Boa tarde a todas e a todos mais uma vez Eh estamos iniciando o segundo dia do evento presença e outras leituras homenagem a Bento Prado Júnior hoje já temos na mesa o Professor Vladimir safatle a quem eu agradeço pela sua presença e colaboração eh antes de passar a palavra a ele eh eu vou reiterar algumas coisas que eu falei ontem sobre a ideia do evento e quem fo evento também né para não repetir Exatamente o que eu falei ontem foram mais agradecimentos né Eh e temos também na mesa a Agatha que é aluna da pós-graduação
que vai mediar essa mesa eh então a ideia de fazer uma homenagem ao professor Bento Prado Júnior que é um dos professores digamos assim fundadores né do departamento de filosofia muito disso já foi falado ontem pela professora Helena professor Sérgio principalmente eh mas a ideia a ideia Inicial surgiu pelo fato de esse ano se cumprirem comemorarmos 35 anos e 60 anos do livro presença e Campo transcendental consciência e negatividade em berkson né são 60 anos eh do ano que foi escrito como tese de livre docência em 1964 e esse texto ficou um tempo sem ser
publicado né então depois foi publicado em 1989 pela edusp E aí são os 35 anos Da publicação eh a professora Silene Que também está aqui ela foi eh importante na mediação na publicação na tradução desse desse evento Então ela vai falar daqui a pouquinho desse livro né Eh mas como o título diz presença e outras leituras o evento não se uzz ao livro presença e Campo transcendental né porque à medida que eu fui eh junto com Alex Moura que é o coordenador Eh convidando eh pessoas que de alguma forma se relacionaram com o professor Bento
ou com sua obra eh os temas Eles foram ampliando o alcance Inicial né como psicanálise mesmo eu sobre dez eh excede o o o essa ideia inicial de presença né E também tem um aspecto eh relacionado à presença mesmo das pessoas que se fizeram presentes aqui né professores do departamento do departamento de uma geração mais antiga Outros um pouco mais novos né Eh mas que de alguma forma nós reencontramos graças ao vento por a sua homenagem né e eu também reitero uma dedicatória que nós fizemos de modo geral do evento à memória do Bentinho que
é o neto do bão e o filho do Bento Prado Neto o tucho que também estaria aqui e não pode participar e bom dito isso acho que eu posso passar a palavra para o Professor Vladimir primeiramente A Agatha vai apresentar eh o professor e aí a gente continua com a conferência tá muito obrigado bom Boa tarde então vou dar início a uma singela apresentação do professor safatle eh ele possui graduação em filosofia pela Universidade de São Paulo graduação em Comunicação Social pela escola superior de propaganda e marketing mestrado em filosofia pela Universidade de São Paulo
e doutorado em eh em li e transformation De la philosophie pela Paris 8 atualmente é professor titular do departamento de filosofia da Universidade de São Paulo Além disso foi professor visitante em várias universidades internacionais foi ainda responsável de seminário no Colégio internacional de filosofi desenvolve pesquisa nas áreas de epistemologia da psicanálise e da Psicologia desdobramento da tradição dialética hegeliana na filosofia do Século XX e Filosofia da música é um dos coordenadores da International society of psychanalyses and philosophy do laboratório de pesquisa em teoria social filosofia e psicanálise e presidente da Comissão de cooperação internacional da
fefel desde 2012 agora então passo a palavra ao professor muito obrigada Ok então inicialmente eu queria agradecer muito esse convite que me foi feito de fazer parte dessa desse evento um evento acho fundamental Como disse o Bento Prado é uma das figuras tutelares desse departamento certo h e não só pela sua pela sua importância institucional mas também por aquilo quee representou No que diz respeito a um certo modo de fazer filosofia né que aparecia como uma um contraponto a um a um modelo que depois se institucionalizou que foi basicamente o elemento mais constituinte da nossa
formação ah Posteriormente então ele sempre foi para todos nós um grande exemplo do que significa efetivamente fazer filosofia né Eh eu sugiro entre outras coisas eh a leitura dos seus textos seus livros né Eu queria aproveitar até esse ponto porque acho que o Bento eu começaria um pouco a minha discussão que talvez o Bento responda de maneira muito importante o que significa fazer filosofia no Brasil não O que que significa efetivamente a experiência de Uma filosofia Nacional de pensamento crítico Nacional eu digo isso porque entender as dinâmicas próprias digamos da de tradições do pensamento crítico
que cresceram na periferia do capitalismo como é o caso nosso no Brasil ele exige eu diria um duplo giro decolonial né são duas estratégias e é sempre importante lembrar eh de como essas estratégias elas devem andar mais ou menos em paralelo né dizer primeira H porque veja não é só uma uma questão de Procurar eh aqui por temas e questões que foram na verdade percebidas por universidades norte-americanas universidades europeias como aquelas questões que nos caberiam que seriam próprias certo de um de daqueles que procuram digamos superar experiências de opressão eh Colonial né o que não
deixa de ter lá sua ironia porque ou seja ah trata--se de procurar nas eh nas universidades As instituições dos países coloniais as matrizes do Pensamento decolonial né Eh eu acho que claro por até porque boa parte desses que organizam tal reflexão são H são principalmente pensadores expatriados né que estão há muito tempo longe dos seus países de origem e que acabam de uma maneira ou de outra constituindo um núcleo mas no interior do do sistema institucional Universitário e de pesquisa dos países anteriormente vinculados anteriormente não porque o processo não terminou né os países Vinculados a
dinâmicas coloniais bem só que há também um eu diria uma uma segunda uma segunda vertente né e eu diria que e é importante lembrar dela porque acho que faz necessário est atento a essa forma singular através da qual países periféricos eh formam tradições de pensamento crítico a de a partir das suas próprias demandas e através da internalização de programas e de pesquisas e uma dessas eh eu diria de um Desses desses modelos desses caminhos mais astutos de perpetuação de uma certa Matriz Colonial é acreditando que essas questões que certas Há questões que tão fora dos
limites do nosso pensamento do do pensamento daqueles que eh que a filosofia diamos na periferia né são questões que não nos concernem como se houvesse uma espécie de visão social do trabalho né Eh e eu insisto nisso até por uma razão muito simples porque eu fui responsável pela pela tradução de um Livro do Bento não que eu tenha traduzido mas fui eu que que propus em inglês erro ilusão e loucura pela polit press né Na época que eu fazia parte de uma de um de um board de um de um com T de publicação que
chamava Critical S né e eu lembro das discussões que foram feitas eu acho importante isso não é só uma questão de anedotário acho que disso diz muito respeito ao que significa fazer filosofia no Brasil né eu lembro que de teré apresentado esse livro A Primeira reação foi não mas esse livro é muito europeu né eu falei mas por que que ele é muito europeu Ah porque ele fala sobre autores europeus né falava sobre bergon falava sobre witkin entre tantos outros né e eu havia insistido não mas veja eu eu eu realmente não entendo o qual
é a crítica nesse caso né porque bem primeiro parece que essas questões não são interditadas segundo parece que eh nós não teríamos uma maneira singular de inflexion essas Questões né Eh e de produzir out tipo de reflexão e parece que a gente tá submetido a uma divisão social do trabalho no final das contas né bem depois de Muita confusão o livro foi publicado depois de um longo debate epistolar o livro foi publicado E aí eu também saí da coleção n tudo bem Mas valeu a pena né bem eh eu digo isso só porque eu gostaria
primeiro introduzir a experiência intelectual do Bento Prado para aqueles que que que não conhecem e Depois queria entrar na minha discussão exatamente né Espero conseguir fazer isso em meia hora né porque ele não ainda que o Bento seja reconhecido como um dos eh maiores nomes da filosofia feita no Brasil e um dos seus mais eh exímios ensaístas aquele el que utilizou a forma ensaio talvez pelo menos entre nós né Eh de uma da maneira mais eh digamos mais elaborada né Eh é certo que a sua sua reflexão suas obras elas circulam muito em em Horizonte
em Horizonte limitado né ainda que bem ele não seja alguém que tenha uma obra extensa quer dizer seus livros são basicamente presença em campo transcendental que tá sendo objeto que su té de doutorado tá sendo discutido agora né como bem foi lembrado parte de uma efeméride filosofia da psicanálise que é uma coletânia né alguns ensaios também uma coletânia filosofia Literatura e psicanálise e eh erro ilusão e loucura e também depois uma uma Publicação póstuma duas publicações póstumas eh a retórica de roussea né e e psitas que é o livro que ele tava terminando de fazer
e e eu acabei estabelecendo estabelecendo não se se vocês me permitirem contar Como foi o processo de de de estabelecimento do texto eh eu passei quase 10 anos meio paralisado sem saber o que fazer com todos os os arquivos todos os eh o material Inclusive a Leia é alguém que me forneceu vários materiais de aula que Ele tava elaborando ao mesmo tempo certo e E aí num dado momento eu tive uma compreensão de que a única coisa que era possível fazer era nada né significa que eu deveria publicar Tal Qual ficou o o o o
arquivo e foi isso que aconteceu né bem eu acho que tava certo porque depois no dia seguinte eu tive um sonho né e acho que o sonho dizia alguma coisa né porque o sonho eu encontrava ele numa numa estação ferroviária né com com uma uma roupa de Sobretudo parece parecia filme dos anos 50 né na verdade eu tava na estação ferroviária era com uma mala e eu não sabia o que eu tava fazendo na Estação Ferroviária E aí para um trem né e ele desce do trem aí ele fala ah você trouxe minha mala Obrigado
né Aí ele foi entra no trem e vai embora bem esse era o sonho mas acho que ele é fácil de ser interpretado né então então Acho que alguma coisa tava certo né De toda forma Ok H Mas como eu tava dizendo eh ele foi Ele ele era professor da univers Deixa eu só contar um pouco a história acho Talvez seja o caso ele foi professor da universidade de São Paulo ele foi eh exilado pela ditadura militar dos anos 60 e ao voltar ao Brasil ele eh vai se dedicar à filosofia Eh desculpa que eu
tô com não tá muito Claro agora sim mas principalmente a partir da incorporação de conteúdos que pareciam externos a ela né Então é ele que de uma Certa maneira traz ou tenta sistematizar ent entre nós a a o recurso filosófico à literatura né Eh entre outros quer dizer você tem o Benedito Nunes também no no em Belém que tá fazendo alguma coisa muito parecida né mas são poucos os que fazem isso o recurso filosófico antropologia recurso filosófico à psicanálise e à ciências cognitivas então é sempre um tipo de pensamento digamos de Fronteira O que diz
respeito à reflexão filosófica não só isso mas Isso esse é um elemento muito importante né em todas essas áreas ele foi capaz de encontrar Ah o meio os meios de fazer com que ah a reflexão filosófica ela pudesse lidar com problemas da sua história da sua tradição mas através de matérias que eles seriam eh naturalmente estranhas Só que essa dispersão de Horizonte ela foi eu diria a manifestação de algo de um de um elemento muito mais profundo né Eh que eu diria que que é mais ou menos o Seguinte E aí vale a pena lembrar
por onde ele trafega né quer dizer entre a filosofia analítica e o e o pós-estruturalismo francês entre o o vitalismo Bergs sonian e a teoria da consciência eh de de extração sartriana né E se a gente quiser analisar um pouco esses movimentos feitos através digamos dessas fronteiras né Eh parece que ele que o vento procurava habitar uma espécie de espaço impossível né só que ele tava na verdade eh se perguntando Sobre o que que significa efetivamente fazer filosofia no Brasil e quais são as vamos assim as especificidades dessa desse fazer filosófico né porque é claro
que a gente poderia começar eh se perguntando se haveria alguma coisa com a filosofia Nacional do país né Eh só que aí eu diria como por exemplo como se houvesse uma filosofia inglesa uma filosofia francesa que tem os seus elementos mais ou menos constituintes certo que t a sua Sua tradição mais ou menos estabelecida n só que eu queria insistir em outro aspecto quer dizer na verdade o que tava em questão era a possibilidade de em um Horizonte digamos de eh de perspectiva em relação às tradições mais estabelecidas uma das grandes vantagens de fazer Filosofia
na periferia é poder encontrar conexões que em outro em outros casos Elas seriam imperceptíveis é poder encontrar articulações que em outros casos seriam Completamente imperceptíveis Ou seja a possibilidade de jogar com tradições né possibilidade de articular várias tradições né Eu acho que ninguém melhor do que ele fez isso né a a lembrar certo suas últimas suas articul ações completamente inusitadas de uma certa forma como por exemplo encontrar o plano de imanência de delus certo numa relação profunda com a ideia de jogos de linguagem do wittenstein né ou seja articulando duas tradições que seriam Completamente refratárias
umas às outras só que eu queria insistir num ponto porque esse ponto me parece importante porque se a gente começar se perguntar afinal de contas Qual é a sua o eixo da sua experiência intelectual eu tenderia a dizer que ela se encontra na decisão filosófica de não suspender os vínculos fundamentais entre sujeito e razão né mesmo após mesmo após as críticas ao Sujeito que as filosofias eh do século XX conheceram e essa decisão me parece um eixo maior da a originalidade da sua experiência filosófica porque ela caminha na contracorrente de algumas tendências maiores do pensamento
crítico contemporâneo e de suas consequências efetivas e já o ao fim ao cabo Bento Prado vai participar dessas correntes minoritárias da Filosofia Contemporânea que vão tentar constituir uma reflexão sobre o sujeito a partir de tensões que Visam evitar toda forma de retorno a uma metafísica da identidade ao mesmo tempo que recusam a pensar diferença e uma perspectiva de dispersão irredutível na qual ela não teria forma alguma de implicação mútua na qual não conheceria forma alguma de transformação por contágio é interessante essa essa procura em sustentar o lugar do sujeito como uma especificidade um pensamento que
se livra um pouco das suas das suas Amarras de tradições como se fosse o caso de pensar uma figura da subjetividade que é uma figura sem lugar ou na verdade o lugar comum sem gramática própria eu insistiria assim e me parece que isso talvez diga alguma coisa também sobre a experiência da filosofia Nacional né uma experiência filosófica que talvez tenha as condições de pensar essa essa esse objeto tão singular que é a ideia de um lugar comum sem uma gramática própria Eu queria um Pouco desenvolver essa questão né porque vejam longe de uma subjetividade constituinte
que constituiria o mundo a partir do pensar representativo a partir longe de uma substância Auto Idêntica que se fundaria que fundaria sua normatividade a partir de processos de autolegislação e Auto jurisdição o sujeito vai ser um sistema de para alguém como Bento Prado um sistema de implicação reflexiva com a Alteridade ou ainda com aquilo que produz descentramento É por isso a relação com a psicanálise é tão orgânica seu caso ou seja há uma reflexividade constitutiva da categoria do sujeito É verdade Só que essa reflexividade ela não é simplesmente uma expressão da posse dos objetos da
projeção categorial do meu entendimento sobre o mundo h de se livrar a reflexão das figuras da consciência Proprietária ela na verdade é uma forma de contágio de contágio com que não se submete ao sujeito como centro o que nos obriga a recusar a ideia de todas as filosofias do jeito dos últimos quatro séculos como uma mera expressão da mesma operação um pouco como faz heidegger na sua crítica que é uma que é uma umum debate importante do Bento eu cito aqui na verdade Bento Prado e pitas entre a fórmula cartesiana Do cógito a articulação do
sentido do is denk na refutação do idealismo da primeira crítica A demolição Liana do mesmo cógito a psicologia de William James e o argumento da linguagem privada a uma história de metamorfoses categoriais e que essa história de metamorfoses categoriais ocorra através dos desdobramentos da história do conceito de sujeito das suas funções eu acho que é algo que não deve ser visto como um Acaso porque é próprio do conceito de sujeito eh ser uma história de metamorfoses categoriais um processo de transformações resultantes da abertura e da obrigatoriedade de incorporar O que é não idêntico à reflexão
por isso que tem a sistir como a tarefa contemporânea de recuperação do sujeito do qual Bento Prado faz parte é estruturalmente simétrica a exigência de Compreender os sistemas de implicação reflexiva com que produz descentramento compreender como esses sistemas aparecem em discursos como da literatura moderna e da psicanálise e por sua vez esse descentramento ele não é apenas resultado do reconhecimento produzido por outra consciência ele é o resultado da emergência de Um fundamento que não deve se de que não se deixa pensar sobre a forma da Consciência e notem como essa estratégia vai levar Bento Prado
operar um certo deslizamento que é sempre presente nos seus textos um des lamento que consiste em aproximar deliberadamente e a normatividade porque a alteridade que realmente interessa é aquela que me obriga a me deparar continuamente com o limite a pensar no limite ou seja nesse espaço onde as garantias de controle de individuação estável vacilam um pensar Capaz de se deixar tocar eu cito Bento prado por algo como outro absoluto o homem que eu não posso ou que eu não posso mais reconhecer ser como um homem este que fala uma outra linguagem que joga um jogo
diferente Ou ainda o que não é muito diferente o imundo o mundo que não é submetido a regras a respeito do qual nós não podemos falar então vejam é interessante isso porque o eixo da tensão desse projeto consiste na exigência de falar de um Outro absoluto que no entanto me é constitutivo um outro que não tem mais a forma de uma outra consciência mas que ainda é capaz de contagiar A reflexão e esse paradoxo aparente levou Bento Prado a tentar falar ao mesmo tempo do sujeito e do plano de imanência em sua versão deusiana de
Campo transcendental dos moldes sartriano psicanalítico S coisas que aparentemente seriam contraditórias né Essa Experiência tensa que nos permite Entender o que o Bento Prado Procura pensar como experiência da ipseidade e o termo foi escolhido para evitar a noção de subjetividade e a sua polaridade de origem a saber polaridade sujeito e objeto evitar polaridade não significa recolocar a filosofia no horizonte da afirmação da imanência significa instaurar a polaridade no interior do próprio espaço do si mesmo o Que significa ser si mesmo é a primeira pergunta poderia colocar e quem faz essa questão quem admita que essa
pode ser uma questão que pode ser a questão filosófica por Excelência admite que a tentativa de descrição da autorreferência não é uma operação Evidente porque a gente sabe que a autorreferência Exige uma linguagem que essa linguagem determina limites eu não posso sair de mim mesmo ou da minha linguagem vai dizer o Bento Prado mas essa proposição ela pode implicar o risco de uma certa deriva relativista que vai definir a pluralidade de identidades linguístic estruturadas como um solo primeiro e intransponível uma multiplicidade que seria apenas a dispersão das Diferenças dispostas de uma exterioridade indiferente e aqui
entra uma questão muito interessante que é uma questão que o Bento frado coloca que seria uma Linguagem que fosse minha O que que significa minha Nesse contexto uma linguagem minha não é uma linguagem privada uma linguagem Desprovida de força de implicação genérica só que aceitar a afirmação de uma linguagem minha obrigaria compreender essa ipseidade pressuposta no prenome possessivo minha né como a expressão de uma segurança ontológica em relação às condições de Esclarecimento dos usos da linguagem da produção do sentido Só que não é não é esse o caminho do Bento Prado e notem por exemplo
como é a crítica a essa segurança ontológica por isso que o que eu minha minha minha conferência era sobre Literatura e psicanálise segundo Bento porque é a crítica essa segurança ontológica que de fato leva Bento prado por exemplo a recusar a crença do Roberto Schwartz na compreensão da crítica como diz o schwarz com uma descrição das estruturas que em última instância define o campo de toda a significação possível estruturas que garantiriam a intelecção Clara da produção da significação literária através do desvelamento doss seus mecanismos de produção já que o centro de gravidade do do interesse
crítico se desloca da face patente da obra isso é o Bento Prado dizendo da sua poupa visível do seu valor de uso pros esquemas da sua produção pro sistema invisível de coerções que presidiu a sua fabricação então que seria uma linguagem que fosse minha que não caísse nessa ilusão de uma segurança ontológica né de uma de uma disponibilização integral do sentido ao sujeito porque é uma crítica da linguagem ou uma crítica literária que fosse o conhecimento das estruturas Sociais que tornam possíveis e produzem realmente a consciência como queria o Roberto Schwartz seria ainda o movimento
da Consciência em direção a ela mesma movimento arquitetado na sombra da sua segurança ontológica afinal não são as estruturas que descentramiento menos se elas aparecem como expressão de uma consciência social nesse caso continua a se a operar a se operar com um pressuposto fundamental a saber a Tese e é o cito Bento Prado da continuidade entre a consciência e o saber entre a experiência vivida e o conhecimento estrutural e contra essa visão pento Prado vai dizer que uma linguagem que fosse minha seria necessariamente uma linguagem que vamos dizer o whitehead pudesse expor como os limites
da natureza estão sempre em Farrapos e na verdade não é possível sair da minha linguagem mas também não preciso sair da minha linguagem porque Os seus limites já estão em Farrapos no entanto o que pode significar essa expressão limites inf Farrapos eu diria que primeiramente ele implica o reconhecimento de uma articulação descontínua entre experiências linguisticamente constituía e des categorial a linguagem toca o mundo através do seu fundo sem fundo no qual as descrições categoriais encontram o uxo de ultrapassagem dos Seus próprios limites queria citar o Bento Prado A esse respeito me parece uma colocação muito
interessante é preciso parar justamente nesse limite em que nenhum fundamento ainda é possível quando imaginávamos alcançar a segurança da Rocha e da argila do gond encontramo-nos À Beira do Abismo sem fundo AB gonda não é na clareza de um mapa categorial estrutura a priori da Razão ou verdade ou verdade factual do senso Comum que os falsos problemas podem ser dissipados provocando a ataraxia E é disso que fala a literatura que interessa a Bento Prado assim por exemplo ele vai falar das figuras do Pântano e do Brejo na literatura do Guimarães Rosa eu cito falando do
Guimarães o brejo é a prova de que no mundo tudo é possível de que as metamorfoses mais inesperadas podem converter o bom e mal e de que cada Face pode subitamente ser Corroída e desfigurada por uma lepra incontrolável a estrutura se desfaz e todas as formas passam umas pelas outras numa promiscuidade insuportável as coisas vivas agarram-se umas nas outras e o contacto é a marca definitiva ou seja vocês percebem O Pântano aparece como uma espécie de imagem literária de Um fundamento que é o espaço no qual a estrutura se desfaz no qual todas as formas
passam umas pelas outras e emerge um fundo que Pode corroer toda forma pode colocar toda forma em ritmo de metamorfose seria interessante perguntar porque isso aparece numa filosofia que se é pensada no Brasil e essa linguagem noa que vai ser a única que pode ser chamada de minha assim a linguagem eu cito Bento aparece aí menos como um sistema de signos que permite a comunicação entre os sujeitos do que como um elemento como um Horizonte solo universal de toda a Existência e de todo o destino e nota essa dicotomia decisiva há uma linguagem que desconhece
a sua submissão comunicacional a à condição de sistema de signos há uma linguagem que mesmo sem comunicar é solo universal de toda existência e de todo destino como se fosse questão de expressar a latência de um comum sem gramática própria mas um solo comum que é produtor de linguagem e de obra eu queria tentar explicitar aqui uma tensão Maior lembraria do que o que diz Bento nos seus diários cito o seguinte a poesia pode não ser inteiramente traduzida mas os textos de crot sobre intru foram traduzidos e compreendidos em pelo menos 24 línguas diferentes seja
não a poesia não pode ser inteiramente traduzida porque a sua maneira ela toca esse comum que não tem gramática própria e que por isso não passa de lngua a outra não se codifica n Operações debilidade mas essa impotência da língua não é a sua fraqueza e sua limitação ela é sua força ela é a força de uma linguagem que se aproxima demais do que pode colocarla em risco apenas para expor a possibilidade da ultrapassagem contínua dos limites isso talvez nos explique o verdadeiro erro que uma filosofia pode produzir Ao menos para Bento Prado eu cito
é o erro de postular demasiada Clareza ou regularidade nas almas e coisas demasiada limpeza na linguagem a metáfora da natureza como perfil em Farrapos ou mal desenhada Visa as categorias do instante do lugar e do acontecimento tais como foram definidas pelo pensamento clássico porque é claro que trata--se de não compreender mais o acontecimento como um elemento no sentido de uma última parte indivisível simples ou última mas como elemento no sentido da De atmosfera de Horizonte ou seja no sentido de um campo de um plano de implicações que emerge para além das demandas terapêuticas eu cito
Bento de readaptação ao mundo através do reencontro e da redescoberta da Reconciliação consigo mesmo na atualidade da vida de todo dia e das suas formas de expressão esse plano de implicações nunca se atualizará sob a forma de um Logos capaz de garantir o fundamento dos Nossos processos de deliberação a partir da procura do melhor argumento Na verdade ele foi descrito como forma de ancoragem da linguagem Vejam Só vocês na fises quando Bento Prado falar por exemplo da capacidade de guaran Rosa eu cito de revelar uma escritura que se esboça no ponto zero da humanidade da
cultura na própria natureza eu queria terminar Tem que uns 10 minutos ainda maravilha então acho que vai dar certo só só por esse ponto Porque é o seguinte rmas que é um que é um belo contraponto costuma dizer rabas costuma dizer é um é um é um bom lapso Mas tudo bem ras costumava dizer Nem mesmo aquele que salta fora da argumentação de maneira consequente consegue saltar fora da prática comunicacional cotidiana ele permanece preso aos pressupostos dessa esses por sua vez são pelo menos parcialmente idênticos aos pressupostos da argumentação em geral is é o rá
nó Falando sem ter que entrar necessariamente em uma uma pragmática transcendental a gente teria ao menos uma gramática geral capaz de regular conflitos de interpretação a partir da Procura pelo melhor argumento só que uma das estratégias críticas maiores do Bento Prado inclusive num debate com habermas consiste direto aberto consiste em se perguntar sobre a estrutura da Subjetividade pressuposta por posições filosóficas que procuravam salvar alguma forma de normatividade imediatamente acessível ao sujeito essas desconstruções da normatividade que chegavam a afirmação de que o homem comum não passava de um projeto pedagógico que é o caso do do
Bento eram na verdade operações iniciais de um redimensionamento do campo da experiência já que o abandono do Horizonte normativo nos leva ao Reconhecimento eu cito Bento da incontornável ambiguidade da experiência e da anarquia discursiva que ela abre só que como a gente deve entender essa anarquia discursiva porque essa defesa da ambiguidade da experiência da procura da heterogeneidade redutível com a sua anarquia discursiva e resistente a unificação conceitual Pode parecer uma profição de fé irracionalista ou pelo menos Relativista e essa acusação parece ganhar força se a gente levar em conta a maneira com que o Bento
Prado afirmava a impossibilidade de fundamentação positiva de critérios universalizantes de julgamento apoiando-se num leitura da noção ví Anana de jogos de linguagem ele insistia que não era universalização de critérios e de sistemas de regras o objeto de um entendimento comunicacional mais ou menos Transparente ao contrário ela era objeto de persuasão E quem diz persuasão não diz apenas reconhecimento do melhor argumento nem tá pensando em alguma forma de identificação de concepções conversacionais da filosofia n ao contrário quem diz persuasão diz conversão des Constituição de um campo conflitual no qual entra em cena processos de identificação circuito
de afeto desculpa merchandise investimentos Libidinais Constituição de critérios de autoridade entre outras coisas o campo da persuasão é antes o da Guerra muito mais do que do entendimento comunicacional vai issoo insistindo várias vezes nesse ponto isso leva a fazer colocações como a base de um jogo de linguagem não é constituída por proposições suscetíveis de verdade e de falsidade mas corresponde apenas a algo como uma escolha sem qualquer fundamento racional corresponde uma decisão Patológica não no sentido de distorcida mas no sentido de afetada por um patus que nos remete à ordem do e de fato a
gente vê como essa é uma operação arriscada por várias razões primeiro definir a argumentação racional como um campo conflito de persuasão implica na desmontagem da dicotomia estrita entre psicológico e transcendental né No Limite como a garantia transcendental é colocada em risco parece que a gente tá sendo levado A dissociar problemas de justificação e problemas de verdade porque se a base de um jogo de de linguagem é constituída por escolh sem fundamento racional Então nada mais pode justificá-la a não ser práticas sociais que eu tomo por necessária e para encaminhar a questão not tem como como
Bento Tenta resolver o problema ele diz o seguinte persuadir alguém é levá-lo a admitir justamente o que Não Tem base uma mitologia algo que Tá muito além ou a quem da Alternativa entre o verdadeiro e o falso o racional e irracional ou melhor dizendo entre a sensatez e a loucura entre o Cosmo e o caos bem eu diria o seguinte tem uma maneira niana de resolver essa compreender essa colocação porque se persuadir levar alguém admitir que tá a quem da Alternativa entre verdadeiro e o falso é porque talvez verdade e falsidade não sejam os critérios
adequados aqui Talvez existam Determinações de valor que digam a respeito não a descrição de estados de coisa mas há modos de estruturação de formas de vida que nos suade não é exatamente a verdade de uma proposição mas a correção de uma forma de vida que ganha corpo quando eu ago a partir de certos critérios eu admito o valor de certos modos de Conduta e de julgamento então o critério do que me persuade tá ligado a um julgamento valorativo a respeito da Forma de vida que para mim tem peso normativo só que é verdade que esse
problema se complexifica porque para não incorrer uma nova versão de relativismo eu preciso fornecer um critério que vai me permitir então avaliar formas de vida dizendo que algumas são mutiladas outras são patológicas certo e aí vem um dado que eu insistiria eh uma afirmação central do Bento Prado que é a seguinte como os jogos de linguagem as for formas de vida são Ligadas internamente os mal-entendidos linguísticos remetem a uma desordem na própria vida e ele acrescenta que se uma doença perverte o seu uso essa perversão deve remeter a uma perversão no coração da forma de
vida em si paraa filosofia nós devemos liberar o fluxo da vida e alargar a sua esfera aqui eu queria terminar nesse ponto que é o seguinte nesse ponto que a gente poderia apelar a essa vida em desordem como fundamento da liberação dos seus fluxos que seria uma Expressão maior da recuperação da fis por Bento Prado o que nos coloca diante de uma estratégia que parece recuperar algumas temáticas da ontologia reren do ser só que há várias formas de encaminhar eu gostaria de de apelar a uma eu termino por aqui que eu creio que seria do
agrado do binto Prado que é comentando um poema trata--se de Tod naen Berg que é um poema de Pelan escrito exatamente em homenagem ao heidegger depois que os dois se encontram na o heidegger morava numa Cabana né Ou pelo menos sei lá vivia um boa parte do seu tempo numa Cabana no meio da floresta negra que perto exatamente de todna Berg e vai lá na cabana e ele escreve depois um poema né o poema é é o seguinte eu é uma tradução mais ou menos mas também a tradução que tem não é melhor do que
essa né Vamos lá arnica Eufrásia o beber Da fonte Como Estrelas dado acima na cabana escrito no livro nomes de quem estão anotados antes do meu nesse livro linha de hoje por uma palavra de Pensador a vir no coração clareira desnivelada orquídea e orquídea singular crueza mais tarde a caminho claramente que nos conduz o homem que se escuta o meio caminho de troncos Repisado no Pântano humidade muitos bem haveria uma forma eu diria pobre de falar sobre esse poema que é colocando sobre o signo de uma narrativa ou seja sobre o signo da estilização de
um encontro que efetivamente ocorreu entre o celan e o heidegger eles se encontraram na câmara do heidegger havia de fato uma fonte na entrada havia de fato um livro no qual os visitante escrevia seu nome etc só que notem como o poema é uma forma do poeta celan Refletir sobre a filosofia do heidegger e tomar distância dela selan põe um poema que inicialmente mobiliza figuras da fises a mesma fises que como nos lembra heidegger é uma palavra grega fundamental para ser não por acaso o poema se inici com falar sobre plantas medicinais arnica eufrasia que
em alemão é aug trost né que é literalmente consolo dos olhos ou seja aparece aqui a física Enquanto a fíes enquanto forma do cuidado do Amparo e da Cura enquanto a restauração da forma originária após a doença no entanto o poema termina com a fise se decompondo no Pântano na humidade no caminho partido ao meio de troncos repis e de árvores mortas a decomposição do que não nos ampara mais mas que nos implica em sua existência liminar que exatamente Por isso aparece como caminho mesmo que um meio Caminho a gente poderia dizer que todo o
poema é a descrição do movimento da emergência desse impensado cujo nome Não se ouve porque ainda nós estamos na espera da palavra por vir ele começa por contrapor a fonte e as estrelas a fonte como imagem arquetípica da origem né enquanto as estrelas que aparecem como guias na condução como no mar que a gente olha para as estrelas para nos guiar beber da fonte é absorver o que Brota é fazer desabrochar o recebido na sua Plenitude né como diz o próprio heidegger né Há uma deposição do agir através das figuras do receber só que de
um receber do que se coloca como fonte e muito diferente são as estrelas como figura dos dados cujo número Nunca sabemos antes de jogá-lo esse essa articulação aparece muito também num mal larm né estrelas os dados né o recebido que aqui se desabrocha é a contingência que me É o acaso lra ausência Doo na origem assim beber da fonte tendo estrelas dados a é colar o abaixar em direção à fontein so o levantar os olos eob o acaso nõ Estelares S figas da fisem furas distintas disso que o heidegger descreve tão bem Como desamparo que
oferece um estar Seguro porque é uma abertura ao que não é o homem ao que não é mera expressão do querer do homem Fonte estrela como duas figuras distintas do destino desse Destino que nos assombra ao abrir o livro nome de quem antes do meu o que aconteceu a eles que agora são apenas traços que eu ficarei Será que eu ficarei como um traço também contra essa redução de si a um traço a gente vê o destino que se projeta na forma da Esperança do tempo da expectativa da esperança e é o que é a
filosofia exatamente aquilo que faz rimar denken eenden o que tá por vir e aquilo que pensa todo pensar um jogo de Dados diz malar que selan tanto respeitava todo pensar é expectativa produzida pela palavra eu termino Só lembrando o seguinte esse poema traz alguma das figuras mais caras do pensamento de heidger a a clareira como aberto o caminho pela Floresta clareira que nos abrem para orquídea orquídea e orquídeas singulares porque não há palavra para traçar o comum não é isso que vai fazer nem a palavra da filosofia nem a palavra do Poema não vai ser
a filosofia o poema o espaço do Comum que encontra sua palavra haverá o contrário um comum que insiste contra a palavra porque não tem gramática própria porque a filosofia força a linguagem no seu ponto de não identidade do seu colapso de nomeação e essa é sua verdadeira função crítica que sabia muito bem Bento Prado ela só não pode ela não pode deixar de partilhar com o poema ela reconhece o risco da dominação técnica da fiz ela sabe que eh Isso é uma despedida desse comum desprovido de linguagem própria e Pois porque se as orquídeas são
as flores exuberantes que crescem no Pântano e uma beleza autárquica então o poema vai ser o caminhar da Orquídea ao Pântano da forma a mais exuberante a esse caos vivo no Qual a humidade emergência do muitos do múltiplo e assim haverá uma condução no qual se mistura crueza o tempo sempre outro e a insistência daquilo que se ouve só quando a clareza quanto nome do Solo e da terra bem eu insistiria a gente poderia dizer que Bento Prado com a sua experiência da idade descentrada parece Ressoar essas indagações de selan nós nunca veremos essa forma
de pensar vindo das cercanias da cabana de Tod na emberg e É nesse ponto que a originalidade do Bento Prado se mede era isso muito [Aplausos] obrigado bom muito obrigada Professor pela comunicação eh nós temos um tempo Curto para questões então dado avançar eu diria uma ou duas questões curtas Professor acho que seria um bom seria bom então agora a gente tem o tempo quem quiser fazer uma questão por favor você pode vir aqui no microfone porque eu acho que tá sendo gravado por favor tá sendo gravado na verdade né obgado Obrigado Professor pela exposição
eh eu achei muito interessante até muito Bonito quando você falou de autoridades que interessa né de compreender o sistema que leva uma autoridade que interessa que leva os limites que estão em Farrapos aí eu fiquei pensando como que a gente pode identificar eh autoridades que interessam ou melhor aquelas que não interessam eh dentro desse sistema que a gente tá vivendo obrigado tá bem obrigado pela pergunta eu diria o seguinte Talvez uma das coisas mais interessantes pelo menos Para mim desses princialmente dos últimos textos do Bento Prado é como havia dito uma tentativa de sobreposição entre
a alteridade e a normatividade eu acho que ela essa sobreposição ela é importante quer dizer ao se a questão fundamental da filosofia é como pensar a alteridade né quer dizer como ser capaz de dar conta daquilo que aparece ao conceito como como como algo que lhe obriga a entrar em movimento a se retificar para poder se a saber como Aprender né então eh Há uma questão fundamental que a aparece quando a gente admite que essa alteridade ela não é simplesmente a projeção de uma outra consciência ela não é simplesmente a projeção de uma outra perspectiva
em relação a um campo comum de gramática ela é a normatividade porque ela é emergência de alguma coisa que não se coloca como Norma e aqui eu queria fazer só uma uma rápida reflexão sobre afinal de contas que tipo de Conceito de linguagem é esse porque vocês percebem até algo de radicalmente não estruturalista nessa ideia de linguagem né porque porque não se trata simplesmente da linguagem como uma estrutura trata-se da linguagem como uma clivagem como uma divisão certo você tem a o campo da estrutura e você tem um elemento que de uma certa maneira ganha
autonomia em relação ao registro da linguagem e vai constituir um sistema a outro certo que se por isso que seja o Inconsciente que seja a linguagem literária que seja o poema certo mas a questão fundamental é que é como se e a a organização social da linguagem ela produzisse necessariamente uma espécie de divisão uma espécie de cisão e um elemento que se aparece como a normativo porque ele coloca em questão a norma da gramática ele coloca ele ele ele ele força a norma da gramática ele força a forma da Norma né então ele aparece como
um elemento constituinte de um outro de Uma de uma certa noção digamos assim de um de um fundamento que afunda né De Um fundamento que ele não é simplesmente a garantia das condições de possibilidade da experiência mas ele é aquilo que que instabiliza o campo da experiência porque é o que coloca a experiência em movimento posso dar uma palavrinha obrigado obrigado safatle linda apresentação do Bento Bento foi meu amigo né foi meu primeiro Professor quando eu entrei na na faculdade e o Primeiro texto que ele leu com gente foi a origem da obra de arte
de heidegger né e fiquei muito feliz de você lembrar o poema e essa colocação linda que você fez do nbg né e e eu gostaria de dizer que tem uma coisa do Bento que eu acho tão lindo na oposição ao Roberto Schwartz que é ex como é que era o nome do do do artigo que tá num dos livros existência e destino na obra de Guimarães Rosa não é onde toda essa questão da linguagem é colocada na Própria linguagem do Guimarães Rosa esse elemento que você tão bem conseguiu colocar onde a linguagem se torna esfarrapada
e portanto ele faz contra o Schwartz ele coloca o o valor da linguagem do jagunço que na linguagem do Roberto Schwartz seria o jagun o analfabeto que tem que chegar na cidade pro homem letrado e ele faz o a valorização desse jagunço como a própria origem da linguagem Então são questões muito caras e eu Fiquei muito feliz de escutar essa apresentação do Vladimir que tava magnífica Muito obrigado Obrigado ala e foi interessante você lembrar desse debate porque acho que esse é um debate bastante significativo na verdade porque até onde eu consigo eh entender acho que
o que tá sendo colocado em questão é exatamente qual é qual é o lugar da crítica né o Bento tinha aquela ele lembrava desse em várias circunstâncias desse eh desse Conto do Borges onde o Borges fala de um cartógrafo né que o cartógrafo ele quis fazer um mapa tão Preciso em relação ao Território que ele acaba fazendo um mapa do tamanho do território né e eu diria e essa uma certa forma de uma certa ideia de crítica que é constituir todos os espaços vazios né a Para para que de uma certa maneira a a clarificação
o esclarecimento pudesse vir à tona eu acho o que ele coloca é se isso faz sentido quando o texto é um texto Literário se essa é realmente o que se espera daqu né você já essa espéci de clarificação como se fosse os modos de produção da aparência estética que vão que vão sendo desvelados você tem um desvelamento da estrutura de produção do texto de produção textual acho que a posição dele era uma posição diferente porque tratava de insistir mas a questão fundamental da experiência literária exatamente onde estão os pontos opacos do texto é irredutibilidade da
opacidade Do texto né e acho que essa figura por exemplo dele recuperar n Maran Rosa fala não não é à toa que o a a tensão do texto vai não isso de fato mesmo do ponto de vista eh digamos da da tensão da narrativa a tensão vai no encontro ao Brejo não encontro esse lugar onde os elementos Eles saem efetivamente dos seus lugares naturais e eles entram em uma situação naas quais os limites são muito mal estabelecidos e não deixa de ser interessante pensar que talvez essa Seja um dos Fantasmas fundamentais do pensamento brasileiro certo
que essa o medo de uma espécie de desse desse Horizonte originário da da da zona de indistinção como se a gente tivesse sendo toda vezes empurrado para uma espécie de anomia que nos que nos apreende então a função do desenvolvimento É nos tirar dessa anomia custe o que custar E aí aparece uma literatura que diz não na verdade esse Horizonte Entre várias aspes anômico é De onde Brota toda e qualquer forma e toda qualquer experiência eliminá-lo significa eliminar aquilo que é fundamental na experiência do território e é interessante como ele recupera isso à sua maneira
né Eh lem e e até seria importante você lembrou dessa função do Rio Baldo como se fosse o jagunço eh que precisa ser esclarecido eu lembraria o rio Baldo Na verdade ele começa como professor né quer dizer o que é talvez o processo é é outro né o processo é Aquele que começa como professor que que descobre entre outras coisas quer dizer que essas passagens contínuas nos opostos ela é um elemento constituinte da experiência mesmo da emergência de todo qualquer sentido né bom então muito obrigada agora encerramos então a efetivamente a mesa da comunicação do
professor e daremos continuidade ao evento na sequência Então a professora Silene e depois a professora Lea muito obrigada muito Obrigado não tá funcionando então acho que não e as janelas estão fechadas ento Prado Júnior agora teremos a comunicação da professora Silene eu farei uma breve apresentação dela após isso a professora Lea também fará comunicação eu apresentarei ela então após a professora Silene mas no início da sua comunicação propriamente e depois teremos uns minutos para as questões e depois um breve intervalo também será Feito pra gente tomar um café tá bom então dando início a apresentação
professora Silene Torres Marques possui graduação em filosofia pela Universidade Federal do Paraná mestrado e doutorado em filosofia pela Universidade de São Paulo com estágio entre 1998 e 1999 na universidade Paris sorbon Paris 4 pós-doutorado em filosofia pela Universidade de Paris sorbone também também possui pós-doutorado na Universidade Estadual de Campinas e na Universidade de São Paulo com estágio de 3S meses na universidade Paris sorbone Paris um atualmente a professora associada na Universidade Federal de São Carlos tem experiência na área de filosofia com ênfase em história da filosofia francesa contemporânea atua Principalmente nos seguintes temas ontologia e
liberdade subjetividade e temporalidade percepção memória vida existência e contingência bom então professora passo agora palavra à Senhora tudo certo eu sou baixinha aqui eu não sei se tudo certo boa noite gente Eh boa noite gente eh primeiramente Eu Quero Agradecer o convite eh Na verdade eu acho que essa é a terceira vez que eu participo de uma homenagem ao né Eh o o Bento faleceu em 2007 eu tô na alcar desde 2004 aliás uma alegria estar compartilhando partilhando a mesa com a Minha amiga o Bento nos nos aproximou nos nos conhecemos na ofc né era
aluna e eu recém professora nos tornamos amigas e até hoje né 20 anos de amizade então é muito interessante o b o Bento juntou muita gente né E então mas assim logo Bento faleceu a gente fez uma coletânea né experimentações filosóficas tá publicado depois em 2017 nós fizemos um uma homenagem ao Bento na fcar não alguns textos estão publicados também né Eh e essa é a terceira vez que estamos Aqui né Eu e a nesses três momentos estamos juntas né E muito obrigada pelo convite Pablo né então no meu caso agora eh O que eu
o que eu vou trazer aqui o meu título ficou um título um pouco amplo mas eu vou trazer uma coisa muito específica mas antes de fazer falar porque meu título ficou presença de bergon né então justamente né Pablo a gente eu não tive muito tempo de preparar um texto porque quando eu fiz a outra homenagem eu falei sobre por Filósofo né que tá publicada eu queria repetir mas aí a sugestão a ideia por conta do aniversário esses aniversários da publicação do presença eu tô eu vou tentar falar para vocês o um ponto bem específico apesar
do do da t do título ficar um pouco geral mas antes disso então eu tenho eu tenho uma eh uma historinha né Eu eu tava na dúvida sobre como começar mas a primeira historinha eu queria falar duas historinhas né A primeira de como a ocasião da e as Circunstâncias nas quais o o que possibilitaram a a a tradução do livro do Bento na França né e depois a historinha do próprio Bento eh eh explicando porque como surgiu o pres a tese né do presença em campo transcendental Então primeiramente a historinha da França eu fui eu
fui pivô da historinha né então eu fiz estágio na França bolsa sanduí e eh ao pedir ao mandar minha a meu projeto pro professor Renault Barbaras eu citei o Bento e o renov Barras a me responder aceitando ser meu orientador na França e o Bento não era era conhecido tanto que quando eu pedi pro Bento uma indicação de um professor na França isso 97 para me orientar ele não conhecia ele me indicou um cartesiano né que é o bead e e aí eu consegui a a a a a referência do Barb raz e mandei o
projeto Barb raz na época não tinha internet muito né No início e o Barb raz me respondeu tô aqui Com a cartinha né eu consegui recuperar ele me respondeu dizendo eh muito interessante o que você fala desse autor brasileiro aí né essa interpretação que esse autor traz da obra do Bergson traz uma luz pra obra desse autor né E aí eu fiquei muito empolgada né Eu morava em Curitiba mas eu consegui contato com fazia fiz fazia mestrado no doutorado né fazia viajando os créditos consegui ligar pro Bento e duas semanas o Renault barbaras ele cita
né Ele explica isso em Duas semanas o livro Falei Bento o professor Gostou do teu livro eu acho que seria legal você mandar para ele o Bento mandou o livro pro pro pro Renault barbaras que era casada com uma brasileira ele traduziu o livro assim em dois meses né então foi assim uma coisa muito interessante porque eh eh pouca gente tem eu não sei se todo mundo tem né os porque logo depois em 2002 o Bento Foi recebido na França com a como ele dizia né a Vec do do tapir RU Né no tapete vermelho
porque ele foi muito muito bem recepcionado depois da tradução e eu tenho aqui que eu não sei se é inédito né a comunicação de vários professores na ocasião falando de aspectos do livro né E aí o a a fala do Renault barbaras justamente ele reconta essa historinha né e o que é interessante eh que o Renault fala que até reproduzindo Lembrando que o Vladimir acabava de dizer aqui agora né ele cita ele ele enaltece o fato do Bento né brasileiro trazer uma discussão né trazer um uma discussão com de temas né ele fala assim uma
espécie de fotografia da filosofia francesa dos anos 50 60 né um brasileiro em seu livro trazia uma discussão sobre a filosofia europeia né mas não só isso né sobretudo Barb raz é é fenomenólogo né Eh mas não só isso Sobretudo com a tradição fenomenológica eh eh eh Russel e Sartre né então falando isso eu volto Para contar outra historinha né rapidamente eu sei que o tempo é pouco mas é importante porque eu acho que o Bento já contou isso a outra historinha que vai engatilhar o meu tema vou falar para vocês porque presença de bergon
eu vou tratar tentar resumir aqui para vocês eh após falar isso eh um ponto específico do livro presença em campo transcendental Qual qual é a discussão à de que o Bento proporciona entre Bergson e Sartre tá então o meu ponto vai ser bem bem específico tá bem específico e por isso a historinha a historinha é o próprio Bento que conta por ocasião da publicação dele do livro na França nesse momento em que ele foi recepcionado tá em francês tô ler rapidamente porque é muito interessante né a conversa sobre a origem do livro já fala às
se fala em bastidores aí né que por que que o Bento escolheu Bergson né Por que que o Bento escolheu Bergson para tratar né na tese dele então o Bento diz assim de fato a história deste livro começa em 1959 com a escolha de meu eh sujeito de tese né Eh uma escolha que se que se colocava em termos quase dramáticos Di dizíamos que a época né Eh pera Digamos que na época eu era eu estava todo impregnado da feminia na versão francesa e Particularmente a de Sartre mas essa adesão verdadeira Fascinação não não caminhava
sem o mínimo de inquietude eh percebendo que a filosofia de sart não é não se não havia se tornado né me havia havia me se tornado né em mim uma um tipo de segundo senso comum Eu suspeitava de ser a vítima de um tipo de dogmatismo ou de uma certeza teórica muito fácil uma suspeita que se reforçava curiosamente graças a uma frase mesma de S do próprio Sartre onde Ele diz mais ou menos assim o Sartre né é preciso pensar contra si mesmo eh ou ou seja contra Sartre eh se tratava de escolher uma obra
uma obra ou uma outra obra e tentar examinar de maneira puramente tentar apar examiná-la de maneira puramente imanente o método de análise estrutural das obras filosóficas do cujo estilo havia presidido a minha formação no departamento de Filosofia de minha universidade havia sido fortemente Marcado pela passagem de Marcial Marcial guu eh nesse sentido parecia me oferecer um caminho ideal para este exercício de asese ou de detach manã né de destacamento de de mim mesmo a após haver pensado em ferba por pois o Marxismo e sobretudo o jovem Marx eh estava no meio Horizonte e a men
deban eu me decidi finalmente por Bergson isso por duas razões primeira o o naturalismo de Berg me parecia na época estar nas Antípodas De toda forma de feminia então Berg A fenomenologia né e de servir assim a meu projeto né a meu projeto de afastamento de afastamento e no segundo né segundo ponto o estilo de escritura beroni que fazia do trabalho futuro também uma ocasião Rara do mais puro prazer de ler né Então essas são as as a a a circunstâncias nas quais né estava a origem do livro dele porque que ele escolheu bson né
Então nesse sentido eh eu vou tentar aqui tá trazer para Vocês né um uma Ah como é que eu vou como é que eu vou dizer né eu fiz um recorte aqui porque é muita coisa mas eu quero que tem né É muito tentar fazer traz trazer a questão no ponto para vocês né eh ah Sobretudo o meu o meu título ficou presença aí eu coloquei Bento e sua posição num debate de sre contra Bergson né porque é mais ou menos isso né quer dizer eles ele escolhe o ele escolhe o Bergson né para pensar
contra contra si Mesmo né então e e é esse debate então eu escolhi a a questão que se que se trava no primeiro Capítulo de madeira e memória né não sei se o Pablo falou disso ontem porque a relação é é uma é é um dos Capítulos mais difíceis né porque por que você falou do dele né ontem então que o dele adora que o deles né usa para falar dele nos livros sobre o cinema pouca gente trabalha mas e e e é é um capítulo que o sle Lê diz que leu né na livro
a imaginação né então eu Peguei quer dizer eh o que que seria assim a minha fala para para dar uma ideia né é mostrar alguns pontos como o Bento ao pensar contra si né vai falar do berkson descobre uma originalidade do beron em relação à fenomenologia essa a ideia né em relação àquilo do qual ele estava impregnado né que era o próprio Sartre né a filosofia do próprio Sartre E então isso ele descobre na leitura do primeiro Capítulo de matéria e memória Né Eh que no momento no qual o Bergson é o O livro é
muito difícil e tal é complicado lá todo mundo fala que é assim mas eu tem que separar algumas questões né mas nesse primeiro momento o Bergson ao falar que o objetivo é falar da relação Corpo e Alma O problema da relação corpo e alma para ele está eh muito marcado pela concepção que que se que a tradição tem eh do conceito de matéria então ele propõe uma mudança do Conceito de matéria né então ele faz uma nova descrição do mundo material então quando o Bento fala presença e Campo transcendental nós vamos vou tentar mostrar para
vocês o que que né que que a a a presença e esse campo transcendental de uma forma tentar de uma forma rápida né ã o Bergson ele ele ele ele ele ele ele imagina esse mundo como uma espécie de conjunto de imagens a matéria para ele vai ser denominada imagem o universo é Um conjunto de imagens e nesse conjunto de imagens eh que o Bento vai ch para ele vai ser o campo transcendental né já dando uma dica e nesse conjunto de imagens o o o o o o o bergon vai tentar mostrar como nasce
né uma e como se destaca dentre essa essa imagem que é matéria né a matéria uma espécie determinada que é o corpo né resumidamente É é mais ou menos isso né Eh esse procedimento de pensar a matéria como conjunto de imagens o Bento chama De redução né no m nos moldes da fenomenologia né então eu queria só chegar Nisso porque a a o que o que pegou o Renault barbaras né que marcou e marca algumas leituras fenomenológicas é essa diferença de leitura então o Bento vê essa essa esse momento né Eh como um momento diferenciado
né ah como um momento que é eh eh eh eh eh uma espécie de redução Mas diferente da fenomenologia a essa redução não chega a Um sujeito constituinte também é outra né se chega no universo que possibilita a diferença entre sujeito e objeto né então Eh eu tô Resumindo aqui porque mas eu vou ler aqui uma passagem já tô terminando aqui porque senão não não dá né ter uma uma uma você ilustrar eh eh A partir dessa a partir desse dessa dessa dessa maneira de olhar né as diferenças né Eh é que o é que
vai se d a leituraa do Bento então sim não sei se vocês têm em mente na as questões da fenomenologia mas pro Bento essa redução é uma redução que chega a um campo transcendental não a um sujeito transcendental Então essa aqui é a questão o que que é esse campo né transcendental né e eh eh eh ao ao falar de duas instâncias que se né que a matéria é o conjunto de imagens é matéria que troca movimento uma dentre Essas trocas dessas matérias surge uma que é o é o corpo que se destaca É nisso
que o Bento vai pegar né o Bento vai dizer eh eh eh a diferença da filosofia do berkson é que a partir desse de um de uma redução ele chega a um corpo e esse corpo né Eh eh eh eh como ele diz ele traz ele é ele é ele é símbolo né Ele é indicação de uma indeterminação e de novidade no mundo tá tá bom eh eh eu só vou resumir aqui uma passagem que o Bento diz na página 145 146 né Eh o novo no universo é produzido por certas imagens particulares meu corpo
que aí ele um pedacinho da da citação do Bergs né Eh porque nesse Conjunto das imagens o corpo parece escolher a maneira de devolver o que recebe então o Bento comenta essa passagem e afirma que eh e e faz uma observação sobre a redução bergsoniana ser diferente da eh redução fenomenológica né a redução bergsoniana nada nos rouba do universo ela nãoo Restitui pelo contrário em sua totalidade mas ela nãoo Restitui como aparência não se trata portanto do universo em si mesmo tal como julgam o capital os cientistas nada é dito até Esta etapa da redução
quanto à existência ou quanto à essência do universo Mas se a redução evita a perspectiva realista nem por isso ela reduz o universo a um sistema de aparências posto de aparência posto por uma Consciência transcendental ou absoluta o berkson ao abrir o livro ele diz por isso que o Bento fala de uma uma redução iremos fingir não não conhecer nenhuma teoria acerca da realidade ou idealidade da matéria do Espírito então É nesse sentido né que é ele coloca pro Bento seria colocar uma redução né Colocar entre parência o universo e aí como a o Bergson
chama a imagem né a a matéria como imagem e o bergon diz assim para mim ao fazer esse Universo como conjunto ao colocar o universo como esse conjunto de imagens a imagem para mim vai ser estar no meio termo entre o que o realista chama uma coisa e o que O Idealista chama ideia Isso é uma Isso é uma grande questão no primeiro Capítulo de matéria Memória também né E que isso vai est muito vai ser muito importante daqui a pouco quando eu falar do Sartre né então o Bento continua comentando Isto é se a
imagem Não é ainda uma coisa res ela já não é puramente uma representação e aqui percebemos né o caráter peculiar da redução percussioni que distingue se distingue radicalmente da fenomenológica a redução fenomenológica ao transformar mundo em sistema de fenômenos ou de noem abre o caminho da experiência transcendental como Horizonte de uma subjetividade transcendental se a redução bergsoniana Instaura também né o campo de experiência transcendental não será no interior de uma subjetividade constituinte pelo contrário é a partir da noção de indeterminação né novidade como eu falava ou de introdução da novidade que assistimos no interior do
campo transcendental ao nascimento da própria subjetividade de alguma maneira podemos dizer que o sistema de imagens corresponde a ideia de um espetáculo sem Espectador eh mas precisamente né Ele é o lugar onde tornando-se possível o o espetáculo criam-se ao mesmo tempo as condições de possibilidade de um espectador em geral né E aí uma questão também interessante que a partir dessa tradução do livro do Bento ocorreu foi a publicação das anotações de aula que ele fez quando esteve na França né na na estadia dele porque ele teve que né fazia a a a a como eu
li agora H pouco para vocês em 59 né teve que fazer rapidamente a tese né Depois eu vou explicar o o o final também porque o problema da da ditadura né ele teve que se titular rapidamente né Por Conta do medo de ser ser caçado mas não deu acabou tendo que sair né do país da mes de qualquer modo né então Uma das uma uma das eh eh questões que foram muito importantes foram a foi a publicação das notas que o Bento fez do curso do professor Gold schmith né que ele assistiu na França e
que ele cita Aqui aqui rapidamente eu vou também ler uma uma passagem aqui e foi foi publicada eu não me lembro acho que 2005 nos análises beroni mas revista número um né revista número um eh coordenada pelo eh Frederick vorms né então a a a a o Bento nesse nesse nessa passagem que eu tô comentando logo depois ele diz que ele cita o gold Smith eu não vou citar aqui né a a leitura que o gold Smith tem de matéria e memória e ele diz que vai Divergir um pouco da leitura do Gold schmith né
e eh e aí eu eu peguei só um um um um resuminho aqui né Ele diz vou divergir do Gold schmit mas para mim eu vou né o Bento diz assim né parece-nos possível dizer com relação ao primeiro Capítulo de matéria e memória e essa esse universo das imagens né que o Bento chama Campo de imagens que ele coloca como transcendental né parece-nos possível dizer que desde o início o Campo de imagens é transcendental em ato por duas razões ele é o resultado de uma de uma redução então né Agora tô explicando Eu já havia
aliás eu já havia explicado né é o resultado de uma redução Isto é de uma modificação da atitude natural e B como tal instaa o universo anterior à distinção entre o subjetivo e o objetivo né A imagem é justamente essa dimensão anterior a cisão entre coisa e representação tá então você est tudo bem com o tempo 10 Minutos só 10 minutos Vixe né Eh então eu vou resumir também para para comentar o que é mais importante né então o que eu falava para vocês dificuldade de falar o que o Bergson faz no primeiro Capítulo de
matéria e memória né mas ao reduzir ao a depois ao fazer essa observação e colocar que o corpo se difere das imagens o Bergson A grande questão que ele coloca né é a deixa eu deixa eu fazer aqui uma uma par uma parte da Leitura aqui acho que vai Ser mais rápido né Eh se perguntar né como como se dá a partir de então o estatuto da da consciência e da representação então Eh seit táis são as características da imagem como então pensar o estatuto da consciência e da representação né que essa é a grande
questão da fenologia também né a a consciência constituinte né Eh Ou mais precisamente Como se dá a nossa relação perceptiva com este mundo de imagens né então eh aquele que eu Falava para vocês dele reduzir né pro segundo Bento né Eh o bergon diz assim eis-me portanto Em presença de imagens imagens percebidas Quando abro os meus sentidos não percebidas quando fecho todas essas imagens agem e reagem umas em relação às outras nas suas partes elementares né mas há uma que se diferencia como eu falava para vocês né que é o corpo próprio que é matéria
também parece o corpo parece escolher em certa medida a maneira de devolver o que Recolhe o corpo é o condutor Recolhe e transmite movimentos quando não os retenha certos mecanismos motores determinados se ação reflexas escolhidos se a ação é voluntária a dificuldade de falar da matéria memória porque há muita há muita é um cipoal né Como diria o Bento Prado ele usava adorava esse termo né o cipoal eh eh eh Há uma discussão de bercos com os psicofisiología psicólogos fisiólogos da época e uma grande a grande das grandes questões é Defender a independência da Alma
né é ele é né A questão era trabalhar relação corpo espírito e ele mas na época deles estava começando já as as pesquisas de localização cerebral né então no segundo capítulo ele tem todo um uma discussão sobre isso que não vem ao caso mas aqui esse corpo é o cérebro né e vários momentos ele começa a fazer a crítica um dos grandes um dos grandes alvos dele é o teine hipolit e tem outros representantes também Eh da da psicologia da psicofisiologia então Eh e como ele diz o corpo parece escolher né ou não escolher ele
pode transmitir informações d ou né Eh quando a a ação reflexa ou eh e escolhidos quando a ação é voluntária né né e ele se diferencia de as imagens e tudo mais né E na verdade uma das grandes questões é que o corpo é vida né E nesse sentido A grande questão o corpo introduz a diferença então eu tô Resumindo aqui além dessa crítica ciência né a a a a a Uma crítica ao idealismo ao Realismo que eu não vou repetir aqui mas uma das grandes os momentos também do outro segundo momento que é bem
importante aqui antes de chegar no ponto mais importante é o fato de que o do do do Bento do do do do Bergson né Por conta dessa investigação sobre a percepção e o corpo né e o corpo sobretudo eh eh eh eh eh nos eh colocar eu tô aqui Resumindo tô deixando de lado um monte de coisas mas Do bergon e mostrar né e querer provar para nós que a percepção ela não é ação e não é conhecimento ela é ação então Uma das uma das diretrizes do livro é o corpo se o corpo se
destaca o corpo se distingue porque ele traz algo de novo ao mundo parece escolher né e eh a ração né devolver a ação que se devolve ao mundo e ele é por isso um centro de ação né e de indeterminação né Toda uma ideia de que ao seu redor né de que ele pode Dependendo do da da da da restrição do seu Horizonte ou da amplitude do seu Horizonte né ter um espaço maior ou menor de ação e assim por diante né mas ao falar isso ele tá contestando umas teses associacionistas e tem um ponto
não é por nada Tem muito significado isso no livro né Eh eh sobretudo Porque depois ele quer mostrar a independência da matéria da da da da da memória né então ele ele tem que distinguir aqui eh a que a falar que a percepção é Porque Existe uma tese implícita aí que a percepção sendo conhecimento eu posso pensar que há entre percepção e memória apenas uma diferença de grau e pro bergo não ele vai defender lá há uma diferença de natureza né lá mais para frente então Eh Aqui começa a parte mais interessante né porque a
todo a todo momentos de momentos de de eh de crítico no livro né Eh mas ele faz uma para mostrar que a percepção ela tem a ver com a ação né e ele vai dizer com A indeterminação que como eu dizia para vocês aqui o Bento coloca isso como né importante porque Diferentemente da fenomenologia aparece a noção de indeterminação e novidade ele vai fazer muito rapidamente um exame da estrutura do sistema nervoso para mostrar que quanto mais o o o o ser humano o o animal né se evolui a complexidade dessa estrutura evoluindo juntamente com
ele vai o sistema nervoso vai ficar muito mais complexo e muito mais vai trazer Vai possibilitar ações cada vez mais indeterminadas né Então essa essa é uma das questões mais importantes também né e depois disso Algumas pessoas dizem que ao falar isso e para mostrar e para e eh esse é o momento determinante porque ele diz lá eh essa ação indeterminada é um fato e partamos desse fato se no mundo se há o universo das imagens e há algo que se distingue desse universo algo vai acontecer de novo ali e vai ser é a Percepção
consciente né mas eh como explicar essa percepção consciente né Aí ele vai algumas pessoas dizem que ele faz elabora de certa forma uma segunda redução Mas eu nem vou falar mas ele tenta pensar essa essa percepção eh eh como se dá essa percepção pensando uma percepção que ele chama pura e e tentar explicar a partir daí uma relação como como como se daria essa relação mais objetiva possível né entre Cérebro e mundo cérebro e matéria né o Bento interpreta de umas maneiras diferentes Talvez né ual ler o livro que eu tô falando muito em cérebro
aqui o Bento fala pouco né Mas eh e a partir daí né Eh é que a coisa talvez se complique com o Sartre tá o Porque a partir daí o Bento fala vamos pensar como por que que essa percepção é consciente né Ah ele para pensar isso vou pensar uma percepção impura que seria essa Percepção uma relação bem mais objetiva possível Vamos tentar imaginar que não exista memória né uma percepção instantânea ele fala que é ideal e tudo mais mas não vou entrar nesse detalhe né Qual é a questão que entra aqui agora né que
eu vou já vou terminando aqui dá para ultrapassar um pouquinho né só uns eh porque é um momento determinante por quê eh eu tô Resumindo bastante mas H porque a questão é Por que essa percepção a consciente eu tô reduzindo Muito eu tô reduzindo né eu tô tem outras questões que eu fico pensando porque é muita né a gente tem o livro na cabeça e gosta dos temas também né Eh A grande questão que implica aí e que e que o o o o o Sartre né vai criticar é que né ah Cadê só só
uma citação aqui cadê deixa eu ver se é é aqui é aqui mesmo né o Sartre não entende por o berkson parte desse universo de imagens e daí nasce uma consciência uma poss né que seria Uma consciência mínima consciência corporal né ele não entende né Eh então o Bento comenta o s lá pela página 2 26 né dizendo assim pro Sartre em outros termos a partir de uma realidade pré-consciente que seria esse consciente conjunto de imagens Não pode a reflexão atingir jamais a esfera da consciência desde que reduziu desde início o Universo ao ser em
si jamais poder seria engendrar a partir dele ou Para si né se a propriedade essencial da consciência intencional segundo do Sartre é pôr-se como distância em relação ao objeto como negação desse objeto não será plena na plena positividade das imagens que se irá encontrar na negatividade que origina a consciência né eh e aí né continua né vou pular uma página aqui né o universo das imagens nada mais é do que o universo do em si como contendo virtualmente o ser do para si para Bergon o surgimento da consciência não é problemático à medida que tudo
a totalidade das imagens participa da natureza da consciência quando o berxo determina que que a matéria é imagem e é o meio-termo entre ideia e coisa ela participa da consciência né então eu vou pular aqui para tentar fazer o finalzinho aqui o comentário final do Bento que tá pelas páginas 157 é muito bom acho que eu tenho deixei algumas coisas de lado mas não vai dar mais Tempo né Eh por quê Porque chega que é uma questão que que que falava né que o gosta e que o Bento entendeu muito bem que aí é o
Up aí né em relação à fenomenologia ao Sartre né porque essa consciência aí a consciência não é constituinte pro Bergson né então se há se Toda a realidade participa de alguma forma da natureza da consciência não a questão que o Bergson a citação do Bergson lá na página 31 a questão pro Bergson não é deduzir a consciência né o Bergson diz assim deduzir a consciência seria uma empresa bem bem ousada mas ela não é aqui verdadeiramente necessária já que ao se pôr o mundo material já foi dado um conjunto de imagens e que é impossível
aliás dar-se outra coisa né então Eh o Bento comenta agora né descobrir a necessidade da percepção a partir de um centro de indeterminação não é portanto construir a consciência ex e hilo né o surgimento da consciência No seio do universo das imagens não é nesse sentido um um acontecimento absoluto como é pro Sartre né não é erupção de algo novo não preparado anteriormente é antes o resultado explicitação ou atualização de uma tendência já inscrita nas imagens né Eh se a imagem Pode ser sem ser percebida como diz o Bergson se há um iato entre o
ess e o perp isso não impede que ela continue a ser uma imagem Isto é um espetáculo possível universo Das imagens é desde o início Campo transcendental diz o Bento eu tô pulando aqui umas coisas também o Bento faz aqui uma remissão ao final do ser e o nada onde o sre fala do surgimento do paracito pulando aqui porque ele fala como algo absoluto né e da diferença entre metafísica e ontologia que o Sartre e coloca lá no serio nada então o paraci algo absoluto é o paraci que a partir do paraci que surge o
mundo a história né e no bercon não né no bercon Por conta da ver essa relação não existe né eh Então nesse sentido que comenta o Bento né já vou pular aqui pro finalzinho a descoberta da da necessidade do surgimento da percepção consciente então há uma descoberta da necessidade não uma dedução da consciência né não é a descoberta de uma nova realidade a passagem da presença que é né o universo a Plenitude desse mundo né a representação não é um salto Sobre um abismo mas um processo contínuo cuja continuidade pode ser discutida e pensada né
como passamos com com o efeito da simples presença a representação como que não é percebido como como fazemos isso né como que não é percebido a imagem o surgimento da consciência Nada lhe acrescenta né pelo contrário a subjetividade E aí o pento usa um termo que o bergon não usa né subjetividade a subjetividade da percepção é determinada pelo Car Finito de seu acesso à presença em geral né então então só vou comentar aqui o fato de que pro Bergson né Como se dá tudo isso porque que o Bento fala desse acesso finito né um ponto
material perdido no universo tem uma uma percepção muito mais plena que a nossa no nosso caso explicar rapidamente como nasce essa essa diferença do corpo o corpo o corpo ele é um ele faz elabora um recorte nesse Mundo né nesse sentido ele ele a nossa percepção é pobre né Então essa relação entre presença e e representação É nesse sentido né a nossa percepção é pobre em relação à Plenitude ela a plenitude da presença quer dizer essa esse trocar de movimentos né entre as a matéria entre as imagens né a presença nesse sentido com P maiúsculo
essa Plenitude não se dá senão parcial parcialmente a subjetividade E aí este dar-se apenas parcial porque é nosso é Um recorte né a nossa a nossa que o Bento chama de subjetividade que seria percepção consciente né Eh este dar-se parcial que constitui de um lado a imagem percebida e de outro a própria percepção né então a percepção consciente nasce portanto de uma da da presença tá então vou pular mais um pouquinho né Eh que mais aqui só para terminar né então o Bento fala da quais comentário sobre essa pobreza Da nossa representação percepção representação né
ah a presença nesse sentido não dá lugar à consciência enquanto não renuncia sua riqueza e a sua Plenitude interna então é como se a houvesse uma né uma eh uma renúncia da riqueza da plenitude para pro surgimento da percepção consciente né Eh que mais nesse sentido Bento comenta nesse trocar de movimentos entre as imagens né quando há um rompimento dessa Continuidade né É porque se abre para reações de um corpo que traz algo novo algo de indeterminado né que algo que se instalaria nesse nesse meio né aí aqui eu acho que agora termino tudo tá
gente eh a redução aqui eu vou fazer uma quase com uma uma citação do Bento a redução bergsoniana conclui-se pela continuação tá há mais uns 5 minutinhos tá a redução bergsoniana conclui-se pela constituição no interior do campo das imagens das condições de possibilidade da Consciência perceptiva ela caminha da Periferia ao núcleo né da vai da Periferia nas imagens pro centro né E nesse sentido né ela se eh ela se diferencia da fenomenologia né Eh trata-se de uma redução que percorre assim o caminho inverso da fenomenológica também tô pulando aqui né É como se a presença
renunciasse à sua Plenitude para dar Nascimento A representação mas esse sacrifício da presença que dá origem a representação Não é da mesma ordem daquela ruptura da plenitude do em si que dá Nascimento ao para si na filosofia do Sartre essa remissão ao final do serio nada né ele faz uma citação do Sartre eh eh que vale a pena citar o Sartre diz a ontologia limitar-se a portanto a declarar que tudo se passa como se o em si num projeto de fundar-se a si mesmo se desse a modificação do para si é a metafísica que cabe
formar as hipóteses que permitiriam conceber esse processo como Um acontecimento absoluto que vem coroar a aventura individual que é a existência do ser fecha citação né É que na Perspectiva bergsoniana não há lugar para a oposição sartriana entre metafísica e ontologia para Sartre a metafísica é a tentativa de descrição do ser antes da aparição do paraci e que se opõe a ontologia que é a descrição do ser como aparece ao termo dos projetos do paraci né existe uma disjunção essencial entre a metafísica e a Ontologia sem definidas já que toda a transcendência que é um
termo né clássico do sart do fenologia é obra do paraci nem sequer pode pensar o antes e o depois do surgimento do paraci como momentos de uma mesma história a história do ser já que toda a temporalidade se estrutura no interior dos projetos do paraci como eu comentava né o tempo Universal vem ao mundo pelo para si tá terminando já né mas para bergon mantendo a linguagem de Sartre a Ontologia se prolonga necessariamente na metafísica e só é possível a compreensão da estrutura da consciência à medida que ela é exigida pelo ser anterior ao surgimento
da própria consciência que seria essa percepção consciente o antes e o depois da erupção da percepção inscreve-se numa duração que não mais é a duração Regional né da consciência particular né O que o bergon descreve no ensaio sobre os dados imediatos da consciência agora É outro momento se a passagem da duração interna a duração externa mais originária é a passagem do constituído ao constituinte é porque a consciência não é em si mesma condição de toda a transcendência É porque ela nasce de um campo transcendental já já esboçado na própria plenitude da presença aí só mais
um minutinho é que eu queria só terminar aqui falando isso aqui ó já que só eu tô falando do Bergson tá Eu queria terminar falando o seguinte e eu espero que essas homenagens ao Bento façam com que mais pessoas mais estudantes Leiam bson eu tô querendo só lembrar o que o Bento termina o prefácio do livro dizendo né que ele demorou muito para eh decidir a publicação do livro né porque ele teve que escrever muito rapidamente em três meses né e ele se culpava muito o livro não tá tão bom né Aí ele diz assim
né que ele diz assim desculpa Eh que ele né se meu livro persuadir O único leitor somente a ler Bergson para particularmente nos nossos dias de muita carência que é o nosso né eu poderia me considerar Perdoado de meu pecado de juventude que é esse pecado de demorar tanto de achar né de e que o livro não não não tinha condições de ser publicado então termino falando disso porque trazia mensagem no sentido de da da da da da da perspectiva de uma leitura do livro Do Bergson dos livros de Bergson tá muito obrigada [Aplausos] pois
bom muito obrigada professora pela comunicação agora então dando continuidade às falas nós teremos a professora Lea Senta aqui melhor e eu farei também uma breve apresentação da professora e logo passarei a palavra então professora Lea Silveira filósofa professora na Universidade Federal de Lavras pesquisadora CNPQ membra do P filosofia e psicanálise do comitê executivo da sociedade internacional da psicanálise e filosofia da Rede Brasileira de mulheres filósofas e do grupo de estudos pesquisas e escritas feministas atua como assessora Ad rock para FAPESP membra do corpo Editorial de várias revistas e líder do grupo de pesquisa CNPQ grupo
de estudos pesquisas e escritas feministas autora de a Travessia da estrutura em bom então muito obrigada professora Agora passo a palavra Boa noite a todas as pessoas que estão aqui prestigiando esse evento em homenagem ao Bento Prado Júnior eh eu quero agradecer muito ao Pablo pelo convite e a Ágata por organizar aqui eh os trabalhos eh só um minutinho pessoal eh o convite veio assim super em cima da hora né né Pablo e o Pablo falou assim Ah você pode talvez recuperar aquele texto que você escreveu eh sobre eh a leitura que o Bento faz
do habermas do habermas lendo Freud né Eh mas é um texto que eu escrevi já faz muitos anos eu eu desanimei de recuperá-lo e resolvi aqui eh eh montar eh eh retomar né uma pergunta que há muito tempo eu gostaria de fazer ao Bento se isso fosse possível então retoricamente foi assim que eu construí a minha fala e eu tava pensando Nossa eu e a Silene na mesa mas a gente Vai falar de temas tão distintos eh e bom tô tô aqui sentindo né claro uma alegria dupla né porque tô participando dessa mesa com a
minha querida amiga eh e também por perceber que há vários temas em comun cene entre o que você falou e o que eu vou falar Eh como como por exemplo o tema do transcendental o tema do corpo da vida e sobretudo o desafio de passar entre um eh realismo e um idealismo eh Então acho que dá Jogo então o título da minha fala eh está aí né claro é uma brincadeira com o título de um ensaio do do Bento que se chama descart e o último wittenstein o argumento do sonho revisitado o título da minha
fala ficou witkin e o primeiro Freud argumento sonho visitas eu vou me ater ao texto que eu preparei especialmente por causa do tempo né que já tá um pouco avançado não sei antes dizer que eu atribuí a ele duas Breves Epígrafes uma Vem de um diário do witkin uma frase que o Bento cita também lá no er ilusão loucura em que o witkin escreve não posso acordar de mim mesmo e a outra epígrafe é uma breve frase do Freud no texto recalque de 1915 em que ele diz o eu não pode fugir de si mesmo
pois bem então como eu dizia retoricamente eu construo essa minha intervenção eh eh me sinto Claro muito muito honrada de participar desse evento em em Homenagem a um a um grande mestre eh o Bento foi muito importante na minha formação foi interlocutor né durante muitos anos então eu construo essa minha fala como um exercício imaginativo de fazer uma visita ao Professor Bento e colocar-lhe uma pergunta para isso eu vou começar fazendo uma referência aos cursos que ele ofereceu eh na pós-graduação em filosofia da al fisc entre os anos de 2000 eh e 2006 os cursos
oferecidos nesse período Eles têm uma Divisão muito clara no primeiro momento eles são dedicados à história da filosofia eh de um modo digamos assim tradicional como comentário e exegese de textos foram cursos sobre as meditações sobre a Crítica da Razão Pura sobre o tratados lógico filosóficos a partir do segundo semestre de 2003 esse encaminhamento se altera porém de um modo que carrega consigo o percurso anterior a partir daí a meu ver Tudo se passa como se o Bento tivesse levado o estilo do ensaio filosófico para a sala de aula né exatamente aquilo que como sabemos
né de acordo com Paulo Arantes identificou o lugar do Bento na filosofia brasileira esse procedimento de alteração no modo de configurar seus cursos é algo feito em torno da ideia de ipseidade a qual o Vladimir se referiu eh mais cedo né Eh e a gente pode dizer assim que o Bento considerava a essa altura que esse Tema da ipseidade era uma era Uma Obsessão sua né o curso do segundo semestre de de 2003 ele é nomeado assim sobre a ipseidade ele aborda o tema de uma perspectiva epistemológica com o interesse de encontrar o caminho de
uma reflexão sobre o si mesmo de um pensamento sobre a reflexividade que evitasse o fundacionismo E que ao mesmo tempo não resval asse em nome disso em nenhuma em nenhuma espécie de relativismo uma Oposição que o Bento também entendia como uma posição que era traçada entre solipsismo e naturalismo Além disso essa reflexão coloca para si mesma o objetivo de evitar se simultaneamente o historicismo e a filosofia perenes tratando-se então de imaginar como diz o Bento no prefácio do livro erro ilusão loucura publicado pela primeira vez em 2004 ele diz assim imaginar o tempo do pensamento
que seja sincopado e Descontínuo a estratégia que ele adota para explorar o tema da da ipseidade é a de se perguntar pelos destinos da argumentação transcendental na filosofia contemporânea depois disso seguem-se cursos sobre cassirer stron heeg Sartre isso é porque o Bento considerava que a filosofia contemporânea em dois de seus os grandes eixos o da fenomenologia e o da filosofia analítica poderia ser vista à luz dessa chave geral de uma espécie de bipartição queia que teria nascido Com leituras da Crítica da Razão Pura enquanto a filosofia analítica por exemplo com strawson volta-se para a construção
de uma metafísica descritiva A fenomenologia por exemplo com heidegger assume a tarefa de elaborar uma ontologia fundamental em qualquer dos casos trata-se de propor destinos para a filosofia caniana especialmente no que concerne a suas preocupações epistemológicas é bem conhecida a Declaração do Bento de que no início de seu percurso ele se apropriou jocosamente de uma espécie de conselho do Granger relativo à questão do objeto da reflexão filosófica o Granger considerava importante que o filósofo não tivesse uma formação exclusivamente filosófica que tivesse também paralelamente uma formação científica o Bento diz então que sua ciência é a
poesia algo sobre o que o Vladimir também falou mais cedo né entendendo que A literatura tem função de conhecimento e de iluminar a experiência isso lhe diz lá no conversas eh com filósofos brasileiros pois bem uma consideração pela exterioridade do discurso filosófico marca de fato a filosofia do Bento mesmo com quando isso não diz mais respeito a outro Campo Como foi o caso da literatura ou da psicanálise o que obviamente vai me interessar adiante como anuncio o título da da da minha fala né em erro ilusão loucura cujo Prefácio repercutia o curso do segundo semestre
de 2003 a relação entre a filosofia e seu outro aparece mediada por essas figuras elencadas no título a partir de ensaios que se localizam inteiramente na história da filosofia e que tem a ver com o enfrentamento entre o pensamento e seus próprios limites para esses limites que incluem o sonho obviamente embora esse termo não compareça no título do livro para esses limites o Bento oferece a imagem de um Verme que seria conatural a maçã já no IP seitas eu tenho a impressão de que as coisas não se colocam mais desse modo Isto é aqui a
reflexão sobre o ser si mesmo e a subjetividade não está mais lidando com seus limites mas com seu ponto de ancoragem não mais o verme mas a raiz e o solo da macieira no ipse itas é a busca dessa ancoragem que faz o zigue-zague Dos comentários sobre os diversos autores ali trabalhados ecoando O conteúdo dos cursos ministrados a partir do final da segunda metade de 2003 momento a partir do qual como eu já observei o Bento Altera a sua forma de ensinar passando a usar a sala de aula como uma espécie de laboratório de seus
ensaios reservando colocando de lado assim né essa referência a ao IP seitas o que eu quero fazer agora é destacar alguns elementos da leitura de vidgen Stein que é Proposta no livro erro ilusão loucura leitura que corresponde a Maior parte dessa obra do Bento o que poderia nos levar a crer que Bento teria naquele momento privilegiado o desdobramento da Crítica da Razão Pura em filosofia analítica essa seria contudo uma conclusão equivocada por quê Porque para o Bento a filosofia analítica e a filosofia analítica da mente afastam-se e traem eu cito Bento o espírito profundo do
pensamento de witkin porque negligenciam a permanência Na filosofia de witkin dos temas da subjetividade e do transcendental na leitura que o Bento propõe no er ilusão loucura eh tem uma obra do wittenstein que é que aparece assim com destaque né que é a obra sobre a certeza de 1969 então nessa leitura que o Bento propõe do witkin em ilusão loucura o sobre a certeza e evidentemente foi publicada postumamente né e tal o sobre a certeza Ocupa um lugar de destar que e A ideia Central que ele atribui o Bento atribui a essas anotações de wittenstein
é a do caráter necessariamente tópico da dúvida quer dizer a ideia de que só podemos duvidar a partir de um Horizonte de certeza eu acho muito interessante o Bento escolher essa palavra aqui Horizonte eh então ele ele ele centraliza né Essa essa ideia do caráter tópico da dúvida por quê Porque a dissolução desse horiz corresponderia como o Marcelo Carvalho Falou ontem né a dissolução da própria linguagem por esse motivo o eixo inspirador dessa obra do Bento pass entre um belíssimo trecho de wiin sobre a desorientação possível no cálculo e portant sobre oa do erro e
uma belíssima grava de Goia intitulada noben el camin reproduzida na capa do livro a impossibilidade de eliminação do Horizonte de certeza faz um contraponto essencial a ausência de Horizonte na Gravura do Goia o trecho dostein nas observações sobre os fundamentos da Matemática é o seguinte na tradução fornecida pelo próprio Bento caminhamos por aí sonâmbulos entre abismos Mas mesmo se dizemos agora agora estamos aptos poderemos de fato estar seguros de não despertarmos em outra hora e dizer então dormimos novamente podemos estar seguros de que não há Abismo algum que não vemos E se Eu dissesse não
há não há abismos no cálculo se não os vejo engana aqui um diabinho mesmo se nos engana não nos atrapalha o que os olhos não vem o coração não sente a tradução da última frase né do Bento É sensacional mas vejam bem é um diabinho né não é um Deus enganador muito menos um gênio maligno é um outro assim vamos dizer não tão grande ou não tão inflado né o diabinho é Pequenino e não nos atrapalha não nos incomoda né Vejamos de um modo breve como essa inspiração é desenvolvida em dois ensaios dessa obra do
Bento erosão loucura primeira referência o primeiro texto é o ensaio que leva o título do livro ele consiste numa conversa com o janot especialmente com o último Capítulo de seu livro apresentação do mundo né que é um livro sobre witkin o Bento enxergava nessa conversa a mediação do reconhecimento de wittenstein aqui são palavras dele como Protagonista essencial da crise contemporânea da Razão especialmente em virtude do modo como witkin reelaborou os argumentos da loucura e do sonho nessa obra póstuma sobre a certeza lembremos novamente o interesse do Bento ele se esteia na possibilidade de um território
filosófico que Não Se comprometa nem com o relativismo nem com fundacionismo para ele fica claro como o ganot Evita o relativismo mas não o fundacionismo o Bento entende ser Importante para a compreensão do livro sobre a certeza da do conjunto de anotações que é o sobre a certeza perceber que vdk ST se engaja em desqualificar os dois opostos então desenvolve aqui uma crítica à leitura que o ganot faz do wittgenstein interessando investigar cit Bento se para salvar a razão da crise ou do Pântano do relativismo não nos devolveu ao chão ilusoriamente sólido da metafísica Dogmática
é uma baita de uma crítica né Eh isso está atrelado à ideia de que do ponto de vista do Bento o ganot busca palavras do Bento uma espécie de garantia antecipada da eficácia Universal da Razão onde estaria essa garantia né na reflexividade do uso da linguagem espontânea e natural para o Bento a leitura do ganot Depende de uma tradução que ele usa para a expressão FM uma tradução que o Bento julga ser Equivocada o di verte essa expressão por homem racional e não por pessoa razoável como como Aliás a tradução mais recente do sobre a
certeza faz né opta por pessoa razoável isso é importante porque o desaparelhar contracorrente do senso comum o resultado desse questionamento é que se torna difícil Aos olhos do Bento compreender os motivos pelos quais ganot se afasta das leituras fornecidas por apel e habermans que não ignoram o fato De a Praxis básica dos jogos de linguagem ser móvel o que Appel e habermas fazem é interpretar esse movimento sobre o critério teleológico de uma comunidade comunicativa ideal o que para o Bento Restitui um idealismo transcendental contra a filosofia ou as filosofias de witkin O problema é que
se o idealismo é contrário ao processo de pensamento do sobre a certeza isso coloca um enigma que é o reaparecimento bem ao final do Livro no seu último parágrafo mesmo do argumento do sonho para o Bento Isso deve ser visto na direção de assinalar E para isso ele usa uma linguagem eh canana na direção de assinalar o quê que a consciência de objeto deve ser pressuposta no eu penso Mas além disso Isso é algo que ele considera ser mais importante o argumento do sonho Ressurge articulado ao argumento da loucura no sobre a certeza a loucura
distingue-se Do erro e o ponto decisivo dessa distinção é o fato de a ilidade ser considerada um traço essencial do erro como explica o Bento eu cito só se pode falar em erro lá onde um sistema de regras já está pressuposto e pode corrigi-lo enquanto a loucura como uma espécie de erro incorrigível parece ser definida como cegueira para a regra fim da citação a loucura diferencia-se aí também da ilusão filosófica na medida em que ela é considerada natural e até Mesmo necessária traços que caracterizam o procedimento do filósofo dogmático que transforma diz o Bento um
vild uma imagem de mundo em uma V em visão de mundo então a tarefa da análise crítica de corrigir ilusões filosóficas Diverge da tarefa de corrigir erros e ao consistir numa atividade comparativa entre imagens de mundo ela pode ser vista sustento Bento como exploração da alteridade algo que estivera completamente ausente no Tratados é à luz disso que o Bento escreve o seguinte eu cito o filósofo crítico Pode sim atingir a serenidade uma serenidade todavia sempre em suces mas não a tranquilidade do Homem Comum que não problematiza a verdade do V build que L dá segurança
na segunda fase de sua obra witkin obviamente eh é transformada a concepção quer dizer desculpa na segunda fase sua obra e transformada a concepção da linguagem a descrição dos jogos de linguagem de seus Limites aponta para uma atitude uma certa visão perspícuo e sinóptica que os atravessa a todos e que não privilegia nenhum partu e n par descrevendo os microcosmos de todos os jogos de linguagem o filósofo vislumbra o caos de que emergem cada um e todo eles fim da citação o Bento refere esse entendimento de delimitação da Razão sobre o fundo da loucura à
expressão do Luiz Henrique Lopes dos Santos perspectivismo sem relativismo que o Marcelo cavalho Explicou para vocês ontem né E esse caminho então ele pensa nesse momento né o perspectivismo sem relativismo seria exatamente o caminho capaz de evitar os escolhos vislumbrados e temidos do realismo e do idealismo enfim na leitura que o Bento fornece para para essa atitude filosófica perspectivismo sem relativismo o fracasso do atomismo lógico teria conduzido viken Stein a uma espécie de retorno ao mundo vivido embora o Reconhecimento da base Vital dos jogos de linguagem não signifique de acordo com seu entendimento afirmar que
eles retirem dessa base os seus sentidos ou modos de fundar verdades então isso era sobre um dos ensaios que eu destaco dessa obra agora or me refiro ao outro o ensaio seguinte do livro do Bento o livro é er ilusão loucura o ensaio se chama descart e o último witkin o argumento do sonho revisitado esse ensaio é dedicado exatamente a explorar Eh de modo minucioso o ressurgimento do argumento do sonho no último gesto filosófico do autor austríaco seja em descart ao discorrer contra física e metafísica aristotélicas seja em Platão ao alvejar o relativismo de Protágoras
no diálogo teeteto o argumento do Son é empregado como dispositivo para desautorizar a fundamentação do conhecimento no contato sensível intermediado pelo corpo com o mundo e nessa medida ele é p chave na Circunscrição do racionalismo epistemológico antigo ou moderno as perguntas tem o direito de duvidar disso ou daquilo a respeito do que eu posso me enganar o argumento do sonho tem o papel de instituir o sensível em conjunto corpo e coisas percebidas como candidato obviamente para descart não se trata de afirmar algo como eu poderia estar sonhando agora enquanto penso estar escrevendo mas de adotar
Como Regra para a condução metódica da dúvida ser cito descart de prudência quem não conhece esse trecho né que parece um verso pronto de música de sofrência ser de prudência nunca se fiar inteiramente em quem já nos enganou uma vez mas na contracorrente desse gesto como mostra o Bento há toda uma tradição na filosofia moderna que não aceita a possibilidade racional da formulação do argumento do sonho como razão de duvidar empenhando-se em bloquear sua Eficácia nesse ensaio o Bento observa contra Norman Malcon que escreveu um livro chamado eh Dreaming se eu não me engano um
um um filósofo que tá discutindo comvido que está especialmente com vio que estáo sobre a certeza o Bento observa contra Norma Malcom que uma separação entre sonho e pensamento com efeito através a história da filosofia moderna e contemporânea sendo sua essência o fato de se enxergar no sonho a ideia de um Sujeito sem Horizonte tudo se passa como se a recusa do argumento do sonho fo fosse uma espécie de paradigma da Encruzilhada por onde caminham necessariamente as vicissitudes da Crítica da Razão Pura como fenomenologia e filosofia analítica podendo Então se expressar no fato de de
que tanto Sartre quanto Norman Malcom concluem a favor da possibilidade do juízo eu sonhei mas contra o juízo sonho agora também para o último witkin o Argumento do Sonho Não É uma razão de duvidar legítima e isso ele deixa Expresso no parágrafo 383 do sobre a certeza que diz assim o argumento posso estar sonhando é absurdo pelo seguinte motivo se estou sonhando esta observação também pode ser sonho e na verdade também é sonho que estas palavras tenham qualquer significado se para colocar o argumento do sonho tenho que admitir a possibilidade de que ao colocá-lo eu
Estivesse sonhando então Admito concomitantemente que o próprio argumento estaria sendo enunciado eh por alguém que dormia e alguém que dormindo diz alguma coisa enuncia sons que carecem de significação o argumento do sonho é aqui desprovido de sentido porque supostamente abre mão de todo e qualquer apoio no território das condições que poderiam qualificar um discurso como significativo Para wittenstein a recusa do ceticismo não precisaria engajar-se com o realismo do senso comum e o sobre a certeza além de ter sido escrito contra descart foi também de outro lado declaradamente escrito contra George Moore e sua defesa de
uma espécie de conjunto mínimo de verdades que decalc do senso comum não estariam sujeitas à dúvida tal como as seguintes proposições a terra existe muito antes do meu nascimento ou então aqui está uma mão e aqui está outra Mão embora a questão para decart não seja que quando digo chove sonhando isso Não pode ser verdadeiro ou falso mas que mesmo que eu estivesse sonhando quando digo chove 2 + 3 = 5 ou seja mesmo que a questão que decart mobiliza com argumento do sonho seja distinta da que aparece no final de sobre a certeza é
assim que o último parágrafo deste livro supõe que a proposição sobre chover no tempo presente só é significativa se o indivíduo que a Profere se acha desperto a parte final desse parágrafo o 676 traz o seguinte conteúdo Mas mesmo nestes casos são os casos elencados por m a terra existe muito antes de eu nascer aqui tem uma mão aqui tem outra posso estar enganado não será possível então que eu esteja drogado pergunta se vikin se estiver e se a droga me tornou inconsciente Então realmente não estou falando e pensando gente eu não sei o que
fazer 5 minutos Nem coloquei a questão ainda então mesmo o o viken diz assim mesmo se essa proposição é enunciada é e alguém que dorme né diz chove mesmo que essa proposição esteja relacionada a uma chuva que de fato esteja ocorrendo mesmo que essa proposição esteja relacionada ao conteúdo do seu sonho ela é Desprovida de de significação Então essas palavras são de uma estranheza contundente pois o que pode ser a diferença entre sono e estado De vigília ou entre uma enunciação feita em estado de Lucidez e outra proferida em estado narcotizado senão algo referido ao
critério de presença ou ausência da consciência não consiste o esforço de wittenstein em o m exatamente contrário que na linha de freger busca depurar a lógica ou no caso a gramática de todo o resquício de Psicologia Então eu ia trazer alguns detalhes dessa reflexão que é feita pelo Bento né porque é exatamente contra a ideia de que haveria nas últimas linhas escritas por wittenstein um bizarro surgimento da Psicologia que o Bento desenvolve a sua argumentação relacionando então o Estado de vigília a pura inserção do sujeito em uma Horizonte de certeza ele busca desfazer a linguagem
aparentemente psicológica do parágrafo 676 mostrando que aquilo que é de imediato compreendido como déficit de Consciência refere Na verdade uma perda relacionada às condições da significação ou a ausência de um Horizonte de significação do qual não participam nem a prova de m para a existência do mundo exterior tem uma mão aqui tem outra mão aqui Isto é sua fil filosofia do senso comum nem o cógito cartesiano eh o Bento ele vai dizer assim que não é exatamente o paradoxo que é aparente nesse último parágrafo do witkin tentando resumir aqui né mas a sua dissolução porque
o Bento vai sustentar que na medida em que o witkin Stein sobre a certeza destitui a legitimidade de colocar o argumento do sonho como razão de duvidar ele instaura o espaço ainda talvez mais amplo para o argumento da loucura e aí eu cito rapidamente o Bento ele diz assim talvez possamos dizer que esse vigen Stein desarma em seus últimos escritos o argumento do sonho ele acaba por reformular em termos mais fortes o argumento da loucura descartado por Decart não para daí tirar argumentos éticos mas para situar ou para criticar no sentido cantiano através da ideia
de loucura a própria ideia da razão então aquela questão do pensamento ali lidando com seus limites né Eh esses apontamentos eles fazem parte assim do esforço beneditino Se pudermos dizer né de salientar na contracorrente da tradição de comentário do wittenstein na filosofia analítica a presença em seu pensamento dos temas do transcendental e Da subjetividade o que nos permite retomar a referência oo Que Deixamos em suspenso no início da fala e afirmar uma continuidade entre os livros erro loucura e IP seitas seria possível supor no entanto contrariamente à leitura que Bento faz da última Filosofia de
wittenstein que ela não está concernido por um registro transcendental me parece ser isso que o Marcelo Carvalho faz num artigo dele que se chama o seri o sonho que ele retomou Ontem então eu vou um pouco aqui pular essa parte tá então começando a construir um contraponto eu vou ter que colocar isso de uma maneira muito muito breve eh eu diria o seguinte para o wittenstein chove a proposição chove não pode ser dita verdadeira ou falsa Porque tais sons não descrevem nada não é possível existir uma linguagem privada Ô começando a construir esse contraponto é
interessante considerar nesse momento Que para Freud chove não poderia ser verdadeira ou falsa porque o inconsciente nada quer saber sobre o princípio de não contradição isso não significa contudo que o enunciado pudesse ser reduzido a um fenômeno de expressão que é o que wittenstein faz pelo menos segunda leitura do buffest num livro chamado wiste ler Freud ele vai dizer então assim as proposições que aparecem no sonho não seriam descrições seriam Expressão Tá Tendo isso em vista a questão que se impõe para mim é mais ou menos a seguinte seria mesmo Clara e bem marcada a
diferença entre expressão e descrição supondo que ela seja clara seria ela suficiente para nos autorizar a separar radicalmente sonho de prática humana de jogos de linguagem ou de vidas efetivas o que o que nos impediria portanto de restituir o problema bastaria mesmo nos referirmos à Impossibilidade de uma linguagem privada para subtrair ao sonho os lugares da alteridade e de uma relação com o mundo a possibilidade de nos fazermos essas perguntas está para mim relacionada a suspeita de que a dissolução do paradoxo do parágrafo 676 é aparente não apenas no sentido de indicar o espaço da
loucura como fala como como dizia o Bento né ela está relacionada ainda assim Suponho aquela continuidade entre er ilusão loucura e IP seitas é justamente essa continuidade que apresenta a possibilidade de situar com Freud uma questão que eu apresentaria ao Bento se pudesse visitá-lo Enquanto revisito alguns de seus textos digo que quero colocar a questão com o primeiro Freud não apenas para brincar com o título do ensaio do Bento mas também porque obviamente minha referência é a obra interpretação dos sonhos que de acordo com o próprio Freud Faz surgir a psicanálise ao construir com a
noção de processo primário o lugar de um conceito específico de inconsciente situando o sonho como principal via de acesso a ele para psic a região da significação que implica um si mesmo embora se trate aí de um si mesmo dividido ultrapassa necessariamente a oposição sono vigília as representações ativadas no processo de formação do sonho longe de se reduzirem a uma operação de expressão Como quereria witkin corresponde a uma espécie de momento privilegiado do sentido o reconhecimento de que o sonho veicula uma mensagem coincide com o próprio Nascimento da psicanálise e portanto com as próprias condições
de possibilidade de sua tarefa o sonho para Freud possui uma linguagem O que podemos pensar como significando que ele fala uma linguagem ou que nele se fala uma linguagem mas o que quero essencialmente dizer é que apesar do movimento de Contraposição amor que acompanhamos no sobre a certeza parece difícil nos desvencilharmos de certo resquício de empiria na ideia de que um sujeito para jogar um jogo de linguagem deve achar-se acordado a alternativa entre atribuir ou não atribuir significatividade a proposição chove continua dependendo da determinação de um sujeito continua subordinada a um sujeito real e singular
este sujeito por mais que sua mera Presença acordado não precisasse trazer para gramática nada de Sua psicologia Isso parece significar que no trato filosófico da relação entre linguagem e mundo não há como virarmos as costas para a questão do corpo que desse modo se impõe no registro da psicanálise a questão não é mais assim se posso supor que estou sonhando agora tal possibilidade não implode para efeitos de fundamentação o acesso da Razão ao mundo sensível mediado pelo Corpo Isto é a questão não é mais do que não posso duvidar quando aceito que posso duvidar do
acesso de minha percepção ao mundo ela também não é mais o avesso dessa veiculado com a desqualificação do sonho como campo de sentido mediante o estabelecimento de um nó entre dúvida e Horizonte de certeza através de elos e abismos entranhados entre psicanálise e filosofia através de grandes ou pequenos demônios a questão passa a ser sonho e Nesse fenômeno verbal ou imagético como se processa a significação e Então aquela pergunta aberta essencialmente no teeteto a respeito do que eu posso me enganar pode se modular em a respeito do que eu de certo modo quero me enganar
ou ainda em outra formulação mais adequada digamos assim ao Espírito psicanalítico Que processos de sentido me transpassam e se engancha em meu corpo ao ponto de nascer algo como uma vontade de engano imagino uma objeção possível Vocês Possivelmente diriam Lea isso demais a discussão pois não se trata mais das preocupações de wittenstein do ponto de vista do filósofo impõe-se sempre tudo indica a questão do acesso ao mundo externo penso então sobre como insistir e ocorre-me dizer o seguinte ao contrário de wittgenstein a indicação de um contexto de significação na psicanálise não exige o estado de
vigília Mas isso não descarta o questionamento pela incidência do corpo Nas condições do sentido então reguladas pelo Desejo faltaria aí a noção de regra estaria ausente uma gramática ora Justamente não tais coisas Freud crê provê-las então eu perguntaria ao Bento como quem teima eu perguntaria ao Bento leitor de witkin e filósofo da psicanálise seria mesmo legítimo separar sim da gramática o corpo não seria interessante conduzir a reflexão sobre a argumentação transcendental na contemporaneidade e Por esta via sobre uma busca filosófica pela ipseidade para uma consideração sobre um possível lugar do corpo nela mesmo e talvez
ainda mais quando se entende localizar neste rumo a noção wikini de gramática muito obrigada pela atenção de [Aplausos] vocês muito obrigada professora pela comunicação tendo em vista que a gente tá com o tempo um pouquinho estourado pra próxima Comunicação que será da professora Maria das Graças então infelizmente não haverá tempo para questões mas tendo em vista que é importante fazer um breve intervalo pra gente retomar a as comunicações finais Então a gente vai ter 15 minutos assim se votar em 10 é melhor para que a gente então dê continuidade e possa terminar o evento com
as comunicações finais que terão na seguida em seguida então obrigada gostaria de agradecer novamente as Professoras ao Pablo ao Alex pelo evento oportunidade também de estar aqui pode então vamos paraa última mesa ou ante última mesa de hoje e do evento com a professora Maria das Graças de Souza aqui do filosofia e a mediação do professor Alex Moura e coordenador e organizador do evento junto comigo eh antes de passar a palavra para eles eu queria lembrar de um pouco a fala de ontem do professor Sérgio Cardoso e da professora Marilina o fato de terem chegado
assistir essa mesa a professora Maria Graças Prof olgária quando eu lembrei dos nossos Mestres né dos nossos professores e que o Bento Prado sendo Como o próprio Sérgio falou um ancestral né uma espécie de avô de todos nós eh uma coisa que A Tesa também fala né os nossos pais intelectuais eh e a continuidade dessas gerações dessa formação desse departamento que Justamente a Maria das Graças vai falar Falar sobre a tradição russía que é uma outra tradição eh além das que já falamos né do do bergon do de do Sartre A fenomenologia a psicanálise linguagem
e bom excepto agora por Alex e eu que estamos aqui na frente teve uma mesa composta por mulheres a mesa anterior a Silene e a Leia eh tentamos equilibrar esses dois aspectos né masculino e feminino que nesse departamento pelo menos Até onde Eu sei prevaleceu o masculino né e bom não sei eu quero aproveitar essa esse ambiente né de de continuidade de tradições de resgatar essa luta das mulheres aqui do departamento e pedir para uma aluna paradoxal que é aluna do curso de graduação mas é também D na medicina eh entregar um presente para professora
em nome de todas as mulheres Flávia Prada Muito [Aplausos] Obrigado então a continuidade das Gerações e das formações OB bom com isso eh passo a palavra pro meu colega aqui o professor Alex Moura e boa mesa para vocês depois disso já já começou a mesa né Maria agora já muito bem na verdade eh primeiro a minha função é de mediador então eu não vou fazer uma fala eu tinha num primeiro momento pensado em fazer uma fala mas aí fica para uma ocasião futura Eu tenho algumas notas se der Certo da gente publicada e eu eu
eu entro na publicação eh vai dar certo então eu queria na verdade começar dando boa noite a todas e todos é fazer o agradecimento né em primeiro lugar agradecer ao Pablo por esse trabalho conjunto E por est à frente desse evento né então o evento um pouco o sentido desse evento né Maria eu acho significativo que a gente tenha feito esse ano já uma uma série de homenagens Né A homenagem tem esse caráter ao mesmo tempo crítico e do Diálogo então é uma homenagem que é ao mesmo tempo uma recuperação uma recuperação construtiva uma recuperação
produtiva Então eu fico muito contente de est aqui não vou não vou nem tentar falar do Bento em 30 segundos né porque o evento tem mostrado o quão fundamental ele é né Ele é essa que é a ideia né essa história viva essa história que a gente é capaz de recontar no presente mas que exige que a gente Seja capaz de repensar a história e manter a história no nosso Horizonte né Eh uma história que permanece capaz de iluminar o presente acho que é isso né recuperar a tradição como uma tradição viva uma tradição que
nos nos ilumina né Queria justificar a ausência da professora Maria Lúcia eh ela teve algumas questões familiares algumas questões de saúde Então ela não pode estar aqui hoje mas mandou um abraço queria muito est aqui com você eh E tá presente hoje nesse evento ela tá ela ela ficou bastante emocionado com homenagem ao ao Bento então isso também eh sim sim sim e acho que sem mais delongas né Eh acho que eu não preciso apresentar a professora Maria das Graças Como disse o Pablo ontem ela também foi minha professora professora de tantas gerações aqui então
[Música] É tem Os Atuais tem os mais antigos que é um pouco esse papel da formação né que acho que é o que a gente o que eu queria destacar desse evento é essa ideia de uma formação que é um termo tão complicado tão debatido tão mas sem abandoná-la de forma alguma né sendo capaz de reinventar as questões e as respostas Mas então professora a palavra é sua muito obrigado por ter aceito e aproveito para estender esse agradecimento a todos os professores Professor Paulo todos que aceitaram participar do evento nesses dois dias homenagear o professor
Bento é homenagear o departamento e é homenagear o filósofo o escritor o intelectual o poeta aquele que trabalhou a palavra se eu pudesse destacar alguma coisa das falas né é o quanto o nosso trabalho em filosofia é um trabalho envolto pela palavra ISO apareceu seja a palavra literária a palavra da das Ciências Sociais a Palavra da teoria das ciências humanas é o quanto esse esse discurso das Fronteiras Como disse o Vladimir hoje é um discurso que caracteriza nosso trabalho e que nos faz sempre voltar à questão O que é a palavra O que é filosofia
O que é o sentido que fazemos Mas enfim deixa eu parar de falar passo a palavra pra professora Maria das Graças vou do lado esquerdo prefiro lado de Cá tá bom assim tá bom boa noite ele não fica ele não fica ontem foi mesma coisa não tem que ir mais para lá bom sen não eu seguro tudo bem não eu seguro qualquer coa é boa noite a todos vocês meus colegas meus alunos e alunas obrigada pelas palavr Gentio meu jovem colega eu queria mesmo eh dizer ao Alex e ao Pablo que organizaram esse encontro eh
dar meus agradecimentos E dizer que eu me sinto honrada de est aqui nesse evento importante no departamento quando eles me convidaram para fazer uma apresentação nesse encontro em homenagem ao professor Bento Prado tal como Sérgio Cardoso explicou ontem eu também hesitei muito em aceitar eu não cheguei a ser aluna do Bento pois entrei na graduação de filosofia em 1968 o último ano da Maria Antônia e um Tempo depois já no ano seguinte o Bento foi compulsoriamente aposentado pela ditadura e exilou-se no exterior então todo todo o tempo da minha formação de graduação o Bento estava
fora do Brasil né Eh também não participei das conversas filosófico literárias poéticas dos bares né Eh bom porque enfim eu era aluno do noturno morava longe ia embora então eu não participei dessas conversas eh tão Interessantes que foram narradas aqui pelos colegas que conviveram com o Bento eh nessa época né Eh bom ao voltar da França como nós sabemos o Bento não retornou ao departamento né ele e eu janotti tinham sido eh compulsoriamente Aposentados e o o foram primeiro recebidos na PUC de São Paulo depois o professor janotti voltou por um tempo aqui antes de
se aposentar e o Bento foi para São Carlos Onde se instalou e criou esse Centro de Estudos De Filosofia e psicanálise que nós eh conhecemos bem bom além disso eu hesitava também porque eh muitos de nossos colegas foram de Fato muito mais próximos do Bento do que eu pude e poderiam falar dele melhor do que eu daí a minha hesitação em aceitar né nesse caso bom mas depois pensando melhor eu julguei que poderia ser útil falar do Bento leitor de rousse que é Uma das facetas dessas Mil Faces do trabalho do Bento no que eu
ficaria mais à vontade e lembrar que o Bento e o Salinas foram por assim dizer os mestres dos estudos rías e dos estudos sobre Iluminismo e na USP no departamento e o que inaugurou uma espécie de tradição que tem formado muitas gerações n a minha geração que inclui Milton Meira Renato genini olgária Aliás a algara fez um mestrado sobre rousse Chamado rousse uma arqueologia da desigualdade e o Franklin de Matos o nosso saudoso fanto né os anos mais jovens eh luí Roberto Salinas fortes foi professor do departamento eh foi meu orientador durante até o momento
que ele morreu depois ele eu fui recebida pela mar leira ele morreu muito jovem um especialista em Rousseau E que nos deixou precocemente né os alunos do primeiro ano que estão aqui sabem que Nós falamos bastante do Salinas lá e os outros talvez não se lembre mais ele morreu em 87 87 com 50 anos vou voltar a falar dele bom então tem essa geração formada que é a minha geração que nós somamos todos aposentados agora somos professores sêniores nessa geração toda eh e depois vem a geração daqueles que nós orientamos e que hoje também são
professores e orientadores aqui tem Casos é o Silvio rosa que tá aí que foi meu aluno você que foi meu aluno reipa Enfim então tem aí uma uma geração de pessoas que eh continuam trabalhando asas questões do ilino francês e sobretudo a obra de Rousseau eh tendo ou não sido alunos do Bento e do Salinas todos nós herdamos deles o gosto o apreço pelos estudos sobre a obra de roussea e do Iluminismo né então desta Maneira com a permissão dos meus colegas organizadores eu vou falar de Bento e Salinas leitores de roussea né e de
certo modo gostaria também de estender a homenagem ao luí Fernando Fran de Matos o panto que nos deixou também recentemente bom mas antes de fazer isso eu retomo a questão dos estudos sobre Rousseau no Brasil e na USP nas primeiras décadas do século XX até chegar ao final dos 60 ao início dos 70 quando aparece os estudos de Bento e Salinas né E para fazer isso vou recorrer ao trabalho do professor Thomás kau que tá aqui nos assistindo eh que também foi me orientando fez uma tese sobre Rousseau porque ele tem repertori a bibliografia de
fontes traduções e interpretações da obra de rouso no Brasil Então os dados que eu trago aqui eu eu recorri ao trabalho do Tomás que eu agradeço muito n bom de acordo então com o Tomás eu mesmo me surpreendi com As informações que eu descobri no trabalho do Tomás de acordo com ele estudou lá o contrato os dois discursos de roussea e As Confissões foram traduzidos no Brasil na década de 30 36 né Tomas como você falou pela Editora Atena e um fato curioso que ele descobriu é que essa primeira edição traduzida do contrato dos discursos
no caso dos dois discursos foi Uma professora feminista anarquista que traduziu os dois discursos Maria la de Moura que traduziu esses dois discursos nos anos 30 bom entre os anos 30 os anos 50 parece que não há nenhuma outra notícia nos anos 50 foi defendida a primeira tese sobre rousse na USP na faculdade né não era ainda era faculdade de filos fia Ciências e Letras n agora aqui a letra de ciências humanas foi defendida A primeira tese sobre a obra de roussea na USP de autoria do Professor Lourival Gomes Machado que era da cadeira de
sociologia e a quem Coube também juntamente com Lurdes Machado traduzir Rousseau nesses anos 50 numa edição publicada pela pela Editora globa que a gente não encontra mais praticamente E essas traduções foram mais tarde no início dos anos 70 incorporados na edição dos pensadores essa edição de R dos pensadores que nós Trabalhamos é deste desse casal eh eh Lorival e Lurdes Machado essas traduções não contemplaram O Emílio O Emílio foi publicado em português pela primeira vez em 1968 na tradução de Sérgio melier não pros mais jovens parece que 68 tá muito longe né mas enfim para
mim tá muito muito próximo eu fiquei quer dizer antes disso antes dessas traduções no Brasil no século XX as referências russão no Brasil Vinham de manuais ou de autores que tiveram acesso a textos originais franceses né eu eu eu fiquei eu não não imaginava que que era tão raro ter né a tradução dos Originais franceses aqui né quer dizer o Emílio só foi lido em português no Brasil no século XX na segunda metade do século né Bom a partir dos finais dos anos 60 e início dos anos 70 houve de fato uma espécie de florescimento
dos estudos sobre Rousseau no departamento de Filosofia da US dentre os quais se destacam precisamente os trabalhos de Bento Prado Júnior e de luí Roberto Salinas fortes eu me pergunto que razões levaram esses professores a estudar um autor clássico como rousse exatamente durante o período da ditadura cujos efeitos nefastos eram visíveis não se faziam sentir por todo lado sobre todas as pessoas e Precisamente sobre esses dois professores Bento e Salinas já que Salinas foi preso e torturado e Bento foi afastado compulsoriamente da universidade e obrigado a se zilar no exterior né Eh eu me pergunto
sempre isso e eu volto a essa questão mais do final né bom nós da Maria Antônia após a expulsão do centro da cidade em seguida a chamada batalha da Maria Antônia contra o comando de ca aos comunistas né Eh fomos empurrados para Campus do Butantã espalhados não tinha ainda esse prédio aliás esse prédio foi construído provisoriamente para nós e ficou até hoje né mais provisório ficou definitivo né onde nós continuamos a ler rousse com com Salinas e com os terços do Bento anos 70 né então é nesse sentido que eu que eu pude fazer melhor
uma participação nesse evento juntar esses dois leitores de Rousseau que são Bento e Salinas e eu Começo pelo Bento na ocasião em que Bento partiu pra Europa ele apresentou na universidade na universidade francesa onde seria recebido como visitante um projeto de pesquisa chamado leituras de rousse que foi publicado no volume brasileiro que a gente conhece chamada retórica de rousse organizado pelo Professor luí Fernando nosso fanto N é o texto de apresentação do volume volume que reuniu a maior parte dos trabalhos sobre Rous que Bento havia escrito e que tem inclusive um prefácio de Frank de
Matos então aqui na minha cabeça hoje é Bento Salinas E fanto essas pesquisas na França do Bento resultaram num texto importante que é uma espécie de síntese das suas análises o volume a retórica de rousse esse texto ficou guardado por muitos anos antes de ser Publicado ao mesmo tempo Bento escreveu vários outros ensaios que também foram reunidos nesse volume brasileiro na verdade o interesse de Bento por Rousseau continuou na sua volta ao Brasil e diz o fanto no prefácio do a retórica de Rousseau pelo menos por uma década inteira o Bento se ocupou de rousse
né diz o fã de maneira quase exclusiva eh eu tava eu estava vendo também que não foi só uma década porque há um Artigo no livro da retórica de roussea que é uma aula de Bento de 1966 né Eh e depois tem a década em que ele se dedicou à à retórica de Rousseau a questão da botânica enfim a todo o universo o horizonte intelectual no qual as obras de Rousseau foram produzidas mas em 1999 o Bento criou junto com o professor da Unicamp chamado José Oscar Marques o gip Rousseau grupo interdisciplinar de estudos sobre
Rousseau de pesquisa sobre Rousseau que desde aquela ocasião reunia professores e alunos interessados num espaço comum de discussão desenvolvim divulgação de pesquisa sob a forma de encontros colóquios jornadas e publicações com particular atenção aos novos pesquisadores pela orientação em pósgraduação per iniciação científica esse jip ainda existe até hoje atualmente Tá sediado em Goiânia e organiza regularmente eventos em torno da obra de Rous tá e no ano seguinte já 2000 vento criou o GT Dan POF chamado rousse e iluminismo que continua também suas atividades nas mãos das novas gerações e o Bento participou ativamente das enfim
das apresentações e dos encontros tanto do jip quanto e do GT da Portanto o interesse de Bento pelo durou muito mais do que nós imaginamos Não foi só esse período de 10 anos bom o luí o Frank de Matos eh no prefácio que é um belíssimo prefácio da edição da a retórica de Russo do Bento ele diz que o Bento tinha duas vocações a filosofia e a literatura o Paulo que tá aqui Paulo arandes de modo análogo no texto intitulado a musa da filosofia ele escreve que nos meados dos anos 60 Bento Prado Júnior Era
uma ilha de literatura rodeada de filosofia por Todos os lados era como se ele tivesse uma dupla personalidade escreve Paulo Bento teria criado uma espécie de sistema Entre esses dois compartimentos da filosofia e da literatura n e o Bento segundo escreveu o Paulo teria encontrado em rousse um modo de costurar lá no texto do Paulo tá emendar como remendar como é costurar que você quis dizer né Paulo a fratura entre o Discurso filosófico e a literatura e entre a teoria e a literatura o centro da obra de Rousseau era retórico na sua acepção clássica na
acepção clássica de eh retórica assim na obra de Rousseau né Bento encontrara eh a unidade da obra de Rouso onde a teoria era contornada pela literatura mais ou menos isso não sei se eu tô sendo muito fiel né Eh uma pergunta que tanto o Franklin quanto o Paulo se colocaram é por por quais razões Bento teria passado de Bergson para Rousseau os dois se colocam essa pergunta e respondem de de modo mais ou menos semelhante não da mesma forma no caso do Franklin eh sobre os motivos que levaram Bento passar de Bergson a rousse o
fanto disse Que era uma espécie de coisa natural na trajetória do Bento passar do Bergson para o rouso Né tanto para um quanto para outro eh Bento estava procura da unidade da obra né e na nos escritos de Rousseau a continuidade o prolongamento entre filosofia e literatura são sustentados por uma teoria da linguagem isso explicaria o interesse contínuo do Bento por esse Autor né no caso então do do trabalho do Bento no caso do trabalho do Salinas né e na verdade o saris nos deixou alguns artigos dois livros escritos para um público eh maior um
se chama o Iluminismo os reis filósofos e o outro se chama rou bom selvagem ele tinha o talento de escrever para o grande público de uma forma muito clara e muito rigorosa e depois duas obras centrais nos interesses dele uma que se chama da teoria prática e outro que se chama Paradoxo do espetáculo né esses dois livros fundamentais eh o Bento quando escreveu eh após a morte do Salinas um texto em homenagem a ele na revista discurso a gente ficou sem saber né O resto dessa trajetória a curva dessa trajetória que tinha que sal iniciado
bom lá esse texto paradoxo espetáculo quando ele morreu não estava publicado ele deixou no no manuscrito Eh várias notas vários rabiscos várias observações nas margens né e eh correções eem acréscimos do original e então Milton meir Jacira Freitas prepararam a publicação do paradoxo e no prefácio Salinas afirma o seguinte que o livro se define essencialmente como continuação e radicalização daquilo que empreendemos muitos anos atrás e que resultou no livro da teoria prática ou seja o livro Paradoxo sobre espetáculo é uma continuação do primeiro rousse da teoria e a prática bom nós leitores poderemos perguntar além
de serem dois trabalhos sobre rousse o que H emcomum muitas relações acerca do texto sobre as pretensões reformistas da Polônia do século Xii que é o objeto do primeiro livro e a análise so a posição de rousse relativa à possibilidade do estabelecimento de um teatro francês em Genebra porque são esses os focos dessa investigação como o Rousseau ele mesmo tinha escrito os dois livros remete à política né Isso não basta para dizer que o paradoxo eh repete o teoria a prática né Eh mas para Além de que sejam ambos sobre russ e que tenham sido
pensados também no horizonte da política Assim como para além de todas as questões comuns levantadas e discutidas nos dois Livros há um traço que chama a atenção eh nesses dois livros que é a concepção de Salinas acerca do trabalho filosófico e de suas relações com o mundo e Mais especificamente com o Brasil né eh não é claro que eu não vou aqui repetir a argumentação dos dois livros né O que nos interessa aqui é notar o seguinte que para Salinas como ele escreve eh a cidade imaginária do pacto tal como descrita por roussea eh no
contrato nunca pode ser tomada como Programa político a ser traduzido tal e qual e para uma situação concreta do meso modo que não pode ser considerada como programa um programa A Cidade Ideal do Platão mas tanto Num caso isso escreve o Salinas mas tanto Num caso quanto no outro quer dizer tanto modelo de Platão quanto modelo de roussea para o Salinas permitem sim e aí ele usa o verbo extrair extrair diretrizes para a elaboração de um programa de uma Sociedade dada então segundo Salinas o contrato não é só uma regra uma régua de medida mas
um texto que ao mesmo tempo que estabelece princípios inspira A reflexão sobre a prática transformadora dos regimes historicamente constituídos aliás os um dos últimos textos do Salinas que é de 1986 ele morreu em 87 foram escritos sobre a questão da constituinte brasileira e saiu num livro chamada constituí debate que reuniu os trabalhos Organizados num colóquio por ele pelo Professor Milton Meira e que exatamente estavam discutindo a questão da constituinte no Brasil hum eh mas voltemos à teoria prática o que eu quero mostrar aqui é que escrito nos anos que se seguiram a prisão a tortura
Salinas nos diz que o seguinte que do ponto de vista teórico constitutivo do discurso da ciência do homem apresenta-se então apenas como Momento necessário no interior de um saber e de um discurso eminentemente práticos momento necessário porque assim exige nossa condição presente essencialmente discursiva momento mais momento subordinado na medida em que essa ciência o discurso teórico sobre o homem só se justifica no horizonte da prática daí o livro usou da teoria prática o que ele diz nessas passagens merece nossa atenção Ele diz que o discurso teórico Seja o da filosofia seja das ciências do homem
só pode encontrar justificação no horizonte de uma prática e esse Horizonte está presente desde o início esse Horizonte da prática constitui sim um fim exterior ao saber fim para o Qual ao qual desculpe o saber é subordinado ele é também esse Horizonte da prática a Instância principal em função da qual se estabelece esse próprio saber né Assim como vemos na obra de Salina Sobre Rousseau não se trata apenas de extrair do discurso teórico regras para prática política ou de buscar nesses textos inspiração para ação trata-se sim de definir o Saber ou justificá-lo no horizonte da
prática isso para resumir um pouco o projeto do Salinas tal como ele aparece nesses dois livros vou então eu eu volto à questão que eu coloquei no início por que que houve um florescimento de estudos de da Maria Antônia Enquanto as bombas estouravam nas ruas contra os manifestantes estudantes professores eram presos torturados mortos na verdade quando a gente viê aqui pro Campos eh a as minhas lembranças são muito sombrias né Eh a gente vê esse Campus todo verde e lindo hoje em dia eu lembro de uma coisa desértica uma coisa escura eh enfim o medo
era grande A gente chegava nos famosos barracões olhando queem tinha vindo quem tinha sumido quem Voltava quem não voltava né mas a gente estava lá do rouso né o Bento com os texos do Bento e com os salas né bom se nós quisermos se for n comparar os dois Russo Mestres Russo do departamento de filosofia da USP uma primeira observação seria que o trabalho do Salinas centrou-se sobretudo na questão das instituições políticas ele vai nos textos que tratam das Instituições enquanto o trabalho do Bento tinha seu foco na linguagem nos costumes na literatura na arte
né e Além do fato de que o Bento examinou e enfim e escreveu a partir de um leque de fontes de roussea eh distinto daqueles não distintos mas muito mais amplo eh do que aqueles aos quais o Salinas se dedicou que tava muito centrado nos dois discursos no contrato eh no texto sobre Polônia e no texto sobre a córcega que são textos que Tratam das instituições políticas enquanto o Bento tem um leque de fontes muito maior As Confissões os diálogos as reveri o romance assim por diante eh mas isso não quer dizer de modo algum
que a abordagem do Bento Prado não era política não se exata de dizer que ele que o Salinas faz um trabalho político e o Bento faz outra coisa não se trata disso ao contrário né Eu acho até que nós podemos sim fazer uma espécie de Analogia ou de paralela entre os dois da seguinte maneira no Salinas nós temos uma reflexão a partir do rouso entre os pares teoria e prática né e do lado do Bento nós temos uma reflexão a partir de rousse nos pares no par teoria e retórica tem aí uma um paralelo possível
de feito né a retórica em sentido clássico é uma prática remete a auditórios particulares a situações Históricas e contingentes a humanidades locais que é uma expressão que o Bento que os que o Bento usa e que o Paulo também repete lá no artigo dele também não é verdade que Bento não se dedicou a pensar nas instituições ele também pensou nas né Tem análise do contrato nessa colet de textos que nós temos a nossa disposição né isso pode ser visto em vários T nas análises do ensaio sobre orig das línguas na análise do famoso Último capítulo
deste ensaio sobre as línguas e a política tampouco Salinas se limitava aos estudos das instituições né ele se interessou pela questão da linguagem e da arte como nós podemos ver no parado do espetáculo então e são dois perfis distintos interessados pelo mesmo autor Mas é possível fazer um paralelo das questões que eles estão abordando e naquele momento aliás eles são Distintos em tudo né eles eram o Bento com a elegância conhecida né com a elegância conhecida com uma fala refinada poética elegante espirituosa eh e a escrita Que nós conhecemos e o Salinas menos preocupado com
a elegância e com dificuldades na fala Salinas não era bem uma gagueira mas era um uma fala fragmentada e também ele costumava derrubar as coisas que estavam sobre a mesa quando estava dando aula né Um pouco atrapalhado assim e depois uma escrita também maravilhosa ele é um grande escritor era também um grande escritor Então são dois perfis distintos em em todas essas coisas mas a gente pode ver eh que de fato além da teoria eles estão preocupados com a contingência com a história né com com a política então eu volto à minha pergunta inicial Por
que estudar Rous nesses anos tão Duros ao som de bombas de trotes de Cavalaria né e sumisso de amigos bom eu costumo pensar que nossas escolhas dos objetos de pesquisa não se devem a razões filosóficas técnicas frequentemente Nossas escolhas se devem a razões políticas mesmo ideológicas que nos levam a optar por um autor um tema uma época as razões costumam não ser filosóficas então ventro e Salinas dois Perfis diferentes como eu disse em vários sentidos encontraram na obra de rousse um meio para pensar os acontecimentos em curso na faculdade nas ruas nas prisões da ditadura
Aliás paraos mais novos também eu recomendo a leitura de um livro do Salina chamado retrato calado onde ele conta a sua experiência de Prisioneiro de torturado nos porões da ditadura é um livro que precisa ser lido eh no ano seguinte à morte do Salinas o Bento escreveu um texto sal um belo texto sobre o seu colega que a revista discurso publicou em 88 que é o número 17 da nossa Revista após comentar brevemente o livro da teoria prática e o paradoxo do Salinas Bento afirma que as páginas de Salinas definitivas an que não se limitava
apenas à história da filosofia e que envolvia as aporias da Democracia em nosso país então enfim os estudos de rousse que se desenvolve naquele momento e que começa a formar novas gerações de de estudiosos de rousse né Eh envolvem as questões políticas que o Brasil enfrentava fo naquele momento isso se pode dizer do Salinas e do Bento me parece né na verdade para terminar nenhum desses dois Mestres limitou-se a fazer tão somente Reconstituição de teoria nenhum deles dois permaneceu na explicação do texto só na explicação do texto né é o que me parece e é
isso que eu tinha para falar brevemente para você vocês muito obrigada ai para você bem para mim mas então só uma questão de organização primeiro e a gente tá com um pequeno atraso se se você concordar se é pequeno a gente poderia fazer 10 minutos de perguntas e aí a gente entra com a fala Do Professor Paulo eh podemos fazer assim pode ser alguém tem alguma questão que quisesse sim sim CL professora obrigada pela sua fala eu naturalmente tive parentes que conviveram aqui na USP nesse período que a senhora falou em que medida estudar Rousseau
era um uma resistência silenciosa e o texto do laboe em que Medida estudar laboe naquele contexto era uma resistência silenciosa desculpa quase caí não eu vou eu muito atrapalhada Maria mencionou que o Salinas era atrapalhada também sou mas eu queria pegar a carona também para não fazer a pergunta solitariamente porque a minha é muito pequena na verdade é só uma curiosidade ontem o Sérgio falando sobre o o Bento mencionou que na leitura que ele fez do Bento tinha eh eu não sei se é bem uma tese do Bento mas a a Relação que o Bento
estabeleceu entre a filosofia das luzes e os autores libertinos como se eu fosse uma eu fiquei muito curioso depois eu perguntei ao Sérgio o Sérgio como ele já tinha dito na mesa que ele não é um grande leitor do B falou olha não sabia desenvolver isso melhor de repente Pergunte pra Maria porque talvez ela bom mas enfim de qualquer maneira achei que é queria ouvir o seu palpite então obrigado Segurar é melhor n agora é melhor então Flávia eh eu acho que a gente não pensava assim inconscientemente nós nós estamos lendo rouso para resistir à
ditadura né a gente não pensava assim esses todos esses raciocínios agora são posteriores né mas enfim a gente pensava que resistir era para ir paraa rua ou senão ir para luta armada que poucos foram né e não era uma coisa consciente que a gente tá lendo Rous e Rous é resistência Qu eu lbci E na verdade a o discurso da servidão voluntária a edição francesa que tem o texto do clássico do lefor e assim por diante eu acho que é de 70 né e depois a nossa edição é posterior então naquele momento da minha graduação
a gente não leu la boci e a gente foi ler bem depois depis né quando saíram os texos aqui no Brasil eh Bom eu acho que a gente pode pensar que a escolle de leitura também é uma resistência mas não era o nosso ponto de Vista consciente pelo menos né não era eh na verdade para mim que cheguei na Maria Antônia vindo de cidade do interior do Brasil tendo feito um ensino médio que era chamado formação de normalista chegar em São Paulo da Maria Antônia em 68 era muito assustador E então era com muito espanto
com muita curiosidade que eu via todas as coisas acontecendo n e e as lutas e as discussões e assembleias no porão e a disputa entre os grupos Políticos né tudo isso nos ocupava mas a gente estudava para valer assim mesmo né me parece que não era uma coisa consciente Eh agora quanto a ao texto do do Bento sobre as luzes e a literatura libertina né eu também não poderia dizer muita coisa mas eu acho que no texto tem a ideia de que essa literatura é uma espécie de de radicalização da ideia das ideias das luzes
mas eu preciso ler de novo aquilo lá para te responder direito Sabe tá bom é o último texto eu acho do da retórica de rousse né posso posso colocar só uma questão é eh não para te ouvir mais Maria você acha que tem algum ponto específico na teoria do Rousseau que teria despertado esse interesse se você tivesse que chamar atenção para algum conceito ou talvez algum eixo que Eles teriam encontrado ali você destacaria algum ou alguns em particular Então eu eu posso destacar mas eu não tenho certeza se eu não destacarei exatamente aqueles que eu
acho os melhores e não precisamente O Que Eles escolheram né Eu acho que a tradição republicana a ideia de liberdade republicana eh o discurso sobre da desigualdade Hum me parece que desse ponto de vista é o que interessa mais o Salinas né Eh eh e do ponto de vista do Bento Essa o fato de que em Rousseau a filosofia eh tem no seu centro a retórica n e se você entende a retórica de maneira clássica a retórica entendida na tradição republicana eh isso iria realmente atrair o Bento que tinha interesse nas questões de linguagem trabalhando
nos outros autores mas acho que eu distingo eh quando eu destaco alguma coisa do roussea que me interessa são coisas que me interessam Atualmente né E que sobre as quais eu dou os meus cursos e nesse momento é sobretudo a questão da desigualdade política e econômica né que me interessa que os alunos estudem essas coisas mas é uma escolha minha não saberia dizer o que que eles viram lá o que o o que o Bento viu essa relação entre teoria e retórica o que o que o viu essa relação entre teoria e prática e eu
acho que isso tem tudo a ver com o que tá acontecendo ali naquele momento Né no caso do Salinas mais diretamente né Eh E no caso do Bento mais indiretamente né Eh mais sinuosamente mas é isso que tá em jogo me parece questão professora eu queria fazer uma pergunta assim mas de de ordem prática né tanto a sua fala quanto outras que a gente viu hoje fala do do Bento que procurou outros autores na sua pesquisa você Iniciou também falando sobre isso né Eh aí eu fiquei pensando se eh como ele escolheu essa troca partindo
do de questões que ele tinha particular Hoje em dia a gente tem outras questões que aparecem diferentes que tinha naquela época a minha pergunta é nessa direção se você acha que ainda é possível trazer outros outros pensadores outros filósofos um departamento que tem uma tradição né Eu queria ouvir um pouco da Sua da sua fala como até uma uma palavra pros graduados eu falo do lugar de graduação também né de como a gente pode tratar isso levando em conta toda a historicidade do departamento obg você tá pensando nessa questão tão debatida Da ampliação do Canon
da história e da filosofia é isso a sua pergunta é né você não usou a palavra mas é isso né Não eu penso que a gente precisa continuar lendo os clássicos e e que essa questão do Canon Eh tem que significar Os Clássicos e também outras coisas né porque esses esses que estão surgindo se forem bons vão se tornar clássicos é essa questão então é esses clássicos nós conhecemos e também outros né aí eu acho que é Movimento Sem retorno essa questão de expansão do cânon não é muito fácil fazer né Depende do autor do
tema que você escolhe por exemplo eu dei um curso no primeiro ano sobre discurso da origem Da desigualdade vamos ver como é que eu vou ampliar essa bibliografia eu tenho Boa Vontade eu quero ampliar Então ninguém nenhuma mulher discutiu o segundo discurso com roussea naquela época então não tem as mulheres discutiram O Emílio com roussea então se você der um curso sobre Emílio você pode pôr autoras que se opuseram a várias teses do Emílio aí você amplia o cano do lado da questão de de gênero né Eh então eu disse o que mais eu posso
Fazer para ampliar esse cano do da bibliografia do primeiro ano e foi só o discurso da desigualdade então eu pedi pros meus alunos lerem um capítulo da queda do celdo daav copena um capítulo que se chama os homens da mercadoria onde ele compara o modo de vida do nosso né que somos homens da mercadoria com o modo de vida das populações eh Yanomami que lembra a época descrita no segundo discurso chamada Juventude do Mundo né sua habilidade dança música e autonomia eh sem propriedade privada então foi um jeito que eu disse bom aqui é uma
coisa útil ver e aliás O livro é lindo para ser lido do mesmo modo independente do curso né Eh então eh eu sou favorável que a gente amplie Nossa bibliografia mesmo porque e eu penso que um clássico se torna clássico pela qualidade dele mas não é Só isso que entra em conta né tanta coisa entra em conta para um livro se tornar um livro oficial de um exame por exemplo né Entra em conta interesses editoriais né são os autores que são publicados não são publicados né Eh enfim eu acho que a gente deve se ampliar
o cano e encontrar autores não homens brancos Sis né que é uma essa questão Então se tem indígenas que escreveram se tem pretos que Escreveram se tem africanos que escreveram e que podem contribuir pro curso tem que ser eles e também de outro lado tem essa questão isso é filosofia isso não é filosofia né eu leva em conta isso eu confesso eu acho que quem decide o que é filosofia são as instituições não é são as instituições acadêmicas eles que dizem que isso aqui não é filosofia então Eh eu penso que quem decide são os
Poderes Então não é a questão que eu me coloco não né se eh Se isso é filosófico ou não é filosófico eu penso que que isso é decidido por fora eu eu tenho uma conhecida francesa que que queria fazer uma tese sobre jamb bodan há muitos anos atrás o jamb bodan nunca esteve naqueles exames nacionais franceses ela não achou orientador e ela foi fazer na Itália porque Jan bodan não é um clássico J bodano deve ser Considerado não tá na agregação não tá no Exame Nacional tá fora né então é um pouco isso tem tanta
coisa que interfere nessa conversa do que é bom do que não é bom do que é filosófico e do que não é filosófico a gente tem que ter cuidado né E quando um autor vai entrar num programa qualquer de exames nacionais até no ENEM na Fuvest assim por diante os os livreiros saem ganhando né sãoos livreiros não são os autores né que ganham mais então não tem muita Coisa neste meio aí Mas voltando ao seu tema que é a questão de outros autores né Eu penso que a gente precisa pode eh ampliar a nossa bibliografia
né Os Clássicos Que nós conhecemos e outros né Porque alguns autores são considerados eh eh enfim Rebeldes resistentes eh e depois se tornam clássicos E aí são objeto de estudo clássico eu lembro por exemplo o said né o edvard said né hoje Ele virou um clássico né Você pode mexer discutir criticar que momento que nasce é uma uma novidade né O o orientalismo dele então eu tô de acordo sim que ning que ampliar o Canon mas aí também né a gente tem que deixar de ser binário e este Ou aquele tem que ampliar né e
bom n isso sei se Eu não tenho muita certeza de todas essas coisas não sabe eu não sou uma pessoa de muitas certezas eu acho que a gente tem que tá aberto para discão Tem que ler Tem que ler o que os alunos estão lendo para conversar com eles algumas coisas são boas outras são ruins né Isso é o caso Isso aqui é bom ler mas isso aqui não é bom né tem que não tem retorno essa conversa me parece e a gente tem que enfrentar ela né Não adianta o professor Dizer não isso aqui
é filosofia ISO que nós vamos estudar tá aberto porque os alunos estão lendo né eu tô fazendo um esforço muito grande para ler não dou conta que tá saindo de literatura sobre esses temas polêmicos do nosso tempo né mas é sem retorno Temos que enfrentar tudo bem acho que por conta do do do horário a gente pode encerrar por aqui encerrar deixando em aberto né Maria para para futuras Discussões Inclusive a sua fala eh como a gente o o Pablo comentou a gente tem intenção de que sejam publicadas então a gente espera que esse debate
essa homenagem ao professor Bento continuu se Estenda que esse seja um primeiro momento então obrigadíssimo Professora Maria excelente como sempre e seguimos com o professor [Aplausos] Paulo você fica quer que eu fi não Pode muito obrigado viu profess FL planta vou pôr embaixo esque Ah tudo bem É vou deixar ali depois eu vou pegar no final tá Fica aí ela non vai fugir toc m JA i faz aqui é melhor aqui tá bom É se quiser ficar longe de mim dá mas se quiser Próximo aqui bom boa noite mais uma vez a todas e a
todos eh eu tenho a honra de estar aqui nessa mesa de encerramento com o professor Paulo Arantes um dos pilares do departamento de Filosofia e é difícil apresentar né eu sempre tento improvisar alguma coisa dentro do cansaço e do nervosismo também e o fato de termos dedicado uma parte do evento à mulheres Não significa também que devamos dispensar os homens né é uma primeira bobagem para descontrair a outra coisa é que bom não fui aluno do Paulo Estávamos falando agora conheço ele mais pelos textos que a gente poderia falar clássicos né da filosofia uspiana como
o departamento francês em ultramar os textos de ensino de filosofia todas as conferências enfim mas o que me chama atenção tendo sido organizador do evento é o fato de que na Programação e só tem o nome Paul Anes como se dispensasse título de Conferência ou de trabalho né se assim dispensa também a apresentação do currículum lates por favor eu vou lerem contrapartida tenin se Senhor me permitir eu vou ler um trecho um trecho de um texto assinado por Caio guatelli que eu não conheço que se chama filósofo do Diálogo possível Aludindo obviamente ao nosso homenageado
que é o professor Bento Prado Júnior e que Como já falamos várias vezes a presença do vento eh nos nos reú nos nos e reúne né aqui e o evento não podia culminar sem a presença do Professor Paulo Arantes eh nesse texto que talvez seja um pouco intimista eu não sei se isso é verdade né vou falar como eh no filme só sei que foi assim né É isso que fala né Não sei só Sei só sei que foi assim e aí o senhor dirá se isso é verdade e foi assim do mesmo modo reservado
que passou o último rebelião Bento Prado Júnior ao lado de Paulo Eduardo Arantes ex-aluno discípulo e principalmente amigo havia 40 anos estavam com as respectivas esposas e outro casal de amigos à vontade em casa Prado brincou contou algumas piadas sorriu todos sabiam que seu estado de saúde era precário mas se notava nele Apenas certo cansaço alguma dificuldade para respirar diar Anes ganhou a edição comemorativa de 50 anos de Grande Sertão Veredas de guimarais Rosa um dos seus livros prediletos a quem dedicou um importante artigo em 1967 juntos antes da Virada do calendário assistiram ao DVD
que acompanhava o livro que traz entre outros depoimentos o de Antônio Cândido bom E por aí vai o texto e eu só queria no lugar do lá né lembrar dessa Importante amizade que eu acho que vale mais do que qualquer outra das coisas do ponto de vista afetivo né intelectual e passar a palavra obrigado muito obrigado Pablo por conhecer agora e fic tá bom assim Bom Essa realmente eu vi que na programação esse colóquio também em memória do do Bentinho que eu bom já estou idade relativamente avançada carreguei no colo Então é praticamente da família
e de fato eu vi o Bento a última vez que conversei com o Bento foi uma semana antes dele se internar E como sempre estava bem disposto como o Sirano bergera não perdeu panach até o fim bom bom e eu agradeço portanto um páblo que eu não conhecia o Alex pelo convite e peço desculpa aos demais jovens colegas e não tão jovens que me precederam pois não pude vir os outros Dias e mesmo online não deu nem tempo de zapear Depois eu vou ver com cuidado tudo que foi dito sobre o Bento a propósito do
Bento só agora eu vou não vou resistir a isso aqui não tá muito firme hã é dá para ouvir bem ele vai ficar balançando tenho medo que ca em cima e não bom não não eh não vou resistir de comer um pouco do meu tempo isso significa que não vou também fatigá-la demais já estamos começando bem atrasado e esclareceu uma dúvida Calhar não vou esclarecer eu vou acrescentar mais dúvidas essa dúvida a questão formulada pela pela graça agora há poucos minutos como é que surgiu sou nesse departamento é isso aqui em São Paulo depois que
surgiu primeiro é fácil explicar os outros é por contágio por contágio e pelo e pelo Estado da opinião mundial no caso era o estado da opinião Francesa em 67 an de 68 Rousseau já era uma epidemia na França e obviamente seria no Brasil era Inevitável independentemente do mérito de cada um agora no caso do Bento quem é que falou em cânone aqui tava alguém falando em cânone cân o Bento o o Bento tal o famoso cân que todo mundo evoca o Bento atropelou o cânone do departamento de filosofia da Faculdade de Filosofia Rousseau era um
título era alguém impensável num departamento de Filosofia e a não ser o Lourival que Estudava Rousseau porque a cadeira dele chamava-se cadeira naquela época era política e portanto era praticamente é um autor obrigatório e pronto tava encerrado o assunto o Bento não o Bento bom eu posso não explicar porque não tem explicação Esse é o Esse é o ponto ah eu fui aluno do Bento em 65 entrei fiz o vestibular eu já era bem taludo já tinha feito outras coisas na vida já tava enfim tinha 23 anos logo me tornei amigo próximo bem próximo do
Bento e do nada ele deu um curso no primeiro ano muito picotado várias coisas teve T de derrol até um pouquinho uma aula sobre dant outra sobre Thomas Maya o pequeno sor friedman daí era um enfim era uma espécie de colcha de retalhos do que lhe vinha a cabeça porque ele tava porque a cabeça dele já tava noutro lugar assim que eu Nós nos reunimos nos fomos pro bar da depois da primeira aula dele no primeiro ano e começou a nossa amizade em 65 Ele só Falou de um assunto ele estava apaixonado por um autor
chamado Jean jaac Rousseau simplesmente Don Don nada ele não deu um curso mas na verdade em 65 enquanto ele fingia que estava dando um curso no primeiro ano ele estava lendo rousse adidad porque ele ficou ele virou rousse assim como ele tinha sido Sartre durante um bom tempo e só interrompeu para fazer uma tese acadêmica sobre berkson que ele detestava mas ele fez contra vontade Para mostrar disciplina porque os professores exigiam e acabou gostando do beron Porque de fato por uma muito simples o beron escrevia muito bem esse problemo era fundamental mas eu não sei
quem não não tive na ocasião a chance de perguntar bent por que Rousseau porque que que porque já tava já tava incorporado e mais adiante quando ele foi respondendo e escrevendo os artigos em 66 67 68 ele já vinha com a resposta pronta aí era retórica Por que era Retórica porque era linguística por e por que que era linguística porque o Rousseau porque o o Levis Rose havia escrito um artigo Rousseau fundador das ciências humanas e Rousseau era estruturalista e ban venista é companhia e s e por aí vai era antropologia estrutural e portanto o
roussea entrava dentro da antropologia estrutural e portanto ele era um autor AC elido eu não sei se o que foi que motivou o rousse o Bento a pegar um um roussea na Prateleira e comprar ele não parou de comprar ele comprou toda a playad que existia sobre rossau de modo que eu fui aluno eu fiz 3S anos filosofia tive dispensa porque tinha feito outros cursos então fiz F rápido o meu curso de Filosofia fui nesses TRS anos fui aluno do Bento o primeiro ano como eu disse era uma coisas variadas que eu não sei não
consegui mais reconstituir o segundo foi exclusivamente Rousseau e a teoria do romance no rousse não tinha nada a Ver com retórica nada a ver com linguística era romance romance depois em fo 66 67 que foi minha última vez ele já estava um pouco ele queria mais tempo para estudar russon então ele fez o que ele fez ele facilitou ele deu um curso bergon na verdade ele relia o texto dele a tese dele a gente também relia eu tinha um exemplar em papel de seda datilografado ainda ali em casa Portanto o curso estava feito durante 3
anos bom de 65 66 67 em que eu convivi com o Bento como aluno depois como amigo e discípulo de certo sentido eu lhe ruou três anos lendo roussea e o Bento quando começou o roussea ele aí ele estava apaixonado por Rousseau por quê Porque o Rousseau escrevia bem não posso dizer um palavrão porque era isso bem para pode imaginar que era isso mesmo que ele dizia é inacreditável a inteligência e a prosa dele fantástica bom nesse meio tempo eu comecei a perceber que eu tinha um outro amigo que era amigo do Bento Também e
que estava lendo uma outra coisa que o Bento Começou a ler também naquele momento que era os romances franceses do século XVI que era o Cláudio vulga volta e meia depois de encher a cara num boteca nosso Pass sabe na casa do Cláudio Volga que dormia muito tarde e tinha uma imensa biblioteca de e a romancistas franceses do século X que nem tinha ideia que existia ele já estava lendo e já tinha quase todo SAD em casa era outra coisa Nesse mesmo época em 65 o o o o lebran deu uma fez uma conferência escreveu
um texto sobre sad começou a falar sobre sad a fora do curso é um curso eram conferências livres e nesse momento chegou o Foucault chegou o Foucault e o lebran disse pro Foucault que estava escrevendo uma a um uma série de ensaios sobre a Sexualidade em sad aí o Foucault virou para ele disse tinha sido Professor dele tinha sido orientador de tese Seual morreu ali morreu ali era assim que se faziam as os temas as mutações os conceitos e assim por diante P sexual acabou bom acontece que essa febre do do Bento pel Rous era
acompanhada por Leitura de Roman tanto é que eu virei um desista S vó não tinha vontade de ser isso Comecei a ler eu e ría também líamos AD doidamente porque eram muito interessantes muito inteligentes e admiravelmente bem escrito romancistas franceses do século X Lemos todos virei virei tinha missão de savar e depois larguei é claro mas durante 3S anos e tinha um pouco também no caso do Bento tinha e primeiro ele ele virou Rousseau a Lúcia a mulher Bento não aguentava mais e daqui a pouco ele vai comprar um capuz de arminho vai se vestir
como Rousseau vai fazer uma reforma uma reforma moral e vai a pé para Paris para aí depois vai começar Só que não teve um momento paranoico do Rousseau ele foi poupado foi uma outra Pessoa que erdou como o Jean jaqu J de rocas não vou dizer quem é o outro grande amigo bom então entrava muito entrava muito de a paixão pela leitura do Rousseau e sobretudo um grande um grande apego a os romances franceses e particularmente os libertinos era todo mundo todo mundo gostava de um bom uma boa libertinagem francesa então tanto é que mais
adiante a Raquel Prado filha do Bento foi estudar libertino mas também com porque os libertinos também era Política mas ninguém tava muito interessado era nesse era naturalmente política então começou então o roussea virou uma segunda natureza assim como o sart foi o senso comum do Bento durante 15 anos o Rousseau foi durante 10 ou mais Se você perguntasse para ele bom aí vinha com retórica linguística política tudo que você quer dizer tudo que justifica a leitura de um grande autor como Russo mas na verdade era paixão aguda por aquele cara com quem ele se Identificava
porque tinha bom Ele começava a projetar entre o f o 8 E5 do feline e o Rousseau ele via várias semelhanças os imaginárias evidentemente e era guiado por um livro Fantástico que eu vou contar uma coisa que tá gravada bom não vai dar BO Mas pode dar um BO retrospectivo ele descobriu na na biblioteca da do departamento de francês o livro do Jean Star robinski o staro como diziam os Suíços que é também era admiravelmente ISO escrito era uma coisa Fantástica como B Dizia um fio de seda só o título que era horrível a transparência
e o obstáculo nunca vi um título tão horroroso na minha vida agora você entrar na primeira página era realmente era uma maravilha e ele ficou fascinado com a biografia do rousse com estilo do starobinski que ele imitava nós imitamos dissertação e assim por diante então criou-se um núcleo de três ou quatro pessoas que liam rousse AD doidamente como se fosse um addition Como se fosse uma droga e era uma de fato uma droga só que era uma droga era um gênio então eu que eu tô no primeiro ano da Faculdade de Filosofia lendo As Confissões
lendo a novela Luiz mon mas mas era uma era uma delícia é claro que com isso não me Valeu tinha que fazer uma dissertação sobre romance no no russ E por aí vai e comparava com os ingleses obviamente os franceses davam de 10 eram 7 a um em cima dos Ingleses tal e assim começou Rous depois isso Contagia o departamento era pequenininho alguém como o Bento que não só falava dormia jantava almoçava roussea ele justamente induzia as pessoas a lerem Rousseau e todo mundo realmente ficava por várias razões achava que queria no Rousseau porque tinha
de tudo tinha de tudo é isso então Rousseau começou do nada é claro que se eu perguntasse para o Bento ele ele não saberia como dizer ah não sei peguei um dia Comecei a ler gostei aí não parei mais dois ou três Anos depois ele vai dizer na época a teoria do romance aí depois é uma teoria do Imaginário mas é Imaginário do Bento tanto é que a a frase emblemática que ele gostava do Russo devia estar no escritório dele escrito com letras garrafais e tal que era Na verdade era uma espécie de resumo da
da terceira crítica do Kant só só ele sabia que era de que e que boa eu sei que não é pá só só é belo aquilo que não existe se você pensa bem é uma frase Terrível por outro lado dá para fazer dissertações sobre a crítica do juízo no cant e em terceiro lugar é o Bento Por quê Porque o que eu imagino que é bonito o que eu imagino não é a minha vida aqui em São Paulo assim por diante minha vida é outra pode ser lá no Black de brien pode ser fazendo as
coisas que o rousse fazia ou as estrepolias que o Rousseau fazia mas ele não incorporou ele não incorporou a paranoia do rouso curiosamente ele deixou isso de lado el De lado isso é não tinha ninguém conspirando contra ele ele foi feliz nos três anos que Ele estudou de maneira adoidada o Russo como um segundo Bento como o sarter foi quando eu conheci o Bento ele ainda tava começando ele ainda usava as mesmas roupas do sarter fumava com o Sá as cigarrilha do sart e era sart e só faltava dizer se V vle né né se
vocês quiserem pode ser assim por diante ponto então era essa é bom bom falar porque logo logo eu passo desta Para melhor e começa essa história como é que nasceu Rous não tinha CAV viu desculpe graça a cavalaria veio depois a ocupação veio depois em 68 em 68 o Rousseau já estava no quarto volume da playad o Bento El já tinha lido tudo e estava pensando em escrever uma teoria do romance A partir do para dar um 7 a um nos inglêses nos alemães nem se fala porque isso não tinha nada lá tinha só metafísica
ISO não interessava E por aí vai então era esse foi quando ele viu a Minha a minha paixão a minha identificação com Rous por várias razões tinha virado uma epidemia Mundial então havia centos de estudos o pessoal tava lendo adoidado a partir da do estruturalismo lev trou e E por aí vai bom aí começou Todo mundo começou a estudar descobriu que o que o dá para todos os gostos para todas as fomes mata a fome de todo mundo aí porque é realmente uma coisa excepcional mas o que fascinou mesmo era A gente tentava escrever como
se ou pensar ou falar como se fosse traduzir francês do século XV que não dá porque todas semam uma perfeição e tinha uma pontinha de digamos assim de libertinagem de laboratório porque ninguém era de nada né era só para ler aquelas coisas enfim não era assim tão terrível só o sad que era terrível por outras razões bom mas aí e tinha esse amigo volto a dizer Cláudio VGA que foi professor de Ciência política que eram é como essas coisas que existem existem exper Enfim diletantes no Brasil para tudo e ele era um diletante de romances
francês do século XVI ele informava o Bento ele passava coisas para o Bento e ele um professor fazia sociologia como como como todos os mortais da fefel é mais ou menos isso então a gente tende a fantasiar um pouquinho como eu ainda tô vivo di olha se o bent fosse perguntado assim na lata Na primeiro bar que nós somos depois da primeira vez que ele fala do rouso Por que rouso sei lá Jão fu eu gosto é bom é genial olha só é a minha vida Como assim a minha sen não porque eles acha que
só aquilo que não existe é bonito Eu também acho isso então temos uma coisa em comum Sempre pensei assim e aí vai bom com isso eu comi todo metade do meu tempo e já já se foi portanto a história de cânone é uma besteira quer dizer não é a besteira can Mudou na época Rousseau era uma coisa impensável impensável num departamento de filosofia sério como era o nosso se vangloriava de ser sério bom então eu vou passar vou falar um Pou pouquinho pelo tempo que me resta tem que fazer um replanejamento porque eu não me
aguentei porque eu fiquei com saudad Afinal o Bento estamos falar em Rous e e e essa coisa completamente estrambótica eu fiz três Anos de filosofia O autor que eu mais li sobre o qual eu não escrevi uma linha e nem pensar foi o Rous do Bento olha S não poção E assim se formava a filosofia bom Ah eu pensei vou não vou ter tempo de desenvolver e pensei e também tá muito pouco elaborado ainda eu pensei nesses últimos dias relendo coisas do Bento e fui reler uma coisa que eu já tinha lido mas tinha Esquecido
que é a tradução dos situações do no sart agora vou falar da primeira Encarnação do do Bento que é o sart sobre o qual ele não escreveu só esse só esse artigo é Curioso o s ele começou a ler sart acho que 14 15 16 anos junto com uma outra uma outra fixação e a sobre aproximação dessas duas fixações que eu vou falar um pouquinho que o sart de drumon e e durante esse tempo ele foi sart ele foi Sartre na maneira de falar na Maneira de se vestir na maneira de andar na maneira de
be bebia também ele já bebia gostava claro como todo mundo mas na na quantidade Industrial que o sart bebia comia e fazia enfim eh começou também a a imitá-lo nesse nesse sentido tentou inclusive Aqui no Brasil é muito difícil escrever em bar mas não dá não temos não temos café que suporte você escrever alguma coisa mas ele Lia bastante na França depois quando ele foi paraa França ele também tentou Escrever mas aí ele viu que todo mundo fazia até chegar com os pessoal do Liceu estudantes também faam lição de casa em café não tinha mais
origem já tinha enfim o sarte já tinha esgotado o gênero bom mas ele nunca escreveu sobre site só escreveu esse artigo de prefácio as situações e foi traduzido traduzido pela Cristina Prado que é a segunda filha Cristina Prado que também é digamos francói como explicar mas também uma Grande tradutora junto com a Raquel aí a raquel Escreveu sobre la closs e sobre a libertinagem também mas não num sentido libertino F serius Ah eman serius bom mas a Cristina e aqui também entrou o o tcho Bento Júnior Bento Neto e a primeira vez que ele se
refere ao que eu viss ele poderia dizer como disse Bento Prado Neto Ninguém imaginava que ele poderia ser Neto de uma outra pessoa que não aquele que escreveu o artigo chamado Bento Prado Júnior e o Bento Prado era o avô do neto ele P Como disse meu filho ele não se aguentou e p Como já disse meu filho tá comentando uma aproximação entre João Cabral e o ponch e a poesia do Rubens rodrig Torres Filho poesia das coisas bom nesse ensai chama o destino histórico do ensaio eh que é o primeiro escrito do Bento e
eu acho que o único sobre o sart menção ao sart não Valeo a vida inteira sempre entra o sart Num num rodapé qualquer ou no meio de um texto e ele é o prefácio dos situações um que são escritos do Sartre eh entre 3 37 acho que 37 4 tem aqui em algum lugar 42 ou 3 por aí e eu acho bom aí o sarta também não sou grande especialista não li nem nem 1 ter mas é um dos maiores livros do S escrito nesse momento e é curiosamente o texto do Bento É sobre a
Ideia de a forma ensaio no sart que é uma forma muito muito particular eu não sei se ele consegue ele deriva para tantos lugares não sei se ele consegue dar conta do que é a ensaística do sast acontece eu acho que esse os ensaios reunidos nesse volume que mais ou menos a partir do momento em que ele dá por encerrado lá noos que é de 38 mas ele escreveu a vida escreveu de 31 mais ou menos 38 é um dos maiores livros de ensaio do Século XX francês não tem a menor dúvida e é sobre
isso que ele imaginou estar falando e falou um pouco como é foi como é que foi possível escrever daquela maneira sobre romances sobre poetas e sobre um filósofo no caso Russel escreveu famoso ensaio tornou-se famoso depois uma ideia fundamental de Russo e naquele momento ele já estava já estava dizendo ele estava redigindo o Epitáfio da transformação e da morte da velha filosofia francesa Transcendental espiritualista teoria do conhecimento tal como era praticado Pelas universidades francesas e estava mudando estava mudando estava acontecendo alguma coisa e essa alguma coisa só está mais ou menos explícita do ponto de
vista filosófico quando ele faz o elogio do Russo e porque que a ideia de intencionalidade é uma abertura para o mundo e essa abertura para o mundo Certamente ele não esperou para ler o r Ele já fazia assim desde sempre desde a ecol normal era uma máquina de pensar pensar AOC Como dizia o Rayon Aron antes depois de brigar com ele mas mesmo assim eu ainda eu elogiando o sart é daquele tipo de intelectual ou de Pensador ou de filósofo como vocês quiserem chamar dearon que para cada coisa que você menciona faz uma teoria adoc
por isso que ele dav a impressão de fazer tudo na base do CGE pegavam aquelas coleções zinhas do CGE ele na hora ele tem uma teoria para aqu e ela é definitiva não tem e não tem apelação e sempre argumentava de uma maneira inapelável que deixava o outro aplastado e foi sempre assim podia escrever tanto 20 páginas como 500 800 que dava no mesmo era esse era esse O Sat e num determinado momento ele depois reuniu esse Ch de situation era para chamar significação mas o Bento disse para não ficar muito ruser Liano e escreveu
esse livro absolutamente Extraordinário sobre e basicamente sobre romance poesia e filosofia e não tem uma coisa não tem uma coisa Ah curiosa não tem política diretamente política tem muita periodização tem muito tem muito uma sensação de que você está escrevendo numa época diferente e que portanto seus escritos se dirigem a Essa época diferente Essa época diferente alguma coisa que mais depois por ele mesmo foi chamado mas quando ele chamou também não Foi só ele é claro de entre guerras entre a primeira e a segunda guerra mundial essa e ele foi o único que faz essa
observação em 42 ou 43 eu acho e acho que tá aqui citado pelo Bento ele chama de entreguerras alguém ele repara que já estão falando em entre guerras no fim dos anos em meados dos anos 30 quando sequer se acreditava que viria uma segunda guerra portanto já havia uma espera da continua e o sart estava ele Sabia que estava escrevendo nessa nessa nesse intervalo nesse intervalo que esse intervalo est acontecendo muitas coisas e essas muitas coisas não passavam passavam pela política mas o mais Fantástico na genialidade do sart nesse momento que o Bento re encarnava
naquele momento e faz um retrospecto Agora é que não passava pela política é inacreditável bom quem leu como todo mundo na sua aqui bom bom eu tô falando para os maiores de 70 ou 80 anos quem Leu As Memórias da Simon de bou voir e Tod a troca de correspondência dele com mil coisas tem milhares de páginas publicadas na playad sabem que entre que foi o período que da da elaboração da nos desde que ele terminou a Escola Normal agregation Foi dar aula no liceu do arra que ele detestava mas por outro ele não detestava
os alunos a burguesia do avro e a sociedade provinciana francesa da terceira República que eles odiavam Portanto eles de certa maneira nesse nesse í que a a elaboração da nos que é uma nova digamos visão do mundo digamos assim uma visão de intelectual Como diz muito bem uma das primeiras grandes intérpretes do embora bista do do sart que é a Ana bosquetti eles viviam à margem da política é impressionante ele escreve um conjunto de ensaios que ele vai reunir depois sobre em que ele vai do faulkner ao ao Francis pong o parti PR chos como
Que é uma coisa absolutamente extraordinária e que esse é o fio do Bento aqui nesse ensaio ele interessa o Francis Poncho que vai dar no João Cabral vai dar no Rubens Rodrigues Torres vai dar no drumon e nele nele no Bento mais não é o Bento é mais mais paro do que do que a lição de coisas bom eles passaram esse período todo à margem do que acontecia na Europa passar margem da Guerra Civil Espanhola da formação do front populer não foram nem votar não Foram n votar E de tudo que acontecia na na no
grande mundo intelectual francês já renovado porque houve um grande acontecimento nesses anos 30 franceses sobre e que culmina em 35 no grande Congresso dos escritores na melit que houve uma radicalização dos intelectuais franceses foi o antifascismo Então todo mundo que não estava nem aí que era um intelectual que é um escritor no sentido tradicional do termo torna-se politiza imediatamente por ser Antifascista mas é uma politização digamos epidérmica no caso do casal vamos chamar de casal Sra bov voir e a A Pequena Família isto era o harém do sarta na verdade ou o pequeno aré da
da Simone cada um tinha o seu e não se misturavam pod misturar de vez em quando enfim mas era a digamos a a revolução que eles estavam fazendo estava aí então era alguém que se desincubir das suas das suas atividades no liceu foi no ginásio ã com ele foram franceses eram Professores corretos Mas se privilegiavam a relação com os estudantes depois quando o sart saiu do árvore foi para deir dar aula no liceu pter foi uma farra só eles tinham um bar de todos eles em que rolava de tudo e ele já era naquele momento
ele já era o autor que estava começando a publicar elá nos tinha publicada noos portanto já era uma possível celebridade cogitado pro gon cur que ele nunca ganhou e rejeitaria bom ele se interessava por Isso e depois pelas viagens e escrever então eles escreviam em tempo integral a outra parte estava dividida entre alcoolização fornicação e e o que vocês possam imaginar eles S completamente outsiders e Inclusive desprezavam a política é claro que eles sabiam da revolução espanhola claro que eles sabiam do FR Popular claro que eles sabiam que a classe dominante francesa era asquerosa era
repulsiva claro que eles sabiam que eles no front Popular Eles diziam é preferível Hitler a Leon blum sabiam disso tudo sabiam que uma guerra vinha aí eles discutiam sobre isso sua possibilidade inclusive é assunto de do segundo volume que é o soris do chamando libert o soris é justamente e sobre as negociações de Munique foi uma vergonha em que a Europa capitulou diante diante do Hitler então eles tinham ideia de tudo isso não entanto ele estava interessado em discutir a temporalidade no faulkner Discutir o ensaio do batai e o que que era o novo ensaio
porque e quem era qual era a Grande tradição no ensaio para eles era volterra ainda não era monan mon não existia não existia Mont veio depois montan labess e Companhia foi foi uma ressurreição tardia sempre foi um clássico lido mas como febre como e digamos vetor de politização ER uma coisa completamente extemporânea então para ele o modelo era volta ou volta ou os grandes os grandes Digamos fósseis que ele tinha conhecido na ecol normal que ele desprezava o Senor Boss lançon e Branch viig e companhia então isso era um cemitério e por outro lado havia
essa essa digamos essa ideia de liberdade quer dizer a obsessão dele por liberdade não é apenas ontológica fenomenológica era vida era a vida disso mesmo era uma outra maneira de continuar a festa que havia sido a festa do imediato pós-guerra dos anos 20 os famosos ring Prints que aconteceu Paris era uma festa do ringway mais ou menos mas era coisa era mais é mais complicada e num certo sentido eles viviram isso em privado viviram em privado e começaram a chamar aos poucos esse material que era feito de muita leitura escritura interminável e tudo aquilo que
eu lhes disse que a coisas agradáveis da Vida em que eles faziam em grupo e viajavam cada um pro seu canto e de certa maneira vai ser Retomada no no pós-guerra depois da da libertação é como se alguma coisa tivesse que de politização havia sido represada naquele instante e que Retorna depois da libertação como depois de derrotado o nazismo bom ah de modo que isso isso é o espantoso esse maior livro de ensaios que supõe portanto um confronto político no sentido mais amplo possível com a sociedade francesa da terceira República que já era considerada já
era naquele momento já se Desconfiava que já era uma uma sociedade de segunda qualidade de 2 que depois faz se confirmar com a derrota de junho de 40 que é mais do que uma derrota simplesmente uma derrota militar ah depois da roll de guerra guerra estranha que demorou 9 meses foi declarado em setembro e só começou sete meses em maio e se encerrou em junho com a capitulação Francesa e depois começa a revolução Nacional aí a França de verdade entra em cena que eles haviam detestado e haviam Fugido da qual haviam fugido nos anos 30
ao ao contrário dos sodalício como diria um outros da confraternização da união entre todos os intos franceses que da noite pro dia se tornaram antifascistas alguns eram de fato outros eh era manada eles estavam fora eles estavam fora aí eles só de certa maneira a só eh só lhes ocorreu B tô tá muito vamos dizer que tá implícito aqui no Beto eh e acho que ele concordaria com isso só lhes ocorreu Digamos juntar as pontas e dizer essa é o nosso tempo Esse é o tempo presente Isso é o que conta para nós a vida
dos homens presentes neste momento essa é a nossa época e época significa é como na vida de um homem significa avenir o futuro isso começa começa com a capitulação com a capitulação e com a o fim da guerra a derrota militar e a capitulação e a a colaboração é mais do que a colaboração era a verdade da França todo mundo colaborou e se Inventou o mito da resistência na verdade há inclusive o famoso resistenci Realismo na bibliografia especializado o resistenci realismo é é é uma é um mito retrospectivo para dizer todo mundo resistiu que foi
difundida pelos pelos golas e que depois a o a digamos a a tomada do Poder intelectual pelos existencialistas fundiu Olha nós é que resistimos assim por diante nada inclusive o diz um certo momento eles todos eles o Sartre Diz a Semon diz todo o pessoal da do dos Pequenos Grupos dele que se na verdade nós éramos irrelevantes tivéssemos ganho ou não Quem libertou a França foram os aliados e os aliados só puderam libertar porque houve uma pressão da União Soviética se na União Soviética não houvesse o Fronte do Leste não haveria possibilidade de desembarque se
não houv desembarque não haveria libertação da França e estamos conversados essa história de que a resistência foi foi Fundamental do ponto de vista estratégico militar é balela mas do do ponto de vista moral foi fundamental refez refez Uma Geração e refez a filosofia de uma geração que depois foi vulgarizado com o nome de existencialismo existencialismo Não é isso não é a famosa que o Roberto Me perdoe não é a filosofia da barata tonta pelo contrário o é isso é a a vulgata interpretando cafca e companhia no pós-guerra e dizendo que existencialismo Não não não era
isso não era ou não era só isso isso já era vulgarização mas o meu o ponto que eu quero para depois chegar eu não vou conseguir chegar no drumon obviamente Mas enfim D nessa atada seria impossível mas vou tentar Ah o isso digamos essa eh a realidade que aparece com a derrota a capitulação o regime de vichi a colaboração que que é isso sim é uma é uma desgraça moral absoluta ã a realidade que aparece Eles vão eles Vão dar um nome para isso e quando eu falo eles é sart Simon merop Ponti enfim merop
Ponti em parte mas mopon iso é todos aqueles que comparecerão no sumário e a A Volta do sumário na direção do primeiro número do té moderno T moderno que sai no dia 15 de outubro de 45 foi um acontecimento 10 dias depois em 29 de outubro o sart da famosa conferência O existencialismo é o humanismo em que as pessoas se disputavam a tapa um lugar para ouvir o Sart falar o Sartre se julgava um lixo por não ter participado do comício da mutualité em 1935 onde que estava todo mundo lá do ma rou ao mais
ao mais Escriba mais insignificante todos unidos contra contra o fascismo e o satre se mortificando porque ele estava elaborando a personagem do rantan e o rantan era o nada Ele tava fazendo uma filosofia do nada quando o ser estava em princípio estava acontecendo lá na mitual T E é isso esse é o ponto por Isso que num certo momento eles não tô é sim e não depois mas era isso mesmo e o e o outro seu grande parceiro antes da briga o Camus estava escrevendo letranger e o estrangeiro o que que faz ele mata um
árabe gratuitamente e não tem explicação de modo que aí eufor não era Euforia o elã antifas vamos todos derrotar belzebu vamos que as luzes se espalham e as trevas cessem eles não estavam nem aí estavam escrevendo olha um é um homem um um personagem solitário Que se tem náuseas ao descobrir a contingência da realidade como é que eu vou mobilizar esse cara e o outro tá lá matando o árabe sendo ele mesmo o pioir e dizendo não tem explicação e não dou conta a ninguém não presto contas nem a mim mesmo eu vou prestar contas
para você juiz e assim por diante eles estava escrevendo isso bom aí vem a capitulação e vem alguma coisa que acontece por isso ele vai ele já tinha antecipado nesse volume de ensaios que é absol que é Extraordinário onde não havia respeito por nenhuma grande personalidade portanto a ideia de cânone para um sartriano daquele momento fazia sentido mas nós estamos Virando A Mesa aqui sozinhos um grupo dois casais de malucos beberrões e cuja única obsessão é escrever não nem para publicar não é produzir não era um produtivista era escrever sem parar porque assim é que
se pensa assim é que se vive se vive intelectualmente e não só Intelectualmente é bebida e fornication como como eu disse bom em que ninguém dispensava e multiplicada o que que eles descobrem para dizer essa é a nossa época para Essa época que nós vamos escrever a história aí e bom Eu já respondi já dei a resposta alguém vai dizer mas onde é que esses caras estavam para dizer que descobriram a história ou que na verdade eu não descobriram a expressão que eles usavam de preferência fomos atropelados Pela história fomos arrastados pela história a história
nos agarrou e nos arrastou essa Roda Viva chamada história que é uma força sobrehumana que nos pegou pelo pelo gasnet e nos conduziu primeiro a derrota depois a colaboração e depois uma libertação vexaminosa com a mão de gato dos Aliados Anglo canadenses neozelandeses australianos americanos tanto faz mas enfim sem eles não era possível inclusive o vexame de ter seu próprio País bombardeado pelos Aliados não foi destruída pela Força Aérea Americana e inglesa eh se imagina ser francês nesse momento aí eles descobrem essa grande coisa nós a a história nos encontrou nós encontramos a história e
não pretendemos esquecer disso e portanto esses anos para nós não serão anos como anos Qualquer 45 não será um ano como outro qualquer e não vamos esquecer disso não vamos esquecer dela assim como ela não esqueceu de nós e portanto nós vamos Escrever para os homens desse tempo para os homens e mulheres desse tempo naquela época não tinha ia gastar muita tinta muito chornal hom hom f e os terceiros não era homem todo mundo compreendia e enfim a coisa era mais rápida tinha que não dava para bom isso não significa que problema de gênero não
era importante tanto é que foram eles que descobriram foi quem mame Simone de buir pronto V então então não é por aí esqueçam não não não não vamos Procurar cabelo em cabeça de ovo Cire a história aparece veja só aparece no pensamento francês mas não é a filosofia francesa a filosofia delistar o Rayon Aron quando volta de Berlim ele escreve uma introdução à filosofia da história mas é a coisa mais convencional possível vem lá todos os autores que trataram na filosofia da história tem os historicistas alemães começa no reig blá blá tem um capítulo sobre
mais ó Eles são de casa quem Estava escrevendo uma coisa historicamente pertinente para um tempo novo que eles não sabem me definir que eles cham de Tempos Modernos que é uma referência o qu o Chaplin ao filme do Chaplin eram eles escrevendo ensaios escrevendo teatro escrevendo romances eh e sobretudo descobrindo coisas que haviam sido soterradas digamos pela provinciana caretice Francesa e que eles começam a eles introduzem um whisky Se pá movz eles se introduzem o Whisky Introduzem o c americano introdu o romance americano o primeiro a falar do John dos Passos o maior escritor do
nosso tempo foi o sart escrevendo sobre 1919 no João dos Passos é assim que nós devemos escrever o faulkner a temporalidade do faulkner é exatamente aquela é o contrário daquela que eu estou escrevendo nesse livro aqui que eu vou chamar de ser unada ass por diante que é para trás é congelado mas é congelada porque ele tá falando do Deep Salt americano não podia falar de outra maneira e portanto ele é um grande artista e nós vamos estudá-lo F escreve dois artigos Geniais so foco e por aí vai E por aí vai e polemiza com
todo mundo inclusive crucifica o pobre do virou o pobre do moriak franois moriak o maior o maior escritor maior romancista francês do seu tempo vai ganhar o prêmio nóbel em 46 mas em 37 ou 38 o sart dedica um artigo Mortal Mortal sobre moriak Injusto injusto aliás eu não fiz a minha lição de casa completa Porque nessa mesma época nas Confissões de Minas o drumon também fez a mesma resenha do sart só que ele não sabia o que que era sart já mais ou menos não a não sabia não tinha como em 38 saber quem
era sart o sart era desconhecido até aqui até aqui quando o sart publicou lá noos o mogu disse em classe o Antônio nos contou que estava assistindo a aula disse vocês devem er um romance Interessante que acabou de sair na França chama-se lá nos foi escrito por meu colega de classe chamado jamp pulsato ninguém sabia quem era jamps ou nas Confissões de Minas o drumon também resenha O Livro do morak e e de maneira inteligente inteligente mais e mais justo do que o sart o sart entrou para matar o moriak com razão morak bom era
meio já cheirava um pouco a clorof mas ainda naftalina mas ainda era um grande Romance se não é não é despresível terrestre eu gosto desse romance e os o e o ele critica do ponto de vista o narrador da tem o narrador narrador na no ROM morrica é como se fosse Deus aí o Sartre vai em cima né porque ele era formado na e normal sabia tudo de filosofia sabia tudo de filosofia significa conhecer as boas referências para dinamitar alguém is é conhecer filosofia e ou desenvolver uma filosofia própria fale filosofe um pouco sobre Esse
microfone aí você começa a falar ele fala Faz uma hora de filosofia do microfone bom aí última frase a última frase bom mas se fosse o absoluto seria assim terminando a a leitura do romance mas Deus não é artista e me morak muito menos ponto final Dizem que o morak quase se suicidou mas ficou do anos em depressão profunda não escreveu mais nada e não arrastando aí deram-lhe um prêmio nóbel el ressuscitou e tal mas aí você vê que tinha a muita muita Curiosidade o o o sart não perdoava ele não perdoava E porque ele
era uma espécie era um poder genial assim incontrolável não tinha não tinha como ol era enfim e você na é ler isso aqui tem vai vai Olha tem Denise de rumon que ninguém conhece mais eu li ainda no 63 mais ou menos is é um livro O Amor e o ocidente o Nabokov primeira coisa do Nabokov foi o primeiro a escrever escreve sobre batal Ah o o jodu aí el começou me camarada Pol nisan João dos Passos e E por aí vai bom então a a primeira primeira coisa a a ser digamos a ser eh
imaginada é o seguinte como é possível hoje eu tô implicando um pouquinho com com com o Roberto que e o foi vai ser reeditada seria o desconfiado e o Roberto cai de pau no existencialismo do ma Rô A chama da condição humana e que o maot narra ou fala é um livro sobre a Revolução Chinesa o fracasso da revolução da do levante revolucionário em Shangai em 1924 e tem ele mistura era era assim que se fazia e haviam aprendido com os americanos a era assim que se fazia é uma narrativa jornalística e portanto a totalidade
não aparece e aí aparece a agonia daquele que vai cometer o primeiro atentado que é um Chin que tá na casa no Apart entra clandestinamente na casa de um chefão da direita que ele vai assassinar e tem tem muitas e muitas páginas sobre a agonia do do terrorista e assim por diante isso É um pouco enjoativo e o Roberto achou que aquilo o existencialismo era aquilo lá e ponto liquidou o ma rou a uma forma jornalística não há digamos não há temporalidade cumulativa e assim por diante e ficou esse F colou a etiqueta do existencialismo
como uma filosofia atemporal sobre a condição humana que de fato ela é Manu Não é só isso e eu acho que tem coisa aí tem coisa aí que é o que a resenha do sero nada que o marcuzi Fez em 48 que é boa mas injusta de certa maneira é injusta mas tem observações talvez a gente tenha tempo de voltar nem pensar nem pensar bom mas tudo isso para dizer o seguinte foi graças a essa filosofia que aí Pau para toda a obra todo mundo virou existencialista qualquer pessoa que tá Como diz até o drumon
vai ironizar o existencialismo já nos anos 50 numa crônica dizendo o seguinte tornou-se moda aqui no Rio de Janeiro ir para um Bar tomar chope e alguém convida o amigo vamos lá no bar vamos vamos no amarelinho nem sei se acho que aí no amarelinho a na Cinelândia fazer o quê puxar uma angústia aí o drumon falou é demais é demais aí já já tava o existencialismo já tava na já tava na sargeta então ficou é puxar uma angústia existencialismo ora foi esses caras que depois botaram o rótulo em si mesmo indicamos o texto a
conferência do s O existencialismo e humanismo tem momentos Constrangedores Claro aí você vê que é alguém que está se tornando um medalhão e tá fez aquela conferência todo mundo lá e o o existencialismo vencedor mas ah colar essa etiqueta num grupo intelectual filosófico literário e musical também o Boris Vian era um grande compositor de jazz era um sartriano da primeira hora eh de metafísica temporal ou a metafísica da barata tonta é um pouco demais porque Eles inventaram o conceito de história com H maiúsculo naquele momento como um processo um processo que abre o futuro e
esse processo é litigioso esse processo é conflitivo esse processo é cruel e esse processo tem luta tá lá então a história nos nos nos apanhou ela é isso ela abre uma avenida e portanto nós vamos escrever paraos homens que vão entrar nessa Avenida é é isso é isso que nós estamos bom e a existência precede A Essência significa o seguinte que nós Não estamos predeterminados portanto nós vamos abrir essa Avenida A na marra com ou sem revolução não sabemos que reforma vamos fazer mas enfim nós é o são os tempos modernos só que esses tempos
modernos é claro que deveria ser contextualizado como eu disse o sart esse os amigos trouxeram para a França ou abriram para a França disseram ou abriu a abriram a cabeça francesa formada em escolas mais ou menos bolorento foi a que nos formou foi que Nos nós somos Aqui sart também era Tabu Primeiro Curso sobre sart também era impensável Rousseau então Rousseau apareceu em 65 Sartre antes jamais jamais o guu e o gold Smith eram mais sérios do que o sarter você ouvido do janot falando imagina o sart não sarter era no literato era enfim era
um louca da filosofia não não era séria não era sistemática assim por diantes bom foram eles que portanto introduziram Whisky é brincadeira mas é verdade tomar Whisky pela primeira vez você ia para um bar encher a cara tomando whisky e filosofar ao mesmo tempo fando charutos assim por Jazz o Jazz começou Veja só o a grande festa parisiense Os anos 20 há um americano jornalista Americano radicado em Paris já falecido mas foi correspondente fala português nós o conhecemos Alan riding escreveu a festa continua sobre a França ocupada aí ele dedou muita gente dedou mu a
dedou muita gente muita gente ficou lá e colaborou Muito menos até a grande atriz arl tem uma sacada famosa quando chegou o momento dos expurgos vou ter que dizer em francês senão vai ficar fica mais charmoso e poupa um palavrão ela foi acusada de ter dormido com Bosch com nazistas e ela e ela já era uma grande atriz do cinema francês do teatro francês ela disse Fran tin a Persona o meu coração é francês mas o meu rabo não é de ninguém não tem dono Bom esse pessoal esse pessoal descobriu a história e descobriu a
as modernidades francesas descobriram o cinema e o cinema francês que o cinema americano que havia sido represado eles vão dar no que no Caí de cinema caí de cinema e vão dar no André Bazan os clubes rebasar para ver esses filmes que eles estavam vendo sem vend do fim da guerra essa descoberta de coisas modernas como cinema como o jazz e que eram coisas impensáveis E barata tonta pode ser bom eu tô implicando barata tonta quando ela se vulgarizou e virou e virou enfim eh enfim Filosofia de medalhão Aí sim aí virou um estereótipo um
estereótipo qualquer mas de qualquer maneira eles reinventaram o Esse é o tema do reinventaram o ensaio gente falou filosófico mas não é filosófico é um ensaio de maneira geral que é de tudo que juntou tudo vai do cinema do romance e descobriram alguma Coisa que ele chama o Melon chama usa muito isso metafisica ou metafísico no homem na existência no Romance na música na pintura então começaram a escrever sobre cinema sobre romance sobre poesia sobre pintura sobre Jazz sobre vida noturna e política nesse momento a Aí entrou a política Aí entrou a política e o
sart inventou para se contrapor essa entrada da política para corresponder a essa entrada da política na vida francesa isso é porque Lá no no jornal do Camus por exemplo comb Ah o subtítulo era da Resistência À Revolução portanto não vamos voltar à antiga ordem portanto no mínimo ou no máximo será uma revolução então entrar na política entrar com quem e com quem era com quem eles tinham que dialogar e eles tinham de certa maneira litigar o tempo todo e ao mesmo tempo respeitar com o Partido Comunista francês que tinha saído vitorioso da Resistência Porque de
fato eles resistiram mas Esconderam debaixo do tapete o fato de colaboraram até o pacto Stalin rentrop ser rompido eles não se podia criticar a Alemanha nazista quando em junho primeiro de junho de 41 a Alemanha invadiu a Rússia porque era esse o programa só não sab havam os stalinistas que estavam obviamente obrigados condenados a ficar de olhos fechados o programa era esse quando nós estabele nos firmarmos no Fronte ocidental será a vez dos eslavos aí serão exterminados os Não exterminados serão escravizados e Os Comunistas não podiam falar isso bom aí veio a guerra veio a
guerra Eles foram obviamente foram em grande parte foram para resistência e era o partido dos fusilados essee Partido dos fusilados cresceu exponencialmente passou de chutar de 80.000 filiados para 800.000 em 2 anos eram Imbatíveis e ao mesmo tempo esses intelectuais ditos existencialistas que estão escr renovando o ensaio filosófico um ensaio Francês um modo de pensar francês a visão do mundo francês estão descobrindo o que que é história o que como é que se faz filosofia da história se pensa a história através de outros instrumentos que não a própria filosofia como é que nós podemos enfrentar
ou dialogar com esse partido que com se diz representante da classe operária Nós também temos afinidade com a classe operária francesa nós não vamos disputar a hegemonia na liderança da classe Francesa com Os Comunistas Mas por outro lado nós não vamos entrar jamais no Partido Comunista Senão nós somos liquidados intelectualmente um desses s para dar uma ideia do que se passar pela cabeça deles o Portanto o sar foi xingado pelos dois lados foi xingado de comunista pela direita portanto de assassino processo de Moscou costas e foi xingado de Ena a serviço do imperialismo pelo lado
comunista isso eles digamos Hã embrulharam esse conceito e saíram não pela tangente mas saíram pela porta da frente chamando de engajamento engajamento não era política doutrinária para dar linhas para produção musical artística poética literária e assim por diante todo mundo pensa que o engajamento é isso o engajamento para ele o seguinte nós não vamos nos filiar a ninguém somos portanto independente engajamento é nós nos engajamos nessa abertura histórica para a qual nós Falamos através dos seus contemporâneos nós somos contemporâneos vamos fundar uma revista chamada T moderno engajamento significa que nós somos portanto Livres não obedecemos
a ninguém sabemos que a nossa solidariedade social é a classe operária podemos ler Marx Vamos ler Estamos lendo Marx temos uma explicação mas o estalinismo não cinismo não na um dos veteranos dessa geração francesa contou para um veterano de uma outra geração nós chegamos daqui a pouco Queremos chegar ao Brasil mas daqui a pouco não chamado Paulo Emílio Paulo Emílio Sales Gomes eh e esse quem contou isso para ele foi um um eh marxista um libertário B Marx chamado eh H daqui a pouco não capio acho que er o nome dele rapin não sei que
morava na morava em Paris e fez a cabeça do Paulo Emílio e o Paulo Emílio veio veio e fez e era muito amigo do Arnaldo Pedro zorta que foi foi presidente da JC da Juventude comunista em São Paulo depois saiu ninguém aguentava ar e e que escreveu o Paulo Emílio escrevendo um necrológio quando faleceu o Arnaldo Pedroso dort diz o seguinte no século XX é um século de horrores Hiroshima Mach tudo que vocês quiserem Mas tem uma coisa que é uma que lhe foi dita pelo Arnaldo Pedroso dorta que obviamente ouviu desse eu acho que
é capi de capi era eraa um sobrenome era Cafe Cafe cafi cafi Cafe Cafe André Cafe Lonest andr Cafe É um tipo genial mas parce sócrate de da Extrema esquerda e tinha um Ensino oral Fantástico andr CAF onde é que eu vi ele foi Fal fala bem dele Paulo falava dele ele mas ele apareceu num livro europeu numa enumeração de grandes digamos esquerdistas desconhecidos tá lá o André caffi bom o and eh acho que o André acho que a fonte o André cafi dessa frase do Arnaldo Pedroso dor diz o seguinte nesse século de horrores
que foi o século XX Não há nada mais horroroso diz ele do que o stalinismo pom tem Hiroshima tem bom guerra nuclear tem Auschwitz tem que você pode imaginar pois ele mas a a frase o segredo da frase é o seguinte não é que a coisa mais Bárbara mais horrível é a maior é a revelação Apocalíptica do século X foi o stalinismo essa foi uma revelação o escândalo do André cafi do Paulo Emílio Arnaldo Pedroso dortte e todos aqueles inclusive Antônio C é está na Palavra Revelação O stalinismo revelou alguma coisa que é para nós
é inconcebível como um pensamento e uma prática nascido da ideia de libertação de emancipação da opressão e ter uma análise do capitalismo e assim por diante gerou aquele monstro gerou aquele monstro Então isto é uma no sentido apocalip Apocalipse significa Revelação então a maior revelação do século XX não é o nazismo porque o nazismo é uma coisa Horrível assim horrível é uma palavra banal é aquela uma monstruosidade mas não tem uma ideia nova não tem uma ideia nova colonialismo capitalismo inventou racismo capitalismo inventou eugenismo os americanos inventaram E por aí é forma o gbs era
fã da das leis Jim craw dos Estados unos Unidos ele era fã dos Estados Unidos do sul americano era nós queremos um grande sul americano no mundo eles vão ter vai chegar o trump vai ser providenciar não tem não tem Problema essa essa é a providência de modo que o nazismo em si mesmo não revelou nada a não ser a verdade do capitalismo é o segredo revelado no capitalismo e por aí vamos Hiroshima não não a bomba nuclear é nov é a é a revelação da evolução tecnológica desde o stiling do arco flecha até a
destruição em massa mas é há uma continuidade nessa racionalidade portanto não há nenhuma não há nenhuma não há nenhuma Revelação Isso é o que eu gostaria falar mais adiante o sar tem um texto magnífico sobre isso que ninguém leu direito ou modéstia parte em que ele tá dizendo isso depois chama-se le f de la guerra que ele saiu no tão moderno Então você veja só de todas as atrocidades do século XX nenhuma é uma revelação a revelação é que o movimento de libertá do qual nós fazemos parte queiramos não queiramos somos todos cúmplices não tem
como sobretudo essa Geração que silenciou so os processos de Moscou silenciou sobre os gulac silenciou sobre tudo so maiores barbaridades é que tenha saído dessa semente libertária essa monstruosidade essa é a revelação isso eu chegaria ao ponto dizer isso é o novo no século XX não é o nazismo não é o Auschwitz não é Hiroshima isso vinha a humanidade vinha se preparando para isso e vinha se prepar vinha preparando o antídoto para superar isso que era revolução comunista Eu ainda sou comunista no certo sentido e a revolução comunista revelou esse horror essa reviravolta é a
revelação do século X tá lá Andrea Muito [Risadas] obrigado sabia onde é que ele apareceu sumiu mas é um autor europeu que lembrou-se do André Cafe já sei é o é o Franco Venturi que tem um livro maravilhoso em três volumes pelo menos Edição italiana sobre os populistas russos do século XIX e ele faz uma reedição nos anos 70 e deve agradece agradece o Fabuloso André cafi tudo que ele me fez ler a respeito desses caras até isso ele sabia Eu não sei se ele não fez a cabeça da Teresina mas acho que aí é
um pouco demais mas deveria ter feito a cabeça da Teresina bom então vamos lá engajamento a filosofia engajada pensamento engajado ou literatura engajada arte engajada Ensaio engajado era isso não queremos escrever para não dizer nada bom parece uma banalidade mas se você leva essa banalidade a sério eu acho que nove nove décimos dos papers escritos nos últimos 100 anos vão pro lixo eu acho muita gente escreve para não dizer nada eles não podemos errar vamos dizer besteira mas não escrevemos para não dizer nada Isto é nós como escritores no sentido amplo que vai dar filosofia
à literatura vamos escrever romance peça De teatro música encher a cara filosofia ler um livro por dia escrever sem parar só para de cai de cansaço desm mas não estamos aqui para escrever e publicar para dizer para não dizer nada Isto é não é mais B let Como foi no tempo do Rousseau e do Voltaire e não é literatura no sentido de literatura absoluto literária dos estruturalistas que virão depois da french Theory nós estamos aqui para dizer alguma coisa para os homens contemporâneos e vamos Def Vamos definir o que que é não sabemos o que
que é a nossa época o que que são os tempos modernos o engajamento Eng é isto até o Adorno Com perdão da uma palavra comeu essa abobrinha ele acha por quê Por qu porque ele ele se baseou com toda a razão com toda a razão ele tem um ensaio chamado onaj que ele pega pelo pé o sart e o brest e ele não tem Papas na Língua demole só que ele pegou o brash vamos deixar para discutir outra Hora porque ele pegou o sart a literatura do sart é ruim com raríssimas exceções como realização literária
deixa desejar ruim aí você tem que explicar porque que um livro é ruim não é fácil explicar porque que um livro é ruim e e seja interessante embora seja ruim não é não é grande literatura o prêmio nóbel que ele recusou era pro conjunto da obra isso não tem preço ele bem ele recusou recusou e depois disse pô mas eu precisava daquele dinheirinho mas eu não Vou virar monumento e recusou mesmo bom então pegando a literatura engajada no sentido literal a sartriana em primeiro lugar com caríssimas exceções ela é ruim e daí para baixo os
que vem depois então um é pior que o outro até chegar não vou dar nomes até chegar na poesia social brasileira e paraar que ninguém aguenta bom salvo menos menos o drumon isso aí é coisa coisa diferente bom então ah não é não é doutrinação é a mesma coisa que ele faz com o bres Na mã não Entrou na cabeça do Adorno e o Adorno é é o Adorno Ele leu toda toda a dramaturgia do brecht e tem tem tem abismos na coisa do brecht em que o brecht dá digamos D carteira assos Tem comunista
lá cagando regra sem parar mas não é só isso tem mais coisa no BR então ele achou que o brecht era um doutrinador ind doutrinador Comunista no s tradicional ele não era ele simplesmente não era ele pode ter escrito muita coisa Sofrível e muitas coisas Geniais mas ele não era Comunista de carteir não estava defendendo o Partido Comunista nem União Soviética tav Como qual ele estava fazendo experimentos sociais teatrais e assim por diante e o Adorno vai em cima disso deixamos o brest BR é comp o sart não o sart é mais fácil de defender
porque ele quer dizer na na na no ataque a ideia de engajamento sartriana o contexto e olha é um filósofo dialed em princípio dialético dialética ainda quer Dizer alguma coisa tem que ver com dois elementos em confronto e e que tem um sistema de vasos comunicantes desapareceu o contexto em que apareceu a palavra engajamento e tem um século de História na França o um Jovem Pesquisador já Doutor aqui da USP Antônio Fernando Vidal longo filho nome dele é longo Antônio Fernando Vidal longo filho longo escreveu ele ia escrever sobre isso ele escrever sobre chegar o
artigo do Adorno Olha tem tá Faltando coisa aqui mas ele começou a pesquisar a origem da ideia de engajamento tanto na direita quanto na esquerda e na mudança dos escritores franceses no fim do século na passag do século 19 para século XX ele descobriu coisas do arco da Vel que ele chegou mal chegou nos anos 30 mal chegou na nas formulações do da época do T moderno e tanta coisa que ele descobriu Olha esse contexto desaparece da argumentação do adurn Então falar do engajamento como Doutrinação e pegar e dar como exemplo as obras horríveis do
do Sartre bom é fácil é não não tá digamos não não um é uma vitória cantada bom aí bom 15 pras 10 eu não vou mais prolongar o sofrimento de vocês hã hã Tá bom tá bom tá bom 15 minutos eu apenas menciono que queria dizer o Seguinte é uma homenagem ao Bento homenagem ao Bento se comenta a obra do Bento eu não vocês viram que eu não tô comentando a obra do Bento e então eu achava que uma homenagem a melhor homenagem que poderia prestar o Bento é o seguinte partir de alguma ideia que
ele deu e tentar fazer alguma coisa é isso então eu vou apenas eh digamos retomar um peixe que eu tentei vender pro que tem o nome cumprido Antônio Fernando Vidal fil eh Há uma Ideia fixa do Bento sobre a qual nós conversamos há muito tempo que ele nunca pôs no papel também nunca foi longe ou também não tinha condições de prolongar e foi ficando por isso mesmo até que reaparece nesse prefácio que ele escreveu para as situações um traduzidos pela minha filha ou nossa filha Cristina pela Cristina querida Cristina aqui inclusive ele de uma maneira
muito diga muito singela ele disse Por falar Nisso ele quer ele quer ele quer comentar a digamos as relações entre o o o o ensaio do satra sobre o PJ o homem e as coisas que é o maior ensaio em extensão umas 50 60 páginas como é que isso chega no Brasil apropriado pelo João Cabral como é que A fenomenologia das coisas que é isso que eles chamavam naquela época A fenomenologia das coisas feit pelo pong repercute no mang de Recife na poesia do Cabral e como é que Isso por outro lado é englobado pela
Lição de coisas do drumon e por sua vez repercute na poesia do Rubens Rodrigues Torres Filho filósofo fano aqui do na verdade poeta e e grande especialista em Fish talvez dos raros em fista não sei se na América Latina no hemisfério ocidental não sei na França deve ter na Alemanha deve ter bastante bom então depois de tudo isso depois da reinvenção do ensaio pelo Sartre e que vai da filosofia ao romance a poesia e assim Por diante e faz o elogio resume o ensai sobre Poncho eu gostaria de fazer algumas conexões com o Brasil Então
vai fazer com o João Cabral drumon e diz E aí disz mas antes de chegar lá todavia falamos brevemente do paralelismo entre os escritos de Sartre e de drumon durante as décadas de 30 bem como do privilégio concedido por ambos ao tempo presente aí ele cita basta abrirmos a nota preliminar das Confissões de minas Que é de 4 publicada em 43 para reencontrarmos o mesmo cuidado sartriano com a datação do passado recente e com a situação da presente da Guerra Mundial e o texto do turbon é o seguinte escrevo estas linhas em agosto de 43
depois da Batalha de Stalingrado e da queda de Mussolini não há muitos prosadores entre nós Portanto vamos renovar o ensaio brasileiro não há muitos prosadores entre nós que tenham consciência do tempo e saibam transformá-lo em matéria Literária Essa é a transformação do Sat não é engajamento no sentido de doutrinação ou romã a tese tem no sarta infelizmente tem é horrível mas a gente esquece melhor frequentemente a literatura se faz à margem do tempo ou contra ele seja por incapacidade apreensão covardia ou cálculo tudo isso se aplica à França dos anos 20 30 é contra isso
que o sar tá falando daí o vasil cont continua durão e o desconforto do texto literário como A insatisfação que ele desperta em cada vez mais descrentes leitores e reticência Termina Esse livro começa em 1932 quando Hitler era candidato derrotado a Presidente da República tá errado não era Presidente era chanceler Ele termina em 43 com o mundo submetido a um processo de transformação pelo fogo estar engrado já tinha virado 4 agosto 43 começa a batalha em fevereiro virou a guerra aí os russos vão empurrar depois De perderem 20 milhões perdendo 20 milhões de pessoas fo
empurrar os alemães até Berlim e isso salvou isso na verdade foram a guerra no teatro europeu eles ganharam e o desembarque só foi possível dia dess só foi possível por causa disso porque aliviou Ah bom isso Di diz o Bento isso é praticamente as mesmas palavras is aqui é mais do que palavras é o teor mesmo é é o ti é o que tava acontecendo ali são as mesmas palavras da apresentação dos tempos Modernos e que de 40 que foi lançado em outubro de 45 eu eu lembrei e mais adiante no ensaio de resposta o
que é literatura resposta à críticas aão modernas que é uma revista que enfim cujo primeiro número é um acontecimento histórico T moderno é um acontecimento histórico Inclusive a apresentação do T moderno também eu não sei se foi Acho que foi traduzo não sei se foi traduzido no Brasil eu li outro dia na na terra Redonda tinha alguém que tinha feito uma Tradução que eu não que eu não conhecia mas era uma é é digamos é o Manifesto do quos chamar de existencialismo de engajamento como nós quisermos chamar o no jargão que melhor for conveniente mas
é o Manifesto de uma nova geração de intelectual combativa que tá escrevendo para um destinatário novo o nosso interesse é escrever para o homem contemporâneo para o homem presente A nossa matéria como diz o poema do do drumon do sentimento do Mundo a minha matéria é o tempo é o tempo presente são os homens presentes Essa é a minha matéria Como era a matéria dessa geração tanto é que essa essa essa Esse verso do sentimento do mundo é epígrafe de uma tese infelizmente não publicada defendido acho que H 25 anos ou mais eu acho pela
Cristina Diniz Mendonça sobre o seriou nada a interpretação entre a relação entre forma filosófica e experiência Histórica no s o nada tanto é que o s o Nada aquela aquele pavê de 700 páginas quando que boa parte hoje é ilegível para alguém que tenha um treinamento específico como se diz na Caps treinamento em filosofia francesa eh foi lido pelos contemporâneos como uma resposta filosófica da Resistência à ocupação alemã e portanto ao trauma do nazismo e a descoberta da história embora não se não e aparece ali uma teoria da temporalidade como orientação para o Lavenir tá
mais ou menos todos leram isso todos leram isso e leram avidamente e se rec conheceram nisso do jovem delus com 18 anos de idade até um camarada do S naquela época que foi meu orientador chamado jantus Sand des Santi que foi do Partido Comunista e foi franer partian nós lemos aquele livraço como se fosse uma coisa biográfica Nossa era a nossa vida que tava sendo registrada ali e a Cristina foi lá e decifrou e tentou enfim vendeu bem muito bem o p mas é um Livro de 800 P impublicável mas tá disponível no banco de
teses da da da USP então mostrando como é essa relação que em princípio era digamos o programa da filosofia moderna ou contemporânea lançada pelos idealistas alemães um século e meio antes que era justamente elevar o seu tempo ao nível do conceito isso era a formulação especulativa do Rei Eles fizeram a mesma coisa o drumon fez a mesma coisa é isso que o Bento tá dizendo o que que significa então Definir a nossa época o nosso tempo o que que é o tempo presente o que que é isso e o sart disse uma época tá lá
na na apresentação do tamod uma época como a vida de um homem portanto é um futuro nada mais do que isso a época é a futuro um futuro planejado por um homem que aspira a ter ter um futuro é isso lepar o sart diz isso com todas as letras na apresentação do do do do tão moderno que depois vai dizer o nosso programa o programa dessa revista Abrange tudo nós vamos falar de tudo que interessa que interessa o homem contemporâneo que interessa os tempos modernos que estão se abrindo agora estão se abrindo agora e vamos
portanto entre outras coisas vamos fazer coisas novas ch que chamamos reportagens Então se pensarmos bem os livros do Sartre os caminhos da Liberdade sobretudo segundo volume chamado sursis não por acaso sursis isso não vou ter tempo em 5 minutos explicar porque que surc tem a Ver com outras coisas Bom enfim é uma reportagem é uma reportagem sobre os impasses da vida política e social na Europa e na França às vésperas ou logo nos meses subsequentes a out Tratado de Munique foi uma capitulação como diz o Como disse O Church que era um outro enfim um
Pati entre outras coisas entre outras coisas el barbarizou no Iraque nos anos 20 ele era era um ministro da Guerra então ele mandou Gazer como se diz guerra de gases química contra Aldeias curdas rebeladas do Iraque bom como diz o o o o o o o Church conservador que era crítico da política do chamberlin perderam a honra e ganharam uma guerra em Munique bom o sart faz uma reportagem sobre isso suris é isso é de como é que eu surpreendo A história se fazendo num instante decisivo e na última hora na última hora e depois
vem a guerra é uma reportagem então eles a nossa Revista dizia na apresentação nós Vamos entre outras coisas privilegiar grandes reportagem sabe quais são os dois exemplos que eles dão de que ele dá de de reportagem os 10 dias que abalaram o mundo John Reed Um Jornalista comunista americano que foi para lá estava em Moscou estava em Moscou não em em São Petersburgo depois do leningrado na época e o testamento espanhol do Arthur kler por mais que ele tenha um passado ou um futuro nebuloso escreveu duas obras primas uma é o zero infinito Sobre os
processos de Moscou bom e portanto vamos ter reportar sobretudo reportagens então uma revista que se dirige ao tempo presente aos homens no nosso tempo ela terá sobretudo reportagens reportagens não num sentido trivial do jornalismo a ele dá dois exemplos que são meditações históricas como acontecia como o camiso estava fazendo na mesma época na no jornal comb editor diretor e editorialista o comb er da clandestinidade depois com a Libertação de certa maneira conduziu a libertação foi o primeiro número não clandestin foi nos dias na semana de agosto da libertação francesa o CAM estava fazendo isso bom
portanto os dois os dois romances da fase digamos assim a política ou condição humana que no eletr tinham ficados no armário não foram soterrados tinham ficado no armário depois vão ressurgir outro momento que eu não vou ter tempo não vou ter tempo de explicar Apenas sugiro que a digamos a a cifra para saber onde é que há essa percepção de que as coisas essa que se abe da nossa frente ela tem ela tem um lado b a ser pesquisada aparece nesse nesse nesse pequeno texto do do Sartre que aparece é um rabicho do T moderna
que uma sessão chamada expos você expos você põe um expos são textos de três quatro páginas ele escreveu um texto chamado o fim da guerra o a revista abre com um um texto do Melon que foi escrito em Junho Chamado a guerra a guerra aconteceu guerra um belo texto é justamente é teoria da da emergência da história nosso encontro com a história como fomos atropelados e não pretendemos esquecer mais essa lição e o texto que fecha a revista o expos do tartre em quatro quatro cinco páginas difícil decifração tem que ler reler com cuidado olha
eu reli pela enima vez agora esses dias por causa da dessa coisa que eu não vou poder falar e descobrir coisas que eu Não tinha pensado ele diz o seguinte a guerra acabou e é como se não tivesse acabado a vida continua ah nos mandaram festejar mas esse povo esfomeado Canado em Paris foi a o fim da guerra a assim chamada paz foi recebida com indiferença e eu quero saber o que que isso que que isso significa e portanto há uma outra digamos portanto esse reencontro glorioso com a história que os transforma isso tá na
na literatura Desse período muitos autores que privilegiam esse termo em em profetas são intelectuais profetas daí o prestígio deles é como se ouvia um profeta falando olha por por aqui homens do nosso tempo nossa a nossa época vai nessa direção pequenas pequenas reformas aqui out TR talvez da revolução não sabemos mas era era um lado Profético de uma uma história um pano que subiu sobe o pano no último livro dessa revista que anuncia isso sart diz Olha continua M uma coisa não nós estamos tão cansados ou tão embotados que não percebemos o drumon diz isso
exatamente na mesma época num livrinho chamado observador o o observator no escritório que é o diário de trabalho dele que ele interrompe num determin momento ele diz a guerra terminou mas foi anunciada tantas vezes nos últimos meses uma capitulação alemã aqui outra capitulação ali assim por diante que a o anúncio oficial do fim da guerra chegou E a minha eu acho que é uma coisa boa ótima mas a minha o meu reflexo é apenas intelectual tal o cansaço deixa eu tomei nota daqui tal ã ã a capacidade de vibração está gasta TR traduzido para o
francês é o teor do artigo dos do sart a nossa capacidade de vibração está gasta alguma coisa aconteceu que a vitória e a paz são irreconhecíveis elas são fato mas elas estão sendo anunciadas oficialmente por Discursos de políticos de gabinete e eu não vejo nenhum dia glorioso acontecendo eles isso nas últimas nessas quatro últimas páginas do T moderno que anuncia exatamente o contrário na na apresentação e no texto básico do Melo Ponti que é o grande é o grande a grande Vedete desse desse número Então ora então uma uma propor que se a partir dessa
ideia do Bento comparemos os dois autores nesse momento o que tá acontecendo no Brasil a guerra Como é que eh foi o que que que aconteceu com a consciência brasileira nesse consciência tempo brasileiro nesse momento a a guerra o que que foi para nós o que que significava um país naquele momento ainda Como diz num Belo ensaio da iú na Maria Simon chamse Mundo Em Chamas e país em concluso que é uma análise da da Rosa do Povo o que aconteceu e como é que eu comparo uma modernização truncada aqui ou pelo menos empurrada pela
guerra e o que tá Acontecendo na França e a renovação da poesia a renovação da literatura os Roman que foi descoberto aqui a nossa e a nossa primeira o nosso primeiro contágio nosso primeiro contacto com o tempo do mundo Mundo ao Contrário da nos anos 30 descobrimos assim chamada realidade brasileira um terma que foi inventado naquela época que é lembrado pelo Antônio e na com a guerra aconteceu alguma coisa o mundo entrou aqui isso e Começa a entrar na poesia do dulon quem Analisa isso muito bem é o Marco o Murilo Marcondes Moura de Moura
que tem um livro chamado mundo sitiado que é sobre a relação entre a grande Guerra e a poesia brasileira sobretudo drumon e um pouquinho o Murilo Mendes então a começar a comparação por aí que que foi os anos 30 aqui o que que foi os anos 30 Que que foi a modernização ou americanização da França naquele momento depois será completado p degol e Companhia e assim por diante mas há um interregno nesse interregno em que essas duas publicações esses dois pensadores essas dois escritores em última instância com drumon e o Sartre embora o sart não
se soubesse nem que existisse vai saber só em 60 que existe alguma coisa como brasí porque ele tá tá vindo de Cuba e vem ao Brasil aí descobre ex o Brasil o drumão já sabia da existência do sart o que que mas não há influência direta não se bem que na antologia que Ele Drum organizou tem lá uma um capítulo estar no mundo entende ele adota já o o o jargão vamos puxar uma angústia mas ele mas ele foi um cochilo foi um cochilo mas aí já tá esse existencialismo já estava banalizado ele não era
ele não era isso ele era uma nova reflexão sobre e bom É verdade bom aí eu já vou eu teria que já passei os 10 as 10 horas bom Se quiserem quiser debater até meia-noite eu Tod as horas Muito [Aplausos] obrigado eh então eu tá brincando vaier é eu ouvi falar que nas conferências de encerramento não há lugar a perguntas né não há debates Então a gente vai levar essa reflexão para dormir ter sonhos e quem sabe procurar uma abertura histórica para esse momento né porque se eu perguntasse isso para ele Qual é a abertura
histórica atual e o que seria ser o Engajamento hoje a quem não devemos nos filiar eh acho que a gente ia ficar até meia-noite mesmo né então muito obrigado [Aplausos]