com com que o seu Aloio retratou um pouco, né? eh o uso eh e também assim, né, o interesse hoje, né, o mundo ela ela sobrevive através de de de empresas, né, e essas empresas elas não querem saber eh de diminuir, né, querem mais eh lucrar, lucrar, né, por exemplo, como é o caso lá das multinacionais de indústria, né, de automóvel, né, as indústrias de petróleo, né, né?
E que isso eh com o passado do tempo, eu acho que lá lá na época de que nós estávamos estudando, já falava muito na geografia, né? Efeito estufa, né? E que hoje nós estamos vivenciando, né?
Eu acho que nós que moramos lá nas bases, né? Eh, época de fazer roça já não é, né? Época de queimada já não já não também é.
E e essa, essa essa mudança tem afetado muito a nossa vida tradicional. os nossos costumes, né, os nossos calendários tradicionais, né, tanto é que em algumas regiões tivemos até episódio de secas intensas e cheias também exageradas, né? Muitas famílias perderam seu roçado, né, em grandes cheias, né?
Isso também a causa atraso, porque é uma é tempo que ele dá para que a maniva cresça, é tempo que tem para que a roça possa queimar de forma eh legal para que ela possa ser plantada, né, para que possa eh os produtos encontrados na roça possam estar germinando da forma que possa trazer bons produtos, boa Boa qualidade de farinha, boa qualidade de beiju, boa qualidade de tapioca, bons frutos, né? Saborosos frutos, a banana com seus cachos grande, o cubil com seu tamanho adequado, girimum, melancia, a cana, o cará, né? Se a roça não está bem eh eh queimada, claro que esses produtos que eu tô citando, elas não vão ser do jeito bem da forma que como era antigamente, já assim tão pouco a a mandioca.
Isso tem mudado bastante na nossa rotina de vida. E é por isso que esse trabalho que hoje se tem a partir da da implementação, né, do PGTA, aonde entra essa parte de de monitoramento ambiental, é muito importante deu de perceber, né, com os trabalhos desenvolvidos pelos nossos parentes aimas, né, a gente conseguiu notar o quanto e tivemos essa grande diferença no decorrer a partir do momento que se que foi defenda essa coleta de informação, levando em conta disso também, né, e como hoje bem falou o Aluí na temática de mudanças climática e essa preocupação que a gente tem em sobreviver de forma saudável através da nossa alimentação e ter o clima adequado pra gente poder também estar eh desenvolvendo as nossas atividades, né? a gente também como pela federação, né, como encaminhamento, né, de uma das assembleias e geral aqui da FOID, de a gente constituir o Centro de Referência de Políticas Climáticas do Rio Negro, né, aonde nós tivemos eh isso foi pensado por nós mesmo, né, lideranças presentes na época, né, e, é claro, com os nossos, eh, pesquisadores também, né, junto mundo com a parceria do ISA, né, da da do próprio IFAN, né, e dos trabalhos que vem desenvolvendo como resultado disso é o livro ARU, né, de a gente ter um centro que possa estar, né, dialogando, né, com as instâncias, de a gente poder também ter aqui uma equipe coordenada por esse centro de referência, né, as temáticas voltada para essa política de mudança.
né? E em cima disso que nós estamos trabalhando, né? Mas que para isso também a gente precisa, como bem falou também a Luis, o recurso.
Nada se faz sem recurso. Nós estamos buscando também, né, parceiros. Claro que hoje a temática de mudanças climáticas sempre é colocada, né?
Então, a gente tá fazendo também com que nosso papel como movimento indígena possa estar, né, pautando em nossas assembleias, né, todo esse essa importante tema que é muito fundamental para continuarmos vivos, porque nós estamos lidando é com vida aparente, né? Já tivemos série de episódios que tem consequência ruim, né? E muitas vezes também, né, a gente precisa nos adaptar atualmente a a essa mudança, né?
Isso isso isso faz com que esse centro tenha uma importância fundamental para poder nos orientar de como nos adaptar, né? É diferente de uns 10 anos atrás, quando, né, nós tínhamos, né, vontade de ir paraa roça a partir das 8 horas e voltar 3 horas da tarde, que atualmente você já não aguenta. Até às 9 horas você já está, não tá suportando o calor imenso, né?
Então isso faz com que nos adaptamos de que forma? Como é que vamos fazer isso? Então esse centro através de seu corpo técnico, que também estamos buscando pessoas especializadas que possam estar nos orientando de como formar esse corpo técnico, porque não é do nosso mundo, né?
Nós somos as pessoas que acompanham a trajetória de um mundo tradicional que os nossos avós foram repassando para nós, né? Como bem coloquei hoje, né? Com a revoada dos pássaros, né?
época de chuva, né, na na geografia comum, né, eh, professor Flávio, né, que a diz lá que na nós temos quatro estações, verão, outurno, inverno e >> primavera, né? >> Repetindo, alguém esquece, verão, outro inverno e >> primavera. >> Primavera, mas para nós indígena é apenas chuva.
e >> sol, >> né? Seca, enchente, >> que eh que a a a as frutas que que que nos sustenta, elas varia cada ano. O maria agora é mês de março, mas manga é mês de dezembro.
Açaí é mês de maio para agosto, né? Mas Bacaba é mês de janeiro. Então nós temos todo esse todo ano nós temos abundância.
Então não tem assim um mês exato para ser eh que época que é de flores? Qual a estação que é de flores? >> É a primavera.
Então não existe para nós tal mês é primavera, né? Não, porque é o tempo todo. Nós estamos sempre floreados, né?
>> E então, então então e com essa mudança que tem hoje, né? Então nós precisamos nos adaptar. justamente isso que nós precisamos expandir também através de nossa rede de articulação que hoje nós temos na base, né?
Começando pelos Aimas, que a gente tá buscando meio de como fomentar, invertir, retomar as atividades, né, do grupo, né, eh, que o Aluí citou, assim também como uma rede de de de articulador dos departamentos, porque uma um tema que requer atenção e que tá ligado à nossa vida. Então, a educação tem que falar de mudanças climáticas, os trabalhos da agricultura, de artesanato, né, de produção lidão com mudanças climáticas, né, os jovens precisam entender o quanto é importante a gente ter esse eh eh esse consenso dessa nossa preocupação de termos esse pensamento, né, porque se dizia que os jovens eram futuro, nós somos presentes que estão estão vivendo conosco hoje, né, que eles precisa sentir, né, essa preocupação que hoje nós temos. Então, por isso que nós pela FO nós estamos nos preparando, nós estamos discutindo, propondo, né, que tenhamos essa esse centro de referência, mas isso não quer tirar também a responsabilidade dos parceiros.
a gente quer eh eh conciliar os trabalhos que já estão sendo executados, assim como do da rede de a como como os nossos pesquisadores indígenas que que trabalha com diversas áreas aqui em nossa região, assim também com com a ciência, a gente quer quer também fazer esse intercâmbio de conhecimento com com demais povos ou que com demais conhecedores, né, sendo os não indígena, os indígenas, né, que tem o conhecido de como a gente poder conciliar e assim desenvolver, né, essa adaptação que a gente fala muito, né, de a gente poder sobreviver nesse mundo que hoje nós estamos, né, e a gente bem sabe que que a cada ano que se passa as coisas vão mudando, né, e a gente precisa ter ciência de que a gente precisa ter esse essa eh esse pensamento de como nos adaptar. Então, é dessa forma que a gente tá buscando, né? A gente espera muito, né, que possamos ter, né, eh, esse centro funcionando, né, para que possamos de fato levar adiante, né, esse trabalho que é muito rico, né?
Se vocês forem ler um dos livros aqui do Aru, vocês vão encontrar muitos textos científicos dos nossos conhecedores, né? Muito cientista indígena, lá está os pajés, as parteiras, os anciãos, né? Os acadêmicos, né?
Os doutores, os mestrandos. Então tudo tá aí, né? De forma escrita, né?
Mas para isso a gente poder levar também para o conhecimento da da nossa do nosso povo no Rio Não. Para isso que é importante que as escolas possa também trabalhar em cima desse desse tema que é muito importante, como eu falei, porque isso lidar muito com nossa vida, com mudança da nossa rotina ou daquela forma que a gente eh veio vivendo a parte do do ensinamento dos nossos ancestrais. É isso.
Muito obrigado. Cuecatura eterna. A parente Edson.
E agora a gente vai encerrar aqui. Agradecemos a quem esteve conosco pelo YouTube e vamos iniciar um novo link e vamos para a nova mesa com com a mesa negócios socioambientais. >> Aluísio, obrigada Luía.
A Luí tá dando tchau para da tela. você quiser falar alguma coisa, Luía. >> Não, foi ótimo.
Parabéns aí pelo evento e estamos aí. Qualquer informação ou discussão, estamos à disposição. Eu ia colocar o link da revista Aru, né, que dá para baixar o PDF também pelo site do Aevo do IS, mas eu não consegui, mas depois eu mando pelo WhatsApp, vocês disponibilizam aí pro pessoal.
E obrigado mais uma vez.