e o problema é a construção historiográfica do mito da semana de 22 como o ponto de partida do Modernismo no Brasil não só a ponte Partida com o começo meio e fim [Música] meu nome é Rafael Cardoso eu sou Historiador da arte membro do programa de pós-graduação em história da arte da UERJ Universidade do Estado do Rio de Janeiro e pesquisador associado ao Instituto da América Latina do da universidade livre de Berlim é bem É a queria estou aqui para falar sobre a semana de 22 é um assunto que tá que tá todo mundo falando
a respeito disso agora é mas eu acho que eu tenho eu tenho impressão que a conversa e nós precisamos ter sobre a semana de 22 principalmente nós como mistura com misturadores essa conversa não está ocorrendo é a conversa que eu tô na imprensa é infelizmente uma conversa que virou bate-boca Raso Barris trata Rio versus São Paulo é a das pessoas não estão em que defendeu o modernismo atacar o modernismo isso não isso não adianta a compreensão no modernismo que é o que nós precisamos repensar Qual é o qual é a função de uma comemoração como
centenário de uma Semed para próprios historiadores é uma oportunidade boa de alugar com a sociedade civil conjunto com as pessoas que não são misturadores o jantar avançar adiantar a conversa fazer uma conversa andar né Eu acho que ele que nós temos um a um bom tempo na história da arte um consenso entre estudiosos de que não existe um modernismo nem quase ninguém eu conheço fala em o modernismo as pessoas falam e modernismos é o ou então um determinado os movimento simbolista o movimento o construtivismo as pessoas falam de movimentos que realmente de fato tem alguma
alguma consistência histórica o modernismo não é o movimento é um construto histórico na conta consulta historiográfico essa daqui que foi foi forjado essencialmente entre as décadas de 1930 e sessenta e nós e os leigos trata-se conjunto historiográfico como se ele fosse um movimento de fato como nós podemos falar sobre o modernismo e assim está falando sobre alguma coisa coerente e não estão nós estamos falando sobre um campo de forças no campo de trocas de atrações é um campo de possibilidade que abrange vários movimentos abrange muitas muitas regiões geográficas e há dois momentos distintos então por
exemplo vou dar só um exemplo as diciclopedia o jornalismo cultural tende a colocar a antropofagia como uma continuidade com uma semana 22 tão você deve ser constantemente é a antropofagia é como se ela continuasse no final da década de 20 O que foi iniciado em 22 EA claro que isso tem um motivo factual Oswaldo de Andrade era que lhe deram antropofagia ou for uma das pessoas mais importantes do movimento antropofágico também participou da semana de 22 e que portanto a alma continuidade de pessoas e Recursos Humanos atores no entanto alguns a revista de antropofagia muito
claro ela é contra a semana de 22 ela dizem com todas as letras tem um artigo dois Valdo Costa em que ele fala muito muito explicitamente diz desanca semana a gente dois já que eu não teve nenhuma relevância que aquilo importação de ideias não contribui em nada de novo e ele fala textualmente que a semana de estojo foi falso modernismo quer dizer isso é um dos autores principais na revista antropofagia Certamente ele fazer um tudo em grupo certamente isso com a concordância do hoje o Alto da Tarsila é dele estavam ali comprando uma briga assim
se posicionado em 29 como o contrário a tinha sido realizada a Semana de 22 e portanto é existe qualquer fundamento para sim entender a outra fazia como continuidade de 22 não é as propostas estéticas são diferentes as pessoas o e o movimento se manifestou claramente contra o outro que a como eu peço uma revisão do primeiro movimento é o Mário de Andrade em 24 escreve na na revista médica brasileira que o modernismo o movimento 22 acabou isso em 24 ele fala que assim cada um tomou seu rumo cada um tomou uma direção diferente e que
aquele movimento ficou ficou em 22 é é interessante que já em 24 de 24 a 28 A gente tem a divisão daquele grupo é que se uniu essa massa gente dois em pelo menos três quatro correntes então tem o grupo da Anta daqui depois deve vir o verde amarelismo Tem o grupo do Oswaldo que depois viram ntropofagia o que as pessoas que não estão alinhadas com eles os grupos até o grupo em torno do Mario né que fique o que acaba se consolidando depois 25 28 como o grupo hegemônico que o que controla a memória
do celular de 22 é importante entender essas sutilezas é importante que o público geral tem alteração dessas esses conflitos dessas disputas eu acho que essa é essa questão que agora você entrar na área da semana nós temos a ocasião de fazer uma revisão do não somente vai a revisão historiográfica é entre nós entre os historiadores vem sendo feito vem sendo feita desde a década de 80 eu gosto os primeiros primeiros tentativa de desconstruir essa semana de dois são lá tão lá no final da década de 80 é só sem estou há nada de novo entre
historiadores mas está na hora de e essa ideia de complexidade de disputas de que os modernismos existem e subsistem é quando eu falo os modernismos evidentemente não tô me referindo só as correntes subordinados ao poder região Paulista também se referindo principalmente a corrente diferente propostas ideológicas diferentes de modernismo é o acepciones podemos tomar o Modern os modernismos ou a modernização Cultural de modo geral como um fenômeno de resposta modernidade respostas artísticas literárias musicais a modernidade a condição da modalidade Então as respostas são vários não é uma resposta aí estamos num terreno ainda mais complicado o
resto da história da arte para que a consumida por não historiadores da arte continua a prevalecer a leitura do do planeta Blender é a ideia grinberg Ana que modernismo é um alto autonomização da linguagem que modernismo em pintura por exemplo é deixar para trás da representação e caminhar em direção a abstração em direção a consciência da superfície pictórica como com o meio então o ou seja o modernismo seria uma discussão reflexiva de sobre linguagem Isso é uma vertente do modernismo é isso é uma possível vertente quando a gente faz quando a gente favela um pouco
mais para trás dentro da evolução histórica do movimento modernista sentido amplo os movimentos modernistas melhor dizendo a gente vai ver Por exemplo essa não era a proposta do Ruben Dario ela essa não é a proposta do modernismo histórico dos da década de 1990 a proposta deles não tinha a ver com a autonomização da linguagem o refinamento de linguagem e um refinamento de linguagem voltado para a ideia de autonomia é nacional geográfica de aos inferno é uma modernismo militantemente latino-americano EA anti europeu e americano Isso é uma vertente Modernista outra vertente Modernista a que vem aqui
vem de artes ofícios na Inglaterra essa e do do grupo levar na Bélgica é equivale diságua eventualmente na Bauhaus essa proposta de e construtivismo russo claro essa essa vertente Modernista também não tem nada a ver muito pouco a ver com a ideia grinberg Ana de autonomização da linguagem e caminhada a figuração para abstração ao contrário essa essa é uma Vanguarda histórica engajada politicamente ideologicamente com proposta de esquerda então a ideia da revolução a ideia de e tchau a ideia de que a arte moderna serviria para parar de fazer arte começar a falar para pouco se
vocês a fazer arte para todos a ideia de fazer de fazer design de fazer as aplicadas é de de privilegiar aquilo que é que poderia ser consumido pela massa então assim essa é uma segunda proposta é a modernizadora e eu diria Modernista que independe do modernismo aquele que normalmente o senso comum associa o modernismo sejam alma modelo vinho verde Olá 12 anos de modernismo você já esta discussão é complexa mas aí quando você pega essas três matrizes e ver como ela se desenvolveram e seus respectivos países regiões é e cidade aí começa a questão possa
ser batizado por classe social no caso brasileiro por questões raciais né e é por questões de gênero E aí você começa a a discussão fica ainda mais complexa do que eu digo isso porque por exemplo uma coisa eu trabalho o meu livro maternidade preto e branco tá quê que saiu agora é discutir muito o design gráfico é meu chuchu muito o a produção de revistas de revistas ilustradas disse disse grande circulação na década de 10 e 20 no Brasil é essas revistas são tradicionalmente marginalizados pela historiografia do modernismo artístico no Brasil porque elas são consideradas
que elas não são Artes por quê que elas são consideradas que elas não são antes porque o Brasil é um país que continua a viver uma concepção elitista década de 650 do que a arte né é o Brasil continua preso essa ideia de que a arte é uma atividade que não pode ter uso comercial não pode ter circulação de massa não pode ser é para todos ela tem que ser e isso é uma ideia dentro da história da arte ou é uma ideologia bastante ultrapassada mas tem continua a vista e já não no certos meios
de formação de opinião é intelectual no Brasil então assim temos tendência a olhar para as revistas mostrados com a produção de segunda categoria o segundo importância que o meu argumento é que ao contrário a gente quis inverter o foco e perceber que essas foi no campo do design gráfico que foram feitas as experiências mais radicais em termos de visualidade e linguagem plástica no Brasil o que se fazia em revistas ilustradas na década de 10 não for superado na década de 20 30 ou 40 pela pintura de cavalete então assim temos um dilema interessante a cidade
brasileira é uma sociedade onde as coisas ao contrário do que muito do que eu acho que os intelectuais gosta a sociedade onde a novidade não foi não conversou com os intelectuais e foi para o povo mas ao contrário foi a cultura midiática o que nós podemos habilidade uma cultura de massa Nascente que na verdade gerou produtos culturais é a modernistas muito mais de Vanguarda muito mais radicais e revolucionários e o que foi produzido pela intelectualidade que tava na verdade produzindo a última produção pictórica bastante arranhada em relação ao que seus pares e colegas faziam na
Europa essas especificidades de cada cultura de cada região de cada cidade é dica de especificidade de classes de dimensão de classe raça gênero que são diferentes de país em país de lugar em lugar era precisam ser levados em consideração se não antes aplai Nando a complexidade da questão histórica e esse para mim é o grande problema da semana a gente dois pode Cola assim eu sempre falo com ela que você me perguntam O problema não é a semana de 22 a semana de 22 ela é interessante foi um evento extremamente interessante que marcou época aqui
em São Paulo que teve que gerou frutos é a semana de dois é não é algo a ser estudado e e tem tem seu valor e nunca vai ser apagada O problema é a construção o gráfico do mito da semana de 22 como o ponto de partida do Modernismo no Brasil não são a ponte Partida com o começo meio e fim que aquilo el modernismo tá sem esse mito historiográfico ele não é gerado em 22 ele foi gerado pós-1945 aí Acabei de publicar um artigo sobre isso na estudos avançados analisando essas coreografia a construção Nossa
historiografia a partir do fim do estado novo e foi e está diretamente ligado ao fim do estado novo assim não não é não é não é por acaso que ela acontece em 45 ela começa a acontecer 45 exatamente como uma reafirmação da Autonomia Paulista e da da ideia de São Paulo como uma nação como um país a parte do resto do país aquilo que tinha sido roubado durante a ditadura do estado novo pela supressão das elites paulistas e pós-45 tema tentativa sistemática do e do Didi guardar entre qualidade Paulista é apoiada pelo Estado de reafirmar
a ascendência de São Paulo isso Vai resultar em tudo que nós sabe tudo que nós conhecemos a Museu de Arte Moderna Bienal de São Paulo o Quarto Centenário toda toda toda aquela aquele complexo é tanto aquele fervilhamento daquele 50 que transformou São Paulo em capital cultural do país a questão é que como e por que isso foi isso ver a ser construído e qual foi o papel da semana de 22 nesse processo a semana 22 é resgatar da segunda vez eu estava esquecida tava com Tava morta no final dos anos 30 e início do Orlando
de 40 a famosa palestra do Mário de Andrade o movimento modernista o tiro de Misericórdia o Mário Mário pôs fim à agonia de um movimento que que já te que já tinha acabado e pra e ele com a autoridade dele com a voz dele com Como como o dono do movimento quiser erramos erramos foi um vídeo caminho temos começar tudo de novo agora o que acontece isso foi 42 em 45 a gente começa a enterrar os seguidores que o bastante errado fala do Mário tô assim quem se lembra da sua palestra se lembra do trecho
em que ele fala sobre o direito à experimentação artística permanente eles são três que é sempre citado a parte onde ele fala que o o desejo acabou aí foi um fracasso que o movimento a semana agente dois não pode servir de exemplo a ninguém mas pode servir de lição ele diz o texto aumente Essa parte é sempre apagado esquecido a partir de 945 então sem temos que o ano que ele morreu então assim Pode morte do Mario tem uma tentativa de apagar a autocrítica que ele fez ide é alavancar semana gente dois como um triunfo
Oi e esse esse processo combina obviamente em 72 não Cinquentenário não necessariamente por causa da ditadura não é que a ditadura tenha promovido isso mas que que coincidiu com a ditadura EA ditadura é de certa forma achou aquilo cômodo porque os generais de 72 também se viam como herdeiros do tenentismo né então para eles 22 também era uma data simbólica então assim a ideia de celebrar um modernismo nacionalista é que nasceu no mesmo ano em que nasceu o movimento que eles acharam que eles consideravam a origem dele não lhes pareceu mal tanto que não sei
o tanto que não censuraram ao contrário é aquilo foi apoiado oficiosamente em alguns casos oficialmente então é temos saiu o problema da fotografia na O problema não é semana 22 O problema é a fotografia construir você e a 72 tamil ver a função do Centenário hoje para nós historiadores é de fazer essa revisão de consolidar essa revisão está sendo feita desde os anos 80 e de comunicar ela para o público que os jornalistas culturais parem de falar em o modernismo é o movimento modernista e passem a a problematiza lhes passasse a falar em modernismos as
paciências falar em disputas passa falar em movimento diferente que passa a entender por exemplo outra outro exemplo que para mim é a gritante na aberração é a forma que tá que tratam Tarsila de Amaral como se ela fosse uma figura subordinada no movimento antropofágico como se ela fosse a musa da antropofagia né é isso é um absurdo o próprio ogival de dizia que a respiração para para o para o Manifesto foi o quadro Abaporu que aquilo nasceu no diálogo dele com a com a imagem que ela criou é e o BOPE que foi que integrante
do movimento que foram os primeiros a historial movimento de ele dizer que Tarsila era chefe do movimento mas assim é claro que a Tarsila é importante é claro que ela é uma liderança Claro que ela foi uma das figuras principais do movimento antropofágico e no entanto o jornalismo cultural a o senso comum da historiografia e aquilo que elas enciclopédias continuou tratado Tarsila como como se ocupasse um papel secundário isso nada mais é do que é machismo e esse tipo de problema metrô problematização das relações das disputas das estruturas das versões e revisões que nós precisamos
fazer que eu tenho impressão que nós historiadores temos um mea-culpa fazer o mar e o Mário de Andrade defesa dele e nós temos que fazer a nossa nós temos sido um pouco omisso não é como e o que nós estamos fazendo é nós temos deixado isso acerta acerta as pessoas que dá certo populariza dores que não são os bons historiadores ele ter visto eles não estão fazendo o que nós fazemos Eles não estão a par das discussões e debates que nós estamos tendo então é temos a tendência a querer recontar a histórinha de novo da
também recontar uma história com alguns plot twists diferentes enfatizando isso aquilo fazendo um pouco de sensacionalismo nenhum deles dar essa dimensão da complexidade da história da prova da problema problematização das disputas é este o é o caminho mais fácil é a narrativa fechada e mastigadinho é e a contração narrativa aquela que que eu acho que nós precisamos tudo levar dizer assim não é essa narrativa e ela simplificadora ela aplainadora ela ela ela ela apaga as diferenças o problema de jogar holofote em uma coisa em um evento em um episódio em um grupo em uma pessoa
é que nós conhecemos o Brasil Brasil num país de recursos ilimitados o Brasil não é um recurso de um país atenção e ilimitada é um país Um país que ao contrário tem uma pagamento da memória é aqui é conhecido na tem um tema tendência a não lidar com seu passado o a queria acreditar lidar com seu passado então quando nós jogamos um holofote sobre um episódio com a semana agente do Hoje nós estamos tirando o a claridade a luz em relação a todo o resto tá tudo em torno tudo que não está aquele palco do
Teatro Municipal tudo que não está sendo é focado como o herói com a mente E aí vêm as perguntas que hoje estão vindo eu acho que elas são certinhas Porque que as pessoas não olham do Rio Grande do Sul para o Pará Pernambuco para Minas Gerais porque as pessoas não olham para os negros para os indígenas para mulheres Porque as pessoas não olham para os autores que não eram que não foram canalizados é pelo modernismo literário por quê que o porquê o pré-modernismo por quê que Lima Barreto não é Modernista essas perguntas todas que vêm
sendo feitas há muitos anos elas hoje atingiram um ponto que elas não podem mais ser contidas porque o que as pessoas básicas não estão dizendo é porque que eu não estou na sua historinha é porque que a história que você tá contando sobre modernismo não me inclui na minha barca não não toca na minha vivência na minha experiência e essa reivindicação é mais do que justo tão é o recado que eu queria deixar seria esse teria de a gente não a perder não se dispersar em polêmicas esteres e ao contrário Continuará trabalhando essa nova onda
historiográfica no sentido de levá-la para além do do circuito restrito do estado da arte na ele vai levar lá para o aluno levar ela para o leitor leitor jornal levar ela para as pessoas que estão buscando um entendimento é diferente da dessa desse fenômeno viu que foi a semana agente dois então eu eu fico feliz que eu acho que assim não acho que o balanço distante ela só vai poder fazer daqui alguns meses alguns anos mas tem uma impressão nós já conversa andou um pouquinho no nesse último esse último mês dois meses é eu espero
que este o o efeito disso seja duradouro mas isso vai depender unicamente de nós nós temos que melhorar a nossa comunicação é eu o que se chama na universidade de extensão né É só ensino-pesquisa-extensão nós temos que melhorar nossa extensão nós temos nos enxergava também encastelado muito e isso não tá surtindo Resultado positivo