assim você hoje tá 50 anos né já tem uma carreira consolidada só que H 50 40 anos atrás ser uma mulher preta era uma coisa depois há 30 anos atrás também era e as coisas vieram se se ressignificando e você se construindo como uma pessoa preta inclusive no próprio nome e uma pessoa preta que nasce no Rio mas é criada na Bahia é filha de Gilberto Gil então aí uma série de acessos que possib it haver um monte de coisas há também uma série de cobranças por estar nesse mesmo lugar eu queria saber já que
a gente no Brasil que não nasce a gente descobre que é preto né como é que foi a sua construção de descoberta e depois de como é que você administra e conduz isso em ambientes na maioria que dos lugares que a gente frequenta ou que a gente está né não são frequentados por pessoas que nem nós sim eh é uma é uma uma luta você sabe bem porque você tá comigo nessa luta de sermos os únicos em muitos lugares Luanda também eh Paula também a gente muitas vezes a gente olha em volta e só temos
nós durante muitos anos foi assim na minha escola nos no meu ambiente eh social eu era a única preta eh e aí eu obviamente como a gente fala de de recorte de geração eh a minha geração eu pelo menos dentro da minha família Acho que pelo fato do meu pai ser quem era a gente era natural era tudo muito natural a gente não a pauta da negritude a pauta do racismo ela não era eh falada diariamente em casa ela era vivida ela era cantada pelo meu pai pelo enfim e a gente não tinha muito esse
embate ao crescer e ao me tornar adulta nem foi na minha adolescência que eu tive o a a o meu Insight pra problemática Porque como você falou Eu sou uma mulher negra com passabilidade Eu tenho algumas passabilidade primeiro que meu pai ele é um homem bem sucedido ele é um negro bem-sucedido no Brasil então eu já nasci numa questão eh social melhor e então eu não tive muitas problemáticas que a maioria das pessoas pretas têm nesse país eu sou uma uma preta mestiça então eu tenho a pele mais clara eu tenho cabelo liso o meu
cabelo liso me dava muita passabilidade você olhava para mim paraa minha irmã para Minhas irmãs que T cabelo crespo e elas passavam por questões que eu não passava na escola elas passavam e eu não entendia direito eu falava por que que elas estão por que que ela tá sofrendo isso e eu não depois na minha vida mais adulta eu fui entendendo que eu tinha algumas passabilidade que me que eu fui eh driblando e hackeando o sistema racista quando eu me vi eu estava assim em grupos majoritariamente brancos de pessoas brancas onde eu era a única
preta isso tem uma uma consequência muito grave na minha vida de por vários aspectos inclusive afetivo amoroso enfim eh a gente não não não não tinha não tinham pessoas pretas não tinha você para eu amar por exemplo ali no meu grupo de amigos e isso é uma uma questão que depois eu fui corrigindo mas eu tenho um episódio acho que eu já contei para alguns aqui que é um divisor de águas da minha vida que é que a gente a gente fala sobre letramento que é algo que a gente é é urgente para qualquer pessoa
que eu tava assim num ambiente como esse só que era uma palestra em Salvador fui a convite de Olívia Santana minha amiga querida era uma palestra onde a Rita Batista outra amiga querida fazia mediação como Vera e Tava eu a Elisa Lucinda e Mc Carol de Niterói três mulheres negras e eu falando sobre conversando alguém me perguntou uma dada hora sobre esses preconceitos como é que faz falei ah mas eu não ligo se alguém se as pessoas tentam me denegrir na internet e veio uma vaia do fundo do teatro para mim assim eu falei o
que que eu fiz que que eu eu não entendia eu falei caiu alguma coisa quebrou alguma coisa aqui era uma vaia do fundo do teatro E alguém falou para mim você falou denegri a palavra denegri não pode se falar uma palavra extremamente racista vem de diminuir denegrir por ser negro eu falei mas eu nunca ouvi isso tipo eu não li isso em lugar nenhum eu não tive acesso a informação Desculpa foi a primeira coisa que eu falei e ali muito à vontade mais paraa frente eu falei me autor referindo a mim mesmo eu falei não
porque eu sou uma típica mulata brasileira aí a vaia já foi muito maior já era tipo algumas pessoas se levantavam na plateia e e eu falei que que eu falei agora e aí a a Rita falou você falou que você é mulata e mulata não você não pode mais falar essa palavra que é uma palavra de cunho extremamente racista eu falei mas por que como assim Onde tá escrito Isso é realmente não tá escrito em lugar nenhum não estava mas a gente tem historiadores que que mostram que mulata eram os filhos das mulas mula eras
escravas que eram estupradas pelos seus donos quando nasciam filhos daquelas mulas eram chamados de mulatos Isso é uma eh uma resposta para pra palavra mulato ser uma palavra preconceituosa eu não sabia daquela informação eu fiquei muito envergonhada quando eu saí dali daquele lugar eu não sabia realmente onde enfiar minha cabeça de tanta vergonha como eu preta eu tinha 43 anos eu não era uma criança eh como eu pretago né não tive acesso a essa informação e aí eu fui conversar com muitas amigas minhas eh pretas e fui entender como era grave como era urgente a
questão do letramento racial no Brasil e como a gente tinha que falar sobre isso e como eu como mulher negra tinha que buscar eh entender e e e saber e e estudar e eu foi o que eu fiz a partir daquele dia que é um um Marco na minha vida assim que me tirou desse lugar de ser que que muitos brasileiros nesse momento estão pessoas pretas pessoas negras nesse país não sabem o que são pretos que são negros e como isso é eh como isso tem uma consequência muito forte na vida deles eh então a
gente eu essa compreensão para mim foi muito importante para que eu conseguisse avançar na minha existência para que eu conseguisse entender a problemática de pessoas de outros corpos pretos negros no Brasil para que eu pudesse usar minha voz também e em relação a isso e eu tô aqui tentando até hoje