Que tal mais um vídeo 100% positivo sobre videogames? Para dar uma acalmada nos ânimos? Já saiu muito jogo bom em 2026.
A nível pessoal, me diverti horrores com Resident Evil Requ. Me apaixonei pela dupla de protagonistas de Pragmata. Curti bastante Marathon enquanto ainda era fácil achar partida só com brasileiros.
Gastei dezenas de horas começando projetos arquitetônicos ainda terminados no Pokémon Pocópia. Mas meu grande jogo de 2026 não é nenhum desses. Na real, meu grande jogo de 2026 nem é de 2026.
Já faz um tempinho que saiu Street Fighter 6. Depois de uma vida inteira namorando à distância, jogos de luta, eu finalmente consegui deixar de ser mero admirador para me transformar em um jogador do gênero. E agora é basicamente só isso que eu jogo no meu tempo livre.
O vídeo de hoje vai ter um tom bem mais pessoal do que o normal, porque a história que eu quero contar é a de como e por eu me apaixonei por Street Fighter 6, sim, mas também pelo gênero como um todo. Como uma criança que cresceu nos anos 90 e sempre curtiu o videogame, eu vivia cercado por jogos de luta. Joguei muito Street Fighter 2 na casa de primos e lembro que o buffet de festa infantil, onde a criançada do meu colégio fazia festa de aniversário, tinha um gabinete de Killer Instinct, era o meu favorito lá.
No Play 1, eu curtia muito ficar macetando o botão no TK 3 e ali no começo da adolescência eu ia pro Flipper para ficar jogando Marvel 2 e Third Strike. Mas eu nunca me ative a um único jogo tempo suficiente para realmente mergulhar ali, aprender, entender as minústrias de como as coisas funcionavam. Então assim, eu eu jogava, eu gostava, mas apenas em um nível superficial.
Já na vida adulta, vendo Marvel 3, Street Fighter 4 e tantos outros passarem por mim da mesma forma, eu meio que criei uma narrativa dentro da minha cabeça de que eu não me aprofundava no jogo de luta porque eu não tinha tempo. É muito review para fazer, é muito jogo para jogar, para trabalho, eu não tenho tempo para ficar preso a um único jogo só, pô. O que obviamente é um absurdo, considerando que eu tenho tipo 6.
000 1 horas de World of Warcraft, por exemplo. E só para constar, eu não tô falando esse número da boca para fora. Mas mesmo eu nunca tendo coragem de realmente mergulhar de cabeça na coisa, eu sempre admirei os jogos de luta à distância.
Eu assisto a Evo religiosamente há mais de 15 anos, por exemplo. Todo evento importante de Street Fighter, eu tô lá às vezes, literalmente. Por exemplo, dá uma olhada no trailer oficial da Capcom Cup 2017.
Você viu? Eu vou passar aqui de novo, um pouquinho mais devagar. Pois é, isso aí foi na Capcon Cup 2015.
Essa foto aqui desse dia também foi pro álbum oficial da Capcom. Saudados demais. Inclusive, deve ter muita gente por aí que acha que jogo de luta é só mais um tipo de jogo, mas eu sinceramente acredito que tem algo muito único ali no meio.
Não é por acaso que quando uma pessoa se apaixona de verdade pelo primeiro jogo de luta da vida dela, isso inevitavelmente acaba se tornando meio que parte da personalidade dessa pessoa. Eu acho que o jogo de luta é a forma perfeita do videogame competitivo. É direto ao ponto e simples de entender.
Apenas um teste de estratégia, precisão e reflexos. Cada partida contém 1 milhão de possibilidades, mas sempre acaba em um piscar de olhos. Principalmente quando a disputa é entre jogadores com níveis parecidos de habilidade.
É hipnotizante, porque o menor dos deslizes pode ser fatal. Só que eu tô aqui só assistindo, né? Eu não tenho tempo para me dedicar a um jogo desses e sentir isso na pele, porque eu sou um covarde.
Mas eis que no fim de março a Capcon me mandou uma chave para testar o Alex no Street Fighter 6 que tinha acabado de ser lançado. Eu falei: "Pô, bora valorizar, né? " E abri uma live para jogar contra a galera.
Obviamente passei umas horas ali sem ter quase nenhuma noção do que eu tava fazendo, só levando surra. Mas foi divertido. Tanto que eu brinquei em algum momento, falei: "Pô, se pá, eu vou continuar jogando, viu?
" Aí no dia seguinte, fora da live, eu liguei o jogo de novo. Mesma coisa no dia seguinte e no que veio depois. Um mês e meio depois eu tava virando mestre na ranqueada com a Juri, que foi rápido, tá?
Normalmente demora muito mais para você virar mestre. E não sou eu falando isso, e sim o diretor de Street Fighter 6, Takayuk Nakaiama, e o produtor de Street Fighter 6, Shrei Matsumoto, com quem eu tive a oportunidade de conversar durante o último Summer Game Fest. Eu contei para eles que eu tinha pego mestre em um mês e meio e eles falaram: >> "Mas só para deixar claro, eu continuo levando muita surra.
De vez em quando eu que dou a surra agora, mas eu sempre vou levar a surra porque sempre vai ter alguém melhor. E eu acho que essa foi a chavinha que virou dentro da minha cabeça nesses últimos meses. Antes eu tinha medo de levar a surra, mas hoje eu sei que levar surra em jogo de luta também é divertido pra caramba.
Eu sinto que tem muita gente por aí que curtiria muito jogar jogo de luta, mas evita por ter medo do fracasso, sem entender que a diversão que o jogo de luta oferece não tá no sucesso e sim no processo. Pro player vive falando isso, mas talvez soe mais confiável saindo da boca de alguém como eu, que tô há 1000 anos luz de me tornar um pro player, né? O legal de jogo de luta não é ganhar, é aprender.
Aprender um novo ataque de um personagem ou então uma estratégia nova e encontrar jeitos de aplicar isso contra outros jogadores de carne e osso é muito gostoso. Um exemplo, quando eu tava lá no ranking platina, eu levei um couro de um maluco que estava fazendo uma coisa super básica, mas que tava funcionando contra mim e que eu resolvi imitar. É algo extremamente básico mesmo.
Quando você derruba um adversário contra a parede, em vez de ficar parado do lado dele para tentar pegar ele desprevenido quando ele levanta, você pula. Muitas vezes isso te dá um tempo a mais para ver o que que o seu adversário vai fazer assim que levantar e preparar uma resposta. E isso é fenomenal, principalmente quando seu oponente tá perdendo.
É muito comum o maluco ficar afobado e gastar recurso assim que levanta para tentar revidar. Mas se você pulou, ele vai socar o ar e levar na orelha na sequência. Eu comecei a usar isso aí na rankeada.
em questão de uma hora, eu já tinha subido pro diamante só de ter aprendido e começado a aplicar esse único truque, porque cada coisa nova que você aprende aumenta muito o seu leque de possibilidades, permitindo que você varie o seu comportamento para surpreender o oponente. Esse é um exemplo de aprendizado mais abrangente, só que existem coisas a aprender a cada novo adversário que você enfrenta. Cada pessoa tem um estilo de jogo diferente, com comportamentos que se repetem, combos preferidos, vícios mesmo.
E quando você começa a dominar melhor as mecânicas do jogo, fica mais fácil de enxergar esses padrões e nisso você consegue aprender a revidar comportamentos específicos de um adversário ao longo de uma única série de partidas. Não existe nada nos videogames mais satisfatório do que levar uma surra numa primeira série ali, aprender os truques do seu adversário e na sequência meter um perfect no cara, porque você sabia exatamente tudo que ele ia fazer. E é por coisas assim que eu digo que até a derrota é divertida no jogo de luta, porque cada surra que você leva é uma aula.
Eu perdi a conta de quantas vezes eu vi alguém fazendo algo e pensei: "Caraca, eu não fazia ideia que dava para fazer isso". E uma vez que você sabe que dá para fazer algo, você pode começar a fazer aquilo você mesmo ou então começar a prestar atenção para não ser pego de surpresa de novo. Só que eu entendo que mesmo ouvindo tudo isso, talvez a ideia de começar a se aventurar nesse gênero ainda pareça muito intimidadora.
Então eu separei aqui, eu pensei, na verdade em duas dicas que eu vou dar para vocês agora, que eu adoraria que tivessem me dado lá atrás. Número um, não tenha medo ou vergonha de usar sistemas de controle simplificados. Street Fighter 6, por exemplo, tem um sistema de controles moderno, que foi minha muleta para aprender esse jogo.
Nesse momento, eu tô praticando para transicionar do sistema de controle moderno pro sistema de controle clássico, porque no nível de competição que eu tô, isso já se tornou meio que um obstáculo para mim, porque o sistema de controle moderno limita quão criativo eu posso ser com os meus comandos. Mas para começar, ele é fenomenal, porque ele desmistifica os controles e permite que você foque naquilo que é o que realmente dita a diferença entre a vitória e a derrota, que é quão rapidamente você consegue reagir às decisões que seu oponente toma. Lá no Summer, eu questionei o Nakayama e o Matsumoto sobre o que que eles pensavam a respeito da inclusão que eles fizeram do sistema de controle moderno no Street Fighter 6, agora que o jogo já tá amadurecido, já tá disponível há alguns anos.
E eles disseram que enxergam a adição como uma das novidades mais positivas que o jogo trouxe pra série. Na opinião deles, é um sistema que ajuda os jogadores a ganharem confiança e começarem a entender melhor o que realmente importa nas disputas, sem ficar se atrapalhando nos inputs. Tem gente que aprende no moderno e depois muda pro clássico.
Tem gente que fica só no moderno mesmo. Mas de forma geral eles perceberam que a adição reduziu muito o número de pessoas que experimentam o jogo e depois nunca mais voltam. Mas a dica número dois é ainda mais importante e é uma que eu vejo que as pessoas duvidam quando eu falo, mas eu juro por Deus que é verdade.
E os jogadores de luta veteranos aí nos comentários vão poder confirmar o que eu tô falando aqui. Cara, você não precisa se preocupar em aprender combos. Se você tem 200 horas de jogo, aí beleza, aí aprende uns combozinhos ali.
Mas antes disso, esquece. Quando você tá aprendendo um jogo de luta e lutando contra outras pessoas com o mesmo nível de conhecimento, não são sequências de golpes que vão determinar sua vitória, e sim quão bem você aplica os fundamentos, pulos, bloqueios, agarrões, coisas assim que cobram o apertar de um único botão. Se você é um novato que tá lutando contra um veterano, aí sim, aí é legal você ter um combo na manga.
Só que a realidade da coisa é que você vai perder de qualquer jeito, porque se o cara já tá no ponto de saber vários combos, ele vai aplicar todos os fundamentos muito melhor que você. Combar é legal, é da hora, sim, mas é coisa de end game. É comum o maluco entrar em jogo de luta e ir direto treinar combo, só que a pessoa que não sabe os fundamentos nunca vai encontrar o espaço para aplicar o combo que ela decorou em uma luta real.
Você tem que aprender posicionamento, golpes neutros, antiaéreos, projéteis, cada um de uma vez. Se você vai direto pro combo, você tá pulando tudo isso aí, cara. É tipo você tentar fazer uma equação de segundo grau sem nem saber somar e subtrair.
Então, de novo, não tenha medo de usar sistemas de controle simplificados e esqueça combos. Se você fizer essas duas coisas, é questão de tempo até você também se apaixonar por Street Fighter 6 ou na real por qualquer outro jogo de luta. Demorou quase 30 anos, mas eu finalmente consegui adentrar de verdade esse mundo que antes eu admirava de longe e agora que eu tô aqui dentro, eu acho que eu não saio mais.
Mas era isso, turma. Era isso que eu tinha pr dizer aqui hoje. Eu queria contar essa história mais pessoal desse que é meio que o grande destaque do meu ano de 2026 nos joguinhos.
Cara, eu tô eu tô absolutamente apaixonado por esse jogo. Todo dia eu jogo, todo dia eu me divirto, todo dia eu levo surro e todo dia eu aprendo coisas novas. E há uma experiência muito única nos videogames, cara.
Eu acho verdadeiramente especial esse gênero aqui. Espero que pelo menos você tente aí você que Eu sei que tem alguém assistindo esse vídeo que tem esse mesmo medo que eu tinha na minha cabeça, né? Então assim, vai lá, dá uma chance, cara.
vai valer a pena, tá certo? Mas era isso que eu tinha para dizer aqui hoje. Muito obrigado pela sua companhia.
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