o Brasil se caracteriza paradoxalmente pela possibilidade de pensar se ident para mim o múltiplo então acho que a nossa identidade não está na fixidez a [Música] e nós somos uma América portuguesa que é fundada no empreendimento Mercantil escravocrata e que ao mesmo tempo em alguma medida consegue transgredir essa violência esse horror do nosso processo é de informação e beleza em arte eu costumo dizer que de certa maneira o Brasil ele é um pedaço de pau tanto pode ser a chibata que dá no couro como pode ser a baqueta que tá no grupo do Cambucá Reinventar
a vida como o samba o Brasil deixou de ser colônia no início do século 19 o colonialismo acaba ali mas a colonialidade é tudo aquilo que permanece do colonialismo ela permanece as estruturas assista se ela permanece no caldo de violência muito grande eu acho que o que existe é uma guerra entre o Brasil e as brasilidade o que o Brasil oficial não foi projetado para ser um país generoso ele foi projetado para ser um país excludente para seu país violento para ser um país vinculado a ideia da acumulação do Capital nas mãos de uma elite
e esse projeto até hoje funcionou Então o que a gente tem que fazer é transgredir o Brasil oficial a partir das armas que as brasilidades gostam a brasilidade se Funda no reconhecimento da beleza que existe na alteridade nessa abertura que nós temos ser para ouvir outras vozes para sair de uma perspectiva eurocentrada de conhecimento de referência e tal e abrir um leque mais amplo ela está presente nas grandes celebrações coletivas ela está presente no sangue ela está presente nos maracatus nas congadas nas marujadas nos bailes né de funk debaixo dos viadutos ela tá é mais
emboladas os cantadores nordestinos como nas disputas de rimas de ré de uma Juventude Negra periférica esse caldo de cultura é que eu acho que configura a ideia da brasilidade essa construção incessante de afirmações da Vida em meio a um projeto oficial que aponta para o outro caminho é um projeto oficial fundado na exclusão e morreu por nós somos um país que inibiu né a entrada de pobres e pretos nas suas universidades nos seus parlamentos nas suas boas escolas o tempo inteiro a música popular por sua vez ela foi um campo e que essas camadas excluídas
do processo institucional de cidadania brasileira conseguiram expressar os seus sentidos de mundo então a música é fundamental ela é a nossa crônica ela é Nossa maneira de enxergar o mundo é de uma beleza estonteante né uma beleza melódica rítmica harmônica com letras que expressam o que estava acontecendo no cotidiano então é por isso que eu digo àqueles que não tiveram acesso ao Parlamento e portanto não deixaram grandes discursos formais muitas vezes compuseram grandes canções então é a partir disso e a gente consegue muitas vezes entender essas visões corais do Brasil o Brasil é também o
País do Carnaval e acho que o Brasil deveria se orgulhar disso O carnaval é uma celebração coletiva contra o individualismo e cada vez mais sufoca o individualismo nas sociedades industriais e pós-industriais que quebram laços comunitários redes de sociabilidade enquanto o carnaval é uma celebração coletiva que reconstrói esse sentido de pertencimento a atividade ao Lugar ao chão eu não vejo solução para o Brasil que não passe pela coletividade não passe pelo reconhecimento das sabedorias das populações originárias não passa pelo reconhecimento da complexidade da beleza né das filosofias das próxima Agonias das espiritualidades que nos foram legadas
pelas África as diversas que vieram parar aqui por conta da escravidão eu acho que a gente tem que fazer é esse mergulho esse mergulho no Brasil pode ser original esse mergulho no Brasil que pode ser Florestal esse mergulho no Brasil pode ser o Brasil as formalidades tambor né esse mergulho no Brasil AF indígena que Não negue residente mente o Brasil que também é Europeu é óbvio mas que faça parte dessa construção Ampla do que a gente pretende ser e dessa maneira contribuir para a humanidade contribuir para o mundo o Manteve Unidos com o território foi
a violência se a gente for lá para o século 19 e pensar que houve vários projetos separatistas a Confederação do Equador de 1824 A Guerra dos Farrapos na década de 30 A Cabanagem no Pará entre 1835 A Revolta dos Malês na Bahia e 1835 a Balaiada no Maranhão a Sabinada na Bahia lá Praieira em Pernambuco Então quem fala que a história do Brasil tem um viés Pacífico tá meio pia que focava no projeto de manutenção da unidade territorial ele foi um projeto fundamentado muitas vezes beijo na centralização do poder na corte e no uso da
violência e acho que o que pode nos redimir dessa tragédia é o reconhecimento de que as vítimas dessa tragédia Elas têm muito a oferecer como Alternativa de construção de mundos partir daí nós podemos o Brasil mais Generoso Brasil discute as suas florestas o Brasil discute as suas esquinas as suas Encruzilhadas os seus são boas agora é um longo processo Brasil é uma tarefa é um vir-a-ser E é isso que a gente tem que encarar eu acho que a gente deve fazer um grito de independência ao que restou do colonialismo no nosso país Eu acho que
o grito do Ipiranga ele traz muito mais permanências infelizmente do que rupturas nós fizemos uma Independência preservando a escravidão não é o que já é um espanto nós fizemos um grito de independência preservando a grande propriedade rural nós fizemos um grito de independência preservando o voto censitário excluir a grande parte da população do exercício da Cidadania Então me parece que essa é segunda Independência Esse é que nós podemos dizer assim né E tem que ser um grito contra a cor a idade aquilo tudo que sobrou no colonialismo e continuam nos assombrando o E aí E
aí E aí E aí [Música] E aí E aí