Bom dia, moçada! Tudo bem? Sejam bem-vindos de volta!
Baita prazer reencontrá-los aqui hoje, dia 11 de março, para mais uma reflexão estóica. Hoje, meditação de Epicteto, nosso velho conhecido filósofo que foi escravo e sofreu bastante na vida, motivo pelo qual entende mais do que qualquer outro a importância do estoicismo na vida de uma pessoa. Hoje, com uma meditação intitulada "Viver sem restrições", eu já faço aqui uma advertência inicial: muitas pessoas (eu já comentei isso aqui) acham difícil o estoicismo porque é como se fosse contrariar a natureza humana.
O estoicismo nos ensinaria a solapar desejos, a solapar paixões, a bloquear vontades. Quando essas vontades, desejos, inclinações e caprichos são vistos como coisas naturais, e o controle disso fosse algo exterior, algo, por assim dizer, artificial em relação à nossa existência. Para o estoicismo, é o inverso disso: é a compreensão de que solapar essas paixões, controlar essas emoções e caprichos evoca exatamente o melhor da natureza humana, exatamente o melhor da dignidade da nossa existência.
Portanto, quando vocês me relatam: "Denis, eu tô tendo muita dificuldade em aplicar no meu dia a dia essas lições, é difícil, eu me descontrolo, eu tenho problemas com as emoções", etc. , na verdade, o que nós estamos fazendo é tentando recuperar o melhor da condição humana, o melhor da natureza humana. Por isso, para o estoicismo, antes de qualquer coisa, antes de qualquer reflexão filosófica, é preciso conhecer a natureza humana para que eu possa extrair dela o melhor.
O estoicismo é uma derivação de um bom conhecimento, de um conhecimento suficiente sobre a natureza humana, para daí extrairmos o melhor dela. Bom, feita essa observação inicial, leio Epicteto: "A pessoa para a qual não há limites, que tem nas mãos o que quer, não importa a circunstância, é livre. Todo aquele, porém, que pode sofrer restrições, ser coagido ou pressionado a algo contra a sua vontade é um escravo.
" Cuidado com essa reflexão para ela não te levar a pensar uma coisa que é enganosa: qual é o homem que não tem restrições? Qual é o homem que experimenta o máximo da liberdade? É o homem que depende de pouca coisa!
É o homem que encontrou o remédio dentro de si. É o homem que não deseja controlar o que não pode ser controlado por ele, mas controla com grande capacidade aquilo que pode ser controlado por ele. Esse é um homem livre.
Por outro lado, quando você está o tempo inteiro dependendo de concessões, o tempo inteiro dependendo do que vão pensar de você, o tempo inteiro dependendo do que vão dizer de você, o tempo inteiro dependendo de conjunturas a respeito das quais você não tem qualquer domínio, você é um escravo. Você é o escravo, não o outro, que não depende de praticamente nada, a não ser daquilo que consegue dominar. Esse homem que se treinou a esse ponto, o resto é escravidão, é servidão.
No comentário dos nossos autores, dê uma olhada em algumas pessoas (desculpa, em algumas das pessoas mais poderosas, ricas e famosas do mundo). Ignore os adereços do seu sucesso e o que elas são capazes de comprar; olhe, em vez disso, para o que elas são obrigadas a negociar em troca. Olhe para o que o sucesso lhes custou.
Olhe o tipo de concessão que essas pessoas têm que fazer. Olhe o tipo de escravidão a que essas pessoas tiveram que se submeter para atingir um determinado grau de sucesso, de fama; o tipo de negociação que elas tiveram que fazer com seus próprios destinos para atingir aquele ponto, como se atingir aquele ponto fosse sinônimo de satisfação, quando, na verdade, não existe verdadeira satisfação na escravidão. Não existe verdadeira satisfação naquilo que nunca pode ser preenchido: o desejo por mais, o desejo por mais fama, mais dinheiro, mais reputação, mais e mais e mais e mais.
. . isso não para.
Uma pessoa assim vive uma vida viciada na incompletude. E o que lhes custou mais? O que custou mais a essas pessoas?
A liberdade? “Não, eu sou um famoso jogador de futebol. ” Ok, então você não pode fazer isso, você não pode fazer aquilo, você não pode falar aquilo, você não pode imaginar, pensar tal coisa, você não pode ir a tal lugar.
Se você for, então o trabalho delas exige que os detenham. Seu sucesso depende de que compareçam a certas festas, cumprimentando com beijinhos pessoas de que não gostam. Isso exigirá, inevitavelmente, que elas se deem conta de que são incapazes de dizer o que pensam de verdade.
Existe uma coisa mais triste na vida de uma pessoa, de um ser mortal, que tem uma vida que não durará mais do que algumas décadas, na melhor das hipóteses, do que ter que o tempo inteiro fazer conta do que você vai dizer, por exemplo, de como pensa a respeito de alguma coisa. Os filósofos helenísticos tinham um termo que é "parrhesia", que é a liberdade de dizer, liberdade de falar, e essa liberdade eles não trocavam por nada. Como eu não posso.
. . Talís, vem cá, papai.
Talís, vem cá. Talís vem aqui, no papai. Senão, o pessoal briga com o papai.
Vem cá, senão papai fica recebendo comentários hostis. Thales, vem! Vem, filho!
Tá doidão, ele tá doido! Quando entra na adrenalina maluca, ele só quer. .
. Papai, eu tô satisfeito! Põe mais ração para mim!
Eu quero mais uma comidinha, não custa nada! Você tá nervoso? Eu tô falando que você não é histérico!
Que você tá nervoso! Controle esse menino. Você não quer descer do colo?
É por isso. Vem cá, vem cá! As pessoas vão pensar assim: "O papai só tem cachorro doido.
" Que que você tá na loucura? Que que você tá na loucura, moleque? Hum, você também tá rosnando.
Você também tá rosnando. Você tá nervoso? Também tá?
Todo mundo na loucura. Tá todo mundo na loucura, na adrenalina. Tá todo mundo na adrenalina.
Você tem respeito, menino! Desce, vai lá, vai brigar com seu irmão. É, é, é, é o sangue!
Pincher! Posso voltar? Ele exigirá, inevitavelmente, que elas se deem conta de que são incapazes de dizer o que pensam de verdade.
Estava falando da parte dessa liberdade de fala, dessa liberdade de dizer o que você pensa. Ah, então você tem que controlar isso o tempo inteiro, né? Puxa, eu tô.
. . eu penso uma coisa a respeito disso, mas se eu disser isso, eu vou perder, eh, 15 curtidas, eu vou perder 400 seguidores, eu vou perder eventualmente o meu emprego, eu vou perder a fama como eu a conheço, eu vou perder o salário como eu conheço.
É uma escolha, é uma escolha. Não deixa de ser uma escolha do tipo de vida que nós queremos ter: uma vida que seja para os outros ou para nós mesmos, né? Uma vida que seja autêntica ou uma vida que seja mascarada, falsa.
É uma escolha. Pior, ele exige que se torne um tipo diferente de pessoa ou que façam coisas más. Pode chegar a esse ponto.
Não, beleza, você vai ter sucesso, você vai ter conquistas, você vai ter realizações, mas eu preciso que você não seja quem você é. Houve um tempo. .
. Tava lendo uma entrevista outro dia, né? Uma entrevista, uma reportagem.
Os caras falavam assim: "Pô, era tão legal! " Eu não gosto, não gosto de futebol. No sentido, não que eu odeio futebol, eu não acompanho futebol e tal, mas houve um tempo em que os jogadores de futebol eram mais livres para dizer as coisas, né?
Então era engraçado: o cara saía de um jogo, provocava o outro, soltava um palavrão, e aquela marra e tal. Agora o cara tem um contrato com uma empresa que, no compliance da empresa, diz que o jogador não pode falar tal coisa. Então o professor tem que se controlar, o artista não pode dizer porque senão.
. . Enfim, sem dúvida isso pode pagar bem, mas elas não avaliaram de verdade essa transação.
Como disse Ceca, a escravidão reside sob mármore e ouro. Eu conheço uma pessoa — claro que eu não vou nem sugerir o sexo dessa pessoa — eu conheço uma pessoa muito famosa nas redes sociais e, uma vez, conversando, essa pessoa me disse assim: "Olha, em alguns momentos, finjo estar bem com a minha companhia, com a pessoa com a qual eu estava, para não passar uma impressão de litígio, seja lá o que for, porque eu vivo disso. Eu falo sobre relacionamentos, eu falo sobre amor, eu falo sobre família, etc.
" Então essa pessoa me fala: "Ah, às vezes eu sou reconhecida no aeroporto e não estou bem com a pessoa com a qual estou, com a minha companhia, mas tenho que fingir estar bem. " Cara, que merda! Que merda de vida!
Dizer que você atua o tempo inteiro, que você tá com a máscara o tempo inteiro e se torna escravo dessa máscara. Muitíssimas pessoas de sucesso são prisioneiras em selas fabricadas por elas próprias. É isso que você quer?
É para isso que você está trabalhando tanto? É para isso que você trabalha tanto, para construir para você uma gaiola de ouro? Ah, é de ouro?
É uma gaiola! Moçada, não se esqueçam de que nós estamos no mês de aniversário da Sociedade da Lanterna. O nosso grupo de WhatsApp para receber todas as informações está na descrição.
Será um grande prazer contar com vocês no melhor espaço não acadêmico do Brasil hoje para tratar contato com as coisas da filosofia. Tá bom? Beijo para vocês, excelente dia.
Até já!