Uma parte importante para nós conhecermos melhor a nossa voz é estudar os músculos da nossa laringe, afinal, são eles que nos permitem criar várias sonoridades com a nossa voz. Mas saber o nome dos músculos apenas não nos ajuda em muita coisa. Nós precisamos saber onde eles estão na nossa laringe e com quais estruturas eles se relacionam.
E para você conhecer mais afundo os músculos da nossa laringe, é só deixar o seu like aqui embaixo e ficar comigo até o final do nosso vídeo de hoje! E você está no Voice Lab E estamos na terceira aula do nosso minicurso de anatomia e fisiologia da voz. E hoje nós vamos conhecer os músculos da laringe!
Para a gente entender como é o funcionamento mecânico da nossa voz, nós precisamos primeiro, saber quem são os músculos que causam os movimentos das nossas pregas vocais e onde eles estão dentro da nossa laringe. E é exatamente isso que nós vamos fazer agora. Então, vamos para os nossos desenhos.
Nós já desenhamos as cartilagens e os ligamentos da laringe no primeiros vídeos da nossa série. Então, vamos direto para a musculatura. Se você perdeu os vídeos anteriores, o link para o primeiro vídeo da série está aqui no card que aparece na tela.
É só clicar e assistir para ficar por dentro de toda o conteúdo que já vimos e aproveitar melhor este vídeo. Muito bem, a primeira coisa que nós temos que entender sobre a anatomia é que o nós usamos algumas linhas imaginárias para facilitar o estudo anatômico. A primeira linha é essa que divide o nosso corpo em duas metades.
Nós vamos chamar essa linha de linha média. Praticamente todas a partes do nosso corpo que estão em cima da linha média são estruturas ímpares. Por exemplo, você só tem um nariz, você só tem uma boca, um queixo, uma laringe, etc… E praticamente todas as estruturas que não estão em cima da linha média, são estruturas pares.
Por exemplo, você tem um nariz mas têm dois olhos, você só tem uma boca, mas tem duas bochechas, você só tem uma laringe, mas tem duas pregas vocais, etc… Existem estruturas que fogem dessa regra? Sim, o coração e o fígado são bom exemplos. Mas para os músculos da laringe, a linha média nos ajuda bastante.
A segunda linha que vai ajudar é essa que corta a linha média e forma um X, que nós chamamos de corte coronal. Essa linha também não tem um tamanho definido, mas ela nos ajuda a organizar quais estruturas estão mais para frente do nosso corpo, (ou seja, mais anteriores) e quais estão mais para trás (ou são mais posteriores). Bem, para facilitar a visualização dos músculos, nós vamos remover alguns ligamentos aqui do nosso desenho.
O primeiro músculo que nós vamos ver é chamado de Tireoaritenóideo. Se você assistiu aos outros vídeos da série, você vai perceber que o nome das cartilagens da laringe vão aparecer no nome dos músculos da laringe também. Isso porque na anatomia nós nomeamos os músculos de acordo com as estruturas com as quais eles se conectam.
Portanto, se o nome do músculo é Tireoaritenóideo, nós sabemos que ele começa na cartilagem tireóide e termina nas cartilagens aritenóides. Isso nos permite abreviar o nome dos músculos também. Então ao invés de Tireoaritenóideo, nós podemos dizer apenas TA.
Perceba que eu disse que o TA “começa” e “termina”. Em anatomia, nós não diremos “começa” e “termina”, mas sim “origem” e “inserção”. Saber a origem e a inserção dos músculos é extremamente importante para que a gente possa entender os movimentos dos músculos, porque quanto um músculo contrai, ele vai trazer a inserção em direção à origem.
Ou seja, quem se movimenta é a inserção. Essa diferença é tão importante, que hoje nós dividimos o TA em Interno e Externo. A porção externa tem origem na cartilagem tireóide e inserção no corpo da cartilagem tireóide.
A porção interna também tem origem na cartilagem tireóide, mas ela se insere no processo vocal das cartilagens aritenóide. Portanto, nós podemos chamar a porção interna de TA interno ou de Tireovocal. Em alguns livros você encontra apena como músculo vocal.
Essa divisão não é só por causa da origem e inserção. Se nós fizermos um corte paralelo à linha média na nossa laringe, nós podemos perceber que também tem uma diferença de tamanho. Aqui o TA externo, e aqui o Tireovocal.
Se fizermos um corte coronal, isso também fica claro. Aqui TA externo, aqui o TA interno, ou Tireovocal. O próximo músculo que nós temos é o Cricotireóideo, ou CT.
Como o nome nos indica, o CT tem origem na cartilagem tireóide e inserção na cartilagem cricóide. Fica mais fácil se nós olharmos a nossa laringe de lado. Desse ângulo nós podemos ver que algumas fibras musculares do CT são diferentes.
Elas possuem a mesma origem e inserção, então geralmente nós encontramos esse músculos apenas como CT. Mas alguns materiais separam o CT em duas partes. Essa parte que tem as fibras mais inclinadas na diagonal, nós chamamos CT oblíquo.
Essas outra parte que tem as fibras mais em pé, nós chamamos de CT reto. Se as fibras musculares são diferentes, nós podemos pensar em funções diferentes também, e é por isso que os autores que estudam a fisiologia da voz geralmente separam o CT reto do CT oblíquo. O próximo músculo que temos tem origem na cartilagem cricóide e inserção na cartilagem tireóide.
Por tanto, o nome dele será Cricoaritenóideo. Esse músculo é o único músculo que tem a função de abrir as nossas pregas vocais. Todos os outros que nós vimos fecham ou aproximam as pregas vocais.
Continuando, o próximo músculo que temos tem origem na cartilagem cricóide e inserção na cartilagem aritenóide. Portanto, o nome dele será Cricoaritenóideo. Opa, parece que temos um problema aqui.
Nós temos dois pares de músculos que tem origem na cartilagem cricóide e se inserem na cartilagem aritenóide. E agora? Bem, aqui é onde nós precisamos usar as nossas linhas imaginárias, aquelas que nós vimos lá no começo do vídeo.
Se a gente colocar a nossa linha coronal, nós podemos ver que um dos pares de Cricoaritenóideos fica totalmente na parte do fundo da laringe, e o outro par é cortado no meio. Isso quer dizer que um dos pares atravessa a linha coronal, então não podemos dizer se ele é anterior ou posterior. Mas o outro está totalmente na parte posterior da laringe.
Então, isso resolve uma parte do nosso problema, porque nós podemos chamar esse par que ficou para trás da linha coronal de Cricoaritenóideo Posterior, ou CAP. Mas nós precisamos dar um nome para o outro par também, então vamos traçar nossa linha média. Bem, nós podemos ver que a linha média também corta um dos pares de músculos ao meio, então ela não nos ajuda a dar nome para ele.
Mas nós já chamamos esse par de CAP, então, ela vai nos ajudar a dar nome ao par que nos falta. Como nós podemos ver, esses músculos se afastam da linha média em direção às laterais da laringe. Então, nós podemos chamar esses músculos de Cricoaritenóideos Laterais, ou CAL.
Agora sim, nós temos Cricoaritenóideo Posterior e Cricoaritenóideo Lateral, então, não vamos mais nos confundir com a nomenclatura. Vou deixar a nossa linha média aqui e apresentar o nosso próximo músculo, que é um músculo que cruza a linha média e tem origem no corpo de uma cartilagem aritenóide e inserção no corpo da outra cartilagem aritenóide. Isso quer dizer que as fibras desse músculo estão na horizontal, ou seja, são transversais.
Como ele está entre as duas cartilagens aritenóides, nós vamos chamá-lo de Interaritenóideo Transverso. Mas tem um detalhe importante. Como nós vimos no começo do vídeo, que quando uma estrutura está em cima da linha média, ela provavelmente é uma estrutura ímpar.
Portanto, o Interaritenóideo não é par, ele é o único músculo ímpar da nossa laringe. Existem também os músculos Interaritenóideos Oblíquos, que também saem de uma cartilagem aritenóidea e se ligam na outra, porém, eles têm origem na base da cartilagem aritenóide de um dos lados e inserção no ápice da cartilagem aritenóidea do lado oposto. Isso quer dizer que eles formam um X.
Para ficar mais clara a visualização, é melhor nós olharmos a nossa laringe de lado novamente. Aqui nós podemos ver o Interaritenóideo Transverso e aqui os Interaritenóideos Oblíquos. Alguns materiais chamam os músculos interaritenóideos apenas de músculos aritenóideos, ou ari-aritenóideos.
Os próximos dois músculos que nós temos são músculos que não movimentam as pregas vocais diretamente, mas eles nos ajudam a criar alguns efeitos vocais. Eles são responsáveis por movimentar a epiglote e a membrana quadrangular. O primeiro deles é o músculo tireoepiglótico, que tem origem na cartilagem tireóide e se insere tanto na epiglote quanto na membrana quadrangular.
Alguns autores defendem que esse músculo é uma continuação das fibras do TA externo por causa da disposição das fibras musculares. O outro músculo que nós temos são os ariepiglóticos, ou aritenoepiglóticos, que são responsáveis por puxar a epiglote para baixo. Assim como o tireoepiglótico, alguns autores defendem que os músculos ariepiglóticos são, na verdade, a continuação das fibras musculares dos Interaritenóideos Oblíquos.
E esses são os principais músculos da laringe! Agora é hora de colocar esse conhecimento em prática para que esse nomes fiquem bem gravados na sua memória. Para começar, comenta aqui embaixo os nomes dos músculos que nós vimos hoje e quais são as siglas que de cada um deles.
No próximo vídeo nós vamos começar a estudar quais são os movimentos que esses músculos fazem nas estruturas da nossa laringe. Portanto, se você ainda não fez a sua inscrição, é só clicar aqui embaixo e se inscrever no canal para ficar por dentro dos próximos vídeos aqui do Voice Lab. .