O que é de fato a idolatria? O que a igreja entende como culta as imagens? E por que que ocorre essa confusão?
>> Bem, bem, olha, por incrível que pareça, é a primeira vez que me perguntam sobre isso em podcasts, né? >> Boa. >> Eh, porque eu costumo dizer que é um assunto que eu não tenho muita paciência de tratar.
>> É mesmo. >> É, mas eu trato como qualquer um outro pelo seguinte, vamos lá. Uma coisa é o que de fato é a idolatria.
>> Hum. que há um pecado seríssimo, de certa forma, o mais grave é o que tá na raiz de todo pecado junto ao vício do orgulho e da soberba ali no pecado original. Eh, então o que de fato é idolatria.
Em segundo lugar, o porquê da minha impaciência, o desgaste >> que o movimento protestante causou a essa palavra. Entendi. >> Eles esvaziaram e prestaram por causa disso um grande desserviço.
A denúncia que o cristianismo precisa fazer à idolatria. >> Uhum. >> Ao combate à idolatria.
Porque acabaram associando o termo idolatria a uma realidade que não é idolátrica, né? E isso é é um grande problema. Então vamos lá.
O que de fato é idolatria? É, padre, o senhor falando disso é porque parece que eles atribuem um pecado da idolatria exclusiva ao católico. Parece que não é possível >> quando na realidade >> é um um comportamento concupiscente do ser humano.
A idolatria, ela é resultado de um comportamento concupiscente e que, portanto, é cometido por qualquer ser humano se ele não tem vigilância. >> Boa >> quanto a isso, inclusive o protestante. >> Uhum.
Então, eu comecei um artigo que ainda não tive tempo de concluir esse esse artigo, eh, já comecei a redigir, que chama A idolatria protestante. >> Olha só, >> existem elementos idolátricos profundos no protestantismo. Se tiver que comparar qual é a igreja que possui ah idolatria estrutural sistemática.
Se você observar a doutrina católica e as doutrinas protestantes, ou seja, analisar a estrutura, >> entendi. >> Não é qual denominação de fato incita sistemática e estruturalmente a idolatria, não é a Igreja Católica, >> mas existem conceitos na matriz do protestantismo que são profundamente idolátricos na sua natureza. >> Nossa, >> ou seja, é quase que uma um artifício comunista, né?
Porque o comunista veio, o comunismo veio muitos séculos depois. Acuse-os do que você faça. >> Sim.
>> O Gramish dizia, é mais ou menos o que eles fazem. Nos acusam de algo que eles fazem, mas é que está. Muitos fazem por mera ignorância.
Então, o que é idolatria? De fato, a palavra idolatria que nós usamos no nosso idioma é a junção de duas expressões. A idolon, que é o ídolo, ou seja, é aquilo que é adorado, ou qualquer coisa criada que seja adorada, uma criatura.
Isso é o idolon. Latria significa adoração. >> Uhum.
Então nós no catolicismo fazemos a distinção de formas de culto. Existe o culto de latria, que é o de adoração, que é o culto que se presta exclusivamente a Deus. são as nossas eh festas e solenidades e ações litúrgicas, principalmente >> destinadas a ao Pai, ao Filho e ao Espírito, >> à Trindade.
>> A trindade, >> certo? Depois nós temos o culto de eh hiperdulia, que é o culto eh prestado à Virgem Maria, hiper eh grande, né? >> Uhum.
máxima do Lia é reverência, inclinação, uma máxima inclinação. Porque abaixo de Deus, entre Deus e todas as outras criaturas, nós cremos que Deus estabeleceu a Virgem Maria num patamar eh que lhe pertence com exclusividade. Então você tem Deus e somente quem somente Deus, eh, aliás, perdão, somente a Virgem Maria eh tem acima de si o próprio Deus e mais nenhuma criatura.
Todas as outras criaturas têm alguma criatura acima de si. Nós temos os santos acima de nós. Os santos t a virgem Maria e algumas hierarquias angélicas acima deles.
Agora, a Virgem Maria só tem Deus >> acima dela. Nem a realidade angélica. >> Nem a realidade angélica.
Ela foi constituída rainha dos anjos dos céus e da terra, não é? >> Ou seja, o único que pode olhar pra Virgem Maria de cima para baixo é Deus. >> Legal.
Quando você olha assim, ah, ela é uma mulher qualquer, ah, ela é igual. Não, quem pode dizer isso é Deus. Eu a olho de baixo, eu não olho de cima.
Ou seja, quando você se coloca no lugar de Deus para olhar para baixo, olha aqui, o primeiro que fez isso não deu muito certo, né? E foi precipitado nos abismos. Seu nome é demônio e Satanás.
Então, quando a pessoa assume um lugar que só Deus poderia ter, né? Aí era uma mulher qualquer, ela tava inferior, não sei o quê. Deus poderia dizer isso e no entanto, ao invés de chamá-la de uma mulher qualquer, quis chamá-la de mãe.
Se encarnou nela e quis chamá-la de mãe. Ou seja, o único que pode dizer isso não quis dizer você, que não é coisa nenhuma, é uma criatura tá querendo. >> Ô, glória, >> é, é, é o cúmulo da soberba, né?
>> Então nós temos o culto de hiperdulia, que é uma reverência >> máxima prestada à Virgem Maria e que obviamente não é latria. >> Só só uma dúvida. A do li é um termo é >> é um termo grego também do né do léu é uma reverência.
>> Então hiperdulia hoje fala-se muito, sobretudo depois que o Papa Francisco ah proclamou o ano de São José, que nós tivemos há pouco tempo. Hoje se fala-se um pouco mais da protodolia. >> Protodolia é o culto que nós oferecemos a São José, >> certo?
Porque de fato a a após a Virgem Maria ninguém recebeu maior dignidade além de São José. Então são os dois que receberam a máxima dignidade. Porque a santidade ela nada mais é do que o produto de um contato com Deus, de um contato, portanto, com Jesus Cristo.
>> Sensacional, né? >> Não é? É, é um contato.
>> Ora, e quem na história da encarnação teve contato mais intenso e mais profundo? Maria e José. >> Isso é inquestionável.
>> Depois de José, >> eu já vi uma contraposição, padre, falando assim, ah, a gente direciona ali a a protodolia a São José, porque ele é o maior homem, né, que pisou na terra, né? Mas aí tem gente que fala assim: "Mas Jesus não falou que era João Batista o maior nascido de mulher? " Eu já vi essa >> Uhum.
>> essa contraposição quando >> Sim. O maior nascido de mulher. E aí Jesus continua no versículo, no entanto, o menor no reino de Deus é maior que João Batista.
Você tem que ler o versículo inteiro, >> porque o que Jesus quer dizer ali é o seguinte para para a fechar esse esse parêntese, né? >> Aham. >> Nascido de mulher é todo ser humano que vem ao mundo estado >> natural de coisas assim.
em pecado original, etc. Embora João Batista tenha sido purificado do pecado original já no ventre da sua mãe. Então, João Batista foi nascido de mulher.
No entanto, o menor no reino de Deus já é maior do que do que ele. Em que sentido? No sentido de que aqueles que tiveram acesso à nova aliança, ao Novo Testamento, ao Messias de Israel, >> já teve mais do que o que João Batista teve.
João Batista teve de fato o contato e a oportunidade de indicar o Messias. >> Uhum. >> Mas os que viveram com ele já tiveram mais do que João Batista, entende?
>> Então, nessa ordem de coisas, São José tem a protodolia. Depois é o culto de dulia, que é o que é prestado a todos os demais eh santos. De fato, São João Batista tem algumas honras na liturgia.
Eh, por exemplo, só ele ao lado de Maria e de Jesus tem o seu nascimento celebrado. >> Uhum. Justamente por essa santificação no ventre, né?
>> Exato. Porque assim, nós não celebramos nascimento de ninguém. Do ponto de vista litúrgico, né?
A a fé católica não celebra nascimento de ninguém. Por quê? A resposta tá lá no preônio da Páscoa que nós cantamos na vigília pascal.
De que valeria termos nascido se não nos resgatasse em seu amor? Então, ter nascido >> Uhum. >> Não é nenhum grande benefício.
Porque nós nascemos em pecado, >> em estado declinado, né, de coisas. >> Então, eh eh de que valeria ter nascido se não tivéssemos sido preenchidos com o espírito de Deus pelo batismo, pelos sacramentos, etc. Então, João Batista e a Virgem Maria e Jesus foram os únicos que nasceram ah já munidos do Espírito de Deus.
Jesus porque é Deus, é óbvio, não há necessidade de explicação. >> Uhum. >> Maria porque foi preservada na desde a concepção.
E João Batista, porque embora não tenha sido preservado, antes que nascesse, recebeu efusão do Espírito Santo no ventre. Então, recebeu a efusão antes de nascer, embora tenha sido concebido normalmente, como todos. Então, são os únicos que ah não receberam tais graças após o nascimento, como todos nós, como todos os cristãos.
>> Fora isso, então você tem o culto de dulia que é prestado a todos os santos. Então, eh nós temos essa clareza, eh clareza que se explica do ponto de vista humano, antropológico, afetivo, é é algo absolutamente tranquilo de se compreender. >> Uhum.
Quando você diz a um protestante, não, nós temos clareza que um culto de adoração e o culto de doli é diferente. Aí ele alega que não, porque é a mesma coisa, porque você ajoelha, porque ignora o que ele diz e faça a ele uma pergunta que é a seguinte: eh, você é casado? Você tem filhos?
Sim, você ama a sua esposa, você ama os seus filhos? Ele vai dizer que sim, que ele não é besta. Eu falei: "Então, então você é idólatra?
" Não, porque assim, como é que você ama a Deus e ama a sua esposa e ama os seus filhos? É idolatria. É óbvio.
Ele não é tapado. Ele vai dar a você a resposta óbvia. Ah, mas o amor que eu tenho pela minha esposa ou pelos meus filhos é menor do que o amor que eu tenho a Deus.
Então, sua anta, você sabe distinguir que sentimentos, que afetos um ser humano é capaz de oferecer em intensidades distintas. E você sabe quando você está adorando a Deus e quando você está amando a sua esposa ou os seus filhos. Essa distinção é clara para você.
Quer dizer que quando você se ajoelha num culto na igreja, isso é adoração. E quando você se ajoelha diante da sua esposa para beijar o ventre dela, porque ela te deu uma notícia de que está grávida, ou quando você se ajoelhou para pedir-la em casamento, isso era idolatria. Você via isso como idolatria?
Ele também não é tapado. Ele sabe que isso não é idolatria. >> Ele sabe que a idolatria é um comportamento do coração, não é um conjunto de atos estéticos.
E e e de de modo igual também, nem toda vez que você ajoelha diante do santísimo Sacramento significa que você tá adorando só porque você ajoelhou. >> Exato. Não é porque a pessoa tá ajoelhada que ela tá adorando, porque isso é um movimento do coração.
E você, cujo coração se move, sabe que intensidade isso é atribuído. Então, na realidade, onde tá o problema grave do protestante? Ele esvaziou, né?
O protestantismo é esvaziamento de uma série de conceitos. Deveríamos ficar horas aqui analisando conceito de salvação, conceito de redenção, conceito de justificação e o conceito de adoração também foi esvaziado. O que que é adorar?
>> E até deixa >> qualquer conjunto de atos. Se eu cantar uma música para alguém é adoração. Então cantar um hino é adorar.
Eh, levantar a mão com o olho fechado, isso é adorar. Então assim, isso é muito pouco, >> é uma mesquinhez você chamar isso de adoração, porque se isso for adoração, aí tudo bem, >> aí é fácil você acusar o católico de idólatra, porque a gente também fecha o olho e estende as mãos à Virgem Maria, aos santos. A minha pergunta é: nós estamos adorando e, portanto, somos idólatras ou você que não sabe o que é adoração e, portanto, eh, tá num patamar de vida espiritual tão inferior que, na verdade, tá nos acusando de sermos adoradores de qualquer coisa quando você não é adorador de absolutamente nenhuma, porque você não adora sequer a Deus, já que para você adorar nada mais é do que cantar para, né, dançar para atos externos, entende?
Entende? Agora, se você tem consciência de que a adoração é um ato interior, você sabe perfeitamente de que a razão humana somada aos afetos dos o afeto que é emitido. O afeto que eu emito em direção a Deus interiormente não é o mesmo que eu destino à Virgem Maria ou aos santos.
Eu sei disso. Eu sou iniciado pela fé para isso. >> Uhum.
ensinado pela doutrina para isso. E, portanto, os cultos são inequívocos. Não existe essa confusão na cabeça do católico.
Existe essa confusão. >> Existe a ideia de uma suposta confusão no imaginário do protestante. >> Boa >> que vê de fora o fenômeno, entende?
e quer eh analisar o coração dos católicos a partir do fenômeno externo, como se todo fenômeno externo fossem definições em si mesmas. Então, tem aqui um exercício filosófico que o protestante deveria fazer. >> Boa.
>> Todo fenômeno físico e quer dizer a mesma coisa. Eu dei exemplos já agora, de ajoelhar. Você pode ajoelhar em adoração, como você pode ajoelhar como atos de amor, veneração, respeito, >> até para limpar um óvel.
>> Exato. Será que o protestante eh entende que quando ele canta o hino nacional, ele está cometendo uma idolatria? Até porque a palavra idolatrada >> é >> aparece no hino, né?
A pátria amada idolatrada, salve e salva. Ele não canta. Ele acha que se ele eh olha pra bandeira nacional e se emociona ao cantar o hino, o fato de chorar olhando para ela, isso é uma idolatria, ele sabe, é incrível como ele sabe que certos atos humanos não são atos idolátricos, mas na hora de nos acusar, neste momento, a chave gira >> boa >> para legitimar, para tutelar um discurso e e ele joga a sensatez fora >> em nome de defender um discurso.
Então, a idolatria de fato é um movimento do coração. Quando o coração deveria prestar latria, ou seja, tomar como soberano, como absoluto, como determinante, em primeiríssima instância da própria vida a Deus e exclusivamente a Deus, o ser humano passa a fazer a a tomar criaturas nessas categorias. Então, adorar, né, eh, prestar latria significa justamente você ter absoluta consciência.
Consciência que, por sua vez, se traduz nos afetos, nas atitudes, nas escolhas, >> nos comportamentos. >> Extravaza para todas as esferas da vida humana. Quando eu tenho a Deus por único parâmetro, por único critério, quando eu quero apenas a ele, nada mais.
quando eu tenho apenas eh a ele por Senhor, por Salvador, por mestre, por guia, >> quando Jesus, quando Deus, né, quando a trindade de maneira geral, eh, deixa de ocupar apenas um lugar importante, mas passa a ocupar o lugar principal. Deus não é apenas uma importância na nossa vida. >> Uhum.
Ele é absoluto, soberano. Então, quando uma coisa é absoluta, quando ela é soberana, ela ocupa a maior parte do meu tempo. Ela ocupa a boa parte do meu pensamento.
Tudo que faço, tudo que vivo, tudo que escolho, tudo aquilo pelo que opto é regido por aquilo. >> Uhum.