[Música] educa TV apresenta vamos conversar Olá seja muito bem-vinda e muito bem-vindo ao nosso podcast o videocast aqui da educa TV o vamos conversar e você já sabe esse é um espaço de diálogo de aprendizado reflexão porque a gente acredita que é conversando que a gente se entende E hoje nós vamos encerrar o nosso ciclo de temas relacionados a questões étnico-raciais e por isso nós vamos falar sobre racismo religioso Eu tenho dois convidados aqui com a gente a Carol Nóbrega que é mestra em educação antirracista bem-vinda muito obrigada pela presença Boa tarde agradeço novamente o
convite eh sou mestra em educação antirracista Doutora doutoranda em educação atualmente ente educação am africana trabalho com essa temática na escola na no tempo de Educação professora de educação física há 10 anos então tem uma experiência sobre essa questão do racismo religioso muito bem e o Marcos coelho que é mestre em educação e especialista em relações étnico-raciais bem-vindo Marcos Muito Obrigada por aceitar o convite Eu que agradeço acho que é super importante participar da temática a temática me acompanha desde de terra idade eh creio que nós eh da população preta Negra e parda passa por
esse processo pelo longo da vida né Eh em relação à minha formação eu acho que eh eu venho com a temática há um tempo né e tô em Prestes aí um processo pro doutorado também na temática n São coisas que vão nos ajudando a entender u um pouco desse aí dessa dessas falas né algumas delas enviesadas muito bem então é tudo isso que a gente vai explicar hoje e eu queria que a gente conversasse começasse na verdade a nossa conversa eh explicando exatamente o que é o racismo religioso Carol eh eu vou explicar o racismo
religioso mas dentro de uma perspectiva que Abarca também a questão da escola que eu acho que é muito importante porque às vezes a gente fala de um tema como se ele tivesse um pouco deslocado da educação então quero trazer a ideia de racismo religioso mais para dentro da escola eh o racismo religioso ele é uma forma Na verdade ele trabalha com três ideias que é a intolerância religiosa o preconceito e a discriminação Então tudo isso se transforma também numa questão de violência que a gente entende como racismo então racismo ele é um ódio profundo uma
necessidade de eliminar o outro então suas crenças seus cultos qualquer possibilidade eh de entendimento de religi que vem Inclusive das religiões de matrizes africanas então é um ódio profundo em relação às religiões de matrizes africanas e suas culturas de modo geral eh É bem interessante que a gente para poder discutir o racismo religioso a gente precisa entender algumas eh possibilidades que acontecem ao longo da história do nosso país eh tendo em vista a ideologia colonialista que tem o foco Central e o poder patriarcal heterossexual machista e ele env ele inviabiliza qualquer outra possibilidade que não
seja a que tá pautada dentro do seu padrão normativo então como eu tenho o padrão normativo na Perspectiva branca eurocentrada toda e qualquer outra coisa que esteja para Além disso ela vai ser imediatamente ocultada né a gente vai pensar na possibilidade do silenciamento e do apagamento da história e cultura de todos os outros povos em especial que nós vamos nos referir aqui aos povos de origem africana e afro-brasileira quando você fala em apagamento eh eu queria que vocês falassem um pouco porque olhando aqui eh pela perspectiva brasileira né do racismo religioso são as as religiões
de matriz africana eh que eu imagino que sofram o racismo religioso eh existe n nesse processo de colonização nesse processo histórico do Brasil inclusive né do racismo estrutural eh houve uma demonização dessas religiões né queria que vocês falassem sobre esse processo porque esse é um processo que acho que é muito importante porque e as pessoas ligam essas religiões como se fossem coisas ruins popularmente falando né ligam ao diabo e e tem realmente aí todo um fundo de que leva ao ódio né porque olham para isso dessa forma Então eu queria que vocês falassem um pouco
sobre esse processo tá eu entendo que tem dois movimentos O primeiro é a questão da ignorância mesmo uma uma falta de conhecimento ignorância nesse sentido que é uma falta de conhecimento do que são essas religiões de matrizes africanas então por exemplo conhecimento do que é o povo banto né como eh os negros que foram escravizados negros e negras que chegaram aqui de que forma a cultura deles foram foi disseminada dentro da linguagem deles né então eu acho que que falta eu acho não tenho certeza que falta esse conhecimento histórico então é uma ignorância nesse sentido
de que falta um conhecimento histórico e a gente tem também na educação desde seus primórdios né uma educação que vincula o catolicismo e o estado Então esse é o outro ponto também né Eh então Eh eu acredito que pensar em práticas pedagógicas que trabalhem não só história e cultura mas que trabalhem também os saberes dessas comunidades de terreiro também é importante mas no sentido de manifestação cultural porque as religiões de matrizes africanas são manifestações culturais né que estão previstas não só na lei 10639 eh no parecer 3 de 2004 elas estão estão previstas também no
Estatuto da Igualdade racial de alguma forma então a legislação ela dá essa possibilidade como uma conquista do movimento negro e uma conquista também dos movimentos de religiões de matrizes africanas e também uma forma de apresentar a diversidade que existe entre elas porque elas as pessoas pensam nós negros e negras em bloco e nós temos as nossas heterogeneidades né as nossas diferenças culturais então é pensar a história também nesse lugar né para dentro da escola como uma possibilidade de olhar para essas histórias que não é uma só né mas para essas histórias aqui eu deixo como
dica do Povo banto e tem um documentário da Beatriz Nascimento do AB Dias Nascimento também que traz todo esse percurso histórico A partir do negro visto por ele mesmo que eu acho que essa é a parte mais importante como nós nos enxergamos e como nós contamos as nossas histórias é eu acho que a Carol foi bem feliz na fala dela mas o que a gente precisa entender é o que tá por trás de tudo isso e a discussão é poder né então a gente tem que partir volta um pouco na minha ideia da ideologia colonialista
ali tá circunscrito que o colonialismo a base dele é a exploração é a exploração da terra é a exploração de povos nesse sentido quando a gente olha para essa perspectiva eh tanto os povos negros como os povos indígenas foram explorados e e escravizados eh de formas distintas mas foram Mas tem uma peculiaridade e um ato perverso diante da discussão sobre o negro né porque em todos os lugares que houve a escravização nenhum foi como no Brasil pensado da hora que você nasce a hora que você morre e esse processo 24 horas por dia né e
é também interessante a gente olhar quando eu falo de silenciamento e apagamento de história e cultura ali também tá implícito eh as questões religiosas as questões de crença né Eh e olhando para um outro lado quando você fala sobre a demonização bom eh o demônio Só existe na na igreja católica ele não não existe nas religiões de matrizes africanas E aí você quer colocar um contexto que é seu dentro de outro contexto que não é seu é particular singular e específico que não cabe então percebe eh ainda eu quero garantir que a minha cultura sobressaia
na sobre a sua né sobressaia em cima da sua e que para Além disso eh Eu determino O que é melhor ou não para você e para todos os outros então é um olhar digamos de certa forma egoísta egocêntrico né Eh Para Não Dizer narcisista né então eu vejo no outro aquilo que eu quero ver eu vejo de mim um pouco de mim em você e eu acho que quando a Carol fala sobre essas questões o olhar do negro a partir das experiências das vivências dos próprios negros né E isso traz e algo que singular
e e e específico de uma população que tem uma característica aí ao longo dessa história toda diferente de outros de outras pessoas que não passam por esse processo a Carol não falou mas é importante a gente dizer que eh existe uma ideia de branqueamento então por exemplo eu sou menos sentido que a Carol ela vai passar por processos muito mais Dolorosos do que os que eu passei né embora nós nós sejamos negros né mas isso tá implícito nessa ideia de branqueamento a ideia de branqueamento era que ao longo do processo o nosso país eh com
aação e não existiria mais pessoas negras negros quando eu falo de negros é óbvio que eu sou negro mas eu estou me referindo às pessoas mais retintas porque ao longo do processo ao se eh ter relações com pessoas negras e e haveria em tese um clareamento da p e as pessoas negras e Tintas seriam pretas e Tintas seriam eh de certa forma eh eh extintas Essa é a ideia eu queria que pegando gancho nisso que você tá dizendo eh porque quando a gente fala de racismo religioso racismo a gente tá falando de ódio a gente
tá falando de perseguição a gente tá falando de discriminação e entre as muitas lutas do povo negro eh as pessoas que têm essas religiões acabam sendo perseguidas e a e muitas vezes eh marginalizadas né então eu queria ouvir de vocês sobre isso né a gente sabe que já teve terreiro que foi atacado incendiado pessoas que estavam com suas vestes que foram discriminadas né crianças que não puderam participar que foram impedidas até legalmente né de participar de rituais nesses terreiros Então eu queria que vocês falassem o quanto eh e é muito ruim falar isso mas o
quanto é cruel essa esse pagamento né E essa marginalização dessas religiões eh a gente nesse ponto a gente tá falando de violência religiosa né Eh retomando um pouquinho que o Marcos falou que eu acho que que vai de encontro com a pergunta que essa questão não só da branquitude do branqueamento Mas também da branquidade né Essa Ideia de um estatuto social Então eu preciso servir a um padrão branco que é um processo de ascensão social e negar as minhas raízes as minhas culturas então a população negra ela para ser negra é um processo de tornar-se
negro então é como quase um nascer de novo porque Como você passou ao longo da sua vida é negando a si próprio então é esse processo de tornar-se negro Como diz a Nea Santo Souza e quando se trata das religiões é esse processo também né Eh na minha experiência pessoal eu conheci a umbanda tem 7 anos então eu não tenho assim uma grande experiência em relação às religiões de matrizes africanas pelo menos experiência vivida né eu tenho muita experiência de leituras mas vivida mesmo tenho mais ou menos 7 anos e como a pergunta em relação
à violência religiosa eu já tive alguns problemas na escola por exemplo de ir com as guias de Oxum de Xangô e ouvir comentários e manifestações racistas e preconceituosas de colegas de trabalho eu já vi crianças de religiões de matrizes africana falando baixinho para mim assim professora Você também é do Aché né Então essa necessidade de esconder como um processo de autodefesa é algo muito visível na escola eh Quando você vai trabalhar com capoeira por exemplo os professores de educação física já vivenciaram muito isso eh essa conexão que fazem da capoeira com a macumba por conta
do uso de alguns instrumentos também é um processo que a gente precisa o tempo todo educar os alunos e as alunas a respeito disso explicar o que é a macumba eh trazer os alunos de religiões de matrizes africanas para falar o que eles pensam paraa sala Então essa é uma forma de Combate à violência religiosa que é apresentar para as outras crianças um universo que elas ainda se apropriam com um estereótipo da branquitude né do padrão Branco n essa busca por esse estatuto que é a branquidade Então são relações de poder eu concordo com o
Marcos tempo todo na escola são os relações de poder e a gente tá o tempo todo tentando reconfigurar essas relações de poder para tentar Inserir a cultura através da mitologia africana por exemplo eu lembro de um trabalho que eu fiz com os alunos que são os orixás Eu peguei uma revista do guc Canuto que ele trabalha com os orixás então eu escolhi emanjá Oxum apresentei PR as crianças no formato de desenho como super-heróis porque as crianças gostavam muito de história em quadrinho então foi ali que eu encontrei um caminho para trabalhar com essas questões Então
as crianças começaram Ah tem emanjá tem Oxum tem ançã a gente começou a falar do Poder da mulher dentro dessa lógica eh começamos conversar também sobre as cantigas de capoeira também que trazem todo o processo da escravização algumas cantigas vinculando com essas revistas né O que é o ser super-herói e super-heroína na lógica das religiões de matrizes africanas Então foi uma das possibilidades de combate a essa violência religiosa eu acho que não sei se é o que a Carol quer falar mas é importante a gente entender que essa violência vivida pelo povo negra eh ela
tá na sociedade e a escola é apenas um recorte da sociedade então às vezes a gente quer desvincular coisas eh e não tem Como desvincular porque a gente vai ter que discutir um pouco sobre aquilo que é experiência aquilo que é vivido E aí eu volto a dizer o quanto que é importante a gente olhar paraas questões que são singulares e individuais evidente que temos que olhar pro coletivo também né tá ali tem um conjunto de pessoas que estão ali seguindo algumas normas alguns padrões mas a gente precisa olhar para esse singular eh e quando
a gente fala de escola acho que uma das perspectivas de você pensar a escola é é no âmbito da legalidade da escola e aí a gente tem a LDB a lei 93 94 de 96 lá vai falar sobre acesso e permanência né acesso é entrar permanência é se estabelecer mas esse se estabelecer tem que ter uma relação que relação que que se estabelece em permanecer protagonismo protagonismo de todas as pessoas então Eh quando a Carol se eh eh afirma sobre a possibilidade de se discutir outras religiões e outras culturas E aí ela tá falando da
umbada ou do candomblé ou de qualquer outra religião de matriz africana e também relacionando com a capoeira nós estamos falando de que existe nessa escola no mínimo 56% de uma população preta Negra e parda protagonismo é você entender e trazer a história desse povo para dentro de um lugar chamado escola né E aí a gente fazendo essa esse viés com a ideia do religioso do Sagrado é interessante porque eh é respeitar essas crenças de cada um E é é interessante por exemplo porque que eh existe outras religiões que não são de de de de caráter
Cristão que são respeitadas e porque não são respeitadas essas de matrizes africanas então noss país infelizmente ele tá enraizado nessas discussões e nós estamos simplesmente Air minimamente H 523 anos 80 né tanto tanto tempo 523 anos discutindo algo que parece que foi ontem quando a Carol trata da lei 10639 que fez 23 anos 20 anos desculpa cultura fez fez 20 anos eu preciso question algumas coisas se é lei é obrigatoriedade se é obrigatoriedade Por que que não todas as escolas não participam e porque para além de todas as escolas não todos os professores então algumas
coisas a gente precisa entender da onde que vem essa força para dizer o que o que o que o que você fala tem validade tem legitimidade e o que não tem legitimidade quem é que vai legitimar isso então ao é um pouco do que ela traz é um pouco do que eu trato pra gente poder pensar aqui um pouco eh questões que são bem pertinentes a discussão de hoje é isso que você tá dizendo é não tem outra palavra acho que é a resistência que é movida ainda pela pelo racismo estrutural que a gente vive
no Brasil né porque se a lei e eu e de fato assim eu que agora estou mais envolvida no mundo da educação eu não sabia que essa lei era tão antiga Porque para mim essa discussão parece e posso ser muito muito desavisada porque também tenho eh me aprofundado nesses temas mais recentemente me parece uma lei nova e se a gente tá H 20 anos né com essa lei eh eu acho que a gente já podia ter avançado um pouquinho mais embora eu acho que a gente esteja avançando nada é posto a gente tem que sempre
continuar em luta mas a impressão que eu tenho é que ainda eh de fato essa lei não deve estar sendo cumprida de forma plena ela é pior do que isso pior é pior do que isso porque a cidade de Campinas na sua lei orgânica se eu não me engano é de 1998 existe uma lei de um vereador que já falava sobre história e cultura de África ele relacionava isso a os componentes curriculares acho que história eh acho que educação artística e geografia Acho que eram essas as questões eu não tô lembrado agora ao certo mas
ela antecede bastante bastante essa discussão e queria também fazer uma outra referência que eh o programa hoje da secretaria de educação chamado mpid memória identidade promoção da igualdade na diversidade ele antecede a 10639 que é de 2003 mip ele surge em 2002 como um GT né um grupo de trabalho e o final a transição desse processo se dá em 2004 com com a criação do programa mip então a gente se assusta com a lei mas bem antes da lei existi os movimentos sociais que já discutiam e que aproveitaram de uma situação política para que isso
pudesse de fato ser eh afirmado e aí agora falando do outro lado positivo vocês acham que a gente avançou um pouco em algumas questões dentro da escola fora da escola eu acho que a gente avançou eh no sentido de que as pessoas têm mais acesso à informação nesse sentido a gente avançou muito que é muito que o Marcos falou Olha na verdade a 10.639 ela foi uma conquista do movimento negro mas Abdias já questionava isso em 1940 já né a gente questionava isso muito antes com a frente Negra então Eh el foi uma conquista em
2003 mas as pessoas elas não têm eh essa consciência porque também não não tem E aí é é uma questão minha pessoal eh eu acho que não tem uma uma centralidade que é o que a gente busca que é a centralidade dessas questões tanto negras quanto indígenas e quando eu falo questões é exatamente isso violência religiosa dentro e fora da escola essas questões da vida da população negra dentro do projeto pedagógico da escola como centralidade então a gente avança em alguns aspectos por exemplo avanço quando eu percebo na biblioteca que tem a coleção mostarda por
exemplo Então tem um instrumento pro professor se apropriar e trabalhar com as crianças então a gente avança nesses aspectos mas cede também em tantos outros né Eh a educação antirracista eu vejo ela educação antirracista ou educação amrica afr referenciada eu vejo ela muito Como um anexo por exemplo em nenhum momento eh não só aqui né em Campinas como também em São Paulo que eu vim de São Paulo capital eu trabalhava na prefeitura de São Paulo eh eu não vejo as pedagogias afr referenciadas como uma prática dos professores que que é pedagogia referenciado você tem pedagogia
das Encruzilhadas do luí Rufino você tem eh pragia que traz as o saberes das Comunidades de terreiro de como a gente trabalha isso enquanto rodas de conversa enquanto Árvore dos saberes Como que o professor trabalha a história dentro da sua disciplina quando o Marcos falou Olha tem uma legislação que a gente tem também a resolução número um de 2004 que ela fala que a história e cultura vai ser trabalhada por língua portuguesa a arte e história eu me questiono enquanto professora de educação física por não educação física a educação física ela tem muito a contribuir
com esse vínculo com a história com a literatura aliás todas as disciplinas então a gente avança mas eu acho que ainda fica muito assim na na boa vontade quem tem a boa vontade de trabalhar com o tema quem tem interesse e não como o Marcos falou da questão da obrigatoriedade Olha gente é uma obrigação né Não só no sentido de valorização Mas também de reparação Histórica no sentido de que olha a gente tem uma educação que precisa tornar um lugar de pertencente para esses corpos que ainda não se sentem pertencentes nesse lugar então acho que
o caminho é muito por aí vou fazer uma revelação que você não sabe acho que a Carol já sabe eu sou professor de educação física esve eh em sala de aula por 12 anos na rede de Campinas e a gente não não existia esse tema não existia a temática africanidades mas eh eu fui para uma comunidade bem específica que eu tinha praticamente 90% da da da comunidade eh preta Negra e parda E aí a relação que eu consegui estabelecer como professor de educação física nas minhas práticas era tentar relacionar maculelê samba de roda eh eh
Pixar de rede eh Maracatu eh chachado E tantas outras culturas que vem eh da cultura brasileira melhor dizendo da cultura afro-brasileira e trazendo isso como um recurso pedagógico para eh trazer para esse corpo negro questões que eram próprias dele por que que a gente precisava por exemplo aprender poc Por que que a gente precisava aprender outras culturas eh eurocentral Então essa foi a forma como eu encontrei de discutir eh corporalmente e também eh Teoricamente sobre algumas questões né Eu acho que dessa forma você empodera esses alunos a a entender que o seu corpo pode transitar
em algo que não é aquilo que o outro quer mas aquilo que você traz consigo enquanto cultura Daquele bairro daquelas pessoas especificamente eh o bairro que eu me refiro tinha uma escola de samba então eh O que era que as crianças vivenciavam Exatamente tudo isso que eu tô te trazendo só que era era vivenciadas mas eram coisas vivenciadas que pra escola ficavam à margem Então eu tinha essa essa cultura eu tinha todo essas essas vivências essas experiências mas que não tinham um lugar de valor na escola e aí como é que a gente então faz
com que esse canal possa ser um canal de de ida e volta né então eu não vou impor a ao outro aquilo que é vivenciado no corpo dele no cotidiano Mas eu posso trazer outras questões que possam eh dialogar com aquilo que que essas pessoas têm e fazer com que eh possamos valorizar aquilo que ele traz E aí eu acho que nessa perspectiva a gente tá falando de sentido e significado pra atuação pedagógica e já que a gente tá falando de sentido e significado vou pedir um beabá aqui porque eu acho que é importante eu
queria que vocês explicassem o que é macumba O que é umbanda e o que é Candomblé e se tiver algum outro terma aí importante é que eu lembrei desses três aqui que são os mais populares e mais eh confusos vamos dizer assim na cabeça das pessoas é o mais difícil é definir né olha é isso é aqu Mas vamos tentar explicar um pouquinho se der é a umbanda dentro da porque o Candomblé Eu não vivenciei minha avó era do Candomblé e é isso que eu acho muito curioso nas famílias brasileiras que eu já conversei com
outros colegas também professores que a gente ao mesmo tempo que aos domingos estava na missa também frequentava O terreiro né então é é muito engraçado como se dá essa experiência né e tem a história também que muita gente né Eh tem preconceito mas pula também as sete ondinhas quando de a virada do ano para ir manjar né sim as sete ondas também Toma os banhos né para limpar e tal então a gente tem muito essa essa experiência né então a umbanda como eu falei ela conu para mim tem 7 anos mais ou menos e eu
comecei na Umbanda A partir de um convite de um colega que trabalhava comigo o Antônio um amigo que eu tenho um carinho enorme infelizmente eh Nós perdemos o Antônio em 2019 eh ele era professor de português e nós participávamos de um grupo de estudo chamado elê educar então Antônio me convidou para participar do grupo de estudo e nesse dia em específico estava a mãe de santo do terreiro que eu frequento que é o é o grupo gepel eh então conversando com o Antônio conhecendo pessoal uma vez eu levei minha mãe minha mãe falou assim Ah
vamos conhecer esse terreiro porque a gente né não conhece nenhum e faz tempo que eu não vou ao terreiro Então por conta da minha mãe né por causa dela por conta do que ela falou fomos nós no terreiro de umbanda então foi a primeira vez que eu conheci um terreiro de umbanda e a umbanda é é uma das religiões que ela é muito próxima assim ela tem uma uma relação também com catolicismo de alguma forma você tem a figura de Jesus Cristo na umbanda você tem os orixás e os cantos que eu acho a coisa
mais bonita são os cantos a forma como as pessoas se tratam como família mesmo pelo menos no terreiro que eu frequento e é um dos poucos lugares que eu posso afirmar na minha experiência Nem todas as pessoas que estão dentro de terreiro tem essa mesma percepção que é o único lugar em que eu não sinto o racismo presente e e uma coisa que me chamou Mita atenção na umbanda E H pessoas pretas e brancas isso a maioria são pessoas brancas é mesmo a maioria são pessoas brancas pelo menos no terreiro que eu frequento né Eh
no candomblé eu não conheço muito do Candomblé eu conheço colegas que frequentam candomblé como eu falei minha avó foi do Candomblé eh tem assim aproximações e distanciamentos Mas eu ainda reafirmo que é algo muito específico de cada religião né então a umbanda tem as suas formas de ser Umbanda que não é igual em todos os lugares também tem isso e a umbanda é brasileira não é não é uma religião brasileira que é que se originou não t é todas de alguma forma né a umbanda um CBL sim né Eh e a sua pergunta Ela é
bem pertinente e há uma diferença Assim entre uma coisa e outra Eh vamos dizer que a umbanda ela tem uma veia católica kardecista e de matriz africana é como isso né Max vamos lá vamos tentar explicar um pouco eh ela é católica Porque ela adota também os os os santos católicos né você vai ouvir comumentes a rezas que são muito M próximas orações que são muito próximas do catolicismo então Eh na umbanda você vai ver as pessoas rezarem Pai Nosso Ave Maria só ave rainha e na mesma e aí essa é uma crença específica né
Eh olhando pro cadismo eh existe um um dado que é importante que é o da incorporação que a Igreja Católica não adota né Então essa essa vertente existe ali e aí quando a gente vai pras questões de matrizes africanas adota-se também a questão dos orixás que muita gente quer relacionar com Santos católicos e isso tem a ver com secretismo mas não traz uma relação direta né porque a gente precisa entender algumas coisas vamos lá tentar entender Ox nunca vai ser Nossa Senhora da Conceição né Se a gente for pesquisar existe várias outras possibilidades mas nenhuma
delas perpassam a Nossa Senhora da Conceição ali foi uma questão do secretismo religioso a história do do do do Santo eh de de paoco que as pessoas colocavam eh as questões dos orixás dentro dos Santos e aí para para poder fazer o seu culto eh quando as pessoas chegavam não tinha imagem do Santo lá né então a gente precisa entender um pouco dessa dessa lógica de como eh conseguiu se manter algumas algumas da das das das questões religiosas no país a gente também precisa entender que houve uma época da proibição por lei da capoeira e
de todas as outras questões eh de matrizes africanas então isso trouxe a ideia de terreiro E aí terreiro a gente vai entender terreiro como o fundo da casa como um espaço de você ter a possibilidade de praticar suas crenças e num ato policial você tinha como referência alguns Santos católicos dizer não a gente tá aqui est fazendo outra coisa vamos ser presos por isso então a gente precisa entender um pouco disso né precisava camuflar algumas questões eh quando a gente vai falar sobre Candomblé ele não tem essa vertente de esse olhar eh do catolicismo ele
vai ter uma vertente muito mais Africana e aí a gente tem também vou fazer vou pegar a fala da Carol porque existe as Nações né você vai ter eh ela tá falando o povo banto Mas você vai ter o povo do Queto e nagoa que são nações diferentes com com perspectivas inclusive diferentes de cultivar os orixás né não sou especialista não sou adepto do do do Candomblé então é difícil a gente também entrar mas existe ali e eh eu tô falando do bruto eu não tô falando das questões sutis né mas a gente entendeu um
pouco dessa desse Prisma desse olhar né você se você for numa casa de cando blé você não vai encontrar a imagem de Santos né se alguém já já já esteve presente vai ter o o o o as divindades da que são os os orixás você vai ter outras imagens e e enfim é mment diferente à perspectiva desse desse olhar né Não sei se eu respondi as três questões eram três né macumba ah Macumba é que a Carol falou ali aí por isso que eu Macumba é uma palavra pejorativa para se denominar as religiões matrizes africanas
é interessante saber que Macumba é um instrumento musical então quando eu me refiro a macumba eu preciso juntar a isso a questão chuta que é macumba E por que chuta que a macumba chuta porque ele não faz parte da minha cultura porque ele já é demonizado Ou seja é uma coisa mal então eu preciso ter uma ação violenta sobre que é um pouco que a Carol traz da violência que é vivida sobre essas sobre as questões sobre as pessoas que que tem as práticas das religiões matrizes africanas né então a gente precisa separar um pouco
o que é cada coisa né Eh dentro das le de matriz africana tem outras outros eh outras nuances que não é momento de de discutir acho que era ter uma pessoa mais apropriada eh para fazer isso né e e volto a dizer peço até desculpa a quem é do Candomblé não não é não é minha prática eu tô falando de modo geral né precisava de uma uma pessoa mais eh especializada para falar especificamente sobre mas é importante ainda que a gente fale dessa forma mais generalista mais bruta Porque é importante que as pessoas pelo menos
comecem a entender um pouco mais né ter um pouco mais de de de sentido né sobre tudo isso bom a gente tá quase no final Então eu queria que vocês fizessem as suas considerações finais e que complementassem se fal se a gente algum ponto que a gente não tenha falado se você puder começar Carol por favor com as suas considerações finais ó eu quero agradecer a escuta dizer que esse tema ele é cada vez mais relevante sem sombra de dúvida cada vez mais relevante e ainda é um tabu nas escolas né é um um grande
Tabu nas escolas e que a gente precisa enfrentar no cotidiano mesmo n eh levar muito dessa pedagogia afr referenciada que eu deixo como dica para todas as pessoas que nos nos ouvem Porque é importante se aproximar um pouquinho dessa pedagogia das Encruzilhadas que traz a ideia de Exu como uns uma entidade da comunicação que traz essa questão da responsabilidade dessa essa relação di lógica e horizontal que a gente tenta tanto estabelecer na escola eh a pedagogia da professora Sandra Peti também é importante eu acho que é uma forma de se aproximar eu acho não tenho
certeza é uma forma de se aproximar dos orixás da cultura de matrizes africanas se aproximar da diversidade que elas significam né e dizer que a gente tem uma lei que é o parecer 4 de 2010 que fala da importância dessas religiões também de modo geral mas Estou trazendo aqui também LDB que o Marcos já falou então a gente tem a legislação que a gente precisa dentro da Lei 10.639 e também ultrapassando o texto legal é lembrar que essas pessoas de religiões de matrizes africanas estão na escola que a gente precisa constantemente fazer a pesquisa do
Entorno quem é a comunidade do Entorno que às vezes a gente chega na escola a escola já fala não aqui aqui não tem ninguém de religião de matriz africana falo não é necessário fazer uma pesquisa para conhecer a comunidade do Entorno porque por exemplo vou dar um exemplo eu uso muito as camisetas do ebó ebó é um é uma empresa de um rapaz negro então ele desenha todos os orixás e é muito legal ele faz uns desenh muito legal dos orixás Algumas crianças me procuram na escola Falam assim olha você tem a camiseta de oxumaré
você tem a camiseta de ançã então assim como não existe né As crianças estão lá algumas conversas comigo falam Ah minha o pai de cabeça da minha avó é Xangô então quer dizer as crianças estão lá então o que a gente precisa é trazer esse grupo para esse pertencimento valorizar a cultura e a história dessas pessoas também muito bem eh como a gente tá finalizando eu acho que a gente não discorreu e não era aqui eh não era a pauta mas não não menos importante a gente precisa sempre olhar para para uma discussão importante que
é você falar sobre o preconceito né eu o preconceito como algo preconcebido aquilo que eu não conheço mas para além do do do preconceito que ele é muito eh enraizado em nós todos e é difícil até a gente fazer um um recorte daquilo que nós não temos preconceito eh é preciso também a gente adentrar para uma outra questão mais complexa que é a discriminação o preconceito quando eu não conheço mas a discriminação ela vem já acompanhada com outras cargas emocionais né que me diferem de eu me separar ou de eu não me relacionar ou de
eu me relacionar de uma forma negativa com as pessoas pretas negras e pardas por último a gente vai falar sobre o racismo que aí já é eh como a própria Carol falou esse ódio que eu tenho não se trata mais de preconceito não se trata mais de discriminação mas um ódio enraizado de eu não conseguir to tolerar a sua presença ou de tudo aquilo que você significa né Para Além do racismo a gente precisa entender algo que às vezes as pessoas não conseguem eh eh captar a mensagem que cabe ali né que é o racismo
estrutural nós só vamos discutir o racismo religioso Porque existe um racismo estrutural enraizado de tal maneira que as minhas percepções e as minhas ações que vão contra a discussão de outra religião que não seja a minha me faz inclusive de ter gestos ações pensamentos de violência contra contra todo aquilo que não é igual a mim numa relação narcisista né E que envolve outras pessoas eu queria por último dizer que o nosso país Ele é um país que tem uma pluralidade cultural e aí eu vou me referir a algumas coisas que a Carol falou quando eu
falo de pluralidade cultural é a gente entender que dentro da Umbanda dentro do Candomblé que parece ser uma uma coisa única Ela não é uma coisa única né porque nós vamos encontrar eh dentro da Umbanda eh diversas outras nuances que aqui acontece de um jeito e lá acontece de outro lugar e se a gente olhar isso pro país como um todo a forma que se cultua Umbanda ela é distinta nos diversos lugares até mesmo na nossa cidade por outro lado a gente também utiliza isso para entender eh a a questão do Candomblé Como eu disse
existem ali duas Nações e eu tô falando de modo geral mas existe uma uma particularidade é de dessas Nações para Além disso se tem muito claro que todas as casas de matriz africana cada uma vai cultuar o seu modo aquilo que pertence àquela comunidade específica para ser como ser ser se se valer como verdade então quando eu digo isso eu estou dizendo que nem todas as casas de umbanda vai ser exatamente igual a outra como nenhuma casa de Candomblé vai ser exatamente igual a outra E aí parece que é meio esquisito mas não é vamos
fazer um recorte também temporal para questão das religiões eh cristãs né Eh quando você fala do cristianismo Você tem uma vertente mas não é uma são várias outras Vertentes e cada um com características específicas mais que isso dentro dessa especificidade existe nuances que são cultivadas em determinados lugares e outros não então a gente precisa entender um pouco dessa Quest eh e por outro outra questão que acho que é importante é a gente entender eh que a gente não é o tema de hoje mas é importante a gente dizer isso que é a questão da diversidade
humana e aí eu tô me referindo a especificamente gênero e Raça quando a Carol traz aqui algumas discussões é é interessante dizer que eh no no âmbito patriarcal não cabe a mulher que não seja numa situação submissa E aí a gente precisa entender que a grande parte dos terreiros são comand por mulheres então há também ali um um conflito né Eh e a gente precisa entender que o nosso país é o país que mais mata mulher e aí para terminar que não posso perder a deixa a gente não fez uma discussão que é importante que
não é tema de hoje mas que é importante dizer a questão das pessoas da população lgbtq a mais que também estão nos terreiros e que também estão na sociedade e que também são negligenciadas silenciadas apagadas e mortas muito bem muito bem apontado tudo isso e que prevaleça sempre o respeito né E A fraternidade entre todos isso é o mais importante muito obrigada Carol Nobrega mestra em educação an racista muito obrigada pela sua presença eu agradeço muito obrig Obrigada Marcos Coelho mestre em educação e especialista em relações étnico-raciais muito obrigada a gente que agradece E aí
para finalizar né que a gente já tá aqui no finalzinho eh a gente agradece o espaço por poder falar um pouco de nós e um pouco do nosso povo da nossa ancestralidade eh quando se coloca e o viés dessa discussão desse diálogo aqui dessa conversa nossa ela é muito rica e muito cara obrigado obrigado e Axé né A ché a Bem lembrado e esse foi o nosso videocast dessa semana vamos conversar agradeço pela sua companhia e pela sua audiência Continue com a gente aqui na educa TV acompanha a nossa programação e também siga educa TV
nas redes sociais na semana que vem teremos o último episódio da temporada 2023 pra gente voltar em 2024 com mais temas importantes para serem discutidos muito obrigada e até mais educa TV apresentou vamos conversar Prefeitura de Campinas Secretaria de Educação produtora Rio Brasil Digital educa TV Campinas um mundo de conhecimento para você